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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Música da Cabeça - Programa #477

 

Se você se sentiu num ringue nos últimos dias, não estranhe, pois não foi só você. Com esse clima no STF, afinal, não tem como ser diferente. Pedindo vistas, o MDC de hoje reprisa sua edição nº 107, de maio de 2019, quando já falávamos do Supremo por aqui. Naquela feita, rolou  The Cure, Can, Noel Rosa, Terry Riley, Seu Jorge, Simon & Garfunkel e mais. Sem ligação com Vorcaro, entramos no ar 21h na insuspeita Rádio Elétrica. Produção, apresentação sem medo da PF: Daniel Rodrigues


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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Popol Vuh - “Letzte Tage - Letzte Nächte” (1976)

 

"Uma visão do Popol Vuh.
Uma visão das coisas claras veio do lado mar,
A descrição das nossas sombras.
Uma visão da vida clara, como é chamada."
Trecho do "Popol Vuh", o livro sagrado dos Maias (século XVI)

O movimento krautrock alemão foi marcado pela diversidade e pelo avanço tecnológico. Embora todos os grupos e artistas se aproximem de um mesmo motivador inicial, o cenário da Alemanha pós-guerra e os efeitos da reindustrialização do país, as diferenças entre as bandas e artistas se tornariam marcantes à medida que os trabalhos desses músicos iam se desenvolvendo. E a tecnologia, princípio fundamental a toda geração da nova música alemã de meados dos anos 60, desdobrou-se de formas distintas na musicalidade de cada um. Kraftwerk, Klaus Schulze e Neu!, por exemplo, optaram pelo uso sistemático dos sintetizadores e sequenciadores, tornando-se seguidores naturais da linha de Darmstadt de Stockhausen e Boulez. Can, Gong e Faust, no entanto, foram aos poucos assumindo sonoridades mais psicodélicas e progressivas, dando aos sons das máquinas um papel complementar aos arranjos.

No caso da Popol Vuh, banda de Munique idealizada pelo viajandão Florian Fricke, estudante de piano de cauda e composição na Universidade de Freiburg – e crítico de cinema em tempo parcial, além de amigo do cineasta Werner Herzog – essa dicotomia entre eletrônico e analógico se dá noutra dimensão: no convívio quase dual entre o clássico e o moderno. Isso porque, depois do primeiro disco, “Affenstunde”, de 1970, a Popol Vuh tornou-se deliberadamente anacrônica, abandonando paulatinamente moogs, sintetizadores e afins. O negócio era manejar instrumentos acústicos como tanpura, oboé, cítara e percussões africanas das mais diversas. De sonoridades que vão do folk ao hindu, marcando álbuns como “In Den Gärten Pharaos” (1971), “Hosiana Mantra” (1972) e “Das Hohelied Salomos” (1975), eles chegam, em 1976, a seu melhor resultado:  o enigmático e deslumbrante “Letzte Tage - Letzte Nächte”, que completa 50 anos de lançamento em 2026.

Entre os muitos músicos alemães que, na década de 1970, olharam para a Índia e o Extremo Oriente na busca de absorverem a espiritualidade oriental, Fricke é o maior exemplo. Seu trabalho é uma exploração constante do mesmo tema: como expressar a espiritualidade mais pessoal, profunda e austera por meio da música clássica ocidental, da música sacra e do rock profano. O nome da banda diz tudo: uma homenagem direta ao livro sagrado dos Maias, redigido na Mesoamérica no século XVI. Por isso, a Popol Vuh pode estar na Baviera do século XVIII, na Amazônia do Século XVI, na Índia védica de 1500 a.C., na Jerusalém do período bíblico ou num futuro distópico imaginado. Mas nunca no tempo presente. “Letzte...”, certamente o disco mais rock da banda, é permeado por todas essas referências.

Fricke e Daniel Fichelscher (responsáveis pela maioria dos instrumentos das gravações), travam um duelo musical, que expõe com inédita clareza a natureza dialética da Popol Vuh, a qual se equilibra entre sagrado e profano, classicismo e modernidade, teutonismo e psicodelia. “A dialética entre os dois é um espetáculo por si só: a guitarra é o demônio que salta em cada passagem, enquanto o piano é o anjo que tenta manter o calor e a tranquilidade. A guitarra é puro caos hedonista, enquanto o piano é ordens ascéticas e clássicas”, descreve o historiador cultural ítalo-americano Piero Scaruffi. Por falar em guitarras, as de “Der Grosse Krieger”, faixa de abertura, não só chamam para si o protagonismo como em muito lembram a sonoridade da The Cure e, especialmente, o estilo de tocar de Robert Smith. 

Essa parecença não é infundada, visto que, dark, o som da Popol Vuh é quase gothic-punk, o que se nota também em instrumentais como “Oh Wie Nah Ist Der Weg Hinab”. Música-irmã desta, “Oh Wie Weit Ist Der Weg Hinauf" vem em seguida como numa resposta. Ritualística, traz nas vozes das cantoras Djong Yun e Renate Knaup vocalises, que fazem lembrar o mantra hinduísta ao deus Krishna (“Haram Dei Raram Dei Haram Dei Ra”), mas sem deixar de dialogar com o rock progressivo.

Depois da folk “In Deine Hände”, “Kirye” comprova aquilo que Scaruffi salienta, que é a contribuição lírico-sacra de Fricke. A despeito da carga de rock prog engendrado por Fichelscher, não é na guitarra, mas no piano que esta canção é forjada. Melódica e suplicante, a se ver pelo significado da palavra originária do grego antigo ("Senhor, tende piedade de nós"), “Kyrie” também vai ganhando intensidade no entoar das vozes femininas e da guitarra. Na sequência, “Haram Dei Raram Dei Haram Dei Ra” repete a melodia de “Oh Wie Weit Ist Der Weg Hinauf", só que agora trazendo como título as palavras de chamamento à energia divina Bhakti Yoga presente na letra. 

Talvez as duas mais bonitas faixas do álbum são também as que o encerram em um clima elevado. A primeira é “Dort Ist Der Weg”, um rock experimental que antevê a sonoridade de bandas do pós-punk europeu como a já mencionada The Cure. Um rock com influências das culturas indianas, germânicas, britânicas, célticas e romani, algo que também se poderia já chamar de world music (e que se exacerbaria no som da Popol Vuh em “City Raga”, de 1995). 

Já a faixa-título é ainda melhor. Ela antecipa a sonoridade de outros ilustres britânicos da cena alternativa: a Cocteau Twins. E não a Twins tristonha da primeira fase, mas a sua versão dream pop, como uma música feita para (e por) os anjos. Afora a guitarra etérea, que em muito lembra a de Robin Guthrie, as vozes de Djong e Renate cantando juntas aumentam ainda mais a semelhança com os escoceses, que usavam o vocal de Liz Frazer em overdub, produzindo um efeito de vozes paralelas e complementares muito parecido. Além disso, a própria melodia climática faz remeter aquilo que a Cocteau Twins faria anos mais tarde em discos célebres como “Heaven or Las Vegas”. 

Fricke continuaria comandando a Popol Vuh por mais vários anos até sua morte, em 2001, produzindo invariavelmente bons discos, entre eles trilhas sonoras para filmes do amigo Werner Herzog, como as de “Aguirre: A Cólera dos Deuses”, “Coração de Cristal”, “Fitzcarraldo” e “Cobra Verde”. Mas embora a abismal musicalidade da Fricke e seus ascetas, eles nunca fizeram um trabalho tão emblemático como “Letzte...”, onde conseguiram dar outras (e inéditas) cores à tecnológica krautrock e provar que, independente das maquinarias, sejam as do presente ou as do passado, a centralidade na alma continua sendo o que move a arte.

〠〠〠〠〠〠〠〠〠〠

FAIXAS:
1. "Der Große Krieger" - 3:15 (Daniel Fichelscher)
2. "Oh Wie Nah Ist Der Weg Hinab" - 4:36
3. "Oh Wie Weit Ist Der Weg Hinauf" - 4:30
4. "In Deine Hände" - 3:00
5. "Kyrie" - 4:38
6. "Haram Dei Raram Dei Haram Dei Ra" - 1:30
7. "Dort Ist Der Weg" - 4:30 (Fichelscher/Fricke)
8. "Letzte Tage - Letzte Nächte" - 4:20 (Fichelscher/Fricke)
Todas as composições de autoria de Florian Fricke, exceto indicadas

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OUÇA:
“Letzte Tage - Letzte Nächte” 

〠〠〠〠〠〠〠〠〠〠

Daniel Rodrigues


sábado, 22 de agosto de 2026

ÁLBUNS FUNDAMENTAIS Especial Clyblog 18 anos - The Cure - "Wish" (1992)

 



“Wish”, A Prova Final de Quem Não Precisava Provar Mais Nada Pra Ninguém




“...eu amo The Cure. 
Não parece porque todo fã do The Cure 
se parece com o Robert Smith”
Noel Galagher, do Oasis





Se tem uma coisa que me estressa bastante é ter que esperar. Esperar em fila de mercado, nem se fala. Por isso, costumo sempre andar com meu telefone musical. Sim, aquele cachorro que não vai te abandonar quando você mais precisa. E eu só o uso para isso: ouvir música.
Outro dia eu estava no mercado, com meu inseparável amigo telefone. Daí, no decorrer da música, eu entrei no modo máximo do transe, como se tivesse baixado uma entidade sobrenatural em mim. Quando eu voltei do transe, praticamente desorientado, me dei conta de que uma garota que trabalha nesse mercado estava com os olhos fixos em mim, como se quisesse entender o que estava acontecendo. Foram dois flagras: ela comigo, e eu com ela. E é justamente disso que vou falar por aqui: que música eu estava ouvindo? De onde ela veio? Calma! Já vou falar. 
Ah! O que falei não é uma “estória”, mas uma “história”, ok?
Rolou mesmo!
Quem gosta de música sabe que, por mais que uma banda ou artista solo seja grande e longeva(o) ele pertence a um tempo, uma época. A banda The Cure é assim. Pensando em anos 80, não tem como pensar em música pop ou rock sem mencionar essa banda. Sobretudo na Inglaterra. Mas a grande questão é que se trata de uma banda que está em atividade até hoje, ainda bem. Mas, talvez pelo fato do rock ter tido um ponto de inflexão fortíssimo no  início dos anos 90 com a chegada do grunge, e tudo o que ele influenciou, esse disco do The Cure seja tão pouco citado quando o assunto é a banda, e muito menos quando o assunto é anos 90. Estou falando do álbum “Wish”. Na minha opinião, um dos melhores álbuns da banda, infelizmente, bastante ofuscado.
A banda é muito associada ao Gótico, sobretudo pelo visual do Robert Smith, como brincou Noel Gallagher (“...eu amo The Cure. Não parece porque todo fã do The Cure se parece com o Robert Smith”). Claro que tem razões para isso. A banda lançou uma trilogia consagrada (trilogia sombria: "Seventeen Seconds" (1980), "Faith" (1981) e "Pornography" (1982),
fora "Disintegration"
 (1989) que segue essa linha e é considerado por muita gente o melhor trabalho da banda. Acontece que até aquele momento, o Robert Smith, principal compositor da banda, já havia provado que sua qualidade e capacidade artística era bem mais ampla e diversificada.
Não à toa, o álbum "The Head on The Door" (1985) também é considerado um dos melhores álbuns da banda, com uma diversificação musical bastante evidente. Aí, em 1992, quando a banda já completara 15 anos de vida, “Wish” se apresentou como um trabalho que mostra quais pedras compõem as possíveis imagens do caleidoscópio musical The Cure.
Sendo honesto, conheci parte do repertório do álbum pelo “Show”, um ótimo registro ao vivo, gravado áudio, em 1993 (tenho minha fita VHS até hoje, toda esfolada de tanto que eu assisti e emprestei. Trabalho Ótimo!). Tanto que demorei assimilar as algumas desse álbum na versão de estúdio. Mas quando ouvi o trabalho todo, amei o resultado.
Uma das coisas que me fascinam nesse álbum é a sua mixagem. Ele tem o som ótimo. Até hoje acho um álbum super agradável de ouvir, sem soar datado ou cacofônico. Outra coisa bacana é que o repertório do álbum que fica muito bom ao vivo também.
Mais do que falar do álbum, faixa por faixa, acho importante destacar justamente isso: a banda The Cure tem sua identidade musical. Uma delas é que a banda que teve a sorte de ter um vocalista com uma voz tão marcante, e que continua ótima, apesar do corpo sempre demonstrar algum desgaste ao longo do tempo. A voz do Robert continua viva e juvenil, marca registrada do cantor. Mas ela não é uma banda gótica, não é uma banda post punk, não é uma banda new-wave, não é uma banda alternativa, nem mais o que for. The Cure é uma banda que, como poucas, sabe misturar essas características, e até outras (Jazz, Música Cubana) e ser a banda que é. Nesse sentido, “ Wish” é um trabalho que mostra o que é essencial para entender musicalmente a banda. Uma coisa bacana do disco é a distribuição dos vários
estados dentro álbum. É como se fossem “quantas” (pacotes de energia), bem distribuídas ao
longo do álbum. Eu diria que esses blocos seriam “Apart”, “Trust”, “A Letter To Elise” e “To Wish Impossible Things”; “Open”, “Cut”, “End” e “Front The Edge Of The Deep Green Sea”; “High”, “Wendy Time”; “Doing The Unstuck” e “Friday I’m Love”, quebrados, claro. Como hoje é bem mais fácil fazer uma playlist, talvez algumas pessoas até prefiram ouvir o álbum assim, por que
não?
Beleza então, vamos de bloco 2. “Open”, uma canção que parece ter nascida para abrir shows da banda. Na versão ao vivo, ela tem uma introdução linda chamada “Tape” que abre caminho para a versão de estúdio. Apesar de ser uma canção atípica para as características da banda, ela soa com um grito de aviso: Chegamos! Estamos aqui! Somos a cura! Baixo pra cima, marcado, o meio, aquele que conduz a canção, uma das características marcantes da banda. “Cut”; eu simplesmente amo essa canção. Sem gracinha, direta, com andamento rápido e bastante pegada. Simplesmente a cocaína do álbum. Bem, se a cocaína não te bateu bem, que tal um LSD? Sim, pois “Front The Edge Of The Deep Green Sea” é uma viagem de entorpecedora. Como uma areia movediça, ela vai te neutralizando até te tomar completamente. Os segundos finais, com aquelas guitarras prolongando as notas, levando o solo ao ecstasy são arrebatadores. Me arrisco dizer que ela (ou o álbum), de alguma forma, está em “Mellon Collie and the Infinite Sadness” do 
Smashing Pumpkins. Depois que eu ouço essa canção, fico leve e pronto para outra. Se ela não for um LSD, ela é a maconha cultivada em laboratório, como no file “Beleza Americana”. Bem, falta fechar esse bloco, né?: “End”. Para mim, uma das melhores, das mais tensas e afetadas canções do Cure. É o Cure no modo máximo. Para mim, esse é bloco mais post punk do álbum, e essa canção é uma dos melhores encerramentos de álbum que já ouvi.
Convidei para a minha casa alguém nunca ouviu The Cure. Ou talvez tenha ouvido e nem sabe. Bloco 4, a carta na manga. Jogando Sueca, puxei a carta 7: “Doing The Unstuck”. Como eu amo a versão ao vivo (amo de paixão), demorei assimilar a versão de estúdio. Mas, sendo honesto, tirando o andamento, a briga fica pau a pau. Claro que a versão de estúdio é mais bem acabada, evidentemente. Além de ser uma super feliz, é um tapa na nossa cara, pois nos desafia a acreditar na vida, ter esperança, poder de reação e nunca se deixar abater pelas circunstâncias. Parece um dialogo entre o “Lippy” (o leão) e o “hardy” (hiena), no clássico desenho da 
Hanna-Barbera. Claro que deu leão na cabeça! 
E se o jogo ainda não está ganho, coloque o às na mesa. Sim! “Friday I’m Love” é uma canção imbatível. Até meu primo pagodeiro gosta dessa canção. Não pode faltar em nenhuma festa que se preze, e todos que a ouvem costumam se apaixonar perdidamente. Brincadeiras a parte, é uma canção perfeita. Melodia, harmonia, arranjo e canto. Tudo funciona nessa canção. Pensei que o Robert Smith não conseguiria fazer outra canção a altura de “Just Like Heaven”. Ok, Robert Smith. Você ganhou o jogo. Estava com o às na mão o tempo todo.


the cure - "friday i'm in love


Você acordou cedo no feriado, por incrível que pareça. Você não está tão feliz, pois sabe que vai ter que voltar a rotina no dia seguinte, mas também não está triste já que está em casa. O bloco 3 está na mesa. Feliz por poder mastigar o seu sanduíche sem ter a sensação de estar atrasada(o), “High” te deixa super bem, relaxada(o) e feliz ao ponto de você deixar algum pedaço de sanduíche para o cachorro, por mais delicioso que ele esteja. Depois rola “Wendy Time”. Fofa até o osso, ela pode te deixar com uma sensação tão boa que é capaz de você deixar de sentar no sofá e pensar na vida, só para cumprir a promessa de levar seu cachorrinho para passear durante o dia, sem ser final de semana ou domingo.
Mas, claro, deixei a parte triste para o final. Tem alguma coisa de alegre em estar numa fila de mercado em pleno domingo? Então, se é para sofrer, bora sofrer com dignidade. Uma das características mais aclamadas pelos fãs e críticos. 
Cadê o bloco 1? Bora de melancolia e tristeza. “Trust”. Só existe uma combinação perfeita para essa canção: o silêncio. Imersiva, hipnótica. Ela é super ‘Desintegration” e simplesmente apaixonante. Saindo dela, a coisa fica ainda mais barra pesada. “Trust” é tristíssima. Daquelas canções que nem é bom ouvir quando se está com uma sensação de ausência ou perda de alguém. É uma das canções em que o Robert Smith dá uma aula sobre como comover usando uma canção. E para finalizar, “A Letter To Elise”. Não tão triste como as outras desse bloco, mas igualmente down, porém como uma pitada de doçura como se uma cicatriz ainda doesse mas estivesse no caminho de ser curada. Ela me liberta de qualquer lugar insuportável, inclusive uma fila de mercado. Esse é o bloco mais “Disintegration”. Certamente com canções amadas pelos fãs. Bem, talvez olhando por essa perspectiva dê para ficar mais claro as características desse trabalho que, na minha opinião, é um dos melhores trabalhos da banda. Certamente está no meu Top 5, sem sombra de dúvidas. Se eu tivesse que apresentar a banda The Cure para alguém, bateria um bom papo com a pessoa, e pediria para ela ouvir esse trabalho com atenção, pois ele é bem gravado, o que ajuda a assimilar melhor as canções, e porque é um mapa para entender as características mais marcantes e fantásticas da banda: doçura, melancolia, tristeza e alegria (e um pouco mais, claro). The Cure tem todos esses anticorpos para te curar de qualquer mal sintoma. É uma vacina em forma de boa música. The Cure!



por  J A I R O   A L LO N E




🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵

f a i x a s:
1. open
2. high
3. apart
4. from the edge of the deep green sea
5. wendy time
6. doing the unstuck
7. friday i'm in love
8. trust
9. a letter to elise
10. cut
11. to wish impossible things
12, end


🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶🎶

ouça:
The Cure - Wish (1992):





JAIRO ALLONE
é um morador da cidade do Rio de Janeiro. E como o próprio nome sugere, é
uma pessoa que, “de escolha própria, escolheu a solidão”. Mestre em nada e doutor em coisa
nenhuma, teve que se graduar em Engenharia Mecânica para trabalhar na indústria, muito
distante do sonho de trabalhar com música, para desespero da mãe, quando ainda era
adolescente. Foi guitarrista, letrista e colaborador de blog. Nunca deixou de ser um
apaixonado por música (a mais reativa das artes) e toda a contribuição que a arte dá para
tentar tornar o mundo mais humano, ou pelo menos mais suportável. Vive num universo 
ool

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Música da Cabeça - Programa #471



Enquanto a nave do Musk vai parar desgovernada na Lua, o MDC mantém seus pés na Terra e sem causar estrago. Na rota certa, o programa de hoje vai te levar às nuvens sem sair do chão com Airto Moreira, Criolo, The Cure, Gil Scott-Heron, Mário Quintana e mais. No quadro especial, Cabeça dos Outro homenageando Ney Matogrosso. Viajando só na boa, o MDC ganha a estratosfera às 21h na lunar Rádio Elétrica. Produção, apresentação e pouso calculado: Daniel Rodrigues


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segunda-feira, 13 de julho de 2026

COPA DO MUNDO JOY DIVISION - finalistas



Era emoção que vocês queriam? Então toma!

Não tinha como ser mais empolgante a decisão dos finalistas da Copa Joy Division! 

Olha foi tudo no detalhe...

Coube a cada dois árbitros-especialistas definir uma das semifinais e, é claro, deste modo o empate entre opiniões seria algo bem possível. 

Não quis avisar aos participantes mas, caso cada um optasse por uma vencedora, a decisão seria no saldo de gols. 

Ótimo! Isso resolveu em uma das semifinais. Sim, como eu disse, foi no detalhe.

Mas e na outra? 

Nem o saldo de gols resolveu tamanha a igualdade.

O que tivemos que fazer? Apelar para um outro especialista, de fora do nosso time de jurados para definir a parada.

Sim, amigos, nenhuma Copa do Mundo Rock do ClyBlog foi tão disputada assim!

E pensa que acabou? Que nada!

Ainda tem a final.

E quem vai para lá? Descubra agora com a definição no lance-a-lance dos nossos mestres joydivisianos:


⚽⚽⚽⚽⚽


TRANSMISSION x DECADES

  • Luna Gentile:

Transmission entrou com marcação alta desde o apito inicial. Com seu baixo pulsante sua a bateria precisa, a música transmite grandiosidade e abre espaços na defesa adversária para sair na frente no placar.

Decades respondeu com uma bela jogada coletiva trocando passes com seus sintetizadores envolventes diminuindo o placar. Considero uma das faixas mais sofisticadas de Closer que contêm uma atmosfera única, então garante mais um gol.

Mas a noite era de Transmission, um hino do pós-punk, com intensidade e um refrão que nunca perde a força. Transmission fecha conta em 4 a 2 fazendo um jogo perfeito.


  • Daniel Rodrigues:

O caminho de “Decades” nessa copa não tem sido nada fácil, hein? Na fase classificatória, fez valer sua estatura de faixa de encerramento de Closer sobre “Interzone”. Depois, despachou “I Remember Nothing” em vitória simples e, nas quartas, teve que se impor de novo para virar sobre “A Means to Na End”. E se pra “Decades” foi esse osso todo, imagina para “Transmission”?! Na preliminar, ok: não teve maiores problemas pra eliminar “No Love Lost” Mas, nas oitavas, de cara pegou “Shadowplay”, que ganhou numa vitória magra. Depois, pior: “Love Will Tear Us Apart”, mais pedreira ainda. Num jogo emocionante, com adversário saindo na frente e ampliando, “Transmission” teve que buscar o resultado. Ou seja: dois times que chegam desgastados e em pé de igualdade, seja em tamanho quanto em condições de jogo. Isso fez com que o 0 x 0 se estendesse por praticamente toda a partida, com os times se estudando e dando aquela estocada sempre que possível, mas calculada, pra não gerar contra-ataque. Pois foi justamente numa dessas investidas, depois de correr e marcar o jogo todo, que “Transmission” perdeu uma bola no meio de campo quando tentava armar uma jogada e viu o adversário tocar três vezes na bola e chegar na área, até ser duramente castigada. Bola na rede faltando apenas 3 minutos para o final, tempo que “Decades” segurou para garantir mais uma vitória sofrida, mas suficiente para se classificar: 1 x 0 e “Decades” na final!


*como consta no Art. 350125 Go! Exercise I, em caso de empate entre os votantes a decisão do classificado se dará pelo saldo de gols:

PLACAR FINAL - 

TRANSMISSION 4 X DECADES 3


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DISORDER x NEW DAWN FADES

  • Cly Reis:

Mais um clássico local do Unknown Pleasures.

A energia de Disorder contra a cadência de New Dawn Fades.

Aquele introdução pulsante de bateria, numa das grandes aberturas de um álbum na história do rock, garante um gol relâmpago para Disorder um gol relâmpago, logo nos primeiros segundos, abrindo o placar: 1x0.

Mas New Dawn Fades não se assusta e com seu jogo seguro, construído, parte por parte, com paciência, chega ao gol de empate: 1x1.

O jogo mais completo, mais equilibrado de NDF se impõe e o conjunto garante o gol da vitória. 2x1 num jogo incrível que justifica o tamanho dessas duas equipes na discografia da banda.


  • Roberto Sulzbach:

Bem amigos do ClyBlog, não tem jogo fácil à esta altura do campeonato. 

Disorder x New Dawn Fades são símbolos da qualidade e influência que a banda tem no cenário da música pop global. Ambas podem servir de argumento sobre como mudaram a música, mas a sensação de abrir a vitrola, colocar o LP e embarcar em uma viagem é transcendental. Jogo duro, plástico e aberto. Placar final: 3 a 2 Disorder

*como consta no Art. 350125 Go! Exercise I, em caso de empate entre os votantes a decisão do classificado se dará pelo saldo de gols:

PLACAR FINAL - 

DISORDER 4 X NEW DAWN FADES 4



JOGO EXTRA - DISORDER x NEW DAWN FADES:

*(como consta no regulamento da International Blog, ficando as equipes empatadas no saldo de gols, o jogo será decidido por um convidado também fã e especialista em Joy Division)


  • Jairo Alone:

Difícil, hein!

"Disorder" ganha. Por quê? Sonoramente, ela é mais influente. Dá para ver esse DNA desde bandas como The Cure como Legião Urbana. Se tivesse que apresentar uma das duas para alguém, seria essa. Num jogo? Dois a  um (2 X 1). Placar apertado e gol nos acréscimos. 


PLACAR FINAL JOGO EXTRA -
DISORDER 6 X NEW DAWN FADES 5






quarta-feira, 10 de junho de 2026

Música da Cabeça - Programa #463

Prontos para mais uma apresentação de craques? Então, preparem-se, pois é o MDC que põe seu time em campo! Um dia antes de começar a Copa do Mundo, o programa escala seu time com talentos dos mais variados países, como a França de Françoise Hardy, a Inglaterra da The Cure e da Lush, os Estados Unidos de Iggy Pop e, claro, os brasileiros pentacampeões Fernanda Abreu, Carlinhos Brown, Erasmo Carlos e mais. No quadro especial, Um Cabeça dos Outros. Com a equipe formada, o programa dá o pontapé inicial às 21h na futebolística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e golaços: Daniel Rodrigues


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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Angine de Poitrine - Vol.1 (2024)

 



"O Angine de Poitrine viralizou em muito pouco tempo,
mas não porque é 'engraçado', porque é 'ridículo',
é porque é muito, muito, muito bom!
Eu tenho ouvido direto o LP deles, o 'Vol.1', direto.
Assim...direto, dezenas de vezes e
não canso de ouvir esse disco,
É um discaço!"
André Barcisnki,
jornalista, escritor e crítico musical


Desde que o universo do rock descobriu seu poder cênico de sugestão através da imagem, da figura, artistas do mundo da música criaram personagens, máscaras, indumentárias e incorporaram às suas performances, a  suas mensagens, a suas simbologias, criando identidades, associações semióticas e construindo comunidades em torno de determinado conjunto de elementos visuais, musicais e teatrais.

Particularmente, sempre fico com um pé atrás quando surge alguma banda toda paramentada. Mesmo que uma das minhas bandas preferidas, o The Cure, tenha fortalecido sua identidade através daquele visual preto e descabelado, os incríveis Secos e Molhados tenham se tornado notórios pelos rostos pintados e indumentárias extravagantes, os criativos Daft Punk ostentem aqueles capacetes misteriosos, e todos tenham me provado que eram muito mais do que apelo estético, normalmente, para mim, aquela alegoria toda parece uma intenção de impressionar mais pelo visual do que pela música.

Aí me aparece na Internet uns carinhas com umas máscaras bizarras enormes, um branco com bolinhas pretas e o outro preto com bolinhas brancas, seguidos de manchetes como "nova sensação ", "diferente de tudo que você já ouviu", "você precisa ouvir isso", eu desconfiado que sou desses caras vestidos de palhaço que aparecem de vez em quando, não  dou muita bola, não dou muito crédito. Mas ok, eu resisto, torço o nariz e lá pelas tantas resolvo ouvir. Vamos ver o que esses esquisitos tem pra me mostrar. E, cara..., e não é que é incrível!

Uma das poucas coisas nos últimos tempos que me deixou entusiasmado. Entusiasmado como há muito tempo eu não ficava. Com aquele sabor da descoberta de quando a gente começa a conhecer coisas boas, quando se ouve coisas que realmente causam alguma coisa na sua cabeça.

Angine de Poitrine é uma fusão inexplicável de art-rock, progressivo, punk, surf music, música microtonal, numa coisa que eles mesmo definem como "assimétrico e dissonante". Lembra a estética dos Talking Heads, os timbres e a técnica do Primus, a liberdade artística do Velvet Underground, o experimentalismo do Sonic Youth... enfim, inclassificável!

Praticamente todo instrumental, com pequenas incursões vocais sem letra, "Vol. 1", de 2024 é um disco que a gente escuta e quase não acredita no que acabou de ouvir e, apesar de não ser uma música fácil, tem vontade de botar pra rolar de novo e de novo e, sinceramente,  há tempos eu não  sentia essa sensação de acabar de ouvir um álbum e querer ouvi-lo de novo, imediatamente.

"Sherpa" abre o disco e a gente já fica mergulhado, hipnotizado naquela coisa imprevisível e sinuosa; "Tohogd", talvez seja a que soe mais convencional, mais linear e com menos variações; "Tambez" é muito Talking Heads em sua estrutura básica, mas seu desenvolvimento e suas guitarras exóticas a levam a rumos menos reconhecíveis; "Ababa Hotel" por sua vez é muito Primus com aquele baixo quebrado, entrecortado, mas com um andamento surpreendentemente jazzístico e a guitarra solando livremente sobre a estrutura; "Sahardnieh" tem uma atmosfera inquietante com sua repetição tensa;  e L'Aberek fecha o disco de forma fenomenal numa peça musical crescente e elegante, mas não menos intensa e vibrante.

Angine de Poitrine explode a sua mente!

Uma receita improvável de rock, jazz, erudito, com toques de música tradicional, pitadas de ritmos orientais,  doses brutais de ousadia e criatividade a gosto.

Eu que cada vez menos me impressiono com alguma coisa no mundo musical, não exijo que alguém faça algo NOVO, até porque, a essas alturas, com tantos conceitos já formados e fórmulas repetidas e recicladas, é praticamente impossível não remeter a algo já feito anteriormente. Costumo dizer que ninguém vai reinventar a roda. O que me parece é que essa dupla maluca canadense, não reinventou a roda, mas talvez a tenha deixado quadrada. O que já é muito interessante.

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FAIXAS:

  • 1.Sherpa
  • 2.Tohogd
  • 3.Tamebsz
  • 4.Ababa Hotel
  • 5.Sahardnieh
  • 6.L'Aberek

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Ouça:
Angine de Poitrine - Vol.1


por Cly Reis 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Música da Cabeça - Programa #448

 

Estão vendo essas imagens? É da ação da polilaminina sobre os nossos neurônios que regenera lesões musculares. Entenderam? Pra falar a verdade, nós não, mas estamos, isso sim, celebrando no MDC o pioneirismo da ciência brasileira. E, claro, a gente celebra com música, que desta vez será de The Cure, Peter Tosh, Rita Lee, Chico Buarque, Ace of Base e mais. Torcendo pelo primeiro Nobel brasileiro para a bióloga Tatiana Sampaio, o programa cruza os dedos hoje às 21h na científica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e louvor à pesquisa: Daniel Rodrigues


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domingo, 25 de janeiro de 2026

Dossiê ÁLBUNS FUNDAMENTAIS 2025

 


Gil comemorando
a liderança nacional nos AF
A gente avisou que o véio tava chegando... Deixou chegar agora já era! Wayne Shorter põe mais um disco entre os ÁLBUNS FUNDAMENTAIS em 2025 e agora divide a liderança com os Rapazes de Liverpool com mais obras destacadas na nossa seção entre os artistas internacionais. Já entre os brasileiros, com a inclusão de "Dia Dorim, Noite Neon", entre os nossos Fundamentais, Gilberto Gil empata com o mano Caetano e os baianos agora dividem a liderança nacional. Mas é bom ficarem espertos porque, comendo pelas beiradas como um bom mineiro, Milton Nascimento aproveita a parceria com o agora líder Shorter e se aproxima da ponta também.
Entre os anos que mais entregaram grandes álbuns, não tivemos mudanças no ano que passou e, ainda que a década de 70 tenha mais representantes, o ano de 1986 segue na frente.
2025 nos trouxe alguns estreantes na nossa seção de grandes discos, como os alemães do Trio, os ingleses do Sleaford Mods, o prodígio Father John Misty, o sambista Argemiro Patrocínio e regionalismo do Quinteto Armorial, mas marcou também os 80 anos do grande Ivan Lins e a entrada da Estônia na galeria de países integrantes da nossa lista, com o genial "Tabula Rasa", de Arvo Pärt.

Confere aí, então, como ficaram as posições nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS:

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PLACAR POR ARTISTA (INTERNACIONAL)

  • The Beatles e Wayne Shorter***: 7 álbuns
  • Kraftwerk e John Coltrane: 6 álbuns
  • David Bowie, Rolling Sones, Pink Floyd, Miles Davis, Talking Heads e John Cale*  **: 5 álbuns cada
  • The Who, The Smiths, Led Zeppelin, Bob Dylan, Philip Glass e Lee Morgan: 4 álbuns cada
  • Stevie Wonder, Cure, Van Morrison, R.E.M., Sonic Youth, Kinks, Madonna, Iron Maiden , U2, Lou Reed**, e Herbie Hancock***: 3 álbuns cada
  • Björk, Beach Boys, Cocteau Twins, Cream, Chemical Brothers, Sean Lennon, Deep Purple, The Doors, Echo and The Bunnymen, Elvis Presley, Elton John, Queen, Creedence Clarwater Revival, Janis Joplin, Johnny Cash, Joy Division, Massive Attack, Morrissey, Muddy Waters, Neil Young and The Crazy Horse, New Order, Nivana, Nine Inch Nails, PIL, Prince, Prodigy, Public Enemy, Ramones, Siouxsie and The Banshees, The Stooges, Pixies, Dead Kennedy's, Velvet Underground, Metallica, Dexter Gordon, PJ Harvey, Rage Against Machine, Body Count, Suzanne Vega, Beastie Boys, Ride, Faith No More, McCoy Tyner, Vince Guaraldi, Grant Green, Santana, Ryuichi Sakamoto, Chick Corea, Sinéad O'Connor, Marvin Gaye e Brian Eno* : todos com 2 álbuns

*contando com o álbum  Brian Eno e John Cale , ¨Wrong Way Out"

**contando com o álbum Lou Reed e John Cale,  "Songs for Drella"

*** contando o álbum "Five Star', do V.S.O.P.



PLACAR POR ARTISTA (NACIONAL)

  • Caetano Veloso e Gilberto Gil* **: 8 álbuns*#
  • Chico Buarque ++ #:  7 álbuns
  • Jorge Ben ** e João Gilberto*  **** e Milton Nascimento ***** º >: 5 álbuns
  • Tim Maia, Rita Lee e Legião Urbana: 4 álbuns
  • Gal Costa, Titãs, Paulinho da Viola, João Donato, Engenheiros do Hawaii, Criolo º  e Tom Jobim +: 3 álbuns cada
  • João Bosco, Lobão, Emílio Santiago, Jards Macalé, Elis Regina, Edu Lobo+, Novos Baianos, Paralamas do Sucesso, Ratos de Porão, Roberto Carlos, Sepultura, Cartola e Baden Powell*** : todos com 2 álbuns 


*contando com o álbum "Brasil", com João Gilberto, Maria Bethânia e Gilberto Gil

**contando o álbum Gilberto Gil e Jorge Ben, "Gil e Jorge"

*** contando o álbum Baden Powell e Vinícius de Moraes, "Afro-sambas"

**** contando o álbum Stan Getz e João Gilberto, "Getz/Gilberto"

***** contando com o álbum Milton Nascimento e Lô Borges, "Clube da Esquina"

+ contando com o álbum "Edu & Tom/ Tom & Edu"

++ contando com o álbum "O Grande Circo Místico"

# contando com o álbum "Caetano & Chico Juntos e Ao Vivo" 

º contando com o álbum Milton Nascimento e  Criolo "Existe Amor"

>contando com o álbuns "Native Dancer", com Wayne Shorter


PLACAR POR DÉCADA

  • anos 20: 2
  • anos 30: 3
  • anos 40: 1
  • anos 50: 121
  • anos 60: 103
  • anos 70: 171
  • anos 80: 146
  • anos 90: 111
  • anos 2000: 22
  • anos 2010: 19
  • anos 2020: 3


*séc. XIX: 2
*séc. XVIII: 1


PLACAR POR ANO

  • 1986: 24 álbuns
  • 1977: 22 álbuns
  • 1972: 21 álbuns
  • 1969 e 1985: 20 álbuns
  • 1976: 19 álbuns
  • 1970, 1971 e 1992: 18 álbuns
  • 1968, 1973, 1975 e 1979 17 álbuns
  • 1967 e 1980: 16 álbuns cada
  • 1983, 1965 e 1991: 15 álbuns cada
  • 1988, 1989, 1990 e 1994: 14 álbuns
  • 1987: 13 álbuns



PLACAR POR NACIONALIDADE*

  • Estados Unidos: 224 obras de artistas*
  • Brasil: 174 obras
  • Inglaterra: 131 obras
  • Alemanha: 12 obras
  • Irlanda: 8 obras
  • Canadá: 5 obras
  • Escócia: 4 obras
  • Islândia, País de Gales, Jamaica, México: 3 obras
  • Austrália, França e Japão: 2 cada
  • Itália, Hungria, Suíça, Bélgica, Rússia, Angola, Nigéria, Argentina, Estônia e São Cristóvão e Névis: 1 cada

*artista oriundo daquele país
(em caso de parcerias de artistas de países diferentes, conta um para cada)


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Música da Cabeça - Programa #443

 

A gente tá igualzinho ao Wagner Moura: rindo à toa! E não só por causa do sucesso de O Agente Secreto, mas porque vamos ter o primeiro MDC inédito de 2026! Alegrando nossos ouvidos, The Cure, Paulinho da Viola, Stephen Stills, Manoel Carlos e muito mais. Ainda, pra começar o ano com um sorrisão estampado, um Sete-List no quadro especial. Só alegria, o programa vai ao ar na risonha Rádio Elétrica às 21h. Produção, apresentação e motivos de felicidade: Daniel Rodrigues 



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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Música da Cabeça - Programa #435

 

No Brasil, são 12.284.478 Marias, 5.164.752 Josés e 34.030.104 Silvas. Mas o que o Censo não revela é a sigla mais falada no Brasil: MDC. Afinal, são 435 no total, trazendo sempre consigo nomes dos mais destacados como Paulinho da Viola, The Cure, Velvet Underground, SZA, João Donato e mais. Nesse ranking também entram outros sete nomes, que vão compor o nosso quadro Sete List da semana. Dando nome aos bois, o programa vai ao ar às 21h na estatística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e outros 770.743 primeiros nomes iguais: Daniel Rodrigues.



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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

"O Corvo", de Alex Proyas (1994) vs. "O Corvo", de Rupert Sanders (2024)

 


Enfrentar um original consagrado já é difícil, encarar uma lenda, então, é uma tarefa ainda mais inglória. "O Corvo", 1994, como se não bastasse ser um filme cultuado entre os góticos, darks, o pessoal que curtia a cena alternativa dos anos 80, praticamente o representante cinematográfico dessas tribos, marca a morte trágica,  dentro do set de filmagens, do ator Brandon Lee, o protagonista da história que interpreta nada menos que um homem que volta do mundo dos mortos. Era como se fosse o próprio personagem, ninguém mais poderia ter feito aquele filme senão ele. Brandon Lee em tela, na pele do personagem Eric Draven era por si só uma espécie de lenda em movimento.

Por si só o desafio de refilmar "O Corvo" era algo pouco recomendável. Teria que conquistar o fiel público que praticamente endeusa o original, e ainda conseguir algo parecido com o carisma e a aura de Brandon Lee.

Assim, a tarefa mais viável seria uma aproximação com a nova geração de modo a conquistar o público atual. Uma linguagem mais adequada ao século XXI, comportamento, costumes, anseios, etc. O visual, a música, a dinâmica, os hábitos, tudo isso teria que ser repensado. Mas a nova versão de "O Corvo" não atende praticamente nada. Não dialoga com os antigos fãs e nem fica marcante para os novos interessados. Se afasta do original exatamente em pontos que poderia tirar proveito, não consegue imprimir uma estética, uma identidade visual, não empolga, e não consegue personificar em Bill Skarsgard um protagonista carismático.

Em ambos os filmes Eric Draven e sua namorada Shelly Webster são assassinados mas uma entidade sobrenatural permite que aqueles que foram mortos injustamente retornem para realizar sua vingança. Eric então retorna ao mundo dos vivos, incólume fisicamente, imortal, e vai à caça daqueles que os mataram a fim de encontrar e ficar com Shelly no mundo dos mortos.

Basicamente isso mas com algumas diferenças: no primeiro, o casal é  assassinado na chamada Noite do Demônio, uma data em que todos os crimes e atrocidades acontecem, sem controle, pelas ruas. O apartamento deles é invadido por uma gangue, ela é brutalmente violentada por todos eles e ele é morto com um tiro. Um ano depois, um pássaro negro misterioso, um corvo, aparece em sua sepultura, o desperta da morte, o guia até o antigo apartamento e, lá, diante das memórias do casal que vão aparecendo para ele em flashes, fica claro que sua alma só descansará mesmo ao lado da namorada quando se vingar daqueles que os mataram. Ele então vai atrás de cada um da gangue.

O cenário é sombrio, a Noite do Demônio é lindamente caótica, a angústia de Eric ao se descobrir morto, ao recuperar as imagens de Shelly é comovente, sua iniciativa de se disfarçar como uma figura assustadora é instintiva e inspirada, e sua maquiagem de arlequim das trevas é simplesmente icônica. Em uma cidade constantemente chuvosa, decadente e sem lei, uma trilha sonora empolgante embala a saga de vingança de Draven dando a morte adequada a cada um que lhes fizeram mal. Imortal, imune à dor, inatingível a balas ele elimina todos os capangas até chegar até o chefão, Top Dollar, um excêntrico figurão que descobre que a força vital do vingador das trevas está no pássaro que o acompanha. Em uma tocaia Top Dollar fere o pássaro e então fica praticamente condições de igualdade para encarar o palhaço imortal num duelo decisivo.

"O Corvo" (1994) - trailer


"O Corvo" (2024) - trailer


Na nova versão, a relação do casal é um pouco mais explorada. Os acompanhamos desde quando se conheceram em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos onde se apaixonam e de onde fogem quando Shelley se diz perseguida por alguém. Ao saírem do sanatório, se refugiam na casa de um antigo amigo dela, onde são assassinados por homens que procuravam algo que estaria em poder da moça. Eric, interpretado por Bill Skarsgård, então acorda numa espécie de limbo onde uma entidade permite que ele retorne à vida para vingá-la desde que nunca duvide de seu amor por ela. Ele concorda mas ao retornar e entender os envolvimentos dela e do que os bandidos estavam atrás, ele fraqueza quanto a seu sentimento e morre novamente. Desesperado ela tenta um último acordo com o guia do além, de matar Roeg, o líder de uma seita satanista que estava atrás de segredos que Shelly escondia, de modo a trocar sua alma pela dela no inferno.

Aí, sim, Draven volta, empoderado, imortal, impenetrável a tiros, regenerado a ferimentos, e vai buscar o homem que prende a alma da namorada morta no inferno. Na trilha de sangue e vingança que Eric deixa, Roeg descobre os poderes sobrenaturais do jovem e resolve então roubá-los de modo a aumentar ainda mais seu poder demoníaco. Eles terão então um confronto final que definirá se Roeg conseguirá seus objetivos malignos ou se Eric conseguirá salvar a alma de sua amada.

A trama até tem mais complexidades, o casal, sua origem, a natureza de sua relação são mais explorados desde o início, a motivação inicial do vilão é menos simplória, mas nada disso garante maior qualidade. As nuances da história, personagens secundários dispensáveis, elementos pouco relevantes, afastam a trama de um ponto central; a introdução à relação de Eric e Shelly fica longa, maçante e ocupa uma parte significativa do filme sem que alguma coisa realmente avance; sem falar que a natureza do vilão, Roeg, tipo um 'demonista' ambicioso, seu envolvimento com a garota, o segredo que ela guarda é tudo simplesmente estapafúrdio.

Pra completar, cenários CGI tipo Marvel, personagens caricatos, atuações constrangedoras... "O Corvo" de 2024 dói de ruim.

De positivo, temos o bom confronto final com Roeg e as cenas de luta com muita violência gráfica e inventividade. No mais, é só buscar a bola no fundo da rede.

Um pelo visual, a ambientação, a cidade escura, decadente, chuvosa, em chamas. As vistas aéreas, as perseguições nos telhados a visão distorcida pelo olho do pássaro. Tudo demais! 1x0 .

Dois pelo figurino e maquiagem do protagonista, aquela cara branca de palhaço sorridente numa alma triste, sombria e torturada, aquele cabelo escorrido, desgrenhado, a roupa de couro preto. Uma figura sinistramente cativante que, como se não bastasse, toca guitarra pelos telhados da cidade. Muito rock'n  roll, muito dark: 2x0 .

Três pela trilha sonora eletrizante e muito bem escolhida com nomes como Jesus and Mary Chain, Nine Inch Nails, Helmet, Violent Femmes e The Cure, talvez os grandes representantes e inspiradores de todo o visual do personagem. 3x0 .

E por falar na banda de Robert Smith, o quarto gol vai por conta da cena do 'surgimento' do Corvo, o momento em que, ao som da espetacular "Burn" do The Cure, no loft do casal, as memórias chegam torturando o jovem Eric, ele repassa angustiantemente o roteiro da noite de terror, entende seu destino de vingança, pinta o rosto inspirado numa máscara teatral de arlequim e, decidido, sob a luz de relâmpagos, olha do alto de sua janela redonda, a cidade onde começará sua caçada. 4x0 .


"O Corvo" (1994) -
A "transformação" de Eric Draven


O quinto vai pela importância do corvo, do pássaro em si, no original, enquanto que no remake ele é subutilizado, meramente alegórico e quase sem importância. É ele quem vai à cova de Draven trazê-lo de volta dos mortos, é nele que está a força vital do personagem vingador, e é ele quem guia nosso herói pelas cidade, e as cenas sobrevoando do alto, com a visão do pássaro, são simplesmente incríveis. Não tem Pato, Ganso, Falcão? Por que que não pode ter gol do corvo também! É gol do Corvo! 5x0 .

O sexto é dele, Brandon Lee. Além de ser filho de craque, do mítico Bruce Lee, Brandon era carismático e perfeito para o papel. Só que acabou infelizmente tornando-se legendário pelo pior motivo possível: uma arma disparada por acidente nas filmagens que veio a tirar sua vida. Mesmo incompleto, com cenas de dublês e remendos digitais, o mero fato de ter sido concluído depois de sua morte, fez do filme, sombrio sobre morte e ressurreição, algo ainda maior e só aumentou seu culto. Brandon é o nome do gol! 6x0 Corvo '94.

Como já  mencionado, o gol de honra da nova versão fica por conta das ótimas cenas de luta, especialmente na da sequência da ópera em que nosso herói vai com uma espada katana atrás de seus inimigos. Ótimas coreografias de luta, mortes criativas, muito sangue e muita brutalidade. 6x1 para o original.

E é fim de papo. O time de '94 manda seu desafiante de 2024 para a cova sem direito a ressurreição.

À esquerda, o original e à direita o remake:
1.Brandon Lee e Bill Skarsgård como o vingador morto-vivo;
2. As duas Shelly Webster, a do primeiro, bem mais sombria;
3. A trilha de vingança do Corvo, no original mais estética,
praticamente uma obra de arte para cada morte,
no remake o que temos são boas cenas de luta;
4. O elegante e excêntrico Top Dollar, da primeira versão,
e o caricato satanista Roeg da segunda;
5. No original, Eric Draven com sua guitarra pelos telhados da cidade decadente e chuvosa,
na refilmagem, o único instrumento que ele empunha é uma espada samurai mesmo;
6. O 'surgimento' do corvo nas duas versões,
apoteótico no primeiro e artificial no segundo.



Jogo com chuva o tempo inteiro, gramado molhado.
Mas quem tem craque desequilibra.
Brandon Lee faz a diferença e joga uma pá de cal 
na nova versão.
Descanse em paz!




por Cly Reis