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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

The Who - "A Quick One" (1966)



"Garotinha, por que você não pára de chorar?
Vou te fazer se sentir melhor(...)
Por favor, pegue um doce
Venha dar uma volta comigo
Vamos resolver isso
Lá em casa, quem sabe."
da letra de "A Quick One" 
Conheci esse disco no antigo programa “Base Sonora" da Ipanema FM de Porto Alegre. Tocou na íntegra e gravei em cassete na época. Só agora, anos depois, tomei vergonha na cara e comprei o CDzinho que, inclusive traz uma série de bônus.
Sempre curti muito esse disco, o "A Quick One", de 1966,  porque, embora goste de toda a elaboração do som do Who, este disco soa mais básico, mais rápido, canções mais agitadas, mais curtas, ainda sem toda aquela complexidade quase operística que marcaria posteriormente o trabalho da banda. Exceção feita à músioca que empresta o nome ao disco, mais longa e complexa com partes e entrepartes, o resto é rock’n roll básico com influências de surf-music, rockabilly, de cultura pop e é claro, de blues, como não podia deixar de ser no trabalho da banda, mas aqui bem mais sutilmente.
Conferidas especiais em “Run, Run, Run” bem 'surfistinha'; na engraçada “Boris the Spider”, do baixista John Entwistle com seu instrumento bem em evidência, bastante grave e acentuado; na esquisita, psicodélica e teatral “Cobwebs and Strange” com show particular na bateria do autor, Keith Moon; para a cover de Martha and the Vandellas,“Heatwave”; e para o rock gostoso “Don’t Look Away”de Townsend.
O detalhe é que a reedição de 1995 também traz ótimos registros como a ótima “Doctor, Doctor”, também de Entwistle; as covers muito legais “Bucket T” e “Barbara Ann”; “Happy Jack” numa versão acústica; uma versão alternativa de “My Generation” misturado com o hino "Land of Hope and Glory"; além de uma regravação muito bacana do tema do seriado Batman de Neal Hefti. De primeira!
A fase óperas-rock do Who é genial, é certo, mas um disco como este, “A Quick One” bem simples, mais cru, mais bobinho, menos pretencioso, de composições mais variadas, também é muito legal de se curtir. Recomendo.
E então,.. topam essa 'rapidinha'?

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FAIXAS:
  1. Run, Run, Run
  2. Boris The Spider
  3. I Need You
  4. Whiskey Man
  5. Heat Wave
  6. Cobwebs and Strange
  7. Don't Look Away
  8. See My Way
  9. So Sad About Us
  10. A Quick One While He's Away
extras da reedição de 1995:
  1. Batman
  2. Bucket T
  3. Barbara Ann
  4. Disguises
  5. Doctor, Doctor
  6. I've Been Away
  7. In The City
  8. Happy Jack (acústica)
  9. Man With Money
  10. My Generation / Land of Hope and Glory
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Ouça:

cotidianas #192- Fim de Feira


Finda a 58ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, no último dia 18 de novembro, o Daniel Rodrigues, meu irmão e parceiro de blog me mandou este poema inspirado no cortejo final da feira, no último dia do evento. Eu, blogueiro negligente, esqueci do e-mail na minha caixa de mensagens e não o publiquei em tempo, nos dias seguites ao encerramento, o que daria um sentido mais presente ao texto. No entanto, revelando ao autor meu descuido e fazendo minha mea-culpa a ele, perdoando-me, chegou à conclusão que seu poema tem elementos tão naturalmente cotidianos que não se prenderiam necessariamente àquele evento que refere, com o que eu concordo plenamente, Enfim, embora, um pouco atrasado, mas ainda muito válido, segue o poema "Fim de Feira" de Daniel Rodrigues.
                                                                                                                                                                                                                                              


Fim de Feira

Rua Pinheiro Machado, Porto Alegre, 1915
Palma espalmada sobre a vulva
Dela
E um leve sorriso desinibido.
O vento lufa quente, esquentando, frio
E da lá da matilha algum preto do povo grita
Aquilo que sai como um canto:

- Tava ditráis do banco!
E os olhos se arregalam
Comixam os colhões
Pedra quente na palma, ajuntada dali
 Nossa:
Quanta esbórnia!
Isso tudo por que
Estavam cortejando a praça.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

cotidianas #191 - Nada Tanto Assim




Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor

Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
Pelas estrelas que eu encontro
Na crítica do leitor

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
Enquanto rola o comercial

Conheço quase o mundo inteiro
por cartão postal
Eu sei de quase tudo um pouco
e quase tudo mal

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim...
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim..


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letra da música "Nada Tanto Assim"
de Leoni e Bruno Fortunato

Ouça:
Kid Abelha - "Nada Tanto Assim"

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

The Kinks - "Lola Versus Powerman and The Moneygoround, Part One" (1970)


 “Eu quero tirar um som
de guitarra muito bom nesse disco.”
Ray Davies

Sabe aquela frase que diz que nunca se deve julgar um livro pela capa? Ela se aplica bem a este disco do Kinks, “Lola versus Powerman and the Moneygoround, Part 1”. Uma capa feia, tosca, uma espécie de gráfico, mandala, símbolo, uma série de octagramas inscritos em cincunferências, com uma face ao centro formada por pedaços de rostos diferentes... (???) Uma das piores capas que conheço.
Quem só vê uma capa assim não daria nada por um disco desses. É... Só que estaria cometendo um gravíssimo erro. O disco é espetacular! Mais uma das grandes obras de Ray Davies e sua turma num álbum conceitual que percorre os caminhos da indústria da música de maneira crítica e debochada.  Apesar de ser uma ‘PARTE UM’, a sequência nunca foi lançada, ao menos oficialmente, embora haja diversas hipóteses para o que seria sua segunda parte, em que outros álbuns, estariam espalhadas canções que o complementariam, ou mesmo se teriam sido gravadas. Mas não é necessário haver uma ‘parte dois’: “Lola vs Powerman and the Moneygoround, Part 1” se resolve suficientemente bem em si mesmo
As canções, desta vez ganham uma característica um pouco mais acústica e bebem um pouco mais do folk, como na excelente e irônica “Apeman” e no clássico “Lola”, mas não esquecem das guitarradas e do barulho em músicas como “Rats” e na fantástica “Powerman”.
Embora os destaques sejam muitos e quase todas as faixas sejam excepcionais, a grande estrela do disco é "Lola”, um épico com guitarras de cordas de aço que crim uma atmosfera estridente e forte, num clima crescente para uma interpretação inspiradíssima de Davies. Lembro que a ouvia sempre nas madrugadas da Rádio Ipanema de Porto Alegre e, como muitas vezes na programação noturna a programação ficava no piloto automático, nunca conseguia saber o que era aquilo, o que era aquela música fantástica. Tempos depois é que fui descobrir que aquilo era Kinks. Sim, aquilo era Kinks!

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FAIXAS:
  1. "The Contenders" – 2:42
  2. "Strangers" (Dave Davies) – 3:20
  3. "Denmark Street" – 2:02
  4. "Get Back in Line" – 3:04
  5. "Lola" – 4:01
  6. "Top of the Pops" – 3:40
  7. "The Moneygoround" – 1:47
  8. "This Time Tomorrow" – 3:22
  9. "A Long Way From Home" – 2:27
  10. “Rats" (Dave Davies) – 2:40
  11. "Apeman" – 3:52
  12. "Powerman" – 4:18
  13. "Got to Be Free" – 3:01

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Ouça:

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Luciano Berio - "Folk Songs" (1964)




"Até Cathy Barberian sabe/
Não há uma volata que
 ela não possa cantar"
da música "Your Gold Teeth"
do Steely Dan


Por séculos a música erudita pautou a música popular, ditando com autoritarismo estético e formal o que seria aproveitado ou não na música de acesso geral – já que, historicamente, a música clássica nunca foi acessível. O contrário mal acontecia, ou seja, da música pop ou folclórica influenciar a clássica (quando ocorria, prevalecia o lado “clássico”). Até que, na senda aberta pelos modernistas da primeira metade do século XX, Shoenberg, Berg, StravinskiOrff, entre outros, a turma de compositores da vanguarda erudita que veio logo em seguida entrou para derrubar todas as barreiras. Um deles foi o italiano Luciano Berio (1925-2003), prolífero autor que, em 1964, compôs o que para muitos é (e para mim também) sua obra-prima: as “Folk Songs”, marco da fusão entre pop, folclore e erudito.Concisão, precisão e requinte em pouco mais de 20 minutos. Resultado de um trabalho de pesquisa de Berio a cantigas folclóricas de diversas partes do mundo, "Folk Songs" é perfeito em tudo: sonoridade, melodia, harmonia, métrica. As sonoridades típicas do lugar de onde se originaram ganham uma síntese, um corpo, como que uma nova linguagem sonora. O arranjo se resume a sete grupos de instrumentos: flauta, clarinete, cello, violino, viola, percussão e harpa. Ah! Claro, tem um oitavo instrumento fundamental e sem o qual a obra não existiria: a voz da mezzo-soprano norte-americana Cathy Barberian. À época casada com Berio, Cathy ganhou do marido esse ciclo de músicas, feitas especialmente para seu vocal apurado e expressivo. Altamente influente em trabalhos para voz na música como um todo, as "Folk Songs" se tornaram uma referência tanto para compositores desta linha, como Meredith Monk e Phillip Glass  quanto para cantoras pop como Elizabeth Frazer (Cocteau Twins), Sinéad O'Connor, Joni Mitchell, entre várias outras.
 E as faixas? Todas impecáveis. Abrindo, "Black Is the Colour (Of My True Love's Hair)" e "I Wonder as I Wander" – minha preferida, com um lindo conjunto harmônico de viola, cello e harpa que forma um som de sanfona “caipira” –, são adaptações livres de canções do compositor folk norte-americano John Jacob Niles. A valsa “Loosin Yelav”, da Armênia, país dos antepassados Cathy, descreve de forma fantástica a trajetória da lua, transmitindo para os sons a impressão deste movimento onírico. “Rosssignolet Du Bois” vem suave e assim se mantém, límpida, contrastando com a intensidade dramática siciliana da seguinte, “A La Femminisca”.
 "La Donna Ideale" e "Ballo" não provêm de bardos populares anônimos; porém, são composições de Berio sobre temas folclórico-amorosos de sua terra natal. A primeira vem de um poema no velho dialeto genovês, "A Mulher Ideal", o qual diz que, se um homem encontrar uma mulher educada, bem formada e com um bom dote, não pode deixá-la escapar. Já a outra, intensa em seus arpejos de violino e cuja letra também é extraída de um antigo poema, diz que o mais sábio dos homens perde a cabeça por amor, mas, em contrapartida, resiste a tudo por causa desse sentimento. Ainda na Itália, a melancólica e dissonante “Motettu de Tristura” baixa o tom lindamente.
 A França retorna nas duas seguintes, inspiradas em peças resgatadas pelo musicólogo Joseph Canteloube no idioma occitano. "Malurous qu'o uno Fenno", bastante medieval com sua flauta doce acompanhando o canto, fala sobre os desencontros conjugais entre homens e mulheres. Já "Lo Fïolairé", em que uma menina em sua roda de fiar canta uma imaginária troca de beijos com um pastor, é uma das mais belas do círculo. Com uma maravilhosa performance de Cathy, que executa uma impressionante progressão harmônica, abre com um violoncelo grave e introspectivo do desejo reprimido da moça, mas progride e termina em acordes cristalinos e deleitosos de harpa. Um gozo.
 A alegre “Azerbaijan Love Song” termina a obra em dança típica russa e uma interpretação bem mais solta da solista, fechando este trabalho que é, do início ao fim e através de várias lógicas, uma declaração de amor do autor à sua amada.
 Um disco pop com ares clássicos ou vice-versa, onde as faixas têm, inclusive, como que feito para tocar nas rádios, o mesmo tempo médio de 2 min e 30 seg de duração. Enquanto, nos anos 50 e 60, vários outros compositores modernos como Berio, ao tentar exprimir os horrores do pós-guerra e as tensões de um mundo dividido faziam de tudo para combater a tonalidade da música, ele não só acolheu a escala cromática como, ainda, a reelaborou, criando uma obra única e agradável a todos os ouvidos, do mais rebuscado ao mais desavisado. Afinal, quando a música é boa, tudo acaba sendo, saudavelmente, a mesma coisa.
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O CD original traz ainda o “Recital I for Cathy” (para voz feminina e 17 instrumentos), considerada uma das mais importantes releituras musicais da segunda metade do século passado. Luciano Berio escreveu esta debochada peça de 35 minutos de teatro em que inclui numerosas citações de história musical (Bach, Monteverdi, Ravel, Wagner, Prokofiev, Bizet e vários outros, inclusive ele mesmo) em estilo tragicômico.
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FAIXAS:
1. Black Is The Colour (Of My True Love's Hair) (EUA) - 3:01
2. I Wonder As I Wander (EUA) - 1:42
3. Loosin Yelav (Armênia) - 2:34
4. Rosssignolet Du Bois (França) - 1:17
5. A La Femminisca (Sicília, Itália) - 1:38
6. La Donna Ideale (Itália) - 1:02
7. Ballo (Itália) - 1:20
8. Motettu De Tristura (Sardenha, Itália) - 2:16
9. Malorous Qu'o Uno Fenno (Auvergne, França) - 0:55
10. Lo Fiolaire (Auvergne , França) - 2:50
11. Azerbaijan Love Song (Azerbaijão) - 2:09

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Ouça:



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pix


cotidianas #190 - Errei Todas


Joãozinho, qual é o seu problema?
- Sou muito inteligente para estar no primeiro ano. Minha irmã está no terceiro ano e eu sou mais inteligente do que ela. Eu quero ir para o terceiro ano também.
A professora, vendo que não vai conseguir resolver este problema, o
manda para a diretoria.
Enquanto o Joãozinho espera na ante-sala, a professora explica a
situação ao diretor. O diretor diz para a professora que vai fazer um teste com o garoto. Como é certo que ele não vai conseguir responder a todas as perguntas, vai mesmo ficar no primeiro ano. A professora concorda.
Chama o Joãozinho e explica-lhe que ele vai ter que passar por um teste; o menino aceita.
O Diretor pergunta para o Joãozinho:
- Joãozinho, quanto é 3 vezes 3?
- 9.
- E quanto é 6 vezes 6?
- 36.
O diretor continua com a bateria de perguntas que um aluno do terceiro
ano deve saber responder. Joãozinho não comete erro algum.
O diretor então diz à professora:
- Acho que temos mesmo que colocar o Joãozinho no terceiro ano.
A professora diz: - Posso fazer algumas perguntas também?
O diretor e o Joãozinho concordam. A professora pergunta:
- O que é que a vaca tem quatro e eu só tenho duas?
Joãozinho pensa um instante e responde:
- Pernas.
Ela faz outra pergunta:
- O que é que há nas suas calças que não há nas minhas?
O diretor arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...
- Bolsos. (Responde o Joãozinho).
Mais uma:
- O que é que entra na frente na mulher e que só pode entrar atrás no homem?
Estupefato com os questionamentos, o diretor prende a respiração...
- A letra "M". (Responde o garoto.)
A professora continua a argüição:
- Onde é que a mulher tem o cabelo mais enroladinho?
- Na África. (Responde Joãozinho de primeira.)
E continua:
- O que que entra duro e sai mole pingando?
O diretor apavorado!.... E o Joãozinho responde:
- O macarrão na panela.
E a professora não para:
- O que é que começa com "b", tem "c" no meio, termina com "a" e para ser usada é preciso abrir as pernas?
O professor fica paralizado!!!
E o Joãozinho responde:
- A bicicleta.
E a professora continua:
- Qual o monossílabo tônico que começa com a letra "C" termina com a letra"U" e ora está sujo ora está limpo?
O Diretor começa a suar frio.....
- O céu, professora!
- O que é que começa com "C" tem duas letras, um buraco no meio e eu já dei para várias pessoas?
- CD !
Não mais se contendo, o diretor interrompe, respira aliviado e diz para a professora:
- Puta que Pariu!!!! Põe esse moleque como diretor, que vou fazer minha matrícula no terceiro ano. Errei todas!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Capa da Coletânea "Colorados - Nada Vai nos Separar"



Ó, saiu a capa do nosso livro!
Em meio a crise, demissão de técnico, eleições presidencias, renovação do Conselho, e um momento delicado do Sport Club Internacional o livro no qual eu e mais alguns torcedores participam com textos selecionados, tá na boca do forno. Mas o espírito é exatamente esse: independente de como estiver, do que estiver acontecendo, até debaixo d'água, NADA VAI NOS SEPARAR.
Tá atrasando um pouquinho o lançamento que era previsto para a metade deste mês de novembro, mas daqui a pouco tá saindo. Enquanto isso vai aí um 'gostinho' da publicação.
Ficou bem bacana a capa. Dá todo aquele clima de torcida, de estádio, da nossa vibração.
Muito bonita.









Cly Reis

Maria Bethânia - "Drama - Anjo Exterminado" (1972)



capa e contracapa do álbum

"Drama
E ao fim de cada ato
limpo no pano de prato
as mãos sujas do sangue das canções"
da letra de "Drama"


Há tempos que queria escrever sobre este disco nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, mas sempre hesitava exatamente por gostar demais dele e achar que por mais que o elogie, que lhe exalte, que lhe credite predicados, não seria o suficiente para ressaltar o quanto ele é bom, o quanto é grandioso, o quanto é excepcional. Ora, mas vamos tentar ao menos. Pra começar, Maria Bethânia é na minha opinião, nada mais nada menos que a maior cantora brasileira, a maior voz, a grande intérprete da MPB, talvez só comparável a Elis Regina. Neste disco em especial, “Drama - Anjo Exterminado” de 1972, Bethânia tem algumas de suas mais notáveis interpretações em um repertório extremamente bem selecionado que inclui Gilberto Gil, Luís Melodia, Herivelto Martins e, claro o irmão Caetano Veloso, indo do ponto de umbanda ao fado, visitando o brega e eventualmente o jazz, inveriavelmente esbanjando qualidade, emoção e versatilidade ao longo das 12 faixas.

A vinheta, canto tradicional praticamente declamado, “Ponto” abre o disco já emendando no choroso choro “Esse Cara”, cantado de forma triste e delicada por ela e encerrando com um pequeno trecho do clássico do cancioneiro romântico brasileiro, “Bodas de Prata”. O famoso samba “Volta por Cima” de Paulo Vanzolini fica vigoroso com ela, não somente pela interpretação única mas por uma linha de baixo quebrada que dá um toque sofisticado à canção; a espetacular “Anjo Exterminado” já seria admirável por si só por conta da brilhante composição de Jards Macalé e da letra de Wally Salomão, mas o jeito que ela canta, cada palavra, cada verso, cada inflexão... Nossa!!! parecendo carregar em si toda aquela angústia, aquele desespero, aquela procura, faz com que nas suas mãos, ou melhor na sua voz, torne-se algo superior e inigualável; “Estácio, Holly Estácio” de Luís Melodia ganha igualmente uma versão notável da Abelha Rainha; e a fantástica “Iansã”, oferenda musical de Caetano e Gil para a deusa dos raios no candomblé, é outra que vai da delicadeza ao vigor com uma naturalidade que somente uma grande intérprete pode conseguir.
O nome do disco não é à toa e o tom dramático, as tragédias, os abandonos estão presentes com freqüência: além das já mencionadas “Esse Cara” e “Bom Dia”, “Maldição”, por exemplo, um fado-samba com batidas altas de surdo, é extremamente dramático, quase teatral com um vocal cheio de sentimento e dor; isso sem falar na sangrenta “Drama”, tão cotidiana e praticamente novelística tal o exagero das emoções ali expostas.
A gostosa “Trampolim”, a graciosa “O Circo” e a sonoridade agradável, apesar da premissa pessimista, de “Negror dos Tempos”, suavizam o climão dolorido e sofrido da maior parte do disco. No entanto, não engane-se achando que esse conteúdo trágico, choroso, comovido venha a constituir um produto final maçante, de audição difícil, forçada. Pelo contrário: “Drama - Anjo Exterminado” com faixas bem distribuídas e minuciosamente bem produzido pelo mano Caetano, parece provocar sensações novas, diversas e surpreendentes a cada faixa compondo, ao fim, uma unidade absolutamente coerente e harmoniosa. Uma espécie de grande peça cênico-musical protagonizada por esta baiana de voz firme, potente, empostada que desfila interpretações, situações e personagens que culminam num final grandioso, um final dramático, como que ajoelhada com as mãos para o alto, com as mãos sujas de sangue das canções.
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FAIXAS:
01 - Ponto (Tradicional)
02 - Esse Cara / Bodas de Prata (Caetano Veloso - Bodas de Prata de Roberto Martins e Mário Rossi)
03 - Volta Por Cima (Paulo Vanzolini)
04 - Bom Dia (Herivelto Martins/ Aldo Cabral)
05 - Anjo Exterminado (Jards Macalé/Waly Salomão)
06 – Maldição (Alfredo Duarte/ Armando Vieira Pinto)
07 – Iansã (Gilberto Gil / Caetano Veloso)
08 – Trampolim (Caetano Veloso / Maria Bethânia)
09 - Negror dos Tempos (Caetano Veloso)
10 - O Circo (Batatinha)
11 - Estácio, Holly Estácio (Luís Melodia)
12 – Drama (Caetano Veloso)

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Ouça;
Maria Bethânia Drama / Anjo Exterminado

Cly Reis

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Faces









"faces" -  Reis, Cly
grafite sobre papel heliográfico 7x10cm

cotidianas #189 - Neologia



NEOLOGIA
Quando se quer
sequer se tem
se se tem
sequer se acha
se acha não diz o que pensa
se pensa supõe-se que exista

No entanto
nem pouco nem tanto
nem centro nem canto
nem canto nem danço
não danço e não canto

Não beijo e mal falo
teus pés e não calo
nem uma boca sequer
cala a minha se quiser

Contudo
nem falo nem mudo
não mudo, não mudo
nem falo bem duro
nem buraco nem furo

Beijo pouco falo menos ainda
invento palavras, invento
‘nem mais uma palavra’
cala minha boca se puderes


Cly Reis

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AC/DC - "Back in Black" (1980)



"Eu pensei,
'bom, que se foda!
Eu não vou ficar sentado deprimido
todo o resto da porra do ano' "
Malcolm Young,
referindo-se à morte, naquele ano
do ex-vocalista Bon Scott
e à decisão de voltar à ativa imediatamente.


É impressionante como eu perdi tempo na minha vida brigando contra o AC/DC. Era uma espécie de implicância praticamente injustificada. Atribuía ao fato de não soar com tanto peso quanto eu julgava que um metal devesse ter, de julgar superestimada a idolatria pela guitarra de Angus Young, de o cara se vestir como um colegial, do vocalista ter uma boina de açougueiro, ao fato de ter um vocal esganiçado, de ... sei lá mais o que. Bobagem! Bobeira minha. E não é esta mesma característica pesada sem ser barulhento que eu aprecio em bandas como The Cult, por exemplo? A veia blueseira que eu admiro tanto nos hard-rocks do Purple ou do Led? E não tolero a voz esganiçada do Axl e seus Guns'n Roses? Ora, diabos! Por que que repudiava tanto as mesmas coisas no AC/DC?
Acho que a fronteira final da minha resistência se deu assistindo ao filme "Homem de Ferro 2" no qual “Shoot to Thrill” toca no início, na Expo. Aquele riff me pegou de jeito e depois de anos desconsiderando os Young e sua turma, acho que acordei. E depois todas as outras que rolam ao longo do filme, porra! Mas não só por causa do tal do filme... Onde é que eu estava todo esse tempo?
Bom, antes tarde do que nunca!
(Aqui abro um parêntese: Imagino que os apaixonados, os fãs de longa data, os puristas me olharão de viés por ter, não só demorado a perceber o óbvio da imprescindibilidade do AC/DC no universo, mas também pelo fato de só ter notado isso vendo um longa de um super-heroi canastrão num blockbuster de qualidade duvidosa; mas dir-lhes-ia então que ainda pudesse tê-lo conseguido por qualquer outro meio mais digno, como um amigo me emprestando o disco, na casa de uma namorada, ter do ido ao show só por curiosidade ou algo do tipo, da maneira que se deu só mostra como a 'luz' pode vir de, rigorosamente, qualquer lugar, até dos mais improváveis, e também que... de mais a mais, pelo menos o Homem de Ferro terá tido alguma utilidade na sua existência, não? Mas se de qualquer forma, sua eventual antipatia por este novo fã persistir, se não me considerarem digno de fazer parte de sua legião de seguidores, se considerarem sem profundidade de conhecedor esta minha resenha, ou inapto para tecê-la, eu dir-lhes ia que... ora, fodam-se, então.)
Mas voltando ao assunto, o que sei é que aqueles sinos que soam no início de “Hells Bells”, abrindo o álbum, parecem querer anunciar que o que virá dali para a frente será algo sagrado (ou profano). A partir dali começa uma aula de rock’n roll com o que é provavelmente a maior concentração de riffs espetaculares por centímetro quadrado num álbum de rock. A própria “Hells Bells mencionada é espetacular, um pouco mais cadenciada que o habitual do som da banda mas com um peso admirável; a própria “Shoot to Thrill”, objeto dessa redescoberta, é de tirar o fôlego; “Givin the Dog a Bone” é eletrizante com a guitarra de Angus pegando fogo; a belíssima “Let Me Put My Love Into You” bebe no blues mas não esquece a pegada; tem a clássica “You Shook Me All Night Long” absolutamente arrebatadora; “Back in Black”, que dá nome ao disco, simplesmente um dos maiores clássicos da história do rock, um dos riffs mais incríveis e mais lembrados de todos os tempos; e fecha com a ótima “Rock’n Rol Ain’t a Noise Pollution” um manifesto-desabafo pra encerrar com chave de ouro.
Um disco de reação e coragem da banda que resolveu voltar às atividades logo após a morte de seu vocalista original, Bon Scott, até mesmo pra não se deixar abater. E o resultado do luto foi este: um grande álbum!
Um baita disco!
Rock'n Roll puro! Na essência!
O incrível é que o AC/DC estava ali o tempo todo e eu não o percebia. Onde eu estava com a cabeça? Onde estavam meus ouvidos?
Senhor, eu era surdo, agora posso ouvir.
(Milagre!)
Que soem os sinos. Que soem os sinos!
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FAIXAS:
01. Hells Bells
02. Shoot To Thrill
03. What Do You Do For Money Honey
04. Given The Dog A Bone
05. Let Me Put My Love Into You
06. Back In Black
07. You Shook Me All Night Long
08. Have A Drink On Me
09. Shake A Leg
10. Rock And Roll Ain’t Noise Pollution

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Ouça:

terça-feira, 13 de novembro de 2012

17 Dias à Deriva na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre






Durante toda a Feira do Livro de Porto Alegre, Leocádia Costa, parceira aqui do blog, e uma equipe de fotógrafos de primeira linha, abrilhantaram nossa página no Facebook com imagens captadas com rara sensibilidade.
Faço aqui uma coletânea de algumas das melhores imagens destes 17 dias de Feira nos cliques de Luís Ventura, Bruno de Alencastro, Emerson Machado, Fabiano Amaral, Rômulo Valente e da própria Leocádia, é claro.
Aproveito para parabenizar a Leocádia pelo brilhante trabalho e para agradecer a utilização do ClyBlog como meio para a exposição dele.


Bruno de Alencastro

Bruno de Alencastro

Bruno de Alencastro

Emerson Machado

Emerson Machado

Emerson Machado

Emerson Machado

Emerson Machado

Fabiano Amaral

Luís Ventura

Luís Ventura

Luís Ventura

J.J. Benitez, por Luís Ventura


Leocádia Costa

Leocádia Costa

Leocádia Costa

Leocádia Costa

Rômulo Valente