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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"Escuta Só, Do Clássico ao Pop', de Alex Ross




Acabei de ler o "Escuta Só" do jornalista norte-americano Alex Ross e não gostei tanto quanto eu imaginava que gostaria. Em poucos momentos ele realmente traça paralelos e estabelece analogias entre a música clássica e o universo pop- rock, o que supunha eu, fosse a tônica do livro. Até o faz no início do livro com uma interessante progressão cronológica e inter-relações de épocas e estilos, mas depois até pelo fato de ser uma coletânea de matérias, perde um pouco este foco.
De bem bacana mesmo o capítulo em que fala da cantora islandesa Björk, atribuindo a ela o devido valor no cenário da música atual; o capítulo sobre o Sonic Youth no qual faz ver que por trás de todo um aparente barulho há um conceito e músicas extremamente bem construídas; a parte toda sobre Mozart e sobre como este gênio sabia agradar populares e eruditos; e também quando demonstra a evolução das linguagens musicais que desembocaram na formação do blues. No mais, é interessante quando fala de uma instalação natural-musical chamada O lugar onde você vai para ouvir, e toda a reverência que presta ao mito Bob Dylan refazendo sua trajetória e analisando letras e composições.
Esperava mais do livro mas está longe de ter sido uma decepção. Vale pela tentativa de desmitificação do 'monstro sagrado' que é a música tida como erudita, e o autor se empenha especialmente em mostrar que, no fim de tudo, tudo é apenas música.
Uma boa leitura, no fim das contas.



Cly Reis

Coluna dEle #22


Fala, galera aí de baixo! Tô chegando!
Tudo belêz?
Comigo tudo numa boa. Tenho que administrar essa coisa toda, mas vai-se levando como se pode. empurrando com a barriga, que aliás tá enorme. A Mulhé ja disse que Eu tenho que emagrecer mas como é que eu vou dispensar aquela lasanha no fim-de-semana, né?

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Por falar em comilança, como é que tão os preparativos pro Natal?
As compras, a ceia, o peru, a rabanada?
Aqui em casa, cês sabem que é aquela coisa: além de Natal é aniversário do Meu guri. Fica um EU nos acuda.
A Patroa já montou árvore, botou enfeitezinho na porta, presépio... Afff! Essas frescuras!
Minha Nosssa Senhora!!!

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Infelizmente esse ano as festas vão cair em final de semana, né?
Merda!
Não vai ter feriadão.
Até pensei em mudar o calendário, já que Eu posso tudo, mas isso ia desorganizar todos os próximos mil anos, e aí quem ia se ferrar era Eu, então melhor deixar assim mesmo. Mas vam'vê se, já que Eu mando nessa merda mesmo, se Eu dou um jeito de fazer um recesso por aqui.  ; -)

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Como andou atrasando o Meu 13°, só agora vou poder começar a providenciar as coisas. Não queria deixar tudo pra última hora porque, vocês sabem né, os shoppings ficam uma loucura. Mas não vai ter jeito, vou ter que encarar lojas cheias e aquela coisa toda. Um Inferno! 

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A Dona Encrenca quer um desses smart-phones que fazem tudo.
Tem uns desses que são impressionantes mesmo. Fazem coisas que até Eu duvido.
Já o Meu Guri quer um jet-ski. Não sei pra que se ele pode muito bem caminhar sobre a água, mas ele insiste, diz que é mais radical e tudo mais, então, vá lá.

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A propósito de tecnologia, Eu andei trazendo pra cá pra cima o Steve, aquele da Apple e aproveitei e dei uns jobs pra ele no Meu departamento de informática. Só um cara como ele pra organizar essa bagunça. Aproveitei e pedi pra ele inventar alguma coisa pra facilitar a Minha vida.
O cara é bom! Bom mesmo! Inventou um tablet aqui que Eu posso comandar o mundo de onde Eu estiver, na cama, no banheiro, no sofá.
É o iGod.
Pequeno, levinho, fininho, fácil de carregar... Adoro ir percorrendo de um continente pro outro só tocando na tela. O mundo na ponta dos Meus dedos! Um barato! Hehehe!
É, e tem USB, bluetooth, memória o bastante pra guardar todos os arquivos da história da humanidade, uns joguinhos maneiros e o melhor é que tem acesso às redes sociais. Agora fica bem mais fácil de acessar o meu Face.
Foi o presentinho que Eu Me dei de Natal, afinal de contas Eu também sou filho de ... Bom, quer dizer... Não sou filho, Eu sou.. Ah, esquece!

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Pedidos de Natal para: god@voxdei.gov

Fui!



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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

David Bowie - "Aladdin Sane" (1973)


'A Lad Insane'?
'A Land Insane'?
'Love Alladin Vein'?
Não,  'Aladdin Sane' apenas.
trocadilhos posíveis
idealizados para o nome do álbum

Readquiri ontem, depois de muito tempo apenas com algumas músicas dele numa coletânea 'geralzona', o ótimo "Aladdin Sane" de David Bowie, de 1973.
Cartilha do glitter rock e um dos melhores álbuns do Camaleão, "Aladdin Sane", o sucessor do clássico "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust...", é praticamente uma continuação daquele, sem ser uma repetição ou uma imitação. É sim uma recriação. Por mais que seja bem glam, bem carregado nas guitarras assim como o outro, "Aladdin Sane" tem toda uma personalidade enquanto álbum, uma aura própria e uma  melodiosidade toda peculiar.
"Watch the Man" que abre o disco é um exemplo perfeito do glitter característico de Bowie; "Panic in Detroit" e "Cracked Actor" carregam nas guitarras em dois rockões empolgantes; "Time" é uma provocante balada de cabaré interpretada com maestria com aquele jeito Bowie, único, de cantar; e "The Jean Genie", outra das melhores do disco, é um bluesão fantástico e matador.
A faixa que dá nome ao álbum, por sua vez, é uma requintada e ousada composição onde a base chega a estacionar e parar, repetindo-se, para dar espaço a um admirável solo de piano. Piano que também é destaque na faixa final, "Lady Grinning Soul", uma melodia flamenca na qual o som das teclas alvi-negras parece deslizar por sobre a canção, fluindo líquido como se escorresse pelo seu interior.
Bowie apresenta-nos ainda uma cover muito legal de "Let Spend the Night Together" dos Rolling Stones , inclusive com uma inusitada pausa para distorções no finalzinho, o que dá um toque todo particular à versão.
Mais um grande disco deste cara que nunca cansou de nos surpreender. Que praticamente se renova a cada 2 ou 3 discos, sempre estando na vanguarda dos acontecimentos, tendências e costumes. E com este álbum não foi diferente
Bowie sempre atemporal.

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FAIXAS:
1."Watch That Man" 4:25
2."Aladdin Sane (1913-1938-197?)" 5:06
3."Drive-In Saturday" 4:29
4."Panic in Detroit" 4:25
5."Cracked Actor" 2:56
6."Time" 5:09
7."The Prettiest Star" 3:26
8."Let's Spend the Night Together" 3:03
9."The Jean Genie" 4:02
10."Lady Grinning Soul" 3:46

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Ouça:
David Bowie Aladdin Sane



Cly Reis

O Frango Atirador

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

cotidianas #119 - Tocaia


Cansaço...
Não, não poso deixar o sono me vencer. Tenho que estar atento. Falta pouco. Deve faltar pouco, eu acho. Estou aqui, escondido, agachado faz umas quatro horas e nada. E agora essa chuva pra piorar.  Mas deve faltar pouco para eles chegarem. E quando chegarem, tenho que estar com o dedo pronto. Rápido. Ágil. Provavelmente só terei uma chance.  Ah, e esse frio.
O que foi isso? Um barulho. Devem ser eles. Tenho que estar pronto, tenho que estar atento. Uma luz, vozes... Eles? Não. Alarme falso. Tenho que estar pronto. Assim que eles chegarem, pá! Tenho que sacar rápido, disparar e sair correndo.
E eu aqui, entrincheirado, feito um bicho. Será que tudo isso vale a pena? Tudo isso em nome de que? Fome, sede,... minhas pernas doem. Esquece. Esquece a dor. Esquece o cansaço. Tpa quase. Mantém a calma. Mantém a calma.
Agora, sim. Parecem ser eles. Se aproximam... Sim, são eles. Atenção! (Seja rápido, seja rápido. Seja preciso).
Agora!
Um clique!
Perfeito!
Agora podemos provar que eles tem um caso. Ih, o segurança vem vindo. Correr, correr...
Essa vai pra capa.



Cly Reis