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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Corrida Contra o Destino", de Richard C. Serafian (1971)




Como já havia dito aqui, não gostei do À Prova de Morte" de Quentin Tarantino. De todas as críticas que li ou que ouvi, fui o único a não gostar. Fazer o que? Aliás achei bem frágeis os argumentos dos que gostaram mas... como já diria o técnico da Alemanha comedor de meleca, "gosto é gosto e não se discute".
Mas não quero voltar a isso. Só volteia mencionar este filme e o Tarantino, porque, inegavelmente, faça filmes bons, médios, interessantes ou ruins, o cara sempre deixa dicas interessantes de músicas, a partir de suas excelentes trilhas sonoras com coisas do fundo do baú, e de filmes, com referências, menções, cenas adaptadas etc.
No caso do seu "À prova de morte", entre tantas outras referências nos deixa particularmente curiosos pelo tal do filme "Vanishing Point" ao qual as garotas da perseguição final ficam constantemente se referindo, e tem tal fascinação e culto pelo filme, que dão um jeito de dar uma volta no mesmo modelo de carro utilizado no filme idolatrado.
O Challenger 70 branco pilotado
por Kowalski
Pois bem, em "Vanishing Point', batizado em português de "Corrida contra o Destino", Kowalski, uma espécie de contrabandista de carros, tem que, praticamente, atravessar o país em um Dodge Challenger 70 (o objeto de desejo das garotas do "Death Poof") a fim de entregá-lo ao dono na Califórnia, mas faz uma aposta com um amigo de chegar antes do prazo estipulado, só que daí, pra conseguir isso, é só pé embaixo o tempo todo e as leis do trânsito e pápápá vão pro caralho. É lógico que a polícia começa a perseguir o cara e ele vai atravessando estados com o cerco policial aumentando, à medida que também aumenta seu cartaz, seu nome e sua "lenda", a estas alturas já conhecidas e divulgadas pelo rádio. Kowalski passa a ser um herói, o anti-sistema, um símbolo de liberdade, e grande parte desta propaganda é feita por um locutor de uma rádio do interior, o DJ Super Soul, que fica incentivando, dando dicas de trajeto, indicando onde está a polícia e ainda dedica músicas pro cara e tudo mais; tudo isso com uma locução pra lá de bacana.
O sentimento de liberdade que o espírito
hippie transmitia presente no filme.
Olha, um grande barato o filme. Não que o glorioso Richard Serafian, diretor do filme, seja melhor que Tarantino, mas o obra em si, pode não ser melhor mas é mais bacana que "Death Proof". O filme não é só uma perseguição alucinada; tem sim seus méritos, boa trilha, tomadas legais, e um roteiro cheio de boas surpresas como, por exemplo, flashbacks ocasionais vão nos revelando aos poucos quem é Kowalski e porque ele está naquele negócio; a alteração cronológica e sua transição logo no início do filme; a sugestão de racismo a um DJ negro no interior dos Estados Unidos, a contextualização social da geração hyppie do início dos anos 70, além de uma fotografia bem legal pelos desertos e montanhas dos EUA.
Típico cult movie. Sem maiores recursos, com méritos, não atingiu grande público,mas tem os que lhe saibam dar valor. Resumindo assim de maneira bem prática: é uma boa mistura entre "Easy Rider" e seu sonho de liberdade, inconsequência e juventude; com "Agarra-me se Puderes", filme bem legal com Burt Reynolds, cujo pesonagem usa o codinome Bandido, e também se encontra numa louca perseguição e conta com a ajuda de outros motoristas, caminhoneiros, radialistas, e quem encontra pelo caminho, tudo contra a polícia e contra o sistema; bem politicamente incorreto. Tudo isso é um pouco do Kowalski, segundo o DJ Super Soul, "o último herói americano."

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Curiosidade é que a famosa trilha do Globo Repórter, utilizada a té hoje, é uma das músicas da trilha sonora do filme. Chama-se "Freedom of Expression", e é tocada pelo J.B. Pickers.
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Outra coisa legal é a música chamada "Kowalski" do Primal Scream do álbum chamado, exatamente, "Vanishing Point" que além de ser muito legal por si só, com uma linha de baixo muito bala e agressiva, tem uns samples demais com trechos de locuções do DJ Super Soul do filme.


Confiram aí, "Kowalski" com Primal Scream:






Trailer do filme:



Cly Reis

Era uma vez na América (ou melhor, DUAS vezes)

Eu tinha assistido à semifinal contra o Olímpia em 89. Eu estava lá no Gigante. Não, não podia acontecer de novo.
Quando os mexicanos do Chivas fizeram o primeiro gol do jogo aquele filme de terror me veio à cabeça. E eu lá de novo. Seria EU o culpado? Teria, EU, me desbarrancado do Rio de Janeiro a Porto Alegre, sem ingresso na mão, desembarcando 4 horas antes do jogo, conseguido incrivelmente a tal entrada, tudo isso para EU dar azar pro eu time? (Torcedor pensa cada coisa, não?) Mas por certo não fui só eu. Outros devem ter pensado que aquilo estava acontecendo porque não usaram a mesma cueca, não conseguiram sentar no mesmo lugar no estádio, porque não seguiram determinados rituais, ou sabe-se lá mais o que; mas de todos estes não sei quantos ali haviam presenciado a maior "tragédia" do Beira-Rio. E eu estava lá.
Em 1989, o Internacional havia conseguido a vantagem fora de casa - como agora -, vencera o bom Olímpia em Assunción por 1x0 com um gol de bicicleta. O jogo da volta era só uma formalidade. Tínhamos a vantagem do empate e naquela época não tinha esse negócio de gol qualificado. Começa o jogo e com 0x0 estamos dentro, mas os cara fazem o seu gol. Ai, ai, ai! Tudo bem, somos melhores: empatamos. Viramos o jogo (nada nos tirava aquela vaga). Pênalti pra nós!!! Quem ia bater? Nosso goleador, herói do greNal do Século, Nílson. E ele perde. Tudo bem, estamos classificando. Tomamos o empate (tudo bem o empate nos serve). Finalzinho do jogo e tomamos 3x2. Puta merda! Tivemos a vantagem 4 vezes durante os 90 minutos e deixamos escapar, agora seriam os pênaltis. Mas tínhamos bons batedores e o melhor goleiro do Brasil, exímio pegador de penalidades, Taffarel. Não por culpa dele mas, com cobranças muito bem executadas, acabou não agarrando nenhuma e Leomir, um dos nossos bons chutadores, errou.
Fim.
Nunca vira tanta gente permanecer no estádio depois do jogo por causa de uma derrota. Havia naquele dia 70 mil pessoas no Beira-Rio; imagino que umas 5 mil permaneceram sentadas, chorando, olhando pro vazio, sem acreditar, pedindo uma nova chance ao tempo como se ele pudesse retroceder, esperando que o juiz voltasse a campo e anunciasse que o Olímpia estava eliminado por... por... por qualquer motivo, sei lá. MAS NÃO ACONTECEU.
Os rivais tricolores, na época brincavam "sabe qual o maior circo do mundo? o Beira-Rio: tinha 70 mil palhaços lá dentro, ontem. hahaha", "por que que o colorado foi na padaria? comprar sonho, mas o sonho acabou hahaha"). E com um belo time, com uma grande campanha, com uma perspectiva de final mais fácil que a semi, fomos eliminados e naquele momento o sonho estava destruído.
O gol do Chivas foi aos 41 minutos. Pelos minutos restantes do primeiro-tempo fiquei gelado repassando tudo isso.Não! Não podia acontecer de novo. E NÃO ACONTECEU.
Desta vez a justiça de um futebol superior, de uma vantagem construída com uma atuação fantástica no jogo de ida, de jogadores com caráter, de um time determinado, de uma torcida empolgante, foi confirmada.
A partir do momento que o time controlou os nervos, botou a bola no chão, bateu no peito e disse "quem manda aqui sou eu", não teve pra ninguém e a vitória acabou vindo de maneira bem natural. O bom futebol voltou e foram 3 gols em 45 minutos. Eles até fizeram mais unzinho mas... e daí? Ninguém nem viu aquilo direito. Nuca vi tanta gente permanecer no estádio por tanto tempo depois do jogo por conta de um título. Havia umas 60 mil pessoas no estádio e as 60 mil permaneceram ali em pé, vibrando, gritando, chorando, comemorando. Venceu o melhor e felizmente o melhor é o meu INTERNACIONAL. E então, com minha camisa vermelha, mas sem cachaça na mão porque são proibidas bedidas alcoólicas dentro do estádio, fiz a festa no Gigante que só me esperava para começá-la.
E agora, definitivamente o fantasma do Olímpia, o de 89, as almas-penadas do goleiro Almeida e do centroavante Amarilla, foram embora. Nunca mais terei medo de fantasmas!


Cly Reis

terça-feira, 17 de agosto de 2010

cotidianas #41 - Música Urbana 2



Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã -
É só música urbana.


Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.


O vento forte, seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana.
E a matilha de crianças sujas no meio da rua -
Música urbana.
E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.


Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos os lugares.


E mais uma criança nasceu.
Não há mais mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana.
Yeah, Música urbana.
Oh Ohoo, Música urbana.
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"Música Urbana 2"
Renato Russo

Ouça:
Legião Urbana Música Urbana 2

ELVIS

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"A Origem" de Christopher Nolan (2010)





Uma daquelas sessões que se sai com aquela sensação boa de ter-se assistido a um baita filme! Poucos diretores conseguem mexer tanto com a mente do espectador como Christopher Nolan. Desafia-nos, testa-nos. Foi assim em ‘Amnésia”, em “Insônia”, até em “O Cavaleiro das Trevas” com o lunático Coringa; e agora volta a levar-nos a uma viagem pelo consciente, pelo subconsciente, pelo mundo dos sonhos, pela alucinação, pelo real e irreal com o ótimo “A Origem”.
Com um roteiro inteligente, criativo, coerente e muito bem amarrado ele monta um enorme labirinto na cabeça do personagem, na trama, no espaço e na cabeça do espectador. Tudo é um grande sonho dentro de sonho e nele, um espião, especialista normalmente em invadir mentes durante o sono das vítimas para buscar informações confidenciais em seus subconscientes, desta vez tem a missão de implantar uma idéia durante o sono de um empresário. Nisso, realidade e sonhos se confundem o tempo todo, passado e presente, realidade e projeções, vivos e mortos, a ponto de sequer acabarmos com a certeza se toda a história não é um sonho.
Nolan eleva a outro patamar os filmes de ação, aventura, ficção e espionagem, com uma trama complexa e surreal mantendo as principais características destes gêneros. Outro grande mérito é a utilização de efeitos especiais e recursos que ficaram notabilizados, principalmente por “Matrix” mas que vinham ficando vulgarizados pela utilização banal e generalizada, em "A Origem" com propósito, inteligência, utilidade e contexto, o que a estas alturas já não se imaginava que fosse possível alguém fazer.
Um superdelírio! Um labirinto cinematográfico! Uma porrada na mente! Um dos melhores filmes dos últimos tempos!
Fascinante! Fascinante!


"A Origem" - trailer





Cly Reis

Bob Dylan - "Bringing It All Back Home" (1965)



"O que é lento, logo ficará muito rápido. Como o presente, que mais tarde será passado."  
Bob Dylan



Tá bom, tá bom, eu sei. Não se pode falar do "Highway 61 Revisited" sem levar em conta o "Bringing It All Back Home". Tudo bem! E não me custa nada na verdade colocá-lo aqui tambem. Na verdade gosto mais deste álbum por ser mais 'pegado'. Se seu sucessor foi a virada completa de Dylan, foi com "Bringing It All Back Home" que a coisa começou a mudar. Nele já aprarecem os elementos que depois iriam revoltar os mais conservadores: guitarras elétricas, teclados blues transgressores e pouco tradicionais. Exemplos disso são as corrosivas e elétricas "Maggie's Farm" e "Outlaw Blues". "Subterranean Homesick Blues" que abre o disco é outra que foge à linha tradicional do músico folk, já como uma mostra de sua intenção mais rock' roll.
A segunda metade do álbum é um pouco mais tradicional com "Mr. Tambourine Man" , por exemplo, que guarda a característica clássica dos versos longos e pouco usuais de Dylan e da sua velha e boa levada de violão; assim como "It's Allright Ma (I'm Only Bleeding)", outra das acústicas, com sua composição de estrofe toda peculiar para o modelo musical, o que Dylan desenvolveu como ninguém.
O aviso estava dado, a evolução era inevitável e quem quisesse aceitar que aceitasse e foi "Bringing All Back Home" que preparou o campo.

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Notem na capa cheia de referências e metáforas: o gato no colo de Dylan ( curiosamente chamado de Rolling Stone); a moça atrás dele fumando que é esposa de seu empresário ($$$); seu disco anterior "Another Side Of  Bob Dylan" dentro da lareira como que sugerindo que o que fizera antes devesse ser queimado; a capa do disco de Robert Johnson indo ao encontro do título do álbum 'Trazendo tudo de volta pra casa' como uma intenção de resgatar as origens da sua música no blues; além de vários outros pequenos enigmas contidos em cada imagem, detalhe, elemento, disposição de um móvel ou objeto.
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Inédito nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS dois discos do mesmo artista na sequência e ainda de obras contínuas, mas estes não podiam ser colocados distantes pela relação quase complementar que exercem um em relação ao outro.
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FAIXAS:
  1. "Subterranean Homesick Blues" – 2:21
  2. "She Belongs to Me" – 2:47
  3. "Maggie's Farm" – 3:54
  4. "Love Minus Zero/No Limit" – 2:51
  5. "Outlaw Blues" – 3:05
  6. "On the Road Again"– 2:35
  7. "Bob Dylan's 115th Dream"– 6:30
  8. "Mr. Tambourine Man" – 5:30
  9. "Gates of Eden" – 5:40
  10. "It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)" – 7:29
  11. "It's All Over Now, Baby Blue" – 4:12
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Ouça:
Bob Dylan Bringing It All Back Home


Cly Reis

O Frango Atirador

domingo, 15 de agosto de 2010

cotidianas #40 - "Neologismo"



"O Abraço", Gustav Klimt
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo
Teadoro, Teodora.





"Neologismo"
Manuel Bandeira

sábado, 14 de agosto de 2010

Bob Dylan - "Highway 61 Revisited" (1965)

Oh, Deus disse a Abraão “Mate-me um filho”
Abraão diz, “Cara, você está de sacanagem comigo”
Deus diz, “Não”. Abraão diz, “O quê?”
Deus diz, “Você pode fazer o que quiser Abraão, mas
Na próxima vez que você me ver chegando
É melhor correr”
da letra de "Highway 61 Revisited"


E dizer que eu não gostava do Dylan!
Achava ele com uma voz 'de velha', sabe? Na verdade acho até que tem um pouco mesmo, ainda mais hoje em dia quando a idade já chegou de vez. Além dsso era pra mim uma voz maio anasalada, fanha, meio caipira. Mas e daí? E o que esse 'caipira' já fez? Simplesmente mudou o curso das coisas, mudou a história do rock, estabeleceu linguagens e depois desestabeleceu; porque gênios são assim, quando a gente menos espera, eles na sua inquietude, na sua inconformidade natural, nos surpreendem.
Prova disso é o genial "Highway 61 Revisited". Depois de ter se consagrado na transição do country e do blues para o rock, ter definido o que hoje conhecemos como folk, basicamente com um violão na mão e uma harmônica na boca, em 1965 Dylan pega em guitarras, liga o órgão elétrico, junta a uma banda de rock, acelera o ritmo e nos apresenta mais esta obra-prima. Os dylanistas puriostas torceram o nariz num primeiro instante, aquilo contrariava tudo o que o garoto genial tinha feito até então, ia contra seus prórpios princípios, acabava com a originalidade do que o próprio Dylan havia construído... Balela. Tanto que mesmo estes não conseguiram ficar indiferentes por muito tempo e logo entenderam que aquilo era um enorme passo adiante não só na carreira do cara, como na história do rock.
Para ilustrar bem este momento e o que significou esta passagem de Dylan, não pode-se dexar de mencionar o show no qual Dylan e sua banda entram pela primeira vez com os instrumentos elétricos. Ele é vaiado, hostilizado, chamado de traidor e tudo mais, mas não deixa de completar o show com a segurança de quem pensa "logo vocês perceberão que eu estu certo". Este episódio é legal de ser conferido no maravilhosos documentário de Martin Scorcese, "No Direction Home", que perfaz a trajetória do ídolo desde o início da careira, com lendas, entrevistas, relatos, imagens raras, até culminar exatamente neste momento que é sem dúvida um marco definitivo.
As melhores do álbum? Pra mim "Tombstone Blues", "Desolation Row", o clássico supremo "Like a Rolling Stone" com seu órgão marcante que por incrível que pareça é quase casual, e a espetacular "Highway 61 Revisited" com aquela letra absolutamente genial, inspirada e sarcástica, como aliás são todas deste que é provavelmente o melhor letrista do rock.

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Pela revista Rollig Stone, "Highway 61 Revisited" é considerado o 4° melhor álbum de todos os tempos na sua lista dos 500 melhores.
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A faixa "Like a Rolling Stone", pela mesma publicação, é considerada a melhor de todos os tempos na lista das 500 Maiores Canções.
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É ainda, o 8° no Rock'n Roll Hall of Fame na lista dos 200 álbuns definitivos.
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FAIXAS:
  1. "Like a Rolling Stone" – 6:09
  2. "Tombstone Blues" – 5:58
  3. "It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry" – 4:09
  4. "From a Buick 6" – 3:19
  5. "Ballad of a Thin Man" – 5:58
  6. "Queen Jane Approximately" – 5:31
  7. "Highway 61 Revisited" – 3:30
  8. "Just Like Tom Thumb's Blues" – 5:31
  9. "Desolation Row" – 11:21
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Ouça:
Bob Dylan Highway 61 Revisited

Cly Reis

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Aniversário do Show da HímenElástico

Há exatos 17 anos, numa sexta-feira 13, a HímenElástico fazia seu primeiro show na cidade de Alvorada, vizinha a Porto Alegre, num lugar chamado Woodstock Bar.
A HímenElástico fora o projeto musical-criativo de 4 primos malucos que costumavam passar madrugadas (sóbrios) falando e inventando doideiras de todo tipo; gráficas, verbais, musicais, ou de qualquer outra forma. Essa hemorragia criativa nos estimulou; a mim, meu irmão Daniel, e meus primos Lúcio e Lê; a tentarmos, mesmo sem tocar nada, a ter uma banda. Não era este afinal o espírito punk? Era! E era isso também que nos servia de base. O Lúcio estivera pouco tempo antes de cabeça no punk da periferia paulista Cólera, Garotos Podres, tinha também descoberto os Kennedy's, Exploited e havia levado a mim e meu irmão que fazíamos uma linha um pouco mais Rock-BR da época (Legião, Titãs, RPM). O Lúcio também tava numas de rap na época e a novidade pra mim era interessante. O tal do Public Enemy era bom pra caralho. Tínhamos também todos acabado de ouvir o "Cabeça Dinossauro" dos Titãs e talvez aquilo tenha sido a mola propulsora definitiva. Poucas notas, agrassividade, letras minimalistas. Dava pra fazer rock! Vamos ter uma banda? Mas e essa diferença toda? Eu gostava de Smiths, meu irmão de Caetano, o Lúcio de Ratos de Porão e o Lê de Thayde. Deu no que deu: uma mistura das mais interessantes, criativas e originais.
O nome era uma brincadeira entre o "Homem-Elástico" e algo bem malicioso, tanto que escreve-se originalmente o nome da banda com o Φ grego, deixando a palavra  hΦmem com uma possível dupla leitura.
Nosso som ficou muito próximo ao do nosso disco modelo, o "Cabeça Dinossauro". Lembrava um bocado Titãs, especialmente na minimalista "Nem uma, coisa nem outra" que parecia não fazer muito sentido mas (sinceramente) era extremamente questionadora, versando sobre o TER, o querer sempre mais, o não se dar por satisfeito. Era tão simplesmente-complexa que, em verdade, entre um ajuste e outro, um complemento, uma palavra aqui  outra ali, a letra demorou três anos pra ficar pronta; e depois musicalmente, acrescido som à letra, fôra uma de nossas melhores.
Não tínhamos muito compormisso exceto com nós mesmos e com a nossa diversão. Tanto que não temos grandes registros gravados. A maioria são em cassete e sem muita qualidade. Ensaiamos pra valer mesmo no dia do tal do show em Alvorada. Apresentação que o Lúcio conseguiu com alguns contatos e nos botou na jogada. Só que aí teríamos que estar mais preparados e então marcamos duas horas de estúdio no fim da tarde pra ficarmos afiados pro show à noite. Deu certo. Estávamos na ponta dos cascos. O problema foi que uma hora antes do show, com a voz desgastada, com o frio terrível que fazia e acho que um pouco pela ansiedade, a voz se foi. Só sei que estava apavorado numa mesa pouco antes de entrar no palco e veio um cara de uma outra banda e recomendou, "sabe o que que é bom pra isso? cachaça. toma uma cachaça pura que isso passa rapidinho". Segui a orientação e não deu outra.
Obra do destino ou sei lá o que, mas entramos no palco exatamente à meia-noite do dia 13 de agosto (o que na verdade já era dia 14, mas pra efeito poético-sinistro ainda seria sexta-feira 13 até raiar o sol). Em um ambiente especialmente decorado para a data tão especial, à penumbra e cheio de caveiras com velas, abrimos o show com a "Marcha-Fúnebre" emendando com nossa vinheta de abertura tradicional inspirada naqueles gritos de pelotões do exército que correm na rua: "Dá um beijo no cangote, Carolina/ Uh, Uh, Uh, Carolina...", e que já emendava com a matadora "Ex", uma das nossas preferidas, também muito minimalista que contava com uma incrível agrssividade intrínsca. A coisa seguiu na boa, acho que a galera gostou, tocamos tudo que tínhamos ensaiado até o grand-finale com "Nem Tudo Está Perdido" que com sua letra apocalíptica e executada de maneira tão catártica acabou configurar um final apoteótico da nossa apresentação.
No final fui cumprimentado sincera e entusiasticamente por um cara da Space Rave, banda de Porto Alegre que continua no circuito com algum êxito e ainda esnobei a loirinha que eu tinha dado em cima antes do show, mas que só depois da apresentação veio se querendo. Agora é tarde, baby.
Como disse, não tínhamos grande compromisso com a coisa, apesar de gostarmos muito. Eu tinha faculdade, éramos duros pra bancar estúdios, meus primos moravam longe e no fim das contas não levamos a coisa muito adiante. Mas até hoje, bem imodestamente, logo eu que sou extremamente chato para o que faço e para o que ouço, considero a HímenElástico uma das melhores coisas nacionais que já ouvi nos últimos tempos. Eu teria um CD daquela banda. Ouço bandas hoje e penso: "Cara, a Hímen já fazia isso naquele tempo e sem o menos recurso". Era criatividade pura.
Parabéns hermenêuticos pelo aniversário do showzinho de Alvorada.

ESCLARECIAMENTO AOS NÃO-HERMENÊUTICOS: Hermenêutico nesse caso não tem a menor relação com seu significado original que é de interpretação de livros sagrados ou de leis, blá, blá, blá. Adotamos a palavra para designar tudo aquilo que fosse relativo à HímenElástico.

Assim sendo, faz 17 anos do primeiro show Hermenêutico!

Nossas Mãos Sinistras

Hoje é o Dia do Canhoto!
E não podiam ter-nos jogado em outro dia mesmo. Tinha que ser num 13 de agosto. Treze, dia dito aziago; agosto, mês renegado, maldito. Lógico; nunca fomos bem vistos. Aleijados, anormais, errados, esquisitos, estranhos... Atribuíram-nos tudo isso. Tanto que chamam a esquerda de SINISTRA. Mas não. Nada disso. Somos sim, diferentes. Talvez mais criativos que a maioria por causa da nossa perfeita ligação de membros ao lado direito do cérebro; talvez transmitamos melhor nossas emoções; talvez consigamos fazer isso transformando estas sensações em arte; talvez tenhamos uma visão diferente das coisas. Talvez...
Mas o fato é que durante toda a história da humanidade tentaram nos corrigir, punir-nos, amarrar nossas mãos, cortá-las por vezes, mas não adiantou; nossos membros sinistros, nossos pés e mãos, sempre estiveram de forma brilhante à serviço da cultura, da arte, da política, do esporte.

Abaixo uma pequena lista de canhotos célebres que emprestaram suas mãos (ou pés) esquerdos à História:
Alexandre Magno
Ramsés II
Leonardo da Vinci
Napoleão Bonaparte
Júlio César (o imperador romano)
Júlio César (o goleiro)
Rivelino
Tostão
Ludwig Van Beethoven
Machado de Assis
Benjamin Franklin
Albert Einstein
Michelangelo
Pablo Picasso
Jimi Hendrix
Charlie Chaplin
Robert Redford
Judy Garland
Marilyn Monroe
Winston Churchill
Harry Truman
Nelson Rockfeller
Ronald Reagan
George Bush - pai (bom, também temos estas más companhias)
Bill Clinton
Gandhi
Bob Dylan
Ringo Starr
Paul McCartney
Tom Cruise
Neil Armstrong
Diego Maradona
Jimmy Connors
John McEnroe
Ayrton Senna

e por aí vai...

Parabéns a nós!

Parabéns a todos os canhotos!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

cotidianas #39




Desceu do ônibus e deu uma olhada em volta para ver se havia alguém meio suspeito na rua.
Ninguém.
Também, às 4 da manhã não ia ter uma viva alma na rua mesmo.
Começou a andar a caminho de casa. Do ponto de ônibus dava três quadras e uma esquina. Fazia sempre aquele caminho. De dia tudo bem, mas e esta hora...
Por um momento pensou ter escutado um barulho.
Alguém?
Voltou a cabeça e teve a impressão de ver um vulto.
Apressou o passo. Olhou de novo. Era alguém sim. Apressou mais ainda e teve a sensação de que a outra pessoa também apressava.
Devia ter pêgo um táxi. Mas estava tão pertinho. Eram só três quadras e uma esquina. E além do mais, que táxi ia encontrar ali às 4 da manhã?
Continuou andando rápido; estava chegando. O outro não estava tão próximo e faltava só meio quarteirão. Quase lá. Dobrou então a esquina e...


Cly Reis

Dr. Feelgood - "Malpractice" (1975)

  
 
"Você me pôs pra fora esta manhã
mas você sabe que eu estarei
de volta à noite"
letra de "Back in the Night"



Um blues diferente, um blues ácido, forte, um blues levado ao extremo. Tão ao extremo que fica ali na cara do gol pro punk.
Assim é "Malpractice" do Dr. Feelgood, surgido na cena pré-punk da metado dos anos 70  carregando na raiz blueseira e nos clássicos do rock só que com uma leitura um pouco mais suja, podre, desleixada e já com cara de punk.
Para ouvidos mais desavisados pode parcer básico demais, muito simples... E é!
O barato deste disco é exatamente soar simples, cru, básico... Rock'n roll.
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FAIXAS:
1. I Can Tell - 2:46
2. Going Back Home - 4:00
3. Back in the Night - 3:15
4. Another Man - 2:55
5. Rolling and Tumbling - 3:11
6. Don't Let Your Daddy Know - 2:56
7. Watch Your Step - 3:24
8. Don't You Just Know It - 3:51
9. Riot in Cell Block #9 - 3:30
10. Because You're Mine - 4:40
11. You Shouldn't Call the Doctor (If You Can't Afford the Bills) - 2:33
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Ouça:
Dr Feelgood Malpractice


Cly Reis

sábado, 7 de agosto de 2010

Os Causo de Dois Morro - A mancha de óio na sanga

Uma vêiz lá em Dois Morro teve uma dessas mancha preta n'água. Foi! 'Conteceu que um dia as muié fôro lavá rôpa na sanga e entonce que viro aquela cousa horríver. Um lôdo preto, uma crôsta escura grossa.
Como que parecia óio, logo botaro a curpa no Zarolho da Oficina. Achavo que ele tinha jogado os óio véio dos motor  das caminhonete na sanga. Mas ele ficô foi muito brabo com o acusamento e disse que se té os piá dele tomavo banho na sanga, cumé que ele ia fazê uma barbaridade dessa? Convenceu os pessoar que dispois começaro, entonce, a desconfiá que tivesse sido a fábrica de cavalo do seu Teixeirinha, mas como ele só prduzia cavalo branco, não podia ter vindo de lá aquele lodaçal preto.
Sei que nisso a sujêra já tinha ido mar adrento e já tava chegando no Gorfo do Méxicuzinho, no Gorfo Pérsio e no Gorfo Flipper; foi quando com uma denúnça anômala, entregaro que o que tinha carzado a mancha tinha sido porcaus'deque o Carniça, um guri porco, mas porco mesmo, tinha ido finarmente, dipois de muitos ano, tomá banho e foi se banhá logo na sanga. Aí que toda aquela sujêra tinha se sortado do corpo imundiciado dele , se espalhado pel'água e tinha 'contecido aquilo. Particamente uma trajédia biental e escológica. As trufa que os pescador da região costumavo pegá lá naquelas água, tudo morrêro; os profiteróle que ío pra beira da sanga chafurdar no barro ficaro com os pêlo coberto de sujêra; os elefante-marinho ficaro tudo magrinho, magrinho. Cousa triste de se vê.
Ah, mas pra quê? A mãe do piá quando sôbe, pêgo ele pelas orêia e mandô ele começá a limpeza e neum vortá pra casa té terminar. O Carniça pegô um barde, uma esponja, começô demanhãzinha cedo e foi terminá quando o sor já tava indo simbora. Bem feito!
Dispois disso o Carniça passô a sê mais carpichoso. Tomava banho mais seguido pra não dexá cumulá sujêra e nunca mais que aconteceu de se poluí a sanga de Dois Morro e 'té as trufa que tinho morrido vortaro a dá na sanga (sem maliciamento, é craro).

postado por Chico Lorotta

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Predadores", de Nimrod Antal (2010)




Não assisti ao jogo do Internacional ontem pela semifinal da Copa Libertadores contra o São Paulo
Fugi!
Tinha, ao contrário do que possa parecer, uma confiança interior de que iria mesmo conseguir a classificação, mas apenas evitei assistir pra não SOFRER muito; e neste sentido, acho que fiz bem. O jogo foi pra cardíaco nenhum botar defeito. Teste pro coração.
Preferi ir para algum lugar onde eu pudesse ficar durante todo o tempo da partida, isolado do mundo,onde eu não pudesse saber de modo algum o que estava acontecendo no Morumbi e com algo que me distraísse. Fui então ao cinema.
Minha primeira ideia era assistir ao "Tudo pode dar certo" do Woody Allen mas a seção ia acabar ainda antes do final do jogo, então não me servia. Aí que mudando totalmente de gênero e qualidade, fui assistir ao "Predadores".
Particularmente acho o Predador, junto com o Alien, os melhores vilões não-humanos do cinema (humano, o melhor é Hannibal Lecter). Aquelas armas dele são um barato, as visões adaptáveis, a camuflagem semi-invisível; um baita caçador! Mesmo já imaginando que o filme não manteria a qualidade do primeiro, muito legal com Arnold Schwarzeneeger, encarei a parada.
Olha, o negócio é meio que uma mistura de "Lost", com game, com filmes de fantasia, com várias coisas sugadas do primeiro filme da série. Sabe quando se usa a expressão que o personagem "caiu de pára-quedas no filme"? Pois é! Em "Predadores" literalmente eles caem assim numa selva desconhecida. Ninguém se conhece, alguns guardam alguns mistérios, outros tem desavenças pessoais, desconfianças e blá-blá-blá. Depois a gente já sabe: na selva, que é o playground dos predadores, os combatentes vão sendo caçados um a um pelos nossos heróis-vilões, que se utilizam de todos aqueles recursos maneiros pra estraçalhar, mutilar, detonar, explodir as vítimas. O ruim é que mesmo com todos estes 'brinquedinhos' a coisa não fica muito legal e eles acabam sendo mal utilizados enquanto recurso bélico na caçada e também visualmente no filme.
Não deixo de gostar do personagem nmas com certeza ele vem sendo cada vez mais mal utilizado e piorado. Tomara que algum bom diretor ressuscite a franquia e utilize bem um dos melhores vilões alienígenas do cinema antes que ele acabe se desgastando definitivamente.
O filme me serviu, sim, pra dispersar o pensamento durante o jogo, mas foi só acabar a sessão pra eu ficar extremamente ansioso para abrir as mensagens do celular que eu havia pedido para me mandarem informando o que tinha acontecido. Mas ao contrário do que se poderia imaginar, prorroguei minha angústia, curiosidade e sofrimento e não liguei o aparelho imediatamente após o final da seção. Pensei "e se foi pros pênaltis?". Não, melhor deixar pra ligar o celular só em casa quando já terão cobrado todos e já terá saído um vencedor. Liguei o celular na porta de casa. Mensagem da minha irmã: "Deu, Poooorra!!!".
Deu! Deu!
Fui ver o filme mas o verdadeiro PREDADOR estava no Morumbi. A cabeleira do Tinga não parece a do Predador do filme, mesmo?
Não podia dar outra coisa: INIMIGOS ANIQUILADOS.
Vamo, Vamo, Inter!




Cly Reis

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Kraftwerk - "Radio-Activity" (1975)



"O Kraftwerk é tão influente quanto os Beatles na música popular na segunda metade do século XX."



Eles são uma espécie de últimos herdeiros da tradição musical alemã. Filhos indiretos de Schubert, Bach e Beethoven. Representam ainda hoje um patamar elevado de vanguarda, experimentação, originalidade e ousadia no que diz respeito a método e técnica, e de concretismo e minimalismo no tocante à linguagem; sem renegar, contudo, sua evidente influência da música clássica, na qual sempre mantém um pezinho mesmo quando levam sua sonoridade industrial aos limites.
O Kraftwerk, especialmente nos anos 70, tratou de 'humanizar" sons mecânicos, industriais, tecnológicos e dar vida ao que não tinha som até então. E que ironia, logo eles com seu aspecto, comportamento e sonoridade quase mecânicos.
Foi assim com "Radio-Activity", álbum conceitual, todo concebido a partir do tema básico ENERGIA. Ela e seus usos, resultados, reflexos e consequências, sendo explorados em todas as suas formas e meios de emissão, propagação, produção, etc. "Radio-Activity" vai de ondas de rádio a materiais radioativos; de simples sinais sonoros a energia nuclear. A genial abertura, por exemplo, é um contador geiger que aproximando-se da fonte de radiação, acelera seu sinal e por fim incorpora-se à percussão da faixa-título, "Radioactivity".
As composições minimalistas e mais ritmadas que nos álbuns anteriores, inserem perfeitamente o disco no contexto pré-punk da metade dos anos 70. "Airwaves", uma das melhores, é exemplo evidente da proposta e daquele panorama musical. Acelerada, palpitante, com um ritmo mais agressivo e constante.
Já "Radioland", antecipa a tendência dark do início dos anos 80 com uma batida marcada e ôca; soturna e sombria.
Faixas como "News" e "Radio Stars", podem ser subestimadas numa primeira audição, parecer meros ruídos ou repetições cansativas, mas se bem ouvidas e analisadas com a devida atenção, revelam uma musicalidade muito peculiar, só que nós, meros mortais (excessivamente humanos) não teríamos descoberto isso sozinhos até que alguém resolvesse chamar de música.
Ainda a se destacar a ótima "Antenna" com sua levada mais elétrica, também já influenciada pelos punks precoces, e a derradeira "Ohm Sweet Ohm", mais uma homenagem ao rádio, numa melodia que cresce de um ritmo melancólico a um final grandioso.
A capa é outro elemento interessante: além do nome dúbio (rádio + atividade), a arte é de uma simplicidade e de uma genialidade admiráveis. Uma frente de rádio antigo na capa, e na contra, a parte de trás do aparelho. Só isso. E precisava mais? Tecnologia, energia, evolução, modernidade, comunicação, música... tudo ali. Imagens que valem por muitas palavras e suscitam inúmeros sons.
O mais incrível é, hoje, a gente ouvir qualquer coisa, não apenas da cena eletrônica mas mesmo do universo pop e rock e ver que ali tem Kraftwerk; desde um conceito, um ruído, uma base, um sampler, uma ideia. Talvez só encontremos tamanha evidente influência no universo pop-rock com os Beatles.
Kraftwerk está em tudo!
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FAIXAS:
  1. "Geiger Counter" – 1:07
  2. "Radioactivity" – 6:42
  3. "Radioland"– 5:50
  4. "Airwaves" – 4:40
  5. "Intermission"– 0:39
  6. "News"– 1:17
  7. "The Voice of Energy" – 0:55
  8. "Antenna" – 3:43
  9. "Radio Stars"– 3:35
  10. "Uranium"– 1:26
  11. "Transistor" – 2:15
  12. "Ohm sweet Ohm" – 5:39
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Ouça:
Kraftwerk Radio-Activity


Cly Reis

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

cotidianas #38 - O Cubo Mágico



Tudo preto. Preto.
Alguém finalmente lhe tira o capuz e ele consegue respirar um pouco melhor. Ah! Ar!
Olha em volta, está numa sala fechada, talvez um porão, um depósito. Correndo rapidamente os olhos vê à sua direita um homem que não faz, em absoluto, questão de esconder o rosto. Traz na mão apenas um cubo-mágico.
Ele dá alguns passos lentos pela sala enquanto embaralha as cores do cubo e mistura as faces até então uniformes. Aproxima-se novamente da cadeira,olha para o refém e joga-lhe o cubo no colo.
- Resolve.
- Quê? Quê... Como?
- Se tu resolver, te deixo ir embora, se não conseguir, tu morre. - disse sacando uma arma da cintura, sob a camisa.
- Como assim? Mas eu...
- É isso! - e começou a soltar as mãos do homem na cadeira que estavam amarradas nas costas - Tem 5 minutos.
- Olha só, moço: eu não sei o que o senhor quer, se você tá me confundindo com alguém... eu não tenho dinheiro. Eu sou só um corretor. Não tenho muito... Aliás, se o senhor quiser eu até arranjo alguma coisa. Não tenho muito mas...
- Não quero teu dinheiro. - interrompeu bruscamente - Não quero dinheiro, não quero informação, não quero tua filha, tua mulher, só quero que tu resolva esse cubo e, a propósito, teu tempo tá passando.
Um súbito desespero começou a se apoderar da vítima. Primeiro tentou levantar dali, correr, mas os tornozelos estavam amarrados aos pés da cadeira. Impossível. E aquele cara com uma arma ali! Vendo-se sem alternativa, começou finalmente a tentar fechar as faces do cubo. Mas naquela pressa, daquele jeito? Não conseguia raciocinar, se concentrar, montar a peça de maneira lógica.
Verde-vermelho-amarelo-amarelo-amarelo (um lado quase pronto). Não! Um azul pra atrapalhar. Não, não!
De novo: amarelo-amarelo-verde... (não)!
5 minutos.
-Sinto muito...
Tudo preto. Preto.

Cly Reis

O Bode Espiatório

David Bowie - "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars" (1972)

"Ziggy tocava guitarra
Improvisando com Weird and Gilly
E os Aranhas de Marte"


Um gênio capaz de se reinventar constantemente, capaz de criar estilos, mudar conceitos, influenciar comportamentos, transformar a própria arte e a dos outros também, e tudo isso sem preder a própria identidade. Assim David Bowie vem atravessando década após década sempre inquieto e inovador. Este espírito desassossegado foi que fez com que em 1972, este artista multifacetado criasse uma das obras mais originais e marcantes da história do rock. Com "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars", Bowie criou o artista dentro do artista, o mito por trás do mito, a banda dentro da banda, e acima de tudo, uma lenda.
Este marco do que viria a ser batizado de glam rock, traz um Bowie totalmente andrógino encarnando o personagem Ziggy Stardust; frontman de uma banda fictícia, um rockstar pirado; num álbum que funciona quase que como uma pequena ópera-rock na qual é contada e 'encenada' a trajetória de Ziggy.
Das faixas, destaque para o rock'n roll alucinante de "Suffragette City", a não menos empolgante "Star", a belíssima "Starman", que ganhou até versão em português (lembram de "Astronauta de Mármore" do Nenhum de Nós?), e para a clássica faixa que inspira o tema da obra, "Ziggy Stardust".

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Apenas a título de curiosidade, há pouco tempo atrás em uma lista de um site musical na Internet o álbum foi escolhido por gays ilustres do mundo da música e artes, o mais gay de todos os tempos. Ainda que eu ache que existem outros exemplares mais representativos na categoria, compreendo a escolha pelo apelo sexual do disco, a androginia e a homossexualidade declarada do cantor na época (e hoje desmentida pelo próprio Bowie), que inevitavelmente acabou por criar na época uma forte identidade dos homossexuais com a obra e com o artista.
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Também como curiosidade e informação adicional, o disco "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" ganhou duas reedições com extras e bônus, uma em 1990 com o acréscimo de cinco faixas, e outra em 2002, esta comemorativa dos 30 anos da obra, como CD duplo, sendo um deles só de demos, extras e raridades.

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E outra ainda: pra quem não conhece, a canção "Ziggy Stardust" tem uma regravação bem legal com a banda "gótica" Bauhaus. Vale conferir.

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FAIXAS (originais):
  1. " Five Years "- 4:43
  2. " Soul Love " – 3:33
  3. " Moonage Daydream " – 4:35 
  4. " Starman " – 4:16 
  5. " It Ain't Easy " (Ron Davies) – 2:56
  6. " Lady Stardust " – 3:20
  7. " Star " – 2:47
  8. " Hang on to Yourself " – 2:37 
  9. " Ziggy Stardust " – 3:13
  10. " Suffragette City " – 3:19
  11. " Rock 'n' Roll Suicide " – 2:57 
 todas as músicas de Bowie, exceto a indicada

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Ouça:
David Bowie The Rise and The Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars


Cly Reis