Ainda em tempo, saíram nesta semana os vencedores do Globo de Ouro 2011, prêmio que costuma já ser um espécie de prévia do Oscar. O grande vencedor da noite foi o badalado "A Rede Social" (veja o trailer) de David Fincher, que devo admitir, não assisti e por enquanto não tenho muito interesse mesmo com todas as boas recomendações a seu respeito e mesmo tendo a batuta do competente Fincher ("Clube da Luta", "Seven") que aliás faturou também como melhor diretor. Barbada pra mim, quando assiti, era "A Origem" que considero uma das melhores coisas que vi nos últimos tempos em cinema, mas que infelizmente não levou nenhum Globo. Vamos ver se terá melhor sorte no Oscar.
Segue abaixo a lista dos ganhadores em cada categoria:
"A Rede Social" de David Fincher levou 4 prêmios
Melhor filme - drama "A Rede Social"
Melhor filme - comédia ou musical "Minhas Mães e Meu Pai"
Melhor animação "Toy Story 3"
Melhor diretor David Fincher, "A Rede Social"
Melhor roteiro "A Rede Social"
Melhor ator - drama Colin Firth, "O Discurso do Rei"
Melhor ator - comédia ou musical Paul Giamatti, "Minha Versão para o Amor"
Lançado na primavera de 1969, "Everybody Knows This is Nowhere" era o segundo álbum solo de Neil Young, sua primeira colaboração com a legendária banda de apoio Crazy Horse e um exemplar que continha três de suas mais memoráveis canções: "Cinnamon Girl" rock forte que abre o dico, a extensa, lenta e inspirada "Down By the River" com seu duelo de guitarras e "Cowgirl in the Sand", intensa e sensível, pesada e doce, rock e country, é a melhor do disco e o encerra brilhantemente.
Filho de um jornalista esportivo canadense, Young começou sua carreira como cantor folk em Toronto seguindo logo depois para Nova York no início dos anos 60, mas já ali pelo maio da década botou o pé na estrada de novo e se tocou pra Los Angeles, onde veio integrar a banda Buffalo Springfield que no fim das contas não durou muito e com a separação desta já em 1968, começou carreira solo vindo a gravar seu primeiro álbum em 1969. Enquanto ainda editava seu primeiro trabalho, Young conheceu um pessoal da Costa Oeste chamado na época The Rockets. Gostou do som dos caras, rolou uma identificação, rabatizou o grupo então para Crazy Horse e juntaram-se para a gravação de seu segundo álbum ainda naquele ano.
Com produção de David Briggs e do próprio Neil Young, este "Everybody Knows This is Nowhere" foi gravado em apenas duas semanas, o que não o desvaloriza em nada quanto à técnica e sim depõe a seu favor quanto à simplicidade, objetividade e pureza da obra. Possui apenas sete músicas e estas tem muito da sua base nas extensas atuações instrumentais dos Crazy Horse.
Logo depois de realizar este discaço, Young foi convidado a se juntar a Stills, Crosby and Nash e já no ano seguinte dividia seu tempo entre os dois projetos.
Neil Young nunca desapareceu efetivamente, nunca ficou esquecido ou por baixo mas a redescoberta dele pela geração de Seattle deu uma nova alavancada na carreira trazendo o Cavalo Doido Canadesnse de volta à evidência. Como diria o próprio, mais tarde em outra canção conhecidíssima o "rock'n roll nunca morrerá". E é por isso que o velho continua na ativa (e em plena forma).
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Ouça: Neil Young with The Crazy Horse "Everybody Knows This is Nowhere"
Lembro da primeira vez que ouvi Joy Division. Foi num programa da Rádio Ipanema FM de Porto Alegre, chamado Clube do Ouvinte, no qual um audiente qualquer escolhido pela emissora, comandava o programa e fazia um especial com seu artista ou banda preferida.
Peguei o programa já iniciado e não sabia o que era aquilo que estava ouvindo mas quanto mais ouvia, mais impressionado ficava. Aquele clima pesado, aquela voz dorida e angustiada me envolviam de uma maneira quase inexplicável. Na época estava muito ligado no chamado gótico, no dark, e aquela atmosfera sombria, depressiva ia bem ao encontro dos meus gostos naquele momento. Descobri ao final do programa do que se tratava e logicamente fui buscar mais informações e material sobre os caras. Nisso descobri que não se restringia àquele darkismo e que tinha origens no cerne da cena punk inglesa do final dos anos 70. O primeiro disco que tive deles foi a coletânea "Substance" que, principalmente na primeira parte, revela sobremaneira este caráter: som minimalista, rápido, mais pesado, mais guitarrado, bem agressivo; no entanto, com o avançar das faixas e avanço do tempo nota-se cada vez mais a incorporação de recursos mais tecnológicos, o que faria definitivamente um diferencial do Joy em relação a seus contemporâneos. Mesmo sem muita técnica individual mas com ótimas ideias e com um excelente trabalho de estúdio do produtor Martin Hannet, que foi a fundo no som e nas possibilidades daqueles quatro rapazes de Manchester, ousavam em elementos eletrônicos, batidas programadas e sons pré-gravados, obtendo um som que ao mesmo tempo era inegavelmete punk, mas já se fazia prenúncio do gótico dos '80 e ao mesmo tempo já dava ares ao techno do início dos '90. Infelizmente toda essa avalanche criativa e potencial artístico musical foram interrompidos prematuramente pelo suicídio do vocalista Ian Curtis que já nas músicas gritava sua dor, seu desespero e efetivamente trazia com ele uma alma inquieta e angustiada que não suportou as pressões da vida e seus problemas de saúde. "Unknown Pleasures", álbum que virou lendário por ter sido o único lançado durante a existência do grupo ("Closer", o outro de estúdio já estava quase pronto mas só foi lançado depois da morte de Ian Curtis) traz todas estas características sonoras e psicológicas: "Disorder" que abre o disco é um punk-rock clássico com batida acelerada, contrabaixo agressivo e guitarra ruidosa, mas com camadas de sintetizadores "flutuando" ao fundo o tempo todo; "Day of Lords" que a segue já tem uma levada mais marcada, mais lenta e melancólica mas sua letra é extremamente forte interpretada, principalmente na parte final, com uma emoção incrível por Ian Curtis; "Insight" é uma daquelas que já mostram o caminho eletrônico por onde os integrantes restantes iriam trilhar depois quando formariam o New Order: com uma condução bem uniforme do baixo de Peter Hook, é toda cheia de efeitos durante todo o tempo e culmina em 'refrões' sonoros que parecem uma espécie de guerra de raios laser. Uma pancada na mente!
"New Dawn Fades" uma das melhores do disco tem uma batida oca, uma linha lenta e grave e certamente a melhor guitarra dentre as músicas da banda, chegando a partir da segunda parte da canção a um êxtase absoluto juntamente com uma interpretação novamente destruidora de Curtis.
"She's Lost Control", outro grande exemplo da integração que o JD fazia como poucos dos recursos eletrônicos punk rock, tem uma batida praticamente tribal toda trabalhada e com efeitos, conjugada a um baixo que bem agudo e repetido, com uma guitarra distorcida e suja. Bateria e baixo chegam a parecer sampleados mas é só parte da maestria do malucão Martin Hannet atrás da mesa de produção. A propósito disso, um barato é ver no filme "A Festa Nunca Termina", Hannet tentando achar a melhor sonoridade para esta música e fazendo o baterista Stephen Morris (literalmente) levar a bateria para o telhado. Louco! (mas genial).
trecho do filme "A Festa Nunca Termina" de Michael Winterbottom (2002)
"Shadowplay", bem bacana, é um punkzinho um pouco mais tradicional, assim como "Interzone", só que esta mais agressiva até nos vocais; "Wilderness" tem um contrabaixo bem legal mas com um trabalho de bateria bastante interessante também; e "I Remember Nothing" que fecha o disco é daquelas que faz parecer que já se está 'do outro lado'. Uma batida seca ficando mais alta, um baixo mínimo e de repente o barulho de um vidro sendo estilhaçado dá a partida para mais uma daquelas interpretações desesperadas de Ian Curtis, constituindo algo como um vazio sonoro, uma música dentro do nada. Uma das melhores do álbum, uma das mais angustiantes e uma chave de ouro pra encerrar a obra.
Como se não bastasse toda a parte sonora, a parte mítica, as particularidades musicais, etc., o álbum tem ainda, na minha opinião, uma das melhores capas que conheço, com um gráfico de um medidor de pulsos captando a morte de uma estrela. Talvez Bernard Sumner, o guitarrista que sugeriu o conceito da capa não previsse mas acabou por ser, no fim das contas, muito significativo se formos analisar sob certo prisma, não?
Estrela, mito, lenda? Tudo isso e talvez nada disso. Se formos bem criteriosos vamos perceber que apesar das interpretações marcantes, Ian Curtis desafinava brutalmente em alguns momentos, principalmente ao vivo. Hook e Sumner eram toscos e Morris era quem estava um pouco mais pronto naquele momento. Mas fato é que com músicos, na época, bastante fracos, um vocalista doente limitado e com apenas um álbum, o Joy Division gravou, sim, seu nome na história do rock e este disco, "Unknown Pleasures" é daqueles, assim... FUNDAMENTAIS.
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João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
“David passava por um período de grande depressão."
Tony Visconti, produtor
Em época de lançamento de biografia do cara, aí vai mais um Bowie fundamental pra discoteca: "Low", álbum de 1977, o primeiro do que se costuma chamar de 'fase berlinesne', compondo com "Lodger, Heroes" e "Stage" uma curiosa "trilogia" de 4 álbuns onde "Stage" funciona como releitura ao vivo dos dois primeiros.
"Low" é um daqueles álbuns que foi feitos para ser LP, mesmo. Disco com lado A e lado B literalmente. Duas coisas completamente diferentes: o primeiro, todo cheio daquele pop-rock brilhante e sofisticado que só David Bowie sabe fazer, com canções bem objetivas, curtas, soltas, ritmadas, a maioria delas cantadas, mas com destaque especial para a instrumental que abre o disco "Speed of Life". Destaque também para a excelente "Sound and Vision" e para o pop gostoso de "Be My Wife". Só que virando o disco, a atmosfera é completamente outra. Músicas densas, introspectivas, soturnas, longas, quase todas instrumentais, cheias de experimentalismos e sonoridades estranhas, lembrando muito os trabalhos solo do colaborador e mentor Brian Eno e a fase inicial do Kraftwerk, banda que Bowie tinha grande admiração. Destaque para "Warszawa", minha preferida do lado 2.
Em comum, os dois momentos deste trabalho tem o tratamento fino e detalhado da produção, que é creditada a Tony Visconti e Bowie, mas que tem inegavelemente o dedo de Brian Eno; além de uma estranha e incrível coerência musical que fazem de um álbum como este com faces tão distintas, uma obra que consegue manter uma genial e singular unidade mesmo com características tão antagônicas.
Neste Bowie consegui se superar superou e não foi camaleão apenas de uma década pra outra, de um disco para o outro como estamos acostumados a ver. Foi mutante de um lado para o outro do mesmo disco. Em parte resultado de seus problemas psicológicos da época, do uso de drogas, da dificuldade de compor letras naquele momento, mas de tudo isso tirar um disco como este, é só para um David Bowie.
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FAIXAS:
Lado A
"Speed of Life" – 2:46
"Breaking Glass" (Bowie, Dennis Davis, George Murray) – 1:52
Baudelaire, Truffaut, Bizet, Sartre, Rodin, Renoir, Godard, Lumière, Degas, Le Corbusier... Aquilo sim é que era cultura! Dona Suzana orgulhava-se de ter salvo os filhos da cultura brasileira, se é que se podia-se chamar aquilo de cultura, levando-os para morar em Paris desde pequenos. Lá estudaram nos melhores colégios que suas limitadas economias de funcionária pública aposentada puderam pagar, mas a pior sala de aula rural francesa era melhor que qualquer escola brasileira, a seu ver.
Permaneceu lá por 10 anos favorecendo tudo que pudesse representar acréscimo e crescimento cultural para suas joias máximas: os filhos. Mas agora já crescidos, quase gente, devidamente instruídos podiam retornar ao Brasil; fluentíssimos na língua de Victor Hugo, devidamente cultos e blindados contra tudo o que pudesse vir do povinho de seu país natal. A menina , Adelle, agora aliás uma moça bonita de 23 anos, adquiriu em sua vida francesa o mesmo nariz empinado da mãe e julgava-se uma espécie de rainha europeia entre selvagens. Michel, o filho, por sua vez, mesmo tendo saído do país mais novo, aos 9 anos, teoricamente mais propenso a influências, não assumiu de maneira tão veemente o caráter europeísta. Era legal; adorava Paris, o Louvre, a Torre, o estilo, mas achava que cada um dá suas contribuições ao mundo à sua maneira e particularmente não guardava a mesma aversão que a mãe ao país que nascera.
Já no Brasil, instalaram-se na antiga casa da família que ficara com parentes durante o tempo que estiveram fora. A casa era grande, maior do que Dona Suzana lembrava, o que a obrigava a contrtar uma empregada, pois já não era mais tão nova para executar os serviços domésticos e além do mais, brasileiros tinham que servir pra alguma coisa, então, que fosse pelo menos para isso.
Chamaram uma moça chamada Edilene, conhecida de um primo. Era gente de confiança e, lá no fundo, era até bem simpatiquinha. Estranhava mesmo era a proximidade do filho com a empregadinha pretinha. Volta e meia os via conversando. "O que é que um menino como o meu, cursado em Paris, com boa formação, com cultura fina, frequentador dos melhores museus, apreciador das artes, tem pra conversar com uma... uma... Deixa pra lá". Certa vez viu que a garota trouxera um CD para o filho. "Ouve aí. Tu vai gostar". Imagina se ele vai gostar dessas músicas pobres. Nem sequer vai ouvir. Mas para surpresa e decepção da mãe, ouviu e gostou. Não parava de ouvir aquelas 'coisas'. Nossa! Que coisa de mau gosto!
Mas aquilo não era o pior: dias depois, na hora da menina sair, acabado seu horário de trabalho o filho aparece junto e quase faz a mãe ter um troço:
- Mãe, eu tô indo junto com a Edilene porque a gente vai no baile-funk lá na área dela.
Ela ainda tentou articular alguma frase mas meio que engasgou e não conseguiu de todo modo emitir qualquer som em meio à estupefção.
- Tchau, mãe. - e quando ela deu por si já estavam quase no portão brincando animadíssimos.
Aquilo se repetiu várias vezes. Toda noite de sexta-feira era sagrado: era o Michel no baile funk com a empregadinha. Já estava até usando cordão grosso no pescoço e boné virado pra trás. O que que teria saído de errado na educação daquele menino?
Meses depois ele anunciou que estava indo morar com a Edilene. Tinha uma casinha no fundo do terreno da mãe dela, era pequeno mas eles iam ficar bem. A bocada era meio barra-pesada, segundo ele, mas que a mãe não se preocupasse que ele já estava até meio que amigo dos caras. A mãe ainda tentou impedir, argumentar, e a educação que lhe dera, e o futuro, o desgosto que ia dar pra ela. Tudo em vão.
Só restou paraa Dona Suzana poder se orgulhar da filha que no fim das contas pelo menos usava seu francês fluente como secretária em uma agência de eventos; já o garoto, pelo que soube por um vizinho, além de ouvir, começou a fazer aquelas músicas horríveis. Também usou o seu francês pra alguma coisa e lançou na internet o funk "Meu Mercí no seu Bocú", assim mesmo, assassinando a língua mais romântica e charmosa do mundo. É o maior sucesso nos bailes dos morros e nas favelas pelo Brasil afora. O sucesso do MC Francês tá na boca do povo.
Seria muita ousadia colocar um álbum tão recente de uma artista não totalmente consolidada entre os grandes da história? Talvez seja, talvez seja... Mas me parece, amigos, que temos entre nós uma das grandes artistas dos últimos tempos e que, provavelmente, fique ofuscada e diminuída por seus próprios excessos, escândalos, internações e bebedeiras. A gente acaba subestimando por causa disso. Eu mesmo devo admitir que antes de ouvir Amy Winehouse pensava ser ela só mais uma artista pop tentando chamar atenção. Mas o fato é que ao escutá-la cantar é que ela chama atenção de verdade.
Amy Winehouse é possivelmente a melhor cantora viva do nosso tempo e talvez a artista que chegue perto em importância do que representou um Kurt Cobain, o último que valia alguma coisa. Uma voz absoluta, segura, o domínio total de cada verso, de cada nota, a sensualidade e a energia. A artista que trouxe o jazz de volta às rádios e o aproximou do grande público que, na sua maior parte nem sabe o que está ouvindo, mas o importante é que nós sabemos. Com "Back to Black" ela coloca elementos pop no jazz (ou seriam elementos jazz no pop) como provavelemnte só Louis Armstrong tenha conseguido fazer tão perfeitamente na fase final de sua carreira. Mas não fica nisso: é rock, é pop, é blues é soul. É um baita disco!
É impossível falar de "Back to Black" e não citar o hit de refrão fácil, "Rehab", ou do outro sucesso, muito melhor na minha opinião, "You Know I'm No Good"; da ótima faixa-título do álbum, "Back to Black"; mas a melhor do álbum pra mim é indiscutivelemente, "Wake Up Alone", uma balada triste e emocionante ao melhor estilo das antigas divas do jazz.
De visual extravagante, talentosíssima no microfone mas com especial habilidade para fazer merda na vida, se não tomar jeito é candidata a integrar logo logo o famoso Clube do 27 que já conta com alguns representantes ilustres como Morrisson, Janis, Hendrix, Kurt... Bate na madeira, garota! (tem até setembro, quando faz 28, pra afastar a maldição). Mas ao que parece a moça anda se recuperando, tomando um pouco mais de juízo e já está até com disquinho novo na boca-do-forno pronto pra sair.
Ousadia colocar "Back to Black" entre os FUNDAMENTAIS? Pode ser. Mas, de certa forma, acho que esta é a ideia mesmo.
O tempo me dará razão.
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FAIXAS: • 1. Rehab • 2. You Know I´m no Good • 3. Me & Mr Jones • 4. Just Friends • 5. Back to Black • 6. Love Is a Losing Game • 7. Tears Dry on Their Own • 8. Wake Up Alone • 9. Some Unholy War • 10. He Can Only Hold Her
O executivo saiu do escritório, encontrou a sua secretária no ponto de ônibus e caia a maior chuva. Ele parou o carro e perguntou: - Você quer uma carona? - Claro!!! Respondeu ela, entrando no carro. Chegando no edifício onde ela mora, ele parou o carro para que ela saísse e ela o convidou para entrar no seu apartamento. - Não quer tomar um cafezinho, um whisky ou alguma coisa? - Não, obrigada! Tenho que ir para casa. - Imagine, o senhor foi tão gentil comigo, vamos entrar só um pouquinho. Ele subiu atendendo ao pedido da moça. Ao chegarem no apartamento ele tomava seu drink enquanto ela foi para dentro e voltou, toda gostosa e perfumada. Depois de alguns gorós, quem pode aguentar???? Ele caiu,literalmente. Transou com a secretária e acabou adormecendo. Por volta das 04:00hrs da manhã, ele acordou, olhou o relógio e levou o maior susto. Aí ele pensou um pouco e disse à sua secretária: - Você me empresta um pedaço de giz? Ela entregou-lhe o giz, ele pegou, sujou um pouco a calça e colocou atrás da orelha e foi pra casa. Lá chegando encontrou a mulher louca de raiva e ele foi logo contando: - Desculpe, amor! Quando sai do trabalho dei carona para a minha secretaria, depois que chegamos no prédio onde ela mora, ela me convidou para subir e me ofereceu um drink, em seguida, ela foi para o banho e retornou com uma camisola transparente e muito linda, e após vários goles acabamos indo para cama e fizemos amor, aí dormi e acordei agora há pouco... A mulher deu um berro e falou: - Seu mentiroso sem vergonha! Estava no bar jogando sinuca com os seus amigos, nem sabe mentir, até esqueceu o giz aí atrás da orelha!!!
Um monte de pequenas coisas legais nesta passagem que tive por Paraty para a virada de ano.
Uma delas foi o pessoal da Rádio Comida, um grupo de artistas de rua engraçadíssimos que saem por aí invadindo restaurantes e fazendo versões gastronômicas para sucessos populares. Por exemplo, "Jesus Cristo" do Roberto Carlos virou "Peixe Frito", "Help" dos Beatles virou "Crepe" e "Eu te amo, meu amor" do Magal virou "Eu fiz frango com arroz" e assim por diante. Impagável também é a performance para "Kibe", quero dizer, "Beat It" do Micheal Jackson. Aliás, impagável não, porque no final eles, adaptando aquele "quem sabe ainda sou uma garotinha..." de "Malandragem" conhecida na voz da Cássia Eller, anunciam que "é hora de passar a sacolinha". Mas a gente paga com prazer.
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O cara (esq.) esmerilhando as duas guitarras,
uma com ele, outra na bancada
Talentosíssimo também é o guitarrista do grupo que se apresenta no Margarida Café. A banda toda é boa, baixista competente e o baterista além de exercer bem sua tarefa nos brindava com seu vozeirão nos backing vocals. Mas o cara da guitarra é fora de série. Como se fosse um polvo tocava duas guitarras ao mesmo tempo e uma terceira em solos. Fenomenal!
O lugar também é ótimo. Com uma decoração de muito bom gosto entre o artesanal e o chique, fazendo um ambiente aconchegante e gostoso. Mas tudo isso não seria nada sem a comida, e das que experimentamos na cidade, certamente foi a melhor.
Quando forem, visitem e comam lá. É meio caro mas vale.
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A simpaticíssimo interior do Bodega
Outro lugar bem bacana que fui por recomendação da minha irmã é a Bodega do Poeta, lugar também bem acolhedor e simpático cheio de pinturas temáticas de música e quadros com fotos de mestres da música brasileira. É uma espécie de point cultural com MPB ao vivo, uma bancadinha de livros para clientes que se interessarem e cardápios com capas cheias de fotos de músicos e escritores. Gostoso lá.
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Nestas andanças pelo centro histórico, quase oculto, se não fosse por uma discreta plaqueta encostada na porta, descobrimos um precioso sebo. Pequeno. Com pouca coisa. Mas com coisas muito boas. O próprio dono admite que não compra qualquer coisa pra botar na loja; só o que ele gosta. Na placa dizia "LP's eCD's de jazz". Fomos ver. Nossa! Que maravilha! Dava vontade de levar tudo.
Conversei bastante com o dono, o sr. Dário, um italiano músico de jazz e fã de Miles Davis. Trocamos algumas ideias e aprendi um pouco mais sobre jazz. Trouxe por recomendação dele o CD "Miles Smiles" de 1967.
Boa dica sr. Dário.
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O pessoal todo aglomerado na frente
do Café Paraty olhando o show pela janela
A virada foi de baixo de axé e funk (fazer o quê?) mas logo depois da meia-noite deixamos a praia do Pontal onde havia a queima de fogos e voltamos ao centro histórico. Dali a pouco começo a ouvir algo que se parecia com Stones... Parecia "I Miss You". E era.
Um bar, o Café Paraty tinha uma apresentação de uma banda de rock e blues e dava pra se ouvir à distância. O resultado foi uma grande aglomeração na parte de fora com o pessoal dançando e cantando no meio da rua. Arrisco dizer que estava mais animado fora do que dentro.
Ficamos ali mais um pouco, curtimos mais um sonzinho e depois voltamos pra pousada. Chega uma idade que já não se tem o mesmo pique (hehehe).
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Daquelas imagens curiosas: na rua da pousada onde estávamos hospedados, sempre que saíamos víamos um senhor idoso em frente a uma oficina de consertos de instrumentos musicais que ficava o tempo todo soprando uma flauta quase sem conseguir extrair nenhum som. O vi umas três ou quatro vezes sempre que saía da pousada e invariavelmente nada de sair algum som daquela flauta, ou se tanto, um suspiro quase inaudível. Não sei se tentava consertar a flauta, se tentava aprender a tocá-la ou o quê.
Sei que nos outros dias, véspera e Réveillon, não o vi mais. Desapareceu mas deixou um aviso: "se for urgente estou por perto. podem me ligar..." e seguia o número.
Provavelmente hoje, passadas as festas, ele deve estar novamente lá na frente da sua loja soprando sua flauta sem tirar som nenhum.
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Chegando à Ilha da Lula
Circuito das ilhas: OBRIGATÓRIO!
Águas límpidas e verdinhas.
Todas muito bonitas.
Dica fria foi a para que visitássemos Paraty Mirim. Praia sem graça, areia estreita, água com má aparência, cheia de barcos de pesca e vegetação de mangue. Programa desperdiçado, mas no geral não atrapalhou nada.
Trindade é meio longinho, tem que pegar a estrada, mas também vale a pena. Bonito mas já tá ficando meio farofada, principalmente a Praia do Meio. É de se aproveitar enquanto é tempo.
Ganhei de Natal e devorei rapidamente a graphic novel de "Os Sertões" de Euclides da Cunha, adaptada por Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa.
Amigos, esta é provavelmente a melhor adaptação de clássicos da literatura brasileira para quadrinhos das que já tive a oportunidade de ler, e grande parte do mérito disso se deve à ousadia do roteiro de Carlos Ferreira, que a partir do extenso e detalhado relato de Euclides da Cunha, consegue criar uma obra original. autoral, dinâmica, cheia de situações diferenciadas, voltas no tempo, delírios, entrevistas, ralatos; tudo isso sem abandonar a linha pretendida, nem se afastar da obra. Mas, é claro, numa obra em quadrinhos não se pode esquecer dos desenhos, e nisso Rodrigo Rosa manda muitíssimo bem, e com arte, detalhes, crueza e poesia, dá imagens com perfeição à roteirização do parceiro.
Belíssimo trabalho.
Eu, amante de quadrinhos e apreciador de literatura brasileira como sou, sinto-me presenteado ao saborear uma obra destas.
Recomendo mesmo para quem não é, exatamente, fã de quadrinhos. É história do Brasil, é literatura e arte.
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"Os Sertões- A Luta" graphic novel adaptada a partir da obra"Os Sertões"deEuclides da Cunha Roteiro: Carlos Ferreira Arte: Rodrigo Rosa Projeto Gráfico: Marcelo Martinez Ed. Desiderata 80 páginas
PARATY - Temporadinha em Paraty.
Bem bacana.
Uma dos núcleos históricos mais significativos e bem conservados das cidades que já visitei com esta característica.
Construções tipicamente coloniais portuguesas, pavimentação tipo 'pé-de-moleque', igrejas e fortificações históricas, tudo emoldurado por uma belíssima paisagem natural.
Réveillon vai ser aqui. Na volta posto mais detalhes e curiosidades. Por enquanto, aí vão algumas imagens.
"... a música em si não comete pecados simplesmente por ser e permanecer popular. O fato de 'Carmina Burana' aparecer em centenas de filmes e comerciais de televisão é a prova de que ela não contém nenhuma mensagem diabólica..."
Alex Ross, crítico musical do The New Yorker
Os eruditos, os puristas ou os pedantes de plantão que me perdoem mas "Carmina Burana" de Carl Orff é a obra clássica mais pop que existe.
Bastaria citar a quantidade de vezes que vocês já devem ter ouvido a primeira parte, "O Fortuna" em comerciais, filmes, ou sampleado em outras músicas, mas se não for o suficiente pode-se observar outros elementos dacantata: apresenta em suas 7 partes 25 faixas relativamente curtas (com aproximadamente 4 minutos cada) modelo bem característico das composições cntemporâneas para rádio; é muito mais percussionada que a maioria das outras do seu gênero e estas marcações aparecem em ritmos mais regulares que o comum; há refrôes em várias destas "faixas" e estas apresentam, não raro, elementos repetidos e andamentos iguais entre eles. Quer mais? "Ego Sum Abbas" é praticamente um metal com aquele barítono solo com a resposta instrumental (literalmente) barulhenta; e "Estuants Interis" é daquelas coisas bem Pixies ou Nirvana com uma "base" segurando para uma explosão no refrão; e "In Taberna" então? Intensa, fortíssima, agrassiva.
Também tem o fato de a obra ter sido composta em 1937, ou seja já no século XX e entre movimentos modernos que explodiam pelo mundo afora, o que certamente já influenciava um composição muito mais ousada e de acordo com seu tempo; e como se ainda não bastasse as letras, adaptações de textos do século XIII, versam sobre vida mundana, beberagens, orgias, sexo. Quer mais rock'roll que isso?
Sim, tem mais que isso. Saindo desta parte que particularmente acho legal de ter essa cara tão contemporânea, as composições de Orff para o manuscrito, além da ousadia, da visão, são uma beleza e uma sensibilidade inegáveis e não à toa é considerado um dos maiores nomes da música clássica do século XX.
Infelizmente a obra "Carmina Burana" acabou caindo nas graças dos nazistas e acabou sendo a obra mais encenada durante o reinado do reich, o que de certa forma acabou jogando sobre Orff aquela 'nuvenzinha' de ligações com o nazismo, às quais na verdade nunca ficaram realmente comprovadas. Mas até isso é meio rock'n roll de certa forma, não é?
Ouvi quatro execuções desta ópera e particularmente gosto muito da tocada pela Filarmônica de Berlin, regida pelo maestro Seiji Ozawa que é a que recomendo, caso se interessem, mas de um modo geral todas são boas e não irão decepcionar a ninguém.
Fortuna Imperatrix Mundi
1. O Fortuna
2. Fortune plango vulnera
I – Primo vere In Spring
3. Veris leta facies
4. Omnia sol temperat
5. Ecce gratum
Uf dem Anger On the Lawn
6. Tanz
7. Floret silva nobilis
8. Chramer, gip die varwe mir
9. a) Reie
9. b) Swaz hie gat umbe
9. c) Chume, chum, geselle min
9. d) Swaz hie gat umbe (reprise)
10. Were diu werlt alle min
II – In Taberna In the Tavern
11. Estuans interius
12. Olim lacus colueram
13. Ego sum abbas
14. In taberna quando sumus
III – Cour d'amours Court of Love
15. Amor volat undique
16. Dies, nox et omnia
17. Stetit puella
18. Circa mea pectora
19. Si puer cum puellula
20. Veni, veni, venias
21. In trutina
22. Tempus est iocundum
23. Dulcissime
Blanziflor et Helena Blancheflour and Helen
24. Ave formosissima
Fortuna Imperatrix Mundi
25. O Fortuna (reprise)
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Ouça: Carmina Burana Carl Off
A despropósito de Natar, pôca gente sabe mas na verdade o tar de Menino Jesus nasceu mesmo em dois Morro. Não se chamava-se exatamente Jesus mas na verdade Jesuíno. Jesus foi apelido que os ôtros menino botaro anos dispois no coléjo, mas isso não tem desimportância: o qui importa é que é doismorense de nascimento e lavradura. Pois é! Naquelas época de muito coronelismo romano, o Coroné Herodes da provinciazinha de Nova Belenzinho, ali logo do lado de Dois Morro, ficô sabendo dum disse-me-disse que um tar de Gabrier andava espaiando ia nascê uma criança que ia de sê o Sarvador. Achô já que isso de Saravadô era coisa de reforma agrárica, ortográfica, pornográfica e mandou os home dele atrás de tudo que fosse casar que tivesse cria pra nascê nos dia dali seguido. Mas o peór é que não era nada diss'que o coroné tava pensando: era mais que o guri que ia rebentá era cria do seu Zé Sarvadô e da Dona Maria Sarvadô, antonce que de todos jeito só podia sê um Sarvadô, oressa! Mas ele não quis nem sabê e fez e aconteceu com as famía dos recém-nascido. O seu Zé e a Dona Maria que num ero bôbo nem nada, dexaro caí a noitinha e se bandearo lá pra Dois Morro, lá por perto das meia-notche do dia 24 de dezembro a Dona Maria Sarvadô começô a sentí as dor. Tivero que parar num garpão, num celêro ou argo assim, no arto do morro da direita e foi ali que nasceu o Jesuíno Sarvadô. Piá bonito que nem um tordilho, gordo que nem um leitão. Dali a pouco dispois do parimento chegô uns moço que já tavo meio "alterado"por caus'duns tochico que tinho usado, e que vinho com umas conversa que tinho seguido uma estrela que mostrou pra eles onde ia nascê um tar de Messia e biriribororó. O seu Zé não gostô dessas história de Messia e disse que já tinha decidido que o nome ia sê Jesuíno e que era assunto encerrado. Um dos moço tentô se explicá dizendo, "Quê isso, magro? A gente não tá querendo mudar o nome do teu guri! Fica na boa, magro!". E de tanto magro pra lá, magro prá cá (e como parecío meio afrescalhado os trêis), ficaro conhecido dispois como os Três Gays Magro. Só sei que os magrão trussero uns presente meio esquisito: um deles, tá bom, até trôsse ôro. Ôpa!, ôro ninguém dejeita. Mas, agora, os ôtro fôro inventá de dá pro seu Zé incenso e mirra. Pra quê??? O seu Zé largô-lhes os cachôrro: - Vai acendê esse palito fedorento na casa da tua mãe e tu vai dá mijo pra putaquitipariu! E não adiantô nem o magrão tentá explicá: - É mirra, magro, é mirra. Foro enxotado a coice do celêro do Jesuíno.
Saindo também super box do 'Síndico'.
Alguns dos álbuns mais significativos da carreira de Tim Maia e ainda, pra ver, DVD de um especial da Rede Globo de 1989. Só a nata musical da carreira do polêmico e controvertido cantor.
Tim foi um dos mestres do soul brasileiro. Uma das maiores vozes e dono de uma musicalidade fora do comum, Tim foi inovador dentro da música nacional ao mesclar de forma brilhante, principalmente nos primeiros álbuns, ritmos americanos, como funk, soul e rock, com outros tipicamente brasileiros como samba, forró, baião, sem fazer concessões pra nenhum dos dois lados. Era mistura mesmo. A caixa vale mais por essa fase, os álbuns até 1980. O resto, pra mim, mesmo com inegável valor, já considero um pouco menos inspirado.
Dono de um temperamento difícil, Tim Maia ficou famosso além do talento, pelas broncas e discussões com a banda, ajustando o som o tempo inteiro no palco; e pelos seus atrasos homéricos nos shows deixando o público esperando por horas a fio, o que de certa forma era até uma sorte se fosse SÓ esperar, pois não era incomum que sequer aparecesse para as apresentações. Isso tudo sem falar na tal da fase Racional na qual o glorioso Tim pirou na batatinha mas acabou produzindo dois álbuns fora de série, mas que não entram neste box.
Baita músico, baita cantor! Figuraça!
Tim Universal Maia - Box com 8 CD's + 1 DVD CD's: Tim Maia (1970); 'Tim Maia' (1971); 'Tim Maia' (1972); 'Tim Maia' (1973); 'Tim Maia' (1976); 'Tim Maia' (1980); 'O Descobridor dos Sete Mares' (1983); 'Sufocante' (1984) DVD: 'Tim Maia In Concert' (especial para a Rede Globo de 1989) Universal Music (2010) R$ 169,00
Saindo nova biografia do Camaleão. Pelo que li a respeito vale pedir pro Papai Noel. Parece ter um pouco mais do olhar de fã sobre a obra e o artista do que a maior parte das muitas outras biografias já lançadas por aí sobre o cara. Mais informação, mais conteúdo, mais curiosidades, mas acima de tudo imparcialidade mesmo sob o olhar de um fã. Assunto é que não falta na rica carreira deste que é um dos maiores nomes da história do rock. ***********************
Caiu em minhas mãos por algumas cargas d'água, destas da vida, o livro "SciFi=SciFilo" do doutor em filosofia e apaixonado por filmes de ficção científica, Mark Rowlands, que a partir de obras cinematográficas deste gênero traça paralelos, estabelece comparativos e pontos de análise de princípios filosóficos, meio que 'explicando' a filosofia através destes filmes. Um grande barato! Bem legal mesmo a ideia! Como o próprio autor coloca na introdução, os filmes de ficção, muitas vezes subestimados, ridicularizados, desprezados, se prestam, sim, admirável e surpreendentemente a análises filosóficas extremamente sólidas e profundas, possivelmente, mais até do que filmes tidos como 'sérios' ou 'cabeça'.
No livro Rowlands analisa, entre outros, "Star Wars" sob a ótica do maniqueísmo, em que George Lucas coloca tudo como sendo o BEM e o MAL; pergunta como fica o livre arbítrio quando se sabe que vai-se cometer um crime como em "Minority-Report"; e a partir daquele final emocionante e reflexível de "Blade Runner" , discorre sobre o sentido da vida.
Alguns dos filmes acabam na minha opinião sendo mal utilizados nas analogias como é o caso de "Frankenstein" que para mim toma uma linha que pode prestar-se à filosofia, mas que fica distante do âmago da história em si criada por Mary Shelley e das suas adaptações cinematográficas; ou o caso também de "O Exterminador do Futuro" no qual ele desperdiça a possibilidade de análise do filme em nome de capítulos e mais capítulos versando sobre dualismo e materialismo, praticamente deixando de lado o cinema. Fica muita filosofia e pouca ficção científica neste ponto do livro.
Legal mesmo o capítulo sobre "Matrix", um dos filmes dos últimos tempos que provavelmente mais se prestam a este tipo de análise. Sobre este, Rowlands ataca na incerteza de termos certeza de alguma coisa e deixa, com aval de Descartes, Nietzsche e Hume, a pulguinha atrás da orelha de 'será que o mundo que conhecemos é o mundo tal como é?' Será que não vivemos numa espécie de matrix? Bobagem!!! ...Ou não?
Outra comparação pertinente é sobre um filme que nem é tudo isso mas que se presta perfeitamente à avaliação filosófica: "O Homem Sem Sombra" levanta a questão da moralidade e por que ser moral? Tipo: se você tivesse a faculdade de ficar invisível será que você não sairia por aí entrando em vestiários femininos, assaltaria um banco, sacanearia quem você não gosta ou faria coisas ainda piores? Será que a 'proteção' de uma invisibilidade, da impossibilidade de sermos identificados não nos seria a permissão para fazer tudo aquilo que sempre tivemos vontade de fazer, impunemente? E sendo assim, então não fazemos estas coisas não por um senso moral mas apenas por um medo de punição? Boas perguntas?
Bem bacana! Escrito com conhecimento, com citações, com base, mas muito despojada e descontraídamente. Legal especialmente pra quem viu os filmes (que por sorte e por vício eu já tinha visto todos).
Pra quem acha que filmes de monstros, de robôs, de naves, de alienígenas são só besteira, bobagem, estupidez, "SciFi=SciFilo" é uma resposta inteligente, muitíssimo qualificada e acima de tudo gostosa e bem-humorada.