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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tim Maia - "Tim Maia" (1970)


"Eu estou tocando música com influência americana, mas com muita raiz brasileira também porque eu aprendi a tocar violão aqui, meu conhecimento harmônico foi todo aqui."
Tim Maia para o "Pasquim" em 1970

Já começa com um rock pegado, carregado no xaxado mas com uma pitada de música negra americana. Assim é "Coroné Antônio Bento" a primeira faixa deste álbum histórico da música brasileira e um dos mais importantes do seu contexto geral. E esta é a tônica da obra, o álbum "TimMaia" de 1970: música brasileira, cheia de raizes, de origens, mas com influências consideráveis da black-music da terra do Tio Sam. Tudo isso fruto da temporada americana de Tim, pouco antes de gravar seu primeiro álbum. Lá, nos EUA, Tim absorvia James Brown, Stevie Wonder, Ray Charles e trouxe consigo na bagagem o que de melhor conseguiu tirar da musicalidade deles agregando ao seu universo e formação musical, obtendo disso, então um extraordinário resultado.
"Jurema" e "Flamengo" são puro funk-soul ao melhor estilo Mr. Dynamite, com sonoridade toda à americana porém, ambas, com títulos bem brasileiros; "Padre Cícero" é outra carregada de regionalismos e brasilidades, fundindo a tradição religiosa brasileira com a sonoridade gospel americana; "Cristina", que aparece em duas versões, sobremaneira na parte um, mais lenta, tem um baixo marcante bem suingado e muito bonito que serve de moldura qualificada para Tim deitar seu vocal imponente e poderoso.
Destaque também para as baladas 'Primavera" e "Azul da Cor do Mar", outros dois shows de interpretação no vozeirão afinadíssimo e singular de Tim.
Em época de caixas (Box da Universal Music) e reedições (Coleção Abril) das obras do Síndico, nada mais justo que destacar este grande disco aqui nos FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
  1. "Coroné Antônio Bento" (Luiz Wanderley / João do Vale)
  2. "Cristina" (Carlos Imperial / Tim Maia)
  3. "Jurema" (Maia)
  4. "Padre Cícero" (Cassiano / Maia)
  5. "Flamengo" (Maia)
  6. "Você fingiu" (Cassiano)
  7. "Eu Amo Você" (Silvio Rochael / Cassiano)
  8. "Primavera" (Vai Chuva) (Rochael / Cassiano)
  9. "Risos" (Fábio Imperial / Paulo Imperial)
  10. "Azul Da Cor Do Mar" (Maia)
  11. "Cristina nº 2" (Carlos Imperial / Tim Maia)
  12. "Tributo à Booker Pittman" (Cláudio Roditi)
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Ouça:
Tim Maia 1970



Cly Reis

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Box Bob Dylan - "The Witmark Demos: 1962-1964"

Saiu há pouco e está por aí, pelas bocas, uma caixa de raridades de Bob Dylan. "The Witmark Demos: 1962-1964" é um material bem curioso, especialmente para fãs. Fãs mesmo, pois talvez o público em geral, mesmo apreciadores do cantor, não curtam tanto por se tratar quase que exclusivamente de versões demos, gravações incompletas, fragmentos, gravados bem espontâneamente por Dylan  em um gravador de rolo no escritório da gravadora. Tudo bem puro, bem bruto, sem acabamento nem produção. O material traz 2 CD's reunindo 47 faixas no total, além de um livro com fotos da época.  Por se tratarem, às vezes, apenas de testes ou ensaios, algumas das canções chegam a ter menos de um minuto e outras apresentam até mesmo 'defeitos' como pigarros e ruídos no ambiente, mas certamente o material, gravado entre 62 e 64, época que vai do álbum de estreia, "Bob Dylan" até o "Another Side...", é uma daquelas pérolas para fãs.


Caixa Bob Dylan -"The Witmark Demos: 1962-1964"
The Bootleg Series - Vol. 9
CD duplo (47 faixas) + livro
Sony Music
R$ 48,80

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Cisne Negro", de Darren Aronofsky (2010)



Tinha lido nO Globo uma crônica do Arthur Xexéo em que ele criticava bastante o badalado filme "Cisne Negro". Como tinha boas recomendações sobre o mesmo, bons indícios, achei num primeiro instante que seria aquilo meramente uma implicância do cronista com algum elemento que lhe desagradara em particular, um preconceito com o diretor, algum preciosismo em relação ao balé e por isso uma cobrança excessiva sobre uma produção que tenta o reproduzir, etc. Mas assistindo-o ontem, infelizmente cheguei a quase todas as mesmas conclusões que ele. (E reparem que de tinha eu grandes expectativas).
O filme é lamentável!
Fraco, fraco, fraco.
Absolutamente previsível da primeira à última cena. Um roteiro extremamente mal desenvolvido com diálogos medíocres e rasos. Um suspense-terror com pouquíssimo impacto talvez adequado para filmes de adolescentes. Pouquíssimos méritos, efetivos, de direção; tipo aquilo que se possa dizer que só foi assim ou assado porque uma 'batuta' de mestre levou àquele resultado. Não! Pelo contrário: o glorioso Darren Aronofsky não faz muito mais do que tirar da lona e levar para o palco seu último filme "O Lutador", igualmente fraco e rasteiro. Só que lá era um lutador tentando tirar um paizão de dentro de si e neste é uma bailarina tentando extrair de si um lado negro; e tudo isso para AMBOS mergulharem (literalmente) em câmera lenta sobre o espectador a caminho de seus respectivos 'cantos do cisne'. É lógico que é um exagero mas os filmes tem, sim, muita semelhança, especialmente no que diz respeito a seus deficientes desenvolvimentos. Tem algum ponto a favor no jogo de espelhos e tal, mas não passa muito disso.
Como disse, concordei, enfim em quase tudo como colunista dO Globo. Ele ainda salientou a deficiência técnica da atriz no que diz respeito à dança, mas aí não vou querer dar palpite porque não entendo especificamente do assunto ainda que todo leigo tenha sua opinião sobre qualquer assunto e, me pareça, que até nisso ele tem razão. O que acho mesmo é que está sendo superestimada é a atuação da atriz, Natalie Portmann, vancedora do Globo de Ouro e favorita para o Oscar, em uma interpretação para mim, no mínimo, muito comunzinha, e arriscando-me a dizer até, excessivamente afetada e inexpressiva.
O duro de tudo isso é o cara sair do cinema e comentar com a esposa que achou o filme uma droga e ela achar que o cara não gostou porque não gosta de balé.
Meu Deus!!!! Muitas pessoas parecem não entender que não tem nada a ver com assistir a um filme de guerra, de boxe, de futebol, de romance, etc. O importante é ver um FILME.
Não tem nada a ver com não gostar de balé. Não gostei do filme porque eu gosto de cinema. Só isso.



por Cly Reis

sábado, 19 de fevereiro de 2011

cotidianas #67 - Super

Chega!
Estou cansado de ser desrespeitado, de ser humilhado, roubado, vilipendiado. De ter que ficar acuado, sempre com medo, sempre com nada.
Chega. Não mais permitirei que nos tratem assim. A partir deste momento assumo minha forma ultra; meu outro-eu. Sim, revelo-lhes: sou súper. Sou superior.
Não posso mais aceitar tais barbáries, este abuso, este barulho; esta balbúrdia. Por isso revelar-lhes-ei, irmãos, tenho super-poderes. Tenho-os, sim. Tenho Nervos-de-Aço, tenho Pés-de-Vento, tenho os Olhos-de-Fogo, jogo fogo pelas ventas. E, não tenham dúvida, usarei tais poderes contra tudo. Usá-los-ei contra todos que se me interponham o caminho.
Não se preocupem, não mais permitirei que gigantes nos pisem. Colocar-me-ei em frente a carros em altas velocidade destes muitos celerados que por aí andam, tomarei por meus os desacatos que vocês, irmãos, vieram a sofrer, recuperarei seu dinheiro levado por falsos cristos, interpor-me-ei à frente das balas dos revólveres que disparam por aí sem origem nem destino certo. Não se preocupem mais, eu estou aqui.
E eu posso tudo isso.
Eu posso tudo!
...
Ou não?

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ARQUIVO DE VIAGEM - Fernando de Noronha




vista da Baía dos Porcos do alto do mirante do Sancho
 Tive nesta última semana, um curto, porém bem aproveitado, período de férias, desfrutado na belíssima ilha de Fernando de Noronha; e, amigos, definitivamente, tudo o que se fala a respeito da beleza natural do local se justifica. É certamente um dos lugares mais lindos não somente do Brasil como provavelmente do mundo. Beleza que não se limita às paisagens de encostas encrespadas de pedras vulcânicas, ao Morro do Pico visto de qualquer lugar da ilha; à vegetação quase intocada em alguns pontos; às variadas tonalidades de azuis de seu mar, mas estende-se também à sua maravilhosa fauna, sobremaneira a marítima, admiravelmente preservada e bem cuidada pelas entidades oficiais e incrivelmente respeitada pelos turistas.
Tartaruga marinha recolhida para marcação
por biólogos do Projeto Tamar na Baía do Sueste
Tive o prazer de fazer um mergulho guiado na Baía do Sueste, local de variada fauna aquática e de desova das tartarugas marinhas, no qual fiquei verdadeiramente maravilhado com a quantidade de espécies, a diversidade de cores e tamanhos de peixes, com a beleza dos corais, com o nado soberano da tartaruga-verde ali à minha frente, com a mansidão de um tubarão-limão passando pertinho de mim indiferente a tudo, com a magnitude de uma grande arraia estacionada no fundo do mar, com a vegetação marinha, com tudo ali. Tudo incrível!
Não vi de perto mas pude avistar de cima, da Baía dos Golfinhos, as  piruetas e saltos do golfinho-rotador, espécie assídua na ilha, que frequenta tranquilamente a baía em bandos praticamente ao longo de todos os dias do ano. Espetáculo simplesmente incrível e emocionante.
O Morro do Pico visto da Praia da Conceição
E as praias, amigos! O que dizer das praias? Como já disse, com suas pedras resultantes de longínquas formações vulcânicas, formam verdadeiras molduras escultóricas para cada trecho de baía que constituem cada praia. Entre as do Mar de Dentro, voltadas para o Brasil, temos as interessantes praias do Porto e do Cachorro não tão boas para banho, uma por causa dos barcos e a outra por causa das pedras; a belíssima, e bem aprazível, Praia da Conceição; a gostosa e igualmente linda Praia do Boldró; a badalada pelos surfistas e conhecidíssima Cacimba do Padre; e a melhor paisagem para as fotos na Baía do Sancho com sua encosta íngreme cuja praia só é acessada por uma enorme escadaria.
As piscinas naturais da Ponta das Caracas
aqui com a maré cheia
Do outro lado, no Mar de Fora, voltado para a África temos as praias de acesso limitado pelo IBAMA como a Praia do Atalaia que tem horários e visitantes limitados; a Ponta das Caracas com suas piscinas naturais, hoje fechadas para banhistas pelo perigo da inconstância das marés; a Praia do Leão ali pertinho onde o IBAMA também tem ações relativas às tartarugas marinhas; a Caieira um pouco mais liberada porém menos interessante para banhistas; e a melhor para banho, a já mencionada Baía do Sueste com suas calmas e claras águas de enseada onde pode-se tomar banho tranquilamente sem a incidência de ondas mais fortes, além de poder-se fazer os mergulhos com equipamento e guias credenciados que vão apontando as curiosidades durante o percurso mar adentro. Uma das mais legais e mais bonitas do conjunto de praias da ilha.
A Baía do Sueste
A topografia, até por conta da formação geológica, e bem acidentada, por isso tem-se muitos aclives, declives, morros acima e abaixo e caminhos irregulares. Sendo assim, é recomendável para todo o turista que não pretenda morrer subindo e descendo ladeiras o tempo todo, que alugue um buggy, o que é bem fácil uma vez que a oferta é bem ampla. nós alugamos um. De resto, tirando as trilhas mais complicadas e pontos meio íngremes, os caminhos da ilha são bem fáceis e, na verdade, atravessa-se a ilha inteira em 10 minutos pela BR-363 que a corta de um lado a outro, que é, a rigor, única estrada asfaltada do lugar.
A propósito de infra-estrutura urbana, excetuando o asfalto que realmente não é recomendável até por uma questão de preservação ambiental, deve-se dizer que Fernando de Noronha é um lugar estritamente recomendado para férias e pequenas temporadas, uma vez que suas condições de permanência prolongada ou de vida são mínimas. A água é a mesma do mar, só que dessalinizada, porém quando a estação tem algum problema a população local chega a ficar 10 dias sem água; a energia elétrica é obtida por um grande gerador a diesel, abastecido periodicamente por embarcações vindas de Recife, e que é responsável pela energia da ilha inteira; só há uma escola e pelo que soubemos esta sofre com falta de professores e os que lecionam lá são bastante despreparados; não existe sequer uma UTI ou uma maternidade no local; tudo é muito caro pela dificuldade de se obter qualquer coisa, uma vez que a maioria dos artigos, sejam eles alimentícios, de higiene, domésticos, de lazer ou qualquer outro tipo, tem que vir de Natal ou de Recife; e além de tudo isso, tudo o que existe de bom ou bem estruturado é voltado para o turista e não para a população local.
Peixes em um pequeno tanque natural
na praia do Boldró
Até por isso come-se muito bem na ilha! O fato da pesca ser uma das principais atividades locais e da culinária nordestina ter aquele toque todo particular faz com que os pratos de frutos-do-mar sejam as principais atrações do cardápio noronhense. Não dá pra deixar de experimentar a 'coxinha' de Tubarão do Restaurante Tubalhau, perto da praia do Porto, e que tem até um pequeno e interessante Museu do Tubarão, anexo ao estabelecimento e um jardim de esculturas no gramado à frente dele. A propósito de tubarão, sua carne é, por sinal, uma das mais utilizadas nos pratos locais na maioria dos restaurantes e, diga-se de passagem, para minha agradável surpresa, é excelente. Comemos no requintado Restaurante Varanda que fica na Vila do Três; no chiquérrimo Restaurante Zé Maria, no bairro Floresta Nova; no agradável Trattoria del Pescatore com ótimo atendimento na descida para a Vila dos Remédios. Todos ótimos! Mas o melhor mesmo foi o bolinho de tubarão e o tubarão ao molho do modesto Restaurante da Edilma, também na Vila dos Remédios. Discretinho, direitinho, sem maiores requintes mas com uma comidinha excelente. E o pirão??? Hmmmm!!! Se for a Noronha não deixe de comer lá.
Dentro do Forte
Nsa. Sra. dos Remédios
Ali por perto da Edilma tem ainda o tradicional Bar do Cachorro onde dizem que o forró come solto noite adentro; tem a igreja de Nsa. Sra. dos Remédios de traços bem simples e modestos; e o Forte dos Remédios de 1687, em bom estado de conservação, figurando imponente e alto visível de boa parte da cidade. Um lugar verdadeiramente encantador! Um verdadeiro paraíso de beleza natural. Merece, é verdade, um pouco mais de cuidado com o povo dali, mas se em lugares onde tudo é mais fácil, já não se tem tudo o que se precisa, imagine-se lá numa ilha afastada do continente. Mas fico verdadeiramente satisfeito de ver que lá as ações de órgãos de preservação, voluntários e pessoas interessadas em manter aquele lugar lindo como é, mesmo com dificuldades burocráticas, com limitações de recursos, com falta de qualificação, com esta mencionada falta de infra-estrutura local e com (infelizmente) ainda alguma falta de educação de alguns turistas, conseguem manter Fernando de Noronha ainda muito verde, muito vivo, muito natural (na medida do possível).


Vista do Mirante do Boldró.
O pôr-do-sol entre os Dois Irmãos