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segunda-feira, 5 de março de 2012

Os Causo de Dois Morro - O doismorrês


Um curiosamento bem normar entre as pessoa que num conhecia Dois Morro antes das minha mui útel informação, é sobre o ideoma que se fala lá, até porcausadequê Dois Morro é um dos berço da civilização.
Que ideoma se fala em Dois Morro?
Se fala o doismorrês! Lógico!
O doismorrês veio incrusives antes do latim, se tu queres saber.
Na verdade veio depois. Porque o causo foi o seguinte: o Sargento, que era o guaipeca do compadre Onório, num parava de latí, num tinha Deus que fizesse aquele bicho endemoniado calá a boca.
Foi que daí saiu o compadre Onório de dentro da casa, podre de bêbo. Mas podre, podre meso, podre pramaidimetro e xingou o coitado do bicho até não poder mais. Só que tava tão borracho que falava dum jeito nóis nem entendia uma palavra do que o Cristão dizia. Aí que a piazada, achando graça, começô a imitar o falamento dele, e de tanto brincá com aquilo, acabaro costumando e quando viu, tava todo mundo em Dois Morro falando daquele jeito que o Onório tinha inventado. Ficô tipo, como se diz, um dialético. Primero se chamou-se onorífico, porcaus'que foi inventado pelo Onório, mas dispois como quem falava era só as gente de Dois Morro, ficou chamando-se doismorrês. Linguajar esse que predececeu, inscruzive o latim e foi a orige da língua brasilêra.
Aí que a gente diz que depois do latim... do cachorro, veio o doismorrês, que foi o linguamento do compadre xingando o anemar.
E daí surgiu os outro falamento de língua do resto do planeta, umas fala estranha, umas coisa esquisita, mas importante meso pra Héstória da humanidade foi a invenção do doismorrês.
Entendêro?

postado por Chico Lorotta

domingo, 4 de março de 2012

cotidianas #199 - A Mancha Amarela


André cruzou a avenida movimentada de onde trabalha, enfiando-se entre os carros como fazia junto a outros vários pedestres todos os dias a ponto de nem preocupar-se mais com o perigo de não respeitar a faixa – era mais fácil chegar a seu destino assim. Podia pegar uma condução no ponto logo ali, na esquina, sem precisar cruzar a via, mas, horário de verão, costuma empreender a esta época uma caminhada de uns 15 minutos até sua casa, bairro logo ao lado. Carteira com menos relatórios que o normal, sapatos de couro curtido que já podia considerar confortáveis, temperatura amena, economia de dinheiro, maneira de evitar o trajeto alongado do ônibus, desculpa ecologicamente correta, nada melhor para fazer, ninguém a se reportar; tudo contribuía. Então, banalmente, foi.

Ao chegar à calçada oposta, percebeu uma mancha de tinta sobre as pedras portuguesas do calçamento a qual nunca tinha reparado. Amarela. Estranhou (afinal, trabalhava ali há sonolentos 6 anos e nunca tinha sequer batido o olho...). Mas seguiu em marcha. Ficou com a interrogação daquela imagem: espatifada, como que resultante de um tubo cheio de tinta emborcado. Intencional? Sem querer? Deixou “pra lá”, afinal, podia ser que estivesse ali até a mais tempo que ele, e ele é que nunca tivesse percebido, quem sabe, por sempre alcançar um trecho da calçada além da mancha – talvez, meio metro adiante, o suficiente para, tendo em vista seu olhar acostumado a apontar para uma direção só, jamais ter notado. “Sei lá”, disse a si mesmo.

Nem bem completou esse raciocínio desaproveitável e avistou, vindo em sua direção, um senhor falando ao celular. O aparelho, totalmente lambuzado da mesma tinta amarela, porém fresca de recém-derramada, escorria pelos dedos, chegando-lhe até a boca. Alguns pingos entravam lábio adentro, outros trilhavam em direção ao punho do paletó. De um amarelo cítrico, oleoso, brilhoso, pendendo levemente para o esverdeado. Aquela mesma tonalidade do chão. No entanto, viu que o homem mantinha a conversa normalmente, e André pôde até escutar que se tratava de um diálogo com a esposa, pois conseguiu ouvi-lo dizer quando passava: “não, mulher, o cartório pediu mais uma pepelada...”. Admirou-se daquilo... mas não se conturbou, afinal tinha mais o que fazer: chegar em casa. E seguiu a passo moderado, naquela nenhuma solenidade.
Mais adiante, no seu trajeto insosso de tão corriqueiro, um jovem cantava uma garota, ambos de pé em frente ao (provavelmente) prédio dela. Na calça dele, à altura da panturrilha, a tinta, já seca, tingia uma das pernas, formando uma incompreensível imagem abstrata que contrastava com o jeans de estilo moderninho. Ela parecia estar “na dele”, pois sorria e mexia no cabelo enquanto o rapaz macaqueava-se à sua frente, dança da sedução caricatamente sincera. A mancha, incompatível àquela cena, não parecia afetar em nada o cortejo. Ao som de uma gargalhadinha dela, André virou a cabeça e, na mesma quadra, viu uma senhora idosa passeando com um poodle, bem faceiro, tanto que a tinta amarela que pingava de sua boca, no lugar da saliva, não lhe tirava a satisfação de estar na rua com sua dona naquele fim de tarde nem com o provável gosto azedo que produzia. Irracional (decerto, por isso), o cão nem percebia, assim como a dona que, talvez pela velhice, talvez pela mesma irracionalidade, também não.

E no resto do trajeto, ainda, mais daquela estranheza: um grupo de meninas, emanando tesão, aos gritinhos, jogava uma ridiculamente mal jogada partida de vôlei, em que a bola voava de um lado para o outro respingado a tinta, que cuspia pingos nos cabelos delas (nem se importavam!). Um mendigo, na sarjeta, embuchava-se com um pedaço de pão velho emplastrado daquilo. Também, um casal de orientais vinha no tradicional passo rápido e sincronizado dos orientais. Mãos dadas, empapadas, grudadas pelo viscoso amarelo-lima.

Aquilo tudo era muito estranho, de fato, e, embora não chegasse a incomodar, embaraçava sua cabeça um pouco. Não conseguia ligar uma situação à outra. Não fazia sentido... Porém, quase em casa, nem precisava mais pensar. Era chegar e apagar a memória do dia, como se acostumara, dormentemente, a proceder um dia após o outro: ao bater a porta do apartamento, o “para trás” morria.

Enfim, chegou. Depois de trocar cumprimentos de forma consensualmente banal com o zelador – que molhava as folhagens com tinta amarela a jatos de mangueira –, subiu pelo elevador, puxou a chave e: lar doce lar. Foi direto à cozinha. Na geladeira, abriu-lhe a porta e, ao destampar a panela guardada do dia de ontem, enxergou a porção restante do macarrão com frango coberta por uma espessa camada de tinta amarela. As horas de refrigeração já faziam com que, plástica, a tinta revestisse sua comida, formando um bloco compacto e gelado. André enojou-se de tal jeito que fechou a porta e foi direto para a sala zapear os canais da tevê. Sentou-se no sofá meio de lado, tal como caiu, de alça da carteira sobre o ombro, os tais sapatos semiconfortáveis calçados, calça ainda cintada; só a gravata ligeiramente afrouxada no gogó. Adormeceu rápido de uma exaustão que nem sabia que tinha, sem dar tempo de prestar atenção em nada na televisão. Na tela, a âncora da BBC noticiava em inglês na sua postura fria e inabalável que a crise no Oriente Médio mais uma vez afetara as bolsas de todo o mundo, enquanto a tinta amarela cobria totalmente uma das lentes de seus óculos, escorrendo lenta e em camadas até formar pingos graúdos, que salpicavam aos poucos o balcão, começando a formar ali uma poça.


de Daniel Rodrigues

sábado, 3 de março de 2012

Neyde Zis e Tim Maia - "Neyde & Tim" - (1974)



Tudo aconteceu numa escaldante e misteriosa madrugada carioca no estúdio Somil, em Botafogo. A data é imprecisa. Ninguém sabe ao certo; só se tem uma vaga lembrança de que foi num final de semana de fevereiro de 1974. Os técnicos do som Ary e Célio, depois de uma sessão com Belchior, que gravava seu primeiro disco, organizavam as últimas coisas antes de fecharem tudo e irem embora. Mas eis que, no final da noite, imbica enviesado na frente do estúdio o famoso Fusca 71 roxo e verde de  Neyde Zis . E quem ao volante a acompanhava? Ele:  Tim Maia . Os dois, “maleixos” de uísque e sabe-se lá do que mais, já desceram cantando em dueto “Brother”, o gospel maravilhoso do mano  Jorge Ben . Com seu barítono inconfundível, ele reforçava o agudo nos versos: “Prepare one more happy way for my Lord” como se tivesse tomado pelo espírito de um cantor de igreja norte-americano. Ela, por sua vez, usava seu timbre rouco capaz de atingir agudos impressionantes, destilando uma segunda voz cheia de swing e emoção. E quando chegava na parte: “Jesus Christ is my Lord, Jesus Christ is my friend” era um verdadeiro desbunde: os dois, em uníssono. De arrepiar. Soul music na mais pura acepção.
Ary e Célio se entreolharam, ao mesmo tempo com admiração por presenciarem aquele belo dueto, mas também segurando a gargalhada por acharem engraçadíssimo ver aqueles dois abraçados cambaleando com uma garrafa que passava de mão em mão. Mas o que não previam era que, naquela noite,  Neyde Zis  e  Tim Maia  não tinham enchido o saco para ficarem com as chaves do estúdio à toa. E o que os técnicos jamais imaginariam, depois de darem as costas e “lavarem as mãos”, era que, por exemplo, aquela versão de “Brother” que ouviram entre soluços embriagados seria, horas depois, registrada numa performance perfeita, com espontaneidade e técnica, desfechando a mais obscura e inspirada jam session já documentada na MPB: o clássico álbum “Neyde & Tim”.
O disco é o ápice da carreira da “Diva Black”, “A menina mulher da pele preta”, como a apelidara  Jorge Ben , que a homenageara com a música que dá título ao primeiro álbum dela, de 1969. Depois de várias participações em trabalhos de parceiros – leia-se Cassiano, Tony Tornado, Hyldon e Bebeto, ou seja, só a nata da soul music brasileira –, ela, influenciada pela guinada pós-tropicalista do amigo  Erasmo Carlos  e do próprio Ben, grava o já muito bem comentado neste blog por Eduardo Wolff"Dó-Ré-Mi-Fa-Sol-Lá-Zis" , considerado por Oberdan a principal influência da Banda Black Rio e o melhor disco brasileiro dos anos 70. E não só ele a idolatrava. Até artistas internacionais louvavam Neyde Zis, como declarou Isaac Hayes, em entrevista de 1997 a BBC, quando perguntado qual a melhor cantora black de todos os tempos: Aretha Franklin ou Billie Holiday. Negando ser nenhuma das duas, ele respondeu com seu vozeirão de Chef: “The best black woman singer lives in Brazil. She’s called Neyde Zis.”
“Neyde & Tim” não tem comparação, e pode ser considerado um capítulo à parte na carreira tanto dela quanto na do “Síndico”. A sessão foi quase ininterrupta, tudo ao vivo, apenas uma paradinha e outra para emborcar um gole de uísque, fumar unzinho e comer um pouco de goiabada – coisa que Tim sempre carregava consigo para a sobremesa. O disco abre com uma obra-prima composta por  Gilberto Gil  no exílio em Londres: “Nêga”, que não coincidentemente fez parte do repertório de uma outra jam que jamais existiria não fosse “Neyde & Tim”: o disco “Gil & Jorge Xangô Ogum”, confessa homenagem de Gil e do Babulina à dupla. Nessa versão, mais cadenciada e romântica que a original, o vocal fica por conta de Neyde, que carrega na sensualidade. Tim, responsável por toda a cozinha, entrecorta a linha melódica soltando versos que pareciam ter sido escritos por Gil para Neyde: “The tropical nêga” ou “This nêga is my”.
Hayes: "Neyde Zis é a melhor
cantora negra de todos os tempos."
“Zismaia”, na sequência, é um funk sincopado cujo título traz controvérsias. Primeiro, o significado mais evidente: a simbiose musical que havia entre os dois. Porém há quem credite esse título a uma tentativa de Tim, já totalmente bêbado, em pronunciar a palavra “desmaia” num momento em que Neyde teve um rápido apagão (alcoólico, claro). As más línguas dizem que, acabada a garrafa de uísque, os dois passaram a entornar uma caninha que encontraram escondida na cozinha. O que, de certa forma, explica a existência de outra faixa, “Kaxassa”, uma das oito compostas com tamanha fluidez por Tim só naquela madrugada. (Essa segunda versão até que é bem verossímil considerando a situação.)
Sabe-se lá como, mas o Paulo Ricardo, o Rubens e o Serginho Trombone, que na época tocavam tanto na banda de um quanto de outro, apareceram por lá e gravaram a guitarra, o baixo e os sopros, enquanto Tim cuidava da bateria, do violão e de uma caxeta que trouxeram de um show em Niterói ocorrido horas antes. Neyde só se incumbia de emprestar sua voz. E era o que bastava. No máximo, um chocalho ou uns acordes de violão. Foi com essa formação que gravaram “Psychoblack”, um funk lisérgico de dar inveja a qualquer Parliament-Funkadelic; “Farofa”, baião eletrificado com uma bateria pesada cheio de groove; e “Retorno”, um samba-rock que captou o momento em que Tim reclamava do técnico de som que era... humm, ele mesmo. Todos – àquela altura já envoltos na fumaceira que tomava todo o estúdio –, caíram na gargalhada, e a música ficou uma das mais espontâneas do disco.
Ao todo são apenas 10 faixas de várias que a dupla tocou até as 7 da manhã do dia seguinte. Pelo menos foi isso que veio parar na mão do produtor Mariozinho Rocha, que finalizou a mixagem. Os LP’s impressos na época hoje são raridade, e valem uma fortuna no mercado alternativo. Sabe-se de colecionador no Japão que não vende seu exemplar nem por dez castelos de Osaka. Mas agora esta versão remasterizada com capricho no Abbey Road pode fazer com que mais pessoas possam dar o devido valor a uma das obras mais importantes da nossa música e, enfim, fazer justiça a uma artista infelizmente esquecida neste Brasil sem memória. Salve o “Gênio” Tim, claro, mas, acima de tudo, salve a “Musa” Neyde Zis!
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O impacto da noite de orgia musical e lisérgica foi tanto que, logo depois desta fatídica madrugada, Tim caiu em uma forte abstenção e a uma crise existencial que lhe levou a ler um tal de livro chamado “Universo em Desencanto”. O resto da história todos sabem no que deu.
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Poucos sabem, mas “Acenda o Farol”, gravada por Tim em 1978 no disco “Tim Maia Disco Club”, foi criada naquela noite. Quando os dois tiveram a delirante ideia de se dirigir ao estúdio da Somil, ambos vinham juntos de Niterói no tal fusquinha, que aprontou de furar um pneu no caminho. Tim, puto com o ocorrido, ao invés de ralhar, inventou uma música. Enquanto trocava o estepe lá fora, gritava para Neyde lá dentro do carro: “Pneu furou/ Acenda o farol/ Acenda o farol...”. A música foi gravada para “Neyde & Tim”, mas, infelizmente, perderam o único take porque puseram outra por cima (coisa de gente grogue). Tim só foi redescobrir a música anos mais tarde porque a encontrou escrita num papel amarrotado no bolso de uma calça que tinha usado apenas uma vez, ou seja, na histórica noite da gravação de “Neyde &  Tim”.
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FAIXAS:
1. Nêga (Gilberto Gil)
2. Zismaia (Neyde e Tim)
3. Ogulabuiê (tradicional: ponto de umbanda)
4. Batuque (Neyde e Tim)
5. Farofa (Tim Maia)
6. Psychoblack (Tim Maia)
7. Kaxassa (Tim Maia)
8. Som (Ari, Célio e Tim Maia)
9. Retorno (Tim Maia)
10. Brother (Jorge Ben)


Mutantes - "Os Mutantes" (1968)



"Os Mutantes são demais!"
Caetano Veloso, em 1968


Surgidos em meio ao movimento Tropicalista do final dos anos 60, o trio paulistano Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee, os Mutantes, inspirados pelos Beatles traziam à música brasileira uma proposta absolutamente original e inovadora, agregando à psicodelia desta raiz rock, ritmos regionais brasileiros e incorporando toda a linha de pensamento e ação daquele movimento artístico no que dizia respeito à quebra de regras, padrões, formatos e paradigmas.
Em seu disco de estreia de 1968, “Os Mutantes”, a banda levava ao extremo seus preceitos: em um trabalho brilhante desfaziam a estrutura das canções, teatralizavam a música, desvirtuavam gêneros e misturavam linguagens artísticas.
“Panis et Circenses” a faixa que abre o disco, com sua letra surreal e arranjos 'aloprados' do maestro Renato Duprat, é um exemplo claro deste rompimento de estrutura mudando de forma várias vezes ao longo de sua duração, incorporando ruídos, elementos publicitários, sinais sonoros, até acabar abruptamente interrompendo a encenação de um jantar em família.
“A Minha Menina” que vem na sequência, de autoria de Jorge Ben, traz uma introdução com o próprio mandando todo mundo tossir e ainda sua colaboração na própria música com aquele violão ímpar cheio de ritmo, numa batucada-rock com a guitarra de Sérgio Dias bem alta, aguda e destacada.
Quem ouve “Adeus Maria Fulô”, um retrato crítico e cru da vida no sertão nordestino e da fuga pra cidade grande, num primeiro momento pode-se deixar enganar pela instrumentação percussiva e pela condução de cuíca, mas logo vai perceber tratar-se na verdade de um falso-samba regionalista nesta canção que, talvez, na sua essência seja a mais rock de todo o disco.
Outro destaque é “Bat Macumba”, de Caetano e Gil. Bem ritmada e embalada com uma guitarra estridente solando o tempo todo, é daquelas canções cuja letra genial, cheia de simbologias, fonologias, ícones e chaves é tão significativamente formal que é possível lê-la e perceber sua estrutura concretista visual mesmo musicada e acompanhar sua composição e decomposição.
Batmacumba iêiê batmacumbaoba
Batmacumba iêiê batmacumbao
Batmacumba iêiê batmacum
Batmacumba iêiê batmacum
Batmacumba iêiê batman
Batmacumba iêiê bat
Batmacumba iêiê ba
Batmacumba iêiê
Batmacumba iê
Batmacumba
Batmacum
Batman
Bat
Ba
Bat
Batman
Batmacum
Batmacumba
Batmacumba iê
Batmacumba iêiê
Batmacumba iêiê ba
Batmacumba iêiê bat
Batmacumba iêiê batman
Batmacumba iêiê batmacum
Batmacumba iêiê batmacumba
Batmacumba iêiê batmacumbao
Batmacumba iêiê batmacumbaoba
A divertida (mas séria) “O Senhor F” é quase teatro mambembe; “Le Premier Bonheur du Jour” com sua letra em francês seria charmosa com o vocal sensual de Rita se não fossem as fungadas ao fim de cada verso; “O Relógio” é extremamente bem construída no seu experimentalismo bem ao estilo "Sgt. Peppers"; e a versão de “Baby”  (outra de Caetano) com sua guitarra rasgada, é cantada de maneira irreverente, quase debochada, por Arnaldo Baptista. No mais, temos a excelente “Trem Fantasma”, a experimental e psicodélica “O Relógio”; o jazz "Tempo no Tempo"; e a finalização com a instrumental de linhas orientais “Ave, Gengis Kahn”.
Disco fundamental para o rock brasileiro, para a música popular brasileira como um todo e por que não para um cenário mais amplo, a observar-se a recente descoberta e surpresa de artistas internacionais com o som dos Mutantes. Sua presença já se fazia obrigatória nesta seção fazia algum tempo. Demorou, mas finalmente ei-lo aqui. Carimbo de qualidade ÁLBUM FUNDAMENTAL do ClyBlog.
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FAIXAS:
1. "Panis et Circenses" (Caetano Veloso, Gilberto Gil) 3:38
2. "A Minha Menina" (Jorge Ben) 4:42
3. "O Relógio" (Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias) 3:30
4. "Adeus Maria Fulô" (Humberto Teixeira, Sivuca) 3:04
5. "Baby" (Caetano Veloso) 3:01
6. "Senhor F" (Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias) 2:33
7. "Bat Macumba" (Caetano Veloso, Gilberto Gil) 3:10
8. "Le Premier Bonheur du Jour" (Frank Gerald, Jean Renard) 3:36
9. "Trem Fantasma" (Arnaldo Baptista, Caetano Veloso, Rita Lee, Sérgio Dias) 3:16
10. "Tempo no Tempo (Once Was a Time I Thought)" (John Philips - Versão: Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias) 1:47
11. "Ave Gengis Khan" (Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sérgio Dias) 3:48

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Ouça:
Os Mutantes 1968


Cly Reis