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terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Joy Division: Unknown Pleasures", de Peter Hook - Ed. Seoman (2015)





"Este livro é a verdade,
somente a verdade
e nada mais que a verdade...
do modo como me lembro."
Peter Hook




Comprei há poucos dias a biografia, "Joy Division: Unknown Pleasures", que aabou de sair no Brasil, escrita por ninguém menos que seu baixista, Peter Hook. Na verdade, apesar de ser um amante de música, não era muito de biografias de bandas e cantores até pouco tempo atrás quando li a muito boa "There's A Light That Never Goes Out - A Biografia", dos Smiths que, não somente pela história da banda em si, mas também pela boa estruturação e escrita, me despertou esse novo hábito. No caso desta do Joy Division, uma das bandas mais cultuadas de todos os tempos, o que me estimulou a querer lê-la é o fato de ser escrita por um dos integrantes, um cara inteligente, autêntico e bem articulado (polêmico, também) que tem grande possibilidade de produzir um bom material escrito. Além do mais, pelas informações que tenho do livro, parece que Hook em "Unknown Pleasures" traz uma abordagem nostálgica e carinhosa da época e dos integrantes, esquecendo em parte todo o desconforto que existe atualmente com seus ex-colegas deJoy Division/New Order. É lógico que a visão positiva do autor sobre aquele momento não o faz esquecer os momentos duros e difíceis do temperamento do vocalista e amigo Ian Curtis, seus problemas de saúde e o fatídico suicídio, mas só o fato de não ter uma disposição meramente rancorosa, privilegiando, como ele mesmo diz na introdução os fatos como ele lembra, já tornam a biografia recomendável para os fãs.
Como ingrediente extra, como se não bastasse tudo, o livro tem ainda um interessante prefácio de Edgar Scandurra, do Ira!, cara que com certeza, pelas raízes, viveu a cena pós-punk paulistana e de uma forma ou de outra, como a maioria das bandas dos anos 80, teve um pouquinho de Joy Division no DNA.
Por ser o autor quem é, um dos membros, um dos caras que estava ali todo o tempo, vivendo as coisas, convivendo com o instável Ian Curtis, e pela proposta tão corajosa e verdadeira, desde já, "Unknown Pleasures" me parece um documento indispensável pra qualquer fã desta banda que parece, ainda hoje, uma espécie de entidade, algo que não é apenas musical, algo que está entre nós de alguma forma. Poucos conseguiram isso até o hoje. E por isso o Joy Division goza de tamanho respeito e admiração em todos os segmentos do meio musical pop/rock. É uma verdadeira lenda e o legal de "Unknown Pleasures" é que, ao que aprece, Peter Hook não vem disposto a desfazê-la e sim a revelá-la ainda maior.



Cly Reis






sábado, 15 de janeiro de 2011

Joy Division - "Unknown Pleasures" (1979)




"Isto não é um conceito, é um enigma."
inscrição na contracapa do formato LP
de "Unknown Pleasures"



Lembro da primeira vez que ouvi Joy Division. Foi num programa da Rádio Ipanema FM de Porto Alegre, chamado Clube do Ouvinte, no qual um audiente qualquer escolhido pela emissora, comandava o programa e fazia um especial com seu artista ou banda preferida.
Peguei o programa já iniciado e não sabia o que era aquilo que estava ouvindo mas quanto mais ouvia, mais impressionado ficava. Aquele clima pesado, aquela voz dorida e angustiada me envolviam de uma maneira quase inexplicável. Na época estava muito ligado no chamado gótico, no dark, e aquela atmosfera sombria, depressiva  ia bem ao encontro dos meus gostos naquele momento. Descobri ao final do programa do que se tratava e logicamente fui buscar mais informações e material sobre os caras. Nisso descobri que não se restringia àquele darkismo e que tinha origens no cerne da cena punk inglesa do final dos anos 70. O primeiro disco que tive deles foi a coletânea "Substance" que, principalmente na primeira parte, revela sobremaneira este caráter: som minimalista, rápido, mais pesado, mais guitarrado, bem agressivo; no entanto, com o avançar das faixas e avanço do tempo nota-se cada vez mais a incorporação de recursos mais tecnológicos, o que faria definitivamente um diferencial do Joy em relação a seus contemporâneos. Mesmo sem muita técnica individual mas com ótimas ideias e com um excelente trabalho de estúdio do produtor Martin Hannet, que foi a fundo no som e nas possibilidades daqueles quatro rapazes de Manchester, ousavam em elementos eletrônicos, batidas programadas e sons pré-gravados, obtendo um som que ao mesmo tempo era inegavelmete punk, mas já se fazia prenúncio do gótico dos '80 e ao mesmo tempo já dava ares ao techno do início dos '90. Infelizmente toda essa avalanche criativa e potencial artístico musical foram interrompidos prematuramente pelo suicídio do vocalista Ian Curtis que já nas músicas gritava sua dor, seu desespero e efetivamente trazia com ele uma alma inquieta e angustiada que não suportou as pressões da vida e seus problemas de saúde.
"Unknown Pleasures", álbum que virou lendário por ter sido o único lançado durante a existência do grupo ("Closer", o outro de estúdio já estava quase pronto mas só foi lançado depois da morte de Ian Curtis) traz todas estas características sonoras e psicológicas: "Disorder" que abre o disco é um punk-rock clássico com batida acelerada, contrabaixo agressivo e guitarra ruidosa, mas com camadas de sintetizadores "flutuando" ao fundo o tempo todo; "Day of Lords" que a segue já tem uma levada mais marcada, mais lenta e melancólica mas sua letra é extremamente forte interpretada, principalmente na parte final, com uma emoção incrível por Ian Curtis; "Insight" é uma daquelas que já mostram o caminho eletrônico por onde os integrantes restantes iriam trilhar depois quando formariam o New Order: com uma condução bem uniforme do baixo de Peter Hook, é toda cheia de efeitos durante todo o tempo e culmina em 'refrões' sonoros que parecem uma espécie de guerra de raios laser. Uma pancada na mente!
"New Dawn Fades" uma das melhores do disco tem uma batida oca, uma linha lenta e grave e certamente a melhor guitarra dentre as músicas da banda, chegando a partir da segunda parte da canção a um êxtase absoluto juntamente com uma interpretação novamente destruidora de Curtis.
"She's Lost Control", outro grande exemplo da integração que o JD fazia como poucos dos recursos eletrônicos punk rock, tem uma batida praticamente tribal toda trabalhada e com efeitos, conjugada a um baixo que bem agudo e repetido, com uma guitarra distorcida e suja. Bateria e baixo chegam a parecer sampleados mas é só parte da maestria do malucão Martin Hannet atrás da mesa de produção. A propósito disso, um barato é ver no filme "A Festa Nunca Termina", Hannet tentando achar a melhor sonoridade para esta música e fazendo o baterista Stephen Morris (literalmente) levar a bateria para o telhado. Louco! (mas genial).

trecho do filme "A Festa Nunca Termina" de Michael Winterbottom (2002)


"Shadowplay", bem bacana, é um punkzinho um pouco mais tradicional, assim como "Interzone", só que esta mais agressiva até nos vocais; "Wilderness" tem um contrabaixo bem legal mas com um trabalho de bateria bastante interessante também; e "I Remember Nothing" que fecha o disco é daquelas que faz parecer que já se está 'do outro lado'. Uma batida seca ficando mais alta, um baixo mínimo e de repente o barulho de um vidro sendo estilhaçado dá a partida para mais uma daquelas interpretações desesperadas de Ian Curtis, constituindo algo como um vazio sonoro, uma música dentro do nada. Uma das melhores do álbum, uma das mais angustiantes e uma chave de ouro pra encerrar a obra.
Como se não bastasse toda a parte sonora, a parte mítica, as particularidades musicais, etc., o álbum tem ainda, na minha opinião, uma das melhores capas que conheço, com um gráfico de um medidor de pulsos captando a morte de uma estrela. Talvez Bernard Sumner, o guitarrista que sugeriu o conceito da capa não previsse mas acabou por ser, no fim das contas, muito significativo se formos analisar sob certo prisma, não?
Estrela, mito, lenda? Tudo isso e talvez nada disso. Se formos bem criteriosos vamos perceber que apesar das interpretações marcantes, Ian Curtis desafinava brutalmente em alguns momentos, principalmente ao vivo. Hook e Sumner eram toscos e Morris era quem estava um pouco mais pronto naquele momento. Mas fato é que com músicos, na época, bastante fracos, um vocalista doente limitado e com apenas um álbum, o Joy Division gravou, sim, seu nome na história do rock e este disco, "Unknown Pleasures" é daqueles, assim... FUNDAMENTAIS.
***************************************
FAIXAS:
  1. "Disorder" - 3:36
  2. "Day of the Lords" - 4:43
  3. "Candidate" - 3:00
  4. "Insight" - 4:00
  5. "New Dawn Fades" - 4:47
  6. "She's Lost Control" - 3:40
  7. "Shadowplay" - 3:50
  8. "Wilderness" - 2:35
  9. "Interzone" - 2:10
  10. "I Remember Nothing" - 6:00
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Ouça:
Joy Division Unknown Pleasures



Cly Reis

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division" - Peter Hook & The Light - Circo Voador - Rio de Janeiro (18/06/2011)



 Não tive a oportunidade de conhecer o Joy Division na época de sua curta existência, até porque tinha apenas 5 aninhos quando lançaram seu primeiro álbum e só fui conhecê-los mesmo no início de minha adolescência, ali pelos 13 anos de idade; mas então Ian Curtis, seu vocalista, já estava 'do outro lado' e a banda, disposta a seguir a vida após a tragédia, já se tornara o New Order e botava o mundo pra dançar com sua eletrônica "Blue Monday". Assim que, tirando alguma eventual 'canja' do New Order não haveria como ouvir as míticas canções do Joy Division executadas por seus integrantes originais. Mas, de todo modo, já perdi de ver o N.O. duas vezes e ao que parece não vou ver mais porque (pela milésima vez) eles dizem ter-se separado.
Mas eis que Peter Hook, baixista original, juntou uma meninada, ensaiou bem as músicas e caiu na estrada para homenagear o primeiro disco da banda, o lendário "Unknown Pleasures" . Aterrisou por aqui e neste último sábado apresentou no Circo Voador, aqui no Rio, o show "Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division", tocando na íntegra as músicas do álbum. Ora!!! Não haveria como perder uma chance destas! Não seria o Joy Division inteiro, é verdade, Ian está morto e nada vai mudar isso, mas presenciar um integrante original tocando um álbum como este não deixaria de ter um grande valor físico, musical e emocional. E a apresentação foi realmente emocionante. Uma alegria enorme para qualquer fã. Um dos poucos shows que passei praticamente todo o tempo com os olhos marejados. Empolgante nos momentos certos, visceral quando tinha que ser, sombrio na medida certa, e especalmente mágico o tempo todo.
Pra começar a loucura, os caras entraram no palco ao som de "Trans-Europe Express" do Kraftwerk, o que já foi de arrepiar; aí abriram a sessão com a instrumental "Incubation", que eu adoro e que minha banda tocava de vez em quando no estúdio; seguiram numa linha bem Warsaw com "No Love Lost" e "Leaders for Men", me surpreendendo porque, ao contrário do que eu imaginava, Peter Hook, que eu achei que fosse ficar só no baixo e fosse trazer um vocalista com um timbre parecido com o de Ian, assume à frente dos vocais e manda bem. Aí vem "Digital" e o lugar quase vai abaixo com a galera cantando o "day in, day out" do refrão num coro alucinado, na última antes da execução das músicas do disco clássico.
O "Unknown Pleasures" começa e "Disorder", um punk-rock embalado e gostoso de poguear, provoca uma catarse coletiva. Segue a belíssima "Day of Lords" com seu andamento lento e pesado, bem executada pelos The Light, mas que, por mais esforçado que Hook estivesse nos vocais, acabou perdendo a dramaticidade conferida pela voz e pela interpretação de Curtis.
Até então Peter Hook cantava, gesticulava, posava com seu instrumento musical, jogava-o pras costas mas a verdade era que, depois da primeira música do show, na qual teve algum desempenho, não tirara mais uma nota sequer de seu reluzente contrabaixo vermelho deixando tudo à cargo dos seus competentes comandados. Só que isto àquelas alturas era um pouco decepcionante haja visto que sua forma de tocar baixo como quem toca guitarra (não só performaticamente mas sonoramente também) era um dos elementos aguardados por mim com expectativa. Mas aí o cara parou de fazer posição e jogar o baixo pra trás e tratou de esmerilhar as cordas. "Insight", se perdeu alguma coisa no que dissesse respeito à ausência dos efeitos da versão do disco, ganhou em peso e intensidade com dois contrabaixos e com a afinação muito peculiar de Peter Hook; em "New Dawn Fades", uma das melhores não só dos álbum em questão como da banda, Hook voltava a destruir tudo, desta vez com aquela levada mais grave, numa canção densa, sombria e espetacular.
Abre-se o lado B com outro clássico, "She's Lost Control", que, igualmente, mesmo sem o trabalho de estúdio para a bateria, manteve a força, a pegada e a magnitude. É quase redundância destacar, mas o baixo de Hook, bem agudo e agressivo nesta música, soava de maneira simplesmente arrasadora.
"Shadowplay" seguiu com aquela espécie de força surpreendente; "Wilderness" trouxe outro show das quatro cordas de Hook; "Interzone" foi selvagem; e "I Remember Nothing", talvez tenha sido a que mais perdeu em relação à sua gravação original, sem os efeitos de vidros quebrados, sem conseguir reproduzir bem aquela sensação de vácuo e sofrendo pela inevitável falta do seu intérprete de origem que nesta canção faz muita diferença. Mas mesmo assim muito boa. Ganhou em energia, força, ruídos, agressividade.
Estava encerrado o álbum. Eu havia visto e ouvido um membro do Joy Division tocar um dos meus álbuns favoritos.
Mas como não nos déssemos por satisfeitos com aquela dádiva, eu e todos os outros fanáticos ali, ficamos ali a exigir mais e mais... E felizmente tivemos mais:
Hook e seus parceiros voltam para uma "Atmosphere" que, na verdade, a mim, não agradou muito; mas por outro lado para uma "Ceremony" que, essa sim, me deixou com lágrimas nos olhos. Saíram do palco de novo e voltaram, agora com Hook vestindo uma camisa número 10 da seleção brasileira com seu nome, para um bis final. Aí veio a boa "These Days", outra pré-Joy, "Novelty"; a vibrante "Transmission" e aquele "dance, dance, dance to the radio" sendo entoado pela plateia inteira com as mãos para o alto; e fechando com, provavelmente o clássico maior da banda, "Love Will Tear Us Apart" para delírio geral.
Estávamos todos repletos, contemplados. Nenhum nome teria sido mais justo para aquele show, para aquela festa do que o que foi dado: "A Celebration of Joy Division". Foi isso. Aquilo ali havia sido uma grande celebração. Uma celebração que revelava agora, prazeres até então desconhecidos.

SET LIST:

1.Incubation
2.No Love Lost
3.Leaders Of Men
4.Digital
5.Disorder
6.Day Of The Lords
7.Candidate
8.Insight
9.New Dawn Fades
10.She's Lost Control
11.Shadowplay
12.Wilderness
13.Interzone
14.I Remember Nothing

Bis:
15.Atmosphere
16.Ceremony

Bis 2:
17.These Days
18.Novelty
19.Transmission
20.Love Will Tear Us Apart




Cly Reis

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Joy Division: Unknown Pleasures - A biografia definitiva da cult band mais influente de todos os tempos", de Peter Hook - Ed. Seoman (2015)




" Este livro é a verdade,
somente a verdade
e nada mais que a verdade...
do modo que me lembro!"
Peter Hook





Que livro legal.
Que coisa boa de ler.
Peter Hook, baixista fundador da lendária Joy Division, surpreende pela desenvoltura e fluidez num relato honesto, sincero e bem-humorado. Hook, é verdade, às vezes se atrapalha um pouco, sai da linha de narração, volta para o ponto onde estava mas o faz bem e o andamento não fica prejudicado, o que para todo caso, pode ser socorrido por linhas de tempo ao final de cada período narrado pelo autor. Mas sua "desordem" não chega a se constituir num defeito. Pelo contrário, acho que confere mais espontaneidade à biografia e, de certa forma é um dos charmes dela.
Devo admitir que hesitei um pouco em adquirir e ler seu "Joy Division: Unknown Pleasures - A biografia definitiva da cult band mais influente de todos os tempos" acreditando que, em função das brigas com Bernard Sumner, das farpas com o New Order e dos processos judiciais que envolvem as partes, Hook viesse a ser muito parcial e tendencioso em seus relatos e análises dos fatos, mas isso com certeza não acontece. Ele revê erros, admite margem para possíveis equívocos, elogia e valoriza constantemente Barney, sem a mágoa, e constantemente se expõe, muitas vezes até de maneira comovente. 
"Joy Division: Unknown Pleasures" tem o grande benefício da memória de um dos integrantes que estava lá o tempo todo, e, por vezes, o charme da falta dela. Alguns episódios ficam nebulosos, mal contados mas o essencial, os momentos marcantes e importantes da banda são contados em detalhes  e, como eu falei, com a grande vantagem da impressão de alguém que vivenciou o instante. Os primeiros shows, o processo de composição, as gravações dos álbuns, os ataques de Ian. Nada melhor do que tudo isso ser relatado por alguém que fez parte daquilo tudo de maneira decisiva.
É bonito perceber o quanto ele admirava Ian Curtis, sua inteligência, sua presença de palco, sua liderança, e o quanto sente e ainda se questiona sobre o que poderia ter feito de diferente, de melhor para salvar o amigo. Legal também a enorme consideração que manifesta pelo produtor Martin Hannett, qualificando-o como gênio, mesmo admitindo discordâncias na época das gravações dos álbuns e até ainda hoje, alguma reprovação a alguns resultados finais para algumas músicas do Joy Division; saber que sua preferida é "Insight"; do orgulho de que um riff  seu, como o de "She's Lost Control", tenha sido cantado por alguém que admirava tanto quanto Ian e tenha se tornado um dos mais marcantes da banda; as pequenas pinceladas do que viria a ser o New Order; e as análises faixa a faixa das músicas dos dois álbuns da banda.
O livro traz diversas curiosidades, fatos engraçados, coisas de estrada, sacanagens entre bandas e muitas outras coisas que envolvem um grupo de rock, mas para mim uma das mais interessantes talvez tenha sido o fato de que um amplificador com defeito foi o que veio a definir o jeito de tocar de Peter Hook, nas notas altas, um dos baixistas que mais admiro e um dos estilos mais marcantes do mundo do rock.
Baita livro. Super-recomendo!


Cly Reis

domingo, 27 de novembro de 2016

Peter Hook & The Light - "Substance"



Já vi Peter Hook e sua banda na turnê que fizeram interpretando o álbum "Unknown Pleasures" do Joy Division e embora tenha gostado muito do show em si, permaneceu em mim muito fortemente a sensação de estar assistindo a um mero show caça-níqueis de um cara que em litígio com sua banda e nunca tendo emplacado grande sucesso com seus projetos paralelos ou independentes, apelava para o tiro certeiro de apoiar-se na aura mítica e cultuada de sua banda original. Pois neste meio tempo entre aquele show e o que se avizinha, no próximo dia 1º de dezembro no qual ele e a The Light, sua banda interpretarão os dois "Substance", o do Joy Division e o do New Order, esta impressão de mercenarismo musical foi amenizando-se em meu espírito, especialmente depois de ter lido a biografia "Joy Division: Unknown Pleasures - A biografia definitiva da cult band mais influente de todos os tempos" escrita por ele, na qual revelou-se, pelo menos pra mim, uma pessoa extremamente verdadeira, autêntica e de um envolvimento emocional tal com sua ex-banda, o Joy Division,  que lhe conferia, sim, legitimidade o bastante para ter o direito de tocar publicamente aquelas músicas.
E eis que agora o verei novamente, desta vez no Teatro Rival, aqui no centro do Rio, que está sendo chamado de Dia New Order no Brasil, uma vez que o restante da banda estará tocando em São Paulo na mesma data. Se da outra vez Hook e seus pupilos apresentaram um show bastante cru sonoramente, sem teclados ou efeitos, desta vez, pela proposta, creio que seja inevitável que tenham um aparato técnico maior até pelo fato de que muitas das músicas do "Substance" do New Order têm ênfase no eletrônico e até mesmo coisas do Joy Division da fase final, antes da morte de Ian Curtis já começavam a flertar com estes elementos.
Sinceramente não sei se na hipótese de ter New Order e Peter Hook no mesmo dia  e no mesmo lugar por qual eu optaria. Pesaria a favor do N.W. o fato de já ter visto Peter Hook na turnê anterior, mas a favor do baixista, o interesse pelo repertório de seu atual espetáculo. Decisão difícil... Bom, mas não precisei decidir: O New Order estará lá em Sampa e quem estará aqui, para minha igual satisfação é Peter Hook e se ele é um oportunista, mercenário, se sua turnê é um caça-níqueis, pelo menso, depois de conhecê-lo um pouco melhor nas páginas de seu livro, penso que ao menos é um caça-níqueis honesto.


fique com um drops do que vai rolar na quinta-feira
Peter Hook and The Light executando "Perfect Kiss" do New Order
no Wiltern, Los Angeles/CA em setembro deste ano.


C.R.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Copa do Mundo Joy Division - quartas-de-finais

 



Reta final da nossa copa do mundo musical.

Ficaram apenas oito times, são quatro jogos, estamos nas quartas-de-finais!

Se Unknown Pleasures entrou nas oitavas dominando, com metade dos participantes daquela fase, chega nesta agora praticamente em condições de igualdade com os demais, igualado com Closer e ambos apenas com um representante a mais que Substance.

A propósito de álbuns, os confrontos das quartas nos reservam dois clássicos regionais, A Means to An End contra Decades, pelo Closer, e Candidate versus Disorder, pelo Unknown Pleasures.

Os outros enfrentamentos podem não ser dérbis mas nem por isso são  menos encroados: duas clássicas, Transmission e Love Will Tear Us Apart se pegam entre si, e New Dawn Fades,  que eliminou uma das favoritas, She'sLost Control, enfrenta outra das mais marcantes da banda, a célebre Atmosphere.

Eis nossas quartas!

A sorte está lançada. Agora tudo está  nas mãos dos nossos especialistas.

Soa o apito. Começam as quartas-de-finais!


+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-




C.R.

D.R.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

As Melhores Capas de Discos








Grandes capas de discos. Aqui vai uma seleção das 10 melhores capas de discos, na minha modesta opinião.
No topo da minha lista está o Joy Division e seu "Unknown Pleasures" com sua capa minimalista, enigmática, que é na verdade um medidor de pulsos de uma estrela, em uma concepção de Peter Saville que aparece novamente na lista com a ótima capa de "Power, Corruption & Lies" do New Order, banda fruto do Joy, da qual o designer sempre foi colaborador.Outro que faz "dobradinha na minha lista é Andy Wahrol com a famosa capa do Velvet e com a provocante "Sticky Fingers" dos Stones.
Capas como as do PIL (Public Image Ltd.) "Metalbox" e a do Marley em seu "Catch a Fire" podem parecer muito simples numa primeira olhada mas sua concepção, conceito e formato as justificam. "Metalbox" vinha, efetivamente, em uma caixa de metal. O LP ficava em uma lata tipo rolo de filme que funcionava quase que como "proteção" ao ouvinte quanto ao material contido ali. "Catch a Fire", caso não dê pra notar, imita um isqueiro e aí, quanto ao conceito, em tratando-se de Bob Marley, não precisa falar mais nada. Uma curiosidade é que, assim como o álbum do PIL, este foi concebido para o formato vinil e sua capa abria como se fosse o isqueiro, mesmo, para cima.
A do Alice Cooper também pode se enquadrar nessas aparentemente comuns, mas note que a capa imita uma carteira de couro e as do "Sgt. Peppers..." e do "Dark Side..." dispensam comentários.

Dêem uma olhada na lista e se quiserem deixem a sua também.

Menções honrosas também para "Physical Graffiti" do Led com sua capa cheia de janelas, símbolos e enigmas, também para "Mezzanine" do Massive Attack, "Bandwagonesque" do Teenage Funclub, "Highway to Hell do ACDC, "Number of the Beast" do Iron, "In the court of King Crimson", "The Queen is Dead" dos Smiths, "Songs to Learn and Sing" do Echo com foto de Anton Corbjin e "Violator" do Depeche, concebida pelo mesmo, e ainda para a demoníaca "Live Evil" do Black Sabath com suas figuras simbolizando cada um dos seus clássicos.
ABAIXO, AS MINHAS 10 MELHORES:


1. Joy Division, "Unknown Pleasures"; 2. The Velvet Underground and Nico, "The Velvet Underground and Nico; 3. Nirvana, "Nevermind"; 4. PIL, "Metal Box"; 5. The Beatles, "Sargent Pepper's lonely Hearts Club Band"; 6. Alice Cooper, "Billion Dollar Babies; 7. bob Marley and the Wailers, "Catch a Fire"; 8. New Order, "Power, Corruption and Lies"; 9. Pink Floyd, "The Dark Side of the Moon"; 10. The Rolling Stones, "Sticky Fingers"

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Copa do Mundo Joy Division - Oitavas-de-Finais - CLASSIFICADOS

 




Nossos especialistas em Joy Division cumpriram sua missão e definiram os últimos 8 classficados na Copa Eterna.

A fase de oitavas não teve nenhuma grande zebra, até porque agora só tem time grande e nenhum resultado é exatamente absurdo.

A cadenciada Candidates eliminando a quase neworderiana Isolation pode ser considerada uma surpresa para alguns, mas a eliminação She's Lost Control mesmo sendo uma das favoritas, passa longe de ser um resultado improvável considerando a qualidade do adversário, a espetacular New Dawn Fades.

Mas enfim, vamos às considerações de cada um dos nossos julgadores e a apreciação de cada confronto das oitavas-de-final definindo os classificados para a fase seguinte.

Restam 8!

⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽


Daniel Rodrigues: 

Transmission 2 x Shadowplay 1

Quase uma final antecipada, ou pelo menos dois candidatos a campeão, que se pegam precocemente. “Shadowplay”, com seu jogo mais agressivo, marca primeiro. “Transmission”, no entanto, com seu estilo mais constante, não se apavora e empata já no primeiro tempo. O jogo vai para a segunda etapa nessa igualdade, com os dois times atacando, lá e cá. Encaminhando-se pro fim da partida, “Transmission” acha um pênalti. Gol de vitória apertada, com direito à comemoração de dancinha ao som do rádio.

Day of the Lords 1 x Love Will Tear Us Apart 3

Confronto pesado de “Unknown Pleaseures” vs. “Closer”. O primeiro, com forma de jogar mais convencional, mas não menos eficiente. O segundo com aquele futebol moderno, que lembra o futebol-total da Laranja Mecânica. Com um time de média de idade alta, “Day...” sabe o que faz e abre o placar numa jogada bem construída. Mas quando eles achavam que ia ser “o dia dos senhores”, o “amor” vem não para “separar”, mas para vencer. Com jogadas bonitas e tabelinha entre todos os integrantes, “Love...” vira o placar em poucos minutos e ainda acerta uma bucha no finzinho pra sacramentar. Na hora da comemoração, o atacante chama a câmera: “Closer! Closer!” E fez o gesto de coração com as mãos. É muito amor.


Roberto Sulzbach:

Candidate 2 x Isolation 1

Não foi fácil. Jogo duro, truncado e complicado. Isolation é formatada para trabalhar intensamente, marcação lá em cima, em um estilo "gen-pressing" que daria inveja ao ex-treinador do Liverpool, o alemão Jurgen Klopp. Já Candidate é mourinista: bloco baixo, jogando por uma bola. Mas, quando vem, é mortal. Isolation é talvez uma das músicas mais animadas de Closer. Segunda na track list, e seguida pelas batucadas envolventes de Atrocity Exhibition, acaba por acelerar o ritmo do disco. Candidate queima devagar; talvez seja a música que mais reforça a temática de UP ao longo da audição sequencial das faixas. Sendo assim, Candidate leva, por 2 a 1, em cima de Isolation.

I Remeber Nothing 0 x Decades 1

Duas canções que apostam no mesmo estilo: letras niilistas, envoltas em uma atmosfera manchesteriana. I Remember Nothing fecha UP de maneira magistral. Decades encerra Closer e te faz sentir em uma capela gótica do século XII, com seus órgãos sintetizados. A dinâmica é a mesma: estranheza e desconforto. Jogo muito parelho, mas Decades traz elementos únicos no catálogo da banda e acaba por levar o confronto.1 a 0, Decades.


luna gentile:

Something Must Break 1 x Disorder 3

Grande partida.Disorder abriu o placar com seu ritmo frenético e a energia inconfundível do baixo, mas Something Must Break reagiu com intensidade e clima sombrio.

No segundo tempo, o impacto histórico de Disorder fez a diferença marcando mais dois gols, garantindo a vitória.

Athrocity Exhibitions 1 x Atmosphere 2

Atrocity Exhibition assustou a defesa no início, mas a Atmosfera tomou conta do estádio e mudou completamente o clima da partida.

No segundo tempo, a pressão ficou no ar, a torcida respirou fundo e Atmosphere marcou o gol da virada nos acréscimos.


Cly reis:

Leader of men 0 x a means to an end 2

Jogo sem muita complicação. Leader of men é aquele time esforçado mas que não tem muito de onde tirar. por outro lado, A Means to An End é bem estruturada, tem um andamento embalado, um trabalho de bateria excelente e uma ótima interpretação de ian curtis. vitória tranquila de A means to an End. placar clássic: 2x0.

She's Lost Control 1 x New Dawn Fades 2

Dois grandes times. Duas camisas pesadas do Unknown Pleasures.

Estilos de jogo distintos. She's Lost Control com seu ritmo constante, jogada repetitiva, insistência. New Dawn Fades com mais alternativas, deslocamentos, variações de jogada.

Cada um à sua maneira, pelas virtudes de cada música, fazem um golfZnho no tempo normal. 1x1 nos 90 minutos.

O jogo vai para o tempo-extra e aí She's Lost Control não consegue controlar as investidas organizadas do adversário. A saída de bola com aquela introdução de bateria, o passe para o baixo, o ganho de intensidade, o solo da guitarra, a interpretação emocionante de Ian Curtis... New Dawn Fades chega com qualidade ao gol, tocando, e vence o jogo na prorrogação. Que jogaço,  senhoras e senhores! 



c.r
d.r.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

"A Tábua de Esmeralda: Jorge Ben", de Paulo da Costa e Silva, coleção O Livro do Disco - editora Cobogó (2014)




"Quanto mais eu ouvia Jorge  Ben, mais eu percebia que sua música é capaz de induzir
a um determinado estado de espírito: um estado de plenitude e força,
capaz de inspirar uma atitude altiva perante a vida.
Não por acaso sua lira é recheada de incríveis heróis, obstinados e orgulhosos guerreiros."
Paulo da Costa e Silva


"Ele é um enigma, porque ninguém sabe de onde vem a música de Jorge Ben (...)
Não é Jackson do Pandeiro, não é o pessoal do samba tradicional, 
também não é um cara que "Ah, esse cara trouxe o rock pro Brasil",
como o Tim Maia trouxe o soul.
Ele faz samba com algum tempero de música pop, rock, que depois foi ampliando,
chegou até a juntar samba enredo com disco music, fez algumas fusões assim,
mas ele realmente é um enigma, porque foi a alquimia mental dele
que transformou o samba no que ele fez.
Ele criou um samba dentro do samba..."
Tárik de Souza
jornalista, escritor e crítico musical



Desde o primeiro momento em que dei de cara com os títulos da coleção "O Livro do Disco" fiquei enormemente empolgado com a ideia e com a iniciativa de examinar grandes discos de forma mais detida e aprofundada. Muito desse entusiasmo deve-se ao fato que o conceito da coisa é muito próximo ao que fazemos aqui no ClyBlog na seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS onde dissecamos grandes discos de todos os tempos e todos os estilos buscando enaltecer as grandes virtudes que fazem daquela obra um trabalho de exceção. O interessante é que, assim como a nossa seção aqui do blog, a coleção da editora Cobogó não se amarra a um formato apresentando linhas de construção e análise diferentes entre os autores, valorizando ainda mais o projeto e mantendo sempre renovado o interesse para a leitura dos demais números.
"Unknown Pleasures" do Joy Division, o primeiro que li, esmiuçado pelo jornalista Chris Ott, tinha uma abordagem um pouco mais precisa e técnica, fixando-se muitas vezes em números, datas, equipamentos, pormenores e etc., sem deixar no entanto de chamar atenção para letras, motivações e outros aspectos particulares da banda. Leitura extremamente válida e rica, especialmente para os interessados em cada detalhe da obra de uma banda que tinha um trabalho de pós-produção muito significativo em grande parte por conta de seu produtor, Martin Hannet, um gênio de estúdio que se por um lado era altamente excêntrico, por outro era extremamente profissional, perfeccionista e exigente.
Já "Daydream Nation" do Sonic Youth é mais emocional. O autor Matthew Stearns descreve cada elemento com um fervor e paixão admiráveis. Se o do Joy Division repassava tudo, inclusive os singles da época, neste do Sonic Youth, os capítulos formam os lados do LP e cada lado (de um disco duplo) apresenta cada uma das faixas.
O que trata do disco de Jorge Ben, "A Tábua de Esmeralda", do pesquisador  Paulo da Costa e Silva, me surpreendeu uma vez que a proposta do autor foi a de não falar especificamente do disco e de suas faixas e sim abordá-lo de um modo mais amplo, mencionando suas músicas, é claro, mas não ordenando o livro e analisando uma a uma. O autor examina o interesse do cantor pelos assuntos de alquimia, misticismo e astrologia e como estes elementos funcionam dentro de sua obra sob diversos prismas como o da inventividade, o da transformação, o do comportamento, o da filosofia, o da modernidade, o do medievalismo. Embora não se detenha faixa a faixa, o autor se debruça mais atentamente sobre "Os Alquimistas estão Chegando" e toda a questão químico-místico-científica-filosófica que a envolve e como estes itens se traduzem na música de Jorge Ben, e mais aprofundadamente ainda sobre a canção "O homem da gravata florida (A gravata florida de Paracelso)", utilizando-a como ponto de convergência de uma série de ideias do compositor presentes no disco, para isso dedicando um capítulo inteiro a ela.
Paulo da Costa e Silva, com muito respeito e admiração, ainda discorre sobre o lugar que Jorge Ben ocupa na música brasileira e o posto único e diferenciado que lhe é garantido por sua forma de composição absolutamente ímpar e sem precedentes. Ainda sobre isso destaca a valorização do heróis na obra do cantor e o rol de grandes personagens que o mesmo construiu ao longo de sua obra sempre enaltecendo a humildade, a coragem, a bondade, a sabedoria, o gesto nobre, como um verdadeiro cavaleiro medieval.
A propósito dos heróis da galeria jorgebeniana, um capítulo é dedicado especialmente a Zumbi dos Palmares, personagem emblemático na história da escravidão negra no Brasil e que mereceu de Jorge duas versões musicadas, uma delas com o característico balanço samba-rock e caráter "visual" altamente ilustrativo no disco em questão, "o Tábua de Esmeralda"; e outra de tom desafiador e agressivo no disco "África Brasil" de 1976. "Zumbi" é tomada como exemplo da exaltação da negritude, sempre presente na música de Jorge Ben, ao mesmo tempo que traduz algumas de suas características compositivas mais marcantes como a aglomeração, muitas vezes improvável, de versos; a espontaneidade quase aleatória de sua batida, a miscelânea funk, soul, samba, rock e blues; e a formação de uma fotografia musical capaz de congelar no espaço momentos, situações, imagens e paisagens como poucas vezes se fez na música brasileira (Aqui onde estão os homens/ de um lado cana de açúcar/ do outro lado imenso cafezal/ ao centro senhores sentados/ vendo a colheita do algodão branco/ sendo colhido por mãos negras").
Se os outros livros da coleção me causaram sensações de descoberta, de informação, de empolgação, este por toda a merecida reverência a um dos artistas mais originais da música nacional, pelas menções ao heroísmo nobre de seus personagens; e ainda pela identificação com a exaltação da dignidade da  negritude da qual Jorge Ben sempre procurou impregnar sua música, fizeram com que minha leitura fosse carregada de orgulho e emoção. Salve Jorge! Salve!



Cly Reis 


quarta-feira, 26 de julho de 2017

"Led Zeppelin IV: Led Zeppelin", de Erik Davis, coleção O Livro do Disco - ed. Cobogó (2014)



A coleção “O Livro do Disco” sempre acaba nos reservando uma certa surpresa a cada exemplar. Depois da análise pormenorizada com detalhes técnicos do "Unknown Pleasures" do Joy Division; da avaliação também faixa a faixa, mas muito mais emocional de "Daydream Nation" do Sonic Youth; e de uma abordagem mais ampla e temática da obra "A Tábua de Emeralda" de Jorge Ben; agora este “Led Zeppelin IV” traz outro tipo de apreciação.  O trabalho examina o disco clássico do Led Zeppelin predominantemente sob o prisma do misticismo que envolve não somente a obra mas também, é claro, por origem, a banda. O jornalista Erik Davis debruça-se com afinco e seriedade sobre todos os aspectos que compõe a mística em torno das lendas que envolvem a banda e seus integrantes e amplia esta investigação para a obra por eles produzida procurando, sem muita dificuldade dada toda o material que a banda proporciona, mistérios e significados contidos nela. No que diz respeito especificamente ao quarto disco do Led Zeppelin, o autor entende que o próprio conjunto de símbolos que sugere um nome intraduzível para a obra por si só já determina que ele contenha elementos místicos e informações ocultas, o que já o torna digno de uma análise aprofundada. Assim, o livro vai desde os quatro ícones gráficos; passa pela capa com seu velhote misterioso; pelo monge com o candeeiro no encarte; pelas referências literárias; pelas supostas relações demoníacas do guitarrista Jimmy Page; pela ordem das faixas e por possíveis significados ocultos em seus títulos; pela lenda da satânica rotação ao contrário de “Stairway to Heaven”; e, inevitavelmente, dentro de tudo isso, uma análise musical faixa a faixa, não sem deixar de considerar também os aspectos místicos que possam ter influenciado em suas letras ou composições.
De modo a manter coerente uma linha de pensamento, estabelecendo uma ligação de uma canção com a seguinte, atravessando o disco da primeira à última faixa, o autor cria uma espécie de trajetória hipotética de um personagem ficcional, Percy, que enquanto imagem, devo dizer que não me agradou muito e em alguns momentos pareceu-me forçado e em outros uma liberdade autoral pretensiosa. Mas de um modo geral o produto final vale e é muito rico e instrutivo trazendo diversas informações e curiosidades para fãs e aficionados por música e pelo lado obscuro dos artistas, especialmente uma banda tão envolta em lendas como é o caso do Led Zeppelin.




Cly Reis

terça-feira, 5 de março de 2013

Dossiê ÁLBUNS FUNDAMENTAIS


E chegamos ao ducentésimo Álbum Fundamental aqui no clyblog .

Quem diria, não?

Quando comecei com isso ficava, exatamente, me perguntando até quantas publicações iria e hoje, pelo que eu vejo, pelos grandes discos que ainda há por destacar, acredito que essa brincadeira ainda possa ir um tanto longe.

Nesse intervalo do A.F. 100 até aqui, além, é claro, de todas as obras que foram incluídas na seção, tivemos o acréscimo de novos colaboradores que só fizeram enriquecer e abrilhantar nosso blog. Somando-se ao Daniel Rodrigues, Edu Wollf , Lucio Agacê e José Júnior, figurinhas carimbadas por essas bandas, passaram a nos brindar com seus conhecimentos e opiniões meu amigo Christian Ordoque e a querida Michele Santos, isso sem falar nas participações especiais de Guilherme Liedke, no número de Natal e de Roberto Freitas, nosso Morrissey cover no último post, o de número 200.

Fazendo uma pequena retrospectiva, desde a primeira publicação na seção, os ‘campeões’ de ÁLBUNS FUNDAMENTAIS agora são 5, todos eles com 3 discos destacados: os Beatles, os Rolling Stones, Miles Davis , Pink Floyd e David Bowie , já com 2 resenhas agora aparecem muitos, mas no caso dos brasileiros especificamente vale destacar que os únicos que tem um bicampeonato são Legião Urbana, Titãs, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben, Engenheiros do Hawaii e João Gilberto, sendo um deles com o músico americano Stan Getz. A propósito de parcerias como esta de Getz/Gilberto, no que diz respeito à nacionalidade, fica às vezes um pouco difícil estabelecer a origem do disco ou da banda. Não só por essa questão de parceiros mas muitas vezes também pelo fato do líder da banda ser de um lugar e o resto do time de outro, de cada um dos integrantes ser de um canto do mundo ou coisas do tipo. Neste ínterim, nem sempre adotei o mesmo critério para identificar o país de um disco/artista, como no caso do Jimmi Hendrix Experience, banda inglesa do guitarrista norte-americano, em que preferi escolher a importância do membro principal que dá inclusive nome ao projeto; ou do Talking Heads, banda americana com vocalista escocês, David Byrne, que por mais que fosse a cabeça pensante do grupo, não se sobrepunha ao fato da banda ser uma das mais importantes do cenário nova-iorquino. Assim, analisando desta forma e fazendo o levantamento, artistas (bandas/cantores) norte-americanos apareceram por 73 vezes nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, os ingleses vem em segundo com 53 aparições e os brasileiros em, 3º pintaram 36 vezes por aqui.
Como curiosidade, embora aqueles cinco destacados anteriormente sejam os que têm mais álbuns apontados na lista, o artista que mais apareceu em álbuns diferentes foi, incrivelmente, Robert Smith do The Cure, por 4 vezes, pintando nos dois da própria banda ("Disintegration"  e "Pornography"), em um tocando com Siouxsie and the Banshees  e outra vez no seu projeto paralelo do início dos anos ‘80, o The Glove. Também aparece pipocando por aqui e por ali John Lydon, duas vezes com o PIL  e uma com os Pistols; Morrissey, duas vezes com os Smiths e uma solo; Lou Reed uma vez com o Velvet e outras duas solo; seu parceiro de Velvet underground, John Cale uma com a banda e outra solo; Neil Young , uma vez solo e uma com Crosby, Stills e Nash; a turma do New Order em seu "Brotherhood" e com o 'Unknown Pleasures" do Joy Division; e Iggy Pop 'solito' com seu "The Idiot" e com os ruidosos Stooges. E é claro, como não poderia deixar de ser, um dos maiores andarilhos do rock: Eric Clapton, por enquanto aparecendo em 3 oportunidades, duas com o Cream e uma com Derek and the Dominos, mas certamente o encontraremos mais vezes. E outra pequena particularidade, apenas para constar, é que vários artistas tem 2 álbuns fundamentais na lista (Massive Attack, Elvis, Stevie Wonder, Kraftwerk) mas apenas Bob Dylan e Johnny Cash colocaram dois seguidos, na colada.

No tocante à época, os anos ‘70 mandam nos A.F. com 53 álbuns; seguidos dos discos dos anos ‘80 indicados 49 vezes; dos anos ‘90 com 43 aparições; 40 álbuns dos anos ‘60; 11 dos anos ‘50; 6 já do século XXI; 2 discos destacados dos anos ‘30; e unzinho apenas dos anos ‘20. Destes, os anos campeões, por assim dizer são os de 1986, ano do ápice do rock nacional e 1991, ano do "Nevermind" do Nirvana, ambos com 10 discos cada; seguidos de 1972, ano do clássico "Ziggy Stardust" de David Bowie, com 9 aparições incluindo este do Camaleão; e dos anos do final da década de ‘60 (1968 e 1969) cada um apresentando 8 grandes álbuns. Chama a atenção a ausência de obras dos anos ‘40, mas o que pode ser, em parte, explicado por alguns fatores: o período de Segunda Guerra Mundial, o fato de se destacarem muitos líderes de orquestra e nomes efêmeros, era a época dos espetáculos musicais que não necessariamente tinham registro fonográfico, o fato do formato long-play ainda não ter sido lançado na época, e mesmo a transição de estilos e linguagens que se deu mais fortemente a partir dos anos 50. Mas todos esses motivos não impedem que a qualquer momento algum artista dos anos ‘40 (Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Cole Porter) apareça por aqui mesmo em coletânea, como foi o caso, por exemplo, das remasterizações de Robert Johnson dos anos ‘30 lançadas apenas no início dos anos 90. Por que não?

Também pode causar a indignação aos mais 'tradicionais', por assim chamar, o fato de uma época tida como pobre como os anos ‘90 terem supremacia numérica sobre os dourados anos 60, por exemplo. Não explico, mas posso compreender isso por uma frase que li recentemente de Bob Dylan dizendo que o melhor de uma década normalmente aparece mesmo, com maior qualidade, no início para a metade da outra, que é quando o artista está mais maduro, arrisca mais, já sabe os caminhos e tudo mais. Em ambos os casos, não deixa de ser verdade, uma vez que vemos a década de 70 com tamanha vantagem numérica aqui no blog por provável reflexo da qualidade de sessentistas como os Troggs ou os  Zombies, por exemplo, ousadia de Sonics, Iron Butterfly, ou maturação no início da década seguinte ao surgimento como nos caso de Who e Kinks. Na outra ponta, percebemos o quanto a geração new-wave/sintetizadores do início-metade dos anos ‘80 amadureceu e conseguiu fazer grandes discos alguns anos depois de seu surgimento como no caso do Depeche Mode, isso sem falar nos ‘filhotes’ daquela geração que souberam assimilar e filtrar o que havia de melhor e produzir trabalhos interessantíssimos e originais no início da década seguinte (veja-se Björk, Beck, Nine Inch Nails , só para citar alguns).

Bom, o que sei é que não dá pra agradar a todos nem para atender a todas as expectativas. Nem é essa a intenção. A idéia é ser o mais diversificado possível, sim, mas sem fugir das convicções musicais que me norteiam e, tenho certeza que posso falar pelos meus parceiros, que o mesmo vale para eles. Fazemos esta seção da maneira mais honesta e sincera possível, indicando os álbuns que gostamos muito, que somos apaixonados, que recomendaríamos a um amigo, não fazendo concessões meramente para ter mais visitas ao site ou atrair mais público leitor. Orgulho-me, pessoalmente, de até hoje, no blog, em 200 publicações, de ter falado sempre de discos que tenho e que gosto, à exceção de 2 ou 3 que não tenho em casa mas que tenho coletâneas que abrangem todas as faixas daquele álbum original, e de 2 que sinceramente nem gostava tanto mas postei por consideração histórica ao artista. Fora isso, a gente aqui só faz o que gosta. Mas não se preocupe, meu leitor eventual que tropeçou neste blog e deu de cara com esta postagem, pois o time é qualificado e nossos gostos musicais são tão abrangentes que tenho certeza que atenderemos sempre, de alguma maneira, o maior número de estilos que possa-se imaginar. Afinal, tudo é música e, acima de tudo, nós adoramos música.
Cly Reis

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PLACAR POR ARTISTA:
  • The Beatles: 3 álbuns
  • The Rolling Stones: 3 álbuns
  • David Bowie: 3 álbuns
  • Miles Davis: 3 álbuns
  • Pink Floyd: 3 álbuns

  • Led Zeppelin; Massive Attack, Elvis Presley, Siouxsie and the Banshees; Nine Inch Nails, The Who; The Kinks; U2; Nirvana; Lou Reed; The Doors; Echo and the Bunnymen; Cream; Muddy Waters; Johnny Cash; Stevie Wonder; Van Morrison; Deep Purple; PIL; Bob Dylan; The Cure; The Smiths; Jorge Ben; Engenheiros do Hawaii; Caetano Veloso; Gilberto Gil; Legião Urbana; Titãs e João Gilberto: 2 álbuns

PLACAR POR DÉCADA:
  • Anos 20: 1 álbum ("Bolero", Maurice Ravel)
  • Anos 30: 2 álbuns ("The Complete Recordings", Robert Johnson e "Carmina Burana", de carl Orff)
  • Anos 50: 11 álbuns
  • Anos 60: 40 álbuns
  • Anos 70: 53 álbuns
  • Anos 80: 49 álbuns
  • Anos 90: 43 álbuns
  • Anos 00:  6 álbuns

PLACAR POR ANO:
  • 1986 e 1991: 10 álbuns
  • 1972: 9 álbuns
  • 1968 e 1969: 8 álbuns
  • 1987 e 1969: 7 álbuns

PLACAR POR NACIONALIDADE (ARTISTAS):
  • EUA: 73
  • Inglaterra: 53
  • Brasil: 36
  • Irlanda: 4
  • Escócia: 3
  • Alemanha: 2
  • Canadá: 2
  • Suiça; Jamaica; Islândia; França; País de Gales; Itália e Austrállia: 1 cada



sexta-feira, 28 de junho de 2013

100 Melhores Discos de Estreia de Todos os Tempos

Ôpa, fazia tempo que não aparecíamos com listas por aqui! Em parte por desatualização deste blogueiro mesmo, mas por outro lado também por não aparecem muitas listagens dignas de destaque.
Esta, em questão, por sua vez, é bem curiosa e sempre me fez pensar no assunto: quais aquelas bandas/artistas que já 'chegaram-chegando', destruindo, metendo o pé na porta, ditando as tendências, mudando a história? Ah, tem muitos e alguns admiráveis, e a maior parte dos que eu consideraria estão contemplados nessa lista promovida pela revista Rolling Stone, embora o meu favorito no quesito "1º Álbum", o primeiro do The Smiths ('The Smiths", 1984), esteja muito mal colocado e alguns bem fraquinhos estejam lá nas cabeças. Mas....
Segue abaixo a lista da Rolling Stone, veja se os seus favoritos estão aí:

Os 5 primeiros da
lista da RS
01 Beastie Boys - Licensed to Ill (1986)
02 The Ramones - The Ramones (1976)
03 The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced (1967)
04 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
05 The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico (1967)
06 N.W.A. - Straight Outta Compton (1988)
07 Sex Pistols - Never Mind the Bollocks (1977)
08 The Strokes - Is This It (2001)
09 The Band - Music From Big Pink (1968)
10 Patti Smith - Horses (1975)

11 Nas - Illmatic (1994)
12 The Clash - The Clash (1979)
13 The Pretenders - Pretenders (1980)
14 Jay-Z - Roc-A-Fella (1996)
15 Arcade Fire - Funeral (2004)
16 The Cars - The Cars (1978)
17 The Beatles - Please Please Me (1963)
18 R.E.M. - Murmur (1983)
19 Kanye West - The College Dropout (2004)
20 Joy Division - Unknown Pleasures (1979)
21 Elvis Costello - My Aim is True (1977)
22 Violent Femmes - Violent Femmes (1983)
23 The Notorious B.I.G. - Ready to Die (1994)
24 Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)
25 Pavement - Slanted and Enchanted (1992)
26 Run-D.M.C. - Run-D.M.C. (1984)
27 Van Halen - Van Halen (1978)
28 The B-52’s - The B-52’s (1979)
29 Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (1993)
30 Arctic Monkeys - Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006)
31 Portishead - Dummy (1994)
32 De La Soul - Three Feet High and Rising (1989)
33 The Killers - Hot Fuss (2004)
34 The Doors - The Doors (1967)
35 Weezer - Weezer (1994)
36 The Postal Service - Give Up (2003)
37 Bruce Springsteen - Greetings From Asbury, Park N.J. (1973)
38 The Police - Outlandos d’Amour (1978)
39 Lynyrd Skynyrd - (Pronounced ‘Leh-‘nérd ‘Skin-‘nérd) (1973)
40 Television - Marquee Moon (1977)
41 Boston - Boston (1976)
42 Oasis - Definitely Maybe (1994)
43 Jeff Buckley - Grace (1994)
44 Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
45 The Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985)
46 Pearl Jam - Ten (1991)
47 Pink Floyd - Piper At the Gates of Dawn (1967)
48 Modern Lovers - Modern Lovers (1976)
49 Franz Ferdinand - Franz Ferdinand (2004)
50 X - Los Angeles (1980)
51 The Smiths - The Smiths (1984)
52 U2 - Boy (1980)
53 New York Dolls - New York Dolls (1973)
54 Metallica - Kill ‘Em All (1983)
55 Missy Elliott - Supa Dupa Fly (1997)
56 Bon Iver - For Emma, Forever Ago (2008)
57 MGMT - Oracular Spectacular (2008)
58 Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine (1989)
59 Yeah Yeah Yeahs - Fever to Tell (2003)
60 Fiona Apple - Tidal (1996)
61 The Libertines - Up the Bracket (2002)
62 Roxy Music - Roxy Music (1972)
63 Cyndi Lauper - She’s So Unusual (1983)
64 The English Beat - I Just Can’t Stop It (1980)
65 Liz Phair - Exile in Guyville (1993)
66 The Stooges - The Stooges (1969)
67 50 Cent - Get Rich or Die Tryin’ (2003)
68 Talking Heads - Talking Heads: 77’ (1977)
69 Wire - Pink Flag (1977)
70 PJ Harvey - Dry (1992)
71 Mary J. Blige - What’s the 411 (1992)
72 Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
73 Norah Jones - Come Away with Me (2002)
74 The xx - xx (2009)
75 The Go-Go’s - Beauty and the Beat (1981)
76 Devo - Are We Not Men? We Are Devo! (1978)
77 Drake - Thank Me Later (2010)
78 The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
79 Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
80 The Byrds - Mr Tambourine Man (1965)
81 Gang of Four - Entertainment! (1979)
82 The Congos - Heart of the Congos (1977)
83 Erik B. and Rakim - Paid in Full (1987)
84 Whitney Houston - Whitney Houston (1985)
85 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine (1992)
86 Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city (2012)
87 The New Pornographers - Mass Romantic (2000)
88 Daft Punk - Homework (1997)
89 Yaz - Upstairs at Eric’s (1982)
90 Big Star - #1 Record (1972)
91 M.I.A. - Arular (2005)
92 Moby Grape - Moby Grape (1967)
93 The Hold Steady - Almost Killed Me (2004)
94 The Who - The Who Sings My Generation (1965)
95 Little Richard - Here’s Little Richard (1957)
96 Madonna - Madonna (1983)
97 DJ Shadow - Endtroducing ... (1996)
98 Joe Jackson - Look Sharp! (1979)
99 The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969)
100 Lady Gaga - The Ame (2009)