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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

The Velvet Underground & Nico - "The Velvet Underground & Nico" (1967)

"Andy Warhol me disse que estávamos fazendo na música o mesmo que ele na pintura, no cinema e na literatura."
Lou Reed


"Todos nós sabíamos que algo revolucionário estava acontecendo. A gente sentiu isso. As coisas não pareceriam estranhas e novas se alguma barreira não estivesse sendo quebrada."
Andy Warhol


No embalo da exposicão de Andy Warhol aqui no Rio, aproveito pra destacar aqui nos FUNDAMENTAIS um dos discos mais influentes de todos os tempos, "The Velvet Underground and Nico" de 1967. Como uma espécie de 'tentáculo' musical do projeto multimídia de Warhol, que também incluía artes plásticas, cinema, moda e literatura, o Velvet Underground apadrinhado pelo gênio da pop-art, era composto por músicos extremamente inventivos, ainda que nem todos brilhantes, como eram os casos da limitada percussionista Maureen Tucker e do esforçado Sterling Morrisson, por outro lado destacavam-se especialmente o guitarrista e vocalista Lou Reed com suas influências folk, suas levadas pesadas e letras cáusticas; e o multi-instrumentista criativíssimo John Cale, cara técnico, metódico mas aberto a todas as possibilidades e experimentações musicais. No entanto o projeto musical de Warhol ficaria completo mesmo com o acréscimo da modelo alemã Nico, agregando aos vocais da banda sua voz singela e aveludada, cheia de sotaque e sex-appeal apesar de toda a relutância inicial de Lou Reed. O resultado de tudo isso, Warhol+Velvet+Nico, foi um álbum brilhante, notável, uma referência musical e artística, um dos discos mais influentes da hstória do rock.
O produtor (na verdade, financiador)
Andy Wahol
"The Velvet Underground and Nico" é marcante antes mesmo de ser ouvido, já por sua capa concebida pelo mentor e produtor Andy Warhol, com a clássica e conhecidíssima banana; mas é inegavelmente na parte musical que as coisas foram verdadeiramente impressionantes: "Sunday Morning" que abre a obra lembra uma canção de ninar embalada ao som de uma caixinha de música. Em "I'm Waiting for My Man" a guitarra ganha peso acompanhada por um piano insistente e barulhento com o vocal  de Lou Reed soando escrachado enquanto versa sobre as drogas nas ruas de Nova Iorque.
"Venus in Furs", a melhor do álbum e uma das maiores da história do rock, é um épico arrastado com uma batida marcial, pontuada pela viola elétrica de Cale e com Reed, desta vez, cantando de maneira quase hipnótica.
"Heroin" outra das grandiosas do disco vai serpenteando como uma montanha-russa sonora com variações de aceleração, intensidade, ênfases e ruídos como fundo para que Reed conte detalhadamente o uso e as sensações causadas pela droga, com a bateria de Mo Tucker chegando a parecer desordenada em determinados momentos e com tudo culminando numa loucura instrumental total e o violino alucinado de Cale 'bagunce' tudo de vez num final caótico-apoteótico. Aliás, bagunça mesmo (num bom sentido), é o que não falta em "European Son" que chega a ficar praticamente inaudível tal a aceleração, a mistura de sons, as microfonias, a distorção que alcança; mas afinal o que seria do Sonic Youth, do Jesus and Mary Chain, do My Bloody Valentine sem isso?
Nico, a vocalista que Warhol praticamente impôs
mas que deu grande contribuição
Nico aparece apenas como vocal de apoio em "Sunday Morning" mas faz as vezes de principal na lenta "I'll Be Your Mirror", na intensa "All Tomorrow's Parties" e na luxuriante "Femme Fatale" com um vocal sensualíssimo e uma interpretação de 'melar a cueca'.
De resto tem também a galopante e elétrica "Run Run Run", tem outra interpretação bárbara de Reed em "There She Goes Again" falando sobre prostituição, tem outra vez o violino esquizofrênico de Cale em "The Black Angel's Death Song", cara... todas demais, porra!
O disco na época não foi lá muito apreciado; vendeu mal e não obteve grande sucesso. Sua importância foi sendo notada aos poucos e já na década seguinte se sentiria sua influência com a explosão do punk rock. Mas foi só um pouco depois ainda, com o passar do tempo, que se reconheceu definitivamente seu justo status de obra-prima.
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FAIXAS:
  1. "Sunday Morning" (Reed, Cale) - 2:56
  2. "I'm Waiting for the Man" - 4:39
  3. "Femme Fatale" - 2:38
  4. "Venus in Furs" - 5:12
  5. "Run Run Run" - 4:22
  6. "All Tomorrow's Parties" - 6:00
  7. "Heroin" - 7:12
  8. "There She Goes Again" - 2:41
  9. "I'll Be Your Mirror" - 2:14
  10. "The Black Angel's Death Song" (Reed, Cale) - 3:11
  11. "European Son" (Reed, Cale, Morrison, Tucker) - 7:46
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Ouça:
The Velvet Underground & Nico 1967



Cly Reis

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ramones - Rocket to Russia (1977)

"Fui vê-los no CBGB's e consegui um lugar na frente sem nenhum problema (...) Eles entraram, e me apaixonei por eles. Achei que estavam fazendo a coisa certa. Eram rápidos, e eu gostava de rapidez (...) Rock'n roll tem que ser rápido. Adorei."
Danny Fields
ex-empresário da banda


Tá certo que o que viríamos a conhecer como punk já vinha tomando forma a algum tempo, mas foi com os americanos conhecidos como Ramones que a identidade sonora e visual deste estilo se consolidou efetivamente. Músicas curtas, rápidas, composições com três ou quatro acordes, som básico e cru. O visual? Desleixado, sujo, cabelos desgrenhados, jeans surrados e jaquetas de couro.
O primeiro álbum, homônimo à banda foi sem dúvida o responsável por apresentar os Ramones ao mundo e difundir sua sonoridade, mas foi no terceiro que eles capricharam, melhoraram em relação a eles mesmos demonstraram influências, experimentaram mais e nos apresentaram então um discaço cheio de pérolas do rock'n roll.
"Rocket to Russia" de 1977 tem um pouco mais de trabalho de estúdio e por consequência canções mais bem acabadas. Não que isso fosse crucial para uma banda punk mas este empenho mínimo já foi o suficiente para evidenciar, numa sequência de trabalho, que ali não estavam apenas mais um bando de garotos fazendo barulho.
O disco traz as ótimas "I Don't Care", "Rockaway Beach", a clássica "Sheena is a Punk Rocker" e a excelente releitura de "Surfin' Bird" do Trashmen que é uma daqueles casos em que a cover talvez tenha se tornado maior que a original.
Depois deles o subgênero punk tomou rumos variados, assumiu formas, agregou um monte de coisas e influenciou tudo o que veio depois dele. Dali a pouco, no outro lado do oceano, na Terra da Rainha, o troço todo ficaria mais agressivo, mais raivoso, ganharia doses de ódio, fúria e protesto, não só nas letras e no som como nas roupas com outros caras também importantíssimos neste processo todo chamado Sex Pistols, mas fazendo-se justiça, foi com os Ramones que a coisa toda começou ganhou cara de verdade e "Rocket to Russia" representa o melhor produto dos caras no seu período inicial de existência.
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FAIXAS:
1. "Cretin Hop"
2. "Rockaway Beach"
3. "Here Today, Gone Tomorrow" 
4. "Locket Love" 
5. "I Don't Care" 
6. "Sheena Is a Punk Rocker" 
7. "We're A Happy Family" 
8. "Teenage Lobotomy" 
9. "Do You Wanna Dance?" 
10. "I Wanna Be Well" 
11. "I Can't Give You Anything" 
12. "Ramona" 
13. "Surfin' Bird" (White/Frazier/Harris/Wilson) 2:37
14. "Why Is It Always This Way"
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Ouça:
Ramones Rocket To Russia



Cly Reis

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Warhol TV - Exposição - Oi Futuro - Rio de Janeiro - RJ








Abriu hoje aqui no Rio a exposição Warhol TV que mostra esta outra faceta midiática do multiartista Andy Warhol: seus trabalhos e produções para a telinha. Normalmente conhecido por suas obras de art-pop com figuras múltiplas e coloridas de Marilyn Monroe, as desfocadas de Elvis, ou as latas de feijão e sopa, o artista multimídia aparece nesta exposição em vídeos experimentais, clipes, pequenos filmes, entrevistas, aparições em programas de TV e mesmo apresentando alguns. Tipo da exposição pra ir com tempo, com calma, pra ver sem pressa. Alguns vídeos serão mais longos, outros mais curtos, mas certamente é algo pra se assitir e não pra dar uma passada de olhos.
Pretendo ir no fim-de-semana. Depois comento mais um pouco sobre as impressões do que terei visto lá no local.


Andy Wahol
Nascido Andy Warhola em Pittsburgh, Pensilvânia em 6 de agosto de 1928, morreu em 22 de fevereiro de 1987. Era o quarto filho de Ondrej Warhola e Ulja, cujo primeiro filho nasceu na sua terra natal e morreu antes de sua migração para os Estados Unidos. Seus pais eram imigrantes da classe operária originários de Mikó (hoje chamada Miková), no nordeste da Eslováquia, então parte do Império Austro-Húngaro. O pai de Warhol emigrou para os E.U. em 1914 e sua mãe se juntou a ele em 1921, após a morte dos avós de Andy Warhol. Seu pai trabalhou em uma mina de carvão. A família vivia na Rua Beelen, 55, e mais tarde na Rua Dawson, 3252, em Oakland, um bairro de Pittsburgh. A família era católica bizantina e frequentava a igreja bizantina de São João Crisóstomo em Pittsburgh. Andy Warhol tinha dois irmãos mais velhos, Ján e Pavol, que nasceram na atual Eslováquia. O filho de Pavol, James Warhola, tornou-se um bem sucedido ilustrador de livros para crianças.
Nos primeiros anos de estudo, Warhol teve coreia, uma doença do sistema nervoso que provoca movimentos involuntários das extremidades, que se acredita ser uma complicação da escarlatina e causa manchas de pigmentação na pele. Ele tornou-se um hipocondríaco, desenvolvendo um medo de hospitais e médicos. Muitas vezes de cama quando criança, tornou-se um excluído entre os seus colegas de escola, ligando-se fortemente com sua mãe. Às vezes quando estava confinado à cama, desenhava, ouvia rádio e colecionava imagens de estrelas de cinema ao redor de sua cama. Warhol depois descreveu esse período como muito importante no desenvolvimento da sua personalidade, do conjunto de suas habilidades e de suas preferências.
Aos 17 anos, em 1945, entrou no Instituto de Tecnologia de Carnegie, em Pittsburgh, hoje Universidade Carnegie Mellon e se graduou em design.
Logo após mudou para Nova York e começou a trabalhar como ilustrador de importantes revistas, como Vogue, Harper's Bazaar e The New Yorker, além de fazer anúncios publicitários e displays para vitrines de lojas. Começa aí uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director's Club e do The American Institute of Graphic Arts.
Fez a sua primeira mostra individual em 1952, na Hugo Galley onde exibe quinze desenhos baseados na obra de Truman Capote. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o MOMA, Museu de Arte Moderna, em 1956. Passa a assinar Warhol.
O anos 1960 marcam uma guinada na sua carreira de artista plástico e passa a se utilizar dos motivos e conceitos da publicidade em suas obras, com o uso de cores fortes e brilhantes e tintas acrílicas. Reinventa a pop art com a reprodução mecânica e seus múltiplos serigráficos são temas do cotidiano e artigos de consumo, como as reproduções das latas de sopas Campbell e a garrafa de Coca-Cola, além de rostos de figuras conhecidas como Marilyn Monroe, Liz Taylor, Michael Jackson, Elvis Presley, Pelé, Che Guevara e símbolos icônicos da história da arte, como Mona Lisa. Estes temas eram reproduzidos serialmente com variações de cores.
Além das serigrafias Warhol também se utilizava de outras técnicas, como a colagem e o uso de materiais descartáveis, não usuais em obras de arte.
Em 1968, Valerie Solanas, fundadora e único membro da SCUM (Society for Cutting Up Men - Sociedade para eliminar os homens) invade o estúdio de Warhol e o fere com três tiros, mas o ataque não é fatal e Warhol se recupera, depois de se submeter a uma cirurgia que durou cinco horas. Este fato é tema do filme "I shot Andy Warhol" (Eu atirei em Andy Warhol), dirigido por Mary Harron, em 1996.
Em 1987, ele foi operado à vesícula biliar. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Ele era célebre há 35 anos. De facto, a sua conhecida frase: In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro todos serão famosos durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa.
fonte: Wikipédia
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Exposição WARHOL TV
Local: Oi Futuro Flamengo
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63, tel. (21) 3131-3060.
Período: de hoje (02 de fevereiro a 03 de abril
Horário: 11h às 20h (fecha 2ª).
Entrada: Grátis

sábado, 29 de janeiro de 2011

Grace Jones - "Nightclubbing" (1981)

"Sabe, eu a vi vestindo algumas coisas que eu já usei, e isso realmente me irrita(...)
Eu prefiro trabalhar com alguém mais original que não fique me copiando."
Grace Jones sobre trabalhar com Lady Gaga


Um álbum sofisticado.
Poder-se-ia dizer até chiquérrimo!
A estilosa ex-modelo e manequim jamaicana Grace Jones conseguia, depois de alguns discos apenas interessantes no início da carreira musical, transpor enfim todo seu charme dos estúdios fotográficos para os de gravação com o excelente "Nightclubbing". A própria faixa que dá nome ao álbum que já era fantástica com Iggy Pop (autor em parceria com Bowie), consegue ficar talvez até melhor numa versão meio cabaré-chique às voltas com um piano grave e bem marcado com uma interpretação sensual e venenosa.
"I've Seen That Face Before (Libertango)", outro destaque do disco, é no fundo um tango sim, mas tem contornos reggae e coloridos de ritmos latinos. Seus trechos recitados em francês na voz provocante e poderosa de Mrs. Jones dão uma leitura toda diferenciada e singular à composição do argentino Ástor Piazzolla.
Minha preferida, no entanto, é "Pull Up to the Bumper". Apimentada e sem vergonha, traz um vocal provocante, uma guitarra bem suingada e um tamborim fazendo a marcação gostosíssima.
"Walking in the Rain", a primeira do disco é praticamente declamada sobre uma base clean sutilmente 'reggeada' e extremamente bem desenvolvida nos detalhes. Outra das boas é "Use Me", que além de outra interpretação magistral da gigante de ébano, tem uma bela linha de baixo. "Demolition Man" de Sting tem um estilo mais forte, mais new-wave, mais rock e por consequência um vocal mais agressivo também, quase falado na maior parte do tempo só ganhando ritmo mesmo nos refrões. "I've Done it Again" se encarrega de fechar o disco baixando a rotação apaixonadamente numa baladinha tristonha.
Nove interpretações notáveis com as mais diversas nuances dentro do universo da música negra e da música pop em geral. É daquelas obras e daquele tipo de artista que alguém mais mal informado pode torcer o nariz num primeiro momento achando que um disco de ex-modelo seja necessariamente sem qualidade, mera autopromoção, etc. Muitas são assim, sabemos, mas certamente este não é o caso. Para Grace Jones a passarela, os flashes podem ter aparecido antes na vida antes, mas com certeza ela foi feita mesmo para o microfone e para o palco. E quanto ao álbum, o que se pode dizer de "Nightclubbing" é que sobre um repertório variado e extremamente bem escolhido, ela coloca suas voz negra e poderosa de maneira singular e recriadora.
Não somente um álbum sofisticado, um álbum chiquérrimo, mas sobretudo um álbum brilhante.
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FAIXAS:
  1. " Walking in the Rain "( H. Vanda , G. Young ) - 4:18
  2. " Pull Up To The Bumper" "(Koo Koo Baya, Grace Jones, Dana Mano) - 4:41
  3. " Use Me "( Bill Withers ) - 5:04
  4. " Nightclubbing" ( David Bowie , James Osterberg ) - 5:06
  5. " Art Groupie" (Barry Reynolds, Grace Jones) - 2:39
  6. " I've Seen That Face Before (Libertango) "( Astor Piazzolla , Barry Reynolds, W. Dennis, N. Delon) - 4:30
  7. " Feel Up "(Grace Jones) - 4:03
  8. " Demolition Man "( Sting ) - 4:03
  9. "I've Done It Again" (Barry Reynolds) - 3:51
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Ouça:
Grace Jones Nghtclubbing


Cly Reis

Tim Maia nas bancas - Coleção Abril Tim Maia

Pra quem já ficou animado com o lançamento da Universal Music da caixa  "Tim Universal Maia" , vai ficar entusiasmadíssimo como eu com a coleção que a Editora Abril coloca nas bancas a partir de amanhã com 15 álbuns do síndico com encarte bacana, fotos, textos e curiosidades a preços bem acessíveis.
É isso aí: toda a semana nas bancas uma obra diferente do mestre do soul brasileiro.
Detalhe é que num primeiro momento será vendido apenas em São Paulo e Região Sul, chegando aqui ao Rio apenas em abril. Mas vou dar um jeito de ter o meu antes disso, com certeza.
Começa com o excelente álbum Tim Maia de 1970 já a partir de amanhã. Confira abaixo os demais itens da coleção:

1. TIM MAIA 1970
2. TIM MAIA 1971
3. TIM MAIA 1973
4. RACIONAL 1
5. RACIONAL 2
6. TIM MAIA DISCO CLUB (1978)
7. TIM MAIA 1978
8. NUVENS (1982)
9. DANCE BEM (1990)
10. TIM MAIA INTERPRETA CLÁSSICOS DA BOSSA NOVA (1990)
11. TIM MAIA AO VIVO (1992)
12. SÓ VOCÊ (1997)
13. WHAT A WONDERFUL WORLD (1997)
14. TIM MAIA IN CONCERT (2007)
+ (especial) RACIONAL 3

*O primeiro volume custará R$7,90 (valor promocional de lançamento) e os demais R$14,90.

Não dá pra perder!

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Mais informações no site: http://www.colecaotim.com.br/index.php


OBS.: Provavelmente a editora mudou sua estratégia regional de vendas e a coleção já está sendo vendida aqui no Rio de Janeiro
postagem editada em 24/02/2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Black Sabbath - "Paranoid" (1970)


"Satã está rindo
 e expandindo suas asas"
da letra de "War Pigs"


Às vésperas de uma nova vinda de Ozzy Osbourne ao Brasil vale lembrar aos menos informados que só o conhecem por conta de um reality-show familiar que andou rolando por aí, que o cara nem sempre foi aquele velho meio abobalhado e sequelado do programa da TV. Há muito tempo atrás, ele ao microfone do Black Sabbath dava forma, provavelmente, de maneira definitiva ao que hoje se convencionou chamar de heavy-metal. O Deep Purple já anunciava caminhos, o Led já tinha uma sonoridade, mas aqueles caras trataram de acrescentar algo que faltava. Definiram o peso, o estilo, as letras e o comportamento de um dos gêneros mais consagrados, idolatrados e seguidos  do mundo do rock.
"Paranoid", seu segundo disco é um clássico! A própria música-título com sua levada galopante, acelerada, é um dos maiores símbolos da banda da época, da banda e do rock. "Iron Man" com seu andamento arrastado e troante é outra daquelas cujo riff ficou marcado para a eternidade. 'War Pigs" que abre o disco, com sua estrutura vocal-resposta  instrumental e suas retomadas violentas, é um petardo, um míssil, uma bomba contra a guerra nuclear.
Das menos conhecidas, vale destacar a forte e intensa "Hand of Doom" e "Planet Caravan" que dá uma quebrada no ritmo alucinante do resto do disco.
Os temas satânicos, místicos, o protesto, o gestual, o figurino, o comportamento ajudaram a consolidar um carácter específico, constituir uma imagem metaleira e a incluir definitivamente o termo "METAL" no dicionário do rock; e neste contexto, "Paranoid", em especial, como um marco, não apenas pela qualidade mas muito pela representatividade num âmbito geral.
De ponto negativo tem a capa do álbum que é triste de se ver. Uma espécie de guerreiro ou sei lá o quê com uma roupa ridícula, um capacete de astronauta com uma espada luminosa parecendo jedi, pronto para o ataque. Péssimo
Mas... não se pode ter tudo.
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FAIXAS:
1. "War Pigs" 7:57
2. "Paranoid" 2:52
3. "Planet Caravan" 4:34
4. "Iron Man" 5:56
5. "Electric Funeral" 4:52
6. "Hand of Doom" 7:09
7. "Rat Salad" 2:30
8. "Fairies Wear Boots" 6:14

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Ouça:
Black Sabbath Paranoid


Cly Reis

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Oscar 2011 - Todos os Indicados



Saíram hoje, no final da manhã americana e início da tarde brasileira, os indicados ao maior prêmio da indústria cinematográfica mundial, o famoso, conhecido e cobiçado senhor dourado e magrelo chamado Oscar. Curiosamente trazendo algumas surpresas: "Bravura Indômita", por mais que seja dos já consagrados Cohen, levar dez indicações é surpresa pra mim. O queridinho do momento "A Rede Social" ficar com 8 nominações, atrás de "O Discurso do Rei" que lidera com 12, não deixa de ser um pouco inusitado também, mas o que importa é quem ganha mais prêmios e não indicações, não é verdade?
Surpresa agradável foi ver o ótimo "Toy Story 3" disputando na categoria principal. Não vai levar, mas só a indicação já demonstra o quanto foi apreciado e faz justiça à sua qualidade.
Vemos também a produção a co-produção Brasil-Inglaterra "Lixo Extraordinário" indicada para Melhor Documentario podendo trazer então a cobiçada primeira estatueta para o cinema nacional mas não da maneira como todos gostariam que seria como Filme Estrangeiro.
 Agora é aguardar a abertura dos envelopes que acontece dia 27 de fevereiro, em Los Angeles.

Abaixo a lista completa dos indicados ao Oscar:



"O Discurso do Rei" de Tom Hooper
lidera o número de indicações
Melhor filme:
- "A Rede Social"
- "O Discurso do Rei"
- "Cisne Negro"
- “O vencedor”
- "A Origem"
- "Toy Story 3"
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”


Melhor diretor:
- David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei”
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”


Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
- Colin Firth – “O discurso do rei”
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”


Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
- Natalie Portman – “Cisne negro”
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”


Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
- Christian Bale – “O vencedor”
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"


Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
- Melissa Leo – “O vencedor”
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”


Melhor roteiro original:
- “Cisne negro”
- “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei”


Melhor roteiro adaptado:
- “A rede social”
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"


Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
- "Toy Story 3"


Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas"
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"


Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"


Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"


Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
- "Inside job"
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"


Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
- "Poster girl"
- "Strangers no more"
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"


Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"


Melhor filme de língua estrangeira
- "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca)
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)


Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" - John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross


Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
- "We belong together", de "Toy Story 3"


Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
- "God of love"
- "Na wewe"
- "Wish 143"


Melhor curta-metragem de animação
- "Day and night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing"
- "Madagascar, carnet de voyage"


Melhor edição de som
- "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"


Melhor mixagem de som
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"


Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
- "A origem"
- "Homem de Ferro 2"


Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
- "O lobisomem"


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sábado, 22 de janeiro de 2011

Jorge Ben - "Dez anos Depois" (1973)

Me recomendaram ouvir, escutei e achei bem legal mesmo o disco Jorge Ben "10 Anos Depois".
Com 10 anos passados de sua estreia com o magistral "Samba Esquema Novo", o Babulina apresentava então uma série de releituras de seus sucessos com alguns pout-pourris interessantíssimos, versões mais rápidas e agitadas e reintepretações vigorosas, cheias de liberdade e improvisos.
Vale a pena ouvir.
Bem bacana.





Ouça:
Jorge Ben 10 Anos Depois




C.R.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Globo de Ouro 2011 - Vencedores


Ainda em tempo, saíram nesta semana os vencedores do Globo de Ouro 2011, prêmio que costuma já ser um espécie de prévia do Oscar. O grande vencedor da noite foi o badalado "A Rede Social" (veja o trailer) de David Fincher, que devo admitir, não assisti e por enquanto não tenho muito interesse mesmo com todas as boas recomendações a seu respeito e mesmo tendo a batuta do competente Fincher ("Clube da Luta", "Seven") que aliás faturou também como melhor diretor. Barbada pra mim, quando assiti, era "A Origem" que considero uma das melhores coisas que vi nos últimos tempos em cinema, mas que infelizmente não levou nenhum Globo. Vamos ver se terá melhor sorte no Oscar.
Segue abaixo a lista dos ganhadores em cada categoria:


"A Rede Social" de David Fincher levou 4 prêmios
Melhor filme - drama
"A Rede Social"


Melhor filme - comédia ou musical
"Minhas Mães e Meu Pai"


Melhor animação
"Toy Story 3"


Melhor diretor
David Fincher, "A Rede Social"


Melhor roteiro
"A Rede Social"


Melhor ator - drama
Colin Firth, "O Discurso do Rei"


Melhor ator - comédia ou musical
Paul Giamatti, "Minha Versão para o Amor"


Melhor atriz - drama
Natalie Portman, "Cisne Negro"


Melhor atriz - comédia ou musical
Annette Bening, "Minhas Mães e Meu Pai"


Melhor ator coadjuvante
Christan Bale, "O Vencedor"


Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, "O Vencedor"


Melhor filme estrangeiro
"Em Um Mundo Melhor", Dinamarca


Melhor canção original
"Burlesque", por "You Haven't Seen the Last of Me"


Melhor trilha sonora
"A Rede Social"


Melhor série de televisão - drama
"Boardwalk Empire"


Melhor série de televisão - comédia ou musical
"Glee"


Melhor minissérie ou filme feito para a televisão
"Carlos"


Melhor ator em minissérie ou filme feito para TV
Al Pacino, "You Don't Know Jack"


Melhor atriz em minissérie ou filme feito para TV
Claire Danes, "Temple of Gradin"


Melhor ator em série - comédia ou musical
Jim Parsons, "The Bing Bang Theory"


Melhor atriz em série - comédia ou musical
Laura Linney, "The Big C"


Melhor ator em série - drama
Steve Buscemi, "Boardwalk Empire"


Melhor atriz em série - drama
Katey Segal, "Sons of Anarchy"


Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
Chris Colfer, "Glee"


Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
Jane Lynch, "Glee"



C.R.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Frango Atirador

Neil Young with The Crazy Horse - "Everybody Knows This is Nowhere" (1969)


"Sim, pode me arrastar para
Além do arco-íris
Me levar para longe
Descendo pelo rio
Eu atirei no meu amor"
da letra de "Down By the River"



Lançado na primavera de 1969, "Everybody Knows This is Nowhere" era o segundo álbum solo de Neil Young, sua primeira colaboração com a legendária banda de apoio Crazy Horse e um exemplar que continha três de suas mais memoráveis canções: "Cinnamon Girl" rock forte que abre o dico, a extensa, lenta e inspirada "Down By the River" com seu duelo de guitarras e "Cowgirl in the Sand", intensa e sensível, pesada e doce, rock e country, é a melhor do disco e o encerra brilhantemente.
Filho de um jornalista esportivo canadense, Young começou sua carreira como cantor folk em Toronto seguindo logo depois para Nova York no início dos anos 60, mas já ali pelo maio da década botou o pé na estrada de novo e se tocou pra Los Angeles, onde veio integrar a banda Buffalo Springfield que no fim das contas não durou muito e com a separação desta já em 1968, começou carreira solo vindo a gravar seu primeiro álbum em 1969. Enquanto ainda editava seu primeiro trabalho, Young conheceu um pessoal da Costa Oeste chamado na época The Rockets. Gostou do som dos caras, rolou uma identificação, rabatizou o grupo então para Crazy Horse e juntaram-se para a gravação de seu segundo álbum ainda naquele ano.
Com produção de David Briggs e do próprio Neil Young, este "Everybody Knows This is Nowhere" foi gravado em apenas duas semanas, o que não o desvaloriza em nada quanto à técnica e sim depõe a seu favor quanto à simplicidade, objetividade e pureza da obra. Possui apenas sete músicas e estas tem muito da sua base nas extensas atuações instrumentais dos Crazy Horse.
Logo depois de realizar este discaço, Young foi convidado a se juntar a Stills, Crosby and Nash e já no ano seguinte dividia seu tempo entre os dois projetos.
Neil Young nunca desapareceu efetivamente, nunca ficou esquecido ou por baixo mas a redescoberta dele pela geração de Seattle deu uma nova alavancada na carreira trazendo o Cavalo Doido Canadesnse de volta à evidência. Como diria o próprio, mais tarde em outra canção conhecidíssima o "rock'n roll nunca morrerá". E é por isso que o velho continua na ativa (e em plena forma).
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FAIXAS:
1. Cinnamon Girl
2. Everybody Knows This is Nowhere
3. Round & Round (It Won't Be Long)
4. Down By The River
5. The Losing End (When You're On)
6. Running Dry (Requiem For The Rockets)
7. Cowgirl in the Sand
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Ouça:
Neil Young with The Crazy Horse "Everybody Knows This is Nowhere"



Cly Reis

O Frango Atirador

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

cotidianas #65


fora

sumo
de mim
sangro
supro
ao assimilar o sim
     assim
        similar
ao nada
assumo


supra
sumo
sem mim

Daniel Rodrigues

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Joy Division - "Unknown Pleasures" (1979)




"Isto não é um conceito, é um enigma."
inscrição na contracapa do formato LP
de "Unknown Pleasures"



Lembro da primeira vez que ouvi Joy Division. Foi num programa da Rádio Ipanema FM de Porto Alegre, chamado Clube do Ouvinte, no qual um audiente qualquer escolhido pela emissora, comandava o programa e fazia um especial com seu artista ou banda preferida.
Peguei o programa já iniciado e não sabia o que era aquilo que estava ouvindo mas quanto mais ouvia, mais impressionado ficava. Aquele clima pesado, aquela voz dorida e angustiada me envolviam de uma maneira quase inexplicável. Na época estava muito ligado no chamado gótico, no dark, e aquela atmosfera sombria, depressiva  ia bem ao encontro dos meus gostos naquele momento. Descobri ao final do programa do que se tratava e logicamente fui buscar mais informações e material sobre os caras. Nisso descobri que não se restringia àquele darkismo e que tinha origens no cerne da cena punk inglesa do final dos anos 70. O primeiro disco que tive deles foi a coletânea "Substance" que, principalmente na primeira parte, revela sobremaneira este caráter: som minimalista, rápido, mais pesado, mais guitarrado, bem agressivo; no entanto, com o avançar das faixas e avanço do tempo nota-se cada vez mais a incorporação de recursos mais tecnológicos, o que faria definitivamente um diferencial do Joy em relação a seus contemporâneos. Mesmo sem muita técnica individual mas com ótimas ideias e com um excelente trabalho de estúdio do produtor Martin Hannet, que foi a fundo no som e nas possibilidades daqueles quatro rapazes de Manchester, ousavam em elementos eletrônicos, batidas programadas e sons pré-gravados, obtendo um som que ao mesmo tempo era inegavelmete punk, mas já se fazia prenúncio do gótico dos '80 e ao mesmo tempo já dava ares ao techno do início dos '90. Infelizmente toda essa avalanche criativa e potencial artístico musical foram interrompidos prematuramente pelo suicídio do vocalista Ian Curtis que já nas músicas gritava sua dor, seu desespero e efetivamente trazia com ele uma alma inquieta e angustiada que não suportou as pressões da vida e seus problemas de saúde.
"Unknown Pleasures", álbum que virou lendário por ter sido o único lançado durante a existência do grupo ("Closer", o outro de estúdio já estava quase pronto mas só foi lançado depois da morte de Ian Curtis) traz todas estas características sonoras e psicológicas: "Disorder" que abre o disco é um punk-rock clássico com batida acelerada, contrabaixo agressivo e guitarra ruidosa, mas com camadas de sintetizadores "flutuando" ao fundo o tempo todo; "Day of Lords" que a segue já tem uma levada mais marcada, mais lenta e melancólica mas sua letra é extremamente forte interpretada, principalmente na parte final, com uma emoção incrível por Ian Curtis; "Insight" é uma daquelas que já mostram o caminho eletrônico por onde os integrantes restantes iriam trilhar depois quando formariam o New Order: com uma condução bem uniforme do baixo de Peter Hook, é toda cheia de efeitos durante todo o tempo e culmina em 'refrões' sonoros que parecem uma espécie de guerra de raios laser. Uma pancada na mente!
"New Dawn Fades" uma das melhores do disco tem uma batida oca, uma linha lenta e grave e certamente a melhor guitarra dentre as músicas da banda, chegando a partir da segunda parte da canção a um êxtase absoluto juntamente com uma interpretação novamente destruidora de Curtis.
"She's Lost Control", outro grande exemplo da integração que o JD fazia como poucos dos recursos eletrônicos punk rock, tem uma batida praticamente tribal toda trabalhada e com efeitos, conjugada a um baixo que bem agudo e repetido, com uma guitarra distorcida e suja. Bateria e baixo chegam a parecer sampleados mas é só parte da maestria do malucão Martin Hannet atrás da mesa de produção. A propósito disso, um barato é ver no filme "A Festa Nunca Termina", Hannet tentando achar a melhor sonoridade para esta música e fazendo o baterista Stephen Morris (literalmente) levar a bateria para o telhado. Louco! (mas genial).

trecho do filme "A Festa Nunca Termina" de Michael Winterbottom (2002)


"Shadowplay", bem bacana, é um punkzinho um pouco mais tradicional, assim como "Interzone", só que esta mais agressiva até nos vocais; "Wilderness" tem um contrabaixo bem legal mas com um trabalho de bateria bastante interessante também; e "I Remember Nothing" que fecha o disco é daquelas que faz parecer que já se está 'do outro lado'. Uma batida seca ficando mais alta, um baixo mínimo e de repente o barulho de um vidro sendo estilhaçado dá a partida para mais uma daquelas interpretações desesperadas de Ian Curtis, constituindo algo como um vazio sonoro, uma música dentro do nada. Uma das melhores do álbum, uma das mais angustiantes e uma chave de ouro pra encerrar a obra.
Como se não bastasse toda a parte sonora, a parte mítica, as particularidades musicais, etc., o álbum tem ainda, na minha opinião, uma das melhores capas que conheço, com um gráfico de um medidor de pulsos captando a morte de uma estrela. Talvez Bernard Sumner, o guitarrista que sugeriu o conceito da capa não previsse mas acabou por ser, no fim das contas, muito significativo se formos analisar sob certo prisma, não?
Estrela, mito, lenda? Tudo isso e talvez nada disso. Se formos bem criteriosos vamos perceber que apesar das interpretações marcantes, Ian Curtis desafinava brutalmente em alguns momentos, principalmente ao vivo. Hook e Sumner eram toscos e Morris era quem estava um pouco mais pronto naquele momento. Mas fato é que com músicos, na época, bastante fracos, um vocalista doente limitado e com apenas um álbum, o Joy Division gravou, sim, seu nome na história do rock e este disco, "Unknown Pleasures" é daqueles, assim... FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
  1. "Disorder" - 3:36
  2. "Day of the Lords" - 4:43
  3. "Candidate" - 3:00
  4. "Insight" - 4:00
  5. "New Dawn Fades" - 4:47
  6. "She's Lost Control" - 3:40
  7. "Shadowplay" - 3:50
  8. "Wilderness" - 2:35
  9. "Interzone" - 2:10
  10. "I Remember Nothing" - 6:00
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Ouça:
Joy Division Unknown Pleasures



Cly Reis

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

cotidianas #64 - Quadrilha



QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

O Bode Espiatório