Hoje é o Dia do Canhoto!
E não podiam ter-nos jogado em outro dia mesmo. Tinha que ser num 13 de agosto. Treze, dia dito aziago; agosto, mês renegado, maldito. Lógico; nunca fomos bem vistos. Aleijados, anormais, errados, esquisitos, estranhos... Atribuíram-nos tudo isso. Tanto que chamam a esquerda de SINISTRA. Mas não. Nada disso. Somos sim, diferentes. Talvez mais criativos que a maioria por causa da nossa perfeita ligação de membros ao lado direito do cérebro; talvez transmitamos melhor nossas emoções; talvez consigamos fazer isso transformando estas sensações em arte; talvez tenhamos uma visão diferente das coisas. Talvez...
Mas o fato é que durante toda a história da humanidade tentaram nos corrigir, punir-nos, amarrar nossas mãos, cortá-las por vezes, mas não adiantou; nossos membros sinistros, nossos pés e mãos, sempre estiveram de forma brilhante à serviço da cultura, da arte, da política, do esporte.
Abaixo uma pequena lista de canhotos célebres que emprestaram suas mãos (ou pés) esquerdos à História:
Alexandre Magno
Ramsés II
Leonardo da Vinci
Napoleão Bonaparte
Júlio César (o imperador romano)
Júlio César (o goleiro)
Rivelino
Tostão
Ludwig Van Beethoven
Machado de Assis
Benjamin Franklin
Albert Einstein
Michelangelo
Pablo Picasso
Jimi Hendrix
Charlie Chaplin
Robert Redford
Judy Garland
Marilyn Monroe
Winston Churchill
Harry Truman
Nelson Rockfeller
Ronald Reagan
George Bush - pai (bom, também temos estas más companhias)
Bill Clinton
Gandhi
Bob Dylan
Ringo Starr
Paul McCartney
Tom Cruise
Neil Armstrong
Diego Maradona
Jimmy Connors
John McEnroe
Ayrton Senna
e por aí vai...
Parabéns a nós!
Parabéns a todos os canhotos!
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
cotidianas #39
Desceu do ônibus e deu uma olhada em volta para ver se havia alguém meio suspeito na rua.
Ninguém.
Também, às 4 da manhã não ia ter uma viva alma na rua mesmo.
Começou a andar a caminho de casa. Do ponto de ônibus dava três quadras e uma esquina. Fazia sempre aquele caminho. De dia tudo bem, mas e esta hora...
Por um momento pensou ter escutado um barulho.
Alguém?
Voltou a cabeça e teve a impressão de ver um vulto.
Apressou o passo. Olhou de novo. Era alguém sim. Apressou mais ainda e teve a sensação de que a outra pessoa também apressava.
Devia ter pêgo um táxi. Mas estava tão pertinho. Eram só três quadras e uma esquina. E além do mais, que táxi ia encontrar ali às 4 da manhã?
Continuou andando rápido; estava chegando. O outro não estava tão próximo e faltava só meio quarteirão. Quase lá. Dobrou então a esquina e...
Cly Reis
Dr. Feelgood - "Malpractice" (1975)
"Você me pôs pra fora esta manhã
mas você sabe que eu estarei
mas você sabe que eu estarei
de volta à noite"
letra de "Back in the Night"
Um blues diferente, um blues ácido, forte, um blues levado ao extremo. Tão ao extremo que fica ali na cara do gol pro punk.
Assim é "Malpractice" do Dr. Feelgood, surgido na cena pré-punk da metado dos anos 70 carregando na raiz blueseira e nos clássicos do rock só que com uma leitura um pouco mais suja, podre, desleixada e já com cara de punk.
Para ouvidos mais desavisados pode parcer básico demais, muito simples... E é!
O barato deste disco é exatamente soar simples, cru, básico... Rock'n roll.
********************************
FAIXAS:
1. I Can Tell - 2:46
2. Going Back Home - 4:00
3. Back in the Night - 3:15
4. Another Man - 2:55
5. Rolling and Tumbling - 3:11
6. Don't Let Your Daddy Know - 2:56
7. Watch Your Step - 3:24
8. Don't You Just Know It - 3:51
9. Riot in Cell Block #9 - 3:30
10. Because You're Mine - 4:40
11. You Shouldn't Call the Doctor (If You Can't Afford the Bills) - 2:33
***********************************
Ouça:
Dr Feelgood Malpractice
Cly Reis
terça-feira, 10 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Os Causo de Dois Morro - A mancha de óio na sanga
Uma vêiz lá em Dois Morro teve uma dessas mancha preta n'água. Foi! 'Conteceu que um dia as muié fôro lavá rôpa na sanga e entonce que viro aquela cousa horríver. Um lôdo preto, uma crôsta escura grossa.
Como que parecia óio, logo botaro a curpa no Zarolho da Oficina. Achavo que ele tinha jogado os óio véio dos motor das caminhonete na sanga. Mas ele ficô foi muito brabo com o acusamento e disse que se té os piá dele tomavo banho na sanga, cumé que ele ia fazê uma barbaridade dessa? Convenceu os pessoar que dispois começaro, entonce, a desconfiá que tivesse sido a fábrica de cavalo do seu Teixeirinha, mas como ele só prduzia cavalo branco, não podia ter vindo de lá aquele lodaçal preto.
Sei que nisso a sujêra já tinha ido mar adrento e já tava chegando no Gorfo do Méxicuzinho, no Gorfo Pérsio e no Gorfo Flipper; foi quando com uma denúnça anômala, entregaro que o que tinha carzado a mancha tinha sido porcaus'deque o Carniça, um guri porco, mas porco mesmo, tinha ido finarmente, dipois de muitos ano, tomá banho e foi se banhá logo na sanga. Aí que toda aquela sujêra tinha se sortado do corpo imundiciado dele , se espalhado pel'água e tinha 'contecido aquilo. Particamente uma trajédia biental e escológica. As trufa que os pescador da região costumavo pegá lá naquelas água, tudo morrêro; os profiteróle que ío pra beira da sanga chafurdar no barro ficaro com os pêlo coberto de sujêra; os elefante-marinho ficaro tudo magrinho, magrinho. Cousa triste de se vê.
Ah, mas pra quê? A mãe do piá quando sôbe, pêgo ele pelas orêia e mandô ele começá a limpeza e neum vortá pra casa té terminar. O Carniça pegô um barde, uma esponja, começô demanhãzinha cedo e foi terminá quando o sor já tava indo simbora. Bem feito!
Dispois disso o Carniça passô a sê mais carpichoso. Tomava banho mais seguido pra não dexá cumulá sujêra e nunca mais que aconteceu de se poluí a sanga de Dois Morro e 'té as trufa que tinho morrido vortaro a dá na sanga (sem maliciamento, é craro).
postado por Chico Lorotta
Como que parecia óio, logo botaro a curpa no Zarolho da Oficina. Achavo que ele tinha jogado os óio véio dos motor das caminhonete na sanga. Mas ele ficô foi muito brabo com o acusamento e disse que se té os piá dele tomavo banho na sanga, cumé que ele ia fazê uma barbaridade dessa? Convenceu os pessoar que dispois começaro, entonce, a desconfiá que tivesse sido a fábrica de cavalo do seu Teixeirinha, mas como ele só prduzia cavalo branco, não podia ter vindo de lá aquele lodaçal preto.
Sei que nisso a sujêra já tinha ido mar adrento e já tava chegando no Gorfo do Méxicuzinho, no Gorfo Pérsio e no Gorfo Flipper; foi quando com uma denúnça anômala, entregaro que o que tinha carzado a mancha tinha sido porcaus'deque o Carniça, um guri porco, mas porco mesmo, tinha ido finarmente, dipois de muitos ano, tomá banho e foi se banhá logo na sanga. Aí que toda aquela sujêra tinha se sortado do corpo imundiciado dele , se espalhado pel'água e tinha 'contecido aquilo. Particamente uma trajédia biental e escológica. As trufa que os pescador da região costumavo pegá lá naquelas água, tudo morrêro; os profiteróle que ío pra beira da sanga chafurdar no barro ficaro com os pêlo coberto de sujêra; os elefante-marinho ficaro tudo magrinho, magrinho. Cousa triste de se vê.
Ah, mas pra quê? A mãe do piá quando sôbe, pêgo ele pelas orêia e mandô ele começá a limpeza e neum vortá pra casa té terminar. O Carniça pegô um barde, uma esponja, começô demanhãzinha cedo e foi terminá quando o sor já tava indo simbora. Bem feito!
Dispois disso o Carniça passô a sê mais carpichoso. Tomava banho mais seguido pra não dexá cumulá sujêra e nunca mais que aconteceu de se poluí a sanga de Dois Morro e 'té as trufa que tinho morrido vortaro a dá na sanga (sem maliciamento, é craro).
postado por Chico Lorotta
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
"Predadores", de Nimrod Antal (2010)

Não assisti ao jogo do Internacional ontem pela semifinal da Copa Libertadores contra o São Paulo
Fugi!
Tinha, ao contrário do que possa parecer, uma confiança interior de que iria mesmo conseguir a classificação, mas apenas evitei assistir pra não SOFRER muito; e neste sentido, acho que fiz bem. O jogo foi pra cardíaco nenhum botar defeito. Teste pro coração.
Preferi ir para algum lugar onde eu pudesse ficar durante todo o tempo da partida, isolado do mundo,onde eu não pudesse saber de modo algum o que estava acontecendo no Morumbi e com algo que me distraísse. Fui então ao cinema.
Minha primeira ideia era assistir ao "Tudo pode dar certo" do Woody Allen mas a seção ia acabar ainda antes do final do jogo, então não me servia. Aí que mudando totalmente de gênero e qualidade, fui assistir ao "Predadores".
Particularmente acho o Predador, junto com o Alien, os melhores vilões não-humanos do cinema (humano, o melhor é Hannibal Lecter). Aquelas armas dele são um barato, as visões adaptáveis, a camuflagem semi-invisível; um baita caçador! Mesmo já imaginando que o filme não manteria a qualidade do primeiro, muito legal com Arnold Schwarzeneeger, encarei a parada.
Olha, o negócio é meio que uma mistura de "Lost", com game, com filmes de fantasia, com várias coisas sugadas do primeiro filme da série. Sabe quando se usa a expressão que o personagem "caiu de pára-quedas no filme"? Pois é! Em "Predadores" literalmente eles caem assim numa selva desconhecida. Ninguém se conhece, alguns guardam alguns mistérios, outros tem desavenças pessoais, desconfianças e blá-blá-blá. Depois a gente já sabe: na selva, que é o playground dos predadores, os combatentes vão sendo caçados um a um pelos nossos heróis-vilões, que se utilizam de todos aqueles recursos maneiros pra estraçalhar, mutilar, detonar, explodir as vítimas. O ruim é que mesmo com todos estes 'brinquedinhos' a coisa não fica muito legal e eles acabam sendo mal utilizados enquanto recurso bélico na caçada e também visualmente no filme.
Não deixo de gostar do personagem nmas com certeza ele vem sendo cada vez mais mal utilizado e piorado. Tomara que algum bom diretor ressuscite a franquia e utilize bem um dos melhores vilões alienígenas do cinema antes que ele acabe se desgastando definitivamente.
O filme me serviu, sim, pra dispersar o pensamento durante o jogo, mas foi só acabar a sessão pra eu ficar extremamente ansioso para abrir as mensagens do celular que eu havia pedido para me mandarem informando o que tinha acontecido. Mas ao contrário do que se poderia imaginar, prorroguei minha angústia, curiosidade e sofrimento e não liguei o aparelho imediatamente após o final da seção. Pensei "e se foi pros pênaltis?". Não, melhor deixar pra ligar o celular só em casa quando já terão cobrado todos e já terá saído um vencedor. Liguei o celular na porta de casa. Mensagem da minha irmã: "Deu, Poooorra!!!".
Deu! Deu!
Fui ver o filme mas o verdadeiro PREDADOR estava no Morumbi. A cabeleira do Tinga não parece a do Predador do filme, mesmo?
Não podia dar outra coisa: INIMIGOS ANIQUILADOS.
Vamo, Vamo, Inter!
Vamo, Vamo, Inter!
Cly Reis
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Kraftwerk - "Radio-Activity" (1975)
Eles são uma espécie de últimos herdeiros da tradição musical alemã. Filhos indiretos de Schubert, Bach e Beethoven. Representam ainda hoje um patamar elevado de vanguarda, experimentação, originalidade e ousadia no que diz respeito a método e técnica, e de concretismo e minimalismo no tocante à linguagem; sem renegar, contudo, sua evidente influência da música clássica, na qual sempre mantém um pezinho mesmo quando levam sua sonoridade industrial aos limites.
O Kraftwerk, especialmente nos anos 70, tratou de 'humanizar" sons mecânicos, industriais, tecnológicos e dar vida ao que não tinha som até então. E que ironia, logo eles com seu aspecto, comportamento e sonoridade quase mecânicos.
Foi assim com "Radio-Activity", álbum conceitual, todo concebido a partir do tema básico ENERGIA. Ela e seus usos, resultados, reflexos e consequências, sendo explorados em todas as suas formas e meios de emissão, propagação, produção, etc. "Radio-Activity" vai de ondas de rádio a materiais radioativos; de simples sinais sonoros a energia nuclear. A genial abertura, por exemplo, é um contador geiger que aproximando-se da fonte de radiação, acelera seu sinal e por fim incorpora-se à percussão da faixa-título, "Radioactivity".
As composições minimalistas e mais ritmadas que nos álbuns anteriores, inserem perfeitamente o disco no contexto pré-punk da metade dos anos 70. "Airwaves", uma das melhores, é exemplo evidente da proposta e daquele panorama musical. Acelerada, palpitante, com um ritmo mais agressivo e constante.
Já "Radioland", antecipa a tendência dark do início dos anos 80 com uma batida marcada e ôca; soturna e sombria.
Faixas como "News" e "Radio Stars", podem ser subestimadas numa primeira audição, parecer meros ruídos ou repetições cansativas, mas se bem ouvidas e analisadas com a devida atenção, revelam uma musicalidade muito peculiar, só que nós, meros mortais (excessivamente humanos) não teríamos descoberto isso sozinhos até que alguém resolvesse chamar de música.
Ainda a se destacar a ótima "Antenna" com sua levada mais elétrica, também já influenciada pelos punks precoces, e a derradeira "Ohm Sweet Ohm", mais uma homenagem ao rádio, numa melodia que cresce de um ritmo melancólico a um final grandioso.
A capa é outro elemento interessante: além do nome dúbio (rádio + atividade), a arte é de uma simplicidade e de uma genialidade admiráveis. Uma frente de rádio antigo na capa, e na contra, a parte de trás do aparelho. Só isso. E precisava mais? Tecnologia, energia, evolução, modernidade, comunicação, música... tudo ali. Imagens que valem por muitas palavras e suscitam inúmeros sons.
O mais incrível é, hoje, a gente ouvir qualquer coisa, não apenas da cena eletrônica mas mesmo do universo pop e rock e ver que ali tem Kraftwerk; desde um conceito, um ruído, uma base, um sampler, uma ideia. Talvez só encontremos tamanha evidente influência no universo pop-rock com os Beatles.
Kraftwerk está em tudo!
*********************
FAIXAS:
Ouça:
Kraftwerk Radio-Activity
O Kraftwerk, especialmente nos anos 70, tratou de 'humanizar" sons mecânicos, industriais, tecnológicos e dar vida ao que não tinha som até então. E que ironia, logo eles com seu aspecto, comportamento e sonoridade quase mecânicos.
Foi assim com "Radio-Activity", álbum conceitual, todo concebido a partir do tema básico ENERGIA. Ela e seus usos, resultados, reflexos e consequências, sendo explorados em todas as suas formas e meios de emissão, propagação, produção, etc. "Radio-Activity" vai de ondas de rádio a materiais radioativos; de simples sinais sonoros a energia nuclear. A genial abertura, por exemplo, é um contador geiger que aproximando-se da fonte de radiação, acelera seu sinal e por fim incorpora-se à percussão da faixa-título, "Radioactivity".
As composições minimalistas e mais ritmadas que nos álbuns anteriores, inserem perfeitamente o disco no contexto pré-punk da metade dos anos 70. "Airwaves", uma das melhores, é exemplo evidente da proposta e daquele panorama musical. Acelerada, palpitante, com um ritmo mais agressivo e constante.
Já "Radioland", antecipa a tendência dark do início dos anos 80 com uma batida marcada e ôca; soturna e sombria.
Faixas como "News" e "Radio Stars", podem ser subestimadas numa primeira audição, parecer meros ruídos ou repetições cansativas, mas se bem ouvidas e analisadas com a devida atenção, revelam uma musicalidade muito peculiar, só que nós, meros mortais (excessivamente humanos) não teríamos descoberto isso sozinhos até que alguém resolvesse chamar de música.
Ainda a se destacar a ótima "Antenna" com sua levada mais elétrica, também já influenciada pelos punks precoces, e a derradeira "Ohm Sweet Ohm", mais uma homenagem ao rádio, numa melodia que cresce de um ritmo melancólico a um final grandioso.
A capa é outro elemento interessante: além do nome dúbio (rádio + atividade), a arte é de uma simplicidade e de uma genialidade admiráveis. Uma frente de rádio antigo na capa, e na contra, a parte de trás do aparelho. Só isso. E precisava mais? Tecnologia, energia, evolução, modernidade, comunicação, música... tudo ali. Imagens que valem por muitas palavras e suscitam inúmeros sons.
O mais incrível é, hoje, a gente ouvir qualquer coisa, não apenas da cena eletrônica mas mesmo do universo pop e rock e ver que ali tem Kraftwerk; desde um conceito, um ruído, uma base, um sampler, uma ideia. Talvez só encontremos tamanha evidente influência no universo pop-rock com os Beatles.
Kraftwerk está em tudo!
- "Geiger Counter" – 1:07
- "Radioactivity" – 6:42
- "Radioland"– 5:50
- "Airwaves" – 4:40
- "Intermission"– 0:39
- "News"– 1:17
- "The Voice of Energy" – 0:55
- "Antenna" – 3:43
- "Radio Stars"– 3:35
- "Uranium"– 1:26
- "Transistor" – 2:15
- "Ohm sweet Ohm" – 5:39
Ouça:
Kraftwerk Radio-Activity
Cly Reis
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
cotidianas #38 - O Cubo Mágico
Alguém finalmente lhe tira o capuz e ele consegue respirar um pouco melhor. Ah! Ar!
Olha em volta, está numa sala fechada, talvez um porão, um depósito. Correndo rapidamente os olhos vê à sua direita um homem que não faz, em absoluto, questão de esconder o rosto. Traz na mão apenas um cubo-mágico.
Ele dá alguns passos lentos pela sala enquanto embaralha as cores do cubo e mistura as faces até então uniformes. Aproxima-se novamente da cadeira,olha para o refém e joga-lhe o cubo no colo.
- Resolve.
- Quê? Quê... Como?
- Se tu resolver, te deixo ir embora, se não conseguir, tu morre. - disse sacando uma arma da cintura, sob a camisa.
- Como assim? Mas eu...
- É isso! - e começou a soltar as mãos do homem na cadeira que estavam amarradas nas costas - Tem 5 minutos.
- Olha só, moço: eu não sei o que o senhor quer, se você tá me confundindo com alguém... eu não tenho dinheiro. Eu sou só um corretor. Não tenho muito... Aliás, se o senhor quiser eu até arranjo alguma coisa. Não tenho muito mas...
- Não quero teu dinheiro. - interrompeu bruscamente - Não quero dinheiro, não quero informação, não quero tua filha, tua mulher, só quero que tu resolva esse cubo e, a propósito, teu tempo tá passando.
Um súbito desespero começou a se apoderar da vítima. Primeiro tentou levantar dali, correr, mas os tornozelos estavam amarrados aos pés da cadeira. Impossível. E aquele cara com uma arma ali! Vendo-se sem alternativa, começou finalmente a tentar fechar as faces do cubo. Mas naquela pressa, daquele jeito? Não conseguia raciocinar, se concentrar, montar a peça de maneira lógica.
Verde-vermelho-amarelo-amarelo-amarelo (um lado quase pronto). Não! Um azul pra atrapalhar. Não, não!
De novo: amarelo-amarelo-verde... (não)!
5 minutos.
-Sinto muito...
Tudo preto. Preto.
Cly Reis
David Bowie - "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars" (1972)
"Ziggy tocava guitarra
Improvisando com Weird and Gilly
E os Aranhas de Marte"
Um gênio capaz de se reinventar constantemente, capaz de criar estilos, mudar conceitos, influenciar comportamentos, transformar a própria arte e a dos outros também, e tudo isso sem preder a própria identidade. Assim David Bowie vem atravessando década após década sempre inquieto e inovador. Este espírito desassossegado foi que fez com que em 1972, este artista multifacetado criasse uma das obras mais originais e marcantes da história do rock. Com "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars", Bowie criou o artista dentro do artista, o mito por trás do mito, a banda dentro da banda, e acima de tudo, uma lenda.
Este marco do que viria a ser batizado de glam rock, traz um Bowie totalmente andrógino encarnando o personagem Ziggy Stardust; frontman de uma banda fictícia, um rockstar pirado; num álbum que funciona quase que como uma pequena ópera-rock na qual é contada e 'encenada' a trajetória de Ziggy.
Das faixas, destaque para o rock'n roll alucinante de "Suffragette City", a não menos empolgante "Star", a belíssima "Starman", que ganhou até versão em português (lembram de "Astronauta de Mármore" do Nenhum de Nós?), e para a clássica faixa que inspira o tema da obra, "Ziggy Stardust".
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Apenas a título de curiosidade, há pouco tempo atrás em uma lista de um site musical na Internet o álbum foi escolhido por gays ilustres do mundo da música e artes, o mais gay de todos os tempos. Ainda que eu ache que existem outros exemplares mais representativos na categoria, compreendo a escolha pelo apelo sexual do disco, a androginia e a homossexualidade declarada do cantor na época (e hoje desmentida pelo próprio Bowie), que inevitavelmente acabou por criar na época uma forte identidade dos homossexuais com a obra e com o artista.
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Também como curiosidade e informação adicional, o disco "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" ganhou duas reedições com extras e bônus, uma em 1990 com o acréscimo de cinco faixas, e outra em 2002, esta comemorativa dos 30 anos da obra, como CD duplo, sendo um deles só de demos, extras e raridades.
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E outra ainda: pra quem não conhece, a canção "Ziggy Stardust" tem uma regravação bem legal com a banda "gótica" Bauhaus. Vale conferir.
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FAIXAS (originais):
- " Five Years "- 4:43
- " Soul Love " – 3:33
- " Moonage Daydream " – 4:35
- " Starman " – 4:16
- " It Ain't Easy " (Ron Davies) – 2:56
- " Lady Stardust " – 3:20
- " Star " – 2:47
- " Hang on to Yourself " – 2:37
- " Ziggy Stardust " – 3:13
- " Suffragette City " – 3:19
- " Rock 'n' Roll Suicide " – 2:57
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Ouça:
David Bowie The Rise and The Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars
Cly Reis
sábado, 31 de julho de 2010
The Chemical Brothers - "Dig Your Own Hole" (1997)
“Os eletrônicos que todo roqueiro deveria ouvir”
Quem disse que música eletrônica é só tunsch-tunsch?
Os Chemical Brothers, juntamente com um pequeno grupo de artistas criativos da cena eletrônica britânica, tratou de mostrar que não era bem assim.
Depois de uma interessante estreia com o elogiado álbum "Exit Planet Dust", a dupla de DJ's Tom Rowlands e Ed Simons, simplesmente concebeu um ÁLBUM com música eletrônica e não apenas uma série de repetições, samples e batidas para tocar em festas.
"Dig Your Own Hole" tem conceito, convicção, intenção, sonoridades variadas e influências diversas. É trabalhado faixa a faixa como se fosse um álbum de uma banda de rock com muitos instrumentisatas. Tudo tem seu lugar e seu detalhe.
O início é destruidor com "Block Rockin' Beats" e seu sampler empolgante - só um cartão de visitas do que está por vir. "Elektrobank", outro ponto alto, é um funk cheio de ritmo com um vocal alucinado, tudo isso num ritmo de tirar o fôlego.
Em "It Doesn't Matter", sim, eles fazem uma daquelas músicas bem pra pista de dança mesmo; legítimo trabalho de DJ; com batida básica e sampler repetido, mas não por isso menos bacana e interessante. É uma das minhas favoritas do disco, a propósito.
Com "Setting Sun" eles reinventam "Tomorrow Never Knows" dos Beatles, com uma composição (propositalmente) muito semelhante à original porém mais agressiva, contando com os vocais de Noel Gallagher do Oasis, exatamente o cara que supõe ser a reencarnação de John Lennon (o que, neste caso, ficou até bem apropriado, não?).
"Lost in the K-Hole" tem uma base envolvente e um sample-vocal sensual quase sussurado; "Where Do I Begin" começa com um sampler genial e extremamente bem trabalhado levemente chegado ao country até explodir logo adiante e dar uma reviravolta; e "Private Psychedelic Reel" que fecha o disco, é um épico chapado de 10 minutos com tons árabes, hindus, orientais, que faz mesmo quem não tenha tomado nada, ter a impressão de estar curtindo a maior viagem. Um final monumental para um álbum fantástico.
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- "Block Rockin' Beats" (Rowlands, Simons e Jesse Weaver) – 5:14
- "Dig Your Own Hole" – 5:27
- "Elektrobank" – 8:18
- "Piku" – 4:54
- "Setting Sun" (Rowlands, Simons e Noel Gallagher) – 5:29
- "It Doesn't Matter" (Rowlands, Simons, Conly, Emelin, Slye, Ford e King) – 6:14
- "Don't Stop the Rock" – 4:48
- "Get Up on It Like This" (Rowlands, Simons e Jones) – 2:48
- "Lost in the K-Hole" – 3:51
- "Where Do I Begin" – 6:51
- "The Private Psychedelic Reel" (Rowlands, Simons e Jonathan Donahue) – 9:28
quarta-feira, 28 de julho de 2010
cotidianas #37 - verde-coincidência
"Dize que virás
co'aqueles teus
olhos verdes
Dize...
co'aqueles teus
olhos verdes
Dize...
Combinam tão bem
Com aquela
tua blusa.
tua blusa.
verde-coincidência"
Cly Reis
ARQUIVO DE VIAGEM - Nova Friburgo - RJ (25, 26 e 27/07/2010)
![]() |
| O início do percurso do teleférico... |

Fiz uma espécie de retiro nas montanhas nos últimos três dias. Fui conhecer, descansar e curtir um pouquinho de frio em Nova Friburgo, cidadezinha de colonização germânico-suíça na serra fluminense.
Nova Friburgo é simpática, tem um aspecto semi-rural e, na verdade, não tem grandes atrativos turísticos. Nota-se, pela quantidades de lojas ao longo da estrada e por todo o município, grande ênfase na produção e venda de lingeries, o que, em virtude do bom preço, acaba atraindo muitos turistas revendedores da capital e de outros estados.
De legal mesmo tem o teleférico na Praça do Suspiro, no centro da cidade, a cascata do Véu-da-Noiva e o Pico da Caledônia, ponto elevadíssimo com bela vista para toda a região serrana.
No mais, valeu por matar um pouquinho da saudade do frio sulista.
![]() |
| A belíssima Cascata do "Véu-da-Noiva" já mais afastada da área central |
![]() |
| Paisagens bucólicas bem comuns mais para dentro da cidade |
![]() |
| A vista do alto do Pico da Caledônia |
Valeu mesmo pelo descanso em um agradável hotel fazenda com verde, ovelinhas, passarinhos, frio e lareira.
Só calmaria.
Cly Reis
domingo, 25 de julho de 2010
O Frango Atirador
Para os que acham o Frango Atirador politicamente incorreto, amoral, imoral, antiético, preconceituoso, racista, fascista, indecente, estúpido, cruel e tantas outras coisas mais, resolvemos dar uma oportunidade para alguns calouros, aventureiros, candidatos tentarem a sorte no seu lugar, a fim de tentarem a simpatia da plateia.
Com vocês...
Com vocês...
Hmm!!!, acho melhor ficar com o Frango Atirador mesmo, não?
**********************
sábado, 24 de julho de 2010
Animamundi - CCBB, Centro Cultural dos Correios e Casa França-Brasil - Rio(23/07/2010)
Vim dar uma conferida no Animamundi 2010. Muito movimentado, muita criançada e por isso, muitas filas pras oficinas, das quais acabei não participando exatamente por não ter a menor paciência.
No fim das contas, acabei, agora há pouco assistindo a algumas animações bem legais nos Correios.
Depois posto mais alguma coisa a respeito. Agora vou voltar ao CCBB e ver se já diminuiu o movimento por lá.
No fim das contas, acabei, agora há pouco assistindo a algumas animações bem legais nos Correios.
Depois posto mais alguma coisa a respeito. Agora vou voltar ao CCBB e ver se já diminuiu o movimento por lá.
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