sábado, 6 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Titãs - "Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas" (1987)
"(...) Uma terra onde o ídolo, o Cristo, o Deus está completamente distorcido. Então é uma frase longa que tem várias conotações, mas tem esse sentido popularesco que é usar a palavra 'banguela' associado a 'Jesus', que são dois termos tão populares e tão pouco casados que nessa frase ficam muito bem.
É o pólo positivo e o pólo negativo.
É uma equação, não é nem uma frase."
Nando Reis
O funk de “O Quê?”, por exemplo, é extremamente mais bem trabalhado e aperfeiçoado em faixas como a ótima “Comida”, dos grandes hits do álbum e “Diversão”, também de boa execução, trabalhada com samples e programação de bateria.
“Todo Mundo Quer Amor”, letra concretista de Arnaldo Antunes é o melhor exemplo da evolução do experimentalismo de um disco para o outro, numa faixa curta, minimalista, quase que apenas de transição, toda desenvolvida a partir de programações , samples e colagens; mas músicas como “O Inimigo”, que apenas repete dois versos o tempo inteiro, e “Infelizmente”, letra praticamente narrada sobre uma batida constante com inserções eletrônicas, também trazem esta característica de experimentação bem presente.
O peso, o punk, a energia mostrada anteriormente também não faltam, mas aqui, em “JNTDNPDB” aparece menos cru. A excelente “Lugar Nenhum” é mostra evidente disso numa porrada básica, agressiva, distorcida porém muito bem trabalhada pelo produtor Liminha, o nono titã; “Armas pra Lutar” é outra que carrega no peso com ênfase especial para a bateria precisa de Charles Gavin; e a ótima “Nome aos Bois”, de guitarra aguda, repetida e constante, tem o peso moderado porém é extremamente contundente sem dizer efetivamente nada, apenas listando nomes de personagens famosos e históricos, e deixando-os para quem quiser lhes atribuir os devidos predicados.
O disco traz ainda “Corações e Mentes” e “Desordem”, dois rocks bastante acessíveis, bem pop, dosando bem os elementos do disco; “Mentiras”, que apesar de ter inegavelmente qualidade e apresentar uma certa complexidade na introdução do refrão, é a mais fraca dos disco na minha opinião; e a canção que tem o nome do disco, “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” que apenas repete a intrigante frase o tempo inteiro acompanhada de um magnífico instrumental dosando peso, agressividade e técnica, com um excepcional trabalho de guitarra que aparece em solo praticamente o tempo inteiro durante o desenvolvimento da música.
Vale destacar ainda dois detalhes interessantes: um deles é a ótima capa, inteligentemente sugestiva tanto no que diga respeito a época, em se referindo a Jesus, quanto a dentes, lembrando uma grande boca desdentada; e o outro detalhe é a não identificação dos lados do LP, seu formato original de lançamento, como lados A e B ou 1 ou 2 como seria o habitual, e sim J e T objetivando, de certa forma que o ouvinte não tivesse a noção exata de qual seria o início ou o fim dos disco, podendo escolher aleatoriamente por onde começar a audição. Com o CD não teve jeito e teve-se que escolher por onde começar e começaram extamente por onde seria o meu lado B, uma vez que sempre comecei pela faixa-título do disco. Além disso o Cd traz um extra, a música "Violência" que, sinceramente, pra mim não acrescenta nada. Mas o que vale é o disco original e esse, sim, é espetacular.
Pra quem duvidava que os caras conseguissem fazer melhor, ali estava: “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” era um passo à frente. Um disco tão bom senão melhor que seu lendário antecessor.
Então agora sim, depois de dois discos como aqueles nunca mais conseguiriam fazer algo melhor.
Não?
Errado!
Ainda fariam “Õ Blésq Blom”, melhor tecnicamente, mais bem acabado e ainda mais aperfeiçoado nos conceitos que os dois clássicos anteriores. Mas isso é assunto para outra hora. Para outro ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
01. Todo Mundo Quer Amor (Arnaldo Antunes) 1:18
02. Comida (Antunes, Marcelo Fromer, Sérgio Britto) 3:59
03. O Inimigo (Branco Mello, Toni Bellotto, Fromer) 2:13
04. Corações e Mentes (Britto, Fromer) 3:47
05. Diversão (Britto, Nando Reis) 5:07
06. Infelizmente (Britto) 1:34
07. Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (Reis, Fromer) 2:11
08. Mentiras (Britto, Fromer, Bellotto) 2:09
09. Desordem (Britto, Fromer, Charles Gavin) 4:01
10. Lugar Nenhum (Antunes, Gavin, Fromer, Britto, Bellotto) 2:56
11. Armas Pra Lutar (Mello, Antunes, Fromer, Bellotto) 2:10
12. Nome Aos Bois (Reis, Antunes, Fromer, Bellotto) 2:06
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Ouça:
Titãs Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas
Cly Reis
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
cotidianas #182 - Democracia
- É hoje, Glória! É hoje!
Ela sorriu em assentimento e olhou em volta com os olhos marejados.
Aquela massa humana.
- Olha toda essa gente. Olha essa gente toda, que coisa linda. Hoje nós vamos mostrar que a gente pode fazer a diferença – disse ele indisfarçadamente emocionado, e ainda completou– Hoje nós vamos fazer história!
Ergueram os cartazes, as faixas, um grito de ordem e um aceno lá da frente e todos colocaram-se em marcha. Era um mar de gente.
O helicóptero sobrevoava os manifestantes.
Ali perto, a alguns quarteirões os soldados se preparavam. Os capacetes e escudos lustrosos reluziam contra o sol.
- Avançar!
Tom Waits - "Rain Dogs" (1985)
"Pessoas que vivem na rua. Você sabe, como depois da chuva você vê todos esses cães que parecem perdidos, andando por aí. A chuva remove todo o odor, toda orientação deles. Então, todas as pessoas no álbum estão entrelaçadas por alguma maneira física de compartilhar essa dor e desconforto."
Tom Waits,
definindo a expressão
que dá nome ao álbum,
“Rain Dogs”
definindo a expressão
que dá nome ao álbum,
“Rain Dogs”
Sempre lembro da minha mãe se referindo ao Tom Waits como “roncoio” quando eu ou o meu irmão ouvíamos o “Rain Dogs” lá em casa. Chamava assim por causa da voz rouca, rasgada, doente, parecendo ébria e que por vezes ele ainda força um pouco mais para reforçar estas características. E efetivamente o vocal do Sr. Waits é um pouco disso tudo, mas no que não desdoura em nada – muito pelo contrário – toda sua qualidade, capacidade vocal e versatilidade. Em “Rain Dogs” de 1985, Tom Waits passeia pelos mais variados gêneros colocando sua rouquidão a serviço de interpretações admiráveis e singulares. Vai da polca pouco tradicional “Cemetery Polka” ao rock’n roll rasgado de “Union Square”, do country bem caipira, na romântica e chorosa, “Blind Love” ou na ótima “Hang Down Your Head” ao jazz charmosíssimo de “Walking Spanish”; ou indo de uma trilha de filme de espionagem (“Midtown”) a um poema musicado (“9th. and Hennepin”).
A diversidade eclética não para por aí: tem a espetacular salsa “Jockey Full of Bourbon”; “Big Black Mariah” outro rock’n roll clássico, este com participação de Sir. Keith Richards; o jazz de cabaré “Tango Till They’re Sore”; o bluesão “Gun Street Girl”; e um tema funeral típico de Nova Orleans, “Anywhere I Lay My Head” que fecha espetacularmente o disco em uma interpretação emocionante de Waits.
Vale destacar também a faixa que abre o disco, “Singapore”; a excelente faixa título, “Rain Dogs”, com sua introdução de acordeão; “Clap Hands” com a voz sussurrada de Waits e uma percussão muito interessante; a lamentosa e tristonha balada “Time”, outra das grandes faixas do disco e a boa “Downtown Train”, por certo a mais popzinha do disco.
Enfim, todas mereceriam destaque. É daqueles discos indefectíveis.
Rouco, louco, bêbado, doente... que seja. Defina como quiser. O certo é que trata-se de uma das vozes mais peculiares e competentes do universo atual da música e um músico completo capaz de um trabalho indefectível como este “Rain Dogs”, um dos grandes álbuns dos anos 80.
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FAIXAS:
1. "Singapore" 2:46
2. "Clap Hands" 3:47
3. "Cemetery Polka" 1:51
4. "Jockey Full of Bourbon" 2:45
5. "Tango Till They're Sore" 2:49
6. "Big Black Mariah" 2:44
7. "Diamonds & Gold" 2:31
8. "Hang Down Your Head" 2:32
9. "Time" 3:55
10. "Rain Dogs" 2:56
11. "Midtown" Instrumental 1:00
12. "9th & Hennepin" 1:58
13. "Gun Street Girl" 4:37
14. "Union Square" 2:24
15. "Blind Love" 4:18
16. "Walking Spanish" 3:05
17. "Downtown Train" 3:53
18. "Bride of Rain Dogs" Instrumental 1:07
19. "Anywhere I Lay My Head" 2:48
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Ouça:
Tom Waits Rain Dogs
Cly Reis
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
"A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar (2011)
Assisti neste último final de semana a um dos filmes que estava na minha lista há tempo, mas que sempre por algum motivo eu acabava não conseguindo ver. Falo do bom “A Pele que Habito” do espanhol Pedro Almodóvar, um dos grandes diretores dos últimos tempo no cenário internacional, mas que, particularmente, vinha me desgastando com novelões dramáticos e cansativos. Este não! “A Pele que Habito” traz de volta o cineasta ousado, abusado e destemido. Almodóvar resgata elementos mórbidos de filmes como “Matador”; bizarros de “Kika”, por exemplo; obsessivos como de “Ata-me”; desta vez com a dose certa de dramaticidade que a trama exige e não com aquele esforço para tirar lágrimas do espectador que vinha sendo a sua tônica. Mescla a isso a tons de suspense, terror e a um humor-negro muito menos risível que de costume na sua obra, sempre pontuado por muita qualidade narrativa, com a revelação gradual do mistério entre idas e vindas de tempo, e a qualidade plástica e estética do filme, como no recurso das interações dos ambientes com o telão, nas imagens de circuito interno ou mesmo meramente nas paredes escritas a mão no quarto da paciente.![]() |
Jogo de cena:
ambiente contracena com a tela
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Não vou entrar em detalhes sobre o filme para não tirar a surpresa de quem não o tenha visto, mas adianto apenas tratar-se da história de um cirurgião plástico que trabalha em uma pele artificial e testa o experimento em uma misteriosa paciente, interna em sua própria casa. Não posso passar daí porque qualquer coisa que conte a mais pode tornar-se extremamente reveladora, mas posso dizer que dentre os inúmeros méritos do filme de Almodóvar está a ausência de moral, de ética, de escrúpulos de praticamente todos os personagens envolvidos na trama, não deixando margem de verdadeira simpatia do espectador por nenhum deles, compondo assim um filme sem vilões e sem heróis.
Uma obra vigorosa e consistente sob todos os aspectos. É Almodóvar se arriscando e voltando à velha forma neste filme que poder-se-ia chamar de uma espécie de Frankenstein do novos tempos.
Cly Reis
sábado, 29 de setembro de 2012
Grupo Corpo - "Benguelê" e "Sem Mim" - Teatro do SESI - Porto Alegre (23/09/12)
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"Benguelê", a tradução das imagens do Brasil
na voz de João Bosco e na dança do Grupo Corpo (foto: Grupo Corpo)
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“Sem Mim” e “Benguelê” no mesmo dia são presentes dos que recebemos a cada dois anos quando os mineiros do Grupo Corpo se apresentam em Porto Alegre. Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Fernando Velloso e Paulo Pederneiras e figurino de Freusa Zechmeister, nunca se sabe quais serão os espetáculos pares, mas desta vez, posso confessar que fiquei sem fôlego, de tanta emoção.
"Benguelê" foi o primeiro espetáculo de dança que assisti do Grupo Corpo, em 1998, quando o trouxeram conjugadamente com "Parabelo", trilha de Tom Zé. Em "Benguelê" a música de João Bosco simplesmente traduz imagens do nosso país, preservando a dignidade das vozes e corpos genuinamente negros. Escutar João parafraseando amorosamente Clementina de Jesus enquanto os bailarinos deslizam por suas travessias, seus duos e aos pulos celebram toda a genialidade do povo brasileiro, é emocionante. Sempre muito emocionante.
Aí, quando estamos mergulhados no universo-Corpo, após um intervalo de 10 minutos para todos retomarem seus fôlegos – dançarinos e plateia –, surge “Sem Mim”. Com estreia em 2011, o mais novo balé da companhia traz uma mescla de músicas sobre canções galegas de Martín Codax (artista popular que viveu entre os séculos XIII e XIV em uma região imprecisamente registrada em sua biografia, talvez na Galiza, em Vigo), está regida pelo coração sensível de José Miguel Wisnik e Carlos Núnez, e se multiplica em vozes ainda mais familiares, deixando clara a riqueza de nosso povo, misturado a tantas raças, cores e nacionalidades que, reunidas, nos fazem brasileiros.
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O bailarino Uátila Coutinho em performance magnífica
no espetáculo "Sem Mim"
(foto: Grupo Corpo)
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No palco, um casal de bailarinos adoça nossos corações com seu amor dançante protegido em meio a uma rede prateada. Minutos antes a bailarina Mariana do Rosário encanta com sua beleza em um solo magnífico entre rodopios de saias plissadas. O bailarino Uátila Coutinho faz emergir uma figura quase mítica do fauno, mas aqui em vestes de fiador, lembrando as atuações do mestre Nijinsky, "um gênio da dança com alma de fauno". Aos poucos as vozes de Milton Nascimento, Jussara Silveira, Monica Salmaso, Chico Buarque, Ná Ozzetti. Rita Ribeiro e do grupo vocal feminino-juvenil galego Xiradela nos comovem em sete cantigas que combinam as sonoridades medievais e galegas com a presença das violas brasileiras, dos pandeiros, do samba, entre outros.
Voltem sempre. Até breve!
abaixo, trechos dos dois espetáculos, "Benguelê" e "Sem Mim"
por Leocádia Costa
Leocádia Costa é natural de Porto Alegre e lá reside. É formada em publicidade e propaganda pela PUC/RS, pós-graduada em arte-educação pela FEEVALE, trabalha com ações educativas, inclusivas e culturais na empresa APRATA, é fissurada por música, dança, teatro, literatura, artes e cultura em geral, além de cantar e fotografar nas horas vagas. Já havia aparecido no blog com fotos do lançamento do livro "Anarquia na Passarela" de seu namorado e meu irmão, Daniel Rodrigues e dos "30 Anos do Clube do Jazz" mas esta é a primeira vez que colabora efetivamente com uma postagem sua. E que venham outras.
Seja bem-vinda ao ClyBlog, Leocádia!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
cotidianas #181
Estão em extinção
Por isso os Simpsons estão fazendo uma campanha
para salvar os Dinossauros do horário nobre da Globo
e as lindas pernas de Maria Tomé não continuam as mesmas
apesar do estupro anal
combinado com figurinistas da Playboy
- ejaculação precoce –
de conseguir orgasmos microvisuais
e Marieta ainda não fazendo
incestos em cestos com seu sexto pai
Por isso à Virgem Maria
É tudo pequenino
Veio a renascer e escolher como irmãozinho
Desde o início de minha carreira estudantil
Pé-de-Vento, Tonto, Macaco e Max Calon
Viriam a renascer.
Porque...
Você saca?
Dois mais dois ainda são dez.
de Leandro Reis Freitas
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Sepultura- "Arise" (1991)
“Max Cavalera é um homem muito importante.
Ele, ao lado do Sepultura, foi o primeiro brasileiro no Metal
a realmente tocar fora do Brasil
e ganhar uma grande e fanática
legião de fãs estrangeiros."
Ele, ao lado do Sepultura, foi o primeiro brasileiro no Metal
a realmente tocar fora do Brasil
e ganhar uma grande e fanática
legião de fãs estrangeiros."
Lemmy Kilmister,
Motörhead
Motörhead
Eles já eram respeitados no exterior e reconhecidos por
nomes de pesocomo Anthrax e Motörhead, mas em seu próprio país de origem,
somente a partir de “Arise” (1991) foi que passaram a receber a devida atenção.
É verdade que o álbum anterior, “Beneath the Remains” já havia chamado atenção
aqui, mas seu sucessor então apresentava um aprimoramento tal que não tinha
como ser ignorado e colocava a banda, não apenas por conta de seu tardio
reconhecimento no Brasil, mas muito pelo inegável salto de qualidade, como um
dos grandes nomes do metal mundial.
O som às vezes tosco, os vocais excessivamente guturais com
letras inaudíveis, a ausência de ousadia rítmica e questões técnicas de
produções deficientes presentes nos trabalhos anteriores davam lugar uma banda mais
segura de si, mais equilibrada, mais criativa, metendo o ferro, é claro, mas
com muito mais maturidade e qualidade sabendo dosar o peso, a melodia e os
estilos musicais, numa produção caprichada e cuidadosa.
O vocal de Max Cavalera continuava gritado, é claro,
monstruoso, é lógico, mas com mais técnica e com um inglês aperfeiçoado mais
inteligível; as guitarras continuavam aquele turbilhão sonoro, aquele troar
vulcanico, mas com riffs mais marcantes, com levadas precisas, com partes e
entrepartes, com variações entre o metal, o hardocore, o funk, além das
incursões eventuais remetendo a música latina e indígena que viriam a ter
importância crucial nos trabalhos posteriores da banda. E a bateria de Igor
Cavalera? O que dizer da bateria? Ora,... Fúria, velocidade, técnica precisão
em tempestades sonoras proporcionadas por um dos grandes bateristas dos últimos
tempos.
Destaques para a faixa que dá nome ao disco uma bomba impiedosa,
cheia de peso e alternâncias; para a excelente “Dead Embrionic Cells”, uma das
melhores composições do álbum; para “Altered State”, que introduz sutilmente elementos
tribais que seriam importantes posteriormente; para a matadora “Desperate Cry”
com seu show de bateria com o bumbo duplo no final; para a "Subtraction", não muito badalada mas uma das minhas preferidas; e para o clássico “Orgasmatron”,
cover do Motörhead só presente na versão brasileira do álbum, com seu ritmo bem
cadenciado, vocal urrado de Max Cavalera e seu final absolutamente
extasiante.
“Arise” era enfim o alavancamento do Sepultura como grande
nome no cenário mundial, entrada definitiva da banda em seu próprio país e
provavelmente, por isso mesmo, marco inicial para uma liberdade artística e
criativa que culminariam em experimentações sonoras interessantíssimas já
presentes no álbum seguinte, “Chaos A.D.” e que culminariam no excelente e inovador álbum “Roots” de 1996. Mas isso é
assunto para outra resenha, com certeza.
FAIXAS:
- "Arise" - 3:19
- "Dead Embryonic Cells" - 4:52
- "Desperate Cry" - 6:41
- "Murder" - 3:27
- "Subtraction" - 4:48
- "Altered State" - 6:34
- "Under Siege (Regnum Irae)" - 4:54
- "Meaningless Movements" - 4:40
- "Infected Voice" - 3:19
- "Orgasmatron" (cover do Motörhead)- 4:43
a edição de
relançamento de 1997 traz ainda :
11. “Intro”
12. “C.I.U.
(Criminals In Uniforms)”
13. “Desperate
Cry (Scott Burns Mix)”
******************************************
Ouça;
terça-feira, 25 de setembro de 2012
"A Árvore da Vida", de Terrence Malick (2011)
Somente dia desses tive a oportunidade de assistir ao
premiado “Árvore da Vida” do cineasta pouco prolífico Terrence Malick, ganhador
da Palma de Ouro do festival de Cannes do ano passado e centro de uma certa
discussão dos que o colocam como extremamente chato e longo e dos que o vêem
como uma obra-prima definitiva. Eu diria que nem tanto ao mar nem tanto à
terra. Vi com toda a expectativa para um bom filme, mas também me resguardando
do que poderia me esperar, com toda a tenção que pudesse merecer ou necessitar
para que detalhes definidores não me escapassem, e com toda a paciência que
exigisse. Fiz bem em abranger todas as possibilidades. É um filme que exige que
todas estas antenas estejam ligadas. Ele vai exigir sua atenção, sensibilidade,
disposição, percepção e tempo.
Mallick alterna sua lente sobre a vida de uma família dos
anos 50, cujo pai (Brad Pitt) é rígido em sua educação religiosa; na cabeça
perturbada de um dos filhos desta família nos tempos atuais (Sean Penn); em
imagens esparsas acompanhadas pela voz de e Penn ou pela mãe da família
(Jéssica Ceastain); e em imagens notáveis do surgimento da vida, desde o Big
Bang, passando pelas glaciações, pela primeira forma de vida, pelos
dinossauros, pelo surgimento de uma árvore, pelo nascimento de uma criança.
Tudo isso ao som de temas clássicos que conferem uma atmosfera toda majestosa e
etérea à cada cena. Tudo pacientemente. Tudo sem obedecer necessariamente a uma
ordem lógica. Mas isso é compensado, na minha opinião, pela fundamental
amarração de todos os elementos que é a perda de um dos filhos pela família que
traz à tona toda sorte de dúvidas, questionamentos, reflexões por parte da mãe
e do irmão e, pretende suscitar no espectador o sentimento mais importante de
todos: entendermos que nessa vida, só há uma coisa verdadeiramente importante,
só uma coisa que realmente fica, que permanece, e que esta coisa é o amor.
O diretor pacientemente insiste nos mostrar em imagens
espetaculares a origem da vida, do universo, do mundo, nos apresenta uma
família com problemas, com sentimentos conflitantes, com hábitos particulares,
com suas crenças, insiste em mostrar a natureza, questiona Deus, questiona o
ser, só para nos dizer no fim das contas que A VIDA É ASSIM. Tudo tem começo,
meio e fim. Inclusive nós. Mas nós, humanos, racionais que somos, temos é que
viver nossas vidas, sejam elas com pais rigorosos ou não, com religiões ou sem
elas, com alegria muitas vezes mas com tristezas também, lidando com a morte,
lidando com frustrações, mas fazendo uso dessa capacidade ímpar que temos em
relação aos outros seres vivos que é o poder de amar.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra: não é cansativo como
muitos classificam, maçante por conta de sua duração, ausência de linearidade
ou subjetividade. É filme para se ver mais com os olhos da alma do que com os
olhos físicos. Filme que merece a contemplação que ele mesmo sugere. Por outro
lado, não o classificaria também como obra-prima. Não chegaria a tanto. Não
diria tratar-se de uma das melhores coisas que tenha visto na vida ou o
impulsionaria imediatamente ao olimpo das grandes obras do cinema, lá junto com
“8 e 1/2”, “Laranja Mecânica”, etc. Muito bom filme, com certeza. Inegavelmente o é. Apreciável e
recomendável pra quem estiver disposto a ver com o coração e a mente abertos.
Porque “A Árvore da Vida” no fim das contas, amigos, não é
nada mais nada menos do que um filme sobre... a vida. Sobre a vida.
Cly Reis
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Coluna dEle #27
Ó!
Tamo aí, chegando na área.
Como vão Meus filhos?
Tudo na Minha Santa Paz?
Que bom!
Que Eu vos abençoe.
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Sabem que Eu sempre fui meio resistente a essas coisas de
tecnologia e coisa e tal, né. Pra automatizar todo o sistema aqui, por exemplo,
teve muita resistência da Minha parte. Mas aí ficava o Pedrinho insistindo,
dizendo que a gente podia programar as estações do ano, as chuvas, que nunca
mais ia ter problemas como aquele do Noé e olha aí as merdas que tem dado. Mas
tenho que admitir que mesmo dando uns tilt de vez em quando, é melhor do que
no sistema antigo que era todo manual. Era dê-lhe a negada aqui carregar balde
e mangueira pra qualquer chuvinha que tivesse que fazer; tinha que desenhar
cada cidadão pra ver como é que ia ficar a cara do indivíduo e hoje a gente faz
isso no computador; tinha que abrir um livro enorme pra ver quem nascia e quem
morria e hoje tá tudo cadastrado num programinha. É maneiro, é maneiro!
Até esse negócio de escrever em blog! Nossa! Pra Mim isso
era algo inimaginável mas a modernidade acaba chegando uma hora pra todo mundo
e pra Mim, em especial, parece que foram milhões de anos.
Só que agora, de uns tempos pra cá, apareceu outro barato
que Eu resolvi aderir também que é essa parada de redes sociais. No início Eu
não curti muito, mas até pra ver o que tanto esses santos-do-pau-oco daqui de
cima ficavam futricando na Eternet a tarde inteira, Eu resolvi criar uma conta.
O fato é que a galera toda aqui também tinha entrado e ninguém mais trabalhava
nesse inferno, quero dizer nesse Céu. Que que Eu fiz, então??? Pra saber o que
todo esse povo andava pensando e postando nesses Yorkut, Feice, Tuíster ou o diabo que
seja, Eu resolvi ser o administrador. Quero dizer, aministrador Eu já
sou, né, mas digo, resolvi ser o administrador da Minha própria rede social.
Pedi pro Jobs, que acabou de chegar por aqui pra configurar os esquemas pra mim
e tal, ele Me disse que não era a especialidade dele, que o que ele sabia fazer
mesmo era tablete, Aipode, mas achava que dava pra fazer. Aí que agora Eu tenho
a minha rede própria celestial que Eu batizei de Faithbook.
Uma maravilha!
Troco uma ideia com a galera, posto vídeos, sacaneio os caras,
discuto futebol, posto fotos. Imagina que o Moisés publicou uma foto minha de
quando a gente se encontrou no Sinai pra Eu entregar os Mandamentos pra ele.
Putz! Eu nem lembrava mais disso!
Divino!
Cara, e isso vicia!
Não consigo mais deixar de entrar. Aliás, Eu nem saio mais.
E tem a rapaziada, né; tem o Chico de Assis que fica
postando aquelas mensagens de adoção de animais e tal; O Jorginho que depois
que o Corinthians ganhou a Libertadores só fica botando coisas de futebol, zoando o Paulão chamando ele de Bambi; o Tinhoso, que só fica mandando uns
clipes de metal; a patroa que fica trocando umas receitas com a Fátima, com a
Gracinha e com a Das Dor; e o Meu filhão, o JC, que adora COMPARTILHAR tudo o
que vê pela frente no Faithbook, sempre com aquele coração enorme.
Sem falar nos que vieram aqui pra cima e que também tem
perfis, tipo o Shakespeare e o Wilde que tão sempre botando umas frasezinhas
bacanas; Aquela velha safada da Dercy que fica falando sacanagem o tempo todo; O
Kurt que só fica com aquele ranço pessimista e negativo; e caras como o Chico Anysio sempre tem alguma coisa pra fazer a gente rir.
Se quiserem Me adicionar Eu tô lá como Todo-Poderoso. É
fácil de achar.
Já tô com mais de 7 bilhões de amigos.
Me Add lá, vai.
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Antes de aderir a essa coisa toda de tecnologia, informática
e tudo mais Eu era muito ruim nesses troços. Eu lembro que logo que a gente
começou a utilizar computadores aqui em cima, Eu sempre esquecia de salvar o
que tava fazendo e volta e meia perdia todo o Meu trabalho. Por sorte o Meu filhão,
que trabalhava em rede comigo, sempre dava um SAVE e a gente garantia os arquivos na máquina dele. O pessoal aqui sempre comentava como ele era responsável,
atento e foi daí que surgiu aquela expressão “Só Jesus Salva”.
É mesmo!
Se não fosse ele...
********************
Por hoje chega, filharada.
Não se esqueçam de fazer suas orações, não matem, não
roubem, não pronunciem Meu santo nome em vão e não desejem a mulher do próximo
(se bem que tem umas que não tem como resistir, né?)
Fiquem Comigo e que Eu vos abençoe!
Fui!
***************************
Contato, informações, pedidos, súplicas, etc., pelo
ou no
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Os Causo de Dois Morro - A Revolução Maltrapilha
Lá em Dois Morro nóis também comemora uma data importante
que nos enche de orgulho. É a famosa Revolução Maltapilha que assucedeu-se
maizomeno lá por 1735 e ficô conhecida assim porque depois de muito
bombardeamento do inimigo, as roupa dos sordado doimorrense ficaro uns
verdadero trapo.
Naquelas época Dois Morro importava carne de profiteróle pro
resto do mundo e os’panhol, de ôio grande, vendo que Dois Morro já era a maior
potença navegadora e comerciadora daqueles tempo, resorveu de boicotá (e vacacotá também) as
nossa importação da carne do bichinho. Se ajuntaro com os bretão, com os saxão
e com os escandinávio, e broquearo nossos comerço co’zotros país. Ah, nóis se
enfurecemo! Declaremo guerra co’ resto do mundo! Se armemo com o que nóis tinha
mesmo: espeto, faca de churrasco, bodoque, bolita, as muié usaro as agulha de
tricô e crochê e fomo pra luta. Enfrentemo o Império Romano, os Persa, os
Mongol, os Sarraceno como nóis podia.
Foi difícer!
O confrito duro 10 ano. Déiz ano!!!
Té que, acuado como nóis tava, tivemo que recorrê às
arma-química pra intimidá o inimigo: chamamo o Chico Bota-Queimada, demo pra
ele uma janta com bastante batata-doce, ovo, repolho, feijão, aipim e a famosa carne
do profiteróle, especialidade da região, e levamo ele pra linha de batalha.
Viramo a bunda dele pro lado dos exército rival, saímo de perto e esperamo a
coisa acontecê. Era só questã de tempo até a coisa toda se processá no estongo do desinfeliz. Quando ele
sortô aquilo tudo...meu amigo... metade dos sordado inimigo morrero, a ôtra
metade, meio tonta, pediu arrêgo. Ameacemo mandá ôtra carga e aí sim é que eles
se borraro de medo. Levantaro as bandêra branca.
Sei que os rei, os líder, os imperador pediro descurpa,
dissero pra dexá tudo num honroso empate e resorvero que ío vortá a comerciá
com Dois Morro. Uma ova! Aí nóis é que num queria mais! Depois daquela desfeita
que fizero co’a gente resorvemo nos separá do resto do mundo. Antonce que no dia 1° de
Abriu de 1745 o General Pinto Seboso procramô a República Doismorrense.
E é desse jeito até hoje. Nóis separado de vocêis. Por isso
que vocêis num encontra Dois Morro no grobo terrestre. Pode procurá. No
mapa-mundo, no Gugol Ãrff, nas encicropédia. É porcausdequê, oficiarmente, nóis
num faz parte mais do mundo.
E nóis tá bem assim.
postado por Chico Lorotta
cotidianas #180 - Especial 20 de Setembro
Sobre Bandeirantes e Gaudérios
Uma vez me contaram de um diálogo entre um gaúcho e um paulista
que até hoje reflito. Por motivos de trabalho, o gaúcho, avisando o paulista de
que dia 20 de setembro não haveria como se falarem por causa do feriado regional,
foi surpreendido com a seguinte pergunta irônica do paulista: “Ué: mas vocês
não perderam a guerra?”. Embora claramente jocosa, não há como contrariar de um
todo a observação. Se visto com olhar distanciado, o fato de se optar por
marcar a data pelos iniciais e astutos disparos de garrucha (20 de setembro de
1835) ao invés da discreta assinatura de um documento no seu término, em 1845,
soa suspeito. Suspeita de um engrandecimento de atos que, no subtexto malicioso
do tal paulista, não seriam assim tão grandiosos. A fama do gaúcho valente
seria, no fundo, uma propaganda enganosa, uma vez que a rebelião da Revolução
Farroupilha sucumbira a um diplomático e entreguista acordo. A birra pedante
por um país separado do resto do Brasil se esvanecera num acordo entre rebeldes
e Império, deixando tudo até hoje como o “Império” quer. Como diz o outro:
“rabo entre as pernas”.
Nem tão a terra nem tão a céu. Acho bárbaro esse sul de rios
grandes, serras, campanhas e metrópole, mas confesso que o desejo separatista
mal resolvido soa-me ainda o mesmo quando ouço a risada de muita gente que lê O
Bairrista e só acha graça em um dos lados da piada. Riem porque é engraçado
achar graça de ser superior aos outros, pois só sendo superior para achar graça
de si sem o constrangimento de não parecer ser. Por outro lado, não queiram vir
aqui esses ex-bandeirantes (ou seja, piratas-de-terra mercenários) desfazer um
povo que pensa e que não se omite de posicionar-se quando é preciso. De João
Cândido a Dunga, provas disso não faltam. Farroupilha mesmo! Dia desses, um
amigo meu ponderou-me alguns argumentos interessantes quanto à valorização dos
elementos folclóricos gauchescos. Ele me relatou que uma vez levou uma amiga
paulista ao acampamento farroupilha para que ela conhecesse as tradições de
nossa terra. O impacto e a excitação dela (inclusive desta forma que você está
pensando...) foram tamanhos que ele percebeu o quanto esse folclore vale tanto
quanto o de qualquer outro lugar. A diferença é que está aqui mesmo, é que, lá
fora, chamam de “folk”.
A questão é: em um país continental como o nosso, e onde se está
longe de uma unidade cultural e social de fato, há de se louvar que em algum
lugar, mesmo que no pé do mapa, tenha-se procurado encontrar um sentido por uma
terra que responda a todos. Sei que tanto não responde a todos quanto,
principalmente, a forma como muitas vezes esta unidade é proposta é totalmente
errada, e só faz aumentar (propositalmente) nossa distância dos outros brasis
que, quer queira, quer não, guris e gurias, fazemos parte. Eu, particularmente,
gosto de fazer parte. Orgulha-me neste 20 de setembro, mais do que pilchas e
chamas crioulas, as camisas dos gaudérios com um mesmo que discreto bordado com
as bandeiras do Rio Grande do Sul em um braço e do Brasil no outro (em tamanhos
proporcionalmente idênticos, importante que se diga). Isso sim é estar no aqui
para estar no mundo. Cabendo aqui neste pedaço de terra em forma de cuia onde
insistimos em nos fechar, socados como erva-mate, é possível caber em qualquer
lugar, inclusive nos outros brasis.
Mas além das bandeirinhas bordadas, também me encanta no 20 de
setembro o sorriso da prenda. Mas isso é de uma poesia tão grandiosa e
longitudinal que, este sim, não cabe nesses pagos. Atravessa as coxilhas,
invade os campos, alvoroça o gado. Esse sorriso, índio velho, é muito mais
redentor, não pertence a nós. Não pertence a nós.
por Daniel Rodrigues
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Mott the Hoople - "Mott" (1973)
![]() |
| acima, a capa da edição americana e abaixo, a distribuída no Reino Unido |
"O melhor disco
da melhor banda
do início dos anos 70."
da melhor banda
do início dos anos 70."
Revista Rolling Stone
Esse livro ainda vai me levar à falência.
Ou à loucura!
(Ou os dois)
Ou, no melhor das hipóteses, me deixar sem espaço na
prateleira de CD’s.
Mas fazer o quê?
Eu reclamo mas, inegavelmente, é sempre legal descobrir
coisas novas e a minha ‘bíblia’ de cabeceira, o "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" volta e meia me proporciona o descobrimento de algum som bacana que eu
nunca tinha ouvido antes.
Li nele sobre um tal de Mott the Hoople e fui à cata. Não
baixei. Aproveitei que estava indo a Londres e comprei lá mesmo o álbum “Mott”,
que até não tem o maior sucesso da banda “All the Young Duddes” que fez parte
inclusive da trilha do filme “Juno”, mas que era o recomendado pela publicação.
E de novo a dica do "1001 Discos..." foi na mosca!
Muito bom disco!
Produzidos que foram no primeiro trabalho por David Bowie,
os rapazes aprenderam direitinho o negócio e fizeram um disco exemplar de
glam-rock, bem ao estilo do mestre Camaleão.
Num disco que versa fundamentalmente sobre a vida no mundo
da música, seus prós e contras, seus altos e baixos, venturas e desventuras
destacam-se a primeira do álbum, “All the Way from Memphys”,um rock’n roll
gostoso carregado no piano e no sax; a pegada “Whizz Kid”, um hard-rock com peso e distorção; e a excelente “Ballad
of Mott the Hoople” que aborda exatamente essa vida mainstream de forma honesta e realista.
Também valem destaque “Hymn for the Duddes” balada que soa
quase como uma oração, verdadeiramente um hino com seus solos longos e tons
monumentais; “Honaloochie Booggie” um hard-rock charmoso e cheio de vitalidade; “Violence”,
um proto-punk com uma interpretação entre o agressivo e o sarcástico do vocalista Ian Hunter; e “I’m a Cadillac / El Camino Dolo Roso”, um excepcional épico em duas partes, a
primeira um mais rock’n roll e a segunda mais lenta, mais acústica, com contornos de
latinidade e ares mexicanos.
Grande disco, mais uma grande descoberta!
Mais um pra conta do livro.
Ai, ai, ai... Onde é que eu vou guardar tantos CD’s?
FAIXAS:
- "All the Way from Memphis" – 5:02
- "Whizz Kid" – 3:25
- "Hymn for the Dudes" (Verden Allen, Hunter) – 5:24
- "Honaloochie Boogie" – 2:43
- "Violence" (Hunter, Ralphs) – 4:48
- "Drivin’ Sister" (Hunter, Ralphs) – 3:53
- "Ballad of Mott the Hoople (26th March 1972, Zürich)" (Hunter, Dale "Buffin" Griffin, Peter Watts, Ralphs, Allen) – 5:24
- "I’m a Cadillac / El Camino Dolo Roso" (Ralphs) – 9:41
- "I Wish I Was Yur Mother" (Hunter) - 4:52
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Ouça:
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
cotidianas #179 - Boca Suja
Te quero dizendo
As piores baixarias
Palavras de baixo calão
Da mais alta linguagem
Enche a boca pra falar
Nuanças da fala
Falas nuas de qualquer etimologia
Grosserias, tabuísmos
Diz
E dá um tapa nos beiços
Fingindo espanto
Com um sorriso de malícia por trás
Licencia-se a soltar tudo o que há de mais licencioso
Figuras de estilos pornográficas de tão estapafúrdias ao ouvido:
Zeugmas, anacolutos, prosopopeias, antonomásias
epizeuxes
Meta dentro metáfora
Te desnuda e desboca
Deixa vir o clímax, te entrega
Dá-te prazer na ponta da língua
Com palavras lambuzadas de deleite
E saboreia uma por uma
Viscosas e doces
Pois quando sai de ti
Palavrão não é nome feio:
É palavra grande
Que entope de gozo
A tua boca suja
sábado, 15 de setembro de 2012
Rage Against the Machine - "Evil Empire" (1996)
“...eu os
aviso para terem cuidado com a tentação do orgulho, a tentação de se declarar
alegremente acima de tudo e rotular os dois lados igualmente em falta, ignorar
os fatos da história e os impulsos agressivos de um ‘Império do mal’, para
simplesmente chamar a corrida armamentista de um gigante
mal-entendido (...) Eles pregam a supremacia do Estado, declarando sua
onipotência sobre o homem individual e preveêm sua dominação eventual de todos
os povos da Terra.
Eles são o foco do mal no mundo moderno. “
discurso
de Ronald Reagan
no qual usa a expressão
que inspirou o nome do álbum
no qual usa a expressão
que inspirou o nome do álbum
Um coquetel Molotov!
Uma explosiva combinação de funk, hardcore, hip-hop, metal,
rap como nunca havia se visto antes. Não com tamanha qualidade, com tamanha
pegada, com tamanha fúria.
Sobre os riffs pesados do bom guitarrista Tom Morello e
bases embaladas, Zack de La Rocha com seu vocal rap desfilava suas letras
engajadas, inteligentes e indignadas sobre a guerra, sociedade industrial,
capitalismo, desigualdades sociais e tudo mais que pudesse servir de pólvora
para esta verdadeira bomba que é o som do Rage Against the Machine.
Embora seu primeiro álbum, de mesmo nome da banda, de 1992,
já tivesse despertado a atenção de público e crítica, com “Evil Empire” de 1996
atingem uma maturidade sonora mais interessante e um resultado técnico mais
completo. Peso, balanço, rima e intensidade ganham um maior equilíbrio e
resultam em faixas excepcionais como ‘Revolver”, “People of the Sun”, “Tire Me”
e “Down Rodeo”, a minha favorita dos disco com aqueles efeitos que lembram o
barulho de uma tesoura.
Também merecem destaque “Vietenow”, “Yera of tha Boomerang”
e “Witohut a Face”, verdadeiras porradas na boca do estômago.
Dinamite pura.
Um homem-bomba no metrô, um carro bomba estacionado na
frente da embaixada.
Tipo do disco que devia vir com o aviso na capa: Altamente
inflamável.
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FAIXAS:
- "People of the Sun" – 2:30
- "Bulls on
Parade" – 3:51
- "Vietnow" – 4:39
- "Revolver" – 5:30
- "Snakecharmer" – 3:55
- "Tire Me" – 3:00
- "Down Rodeo" – 5:20
- "Without a Face" – 3:36
- "Wind Below" – 5:50
- "Roll Right" – 4:22
- "Year of tha Boomerang" – 3:59
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