segunda-feira, 2 de agosto de 2010
David Bowie - "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars" (1972)
"Ziggy tocava guitarra
Improvisando com Weird and Gilly
E os Aranhas de Marte"
Um gênio capaz de se reinventar constantemente, capaz de criar estilos, mudar conceitos, influenciar comportamentos, transformar a própria arte e a dos outros também, e tudo isso sem preder a própria identidade. Assim David Bowie vem atravessando década após década sempre inquieto e inovador. Este espírito desassossegado foi que fez com que em 1972, este artista multifacetado criasse uma das obras mais originais e marcantes da história do rock. Com "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars", Bowie criou o artista dentro do artista, o mito por trás do mito, a banda dentro da banda, e acima de tudo, uma lenda.
Este marco do que viria a ser batizado de glam rock, traz um Bowie totalmente andrógino encarnando o personagem Ziggy Stardust; frontman de uma banda fictícia, um rockstar pirado; num álbum que funciona quase que como uma pequena ópera-rock na qual é contada e 'encenada' a trajetória de Ziggy.
Das faixas, destaque para o rock'n roll alucinante de "Suffragette City", a não menos empolgante "Star", a belíssima "Starman", que ganhou até versão em português (lembram de "Astronauta de Mármore" do Nenhum de Nós?), e para a clássica faixa que inspira o tema da obra, "Ziggy Stardust".
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Apenas a título de curiosidade, há pouco tempo atrás em uma lista de um site musical na Internet o álbum foi escolhido por gays ilustres do mundo da música e artes, o mais gay de todos os tempos. Ainda que eu ache que existem outros exemplares mais representativos na categoria, compreendo a escolha pelo apelo sexual do disco, a androginia e a homossexualidade declarada do cantor na época (e hoje desmentida pelo próprio Bowie), que inevitavelmente acabou por criar na época uma forte identidade dos homossexuais com a obra e com o artista.
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Também como curiosidade e informação adicional, o disco "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" ganhou duas reedições com extras e bônus, uma em 1990 com o acréscimo de cinco faixas, e outra em 2002, esta comemorativa dos 30 anos da obra, como CD duplo, sendo um deles só de demos, extras e raridades.
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E outra ainda: pra quem não conhece, a canção "Ziggy Stardust" tem uma regravação bem legal com a banda "gótica" Bauhaus. Vale conferir.
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FAIXAS (originais):
- " Five Years "- 4:43
- " Soul Love " – 3:33
- " Moonage Daydream " – 4:35
- " Starman " – 4:16
- " It Ain't Easy " (Ron Davies) – 2:56
- " Lady Stardust " – 3:20
- " Star " – 2:47
- " Hang on to Yourself " – 2:37
- " Ziggy Stardust " – 3:13
- " Suffragette City " – 3:19
- " Rock 'n' Roll Suicide " – 2:57
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Ouça:
David Bowie The Rise and The Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars
Cly Reis
sábado, 31 de julho de 2010
The Chemical Brothers - "Dig Your Own Hole" (1997)
“Os eletrônicos que todo roqueiro deveria ouvir”
Quem disse que música eletrônica é só tunsch-tunsch?
Os Chemical Brothers, juntamente com um pequeno grupo de artistas criativos da cena eletrônica britânica, tratou de mostrar que não era bem assim.
Depois de uma interessante estreia com o elogiado álbum "Exit Planet Dust", a dupla de DJ's Tom Rowlands e Ed Simons, simplesmente concebeu um ÁLBUM com música eletrônica e não apenas uma série de repetições, samples e batidas para tocar em festas.
"Dig Your Own Hole" tem conceito, convicção, intenção, sonoridades variadas e influências diversas. É trabalhado faixa a faixa como se fosse um álbum de uma banda de rock com muitos instrumentisatas. Tudo tem seu lugar e seu detalhe.
O início é destruidor com "Block Rockin' Beats" e seu sampler empolgante - só um cartão de visitas do que está por vir. "Elektrobank", outro ponto alto, é um funk cheio de ritmo com um vocal alucinado, tudo isso num ritmo de tirar o fôlego.
Em "It Doesn't Matter", sim, eles fazem uma daquelas músicas bem pra pista de dança mesmo; legítimo trabalho de DJ; com batida básica e sampler repetido, mas não por isso menos bacana e interessante. É uma das minhas favoritas do disco, a propósito.
Com "Setting Sun" eles reinventam "Tomorrow Never Knows" dos Beatles, com uma composição (propositalmente) muito semelhante à original porém mais agressiva, contando com os vocais de Noel Gallagher do Oasis, exatamente o cara que supõe ser a reencarnação de John Lennon (o que, neste caso, ficou até bem apropriado, não?).
"Lost in the K-Hole" tem uma base envolvente e um sample-vocal sensual quase sussurado; "Where Do I Begin" começa com um sampler genial e extremamente bem trabalhado levemente chegado ao country até explodir logo adiante e dar uma reviravolta; e "Private Psychedelic Reel" que fecha o disco, é um épico chapado de 10 minutos com tons árabes, hindus, orientais, que faz mesmo quem não tenha tomado nada, ter a impressão de estar curtindo a maior viagem. Um final monumental para um álbum fantástico.
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- "Block Rockin' Beats" (Rowlands, Simons e Jesse Weaver) – 5:14
- "Dig Your Own Hole" – 5:27
- "Elektrobank" – 8:18
- "Piku" – 4:54
- "Setting Sun" (Rowlands, Simons e Noel Gallagher) – 5:29
- "It Doesn't Matter" (Rowlands, Simons, Conly, Emelin, Slye, Ford e King) – 6:14
- "Don't Stop the Rock" – 4:48
- "Get Up on It Like This" (Rowlands, Simons e Jones) – 2:48
- "Lost in the K-Hole" – 3:51
- "Where Do I Begin" – 6:51
- "The Private Psychedelic Reel" (Rowlands, Simons e Jonathan Donahue) – 9:28
quarta-feira, 28 de julho de 2010
cotidianas #37 - verde-coincidência
"Dize que virás
co'aqueles teus
olhos verdes
Dize...
co'aqueles teus
olhos verdes
Dize...
Combinam tão bem
Com aquela
tua blusa.
tua blusa.
verde-coincidência"
Cly Reis
ARQUIVO DE VIAGEM - Nova Friburgo - RJ (25, 26 e 27/07/2010)
![]() |
| O início do percurso do teleférico... |

Fiz uma espécie de retiro nas montanhas nos últimos três dias. Fui conhecer, descansar e curtir um pouquinho de frio em Nova Friburgo, cidadezinha de colonização germânico-suíça na serra fluminense.
Nova Friburgo é simpática, tem um aspecto semi-rural e, na verdade, não tem grandes atrativos turísticos. Nota-se, pela quantidades de lojas ao longo da estrada e por todo o município, grande ênfase na produção e venda de lingeries, o que, em virtude do bom preço, acaba atraindo muitos turistas revendedores da capital e de outros estados.
De legal mesmo tem o teleférico na Praça do Suspiro, no centro da cidade, a cascata do Véu-da-Noiva e o Pico da Caledônia, ponto elevadíssimo com bela vista para toda a região serrana.
No mais, valeu por matar um pouquinho da saudade do frio sulista.
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| A belíssima Cascata do "Véu-da-Noiva" já mais afastada da área central |
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| Paisagens bucólicas bem comuns mais para dentro da cidade |
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| A vista do alto do Pico da Caledônia |
Valeu mesmo pelo descanso em um agradável hotel fazenda com verde, ovelinhas, passarinhos, frio e lareira.
Só calmaria.
Cly Reis
domingo, 25 de julho de 2010
O Frango Atirador
Para os que acham o Frango Atirador politicamente incorreto, amoral, imoral, antiético, preconceituoso, racista, fascista, indecente, estúpido, cruel e tantas outras coisas mais, resolvemos dar uma oportunidade para alguns calouros, aventureiros, candidatos tentarem a sorte no seu lugar, a fim de tentarem a simpatia da plateia.
Com vocês...
Com vocês...
Hmm!!!, acho melhor ficar com o Frango Atirador mesmo, não?
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sábado, 24 de julho de 2010
Animamundi - CCBB, Centro Cultural dos Correios e Casa França-Brasil - Rio(23/07/2010)
Vim dar uma conferida no Animamundi 2010. Muito movimentado, muita criançada e por isso, muitas filas pras oficinas, das quais acabei não participando exatamente por não ter a menor paciência.
No fim das contas, acabei, agora há pouco assistindo a algumas animações bem legais nos Correios.
Depois posto mais alguma coisa a respeito. Agora vou voltar ao CCBB e ver se já diminuiu o movimento por lá.
No fim das contas, acabei, agora há pouco assistindo a algumas animações bem legais nos Correios.
Depois posto mais alguma coisa a respeito. Agora vou voltar ao CCBB e ver se já diminuiu o movimento por lá.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Van Morrison - "Astral Weeks" (1968)
"As canções de Astral Weeks" ... eram de outro tipo de lugar nada óbvio. Elas são poesia e reflexões míticas canalizadas da minha imaginação."
Van Morrison
Em seu segundo álbum solo, após deixar o Them, Van Morrison surpreende com um álbum acústico acompanhado por músicos de jazz e rythm'n blues, recheado de improvisações e virtuosismo.
Composições belas e de rara inspiração; interpretações emocionantes; uma sonoridade singular. Tudo isso faz de "Astral Weeks" um dos meus discos preferidos.
Destaques para a excelente primeira faixa, que dá nome ao álbum; para a tocante "Beside You", para "The Way Young Lovers Do" que ainda traz ecos do Them e para "Slim Slow Slider" que fecha com chave-de-ouro.
"Astral Weeks" de Van Morrison, amigos: Básico!
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FAIXAS:
- "Astral Weeks" – 7:06
- "Beside You" – 5:16
- "Sweet Thing" – 4:25
- "Cyprus Avenue" – 7:00
- "Afterwards"
- "The Way Young Lovers Do" – 3:18
- "Madame George" – 9:45
- "Ballerina" – 7:03
- "Slim Slow Slider" – 3:17
Ouça:
Van Morrison Astral Weeks
Cly Reis
cotidianas #36
Vi Esmirna dormir como uma menininha deitada; Nápoles como uma banhista lasciva, e Zaguan como um pastor cabila, cujas faces a aproximação da aurora avermelhou. Argel treme de amor ao sol, e extasia-se de amor à noite.
Vi no norte aldeias adormecidas ao luar; os muros das casas eram alternadamente azuis e amarelos; em derredor estendia-se a planície; enormes montes de feno arrastavam-se pelos campos. Sai-se pelos prados desertos; volta-se para a aldeia dormecida.
Há cidades e cidades; por vezes não se sabe o que as pôde construir onde se encontram. - Ó, cidades do Oriente, do sul; cidades de telhados planos, de terraços brancos, onde à noite vão sonhar as loucas mulheres. Prazeres, festas de amor; lampadários das praças, que, quando vistos das colinas vizinhas, são uma fosforescência dentro da noite.
Cidades do Oriente!, alegria e paixão, ruas que se chamam ruas santas, onde os cafés estão cheios de cortesãs, e músicas demasiado agudas as fazem dançar(...)
Cidades do norte! Desembarcadouros; usinas; cidades cuja fumaça esconde o céu. Monumentos; torres móveis;presunção dos arcos. Cortejos deambulando pelas avenidas; multidão apressada. Asfalto brilhando depois da chuva; bulevar onde as castanheiras desfalecem; mulheres sempre à espera(...)"
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trecho de
"Os Frutos da Terra"
de André Gide
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Pixies - "Doolitle" (1989)
O Disco que Inventou o Nirvana
"Quando escrevi 'Smells Like Teen Spirit'
eu estava basicamente tentado 'sugar' os Pixies.
Eu tenho que admitir isso."
eu estava basicamente tentado 'sugar' os Pixies.
Eu tenho que admitir isso."
"Kurt Cobain, Nirvana
Aquele contrabaixo bem cadenciado, a bateria só marcando o tempo, um vocal ainda contido, sereno; todos só esperando o refrão para explodirem juntos em ímpeto, histeria, barulho e loucura. Não, eu não estou falando de “Smells Like Teen Spirit” ou de “ Lithium”, mas é fato que esta fórmula que o Nirvana utilizou como sendo sua linha principal de composição, sobremaneira em “Nevermind”, já era praticamente marca registrada do som dos Pixies, aparecendo de forma mais evidente em “Doolitle”.
Se em “Surfer Rosa” Steve Albini (que depois viria também a trabalhar com o Nirvana em “In Utero”) tratou de “sujar” (num bom sentido) o som dos Pixies, Gil Norton, que assumiu a produção em “Doolitle” deu uma polida no som, deixando palatével até mesmo para as o grande público como no caso de “La La Love You” e “Here Comes Your Man” que chegaram a tocar nas rádios. Isto não os tornava uma banda pop ou de fácil aceitação geral. Apenas encorpava e dava, a partir dali, características fundamentais para a sonoridade do grupo.
A adorável “Hey” com sua delicadeza suja foi outra que se não virou hit, foi daquelas que fez “sucesso” no underground e passou a ser uma das favoritas dos fãs. Além dela, a ótima “Monkey is Gone to Heaven” é outra que marca bem aquela característica com o doce baixo de Kim Deal marcando para um refrão mais poderoso. Também nesta linha aparece “Tame” mas com um ápice bem mais gritado e barulhento. A propósito é bom salientar que guitarradas ensurdecedoras como esta ou outras que aparecem invariavelmente no disco, não conseguem esconder a grande qualidade não só de composição como de técnica de Black Francis, um baita guitarrista; tampouco a aparente simplicidade da condução da base de Kim Deal, uma baixista não muito virtuosa, diminuir os méritos das composições da banda, normalmente bem básicas mas extremamente apropriadas para cada canção e para a proposta geral.“I Bleed”, é prova disso, conduzida com uma linha muito simplória mas eficiente e perfeita.
“Debaser” que abre o disco com sua linha meio surf-music é ótima, “Crackity Jones” é alucinada, “Silver” baixa a rotação e traz uma sonoridade beirando o dark e “Gouge Away”, uma das melhores, fecha o disco de forma magnífica. Baita disco!!!
É lógico que os Pixies não foram a única inspiração do Nirvana, nem influenciaram apenas o pessoal do Kurt, muito menos se limitavam apenas àquela fórmula. Com sua sonoridade normalmente pesada, com um pé no punk, mas sempre melódicos e criativos, incrementando tudo com toques latinos, religiosos e letras beirando ao surreal; provavelmente no universo dito alternativo, o Pixies, juntamente com o Sonic Youth, sejam as bandas mais influentes deste meio, e “Doolitle”, enquanto obra, pelo encaixe destes elementos e a tradução deles em rock de primeira, seja um dos álbuns mais importantes de todos os tempos.
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FAIXAS:
1. "Debaser" – 2:52
2. "Tame" – 1:55
3. "Wave of Mutilation" – 2:04
4. "I Bleed" – 2:34
5. "Here Comes Your Man" – 3:21
6. "Dead" – 2:21
7. "Monkey Gone to Heaven" – 2:56
8. "Mr. Grieves" – 2:05
9. "Crackity Jones" – 1:24
10. "La La Love You" – 2:43
11. "No. 13 Baby" – 3:51
12. "There Goes My Gun" – 1:49
13. "Hey" – 3:31
14. "Silver" *(Francis, Kim Deal) – 2:25
15. "Gouge Away" – 2:45
*todas as músicas compostas por Black Francis, exceto a indicada.
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Ouça:
Pixies Doolitle
terça-feira, 20 de julho de 2010
cotidianas #35 - Um Passeio Pelo Lado Selvagem
Eis aí abaixo uma das suas músicas mais conhecidas, "Walk on the Wild Side" que tem bem essa cara "cidade-suja", lado B das ruas. Bem cotidiana.
Passeio pelo lado selvagem
Holly veio de Miami, Flórida
Atravessou os Estados Unidos pegando carona
Fez as sobrancelhas no caminho
Depilou as pernas, e então ele virou ela
Ela diz :"ei baby, dê um passeio pelo lado selvagem"
Candy veio de fora da ilha
No quartinho dos fundos, ela era querida de qualquer um
Mas ela nunca perdeu a cabeça
Mesmo quando estavam lhe chupando
(as garotas pretas cantam :"doo do doo do doo")
Little Joe nunca chegou a revelar
Todo mundo tinha que pagar e pagar
Um michê aqui, um michê ali
New York é o lugar onde eles dizem :"hey baby, dê um passeio pelo lado selvagem
A bicha Sugar Plum veio e caiu na rua
Procurando 'soul flood' e um lugar pra comer
Foi ao Apollo, você deveria ter visto eles dançando go-go
Jackie só está acelerando agora
Pensou em ser James Dean por um dia
Aí acho que ela tinha mesmo que bater, Valium deve ter ajudado nessa doidera
Hey dê um passeio pelo lado selvagem
E as garotas pretas cantam :"doo do doo do doo"
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Walk on the Wild Side
Lou Reed
do álbum "Transformer" (1972)
Ouça:
Lou Reed Walk On The Wild Side
Cly Reis
domingo, 18 de julho de 2010
"À Prova de Morte", de Quentin Tarantino (2007)
Fui assistir ontem a "À Prova de Morte", de Quentin Tarantino e,... nossa, por que ainda tentei?O filme é muito ruim. RUIM, RUIM, RUIM!
Dir-me-ão que a proposta era esta, de fazer um filme com referências nos filmes de 5° categoria, exploitation, grindhouse, etc., sim, eu sei de tudo isso. Agora, então se a ideia era a de fazer um filme horrível, Tarantino teve sucesso, porque o troço é um lixo. (E escreve aqui alguém que gosta muito e admira este diretor)
Dirão muitos que provavelmente gosto de seus filmes pelos motivos errados, que não sei apreciar as sutilezas, sua estética própria e particular, seus diálogos e tal, mas neste projeto nem isso é bom.
Acabou acontecendo com "À Prova de Morte" o que eu temia que acontecesse, e por isso relutei em assistir a "Bastardos Inglórios"; uma mera repetição de tarantinismos: um amontoado de referências cinematográficas, uma série de exercícios estilísticos, auto-referências de uma marca consolidada, brincadeiras como as marcas de cigarro e fast-foods, violência extrema chocante, e aquela famosa "encheção de linguiça" dos diálogos longos e didáticos. Não estou desfazendo destes elementos que, no mais das vezes nas obras anteriores, aprecio muitíssimo, mas neste, ficam desvalorizados parecendo apenas ter intenção de homenagear ao próprio cinema e confirmar sua assinatura e grife. Os diálogos longos, então, outrora tão interessantes e instigantes (tome-se o do Cel. Hans Landa no início de "Bastardos Inglórios" ou a conversa sobre o Super-Homem de "Kill Bill 2" como exemplos), em "Death Proof" são absolutamente cansativos e improdutivos. Na metade do filme eu já estava impaciente para saber quando é que ia acabar aquela celeuma.
De bom mesmo, tem as duas cenas clímax das duas metades, por assim dizer, em que o filme se divide, pois praticamente consiste em duas enrolações longas com um ápice em cada uma; na primeira com a fantástica e hiper-real colisão dos carros, e no final da segunda metade com a empolgante perseguição na auto-estrada. Legal também o tipão do personagem principal, o Dublê Mike, o dono do carrão à prova de morte, que tirando a cicatriz, ficou parecido como Morrissey (hehehe).PS.:(e só para lembrar, eu adoro Tarantino)
trailer "À Prova de Morte"
Cly Reis
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Fazendo turismo na cidade onde vivo
Por incrível que pareça, mesmo morando no Rio há seis anos e já tendo visto um bocado de jogos no Maracanã, nunca havia feito a tour do estádio. Sábado passado, aproveitando a visita de meu irmão à capital fluminense, banquei de guia e ao mesmo tempo turista no legendário palco da Copa de 50.
| com a marca de Falcão, na Calçada da Fama |
Já no interior do estádio um grande hall traz imagens de momentos inesquecíveis vividos naquele palco, desde os títulos e decisões dos quatro grandes da capital, passando por momentos históricos como o Gol 1000 do Rei, até a momentos como shows de Sinatra , Madonna e Stones.
![]() |
| O Rei comemorando o milésimo gol. |
Agora, não sei por quê, desde a primeira vez que fui ao Maracanã, a imagem que tenho na cabeça olhando para o campo é a do Ghiggia invadindo pela direita em velocidade e chutando rasteiro no canto entre a trave e o goleiro Barbosa. Queira ou não queira, esta é minha imagem definitiva do estádio e que, provavelmente não se apagará nem com um título em 2014.
Ah, e a propósito, tenho uma camisa retrô do Ghiggia do gol de 50.
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| 'turistando' no gramado |
Está velho, ultrapassado e fora dos padrões atuais de conforto, acessibilidade e instalações.
Mãos à obra!
A Copa tá logo ali.
Cly Reis
quarta-feira, 14 de julho de 2010
"Toy Story 3", de Lee Unkrich (2010)
Fui assistir ontem a "Toy Story 3".
Cara, muito legal!
Lindo, lindo! Não sei se fico com essa impressão por ter sido uma criança que brincou muito, que valorizava seus brinquedos, e que tinha aquela criatividade de improviso com os brinquedos que tinha, como mostra no filme, mas sei que ele deixa essa gostosa sensação de nostalgia. Deixa também, em determinado momento uma certa sensação de culpa, é verdade, por não termos guardado até hoje brinquedos tão VALIOSOS para nós naquela fase da vida; mas depois, o próprio filme trata de nos conceder o perdão.
Mas não fica só no lado emocional da coisa: talvez dos três filmes da franquia, seja o que tenha mais ação e a mais intensa de todas. Só para se ter uma idéia, a creche onde vão parar os brinquedos do Andy; o dono do boneco xerife Woody, agora um adolescente pré-universitário; acaba se tornando uma espécie de campo de concentração do qual eles tem que fugir para não ser destroçados por crianças que não sabem conservá-los direito e para fugir do jugo de um ursinho de pelúcia que se torna malvado deposi de ter sido abandonado por sua antiga dona.Olha, um barato!!! Se não é algo assim brilhante, genial, um clássico, é emocionante para quem ainda é um pouco criança e adorava brinquedos na infância, e principalmente, é diversão garantida.
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Como único porém - não sei se eu que tô ficando muito chato, se não enxergo direito ou se as nossas salas de projeção não tem qualidade - achei o 3D praticamente desnecessário e , novamente justificável apenas por uma ceninha que outra. O que não tira de modo algum todos os méritos visuais do filme.
trailer "Toy Story 3"
Cly Reis
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Coluna dEle #18
Só por causa da Copa, o Cara me fica mais de um mês sem mandar um post.
Tá foda, hein!
Tá cada vez mais insustentável manter o espaço dEle no blog.
(Que Ele mesmo me dê paciência pra agüentá-lo.)
Mas, então tá...Dessa vez passa. Já que já escreveu mesmo, aí vai a Coluna dEle.
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Tô na área, galera, se derrubar é pênalti. Hehehe! Por falar em pênalti, o que esses juízes erraram nessa Copa não foi brincadeira! O que foi aquele gol da Inglaterra??? Quase meio metro pra dentro!!! E o impedimento do Tevez??? Tá de palhaçada que não viu aquilo!!! Tá certo que tem coisas que só Eu consigo ver porque são, ali, no detalhe e tal, e afinal de contas Eu sou Eu, mas essas aí TODO MUNDO viu.
Tem que botar mesmo tecnologia no futebol, cara! Eu tento ajudar os caras a enxergar, a marcar certo mas tem uns que, cá entre nós, até sei que realmente não enxergam muito bem, uns são meio distraídos, outros são ruins mesmo. Agora, mas tem outros aí, que eu sei, e posso assegurar, que são mesmo mal intencionados, mesmo. Aí, ó, só com uma tevezinha na beira do campo pra derrubar essa ladroagem. E além do mais tem que parar essa coisa de o juiz ser a autoridade máxima, decisor supremo, que só vale a decisão dele e ponto final, afinal de contas, o árbitro não é Eu.
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E a propóstio de querer ser Deus, o Dieguito foi um personagem à parte, não?
Tá certo que tem o Messi no time, que às vezes faz coisas que até Eu duvido, mas desorganizado daquele jeito, aquele time não podia ir muito longe. Com um “treinero” que nem Maradona, nem Eu podia fazer milagre pra eles ganharem copa ou qualquer coisa. E não adiantava nem ficar fazendo aquele monte de sinal-da-cruz pra mim o tempo todo que não ia adiantar nada. Eu fiquei foi cansado de ser invocado toda hora.
A bolinha do time dele até deu pro gasto contra uns pobres coitados, mas foi só pegar alguém que jogasse um pouquinho mais que caiu a casa. Mas é isso aí Maradona: tu como técnico foi um excelente jogador. Mas só isso: UM EXCELENTE JOGADOR! Nada que não justifique a tua pretensão de ser Eu (ainda que eu tenha que admitir que nem Eu faria aquele gol contra a Inglaterra em 86).
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E ainda no embalo de Copa e falando em treinador novato, o caso do Dunga foi mas ou menos o mesmo. Só que aí foi mais grave, porque de tanto receber pedidos pr'a gente... quer dizer pro Brasil ser campeão, dei pra ele uns reforços de última hora pra garantir o caneco e o cara não aproveitou. Deixei o Ganso e o Neymar tinindo, metendo gol, driblando todo mundo, prontinhos, e disse “é só convocar os meninos”. Ele, teimoso, não levou os garotos. Deu no que deu.
Eu fiz o que pude.
Dou pra ele o Hernanes e ele leva o Felipe Mello. Paciência! Depois vem dizer que Eu não ajudei.
(sei que o blogueiro, que defende o Dunga, discorda quanto aos Meninos da Vila, mas, sinceramente, eu tô me lixando pro que ese cara pensa)
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Agora, o que também não ajudou ninguém foi aquela bola!
Cruzes... , ôpa, digo, Nossa!!! (o JC não gosta que fale cruzes porque não traz boas lembranças pra ele)
Nossa!!!
Os caras chutavam prum lado e a tal Jabulani ia pro outro. Loucura!
O pessoal, aqui em cima, vendo que a coisa tava estranha tentou ajustar o vento, a pressão atmosférica, a resistência do ar, pra adaptar às manias daquela da bola, pra ver se a coisa normalizavak mas nem isso adiantou. Nunca vi bola assim!
Mesmo assim a galera aqui de cima comprou uma aqui pra jogar nas peladas. Aí cheguei à conclusão que aí embaixo era só choradeira de quem não sabe chutar. O Didi, o "Príncipe Etíope" na primeira falta que teve, na frente da área, tacou-lhe uma folha seca que a tal Jabulani foi morrer lá no ninho da coruja. E olha que era o Yashin quem tava no gol!
Pra quem sabe não tem essa de bola boa ou ruim.
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Mas na boa, ainda bem que acabou a tal Copa. É que o meu guri, o JC, comprou o tal do álbum, e a patroa ficava folheando e dando sua avaliação nada técnica sobre os jogadores, tipo, "esse é gato", "aquele é bonitinho", "fulano tem umas coxas"... Ah, peraí um pouquinho! Vam’ se respeitar. Copa pra mulher só serve pra isso mesmo. Futebol que é bom, nada.
E o pior é que, não sei como, por incrível que pareça, sem sacvar bulhufas do negócio, foi Ela quem ganhou o bolão lá em casa. Nem Eu tenho explicação!
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Mas no caso da Espanha, depois que o Brasil saiu, Eu resolvi dar uma chance pros caras. Faz tempo que eles vão cheios de confiança, chegam pertinho e cablum... levam um tombo. Mas vocês não sabem, às vezes, o quanto me dá trabalho fazer as coisas acontecerem. Se Eu não dou uma forcinha daquela bola contra o Paraguai entrar, depois de bater três vezes na trave. Se fosse pros pênaltis eu não teria como garantir. Aí é loteria.
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Acabou a Copa, agora é hora de voltar ao trabalho. Tenho um Mundo pra cuidar e vocês não imaginam o quanto vocês me dão trabalho, crianças. Além do mais tem uma pilha de papéis na minha mesa e um monte de coisas atrasadas que não fiz no útlimo mês porque tava na frente da TV vendo jogo.
Té +
Fiquem Comigo e que Eu os abençoe!
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Súplicas, desejos, orações, reclamações, xingamentos e sugestões para
god@voxdei.gov
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