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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Janelle Monáe - "The ArchAndroid" (2010)

Um amigo me apresentou e achei bem bacana.
Janelle Monae, cantora americana, em seu primeiro álbum, "The ArchAndroid" faz um pop bem diversificado atacando por várias praias, tendências e estilos sem fazer feio em nenhum. O legal é que é bem variado, eclético, mas não soa pretensioso ou pedante . O disco abre, por exemplo, com uma composição clássica que lembra uma trilha de filme meio épico, meio ficção-científica chamada "Suite II - Overture" confirmando o visual da capa que remete a" Metropolis"; mas o álbum depois vai passar por uma disco-music, "Locked Inside"; por  um jazz acelerado meio rackabilly ("Come Alive"), pela psicodélica "Mushrooms & Roses; ou pela etérea "57821". Às vezes chaga aparecer uma coletânea de vários artistas tal a diversidade, mas o interessante é que de alguma forma a obra não perde a unidade.
Destaque pra mim, além das já mencionadas, para "Cold War", um pouco mais roqueira, para a balada cool "Say You'll Go", bem à Marvin Gaye ou Michael Jackson (negro), e para a que fecha o disco, "BaBopByeYa", algo que seria como uma 'trilha-mutante' para um James Bond.
Para um primeiro álbum é um cartão de visitas e tanto.

Confiram aí o clipe da minha preferida do disco, "Cold War".





C.R.

domingo, 3 de outubro de 2010

"Baarìa - A Porta do Vento", de Giuseppe Tornatore (2010)



Fui assistir a "Baarìa - A Porta do Vento" de Giuseppe Tornatore (de"Cinema Paradiso") , na semana passada.
Bom. Competente e tal.
Mas comunzinho.
Tornatore nos conta a trajetória de uma família da Bagheria, na região da Sicília ao longo do século XX, suas dificuldades, a pobreza, o pós-guerra, a política, os amores, as alegrias e os dissabores, tudo com um fundo autobiográfico, mas se esforçando demasiado em nos emocionar. Chega a ser artificial o empenho em tocar o espectador, mas tenho certeza que a olhos mais despreparados e corações mais emotivos que o meu, deve atingir.
Não sei se está em pré-lista para o Oscar estrangeiro, mas se estiver, leva a estatueta. É bem ao gosto de Hollywood. Só faltava ser falado em inglês pra levar o prêmio principal.
Falando assim parece ter só defeitos. Não. Como comecei falando, é bom, competente e não se sai arrependido do cinema mesmo não achando lá toda essa coisa. Como programa, entretenimento, agrado pra 'patroa', vale.
A se destacar, além da conhecida boa mão do diretor, a fotografia excelente.

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Só pra não deixar passar, boa também é a pequena ponta de Monica Bellucci, sempre gostosíssima, sendo bolinada por um pedreiro e espiada pelos alunos de uma escola próxima a uma construção. Afinal de contas,Monica Bellucci é sempre Monica Bellucci, mesmo que por poucos segundos na tela.


Trailer "Baarìa - A Porta do Vento"




C.R.

Vinil é Cultura - CCBB/ Rio de Janeiro








Centro Cultural Banco do Brasil - 15:35 - Ao som da discotecagem de um dos ícones da cultura de rua do Brasil dos anos 80, o DJ Hum, que ao lado de Thaíde, divulgou o RAP e o Hip-hop pelo país, vou desfilando entre as capas dos 'bolachões' que embalaram minha adolescência. Capas de trilhas, de equipes de som, de épocas marcantes para o formato vinil ; como os anos 80 no Brasil e a explosão do BR-Rock naquele momento (foto).
Sinceramente, esperava mais visualmente da exposição, mas nos quesitos 'revival' e nostalgia, é legal de todo modo.

O som do brasil nos anos 80


Cly Reis

sábado, 2 de outubro de 2010

Andrea Dutra - TribOz - Rio de Janeiro (02/10/2010)




TribOz - Lapa/ RJ - 22:10- Sábado musical.
Sábado jazz.
No palco, Andrea Dutra e sua banda fazendo aquele samba-jazz.
Som mais 'noite', mais boêmio, mais 'marginal''.
Legal.

Samba Jazz Trio - Modern Sound Copacabana (02/10/2010)






JAM -Jazz Aroud Mid-day

Modern Sound - Copacabana - RJ - Neste exato momento, 13:30, almoçando no Allegro Bistrô na loja Modern Sound e curtindo a Samba Jazz Trio num sábado de homenagem a Miles Davis. Desfilando o repertório do gênio com coisas do 'Kind of blue', do 'Bitches Brew' ou do 'Tutu'.
O baterista, então, é um monstro! No aquecimento ele estava executando as músicas sozinho. Tocando trumpete e bateria ao mesmo tempo. Incrível!
Grande banda!
Grande som!
Deleite completo.








Cly Reis

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hey Girl, Hey Boy











"Hey Girl"
(óleo e acrílico sobre tela - 20 x 10cm)

"Hey Boy"
(óleo e acrílico sobre tela - 20 x 10cm)
Reis, Cly (2008)

Deep Purple - "Machine Head" (1972)


"Tantantaan-tantantaraan
tantantaan-tantaan"



Deep Purple!
"Machine Head"!
Força, potência, vivacidade, energia. Tudo isso! Guitarras altas, transbordando mas sem deixar de lado a técnica.
Talvez o precursor mais direto e importante do que conhecemos como metal. Mas não se limitava a isso. O som deles era blues, era hard, era progressivo, era simplesmente rock.
Discaço! Bomba! Arrasador!
O que temos nele?
"Highway Star", por exemplo. Provavelmente a música que mais incite um motorista a pisar fundo. Impossível ouví-la sem botar o pé no fundo. Multa certa!
E o que mais?
Que tal "Smoke on the Water"? Sempre lembrado em todas as listas dos riffs mais famosos de todos os tempos. Até por escrito a gente sabe qual é a música: tantantaan-tantantaram-tantantaan-tantaan.
Lembrou?
Como não lembrar.

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FAIXAS:
1. Highway Star – 6:09
2. Maybe I'm a Leo – 4:52
3. Pictures of Home – 5:08
4. Never Before – 4:01
5. Smoke on the Water – 5:42
6. Lazy – 7:23
7. Space Truckin' – 4:34

todas as faixas Blackmore, Gillan, Glover, Lord e Paice
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Ouça:
Deep Purple_Machine Head


Cly Reis

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

cotidianas #51 - Plantação de maconha em cobertura de prédio no Rio

Ó o Bezerra aí de novo. O cara era um profeta.
Depois daquela do "Defunto Grampeado", ou melhor, os noivos grampeados, agora uma plantação de maconha na varanda de um apê na barra. E, de novo, já tinha uma música pronta pra isso.
Saca só essa:

A Semente
(Bezerra da Silva)

Meu vizinho jogou
Uma semente no seu quintal
De repente brotou
Um tremendo matagal (Meu vizinho jogou...)


Quando alguém lhe perguntava
Que mato é esse que eu nunca vi?
Ele só respondia
Não sei, não conheço isso nasceu ai


Mas foi pintando sujeira
O patamo estava sempre na jogada
Porque o cheiro era bom
E ali sempre estava uma rapaziada


Os homens desconfiaram
Ao ver todo dia uma aglomeração
E deram o bote perfeito
E levaram todos eles para averiguação e daí...


Na hora do sapeca-ia-ia o safado gritou:
Não precisa me bater, que eu dou de bandeja tudo pro senhor
Olha aí eu conheço aquele mato, chefia
E também sei quem plantou


Quando os federais grampearam
E levaram o vizinho inocente
Na delegacia ele disse
Doutor não sou agricultor, desconheço a semente

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Ouça a música:
Bezerra da Silva_A Semente


Agora dêem uma conferida na notícia:
Plantação de maconha em cobertura de prédio no Rio



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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os Causo de Dois Morro - O Nemar


Eu tô vendo essa história toda de Nemar pra lá, Nemar pra cá. Piá passado esse!
Isso é falta de um relho no lombo em casa! Mas dexa isso pra lá...
Mas isso tudo me alembrô que em Dois Morro também tinha um Nemar e também era assim meio metido a besta que nem que esse aí.
Jogava no Doismorrense e tinha mania de contrariá as ordenação do véio Arlindo Cachaça (sardoso Arlindo Cachaça, que Deuzotenha). Um dia, num jogo lá, teve um penárti a nosso favor e como o guri, que na época ainda se era só conhecido como Argemiro Firula, tinha fazido umas frescura na hora de chutá e já ia pra  uns trêis ou quatro os golo que ele tinha desprediçado, o véio Arlindo não dexô ele cobrá o friquique. Ah, mas aquele vivente ficô muito do brabo. Sortô cobras e largato pra cima do nosso treinador mas o nosso capitão, o Marafo, foi lá e paziguô a situação.
O Véio que não era de dexá as coza assim, tirô logo o piá da cancha. Aí que piorô de vêiz. Foi a gata d'água: o guri saiu falando tanto imporpério, tanto nome-feio que as gente que via o jogo ali na cerca, revortado, gritaro pra ele, "Não fala assim com os mais velho. Tu não tem ducação, anemar? É, tu é um anemar, mesmo". E foi que todo o resto do pessoar que companhava a peleja em vorta do campo gritaro "Nemar, nemar, nemar!!!", e aí que ele ficô conhecido como Nemar pro resto da vida.
Como depois do espisódico ninguém mais quis saber dele, de chamá ele pra jogar, ele largô do futebór. A úrtima notiça que se teve dele foi que se mudô pro Brasir, se entregô pra cachaça e morreu na pobreza.
Agora, imagina: desrespeitá o véio Arlindo Cachaça!
Piá abusado!

postado por Chico Lorotta


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"Resident Evil 4: O Recomeço", de Paul W.S. Anderson (2010)



Me prestei ontem a ir assistir ao "Resident Evil 4: O Recomeço".
Nossa!!!
Pegaram duas xícaras cheias de "Matrix", quatro colheradas (de sopa) de "Madrugada dos Mortos", uma pitada de "Predador", botaram tudo num liquidificador e acrescentaram depois uma bela dose de 3D.
O monstrengo do machado. Quem é? o que é?
De onde veio? Perguntas sem resposta.
Só não é um completo lixo porque ainda consegue se sustentar no próprio argumento original da  série, embora este, cá entre nós, já seja bem fraco. Mas mesmo assim se garantindo em pé a duras penas deixa uma série de lacunas, interrogações e novidades injustificadas como as línguas-ramificações-tentáculos (?) ou algo do tipo que os zumbis agora apresentam e que não mostravam em nenhum dos filmes anteriores; ou um zumbi grandalhão com um machado que ninguém sabe de onde veio, por quê é mais forte, por quê é enorme; ou um presidiário misterioso que se diz irmão de uma das fugitivas. Parece roteiro escrito às pressas ou subestimando totalmente o público, tipo, "ah, põe qualquer merda aí que eles vão gostar".
Só pra não deixar passar, vale a pena também pela Mila Jovovic, a Alice, que a propósito, começa a mostrar sinais de idade, mas que não a desvalorizam em nada - muito pelo contrário - tá, assim, que nem vinho: melhorando com a idade. Mas, marmanjos, boa mesmo é a coleguinha, a tal da Claire, interpretada por Ali Larter ("Premonição 1 e 2").  Se o filme não valesse por mais nada, valeria por ela. Muito gata!
A duplinha  Larter/ Jovovic . É mole ou quer mais?
No mais, se sustenta mesmo no 3D, que por sinal é de primeira! Mas eu, que me recusei a ver "Avatar" exatamente porque considerava que só valeria pelos efeitos e pela tecnologia, volto a me questionar até que ponto vale a pena ir a um cinema apenas apoiado no fato de um filme ser em 3D? E me respondo, bem no início desta era do cinema, que para mim já não vale quase nada. Será necessário, muito em breve, que se alie a este recurso técnico notável, interessantíssimo e espetacular, qualidade. Bons roteiros, boas histórias, situações que realmente requeiram ou permitam sua utilização de maneira produtiva para o filme, para a história e não simplesmente para causar sensação. Mais ou menos o que Christopher Nolan fez com "A Origem" em relação a efeitos especiais que já começavam a ficar fúteis. Ali se fez um FILME que utilizava (brilhantemente) efeitos especiais e não um filme DE ou PARA efeitos especiais. Tomara que se faça isso com o 3D. acho que far-se-á. O cinema depois de ondas comerciais sempre acaba incorporando qualidade às inovações por que passa. Coisas como a que Nolan fez são uma espécie de luz no fim do túnel.


Trailer: "Resident Evil 4: O Recomeço"



Cly Reis

domingo, 19 de setembro de 2010

cotidianas #50 - "A Gafieira do Mané João" *



Mané João
Lá na gafieira
De Mané João
Toda brincadeira
Acabou no chão
Tinha inimigo no meio do salão
Zé da Capoeira fazendo exibição


Tinha cabelo grande mas não tinha molho
Mané ficou de olho
Escondeu Margarida na cortina
E gritou ninguém transa com a menina
E só terminou a brincadeira
Com o sangue escorrendo na ladeira
E era muito sangue pra pouca ladeira
Lá na gafieira


* baseado na música "Mané João" de
Erasmo Carlos e Roberto Carlos (1972)

Ouça a música:
Mané João_Erasmo Carlos

terça-feira, 14 de setembro de 2010

cotidianas #49 - "Glória (Junkie-Bacana)"


Meu caro vizinho
Eu sou um cara legal
Meu telefone é 477 etc. e tal
Ontem à noite exagerei no barulho
Eu peço que me desculpe


Eu sei que é demais
Mijar na janela
Chamando por Deus
E gritando o nome dela


Todo grande amor incomoda
E o mundo todo, todo, tem que saber
Que ela errou, e eu errei
Então eu declarei guerra


Paz na terra é só pra quem tem coragem
Quem perde no amor sempre faz papel de covarde
Faz bobagem, faz bobagem
Ho, ho!


Meu caro vizinho
Não me leve a mal
Depois que eu fiquei sozinho
Dei pra beber bem além do normal
E a fazer coisas meio sem sentido


E é desse jeito
Que eu tenho vivido
Não leve a mal
Um cara assim tão a perigo
E no mais, um abraço
Meu prezado amigo


Glória (Junkie-Bacana)
(Cazuza e Lobão)
do álbum "O Rock Errou" de Lobão (1986)

Ouça a música:
"Glória (Junkie- Bacana)"

cotidianas #48 - A Rosinha

Entre um chopp e outro, piadas, risadas, debates enérgicos e cantadas batidas e infrutíferas para as mulheres que passam na calçada. É sempre assim quando se reúnem depois do trabalho na sexta-feira naquele mesmo bar de sempre.
- Peraí, perái... Olha só aquilo! - chama interrompendo a discussão sobre futebol - Quê que é isso? Meu Deus do céu! Que loucuura!
- Ah, conheço ela. É a Alice. O Dudu também conhece. Né Dudu?
- Mmm...  - meio que se babando com o chopp e limpando com as costas da mão - Ahan. Conheço sim - completando com um risinho maroto de canto de boca.
Quando a garota se aproxima mais, os dois que a conhecem, tratam de cumprimentá-la:
- Oi, Rosinha.
- Oi, Rosinha - cumprimentam os dois quase ao mesmo tempo.
Ela não fala nada mas responde com um sorriso malicioso e acena mexendo só os dedinhos da graciosa mãozinha. Passa e segue gostosíssima calçada afora.
O outro acompanha o final do desfile monumental até que ela acabe de dobrar a esquina e terminado o espetáculo, meio confuso, volta a cabeça então para os camaradas na mesa, e pergunta:
- Mas o nome dela não era Alice?
Os outros dois se entreolham, tentam sufocar o riso, mas explodem numa gargalhada só.


Cly Reis

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Titãs - "Cabeça Dinossauro" (1986)

O MELHOR DISCO NACIONAL DE TODOS OS TEMPOS
"Oncinha pintada,
zebrinha listrada,
coelhinho peludo,
Vão se foder!"
letra de "Bichos Escrotos"


"Cabeça Dinossauro". Assim mesmo, sem a preposição. O nome já dava mostra do que estava contido ali dentro daquela capa genial e incomum que ao mesmo que impactava pelo grotesco, completava o conceito geral da obra: a cabeça dinossauro era uma transfiguração, uma metamorfose em monstro, um retorno ao primitivo, era uma digressão à língua, um não aos padrões. A própria canção homônima que abria o disco com sua batida tribal e letra 'primitiva' era retrato fiel e confirmação da proposta.
Letras simples, versos curtos, mínimos e minimalistas, aliterações, repetições e discursos diretos. Assim os Titãs deram uma reviravolta na própria carreira, até então sem uma personalidade musical definida, e construíram um dos discos mais notáveis e criativos do rock nacional. Aquilo era butal, era violento na essência, era agressivo como nunca a música popular ousara ser a tal ponto, disparando contra religião, autoridades, estado, família e capitalismo com doses variadas de desprezo, ira e ironia. Quer mais que afirmar que não gostavam de Cristo; mandar dar porrada em quem não desse nenhuma contribuição ao mundo; ou mandar os bichinhos fofinhos se foderem? Aliás, "Bichos Escrotos", que trazia este xingamento, ainda que não fosse a mais brilhante do disco, não pode deixar de ser mencionada sobremaneira por uma quebra definitiva de paradigmas na mídia por conta do "FODER" de sua letra que era cantado incessantemente pela garotada, independente da proibição de execução pública expressa na contracapa. Num país com a democracia recém instaurada e uma liberdade de expressão ainda combalida, o resultado foi que sua popularidade foi tanta, a música era tão conhecida e entoada por todos que mesmo sem ser revogada, sua proibição caiu por terra naturalmente e a faixa passou a tocar sem corte em muitos segmentos dos meios de comunicação. E, ao contrário do que soava aos pais e moralistas de plantão naquele momento, "Bichos Escrotos" não se limitava a um palavrão gratuito: aquele grito era um não à beleza artificial, ao padrão estético, uma convocação à atitude, sendo um dos mais significativos símbolos da virada que os Titãs davaam com aquela obra.
Outro momento marcante da obra é a descontrolada "A Face do Destruidor", um hardcore extremamente agressivo e veloz na execução e na duração (apenas 34 segundos) que de certa forma justificava que nada se cria e tudo se transforma mas que às vezes é importante botar tudo abaixo para construir novamente. E era o que eles estavam fazendo.
"Cabeça..." ainda traz um dos maiores clássicos do rock brasileiro de todos os tempos que ganhou inúmeras regravações, homenagens, referências, performances de todo o tipo e qualidade de artistas, de Sepultura a Marisa Monte: "Polícia"; um punk rock implacável que incrivelmente venceu no mundo pop sem fazer concessões de letra nem estilo, gravando na memória do Brasil dos refrões mais conhecidos e populares da música nacional.
Fruto da multiplicidade de estilos de um time de oito cabeças com origens, inspirações e gostos musicais distintos e da mão certeira do produtor e parceiro Liminha, "Cabeça Dinossauro" era punk na maior parte das vezes mas era tão fora dos padrões que podia trazer um raggae como "Família", um ska como "Homem Primata" ou "O Quê?", um funk estraçalhador com uma linha de baixo toda quebrada, cheio de teclados e uma interessantíssima mescla de bateria acústica com eletrônica, delineando um inquietante jogo de palavras que não cansava de perguntar e ao mesmo tempo responder "o que é que não pode ser?". E o que é que não poderia ser depois daquilo? Podia-se tudo e aquela obra ajudava a afirmar isso.
Até mesmo como resultado de experiências como a de "O Quê?", os Titãs chegariam a resultados, talvez, melhores tecnicamente com seus dois álbuns de estúdio seguintes, "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguleas" e "Õ Blésq Blom", mas "Cabeça Dinossauro" já tinha metido o pé na porta e por este rompimento, por sua profusão de ideias e estilos, pela sua reconceituação num dos momentos mais importantes da retomada do rock brasileiro, seu impacto e reflexos, este é, minha opinião, simplesmente o maior disco do rock brasileiro de todosos tempos.

FAIXAS:
1. "Cabeça Dinossauro" (Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos) – 2:20
2. "AA UU" (Marcelo Fromer, Sérgio Britto) – 3:01
3. "Igreja" (Nando Reis) – 2:48
4. "Polícia" (Tony Bellotto) – 2:06
5. "Estado Violência" (Charles Gavin) – 3:10
6. "A Face do Destruidor" (Arnaldo Antunes, Paulo Miklos) – 0:34
7. "Porrada" (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto) – 2:51
8. "Tô Cansado" (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 2:18
9. "Bichos Escrotos" (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto, Nando Reis) – 3:13
10. "Família" (Arnaldo Antunes, Tony Bellotto) – 3:32
11. "Homem Primata" (Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Nando Reis, Sérgio Britto) – 3:27
12. "Dívidas" (Arnaldo Antunes, Branco Mello) – 3:08
13. "O Quê" (Arnaldo Antunes) – 5:40

FORMAÇÃO (em 1986)
Arnaldo Antunes: vocal
Branco Mello: vocal
Charles Gavin: bateria e percussão
Marcelo Fromer: guitarra
Nando Reis: baixo e vocal
Paulo Miklos: baixo (em "Igreja") e vocal
Sérgio Britto: teclado e vocal
Tony Bellotto: guitarra

PRODUZIDO POR LIMINHA

Download

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cotidianas #47 -"Lamento Sertanejo"


Lamento Sertanejo
(Gilberto Gil)

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
"Menino com carneiro" - Cândido Portinari
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.

Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.


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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Alien Sex Fiend - "Acid Bath" (1984)

Comprei no último sábado, substituindo meu piratinha gravado, o 'Acid Bath' do Alien Sex Fiend.
Cara, Alien Sex Fiend não é nada demais mas é legal pra caramba! Som daquela cena dark do início dos 80 mas com mais elementos de eletrônica, uma  tendência ao industrial, influências de rockabilly e lógico um pé ainda no punk, que naquele momento já se esvaía mas deixava um pouquinho em quem quer que fosse montar uma banda. Tudo isso com um visual entre o Cure, os Pistols, o Cooper e os Cramps: cabelos espetados, roupas pretas esfarrapadas ou calças de couro, maquiagens zumbis e performances extremamente teatrais e terrificantes.
Em "Acid Bath" a sonzeira tem bases eletrônicas, sintetizadores, programações de bateria e guitarras pesadas e barulhentas corroendo tudo, compondo toda uma atmosfera sombria, com vocais cadavéricos e berrados, temas aterrorizantes e violentos, mas com muito bom humor e escrachamento.
O caos dos mortos-vivos!
Loucura total!
Meus destaques neste disco são a ótima abertura "In God We Trust (In Cars We Rust)"; "Dead and Re-Burried" com sua base bem eletrônica e guitarras despejadas como lava quente; a excelente "E.S.T. - Trip to the Moon", uma verdadeira viagem à lua com seus 9 minutos lisérgicos; e o doido rockabilly-eletro-gótico-techno-industrial "Boneshaker Baby", uma das 3 faixas extras da versão em CD.
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FAIXAS:
1. In God We Trust (In Cars We Rost?)
2. Dead and Re-Buried
3. She's a Killer
4. Hee-Haw (Here Come the Bone People)
5. Smoke My Bones
6. Breakdown and Cry (Lay Down and Die - Goodbye)
7. E. S. T. (Trip to the Moon)
8. Attack !!!!!! #2

extras do formato CD (não constavam no LP original)
9. Boneshaker Baby
10. I Am a Product
11. 30 Second Coma

Ouça:
Alien Sex Fiend Acid Bath
.
Pra quem quiser conhecer mais, ver discografia, curiosidades, informações, vale uma visita aos site dos caras:
Site Oficial ASF - 13th. Moon Demon

cotidianas #46 - Música do Diabo



- Oi!
- Bom dia... – e um pequeno silêncio interrogativo com um “em que posso ajudar?” suspenso, no ar.
- Oi, ah, é que... Bom, desculpa lhe incomodar mas eu sou seu vizinho daqui do lado e...
- É, eu sei. Já te vi com tua mãe no elevador – interrompendo o menino que já parecia bem constrangido - Tudo bem?
- Tudo bem. É que, eu queria lhe falar. É o seguinte: eu queria saber qual era aquele som que o senhor tava ouvindo ontem de noite, alto?
- Por quê? Tava incomodando?
- Não, não. A minha mãe não gosta mas eu curto. Bom pra caralho!
- Ontem de noite? Ah, era...Evil Corpse. Quer emprestado?
- Não. Não dá. A nossa religião não permite. A minha mãe diz que é coisa do demônio e tudo mais. Mas se o senhor puder ouvir sempre meio alto, assim, eu consigo ouvir dali de casa. Na área de serviço o som fica até bem claro.
- Tá bom. Eu gosto de ouvir alto mesmo. Que pena que tu não pode ouvir. Ia ser legal te mostrar umas paradas dessas.
- É – disse meio conformado.
- Mas então ta. Valeu. Prazer te conhecer.
- O prazer foi meu. Obrigado, viu.
- Que nada!
Dias depois embarcam juntos no elevador o garoto, sua mãe e o tal vizinho. A mãe olha de soslaio com aquele ar de reprovação para o rapaz de jeans rasgado, bracelete de couro, cabelo comprido e uma camiseta preta com uma enorme caveira cuspindo fogo, e dispara:
- É o senhor que mora no 606?
- Sou eu mesmo.
- O senhor poderia ouvir suas músicas um pouco mais baixo, por favor? – pronuciando este músicas com ênfase e ironia - Incomodam a mim e incomodam ao meu filho. O pobrezinho chega a se esconder na área de serviço pra não ouvir aquele barulho infernal, não é meu filho?
O garoto não responde. Só lança um breve e quase imperceptível olhar de desculpas para o vizinho que apenas lhe responde com uma piscadela de cumplicidade.

Cly Reis