- Foi impedimento! - afirmou para tentar dar a entender que entendia alguma coisa de futebol.
- Lateral, Docinho. Foi só lateral. - corrigiu ela com aqule ar meio de "Senhor, dá-me paciência".
Não é que não gostasse de futebol, mas nunca simpatizou muito com aquilo. Sempre foi mais de um Mérimée a um Zidane, de um Borges a um Maradona, de um Machado a um Pelé. Era um amante da cultura, do cinema, dos livros; era um vivedor mental.
Desde o colégio era assim. Não concordava que só porque era menino tivesse que jogar bola, conhecer jogadores e tudo mais. Preferia devorar uma "Moby Dick" do Melville no recreio a correr atrás de um caroço de couro, habitualmente carcomido e estropiado. Até achavam que era meio efeminado por não compactuar com aquele gosto coletivo natural masculino, mas não tinha nada a ver com isso. Tanto gostava de mulher que estava ele agora ali com aquela mulata. Que preta linda! Que mulher maravilhosa. Só tinha um defeito, se é que se poderia chamar assim: adorava futebol. Era flamenguista fanática e até sabia de cor a escalação do time de 81, coisa que muito marmanjo dos mais fervorosos torcedores, por incrível que pareça , não sabe.
Encontro tão inusitado entre uma típica brasileira representante do povão e um nerd intelectualóide da Tijuca só poderia dar-se mesmo num meio termo entre o cultural e o popular: ou seja, numa exposição-palestra sobre cultura negra que teria na programação uma roda de samba no final da noite, como demonstração da riqueza e influência fundamental da música negra na cultura brasileira. Interessou aos dois. E ambos se interessaram um pelo outro.
E agora, dois meses depois, estavam ali em frente à TV, ele tentando ser flexível e assistir a um jogo de futebol e ela simplesmente tentando assistir ao jogo de futebol.
- Só no chuveirinho não dá! - instruiu ela - Fica fácil pra defesa! - e bateu com os braços numa demosntrçaõ de desânimo momentâneo.
E ele só observou e assentiu levemente com a cabeça como que concordando.
- Banheira!- gritou ela - Tava na banheira, pô!
- Mas, Preta, não tava no chuveirinho? Não é banheira, você tinha falado chuveirinho. - argumentou ele supondo estar dando alguma contribuição com a correção.
- Não, não tem nada a ver. São coisas diferentes.
E continuou o jogo. Continuou a torcida dela e o constrangimento dele. Até que ela num sobressalto:
- Divide essa bola! - pro jogador na TV.
E ele em tom de dúvida:
- Mas pode dar um pedaço da bola pra cada time? Ah, é melhor porque daí sai mais gols, né?
- Não é isso. Dividida é quando dois vão disputar a bola, chegar junto. - explicou sem tirar os olhos da jogada e seguiu bradando na frente do aparelho:
- Cuida a segunda bola, a segunda bola.
- Ah, mas você falou que não tinham dividido! Como é que agora tem duas bolas?
Até que perdeu a paciência e virou pra ele com o dedo em riste:
- Se tu não me deixar assistir o jogo, eu é que vou arrancar as tuas duas, entendeu?
Ficou quieto pelo resto do jogo.
Por incrível que pareça se dão bem. Continuam juntos. Ele é que procura evitar interagir muito na hora que ela está assistindo ao futebol.
**************************
quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
cotidianas #33 - Metrópole
"É sangue mesmo, não é mertiolate"E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão
**********************************
"Metrópole"
Legião Urbana
letra: Renato Russo
Ouça:
Legião urbana Metrópole
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro
12:09- Corridinha em volta da Lagoa. Dia maravilhoso de sol e um calor agradável. Depois de alguns dias com tempo meio cinzento, todo nundo veio pra rua pra caminhar, correr e passear.
sábado, 3 de julho de 2010
O maníaco da vuvuzela
Este ilustre blogueiro no estande da Sony no FIFA Fan Fest.
Rock'n Roll!!!
(o que é um homem quando perde a noção do ridículo, não?)
Veja outros vídeos do estande Sony na arena da FIFa na praia de Copacabana
http://www.youtube.com/ativacaobloggie
Rock'n Roll!!!
(o que é um homem quando perde a noção do ridículo, não?)
Veja outros vídeos do estande Sony na arena da FIFa na praia de Copacabana
http://www.youtube.com/ativacaobloggie
FIFA FAN FEST - Praia de Copacabana - Rio de Janeiro
DIRETO DA ARENA FIFA FAN FEST - Aproveitei hoje que diminuiu o movimento aqui no FIFA Fan Fest, por conta da desclassificação do Brasil pra assistir Paraguai e Espanha e conhecer a arena da Copa em Copacabana.
Bem legal! Pessoal na areia, choppinho, futebol. Só esperando gol do Paraguai.
Depois eu posto mais. Agora vou ver o jogo.
Bem legal! Pessoal na areia, choppinho, futebol. Só esperando gol do Paraguai.
Depois eu posto mais. Agora vou ver o jogo.
Novidades Animadas
Fiz recentemente duas aquisições relacionadas com o fascinante mundo dos desenhos animados, que de certa forma coloriram nossas infâncias e mesmo hoje ainda fazem mundo marmanjo parar na frente da TV e dar risada das "maldades" do Pica-Pau, do sadismo do Pernalonga ou do silêncio charmoso da Pantera-Cor-de-Rosa:
"ANIMAQ - O ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS", de Paulo Gustavo Pereira
Um deles é "ANIMAQ - O Almanaque dos Desenhos Animados", uma publicação que acaba sendo um adorável exercício de nostalgia para os fãs de desenhos animados. Lembrar de desenhos esquecidos, de personagens queridos, seus gritos de guerra, seus bordões, seus uniformes. O livro faz uma linha de tempo, desde os anos 30 até hoje, com as datas de produção e exibição, com breves descrições do desenho citando origens, apetrechos, frases, temas musicais e em alguns casos episódios marcantes.
Bastante completo e bem pesquisado, vai desde Betty-Boop, passando pelos clássicos da Hanna-Barbera (Zé Colméia, Flintstones, Scooby-Doo), os da Warner Bros. (Pernalonga, Papa-Láguas, Patolino); os heróis da Marvel (Homem-Aranha, Homem-de-Ferro) e os da DC (Batman, Super-Amigos), citando mangás como Speed-Racer e Cavaleiros do Zodíaco, até chegar aos mais atuais como South Park, Dexter ou os Backyardigans.
Ponto negativo são as excessivas repetições de informação, tipo, se um desenho teve mais de uma versão em décadas diferentes, automaticamente alguma informação acaba sendo mencionada novamente no texto da outra temporada, bem como quando faz menção a desenhos relacionados (algo como, falar de Wally Gator na parte dedicada a ele e repetir a informação quando fala da Hiena Hardy porque fazia parte do Show do Wally Gator também) ou voltar a falar de todos eles nos textos especiais sobre as produtoras (HB, Warner Bros., Disney) o que acaba só acumulando linhas, páginas e deixando por vezes uma leitura ou pesquisa que deveria ser prazerosa, cansativa, repetitiva e meio chata. Mas este defeitinho não é suficiente pra derrubar o bom trabalho do autor, Paulo Gustavo Pereira, e no fim das contas o livro é uma viagem bem legal no túnel do tempo.
Nas páginas finais ainda tem uns extras com alguns textos das locuções de abertura de desenhos como o inesquecível da Corrida Maluca, "aqui estão agora os volantes mais birutas do mundo"; e letras das canções tema, como, por exemplo, a do divertido George da Floresta, "George, George, George of the Jungle/ Strong as he can be/ watch out for that tree!", aí ele dava aquele grito longo imitando Tarzã e dava com a cara na árvore.Lembram?
Pois é, o "ANIMAQ" nos traz este refresco de memória.
Um barato!
"SATURDAY MORNING - CARTOONS GREATEST HITS (1995)
E a propósito de canções de desenhos, a outra compra foi o CD "Saturday Morning", que tem trilhas de desenhos animados gravadas por diversas bandas de rock. Foi lançado em 1995 mas só agora o tenho de verdade. Tive em cassete há um tempo atrás, deixei de ter fitas, tentei baixar na internet e não encontrei, e agora como topei com ele por um precinho camarada, trouxe pra casa.
Nem tudo é MUITO BOM. Coisas como a trilha dos Banana Splits cantada por Liz Phair é bem mais-ou-menos, a dos Bugaloos com Colective Soul é outra bem fraquinha, e o Frente! tocando um tema dos Flintstones ("Open Up Your Heart and Let the Sun Shine In") é muito chato. Mas coisas como "Underdog", tema do Vira-Lata - O Super Cão, com os Butthole Surfers, "Gigantor" com o Helmet, o pequeno medley de "Johnny Quest e Pegue o Pombo" do Reverend Horton Heat, e principalmente a punkíssima versão de "Spiderman" dos Ramones, valem o CD.
Pra animar definitivamente as manhãs de sábado ou qualquer hora de qualquer outro dia da semana.
FAIXAS:
1. Tra la la Song (One Banana, Two Banana) [The Banana Splits] - Liz Phair with Material Issue
2. Go, Speed Racer, Go! [From Speed Racer] - Sponge
3. Sugar, Sugar [From the Archie Show] - Mary Lou Lord with Semisonic
4. Scooby-Doo, Where Are You? - Matthew Sweet
5. Josie and the Pussycats - Juliana Hatfield and Tania Donnely
6. The Bugaloos - Collective Soul
7. Underdog - Butthole Surfers
8. Gigantor - Helmet
9. Spiderman - Ramones
10. Johnny Quest/Stop That Pigeon - [from Dastardly and Muttley in their Flying Machines] The Reverend Horton Heat
11. Open Up Your Heart And Let The Sun Shine In - [from The Flintstones] Frente!
12. Eep Opp Ork Ah-Ah (Means I Love You) - [from The Jetsons] Violent Femmes
13. Fat Albert Theme - [from Fat Albert and The cosby Kids] Dig
14. I'm Popeye The Sailor Man - face to face
15. Friends/Sigmund And The Seamonsters - Tripping Daisy
16. Goolie Get-Together - [from The Groovie Goolies] Toadies
17. Hong Kong Phooey - Sublime
18. H.R. Pufnstuf - The Murmurs
19. Happy, Happy, Joy, Joy - [from Ren and Stimpy] Wax
Baixe para ouvir:
Saturday Morning Cartoon Greatest Hits (1995)
"ANIMAQ - O ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS", de Paulo Gustavo Pereira
Um deles é "ANIMAQ - O Almanaque dos Desenhos Animados", uma publicação que acaba sendo um adorável exercício de nostalgia para os fãs de desenhos animados. Lembrar de desenhos esquecidos, de personagens queridos, seus gritos de guerra, seus bordões, seus uniformes. O livro faz uma linha de tempo, desde os anos 30 até hoje, com as datas de produção e exibição, com breves descrições do desenho citando origens, apetrechos, frases, temas musicais e em alguns casos episódios marcantes.
Bastante completo e bem pesquisado, vai desde Betty-Boop, passando pelos clássicos da Hanna-Barbera (Zé Colméia, Flintstones, Scooby-Doo), os da Warner Bros. (Pernalonga, Papa-Láguas, Patolino); os heróis da Marvel (Homem-Aranha, Homem-de-Ferro) e os da DC (Batman, Super-Amigos), citando mangás como Speed-Racer e Cavaleiros do Zodíaco, até chegar aos mais atuais como South Park, Dexter ou os Backyardigans.
Ponto negativo são as excessivas repetições de informação, tipo, se um desenho teve mais de uma versão em décadas diferentes, automaticamente alguma informação acaba sendo mencionada novamente no texto da outra temporada, bem como quando faz menção a desenhos relacionados (algo como, falar de Wally Gator na parte dedicada a ele e repetir a informação quando fala da Hiena Hardy porque fazia parte do Show do Wally Gator também) ou voltar a falar de todos eles nos textos especiais sobre as produtoras (HB, Warner Bros., Disney) o que acaba só acumulando linhas, páginas e deixando por vezes uma leitura ou pesquisa que deveria ser prazerosa, cansativa, repetitiva e meio chata. Mas este defeitinho não é suficiente pra derrubar o bom trabalho do autor, Paulo Gustavo Pereira, e no fim das contas o livro é uma viagem bem legal no túnel do tempo.
Nas páginas finais ainda tem uns extras com alguns textos das locuções de abertura de desenhos como o inesquecível da Corrida Maluca, "aqui estão agora os volantes mais birutas do mundo"; e letras das canções tema, como, por exemplo, a do divertido George da Floresta, "George, George, George of the Jungle/ Strong as he can be/ watch out for that tree!", aí ele dava aquele grito longo imitando Tarzã e dava com a cara na árvore.Lembram?
Pois é, o "ANIMAQ" nos traz este refresco de memória.
Um barato!
"SATURDAY MORNING - CARTOONS GREATEST HITS (1995)
E a propósito de canções de desenhos, a outra compra foi o CD "Saturday Morning", que tem trilhas de desenhos animados gravadas por diversas bandas de rock. Foi lançado em 1995 mas só agora o tenho de verdade. Tive em cassete há um tempo atrás, deixei de ter fitas, tentei baixar na internet e não encontrei, e agora como topei com ele por um precinho camarada, trouxe pra casa.
Nem tudo é MUITO BOM. Coisas como a trilha dos Banana Splits cantada por Liz Phair é bem mais-ou-menos, a dos Bugaloos com Colective Soul é outra bem fraquinha, e o Frente! tocando um tema dos Flintstones ("Open Up Your Heart and Let the Sun Shine In") é muito chato. Mas coisas como "Underdog", tema do Vira-Lata - O Super Cão, com os Butthole Surfers, "Gigantor" com o Helmet, o pequeno medley de "Johnny Quest e Pegue o Pombo" do Reverend Horton Heat, e principalmente a punkíssima versão de "Spiderman" dos Ramones, valem o CD.
Pra animar definitivamente as manhãs de sábado ou qualquer hora de qualquer outro dia da semana.
FAIXAS:
1. Tra la la Song (One Banana, Two Banana) [The Banana Splits] - Liz Phair with Material Issue
2. Go, Speed Racer, Go! [From Speed Racer] - Sponge
3. Sugar, Sugar [From the Archie Show] - Mary Lou Lord with Semisonic
4. Scooby-Doo, Where Are You? - Matthew Sweet
5. Josie and the Pussycats - Juliana Hatfield and Tania Donnely
6. The Bugaloos - Collective Soul
7. Underdog - Butthole Surfers
8. Gigantor - Helmet
9. Spiderman - Ramones
10. Johnny Quest/Stop That Pigeon - [from Dastardly and Muttley in their Flying Machines] The Reverend Horton Heat
11. Open Up Your Heart And Let The Sun Shine In - [from The Flintstones] Frente!
12. Eep Opp Ork Ah-Ah (Means I Love You) - [from The Jetsons] Violent Femmes
13. Fat Albert Theme - [from Fat Albert and The cosby Kids] Dig
14. I'm Popeye The Sailor Man - face to face
15. Friends/Sigmund And The Seamonsters - Tripping Daisy
16. Goolie Get-Together - [from The Groovie Goolies] Toadies
17. Hong Kong Phooey - Sublime
18. H.R. Pufnstuf - The Murmurs
19. Happy, Happy, Joy, Joy - [from Ren and Stimpy] Wax
Baixe para ouvir:
Saturday Morning Cartoon Greatest Hits (1995)
Cly Reis
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Dessa laranja fazer uma laranjada
De todo o monte de baboseiras que a imprensa insistiu em dizer nestes últimos meses, eu, mesmo apoiando o trabalho do técnico Dunga, tenho que dar o braço a torcer e admitir que nesta Copa, já estava caindo de maduro que em algum momento a Seleção teria sérias dificuldades ao enfrentar um adversário bem armado que não permitisse brilhos individuais, sobretudo do trio Robinho, Kaká e Luís Fabiano; e que não teria opções ou variações para mudar um jogo em circunstâncias adversas. Intimamente torcia e imaginava que Dunga tivesse alguma carta na manga, que já tivesse um plano B para esta iminente situação. Mas não tinha.
O Brasil perdia o jogo e Dunga tinha já lançado todas as suas fichas e só restava insistir nelas pois olhava para o banco e não via ninguém que pudesse fazer alguma coisa diferente, mudar sua proposta, por uma singela razão: ele não levara este jogador.
Na época da convocação entendi os critérios de convocação e somente me incomodava o fato de não ter sido levado outro jogador criativo de meio, algum como o Kaká; fosse quem fosse - Diego da Juventus, Alex do Fenerbache da Turquia, Ricardinho do Galo (mesmo veterano), o reclamado e talentosdo jovem Ganso, ou mesmo o irregular e pipoqueiro Ronaldinho Gaúcho. Achava que faltava um destes ali no banco pra uma hora dessas que o nosso meia fosse suspenso (como aconteceu), ou que faltasse criatividade, ou que precisasse dividir a atenção dos marcadores adversários; mas dava meu crédito para um grupo que tinha se virado bem até então com muitas vitórias e conquistas jogando deste jeito. Mas ficou previsível demais, infelizmente e todo mundo sabia que anulando Kaká, marcando Robinho, a bola não ia chegar no ataque e Luís Fabiano não sobreviveria sem ela.
Tá certo que o primeiro gol laranja foi um grande golpe de sorte da Holanda; mas sorte, acaso, cruzamentos diretos pro gol, choques entre goleiro e jogadores, acontecem num jogo de futebol e deve-se estar preparado para coisas assim, sobretudo psicologicamente, e no psicológico foi principalmente onde o Brasil demonstrou estar muito fraco, tendo desmoronado depois da virada, tornando-se presa fácil para um segundo gol e uma ameaça controlável para os holandeses depois dele. Mas, amigos, tudo isso sem esquecer de uma coisa muito importante: não jogamos contra qualquer um. E é bom salientar-se isso porque parece sempre em copas que o Brasil tem que entrar em campo só pra cumprir um protocolo, pois o jogo já está ganho só pela camiseta, e não é bem assim. Copa do Mundo tem adversários e muitos deles são qualificados, e quando o são, jogos são definidos em detalhes, táticos, físicos e até mesmo nos detalhes emocionais também.
Não sou dos que acham que tudo foi um lixo, um horror, que nada se justificou ou valeu à pena, mas inegavelmente a derrota acabou por confirmar algumas desconfianças, ainda que não desvalorizem de todo o bom trabalho realizado. Afinal de contas quantas seleções brasileiras de técnicos mais renomados também não morreram nas quartas? Telê por duas vezes, Parreira, Lazzaroni (pior, nas oitavas). Dunga era um novato e não foi pior do que qualquer um destes seja lá pelos motivos que for. Poderia ter sido melhor, sim, em desempenho, e este era o desafio. Infelizmente não vencido.
O que é necessário sim, é a partir desta derrota encontrar, para a Copa do Mundo do Brail em 2014, um meio-termo entre a seriedade quase rude do trabalho do Dunga e a excessiva "liberdade" da Copa na Alemanha; pegar como exemplo a união deste grupo, o jeito de "clube" que Dunga conseguiu dar a uma seleção que se reunia a cada três meses e acrescentar uma dose maior de talento individual como se tinha em 2006 com Ronaldo, Adriano, R. Gaúcho, mas que naquela oportunidade via-se apagada pelos interesses pessoais e bagunça geral do ambiente; talvez ter uma convocação final mais equilibrada, ter convicções, sim,mas não ser intransigente; não se deixar pisotear pela imprensa mas ter um pouco mais de classe; um pouco de cada coisa. Tirar lições, aprender com os erros e desta laranja, fazer, quem sabe uma bela laranjada.
O Brasil perdia o jogo e Dunga tinha já lançado todas as suas fichas e só restava insistir nelas pois olhava para o banco e não via ninguém que pudesse fazer alguma coisa diferente, mudar sua proposta, por uma singela razão: ele não levara este jogador.
Na época da convocação entendi os critérios de convocação e somente me incomodava o fato de não ter sido levado outro jogador criativo de meio, algum como o Kaká; fosse quem fosse - Diego da Juventus, Alex do Fenerbache da Turquia, Ricardinho do Galo (mesmo veterano), o reclamado e talentosdo jovem Ganso, ou mesmo o irregular e pipoqueiro Ronaldinho Gaúcho. Achava que faltava um destes ali no banco pra uma hora dessas que o nosso meia fosse suspenso (como aconteceu), ou que faltasse criatividade, ou que precisasse dividir a atenção dos marcadores adversários; mas dava meu crédito para um grupo que tinha se virado bem até então com muitas vitórias e conquistas jogando deste jeito. Mas ficou previsível demais, infelizmente e todo mundo sabia que anulando Kaká, marcando Robinho, a bola não ia chegar no ataque e Luís Fabiano não sobreviveria sem ela.
Tá certo que o primeiro gol laranja foi um grande golpe de sorte da Holanda; mas sorte, acaso, cruzamentos diretos pro gol, choques entre goleiro e jogadores, acontecem num jogo de futebol e deve-se estar preparado para coisas assim, sobretudo psicologicamente, e no psicológico foi principalmente onde o Brasil demonstrou estar muito fraco, tendo desmoronado depois da virada, tornando-se presa fácil para um segundo gol e uma ameaça controlável para os holandeses depois dele. Mas, amigos, tudo isso sem esquecer de uma coisa muito importante: não jogamos contra qualquer um. E é bom salientar-se isso porque parece sempre em copas que o Brasil tem que entrar em campo só pra cumprir um protocolo, pois o jogo já está ganho só pela camiseta, e não é bem assim. Copa do Mundo tem adversários e muitos deles são qualificados, e quando o são, jogos são definidos em detalhes, táticos, físicos e até mesmo nos detalhes emocionais também.
Não sou dos que acham que tudo foi um lixo, um horror, que nada se justificou ou valeu à pena, mas inegavelmente a derrota acabou por confirmar algumas desconfianças, ainda que não desvalorizem de todo o bom trabalho realizado. Afinal de contas quantas seleções brasileiras de técnicos mais renomados também não morreram nas quartas? Telê por duas vezes, Parreira, Lazzaroni (pior, nas oitavas). Dunga era um novato e não foi pior do que qualquer um destes seja lá pelos motivos que for. Poderia ter sido melhor, sim, em desempenho, e este era o desafio. Infelizmente não vencido.
O que é necessário sim, é a partir desta derrota encontrar, para a Copa do Mundo do Brail em 2014, um meio-termo entre a seriedade quase rude do trabalho do Dunga e a excessiva "liberdade" da Copa na Alemanha; pegar como exemplo a união deste grupo, o jeito de "clube" que Dunga conseguiu dar a uma seleção que se reunia a cada três meses e acrescentar uma dose maior de talento individual como se tinha em 2006 com Ronaldo, Adriano, R. Gaúcho, mas que naquela oportunidade via-se apagada pelos interesses pessoais e bagunça geral do ambiente; talvez ter uma convocação final mais equilibrada, ter convicções, sim,mas não ser intransigente; não se deixar pisotear pela imprensa mas ter um pouco mais de classe; um pouco de cada coisa. Tirar lições, aprender com os erros e desta laranja, fazer, quem sabe uma bela laranjada.
Cly Reis
quarta-feira, 30 de junho de 2010
cotidianas #32
"Creio que não saio mais hoje;
mas que hei de fazer com estes pobres olhos?
Ler é piorá-los; ah! se eu soubesse música!
Pegava o violino, trancava bem as portas
para não ser ouvido pela vizinhança,
e deixava-me ir atrás do arco.
Talvez saia a passeio..."
Conselheiro Aires em "Memorial de Aires"
de Machado de Assis
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domingo, 27 de junho de 2010
Os Causo de Dois Morro - "Os Firme em 6D"
Essas coisa que se fala mutcho hojendia de cinema 3D, pra nóis lá de Dois Morro não tem novidade nehuma.
Há mutcho tempo que nóis da cidade já vê os firme em várias mutcha dimensão. Mas o de lá é tão meór, tão mais vançado que os de oncêis que nem é mais 3D, chega a ser 6D. Pois é!
E tomém não tem essas frescura de botá ósculos na entrada do cinema. Em Dois Morro, pra vê nos 6D o vivente chega na bileteria compra as entrada e uma garrafa de pinga. Mas não num pode sê quarqué cachaça; tem que sê a que é feita no lambique da Dona Gervásia. Aí sim!
Aí que entonces o vivente entra, toma assento e vai vê a película. Acontece que o cidadão fica tão lôco, tão desvairado dispois de tomá aquilo que começa a imaginá que as coisa tão saindo da tela de verdade. É coisa de lôco, mesmo! Das vêiz vira um pânico só. Uma gritaria no cinema porcaus'que as pessoa acha que o aeroprano vai cair ali, que matador vai les cravá a faca, ou que o trem vai passá por cima.
Foi o que se passô uma vêiz quando uns tar de ermão Lumié foro passá lá em Dois Morro um firme dum trem, uma cousa assim. Sei que a indiada, que já tinha tomado mais de uma garrafa da mardita, saiu correndo de drento do cinema com medo da locomotiva. Cambada de guinorante!!!
Sei que agora, por esses dia, andô passando lá um tar de "Ah, vai tarde" dum cineastra locar chamado Jaime Camarão. Bão o firme, até. A peonada só ficou um pôco sustada com aqueles bicho azur, mas daí atiravo na tela e os bicho morrío. Com o 6D parecia té que as criatura azur do firme tavo ali do ladinho. Das vêiz dava té pra sentir o bafo da cachaça do bicho. Como no mais das vêiz nóis cabava dormindo no cinema de tão borracho, só depois quando acordava nôtro dia é que percebia que a criatura do firme era o vizinho da cadêra do lado que, por sinar, já tinha tomado todas e achava que o ôtro tomém era da história. No fim das conta ficava tudo bom. ninguém tinha entendido nada da história mas o portante era que tinho ido no cinema e enchido os corno.
Agora, pobrema mesmo é quando passa firme de bangue-bangue. Nossa Senhora... Aí não sai quase ninguém vivo. É bala comendo em 6D pra tudo que é lado.
postado por Chico Lorotta
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Há mutcho tempo que nóis da cidade já vê os firme em várias mutcha dimensão. Mas o de lá é tão meór, tão mais vançado que os de oncêis que nem é mais 3D, chega a ser 6D. Pois é!
E tomém não tem essas frescura de botá ósculos na entrada do cinema. Em Dois Morro, pra vê nos 6D o vivente chega na bileteria compra as entrada e uma garrafa de pinga. Mas não num pode sê quarqué cachaça; tem que sê a que é feita no lambique da Dona Gervásia. Aí sim!
Aí que entonces o vivente entra, toma assento e vai vê a película. Acontece que o cidadão fica tão lôco, tão desvairado dispois de tomá aquilo que começa a imaginá que as coisa tão saindo da tela de verdade. É coisa de lôco, mesmo! Das vêiz vira um pânico só. Uma gritaria no cinema porcaus'que as pessoa acha que o aeroprano vai cair ali, que matador vai les cravá a faca, ou que o trem vai passá por cima.
Foi o que se passô uma vêiz quando uns tar de ermão Lumié foro passá lá em Dois Morro um firme dum trem, uma cousa assim. Sei que a indiada, que já tinha tomado mais de uma garrafa da mardita, saiu correndo de drento do cinema com medo da locomotiva. Cambada de guinorante!!!
Sei que agora, por esses dia, andô passando lá um tar de "Ah, vai tarde" dum cineastra locar chamado Jaime Camarão. Bão o firme, até. A peonada só ficou um pôco sustada com aqueles bicho azur, mas daí atiravo na tela e os bicho morrío. Com o 6D parecia té que as criatura azur do firme tavo ali do ladinho. Das vêiz dava té pra sentir o bafo da cachaça do bicho. Como no mais das vêiz nóis cabava dormindo no cinema de tão borracho, só depois quando acordava nôtro dia é que percebia que a criatura do firme era o vizinho da cadêra do lado que, por sinar, já tinha tomado todas e achava que o ôtro tomém era da história. No fim das conta ficava tudo bom. ninguém tinha entendido nada da história mas o portante era que tinho ido no cinema e enchido os corno.
Agora, pobrema mesmo é quando passa firme de bangue-bangue. Nossa Senhora... Aí não sai quase ninguém vivo. É bala comendo em 6D pra tudo que é lado.
postado por Chico Lorotta
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sábado, 26 de junho de 2010
Michael Jackson - "Thriller" (1982)
"Pois nenhum mero mortal pode resistir
À malevolência do terror."
trecho do texto narrado por Vincent Price
na música "Thriller"
na música "Thriller"
Como não destacar um álbum que até hoje é o mais vendido de todos os tempos, que fez do artista nada mais nada menos que o rei do pop e que teve a música que revolucionou a linguagem do videoclipe e da exposição de artistas em TV para sempre? É lógico que os méritos não ficam limitados a isso. Sonoramente a obra acaba sendo uma das que melhor aproxima toda a musicalidade de cultura negra tentada, experimentada, inventada até então do grande púbico. Funde-se funk, soul, jazz, disco, R&B de uma maneira tal que acabou por se consolidar como a fórmula certa do pop (digo "certa" no sentido de alcançar-se grandes vendagens, popularidade e público; porque em qualidade, na minha opinião Prince, por exemplo, já havia atingido isso antes e continuou com maior qualidade ainda depois, mas isso, lá, é outra história). Mas criar-se uma "fórmula" para algo tão popular infelizmente tem seu preço, e as as gerações seguintes acabaram vendo então este monte de ccantores de hip-hop, meninas rebolando com vozinhas sensuais, múscas ruins sustentadas apenas por mega-videoclipes e artistas que se baseiam mais em performances coreográficas do que na música.
Sou um daqueles que acham que Quincy Jones inventou Michael Jackson e que o dito Rei do Pop sem ele seria somente mais um na cena, mas não posso deixar de valorizar o resultado da acolhida deste brilhante produtor a um, até então, potencial "menino-prodígio". E se o que se deu desta adoção foi "Thriller" há de se reconhecer que acabou sendo uma das uniões mais felizes da história da música.
********************
Recentemente saiu uma versão comemorativa dos 25 anos do álbum com as faixas originais, vídeos, inclusive com o clássico clipe da faixa-titulo, e remixes com versões com alguns desse pessoalzinho aí que eu disse que formam o "legado" do Jacko: Kanye West, Fergie, Akon e will.i.am. Ou seja, as faixas Bônus, são ônus na verdade.
FAIXAS ORIGINAIS 1982:
1. "Wanna Be Startin' Somethin'" M.Jackson 6:03
2. "Baby Be Mine" R.Temperton 4:20
3. "The Girl is Mine" (com Paul McCartney) M.Jackson 3:42
4. "Thriller" R.Temperton 5:58
5. "Beat It" M.Jackson 4:18
6. "Billie Jean" M.Jackson 4:54
7. "Human Nature" J.Bettis, S.Pocaro 4:06
8. "P.Y.T (Pretty Young Thing)" J.Ingram, Q.Jones 3:59
9. "The Lady In My Life" R.Temperton 4:59
*a edição especial de 2008 conta com uma faixa com a locução de Vincent Price, a mesma da música "Thriller"
EXTRAS EDIÇÃO 25 ANOS:
1. "The Girl is Mine" com will.i.am
2. "P.Y.T (Pretty Young Thing)2008" com will.i.am
3. "Wanna Be Startin' Somethin'" com Akon
4. "Billie Jean" com Fergie
5. "Human Nature" com Kanye West
9. "For all Time" unreleased track from original sessions
DVD DA EDIÇÃO DE 25 ANOS:
1. "Billie Jean" (videoclipe)
2. "Beat It" (videoclipe)
3. "Thriller" (videoclipe)
4. "Billie Jean" (apresentação na festa de 25 anos da Motown na qual imortalizou o passo conhecido como "Moonwalk"
***********************
Aí o clipe de "Thriller" o video que revolucionou o gênero. Praticamente um curta-metragem dirigido por John Landis ("Os Irmãos Car-de-Pau" e "Um Lobisomem Americano em Londres"). Este pequeno filme além virar referência e objeto de imitação, consolidou a linguagem do videoclipe e elevou definitivamente os lançamentos de músicas e álbuns a outro patamar.
Michael Jackson - "Thriller"
Ouça o disco:
Michael Jackson - Thriller 25th. Anniversary Edition
Cly Reis
domingo, 20 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
cotidianas #31 - "Mano a Mano"
Mano a Mano
Meu pára-choque com seu pára-choque
Era um toque
Era um pó que era um só
Eu e meu irmão
Era porreta
Carreta parelha a carreta
Dançando na reta
Meu irmão
Na beira de estrada valeu
O que era dele era meu
Eu era ele
Ele era eu
Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então
Atravessando a garganta
Jamanta fechando jamanta
Na curva crucial
Era uma barra, era engano
Na certa, era cano
Na mão, mano a mano
Pau a pau
Na beira de estrada se deu
Se o que era dele era meu
Ou era ele ou era eu
Ela era estrela
Era flor do sertão
Era pérola d'oeste
Era consolação
Era amor na boléia
Eram cem caminhões
Mas ela era nova
Viçosa, matriz
Era diamantina
Era imperatriz
Era só uma menina
De três corações
E então
Então lavei as mãos
Do sangue do
Meu sangue do
Meu sangue irmão
Chão
de Chico Buarque e João Bosco
******************************************
"Mano a Mano" - Chico Buarque com João Bosco - 1984
Mano a Mano
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Led Zeppelin - "Led Zeppelin" ou "Led Zeppelin IV" ou "Four Symbols", ou "ZoSo" ou "o disco do velho" (1971)
John Paul Jones
Com influências que iam de blues, ao country, a Elvis e a bruxaria, o Led consolidava em "IV" uma sonoridade que iria se tornar pedra fundamental do estilo metal e similares, com muito peso nas guitarras, ritmos acelerados e vocais gritados. "Black Dog", canção que abre o disco é prova e símbolo disso, com aquela guitarra extremamente pesada e mágica de Jimmy Page, alternado tempos com o vocal poderoso e estridente de Robert Plant. Certamente é, ainda hoje, um dos riffs mais conhecidos e lembrados de todos os tempos. Um clássico imortal do rock!
E a propósito de clássico e de rock, o que dizer de um álbum que tem uma música chamada "Rock'n Roll"? Bom, muitos podem ter uma música com este nome, mas provavelmente só o Led conseguiu fazer com que ela remetesse ao estilo com tanta clareza, ficasse marcada pelo nome e virasse um clássico absoluto. Eu mesmo, sempre que ouço o termo rock' roll me vem à cabeça aquele início marcado na bateria de John Bonham, que aliás, "quebra tudo" nesta música. Mas não só ele. Nesta, a guitarra menos distorcida que de costume, conduz uma espécie de blues acelerado, um rockabilly pesado alucinante, num show à parte que se constitui em outro dos riffs mais conhecidos da história da história da música.
Para os mais "populares", este álbum traz ainda o clássico "Stairway to Heaven" que serviu até mesmo de faixa de trilha sonora de novela nos anos 80, fazendo-a alcançar uma grande popularidade até entre os não-fãs e público em geral, mesmo com sua estrutura rica, complexa e sua extensa duração para padrões comerciais.
Todas as 8 faixas são excepcionais mas o disco acaba com outra de minhas favoritas, a poderosa "When the Levee Brakes", sonoramente impactante com sua bateria estrondosa com uma marcação ao que ao mesmo tempo é tem um tom marcial mas é também emocionante e sedutora. Mas Bonham não cria esse fascínio sozinho: a guitarra de Page aqui é mística, mágica e hipnótica; John Paul Jones conduz a linha de maneira segura e forte; e Plant é preciso nos vocais em cada verso, em cada entonação, em cada nota, além da harmônica que toca conferindo um ar ainda mais místico à canção. Um final monumental para um disco fantástico!
Pela seleção privilegiada de faixas do álbum, pelos clássicos que traz, pelo significado no cenário musical, pela consolidação de um estilo, pela importância da obra, pela popularidade, pela sonoridade, por todas estas razões e muitas mais é que "Led Zeppelin IV" é para mim não só o melhor álbum da banda como um dos melhores de todos os tempos. Acho que não cometo nenhuma injustiça em mencioná-lo aqui. Agora, o que também não invalida de daqui a pouco termos aqui na seção um "Led Zeppelin II", por exemplo... Ou o " Led III", ou o "Physical" ou o "Houses"...
Não precisamos ter apenas um, precisamos?
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- "Black Dog" (Page/Plant/Jones) – 4:57
- "Rock and Roll" (Page/Plant/Jones/Bonham) – 3:40
- "The Battle Of Evermore" (Page/Plant) – 5:52
- "Stairway to Heaven" (Page/Plant) – 8:03
- "Misty Mountain Hop" (Page/Plant/Jones) – 4:38
- "Four Sticks" (Page/Plant) – 4:45
- "Going To California" (Page/Plant) – 3:31
- "When The Levee Breaks" (Page/Plant/Jones/Bonham/Minnie) – 7:08
Cly Reis
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Ela se foi, Green!
Há pouco tempo atrás havia postado aqui uma crônica que falava a respeito de um jogador de futebol que com a cabeça inquieta por uma separação recente, falhara num lance decisivo de uma partida ficando aquele momento marcado como o início do ocaso de sua carreira.
Aquilo era ficção. Um conto. Mas não sem um fundo de verdade.
Abordei o assunto porque sei o quanto este tipo de coisa mexe com a cabeça de um homem. Já aconteceu comigo, por que não admitir? Não foi jogando futebol no meu caso; a "perda" me atrapalhou nos estudos, na faculdade. Não conseguia pensar em outra coisa e não tinha ânimo pra nada como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. É passado, foi outro momento, é superado, mas desde então entendo o que se passa quando um sujeito está assim.
Lembro também, na época que tinha meu time de bairro, de, na condição de técnico, receber um desabafo de um garoto que passava por má fase alegando mais ou menos isso: brigara com a namorada, estava triste, abatido, não conseguia fazer gols, não rendia bem.
Aconteceu também com o pugilista Popó, se vocês não lembram, que depois de ter rompido o relacionamneto com a noiva adiou lutas, voltou a lutar fora de forma, perdeu outras tantas e declinou bruscamente em uma carreira bastante exitosa até então para sua categoria.
E agora não é que vem à tona de novo o fator "dor-de-corno"?
Um dos frangos mais incríveis e espetaculares ocorridos em copas do mundo teria acontecido exatamente porque o goleiro inglês Green estaria abalado com o fim de um relacionamento.
Um chute meio despretensioso da entrada da área. Não muito forte.O goleiro da seleção inglesa se abaixa na direção da bola pra encaixá-la; prendê-la contra o peito e segurar firme. Mas cai ajoelhado meio de lado, sem fazer o que manda a cartilha do goleiro - proteger a bola com o corpo atrás dela. Vai pra pegar a bola meio que como se já estivesse convicto de tê-la ou pensando já em repor em jogo, ou no próximo ataque, no posicionamento, ou quem sabe na namorada... Mas ela (a bola) não estava segura e lhe escorre pelas luvas, lentamente. Mas rápida o suficiente para não dar-lhe tempo de voltar e busá-la. Ela passou e como se diz no futebol para um frango clássico, ele só ficou com as penas na mão.
Ela escapou, Green. Quem? A bola? A Namorada? As duas.
Onde você estava com a cabeça Green?
Na namorada? Na separação?
Não duvido, Green. Compreendo. Isso acontece.
Como escreveu uma vez Françoise Segan, "os homens são animais de hábitos e sempre sofrem mais com a separação.". Eu compreendo, Green.
Agora, compreendo, mas, humildemente, aconselho o técnico da seleção inglesa Fabio Capello (ainda que com certeza ele não venha a ler-me), a tirá-lo do time. Uma cabeça assim, inquieta e atormentada por um golpe que para ele tem a dimensão de uma copa do Mundo, e com o qual o cara não está sabendo lidar, somado a um recente fracasso pessoal tão grandioso como foi aquele gol que custou a vitória de sua equipe, constituem-se em uma ameaça constante sob as traves.
Green só vai voltar a ser o mesmo se ela (a namorada) voltar ou se esquecê-la. Já a bola que escapou, não volta e talvez ele não a esqueça tão cedo.
E não dá pra ficar esperando ou apostando que ele as supere.
Aquilo era ficção. Um conto. Mas não sem um fundo de verdade.
Abordei o assunto porque sei o quanto este tipo de coisa mexe com a cabeça de um homem. Já aconteceu comigo, por que não admitir? Não foi jogando futebol no meu caso; a "perda" me atrapalhou nos estudos, na faculdade. Não conseguia pensar em outra coisa e não tinha ânimo pra nada como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. É passado, foi outro momento, é superado, mas desde então entendo o que se passa quando um sujeito está assim.
Lembro também, na época que tinha meu time de bairro, de, na condição de técnico, receber um desabafo de um garoto que passava por má fase alegando mais ou menos isso: brigara com a namorada, estava triste, abatido, não conseguia fazer gols, não rendia bem.
Aconteceu também com o pugilista Popó, se vocês não lembram, que depois de ter rompido o relacionamneto com a noiva adiou lutas, voltou a lutar fora de forma, perdeu outras tantas e declinou bruscamente em uma carreira bastante exitosa até então para sua categoria.
E agora não é que vem à tona de novo o fator "dor-de-corno"?
Um dos frangos mais incríveis e espetaculares ocorridos em copas do mundo teria acontecido exatamente porque o goleiro inglês Green estaria abalado com o fim de um relacionamento.
Um chute meio despretensioso da entrada da área. Não muito forte.O goleiro da seleção inglesa se abaixa na direção da bola pra encaixá-la; prendê-la contra o peito e segurar firme. Mas cai ajoelhado meio de lado, sem fazer o que manda a cartilha do goleiro - proteger a bola com o corpo atrás dela. Vai pra pegar a bola meio que como se já estivesse convicto de tê-la ou pensando já em repor em jogo, ou no próximo ataque, no posicionamento, ou quem sabe na namorada... Mas ela (a bola) não estava segura e lhe escorre pelas luvas, lentamente. Mas rápida o suficiente para não dar-lhe tempo de voltar e busá-la. Ela passou e como se diz no futebol para um frango clássico, ele só ficou com as penas na mão.
Ela escapou, Green. Quem? A bola? A Namorada? As duas.
Onde você estava com a cabeça Green?
Na namorada? Na separação?
Não duvido, Green. Compreendo. Isso acontece.
Como escreveu uma vez Françoise Segan, "os homens são animais de hábitos e sempre sofrem mais com a separação.". Eu compreendo, Green.
Agora, compreendo, mas, humildemente, aconselho o técnico da seleção inglesa Fabio Capello (ainda que com certeza ele não venha a ler-me), a tirá-lo do time. Uma cabeça assim, inquieta e atormentada por um golpe que para ele tem a dimensão de uma copa do Mundo, e com o qual o cara não está sabendo lidar, somado a um recente fracasso pessoal tão grandioso como foi aquele gol que custou a vitória de sua equipe, constituem-se em uma ameaça constante sob as traves.
Green só vai voltar a ser o mesmo se ela (a namorada) voltar ou se esquecê-la. Já a bola que escapou, não volta e talvez ele não a esqueça tão cedo.
E não dá pra ficar esperando ou apostando que ele as supere.
C.R.
cotidianas #27 - Casamento Grampeado
Achei incrível a notícia de um casamento interrompido pela polícia?
Uau! Demais!!! Hehehehe!!!
O lance foi que a polícia desbaratou um bando de fraudadores de cartões de crédito (veja a notícia do site G1) e soube que estariam todos juntos em um evento, e eis que o anunciado convescote era nada mais nada menos que o casamento de dois integrantes da gangue.
Chegaram e levaram todo mundo em cana!
Bárbaro!!!
E a gente que ria da situação hilária da música "Defunto Grampeado" interpretada classicamente por Bezerra da Silva, nunca imaginou que a situação aconteceria de modo praticamente igual ... só que num casamento.
****************
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Mas aquela atitude causou muito espanto e admiração
Até o vigário 171 dizia que aquilo era anti-cristão
Fechou o tempo lá no cemitério,
Ninguém entendeu a tal voz de prisão!
Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?
Sururu formado, aí gente boa!
Sururu formado! onde foi que já se viu
Um defunto grampeado?
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
E os acompanhantes estavam por fora e desinteirados
Somente o vigário e a malandragem
Sabiam quem ali ia ser enterrado
Quando os tiras chegaram perto do caixão
Eles gritaram: "meu deus, fomos caguetados!"
Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando os homens abriram o caixão
O defunto era apenas cabrito importado!
Sururu formado, falei malandragem!
Sururu formado! quando o vigário sentiu o flagrante perfeito
Quis sair de pinote, mas foi logo algemado!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Parem o enterro, gritaram os homens da lei!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
Nós temos ordem pra levar esse defunto pra xadrez!
********************************
"Defunto Grampeado"
(Pedro Butina e Evandro Do Galo)
Ouça:
Bezerra da Silva- Defunto Grampeado
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
cotidianas #30 - Dia dos Namorados
Eu, tendo deixado para o último dia, pra última hora pra comprar alguma coisa pra minha esposa, entrei numa floricultura no caminho pra casa, voltando do trabalho. Lá escolhi as flores, pedi uma dúzia de rosas, paguei, e ao sair da loja, já na calçada, uma moça que passava na rua, falou "Ai, moço, dá uma pra mim!". Eu imaginei que fosse só um gracejo por achar bonitas as flores, sorri e segui em direção ao carro que estava estacionado ali perto. Mas a moça, incrivelmente insistiu, "não tem uma pra mim?". "Como é que é?" Pensei.
"Me dá uma!", insistiu a garota. Aí tive que responder "não posso, são pra minha esposa" ao que ela respondeu indignada, "Mal educado!!!". Como seu eu tivesse obrigação de dar uma flor a ela porque ela ou não tem namorado ou porque era muito feia. Pode isso?
Ainda tive que ouvir uma coisa desses!
Se tivermos que dar uma rosa a cada solitária carente que pede uma flor nas ruas, o Dia dos Namorados vai virar também o "Dia de Solidariedade às Feiosas Encalhadas" além de correr-se o risco de chegar sem nenhuma flor do buquê em casa.
Cly Reis
quarta-feira, 9 de junho de 2010
cotidianas #29
Fico impressionado com jogadores que vão bater uma falta, que seja, e jogam a bola lá na arquibancada.
Que horror!
Fico pensando "eles só fazem isso da vida", "eles só tem que treinar pra chutar bem". É inadmissível!
Lembro que quando garoto, eu e mais alguns amigos, ficávamos chutando em gol a tarde inteira. Horas. Como se estivéssemos batendo falta num jogo mesmo. Às vezes imitando o posicionamento, o modo de partir pra bola de determinados batedores. O Éder, o Zico, o Dinamite. Chegamos a um ponto tal de precisão que só valia gol se fosse lá na forquilha, no ângulo, mais precisamente, onde a coruja dorme. Só se batesse no travessão em cima e dentro do gol embaixo, atrás da linha, como o gol do Valdomiro contra o Corinthinas em 76. Gol de "dois-de-blum" como se chama às vezes, ou de "paulistão" como também é conhecido.
Como todo moleque, no início da "carreira de peladas" alimentava aquela fantasia de ser jogador de futebol. O primeiro avante que vi jogar tinha sido o Geraldão que fez 5 gols em dois GreNais seguidos e eu fiquei fã do cara. Mas logo, logo, por conta da minha comprovada deficiência técnica, acabei me desestimulando da idéia de ser um craque dos gramados e tive que me conformar em jogar apenas no time que eu mesmo fundei no meu bairro. Nunca joguei grande coisa, é verdade, mas a precisão conseguida em horas e horas de "treino" me garantiu a possibilidade de durante um bom tempo jogar de centroavante no meu time com algum êxito até, e não apenas por ser o dono dele. Por mais que fosse um jogador limitado, se caísse pra mim, em condições de chutar, era "caixa" e acabei sendo goleador do time por várias temporadas. Aí que, hoje, vendo por exemplo, um jogador como o Washington, do São Paulo, ex-Flu, ex-Inter, ex-Grêmio, que só jogou em times grandes e não sabe dominar uma bola, eu vejo que até dava pra insistir.
E agora eu vejo os jogadores, numa Copa do Mundo, em gramados que são verdadeiros tapetes, em condições ideias de temperatura e pressão me reclamar da tal da Jabulani, a bola oficial da competição. Tão de brincadeira, né! Nem parece que a vida inteira jogaram com verdadeiros "caroços" num saibro duro, ou com uma bola de borracha nos paralelepípedos da rua, ou com a bola furada mesmo só pro jogo não acabar.
A gente usava a bola até o fim. Até o último gomo soltar. E nem por isso deixava de guardar lá na gaveta, lá onde a coruja dorme. De dois-de-blum.
O que tão fazendo já é armar a desculpa pr'aquele chute que vai lááá no placar eletrônico. Aquele tipo de jogada que dá a deixa pro narrador dar a pausa pros comercias sem nem se dar ao trabalho de narrar a jogada bisonha que acaba de ver, dizendo apenas "Globo e você, tudo a ver" ou "Bandeirantes, o canal do esporte".
Que horror!
Fico pensando "eles só fazem isso da vida", "eles só tem que treinar pra chutar bem". É inadmissível!
Lembro que quando garoto, eu e mais alguns amigos, ficávamos chutando em gol a tarde inteira. Horas. Como se estivéssemos batendo falta num jogo mesmo. Às vezes imitando o posicionamento, o modo de partir pra bola de determinados batedores. O Éder, o Zico, o Dinamite. Chegamos a um ponto tal de precisão que só valia gol se fosse lá na forquilha, no ângulo, mais precisamente, onde a coruja dorme. Só se batesse no travessão em cima e dentro do gol embaixo, atrás da linha, como o gol do Valdomiro contra o Corinthinas em 76. Gol de "dois-de-blum" como se chama às vezes, ou de "paulistão" como também é conhecido.
Como todo moleque, no início da "carreira de peladas" alimentava aquela fantasia de ser jogador de futebol. O primeiro avante que vi jogar tinha sido o Geraldão que fez 5 gols em dois GreNais seguidos e eu fiquei fã do cara. Mas logo, logo, por conta da minha comprovada deficiência técnica, acabei me desestimulando da idéia de ser um craque dos gramados e tive que me conformar em jogar apenas no time que eu mesmo fundei no meu bairro. Nunca joguei grande coisa, é verdade, mas a precisão conseguida em horas e horas de "treino" me garantiu a possibilidade de durante um bom tempo jogar de centroavante no meu time com algum êxito até, e não apenas por ser o dono dele. Por mais que fosse um jogador limitado, se caísse pra mim, em condições de chutar, era "caixa" e acabei sendo goleador do time por várias temporadas. Aí que, hoje, vendo por exemplo, um jogador como o Washington, do São Paulo, ex-Flu, ex-Inter, ex-Grêmio, que só jogou em times grandes e não sabe dominar uma bola, eu vejo que até dava pra insistir.
E agora eu vejo os jogadores, numa Copa do Mundo, em gramados que são verdadeiros tapetes, em condições ideias de temperatura e pressão me reclamar da tal da Jabulani, a bola oficial da competição. Tão de brincadeira, né! Nem parece que a vida inteira jogaram com verdadeiros "caroços" num saibro duro, ou com uma bola de borracha nos paralelepípedos da rua, ou com a bola furada mesmo só pro jogo não acabar.
A gente usava a bola até o fim. Até o último gomo soltar. E nem por isso deixava de guardar lá na gaveta, lá onde a coruja dorme. De dois-de-blum.
O que tão fazendo já é armar a desculpa pr'aquele chute que vai lááá no placar eletrônico. Aquele tipo de jogada que dá a deixa pro narrador dar a pausa pros comercias sem nem se dar ao trabalho de narrar a jogada bisonha que acaba de ver, dizendo apenas "Globo e você, tudo a ver" ou "Bandeirantes, o canal do esporte".
terça-feira, 8 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Eu vou torcer pelo Dunga
Não sou dos mais fervorosos torcedores de Seleção Brasileira. É meio que natural de nós gaúchos que de certa forma temos “outra pátria”. Pra nós, mais do que pra qualquer outro torcedor no país, nossos clubes, Inter e Grêmio, estão acima da Seleção e nos orgulhamos muito por exemplo de nunca termos perdido pra seleção nacional quando houve enfrentamento com a Seleção Gaúcha. Tem o clássico episódio que já contei no blog, do 3x3 no Beira-Rio em 1972 que a gauchada queria matar um “brasileiro” que vibrara com um gol dos Canarinho.
Não fiquei indiferente aos títulos. Vibrei sim com os títulos de 94 e 2002, mas tenho que admitir que há bastante tempo não me empolgo com Seleção. Acho que nem no fracasso de 82, quando tinha 8 anos, não fiquei muito decepcionado porque na verdade não me dizia muita coisa o Brasil sair de uma Copa. Eu já sabia que tinha outros tantos participantes e podia ganhar ou perder, ué! Acontece! Desde aquele tempo fiquei com a sensação de que o povo e a imprensa acham que a Seleção Brasileira joga Copa sozinha e é só formalidade ir lá buscar a taça. E não é. Sem contar que, mesmo criança, aquele time não me inspirava muita confiança depois de ter ganho com as calças na mão da URSS, ter dado show nos galinhas–mortas da Nova Zelândia e só ter, até o jogo com a Itália, jogado bem mesmo UMA vez, contra a Argentina. Mas deixa isso pra lá.
O que acontece é que pra mim Copa do Mundo nos últimos tempos mais atrapalha do que me interessa. Estou muito mais interessado no que vai acontecer na semifinal da Libertadores, na seqüência do Brasileirão, nas finais da Copa do Brasil do que em Copa do Mundo. Adoro futebol e por isso vou assistir ao máximo de jogos (interessantes) que puder; mas é porque existe e está ali, no mais, se pudesse não ter ou quem sabe se não fosse agora, seria melhor.
Por conta deste desestímulo, estava com uma indiferença enorme em relação à Seleção Braileira. Estava na verdade torcendo mais pra Inglaterra, com quem simpatizo bastante e acho que está na hora de ganhar de novo aproveitando a melhor geração desde o título de 66; ou para a Holanda que duas vezes com times muito bons bateu na trave ou mesmo, quase inutilmente, para a Celeste Olímpica, que não tem a menor chance. Mas no fim das contas resolvi que vou torcer SIM para o Brasil. Ou melhor: vou torcer pro Dunga.
só me estimula mesmo torcer para o Brasil pra parar esta babaquice coletiva de pegar no pé do cara. E sem motivo! Talvez tenha sido a seleção brasileira que chega mais confiável, coesa, fechada e entrosada. Ganhou Copa América, Copa das Confederações, chegou em primeiro nas Eliminatórias classificando com antecipação e em todo o tempo desde que o cara assumiu desacreditado (a princípio até por mim) só perdeu 5 partidas, sendo que ganhou fácil da Itália, goleou a Argentina (duas vezes) e ainda ganhou na casa deles nas eliminatórias, destruiu Portugal com um 6x2, e deu um chocolate no Uruguai em Montevidéu como há muito não acontecia.
Agora porque não convocaram este fulaninho ou aquele, a IMPRENSA, principalmente de RJ-SP, põe na cabeça do povo, que é burro e influenciável, que a seleção é fraca, que tá tudo errado, que tem muitos volantes, que não tem talento, que é uma seleção sem técnica. Ah, peraí um pouquinho! Não tem técnica quem faz aquele gol de troca de passes contra a Itália na Copa das Confederações? E foi um dos "volantes". E aquele do Luís Fabiano contra a Argentina em Rosário não teve técnica. velocidade, conclusão, beleza? E o que falar dos gols contra Portugal? Todos trabalhados.É triste principalmente neste época de Copa quando muito mais mulheres, crianças e pessoas que não acompanham futebol o ano inteiro passam a se ligar na seleção, como a informação chega moldada pra estas cabeças e aí fica fácil formar opinião de quem não tem nenhuma e está ávido exatamente para que, os teoricamente entendidos e profissionais, lhes transmitam alguma coisa. O problema é que muitos não são entendidos, outros estão ultrapassados e muitos sequer são profissionais, permitindo que vaidades, interesses regionais ou pessoais influenciem em suas críticas.
Vou torcer pelo Dunga para que ele prove que o que está tendo é coerência. Palavra tão cobrada de outros treinadores e seguida profissionalmente por Dunga, mas que desta vez curiosamente está sendo desdenhada e ridicularizada pela crônica esportiva. Vou torcer para o Dunga para que ele mostre que convocou quem convocou porque fazia parte de um projeto, de um interesse comum, de um compromisso coletivo, ao contrário do que acontecera, principalmente na Alemanha em 2006 quando se sobrepunham os interesses individuais deste atingir tantos gols, do outro atingir tantos jogos, daquele bater tal recorde, e incrivelmente, alguns daqueles jogadores não só foram perdoados como tiveram seus nomes reclamados no atual grupo. Poucas vezes, desde que os calendários ficaram mais apertados, que os jogadores brasileiros em sua maioria passaram a atuar fora, que a Seleção Brasileira conseguiu montar um TIME. Dunga mesmo encontrando seus jogadores a cada 3 ou 4 meses tem o grupo como se os visse todos os dias e isso é um mérito ao contrário do que querem fazer parecer. Não se pode num grupo assim colocar elementos “estranhos” sem que tenham comprovada uma integração, por mais que seja comprovada sua qualidade, mas que, por outro lado, não tenham provado sua estabilidade. E aí falo dos tais “Meninos da Vila” que não poderiam sem mais nem menos figurar numa lista de Copa do Mundo por terem jogado bem durante 3 meses. É fantasioso, amigos. É fácil para um comentarista falar mas ele não o faria. Você não faria na sua empresa, no seu grupo de trabalho. Pense nisso.
A impressão que tenho é que como a coisa chegou muito tranqüila, muito favorável, estão botando”pêlo em ovo’. Estão preparando a explicação para um eventual fracasso já com uma defensiva que é ofensiva, tipo, “eu não disse?”, “nós avisamos”, quando era hora de louvar esta estabilidade do grupo, dos resultados, e deixar trabalhar com tranqüilidade. É lógico que a relação Dunga-imprensa fica agravada na medida em que o técnico não oferece as facilidades que os jornalistas estão acostumados, não fala o que os eles querem ouvir e demonstra uma convicção poucas vezes vista mesmo em treinadores mais calejados o que não dá margem a especulações nem palpites. Definitivamente não era o que a imprensa queria.
Depois de servir de ‘bode expiatório” do equivocado sistema do Lazaroni servindo de apelido pejorativo para uma ERA de futebol dito ruim, e, incrivelmente, não convencendo mesmo ganhando em 94 por causa da babaquice do tal de futebol arte, que eu não sei do que se trata (o lançamento de 3 dedos do Dunga pro gol do Romário contra Camarões não conta, o golaço com “passo de balé” do Romário contra a Holanda não conta, o gol do Bebeto deixando o goleiro no chão e quase entrando com bola e tudo não conta), Dunga vê-se, de novo tendo que brigar contra tudo e contra todos pra provar que está fazendo a coisa certa, que futebol é coletivo, que Seleção é coisa séria, que tem hora pra jogar sério e hora de dar de calcanhar, e etc., etc., etc. E por que que está tendo que provar essas coisas é que, sinceramente, eu não sei.
Não tem nada a ver com ser colorado ou gaúcho, mas por toda essa pegação de pé injustificada eu vou torcer mais pro Dunga ganhar a Copa do que propriamente a Seleção Brasileira. Espero que este, sim, vocês tenham que engolir.
Não fiquei indiferente aos títulos. Vibrei sim com os títulos de 94 e 2002, mas tenho que admitir que há bastante tempo não me empolgo com Seleção. Acho que nem no fracasso de 82, quando tinha 8 anos, não fiquei muito decepcionado porque na verdade não me dizia muita coisa o Brasil sair de uma Copa. Eu já sabia que tinha outros tantos participantes e podia ganhar ou perder, ué! Acontece! Desde aquele tempo fiquei com a sensação de que o povo e a imprensa acham que a Seleção Brasileira joga Copa sozinha e é só formalidade ir lá buscar a taça. E não é. Sem contar que, mesmo criança, aquele time não me inspirava muita confiança depois de ter ganho com as calças na mão da URSS, ter dado show nos galinhas–mortas da Nova Zelândia e só ter, até o jogo com a Itália, jogado bem mesmo UMA vez, contra a Argentina. Mas deixa isso pra lá.
O que acontece é que pra mim Copa do Mundo nos últimos tempos mais atrapalha do que me interessa. Estou muito mais interessado no que vai acontecer na semifinal da Libertadores, na seqüência do Brasileirão, nas finais da Copa do Brasil do que em Copa do Mundo. Adoro futebol e por isso vou assistir ao máximo de jogos (interessantes) que puder; mas é porque existe e está ali, no mais, se pudesse não ter ou quem sabe se não fosse agora, seria melhor.
Por conta deste desestímulo, estava com uma indiferença enorme em relação à Seleção Braileira. Estava na verdade torcendo mais pra Inglaterra, com quem simpatizo bastante e acho que está na hora de ganhar de novo aproveitando a melhor geração desde o título de 66; ou para a Holanda que duas vezes com times muito bons bateu na trave ou mesmo, quase inutilmente, para a Celeste Olímpica, que não tem a menor chance. Mas no fim das contas resolvi que vou torcer SIM para o Brasil. Ou melhor: vou torcer pro Dunga.
só me estimula mesmo torcer para o Brasil pra parar esta babaquice coletiva de pegar no pé do cara. E sem motivo! Talvez tenha sido a seleção brasileira que chega mais confiável, coesa, fechada e entrosada. Ganhou Copa América, Copa das Confederações, chegou em primeiro nas Eliminatórias classificando com antecipação e em todo o tempo desde que o cara assumiu desacreditado (a princípio até por mim) só perdeu 5 partidas, sendo que ganhou fácil da Itália, goleou a Argentina (duas vezes) e ainda ganhou na casa deles nas eliminatórias, destruiu Portugal com um 6x2, e deu um chocolate no Uruguai em Montevidéu como há muito não acontecia.
Agora porque não convocaram este fulaninho ou aquele, a IMPRENSA, principalmente de RJ-SP, põe na cabeça do povo, que é burro e influenciável, que a seleção é fraca, que tá tudo errado, que tem muitos volantes, que não tem talento, que é uma seleção sem técnica. Ah, peraí um pouquinho! Não tem técnica quem faz aquele gol de troca de passes contra a Itália na Copa das Confederações? E foi um dos "volantes". E aquele do Luís Fabiano contra a Argentina em Rosário não teve técnica. velocidade, conclusão, beleza? E o que falar dos gols contra Portugal? Todos trabalhados.É triste principalmente neste época de Copa quando muito mais mulheres, crianças e pessoas que não acompanham futebol o ano inteiro passam a se ligar na seleção, como a informação chega moldada pra estas cabeças e aí fica fácil formar opinião de quem não tem nenhuma e está ávido exatamente para que, os teoricamente entendidos e profissionais, lhes transmitam alguma coisa. O problema é que muitos não são entendidos, outros estão ultrapassados e muitos sequer são profissionais, permitindo que vaidades, interesses regionais ou pessoais influenciem em suas críticas.
Vou torcer pelo Dunga para que ele prove que o que está tendo é coerência. Palavra tão cobrada de outros treinadores e seguida profissionalmente por Dunga, mas que desta vez curiosamente está sendo desdenhada e ridicularizada pela crônica esportiva. Vou torcer para o Dunga para que ele mostre que convocou quem convocou porque fazia parte de um projeto, de um interesse comum, de um compromisso coletivo, ao contrário do que acontecera, principalmente na Alemanha em 2006 quando se sobrepunham os interesses individuais deste atingir tantos gols, do outro atingir tantos jogos, daquele bater tal recorde, e incrivelmente, alguns daqueles jogadores não só foram perdoados como tiveram seus nomes reclamados no atual grupo. Poucas vezes, desde que os calendários ficaram mais apertados, que os jogadores brasileiros em sua maioria passaram a atuar fora, que a Seleção Brasileira conseguiu montar um TIME. Dunga mesmo encontrando seus jogadores a cada 3 ou 4 meses tem o grupo como se os visse todos os dias e isso é um mérito ao contrário do que querem fazer parecer. Não se pode num grupo assim colocar elementos “estranhos” sem que tenham comprovada uma integração, por mais que seja comprovada sua qualidade, mas que, por outro lado, não tenham provado sua estabilidade. E aí falo dos tais “Meninos da Vila” que não poderiam sem mais nem menos figurar numa lista de Copa do Mundo por terem jogado bem durante 3 meses. É fantasioso, amigos. É fácil para um comentarista falar mas ele não o faria. Você não faria na sua empresa, no seu grupo de trabalho. Pense nisso.
A impressão que tenho é que como a coisa chegou muito tranqüila, muito favorável, estão botando”pêlo em ovo’. Estão preparando a explicação para um eventual fracasso já com uma defensiva que é ofensiva, tipo, “eu não disse?”, “nós avisamos”, quando era hora de louvar esta estabilidade do grupo, dos resultados, e deixar trabalhar com tranqüilidade. É lógico que a relação Dunga-imprensa fica agravada na medida em que o técnico não oferece as facilidades que os jornalistas estão acostumados, não fala o que os eles querem ouvir e demonstra uma convicção poucas vezes vista mesmo em treinadores mais calejados o que não dá margem a especulações nem palpites. Definitivamente não era o que a imprensa queria.
Depois de servir de ‘bode expiatório” do equivocado sistema do Lazaroni servindo de apelido pejorativo para uma ERA de futebol dito ruim, e, incrivelmente, não convencendo mesmo ganhando em 94 por causa da babaquice do tal de futebol arte, que eu não sei do que se trata (o lançamento de 3 dedos do Dunga pro gol do Romário contra Camarões não conta, o golaço com “passo de balé” do Romário contra a Holanda não conta, o gol do Bebeto deixando o goleiro no chão e quase entrando com bola e tudo não conta), Dunga vê-se, de novo tendo que brigar contra tudo e contra todos pra provar que está fazendo a coisa certa, que futebol é coletivo, que Seleção é coisa séria, que tem hora pra jogar sério e hora de dar de calcanhar, e etc., etc., etc. E por que que está tendo que provar essas coisas é que, sinceramente, eu não sei.
Não tem nada a ver com ser colorado ou gaúcho, mas por toda essa pegação de pé injustificada eu vou torcer mais pro Dunga ganhar a Copa do que propriamente a Seleção Brasileira. Espero que este, sim, vocês tenham que engolir.
Cly Reis
domingo, 6 de junho de 2010
"O Escritor Fantasma", de Roman Polanski (2009)
Dá gosto de ver um filme de quem sabe fazer cinema!
"O Escritor Fantasma" de Roman Polanski é um destes. Quando se vai assistir a um Polanski já pode-se apostar na qualidade e ele não decepciona, seja pela temática, pelo enfoque, pelas tomadas, pelos planos, pelos personagens, ou por todos estes elementos juntos. O diretor polonês é um daqueles que nos deixa na expectativa do que encontraremos a cada novo filme seu, não por uma inconstância ou irregularidade, mas sim pelo seu vasto repertório cinematorgráfico, indo desde um terror diabólico como "O Bebê de Rosemary", o soturno e perturbador "O Inquilino", passando por exemplo por uma tragédia clássica como "Macbeth" com uma visão muito mais crua e violenta que as outras adaptações, ou por uma ação alucinante como em "Busca Frenética".
Neste, "O Escritor Fantasma", opta por uma linha mais comedida de condução, vai nos envolvendo na história, não ousa muito nas imagens (mas não abandona a qualidade da fotografia) e aos poucos vai nos desvelando detalhes cruciais. Polanski é daqueles que justificam plenamente o termo DIRETOR de cinema, pois nos conduz na história, leva o filme como bem pretende e sempre tem o controle do seu objeto. É admirável e prazeroso assistir a obras de um mestre como este.
Na história um "ghost writer" (Ewan McGregor) é contratado, em substituição a um outro que morrera em circunstâncias suspeitas, para escrever a biografia de um ex-primeiro ministro britânico (Pierce Brosnan) cujo nome está envolvido em um suposto de envolvimento em crimes de guerra. A tarefa que seria aparentemente simples de escrever um livro e nunca aparecer, acaba se tornando perigosa, uma vez que existe muita coisa por trás das atividades do político, sua vida particular, amigos e inimigos.
Não chega a ser o melhor filme do diretor, como andei lendo por aí, mas é inegavelmente um ótimo filme e satisfação garantida principalmente para os fãs. Agora é torcer, em nome da arte, para que o cara não seja condenado e fique enjaulado por muito tempo, o que certamente encerraria sua carreira cinematográfica.trailer "O Escritor Fantasma"
Cly Reis
sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Miles Davis - "A Tribute to Jack Johnson" (1971)
"I'm Jack Johnson - heavyweight champion of the world!
I'm black!
They never let me forget it.
I'm black all right;
I'll never let them forget it."
Jack Johnson,
Campeão Mundial Peso-Pesado de 1908 a 1915
Antes tarde do que nunca!!!
Felizmente, fuçando, por curiosidade, vim a conhecer o ótimo “A Tribute to Jack Johnson” de Miles Davis. Em princípio me interessou por saber que tratava-se do início das incursões de Miles Davis no rock e em uma aposta em experimentações mais livres. Concebido para um documentário sobre a lenda do boxe, o primeiro negro a sagrar-se campeão mundial dos pesados, o álbum compõe-se de duas suítes longas; a primeira “Right Off” é mais pesada, mais forte, swingada com idas e vindas, subidas e descidas, numa “marcha” sonora que sutilmente remete o ouvinte a toda a poética de uma luta de boxe, como a um bailado de pernas, jabs curtos, uma sucessão de golpes precisos ou um belo upper. Possui uma linha de baixo mais agressiva e imponente que, ao que consta, traz trechos de “Sing a Single Song” do Sly and the Family Stone, só para se ter uma idéia da sonoridade pretendida e alcançada com o álbum.
“Yesternow” a outra faixa que completa a obra começa um pouco mais leve, mais arrastada, e vai se desenvolvendo assim por um bom tempo até apresentar alguns saltos e arroubos de improviso mais fortes e impetuosos, esta tendo por sua vez sua linha de base inspirada (ou mesmo, tirada) de "Say It Loud - I'm Black and I'm Proud", de James Brown.
Miles pontua as composições com aquele trumpete singular. INVARIAVELMENTE GENIAL. Solando, não solando, deixando vazios e preenchendo-os, sugerindo a próxima nota ao ouvinte e muitas vezes, provocativamente, não dando-as, deixando só para a imaginação, para o que poderia ter sido.
Em “A Tribute to Jack Johnson” Miles Davis acaba concebendo com maestria um trilha para um filme sobre boxe conjugando exatamente dois elementos antagônicos que fazem deste esporte, mesmo violento e brutal, tão mágico e belo a ponto de ser conhecido como “A Nobre Arte”: É um disco que tem sobretudo FORÇA e a SENSIBILIDADE.
Como se diria no boxe , é uma obra que tem pegada. Tem “punch”.
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FAIXAS:
1."Right Off" – 26:53
2."Yesternow" – 25:34
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Ouça:
Miles Davis A Tribute to Jack Johnson
Cly Reis
cotidianas #28 - Levando Sua Namorada Para Casa
Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está me dizendo como nunca escolheu você
"Vire à esquerda", ela diz
Então eu viro à esquerda
E ela diz
"Como eu fui acabar me envolvendo tão profundamente
Na mesma vida que eu planejei evitar?"
E eu não posso responder
Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está rindo para parar de chorar
"Continue dirigindo", ela diz
Então eu continuo dirigindo
E ela diz
"Como eu fui acabar presa a esta pessoa
Uma vez que seu senso de humor
Fica cada vez pior?"
E eu não posso contar para ela
Estou estacionado do lado de fora da casa dela
E nos cumprimentamos
Nos damos boa noite, tão educadamente
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"Driving your girlfriend home"
Morrissey
do álbum "Kill Uncle"
Ouça:
Morrissey Driving Your Gilfriend Home
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