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terça-feira, 22 de agosto de 2023

cotidianas #805 - "Quinze Anos"


arte integrante da capa do álbum
"Vivendo e Não Aprendendo"
do grupo Ira!, por Camila Trajber

Quando me sinto assim
Volto a ter quinze anos
Começando tudo de novo
Vou me apanhar sorrindo

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã

Eis o homem
Que se apanha chorando

Vivendo e não aprendendo
Eis o homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã

Eis o homem
Que se apanha chorando

Vivendo e não aprendendo
Eis homem, este sou eu
Que se diz seguro
Que se diz maduro

Seu amor hoje
Me alimentará amanhã

Eis o homem
Que se apanha chorando

★★★★★★★
"Quinze Anos"
canção da banda Ira!
(letra: Ricardo Gasparini e Edgar Scandurra)

★★★★★★★
Ouça:

sábado, 8 de julho de 2023

Frank Jorge & Naipe de Sopros - Bar do Alexandre - Porto Alegre/RS (30/06/2023)

 

“Rock 'n' roll: amor e morte”. Com este lema, emprestado do amigo e também roqueiro gaúcho Julio Reny, o carismático e catalisador Frank Jorge subiu não ao palco, mas à calçada do badalado Bar do Alexandre, em plena Rua Saldanha Marinho, no Menino Deus, quadras da minha casa. Tão perto é que, chegando a pé e uns minutos após o começo do show, fui recebido por Frank tocando “Se Você Pensa”, de Roberto e Erasmo, ao lado de Alexandre Birck, na bateria, e Régis Sam, baixo, além de um afiado naipe de sopros: Carlos Mallmann (trombone) Joca Ribeiro (trompete) e Gustavo Muller (sax tenor e barítono). Que luxo! Combinação simples, mas suficiente para o front man entregar um show cativante e de puro rock. No set-list, temas da carreira solo de Frank, hits da sua tão lendária quanto ele Graforréia Xilarmônica, uma das bandas fundadoras do rock gaúcho e clássicos nacionais, internacionais e regionais.

A convite do próprio Frank, pude presenciar uma apresentação digna da melhor Porto Alegre roqueira. O público que cantou com ele de cabo a rabo joias do seu repertório solo como “Pode Dizer Assim”, “Não Pense Agora”, “Sensores Unilaterais”, “Elvis” e “O Prendedor” até aquelas da Graforréia que não podem faltar: "Eu", "Twist", "Nunca Diga" e "Amigo Punk", esta milonga-rock que é mais do que uma música: é um dos hinos não-oficiais da Porto Alegre alternativa.

Frank e sua banda tocando o hino "Amigo Punk"

Mas teve também covers muito legais e coerentes com a pegada rock 50/60 que sempre caracterizaram a obra e a estética de Frank. Dos parceiros de rock gaúcho, além de "Amor e Morte", de Reny, teve "Lugar do Caralho", do ex-parceiro de Cascavelletes Júpiter Maçã (à época, anos 80, ainda Flávio Basso) e "Cachorro Louco", pedrada da própria Cascavelletes. Ainda menos vaidoso, ele tocou, sob um coro geral da galera, o hit "Núcleo-Base", dos paulistas do Ira!, ato, convenhamos, raro em artistas do Rio Grande do Sul, comumente bairristas.

Mas teve mais! Frank não poupou relíquias. Outra de RC, numa emocionante "Quando"; Beatles, "Nowhere Man", rock argentino e até Ramones. Porém, claro, nada do punk grosseiro, e sim, uma versão da sessentista "Rock 'n' Roll Radio". Nada mais condizente com Frank Jorge. O clima de celebração se completou ainda com o anúncio, horas antes, da inegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O próprio Frank puxou mais de uma vez o coro: "Ele é inelegível!" em ritmo de "Seven Nation Army", tal as torcidas organizadas, porém dentro dos acordes de "Nunca Diga", de autoria do próprio Frank (que, diga-se, foi escrita bem antes do megasucesso da White Stripes).

Um começo de noite agradabilíssimo regado àquilo que hoje se reserva a pequenos redutos porto-alegrenses, que é a cena rock. Por algumas horas, o clima da antiga Osvaldo Aranha foi recuperado e se reproduziu ali, testemunhado pelo céu nublado da noite. Um momento de resistência, de celebração. Quase litúrgico. Frank, na 'seriedade", como diz a todo tempo, trata, de fato, rock como algo sério. Empunhando sua guitarra como um padre carrega um crucifixo, São Frank Jorge conduziu sua legião de séquitos em enlevo de oração. Coisa muito séria esse rock 'n' roll, hein? Assunto de amor é morte. Amém.

**************

Frank e banda mandando ver no bom e velho rock 'n' roll

Sendo recebido ao som da Jovem Guarda de Roberto e Erasmo


Rua e bar lotados para assistir Frank Jorge

Outro clássico do repertório "xilarmônico": Nunca Diga"

Daniel Rodrigues

sábado, 28 de abril de 2018

"Contos do Rock", organização de Daniel Ferro - ed. Dublinense (2017)




"Pessoalmente pra mim é uma viagem no tempo.
Vai ser sempre uma maneira rápida, simples e prazerosa
de lembrar de uma das partes mais legais de estar na estrada,
contando e ouvindo histórias dos amigos do rock."
Daniel Ferro



Originado pelo programa de TV, no canal Multishow, o livro "Contos do Rock", organizado pelo apresentador Daniel Ferro, traz historietas, casos, curiosidades narradas por artistas da música, na estrada, no palco, nos bastidores, nos estúdios, enfim, no meio musical. O resultado, enquanto publicação é bastante decepcionante, uma vez que apenas reproduz os acontecimentos já relatados no programa e, provavelmente por terem sido veiculados originalmente na TV, parecem ter muito cuidado com o teor e o conteúdo do que é contado.
Quem é acostumado com biografias e publicações relacionadas a música com certeza já leu ou ouviu casos muito mais instigantes, impressionantes, picantes, perturbadores, assustadores, cabeludas do que os que são colocados ali por grande nomes do pop-rock nacional. Historinhas muito papai-e-mamãe que no máximo conseguem arrancar do leitor um sorrisinho amarelo ou um "legal!"pouco entusiasmado. Além disso, a opção pela transposição do material das entrevistas do programa para o formato livro de forma praticamente literal, contribui para a falta de qualidade da publicação ocasionando uma excessiva coloquialidade em muitos momentos, soando mais a desleixo e falta de cuidado com o produto final do que a uma má escolha editorial. Sabe aquele jeito do Dinho Ouro-Preto falar, por exemplo? O relato dele está escrito praticamente daquela maneira que ele fala, "... cara, tipo, e aí a gente, tipo, cara...". Não só o dele como o de outros artistas, às vezes, acreditem, menos articulados ainda.
Pra não dizer que em mais de cinquenta crônicas não teve nada que prestasse, me chamaram atenção em especial os perrengues do Sepultura pela Ásia tocando em um palco de bambu, provando comidas exóticas e tomando sangue de cobra; a perseguição de motoqueiros à Falange Moulin Rouge das loiras de Fausto Fawcett, quando a delegada Marinara teve que mostrar quem era a lei; o "roubo" de Nasi, do disco de ouro do próprio Ira! da sede da gravadora; e mais alguma que outra que nem me marcou muito. No mais,... vale pela curiosidade. Talvez nem isso.


Cly Reis

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ira! - "Vivendo e Não Aprendendo" (1986)


“O Edgard senta na mesa e diz assim: ‘Olha, não é nada disso, não tem nada dessa história de rebeldia juvenil. Realmente é um preconceito contra a invasão de nordestinos, era o que eu estava pensando na época e foi isso o que eu quis dizer mesmo, eu não agüentava essa coisa de música baiana, de Caetano, de Gil'. Na hora, esse foi mais um dos insights que eu tive. Puta que o pariu, defendi durante anos essa letra, carreguei essa cruz. Agora, naquele dia, eu saí de lá falando assim ‘eu nunca mais canto essa música.’ ”
Nasi, à Revista Trip em 2008
sobre a música “Pobre Paulista”


Um dos melhores discos do rock nacional.
Mais um daquela safra brilhante da metade da década de 80 que inclui o "Dois" do Legião, o "Cabeça Dinossauro" dos Titãs, o "Selvagem?" dos Paralamas, o Capital Inicial com seu disco de mesmo nome, entre outros bons que apareceram por ali.
“Vivendo e não Aprendendo” do Ira! era a afirmação de uma banda que havia aparecido bem no seu primeiro trabalho, “Mudança de Comportamento” de 1985, mas que então ganhava o respeito definitivo de público e crítica. Mais do que isso, era a afirmação Edgar Scandurra como o melhor guitarrista brasileiro dos últimos tempos e com certeza o melhor daquela geração. Músico capaz de riffs agressivos como o da espetacular “Dias de Luta”, melodias ternas como a da melancólica “Quinze Anos”, ou referenciais como em “Envelheço na Cidade”.
Nas composições de Scandurra pela voz de Marcos Valadão, conhecido como Nasi, o Ira! proporcionava com “Vivendo e não Aprendendo”, retratos urbanos recheados de imagens, sentimento coletivo e realidade cotidiana. A confusão da cidade, a violência, as multidões, as paixões e os desencontros na ótima "Vitrine Viva" com sua linha de baixo forte e matadora; a alienação, o dinheiro, a indignação na punkzinha “Nas Ruas”; o preconceito pueril de Edgar Scandurra em “Pobre Paulista (“não quero ver mais essa gente feia / não quero ver mais os ignorantes / só quero ver gente da minha terra / eu quero ver gente do meu sangue”); e o grito coletivo de desemprego, fome poluição de “Gritos na Multidão” são exemplos perfeitos desse desenho musical social proposto pelo Ira!.
No entanto, o grande sucesso do disco, muito devido ao fato de fazer parte da trilha de uma novela, foi “Flores em Você”, canção de letra curta, que nas mãos do produtor Liminha ganhou um belíssimo arranjo de cordas que lhe conferiram toda uma grandiosidade e graça.
O Ira! nunca mais conseguiu produzir um álbum como este. Fez uma coisa boa aqui, outra ali, os integrantes principais, Nasi e Edgar envolveram-se em projetos paralelos interessantes mas o grupo nunca mais foi o mesmo. A obra excessivamente diversificada, atirando em todas as direções, fez com que nunca tivessem conseguido manter uma unidade de estilo ou de intenção e não conquistassem um grande público de fãs como foram os casos de Legião, Titãs, Capital. Talvez se tivessem se fixado um pouco mais em determinada linha, ou principalmente, se tivessem feito coisas próximas a este “Vivendo e Não Aprendendo”, tivessem se consolidado posteriormente e tivessem mantido o interesse do público por seu trabalho. Mas isso não é tudo e o Ira!, por mais que tenha sumido da grande mídia, sempre teve seu público fiel. O que importa é que certamente tratou-se de uma das grandes bandas do cenário nacional e que foi fundamental no alavancamento do rock brasileiro naquela metade de anos 80. Se teve seus erros, teve, mas teve seus acertos também, e que foram muitos.
Enfim... a vida é assim, é vivendo e aprendendo.

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FAIXAS:

01.  Envelheço Na Cidade 3:17
02. Casa De Papel 3:36
03. Dias De Luta 4:26
04. Tanto Quanto Eu 2:50
05. Vitrine Viva 2:20
06. Flores Em Você 1:54
07. Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo) 2:40
08. Nas Ruas 4:17
09. Gritos Na Multidão 3:08
10. Pobre Paulista 4:57


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Ouça:

sábado, 15 de outubro de 2011

cotidianas #109 - "Vitrine Viva"


Ontem eu gostei
Ontem eu gostei - de tudo


Quando te beijei
Quando te beijei - na boca


Ontem na cidade
Ontem na cidade - sangue


Enquanto te beijava
Enquanto te beijava a boca


Ontem na cidade, ontem na cidade - sangue


Na vitrine a modelo
Na vitrine a modelo linda


Vitrine Viva - viva!
Vitrine Viva - viva!!
Vitrine Viva - viva!!!
Vitine!!!!

Eu, ontem estava lá
Ontem estava lá - ontem
Você estava lá, você estava lá e eu também


Eu não sou uma vitrine linda
Eu não sou

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Vitrine Viva
(Luís Arnaldo Braga e Edgar Scandurra)

Ouça:
Ira! - "Vitrine Viva"


*fotos de Guy Bourdin