Visitei hoje à tarde, em seu último dia, a Rio Comicon Internacional, que aconteceu na antiga estação ferroviária Leopoldina, um lugar interessantíssimo, de fantástico potencial para abrigar este tipo de evento ou mesmo um permanente centro cultural, mas que infelizmente encontra-se em mau-estado de conservação e num local bem degradado da cidade. Mas no que diz respeito ao evento que esteve ausente do Rio por 20 anos, este reúne o que há de melhor, mais atual e interessante nas manifestações gráficas de artistas, cartunistas, ilustradores, desenhistas, criadores, roteiristas, especialmente no tocante a quadrinhos mas também abrangendo outros âmbitos como animação, 3D, games, etc. Na exposição encontra-se desde emergentes no cenário cartunista nacional como o pessoal da Beleléu, que cada vez mais se consolida como uma das publicações mais legais do gênero no país; até consagrados como Angeli, Laerte ou o Ota, os meus preferidos na matéria, por sinal. Destaque também para, Fábio Zimbres da ótima publicação "Vida Boa" e para os excelentes Fábio Moon e Gabriel Bá, que estavam inclusive em tarde de autógrafos neste domingo, realizadores da, já citada aqui, adaptação de "O Alienista" de Machado de Assis para HQ e de outras tantas obras elogiadíssimas até mesmo em nível internacional.
A Estação Leopoldina - potencial para um belíssimo centro cultural
Mas o destaque principal desta festa dos quadrinhos e homenageado do Comicon nesta edição era mesmo Milo Manara. Um dos maiores nomes do desenho, da gravura, do cartoon internacional, colaborador e amigo de Federico Fellini, que teve lá expostas mais de 100 obras originais. O que dizer do cara? Mestre! Mestre!!! Simplesmente fantástico: O traço, o movimento, a sensibilidade, a sensualidade. Gênio da sua matéria! Infelizmente não pude vê-lo falar no sábado à noite, quando aconteceu sua palestra. Deve ter sido ótima, acredito. Mas o simples fato de VER, assim, sua obra, para um cara como eu, desenhista, amante de quadrinhos, do cinema de Fellini, e tudo mais, já é algo fora do comum.
No interior, o público curtindo a exposição - painéis de diversos artistas.
Aproveitei minha ida e a farta oferta e exposição de material de artistas e editoras independentes e adquiri meu exemplar da revista-zine Golden Shower, idealizada e realizada por amigos e da qual, um pouco por não concordar muito com o caminho que as coisas estavam tomando no início, um pouco pela minha dificuldade de trabalho em equipe, outro tanto por causa do meu egoísmo cavalar e meu individualismo exagerado, acabei por não fazer parte. Mas, desde já, mesmo só com uma breve olhada, recomendo. Ficou bem legal. Parabéns, Pati, Cynthia, Daniel e a todos os outros que fazem parte do projeto mas com quem não cheguei a ter contato.
Todos os estilos, desde traços mais básicos a acabamentos mais elaborados como este
Um dos meus favoritos: Laerte
E outro dos preferidos, Angeli
Este ilustre blogueiro em companhia do 'Homem-Aranha'.
"A pátria Desenhada", a história da argentina em quadrinhos (em destaque, a Guerra das Malvinas)
Milo Manara
Como grande destaque e principal nome do evento, vai aí uma seçãozinha à parte:
Entrada da exposição de Milo Manara
Gravuras do mestre, sempre com mulheres formosas.
As colaborações com o amigo Fellini;
Aqui, "Satyricon"
...o clássico "8 e 1/2",
meu filme preferido de Fellini
... "Ginger e Fred"
...e o próprio Fellini ao telefone
E ainda, os nus, corpos femininos, sensualidade, erotismo,
marcas registradas da obra de Manara.
Por diversas vezes já li por aí que seria este o maior disco da música brasileira.
É provavelmente o disco mais declaradamente influente na discografia nacional: canso de ver, ler, ouvir artistas dos mais variados dizerem que este, "A Tábua de Esmeralda" fora o disco que mais influenciara seus trabalhos: Samuel Rosa do Skank, Fred 04 do Mundo Livre S.A., Falcão dO Rappa, Mano Brown dos Racionais, e por aí vai.
Talvez o disco brasileiro que mais tenha causado aquela vontade de tocar, de ter uma banda, de fazer um som, provavelmente por conter toda aquela brasilidade, aquele swing, aquele balanço, mas com uma linguagem (incrivelmente) tão universal, com todo aquele rock, com doses de reggae, de funk, de soul e tudo mais de todos os ritmos negros possíveis.
Depois de uma estréia incrível com o ótimo "Samba Esquema Novo", Jorge Ben meio que se repetiu na sequência com “Ben é Samba Bom” e “Sacudin Ben Samba”, e mesmo mantendo um nível de qualidade bastante interessante, não apresentou nada de muito impressionante nos discos seguintes, exceção feita, na minha opinião a “Ben” de 1972, que também merece destaque especial. No entanto, sua evolução era notória, era gradual, e agregando um elemento daqui, outro dali, experimentações, influências, experiência musical, em 1974, com “A Tábua de Esmeralda”, Jorge atingia então um patamar superior na sua obra e na música brasileira como um todo.
Sob a luz de suas novas descobertas e estudos acerca de misticismos, escritos antigos, alquimistas, santos, magos e outros assuntos metafísicos, o ‘sambista-roqueiro’ concebia então um álbum verdadeiramente mágico. Uma obra criativa, coesa, refinada e de uma sofisticação que talvez nem ele mesmo tivesse noção naquele momento.
A produção é mais trabalhada e detalhada que nos discos anteriores, em parte, até para transmitir uma sensação etérea, algo cósmica, com ecos e efeitos; mas não se limitava a isso: há cordas em várias canções, os côros tem uma orientação direcionada ao que se pretende de cada sonoridade, o violão de Jorge Bem soa diferente a cada faixa. É primoroso.
O disco abre com “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas” e seu côro condutor marcante, num samba bem no seu estilo característico com aquela levada forte do violão mas já com uma letra que dá a tônica do disco: o lado místico do universo. O assunto ronda praticamente todo o disco, desde a capa com gravuras que o alquimista Nicolas Flamel encontrou no livro de Abraão, passando por uma citação ao título do livro de Erich Von Däniken, “Eram os Deuses Astronautas?” na faixa “Errare Humanun Est”, ou por uma letra adaptada de um escrito antigo que o faraó Hermes Trismegisto teria feito em uma lâmina de esmeralda, gerando uma inusitada 'parceria' do músico com o tradutor da tábua, o alquimista Fulcanelli como letrista, por assim dizer; ou ainda mesmo em faixas que aparentemente não tem nada a ver com a coisa toda, como a excelente “O Homem da Gravata Florida”, que reverencia o alquimista Paracelso.
Mas fora a coisa toda de misticismo, esoterismo e coisa e tal, é mesmo musicalmente que o álbum manda ver: “Menina Mulher da Pele Preta”, uma das grandes do disco é um daqueles sambas sensuais que o cara sabia fazer como poucos; a já citada "Errare Humanum Est" vai num crescendo mágico até finalizar num ápice de cordas acompanhado de uma contagem regressiva pra subir pro espaço; “O Namorado da Viúva” é um sambinha irreverente e gostoso também bem típico dele assim como a delicada “Magnólia” que traz um saboroso refrão. “Zumbi”, uma de suas melhores letras, é um samba cheio de swing também contando com arranjo de cordas e com uma retaguarda vocal bem bacana que dá peso e força à música; a genial “Brother” é um funk cadenciado com toques de gospel e uma letra num inglês tão tosco que faz de uma música que tinha tudo pra ser apenas uma cópia de estilos americanos, torne-se algo extremamente original; e o disco fecha em grande estilo com a melancólica “Cinco Minutos (5 Minutos)” com uma interpretação fantástica, inspirada e emocionante de Jorge, com um violoncelo choroso criando toda uma atmosfera de despedida. Grand finale!
Um dos discos mais IMPORTANTES da música brasileira e um dos melhores dela. Um dos poucos que é praticamente unanimidade entre público, críticos e músicos. Infelizmente nem todos que o ouviram, se inspiraram nele, conseguiram fazer algo de bom: o tal samba-rock se popularizou e vulgarizou e no fim das contas virou um balaio de gatos só. Mas se existe tal termo e se tem alguém que possa merecer ser considerado mestre na matéria é Jorge Ben, e um disco que simbolize toda sua qualidade e criatividade, é "A Tábua de Esmeralda".
Alquimia pura!
********************************
FAIXAS:
Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas
O Homem da Gravata Florida (A gravata florida de Paracelso)
Errare Humanum Est
Menina Mulher da Pele Preta
Eu Vou Torcer
Magnólia
Minha Teimosia, Uma Arma para te Conquistar
Zumbi
Brother
O Namorado da Viúva
Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda (Tratado Hermético Escrito Pelo Faraó Egpicio Hermes Trimegisto e Traduzido Por Fulcanelli)
"Robert Johnson foi o mais importante cantor de blues que já viveu."
Eric Clapton
Ele pode não ter sido o inventor do blues, mas com certeza é seu nome mais importante. Sei que existe um B.B. King, existe um Hooker, um Diddley, um Sonny Boy... Sei, sei. Mas nada se compara à técnica, à genialidade, à singularidade, à sua lenda.
Robert Johnson é daqueles músicos inovadores na sua arte. Daqueles caras que são divisores de águas, tipo: até ali a coisa era assim, a partir dali... Johnson mudou a batida do gênero, mudou o tom tradicional, saiu do trivial, e tudo isso só com um violão, que diga-se de passagem, reza a lenda, era velho e de péssima qualidade.
A propósito, não só o próprio R.J. por si só já é legendário, como muitos fatos que o cercam tem versões duvidosas e mal contadas: a começar pela sua data de nascimento, totalmente imprecisa, com registros de 1909, 1912, mas em princípio considerada oficialmente como 8 de maio de 1911; tem essa do violão, que além de ruim, diz-se, teria cordas enferrujadas quando Johnson fez as gravações (e no entanto, saiu o que saiu); outra é sobre as da versões de sua morte, prematura, aos 27 anos; uma delas atribuída a um uísque envenenado por um marido ciumento cuja esposa teria tido algo com Johnson; outra versão dá conta que teria levado um tiro por circunstâncias semelhantes; numa outra, pneumonia; em outra, sífilis; em outra ainda que teria sido encontrado urrando no corredor de um hotel e então ali morrido; o fato é que na certidão de óbito só consta "sem médico". Mas independente da causa mortis oficial, independente do modo como tenha acontecido, conta outra lenda, a mais impressionante e sobrenatural delas e a mais conhecida, que teria acontecido tão cedo, com apenas 27 anos de vida, por causa do resgate de uma dívida de Johnson com o demônio, que teria cobrado a alma prometida pelo cantor em um suposto pacto, que tivera o objetivo de obter talento e sucesso na carreira de cantor. Há uma outra ainda, vinculada à esta última, que sugere que haveria uma trigésima música (Johnson só gravou 29 canções) que teria ficado 'presa' em uma encruzilhada, onde o blueseiro teria feito seu trato maligno. Aliás, títulos como "Me & My Devil Blues" e "Crossroad Blues" que ajudam a alimentar a lenda.
A história do pacto é tão conhecida, tão rodeada de uma aura fantástica e poética que inspirou, por exemplo, músicas como "Mississipi" de Celso Blues Boy e o filme "A Encruzilhada" que conta exatamente a história de um rapaz que procura a tal da 30° música de Johnson. Demais é o duelo de guitarras do garoto contra o demônio, que no filme é nada menos que Steve Vai.
Mas voltando à obra de Robert Johnson, não há um álbum propriamente dito, já que todas as canções foram gravadas em 1936 e 1937 e na época as gravações era em compactos com uma ou duas músicas apenas. A compilação definitiva com todas as faixas (possíveis) e seus outtakes saiu em 1990 numa bela caixa em edição de luxo com dois CD's chamada "The Complete Recordings", e, amigos, esta caixa é fundamental. Ali está toda a essência do blues e o alicerce do rock. Tem ali toda a alma, a batida, o ritmo, a melancolia e a beleza. Todas as 41 faixas são bala, mas as minhas favoritas são "When You Got a Good Friend", "Sweet Home Chicago" e "They're Red Hot", só pra citar algumas.
Robert Johnson é ainda hoje um dos nomes mais influentes do blues frequentemente citado e gravado por uma porrada de músicos de rock, nos seus mais variados estilos e qualidade, como Rolling Stones, Simply Red, Eric Clapton, White Stripes, Red Hot Chilli Peppers, Led Zeppelin, entre tantos outros.
**********************************
FAIXAS: ROBERT JOHNSON- THE COMPLETE RECORDINGS (1936-1937) Disco 1 1. Kind Hearted Woman Blues 2:49 2. Kind Hearted Woman Blues (alternate take) 2:31 3. I Believe I'll Dust My Broom 2:56 4. Sweet Home Chicago 2:59 5. Rambling on My Mind 2:51 6. Rambling on My Mind (alternate take) 2:20 7. When You Got a Good Friend 2:37 8. When You Got a Good Friend (alternate take) 2:50 9. Come On in My Kitchen 2:47 10. Come On in My Kitchen (alternate take) 2:35 11. Terraplane Blues 3:00 12. Phonograph Blues 2:37 13. Phonograph Blues (alternate take) 2:35 14. 32-20 Blues 2:51 15. They're Red Hot 2:56 16. Dead Shrimp Blues 2:30 17. Cross Road Blues 2:39 18. Cross Road Blues (alternate take) 2:29 19. Walkin' Blues 2:28 20. Last Fair Deal Gone Down 2:39
Disco 2 1. Preaching Blues (Up Jumped the Devil) 2:50 2. If I Had Possession over Judgment Day 2:34 3. Stones in My Passway 2:27 4. I'm a Steady Rollin' Man 2:35 5. From Four Till Late 2:23 6. Hellhound on My Trail 2:35 7. Little Queen of Spades 2:11 8. Little Queen of Spades (alternate take) 2:15 9. Malted Milk 2:17 10. Drunken Hearted Man 2:24 11. Drunken Hearted Man (alternate take) 2:19 12. Me and the Devil Blues 2:37 13. Me and the Devil Blues (alternate take) 2:29 14. Stop Breakin' Down Blues 2:16 15. Stop Breakin' Down Blues (alternate take) 2:21 16. Traveling Riverside Blues 2:47 17. Honeymoon Blues 2:16 18. Love in Vain 2:28 19. Love in Vain (alternate take) 2:19 20. Milkcow's Calf Blues 2:14 21. Milkcow's Calf Blues (alternate take) 2:20
********************************************
Ouça: Robert Johnson The Complete Recordings
Já nasceu clássico!
Num vazio de sonoridade, atitude, ídolos e identidade, "Nevermind" aparecia como uma luz, como uma perspectiva em meio a um universo rock perdido e inexpressivo.
"Smells Like Teen Spirit" era o novo grito de uma geração. Com sua letra aprentemente desconexa e alienada, era na verdade praticamente uma súplica de "nos dêem alguma coisa". Era um libelo, ao mesmo tempo que um reflexo de uma juventude vazia.
Kurt Cobain era a personificação daquele momento; mas mais precisamente, de tudo CONTRA aquele momento: perturbado, agressivo, inconformado, sarcástico, triste... Suas letras transpareciam isso. Sua fúria mostrava isso. E sua morte prematura comprovou que tudo aquilo não era só mise-en-scène como muitos rockstars fazem por aí.
Mas voltando ao álbum, além do clássico "Smells Like Teen Spirit", responsável pelo estouro e ascensão da banda, apresenta-nos músicas intensas como "Come as You Are", o foguete destruídor chamado "Territorial Pissings", os gritos de fúria de "Breed" e "Lithium" ou uma balada acústica dorida e melancólica como "Something in the Way" que fecha o disco.
Tem mais: a grande "In Bloom", a ótima "Polly; outra pedrada: "Stay Away", e por aí vai...
Um discaço!
Uma porrada!
Um verdadeiro tiro na cabeça!
O Nirvana viria a confirmar que este baita disco não fora exceção ou obra do acaso com o ótimo "In Utero" lançado depois em 1993, mas foi "Nevermind", efetivamente, que depois de muito tempo sem álbuns significativos na história do rock, conseguiu tornar-se um daqueles que se pode chamar FUNDAMENTAL.
************************ FAIXAS:
Por uma iluminada indicação, fui assistir no último dia 28 de outubro, a 7ª edição do Dia Internacional da Animação, num Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do RS, bem preenchido de gente. Esta data é comemorada todos os anos em várias cidades no mundo e do Brasil com uma mostra com o que há de mais inovador na animação nos quatro cantos do planeta. Foram duas horas, começando pela primeira de títulos estrangeiros de vários países, da África do Sul a Japão. Depois, os brasileiros.
"Diário de uma Inspetora
do Livro de Recordes" foi um dos destaques entre os internacionais.
No geral, muito legal; boas realizações, algumas melhores que outras, mas todas inclinadas a algo de vanguarda, de novo, e impressionando pela variedade de técnicas de animação. Dos internacionais, chamou-me muito a atenção dois dos três curtas portugueses: “Diário de uma Inspectora do Livro de Recordes” (de Tiago Albuquerque, 2009), uma animação em flash bastante crítica, contato apenas com offs da protagonista (que, assim como todos os outros seres, aparece somente de silhueta) a vida mecanicista e burocrática de uma mulher cujo trabalho é verificar recordes do Guinness. Tudo em grande plano, como que mostrando estar constantemente distante de qualquer emoção. O outro representante luso, e o que mais me impressionou, foi “Pássaros”, de Filipe Abranches (2009). Com claras referências ao filme de Hitchcock, mas com um teor mais áspero, mostra em traços quase rascunhados sobre papel pássaros que mantinham outros de sua espécie engaiolados, num sistema de vida triste e sem questionamento. Com um desfecho entre o surreal e o trágico, deixou-me pensativo quanto aos possíveis “pássaros” que eu ande enjaulando.,,
Mas as produções brasileiras foram as que mais agradaram ao público, e diria que a mim também. De cara, “Bonequinha do Papai” (São Paulo /2010), dirigido por Luciana Eguti e Paulo Muppet, um videoclipe retrô-futurista com desenhos estilo anos 20 (mas com uma animação dinâmica e moderna) feito sobre a música homônima de Edgar Scandurra (ex-Ira!) e Antonio Pinto, arrancou aplausos da plateia. Constante no ótimo CD e DVD “Pequeno Cidadão”, projeto do multimídia Arnaldo Antunes (que, aliás, participa da música) com os seus filhos e de parceiros com seus respectivos pequenos.
"Como Comer um Elefante" arrancou
muitas risadas do público.
“Tromba Trem” (de Zé Brandão, Rio de Janeiro /2009), sobre as aventuras de um elefante desmemoriado que cai do céu em pleno cerrado brasileiro, onde encontra uma tamanduá vegetariana e uma colônia de cupins que acreditam ser de outro planeta, e “Como Comer um Elefante” (de Jansen Raveira, Niterói /2008), fizeram a galera rir bastante, principalmente este último, uma inteligente comédia sobre a experiência traumatizante de uma burrinha aspirante a Miss que não consegue ler (e nem entender) “O Pequeno Príncipe”.
A solidão é retratada em "O Acaso
e a Borboleta".
Mas dois podem se dizer excepcionais. Primeiro, “O Acaso e a Borboleta” de Tiago Américo e Fernanda Correa (PR-2009): minimalista e usando uma técnica chamada Rotoscopia, mostra a solidão de uma mulher ao longo da vida, da infância até a velhice, destino acompanhado pelo errático voo de uma borboleta. Sensibilíssimo – e pessimista. Mas bem bonito. O outro, “Eu queria ser um monstro”,produção fluminense de 2010 (veja o trailer) talvez até tenha me impressionado por não ter dado muito por ele quando li a breve resenha. Mas a beleza lúdica do olhar de criança (o off que narra a história é justamente deste tal menino de ideias “monstruosas”) e a condução competente do diretor/animador Marão, usando stop motion e lápis sobre papel, surpreenderam não só a mim, mas o público em geral, que suspirou enternecido ao final. História simples, mas contada com poesia, vencendo até a frágil dublagem de alguns personagens (por sorte, a do menino e do seu pai ficaram ótimas). Não à toa foi escolhido Melhor Filme Brasileiro no Anima Mundi Rio 2010.
Trailer:"Eu queria ser um monstro"
Assistindo mostras como estas fica bastante reconhecível de onde sai a inspiração da publicidade nas milhares de animações que vemos todos os dias nas propagandas de TV e internet. Valeu a correria para chegar em tempo no Centro. E valeu a indicação.
************* Este festival, comemorado desde 2000 em várias partes do mundo há 7 no Brasil, homenageia a primeira sessão pública de uma animação ocorrida na história, que aconteceu num dia 28 de outubro de 1892 (3 anos antes do cinematógrafo ser apresentado pelos irmãos Lumière), quando Emile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grevin, em Paris.
*************
Pra quem quiser daruma conferida mais detalhada ou mais informações, vai aí o site da mostra no Brasil: http://www.abca.org.br/dia/index.php.
Fui ontem ver a Black Dog, banda cover do Led Zeppelin, no Rio Rock & Blues Club, meu local favorito da noite do Rio de Janeiro, onde mais uma vez assisti a um belo show.
Banda excelente!
Grandes músicos, time entrosadíssimo, ótimo vocalista.
Para minha agradável surpresa, após duas músicas iniciais no show começaram a tocar, "Black Dog" (feroz!), depois "Rock'n Roll" destruidora, "Battle of Evermore" muitíssimo bem executada. Ôpa! Eu conheço esta sequência... Aproveitei na parte sem bateria de "Stairway to Heaven", que o bateirista saíra do palco e perguntei se ia rolar "When the Levee Breaks". Aí que ele me disse que iam tocar mesmo o disco inteiro.
Cara! Eles tocaram o "Led Zeppelin IV" na íntegra!!!
(Êxtase, êxtase, êxtase!)
E por ter perguntado, quando tocaram "When the Levee Breakes", vi aquela sinalização lá do fundo do palco, do bateirista pra mim, como quem diz, "toma aí, então!". E soltaram a bomba! Aquela batida pesada, marcada, dava início ao último ato do "Led IV". Um petardo demolidor.
O show meio que se perdeu na sua segunda parte quando tocaram outras coisas como Deep Purple por exemplo, não foram tão felizes na escolha do repertório e a meu ver se alongaram um pouco além da conta em algumas improvisações; por outro lado, há de se destacar nesta segunda metade, após a execução do disco do velho, a excelente performance da banda para a monumental "Kashmir" conseguindo reproduzir toda sua grandiosidade.
Mais uma grande noite de rock'n roll no RR&BC.
- Olha lá, olha lá! - Lá vem ela. - Brutal. - Brutal... - Brutal!!! - Concordavam os três. Viviam babando por ela no pátio do colégio. Devia ser do terceiro ano, tinha já jeito de mulher, de mulherão. Não sabiam sequer o nome da garota. Achavam-na tão fantástica, tão fora do comum, de uma lindeza tal que poderia aniquilar todas as outras a um mero desejo, que a batizaram simplesmente de "Brutal". Era um apelido, uma alcunha e ao mesmo tempo um adjetivo, uma definição para qualquer ato que ela tivesse. Observavam cada movimento dela nos corredores da escola, no bar, no ponto do ônibus, como se fossem praticados de uma maneira diferente de qualquer outro ser humano, ou pelo menos muito mais sensualmente do que qualquer mulher os faria. Tipo: - Olha aquilo: ela tá tomando refrigerante... Mmn! Brutal, cara! - Brutal... - Brutaaal!!!! Outra hora era: - Olha o jeito que ela anda... Nooossa! - Brutal , hein! E os outros concordavam: Brutal! Brutal! Depois: - Cara tu perdeu ela bocejando. - Puta merda! Como é que foi? - Brutal, cara! Brutal. - Puta que pariu, - lamentou - perdi isso! Podia ser subir a escada, comer um sanduíche, pentear o cabelo, embarcar no ônibus; tudo se resumia a uma palavra para aquela musa: Brutal! Certa vez, já babando e tendo pronunciado a palavra 'brutal' umas 30 vezes e atribuindo-a a cada pequena ação da moça tal como piscar, respirar, etc., tiveram a impressão que ela se encaminhava na direção deles no pátio. "Impressão nossa", disse um. Só quando ela estava a uns três metros, estupefatos, tiveram certeza, sim, ela ia falar alguma coisa com eles. "O que que ela poderia querer com a gente?". Foi então que ela perguntou: - Algum de vocês sabe se a secretaria abre hoje? - Pô, não sei dizer, não - respondeu o primeiro meio embaraçado. - Também não - disse o outro. - Aí, ... tipo... Não sei, mesmo - confirmou também o último. - Ah...Tá bom. 'Brigadinho. Tchau! - Tchau - em uníssono. Assim que ela se afastou um pouco, sem sair completamente do transe, um deles conseguiu falar: - Vocês viram isso? - Se vi... - exclamação que saiu entre uma espécie de suspiro. - Brutal!!! - Brutal... - Brutal.
Depois de ter ficado olhando pros cantos do quarto com "Atividade Paranormal" (2009), fui tentar o segundo da franquia dando alguma chance, botando alguma fé. Mas é bem inferior que o primeiro. Muito inferior.
Não tem nada de novo!
Repete a mesma história, as mesmas cenas, não traz nenhuma sensação ou emoção nova, não incute mais medo, nem passa tanta tensão. Só tem mais câmeras que o primeiro por causa do circuito interno da casa mas, a rigor, isso não se traduz em vantagem alguma. Este é até pior no que tange ao 'pseudo-realismo' proposto uma vez que muitas cenas não se justificam estarem sendo filmadas com câmera na mão, no modelo documentário.
De legal mesmo tem o fato de neste ter um cachorro e uma criança; o animal sempre é legal nestes casos pelo fato do instinto do bicho, de ter seus sentidos mais aguçados inclusive para o invisível, e uma criança sempre dá um ar mais inocente, , queridinho, comiserativo porém aterrorizante.
Mas é fraco, amigos. É fraco.
A vantagem é que vou passar uma noite tranquila.
Desde moleque eu tinha uma mente meio rebelde; nada muito pesado, mas eu já pensava em fazer coisas diferentes. Jamais pensei que um dia conheceria o PE.
Foi em meados de 1991/1992 eu acho, enquanto o mundo ainda vagava pela Acid-house, ou pelo Grunge , eu misturava o Rap com Hardcore, influenciado por uma música que tinha escutado. Eu pensava em mudar o mundo junto com mais alguns malucos e, ao mesmo tempo que isso acontecia na minha mente, estava acontecendo no mundo uma outra revolução: o Hip-hop. E junto a uma avalanche de artistas um grupo em especial me chamou a atenção: o PUBLIC ENEMY. O grupo nasceu quando o estudante de design gráfico e fã de hip hop, Chuck D resolveu criar um projeto musical com cujos objetivos eram basicamente modernizar as bases e batidas do rap e levar para o gênero as discussões políticas e sociais dos EUA. Para isso contou com Terminator X., Professor Griff e Flavor Flav. Em 1987 lançavam seu primeiro álbum, "Yo! Bum Rush the Show" e já o ano seguinte, apareceram com "It Takes A Nation of Millions to Hold Us Back". Com os sucessos "Don't Believe the Hype" e "Rebel without a Pause", alcançaram sucesso de crítica e extrapolaram as fronteiras do hip hop. Com "Fight de Power", presente na trilha de "Faça a Coisa Certa" (89), de Spike Lee, o Public Enemy atacava ídolos brancos, como John Wayne e Elvis Presley (o grupo depois iria amenizar essas críticas). No mesmo ano, Professor Griff era expulso da banda após supostas declarações anti-semitas dadas ao jornal "The Washington Post" mas a banda continuaria a conservar sucesso de crítica e público com "Fear of a Black Planet" (90) e "Apocalypse 91...The Enemy Strikes Black" (91). Em 1992, causaramm polêmica com o clipe "By the Time I Get to Arizona", que protestava contra o Arizona, um dos dois estados dos EUA que não consideravam feriado a data de aniversário do líder negro Martin Luther King (1929-68). A partir daí, a banda entrou em recesso criativo, lançando álbuns irregulares, o melhor deles sendo "He Got Game" de 1998.
Eu os conheci com o álbum "Fear of a Black Planet", e esse álbum me fez rever conceitos, e tenho certeza que de muitas pessoas também. A meu ver, foi o responsável pelo sucesso dos caras para o mundo, com músicas como "Fight the Power" e "911 is a Joke".
Depois comprei o "Apocalypse 91... The Enemy Strikes Back", e é desse álbum que vou falar:
Esse disco foi o que eu precisava ouvir para me sentir uma pessoa melhor, e acreditar finalmente que era possível ser um negro sem precisar empunhar uma arma, ou ter que sofrer com o preconceito.O movimento brasileiro de Hip-Hop, que vem aumentando até hoje e melhorando musicalmente, foi o que resgatou essa auto-estima de vários jovens pelo Brasil
Foi com o "duplão" dos PE que embalei boas sessions de skate pelos parques da capital gaúcha e mais tarde rolei em alguns campeonatos. Cara esse disco faz parte da minha vida até hoje carrego na case por onde vou.
Destaque para "Rebirth", "Shut Em Down" e "Bring The Noise", esta última gravada junto com a banda de metal Anthrax, o que daria início a mais uma revolução... mas isso é assunto pra outro texto.
********************************** FAIXAS: 1. Lost At Birth 2. Rebirth 3. Night train 4. Can’t Truss It 5. I Don’t Wanna Be Called Yo Niga 6. How To Kill A Radio Consultant 7. By the Time I Get To Arizona 8. Move! 9. 1 Million Bottle bags 10. More News At 11 11. Shut Em Down 12. A Letter to the New York Post 13. Get the F— Outta Dodge 14. Bring the Noise
Luciano Reis Freitas (Lúcio Agacê) é músico, DJ, produtor e radialista. Inquieto, está constantemente atuando em diversos projetos simultâneos especialmente na região metropolitana de PortoAlegre. Tem raízes musicais sobremaneira no punk, no rap, hip-hop, no funk e suas origens mas mantém sempre as antenas ligadas em todo o som que acontece à sua volta. Foi integrante, entre tantas outras, das bandas HímenElástico, Código Penal, Caixa Preta e atualmente está ligado às bandas Digue, Porlacalle, Grosseria e mais outros tantos projetos paralelos. Sites dele: http://meugritofazvocepensar.blogspot.com/ http://djbrasil.ning.com/profiles/profile/show?id=lucioagace&xg_source=facebookshare http://www.myspace.com/lucioagace