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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bobby McFerrin – Teatro do Bourbon Country – Porto Alegre/RS (06/06/2014)


Bobby mc Ferrin fazendo o que mais sabe; cantar
foto: Tita Strapazzon
Lá no norte, eles têm um nome que define bem o que vimos nesta noite, no show de Bobby McFerrin, no Teatro do Bourbon Country: AMERICANA. Que nada mais é do que a junção do gospel, do blues e das formas africanas da música com os ritmos puramente yankees, como o jazz,o R&B, o zydeco, os spirituals, o country e o rock.
Comandando uma banda excepcional – com destaque para os mestres Gil Goldstein nos teclados e acordeon e David Campbell nos violões, violino e mandolin – McFerrin provou que, além de dominar tecnicamente sua voz, ainda esbanjou emoção, louvando a Deus e a música. Destaque para "Jesus Feels Good", "Fix me Jesus", "Joshua (Fit the batttle of Jericho)" e, atendendo um pedido deste que vos fala, no bis, "I Shall be Released" de Bob Dylan.
Show inesquecível no Teatro do Bourbon Country
foto: Leocádia Costa
Outro petardo foi "Can't Find my Way Home", do repertório de Eric Clapton. Mais uma surpresa foi ter aberto o microfone para a plateia. Quem se deu bem foi o grande – não só em tamanho – cantor Juliano Barreto, um supertalento da cidade. Momento sublime da música nos palcos de Porto Alegre!









The Beatles Rock Cup - classificados da segunda fase

Se a coisa já não tava quente o bastante, agora vai esquentar de vez!
Só ficaram 16, amigos.
E nesse funil, algumas grandes vão ficando pelo caminho: I'm The Walrus, Eleonor Rigby, Come Together, Yesterday e as duas Sargent Peppers deram adeus à competição. Mas dezesseis delas permanecem na luta e são as que estão listadas aqui abaixo.
Confira aí.



(O sorteio ocorre amanhã, quando serão conhecidos os confrontos das oitavas-de-final)

Luto Vermelho

Porra, Fernandão, como pode? O que se faz com um sentimento desses? Tu, colorado que é, deveria saber o que isso significa perder um ídolo do time. Pois quando isso acontece justamente contigo, o que se faz, hein? Seria natural que fosse o Sr. Larry, ou até mais normal o pessoal da geração dos anos 60 e 70, mas tu?
O que se faz com as lembranças, o sentimento de glória, eterno e inesgotável, das vitórias que tu comandaste? O que se faz com a braçadeira de capitão? Com a camisa 9? Com o grito de “uh, Fernandão”? O que se faz com o gol mil em Gre-Nais? E a bucha de fora da área contra a Inter de Milão na final da Copa Dubai? E o gol de bicicleta contra o Curitiba? E os vários de cabeça, naquelas testadas rasantes com a placa de platina sob a pele? E com as emoções a conta-gotas a cada rodada dos Brasileiros de 2006, 2007, 2008? E o que dizer dos gols de 2005, quando levaste o Inter a “campeão moral”?
Ou, mais ainda, com os gols da campanha da Libertadores de 2006, aquele conta o Nacional, contra o Pumas, ou o da semifinal, chutaço de fora da área contra o Libertad? Mais: os passes para gols, como as escoradas de cabeça para o Michel contra o Maracaibo e para o Gabiru contra o Pumas? Ou, claro, o teu cruzamento para o Tinga contra o São Paulo, no gol que sacramentou o título? E o teu próprio gol dessa histórica final? Da tua agilidade e oportunismo de atacante ao aproveitar aquele rebote? (Dizem os mais místicos que aquela inexplicável bola respingada foi obra de um passe do além de Mahicon Librelato, morto em 2002 também num acidente...)
E tua participação no primeiro gol contra o Al-Ahli, concluído daquele jeito meio torto pelo Pato? E o discurso de arrepiar no vestiário antes do jogo contra o Barcelona? E a predestinação daquela divinamente providencial câimbra, que pôs em campo justo o Gabiru? E com a imagem de tu levantando a taça do Mundial (a mais pesada que temos em nossa galeria de troféus, com certeza)? E depois, na volta de Yokohama, te ver comandando 50 mil colorados em êxtase, e tu, em êxtase junto? O microfone não estava com o presidente, nem com o Abel, nem com mais ninguém: estava contigo! Nunca vi algo como aquilo, e certamente nunca mais verei.
Várias palavras foram ditas para te classificar desde este fatídico 7 de junho de 2014. “Eterno”, “gol”, “líder”, “mito”, “ídolo”. “tristeza”. “9”. “Capitão”. Pois bem: o que fazer com elas agora, Fernandão?
Enfim, deixa pra lá. Não me entenda mal, não estou indignado contigo. É que a vida às vezes nos surpreende de um jeito que a única forma de manifestar é perguntando: “como isso é possível?”. Sei que não cabe a ti responder. Nem a ninguém. Mas quero que saibas que não deves te surpreender como toda essa comoção pela tua morte. Isso, além de sincero, é natural para alguém como tu que fizeste essa idolatria existir. Quero, sim, que fique em paz, a mesma paz que sempre fizeste por onde de tê-la dentro do campo e fora dele. E saibas que sentiremos, sim, falta dos gols, pois bolas de futebol como as que temos aqui só podem ser chutadas ou cabeceadas neste plano. Paciência. Mas fique tranquilo que todos esses lances que mencionei continuam presentes em nós colorados, pois, eternamente, como idiotas apaixonados, vibraremos com a mesma emoção ao revê-los. Está nos nossos ouvidos o som da bola roçando na rede, emitindo aquele “chhhhhuuummmm”. Gol de Fernando Lúcio da Costa!, o cara que só na base do aumentativo para se exprimir a importância que tem.

Esteja onde estiveres, receba essa mensagem como um elogio emocionado. Estás ouvindo, Fernandão? Sei que estás.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Pix


Cauby Peixoto e Ângela Maria - Teatro do SESI - Porto Alegre/RS (30/05/2014)


Duas lendas vivas da música brasileira,
juntas no palco
Dos grandes artistas nacionais, já vi quase todos ao vivo. Caetano VelosoGilberto GilJorge BenChico BuarqueJards MacaléMilton NascimentoPaulinho da ViolaTom ZéRoberto Carlos, Naná Vasconcelos. Faltam-me ainda João Bosco, Luiz Melodia, Gal CostaErasmo CarlosMaria Bethânia, Edu Lobo e, claro, o confinado João Gilberto. Tendo em vista que estão em carreira desde os anos 50 e 60 a maioria, bem como pelo avançado de suas idades, minha lógica é: “não posso deixar de vê-los, pois em breve não estarão mais aqui para cantar”. Tom Jobim foi-me um caso. É fato, infelizmente.

Então, o que dizer de Cauby Peixoto e Ângela Maria? Ela, 85 anos; ele, avançadíssimos 87. Ambos surgidos na era da Rádio Nacional, anos 40, talhados nos cabarés da vida, ícones de uma época que, em breve, vai morrer com eles. Quer dizer: a oportunidade de vê-los, e juntos, fosse como fosse o espetáculo, valia a pena. Pois estávamos lá, para não perder essa chance, Leocádia Costa e eu, talvez os mais novos da plateia, visto que quase ninguém tinha menos de 50 primaveras ali – uma triste mas natural constatação.

A observação de “fosse como fosse” é proposital, pois há uma semana o show havia sido adiado por conta de problemas de saúde de Cauby. Até por conta disso, confesso que não esperava grandes performances. Imaginava, sim, ver Ângela, na minha ideia, um pouco melhor, segurando as pontas, enquanto a ele caberia apenas uma participação “meia-boca”, mais para justificar que estava ali, que o mito ainda existia. Já serviria. Mas, para minha surpresa, abrem-se as cortinas vermelho-rubro do teatro e quem começa cantando? Cauby Peixoto. Os movimentos elegantemente bregas e insinuantes que o Brasil se acostumou a ver nos shows e na TV, esqueça. Quem aparece no palco é um idoso vestido a seu estilo: blazer de linho branco, camisa de sede, calças pretas perfeitamente cortadas, sapatos lustrosíssimos, gravata borboleta e peruca cacheada. Mas sentado, sem forças para levantar um instante sequer, certamente colocado ali com ajuda de outros. Mas e a voz? Igual. Impressionantemente igual. E mais impressionante ainda: bem projetada, principalmente considerando que estava cantando sentado! O mesmo timbre grave e aveludado, a mesma interpretação sensual e treinadamente variante. Um fenômeno e ao mesmo tempo um contraste imenso com aquela figura decrépita cuja bizarrice se adensava pela tradicional pinta de dândi andrógeno.

Outra surpresa: por incrível que pareça era Ângela Maria quem, mesmo de pé (e sem precisar ler nenhuma letra, bem me observou Leocádia), mais sofrera com o tempo e a idade, tendo em vista que fraquejou em alguns lances nos tons médios, prejudicados pela falta de alcance das cordas vocais e pela rouquidão característica (peculiaridade que, entretanto, continua lhe emprestando charme e estilo). O que não quer dizer que também não tenha dado um verdadeiro espetáculo. Nossa, que cantora ela ainda é! Em “Babalu”, clássico de Lecuonda imortalizado em sua voz, ela solta um agudo que se estende por uns bons 40 segundos sem baixar a frequência! Intérprete na mais correta acepção, ela cantou lindamente obras que ganham força e expressividade especial em sua boca, como “Se Não for Amor” (Benito Di Paula) e “O Portão”, de Roberto e Erasmo, que emocionou a todos. Uma verdadeira diva.
Cauby sentado, debilitado fisicamente mas com a voz impecável,.
Já a voz de ângela começa a sofrer os efeitos do tempo.

Os duos e “tabelinhas” foram outro ponto alto. A abertura traz Cauby lamentando “Chove lá fora”, logo emendada por “Noite chuvosa”, com Ângela nos vocais. Como veteranos acostumados a entreter as plateias, conquistaram o coração do público com standarts como Vida de Bailarina”, “A Pérola e o Rubi”, “De Volta Pro Aconchego e “Tres Palabras”. Quando já estavam todos contagiados, eles, sem deixar a bola cair, vieram com uma homenagem a Lupicínio Rodrigues. Aí a gauchada bairrista veio abaixo! Não precisa nem dizer que as interpretações carregadas de emoção e teatralidade de Ângela para “Nunca” e “Vingança” foram de dar dor de cotovelo em qualquer um.

Não faltaram os clássicos, obviamente. Ângela sensibilizou os viventes com um duo de “Gente Humilde” e, em seguida, na mesma vibe, “Ave Maria no Morro”. Cauby, por sua vez, mandou ver com “Granada”, “You’ll never know” (num inglês indefectível) e numa curta mas competente execução de seu maior sucesso, “Conceição”. Porém ele arrepiou este que vos fala em “Bastidores”, verdadeira tradução da alma mundano-boêmia desse artista feita por Chico Buarque em homenagem ao ídolo. E que emocionante ouvi-lo dizer ali, naquela situação, sentado, provavelmente em seus últimos dias de palco: “Cantei, cantei/ Como é cruel cantar assim...”. Os versos parecem ter uma significância ainda mais ampla a quem, como Cauby e Ângela, artistas de verdade, morrerão ali, junto do público, pois suas vidas foram desde sempre dedicadas à arte.

O bis foi ainda mais emocionante, quando a dupla trouxe “Carinhoso”, fazendo toda a plateia cantar. O desfecho foi com outra de Roberto, “Como é grande o meu amor por você”. E por falar em plateia, um registro que considero importantíssimo: um público nota 10. Vibrante com o show, calado durante as execuções, pedindo músicas, cantando quando chamado, mandando mensagens de carinho nos intervalos entre os números. Eu, que assisti ano passado neste mesmo teatro aos shows de Milton e Gil, constato que o proto-cult público jovem-adulto porto-alegrense, blasé e entojado, não é capaz de fazer isso. Pois, por incrível que pareça, é a terceira idade que se permite a essa a interação e, mais do que isso, demonstração pública de sentimento. Emocionei-me várias vezes junto com eles, como um bom velhinho de 75, 85, 95 anos (pois é: tinha uma senhora perto de nós com essa idade...).

Ao final, 3 minutos de aplausos. Chico estava certo quando disse que todo o cabaré aplaudira de pé quando chegaram ao fim. Eu vi – e aplaudi junto. Muito provável que esse tenha sido o último show tanto de um quanto de outro em Porto Alegre. Quiçá, a última turnê. Mas as palmas seguirão ecoando na boa acústica das casas de espetáculo ou na péssima dos night clubs da zona. Não importa, continuarão ecoando. Permito-me a uma leve correção ao que outro compositor disse ao também homenagear o cantor: “Cauby, Cauby!”. Estendo, com todas as honras, as salvas de Caetano a ela também: “Ângela, Ângela!”.

Os mitos nunca morrerão.






quarta-feira, 4 de junho de 2014

The Beatles Rock Cup - segunda fase


Chega a ser redundância dizer que só tem jogaço!
Sorteados os jogos da segunda fase da Copa do Mundo The Beatles , o inevitável afunilamento da competição faz com que tenhamos encontros de gigantes, como é o caso de The Fool in the Hill x Here Comes the Sun; Sargent Pepper's Lonely Hearts C.B. x Let it Be e o único clássico local da fase, Love Me Do x Please Please Me. Mas é lógico que os outros enfrentamentos não ficam devendo em nada para estes e oferecerão, por certo, a mesma dificuldade de decisão para nossa bancada beatlelística.

Confira abaixo todos os confrontos  da segunda fase:




  • HELTER SKELTER x LADY MADONNA
  • TWO OF US x SHE SAID, SHE SAID
  • YESTERDAY x GET BACK
  • TELL ME WHY x OH, DARLING
  • BECAUSE x I'M THE WALRUS
  • I SAW HER STANDING THERE x ELEONOR RIGBY
  • I WANTO YOU (SHE'S SO HEAVY) x WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
  •  THE FOOL IN THE HILL x HERE COMES THE SUN
  • PENNY LANE x AND I LOVE HER
  • A DAY INTHE LIFE x I WANTO TO HOLD YOUR HAND
  • GOLDEN SLUMBERS x SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS C.B. (reprise)
  • DRIVE MY CAR x THE BALLAD OF JOHN & YOKO
  • LOVE ME DO x PLEASE PLEASE ME
  • SGT. PEPPER'S LONELY HEART CLUB BAND x LET IT BE
  • THE LONG AND WIDING ROAD x STRAWBERRY FIELDS FOREVER
  • COME TOGETHER X BLACK BIRD



Sepultura - "Roots" (1996)



“Max Cavalera é uma lenda.
Nunca se vendeu, 
sempre foi verdadeiro - 
e sempre poderá dizer
‘Eu gravei Roots’.
Para mim, isso é grandioso.”
Dave Grohl (Foo Fighters e ex-Nirvana)


Um daqueles discos que mudou o rumo das coisas. "Roots", da banda brasileira Sepultura, de 1996, como se não bastasse ser legal pra caramba, deu uma nova perspectiva ao metal levando-o a uma nova dimensão. Algum douto pretensioso pedante pode alegar que "uma banda dinamarquesa lá de mil novecentos e setenta e pico já havia misturado regionalismos e folclores nórdicos ao metal e coisa e tal e blablablá..." Tá bem, tá bem. Mas tenho certeza que ninguém o fizera com tamanha qualidade, riqueza e sobretudo, com alcance, por conta do renome que o Sepultura já gozava no cenário mundial.
"Roots" conseguia a proeza de agregar ao metal ritmos brasileiros, indígenas, regionalismos, tradicionalismos e folclore, sem abrir mão do peso e da agressividade, suas marcas registradas.
É certo que seu antecessor, "Chaos A.D.", de 1993, já indicava o caminho, mas coisas como a incrível "Ratamahatta", em parceria, quem diria, com Carlinhos Brown, de letra em português com palavras soltas lançadas praticamente aleatoriamente; e a literalmente tribal "Itsári", uma levada acústica de violões acompanhada de cantos xavantes gravada na própria reserva indígena; eram a confirmação daquela tendência da banda e a afirmação da ousadia sonora em um nível poucas vezes visto no gênero.
No entanto, a melhor síntese da sonoridade pretendida e alcançada no projeto da banda fica por conta da faixa que abre o disco, "Roots", que ao mesmo tempo que mantém as características básicas da banda com todo seu peso e energia, mescla de maneira perfeita  e muito sonora, os elementos rítmicos estranhos à sua linguagem. Uma paulada metal com batucada brasileira. Genial e espetacular.
"Attitude", com seu berimbau; a excelente "Cut-Throat", influência inequívoca para o chamado Nu-Metal com sua estrutura toda quebrada ; a batucada à Olodum de "Breed Apart"; e a ótima "Born Stubborn" em ritmo de ponto de umbanda, também são dignas de nota, bem como o metal-industrial, "Lookaway", que conta com a participação de Mike Patton do Faith No More. Algumas edições do álbum trazem ainda faixas extras como a versão para "Procreation (of the Wicked)" do Celtic Frost e a competente cover do Black Sabbath, "Symphtom of the Universe".
Muitos fãs torceram o nariz para o trabalho mas não há como negar o caráter absolutamente inovador da proposta. Aquilo havia sido algo novo e inusitado e era tão interessante que não só viria a dar rumo aos novos caminhos musicais que a própria banda seguiria, como influenciaria diversas bandas e artistas da cena musical dali por diante.
Um daqueles álbuns que mudou o rumo das coisas.
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FAIXAS:
1-Roots Bloody Roots
2-Attitude
3-Cut-Throat
4-Ratamahatta
5-Breed Apart
6-Straighthate
7-Spit
8-Lookaway
9-Dusted
10-Born Stubborn
11-Jasco
12-Itsári
13-Ambush
14-Endangered Species
15-Dictatorshit

16-Canyon Jam

17-Procreation (Of The Wicked) – Celtic Frost Cover*
18-Symptom Of The Universe (Black Sabbath Cover)*


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Ouça:
Sepultura Roots


Cly Reis

terça-feira, 3 de junho de 2014

cotidianas #299 - A Última Chamada



Pôs o fone no gancho e sorriu para a mulher que acabara de entrar no escritório.
- Trouxe um café – disse a esposa com um sorriso no rosto – Negócios?
- Ah... um cliente. Uma entrega de um lote. Só isso – respondeu parecendo um tanto embaraçado.
- Ah, entendo – disse colocando a bandeja sobre a mesa de trabalho do marido.
- Pensei que você só fosse voltar mais tarde – observou o homem.
- Pois é. Desocupei mais cedo do que imaginava – explicou – Mas não quero atrapalhar o seu trabalho. Só aproveitei que a Leonice ia trazer o café e vim ver se estava tudo bem. Está, não?
- O que?
- Tudo bem.
- Claro, claro. Sim, está tudo bem. Obrigado. Está tudo bem.

****

- Mais ou menos. Estou com saudade.
Com um sorriso brejeiro no rosto, a moça, não mais que uma adolescente, conversava excitada ao telefone.
- Quando é que você vem aqui me ver? Faz tempo que a gente não faz... aquilo – pronunciou esta última palavra  numa espécia de risinho sugestivo.
A garota falava, visivelmente excitada, enrolando os dedos no fio do aparelho e mordendo o lábio inferior.
- Ah, dá um jeito – continuou ela agora um pouco contrariada.
Silenciou por alguns instantes ouvindo a pessoa do outro lado da linha e retomou em tom de cobrança:
- Tá bom. Tá bom... Então pelo menos diz que me ama. Não, não... diz... Ãhnn??? O que??? Como ass...? Que conversa é essa?
Ainda olhou indignada para o fone como se olhasse para a cara da pessoa do outro lado.
- Desgraçado! Desligou na minha cara.

****

- Tá bom, Leonice, deixa que eu levo o café.
- Mas o seu Flávio pediu pra eu levar – tentou insistir a empregada.
- Mas deixa que eu levo. Deixa eu fazer uma surpresa pra ele.
Caminhando em direção à biblioteca que o marido costumava usar como escritório para encaminhar assuntos da empresa, do corredor, mesmo sem querer, pôde escutar a voz quase sussurrada que vinha lá de dentro.
- Assim que eu puder. Acho que a minha mulher anda meio desconfiada. Tá em cima de mim, ultimamente.
Aquela última frase fez a esposa, Irene, com a bandeja de café nas mãos, no final do corredor, aí sim, prestar atenção na conversa, tentando aproximar-se mais, silenciosamente, de modo a não ser vista pela porta aberta da biblioteca.

*****

Flávio saiu da cozinha assoviando corredor afora em direção à biblioteca.
Tinha assuntos da empresa para cuidar, entregas, lotes, mas aquilo tudo podia esperar. Aproveitaria que a esposa não estava em casa e trataria de outra coisa.
Sentou à escrivaninha, olhou para o aparelho à sua frente e tirou o fone do gancho.

****
Irene estranhou ver o marido tão animado, assoviando pelos corredores. Por certo fechara algum negócio importante. Por vezes o marido não ia ao escritório e ficava em casa fazendo ligações da biblioteca.
O cheiro de café invadia a casa inteira. Por certo a Leonice havia passado um novinho.
Aproveitaria o imprevisto de sua consulta médica adiada e faria uma surpresa ao marido que por certo não esperaria por ela em casa àquela hora. Levaria ela mesmo o café para ele.

****
- A Jéssica mandou o senhor ligar pra ela. Nem sei porque que eu ainda faço essas coisas pro senhor. A Dona Irene vai me matar.
- Você faz isso por mim porque você é um anjo, Leonice – disse o homem pegando a cabeça da empregada entre as mãos e tascando-lhe um beijo na testa.
- Para com essas coisa, Seu Flávio – disse a serviçal fingindo irritação.
- Vai, me leva um cafá na biblioteca, Leo. Vou aproveitar que a Irene vai demorar e ligar pra tua sobrinha.
- Seu Flávio... - fez ainda a empregada em tom de desaprovação antes que ele tomasse o corredor assoviando.

****
Há tempos que já estava um tanto desconfiada do marido e agora aquela ligação misteriosa.
Até já imaginava quem pudesse ser. Aquela piranhazinha da sobrinha da Leonice. Estivera com a tia, um dia desses, ajudando na faxina. Se era isso, descobriria. Se fora o marido quem fizera a última chamada, descobriria para quem foi pela rediscagem automática. Tinha quase certeza de que havia sido a última ligação pois pouco depois que deixara o café e saíra da biblioteca, vira o marido sair apressadamente logo em seguida.

****
- Não... Não. Não assim pelo telefone... Tá bom. Eu te am… - e avistando um reflexo no piso, entre a porta da biblioteca e o corredor, mudou repentinamente de tom e de assunto.
- Aham... Sim, claro. Como não? Perfeitamente. Até mais tarde. Obrigado.
O homem atrás da escrivaninha desligou o telefone e sorriu para a esposa que entrava no escritório com uma bandeja de café.

****
Dona Leonice já não era mais nenhuma menina.
Era de confiança do casal, mais do Seu Flávio, de quem cuidara desde pequeninho e por quem tinha um afeto todo especial. Não podia àquelas alturas da vida se dar ao luxo de perder o emprego por causa dos namoricos da sobrinha.
É verdade que ela mesma, Leonice, criara aquela situação dando o número da garota para o patrão. Mas acabaria com aquilo imediatamente.
Tirou do gancho o aparelho de telefone da cozinha e discou.
Começou a chamar.

****
- Na minha cara! - exclamou em voz alta para si mesma.
Por que seria que o novo amante, mais velho, a deixara falando sozinha com o telefone na mão?
Por certo não fora por vontade própria. Se mostrara tão atencioso desde que se conheceram no dia em que foi ajudar a tia na faxina na casa dona patroa, a Dona Irene.
Não se incomodou nem um pouco quando recebeu a ligação do homem casado. A tia fora quem dera o número. Na verdade mal sabia o coroa que tinha autorizado a tia a fazê-lo caso ele pedisse.
Mas e agora aquele tratamento...
Não podia retornar a ligação para a casa dele. Não seria prudente. Ligaria para a tia e saberia o que estaria se passando. Se a barra estava limpa. Pegou o celular de dentro da mochila, deslizou a tela, localizou Leonice e... chamando.

****

Perturbado pelo susto, Flávio deixou de lado os assuntos da empresa que tinha para resolver. Permaneceu alguns instantes ainda sentado à cadeira rotatória da biblioteca, pensando no que faria, e por fim levantou-se e dirigiu-se com decisão ao pátio.
Acabaria com aquela história naquele momento.
Ligaria do celular para a amantezinha e poria fim àquela aventura juvenil.
Sacou o aparelho do bolso e procurou “contato sem nome”. Era este.
- Está chamando... – fez questão de dizer para si mesmo.

****
Irene abriu a porta do quarto contíguo à biblioteca, de onde viu Flávio sair decidido, a passos largos, pouco depois de ter-lhe deixado o café, e retornou à mesa do marido. Sentou na confortável cadeira giratória, pegou o telefone e apertou REDISCAR.
Estava chamando.

****
- Alô.


Cly Reis

Cara de Janela








"Cara de Janela" - RODRIGUES, Daniel
grafite em sulfite com manipulação digital
9,5x2cm



segunda-feira, 2 de junho de 2014

The Beatles Rock Cup - classificados da primeira fase

Olho no lance!
Concluídos todos os jogos da primeira fase, agora a coisa vai esquentar de verdade!
Restam apenas 32 times na competição e, como era inevitável com alguns confrontos duríssimos ocorrendo logo de cara, alguns clássicos dos Besouros deixaram a Copa prematuramente, como é o caso de Dear Prudence, Can't Buy Me Love, Ticket to Ride, Tomorrow Never Knows, entre outras grandes, afinal, em se tratando de Beatles, poucas não podem ser considerados clássicos.
Bem, amigos,agora é salve-se quem puder. Não temos mais a restrição de enfrentamentos do mesmo álbum, então podemos ter confrontos ainda mais eletrizantes. O bicho vai pegar!!!
Como curiosidade, podemos ter um Sargent Pepper's x Sargent Pepper's reprise, já que as duas passaram, o que seria no mínimo, muito interessante. Mas aguardem o sorteio. Por enquanto fiquem com as 32 classificadas:
(classificadas destacadas em vermelho)

sábado, 31 de maio de 2014

cotidianas #298 - O Amor é Um Cão dos Diabos




pé de queijo
alma de cafeteira
mãos que odeiam tacos de bilhar
olhos como clipes de papel
eu prefiro vinho tinto
entedio-me em aviões
sou dócil durante terremotos
sonolento em funerais
vomito nos desfiles
e vou para o sacrifício no xadrez
e nas bocetas e nos afetos
cheiro urina nas igrejas
já não consigo mais ler
já não consigo mais dormir

olhos como clipes de papel
meus olhos são verdes
prefiro vinho branco

minha caixa de camisinhas está passando da
validade
eu as tiro pra fora
Trojan-Enz
lubrificadas
para maior sensibilidade
tiro todas pra fora
e ponho três ao mesmo tempo

as paredes do meu quarto são azuis

para onde você foi, Linda?
para onde você foi, Katherine?
(e Nina partiu Inglaterra)

tenho cortadores de unha
e limpa-vidros Windex
olhos verdes
quarto azul
brilhante metralhadora solar

essa coisa toda é como uma foca
presa em oleosas rochas
e cercada pela Banda Marcial de Long Beach
às 3h36 da tarde

há um tiquetaquear atrás de mim
mas nenhum relógio
sinto algo rastejar
ao longo de minha narina esquerda:
memórias de aviões

minha mãe tinha dentes postiços
meu pai tinha dentes postiços
e durante todos os sábados de suas vidas
eles recolhiam todos os tapetes de sua casa
enceravam o chão e de tabuões
e o cobriam novamente com os tapetes

e Nina está na Inglaterra
e Irene está no abrigo municipal
e eu pego meus olhos verdes
e me deito me meu quarto azul


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"O Amor é Um Cão dos Diabos"
Charles Bukowski


"Um Time de Primeira - Grandes Escritores Brasileiros Falam de Futebol", Vários Autores - 2014 (Ed. Nova Fronteira)



Acabei de ler agora, por esses dias, o bom livro "Um Time De Primeira", uma coletânea de textos de onze autores de épocas diferentes, praticamente desde os tempos da chegada do futebol ao Brasil até os contemporâneos. Com um time que conta com nomes como Vinicius de Moraes, Mário de Andrade, Luís Fernando Veríssimo, Lima Barreto, Rubem Fonseca, João do Rio, Antônio de Alcântara Machado, Mário Filho, Coelho Neto, Nelson Rodrigues e João Cabral de Melo Neto não dá pra esperar nada senão textos altamente qualificados. E são, efetivamente! Tem a beleza lírica dos textos de Coelho Neto, o ufanismo apaixonado de Nelson Rodrigues, o habitual bom-humor de Luís Fernando Veríssimo, a ficção envolvente de Rubem Fonseca e a incrível atualidade da crítica de Lima Barreto ao esporte e seu papel social. Textos e estilos para todos os gostos: crônica, poema, conto, matéria para jornal, resenha para revista, poema inédito, fragmento de livro. Tudo da melhor qualidade. Como o título do livro sugere, com um time como esse só poderíamos mesmo ter um livro de primeira.
Livro daqueles pra provar que futebol vai além das quatro linhas e que também é jogado assim, linha por linha.
Golaço.


Cly Reis

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Exposição "Salvador Dalí" - CCBB - Rio de Janeiro




Abre hoje para o público a exposição "Salvador Dalí" no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no Rio de Janeiro, que é programa obrigatório para os apreciadores de artes plásticas na cidade. Até já tinha visto uma do surrealista catalão, "Dalí - A Divina Comédia", no Centro Caixa Cultural, mas nem se compara o porte desta que promete ser a maior do artista na América Latina com mais de 150 obras entre gravuras, pinturas, desenhos, fotografias e filmes.

Apesar de, provavelmente, ser extremamente concorrida, nessa vou ter que encarar as filas e aglomerações. Não dá pra perder.




exposição "Salvador Dalí"
local: CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66. Centro, Rio de Janeiro, RJ
período: de 30 de maio a 22 de setembro

de quarta a segunda, das 9h às 21h.
entrada: gratuita


The Beatles Rock Cup - confrontos da primeira fase


Saiu o sorteio da primeira fase da Copa do Mundo TheBeatles.
Se achavam que a competição já estava difícil, não viram nada.
Clássicos como Eleonor Rigby, Helter Skelter, Drive My Car e outros tiveram que encarar numa pré-fase pelo fato de não terem um bom 'rankeamento', por assim dizer na parada de sucessos, só que agora, na primeira fase, efetivamente do torneio, entram exatamente as 32 mais bem colocadas no ranking da Billboard e aí, véi, a coisa vai ficar feia!
Só pra que se tenha uma ideia, nessa fase teremos clássicos como Ticket to Ride x Strawberry Fiedls Forever, Help x Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Love Me To x Dear Prudence, só para ficar em algumas. Vai sair lasca!
Confira abaixo todos os jogos da primeira fase da Copa das Copas, a Copa do Mundo TheBeatles do clyblog:






quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Jogo da Sua Vida #6 - Grêmio 3 x Nacional de Medellín 1 (1995)



A dupla Paulo Nunes e Jardel,
garantia de gols e alegria para
a torcida tricolor
O jogo da minha vida foi da Copa Libertadores de 95. Era uma quarta-feira, 23/08, e o meu Grêmio chegava a mais uma sonhada final da Libertadores. Primeiro jogo da final. O nosso velho Olímpico Monumental estava completamente lotado e a torcida não parava de cantar. Havíamos passado pelo favorito Palmeiras e encontrávamos na final o Nacional de Medellín, que havia eliminado o River Plate na semifinal.
Começa o jogo e a pressão do Tricolor em cima do Nacional é insuportável, com Arce, Paulo Nunes e Jardel infernizando a defesa do Nacional, não deixa o Nacional respirar! Não demora muito para o Grêmio abrir o placar com um cruzamento da direita, com o zagueiro fazendo contra, sem chance para o Higuita. Explode o Olímpico! A torcida começa a gritar: É CAMPEÃO! O segundo tempo continua como o primeiro, só pressão tricolor, com o Grêmio chegando aos 3 x 0. No final o Nacional fez um gol de honra, mas isto não diminui a vibração e o choro emocionante da apaixonada torcida Tricolor que na alegria e na tristeza jamais abandona o grandioso Grêmio!
Como torcedora fanática, não contive as lágrimas ao descrever este jogo que me emocionou e me fez ainda mais gremista. Eu posso dizer com orgulho que vi a dupla Paulo Nunes e Jardel destruir a zaga dos times adversários! Com eles, era só correr para o abraço.


Grêmio x Atlético Nacional (COL) - 23/08/1995




Gicele Souza
é torcedora do Grêmio

The Police- "Reggatta de Blanc" (1979)


Reggatta de Blanc
=
Reggae de Branco



Meu amigo Christian Ordoque, colaborador aqui do blog, foi quem me apresentou esse disco. Na verdade o que aconteceu foi que me abriu os olhos para o The Police, ou melhor, os ouvidos. Já conhecia a banda da celebrada coletânea "Every Breath You Take" mas acho que naquela audição, no apartamento dele no bairro São Geraldo em Porto Alegre, eu tenha percebido todas as grandes virtudes da banda e em especial daquele disco, o "Reggata de Blanc" (1979). Acho que o que me despertou mesmo foi quando ouvi "No Time This Time", depois de já ter rolado todo o disco e descoberto suas grandes qualidades. Quando começou aquele ska-rock alucinante e acelerado eu fiquei simplesmente de queixo caído. Um show de baixo de Sting, é verdade, mas nada comparado à performance simplesmente do outro mundo de Stewart Copeland na bateria. Um show! Aquilo me conquistou de vez.
Mas "No Time This Time" é a última. Antes disso, como eu disse, já havia descortinado o disco inteiro. "Message in a Bottle" é o mais perfeito cartão de visitas que a banda podia ter escolhido para abrir o álbum, pois é a mostra exata da proposta da banda com uma fusão de punk, reggae e new-wave poucas vezes obtida com tanto êxito. A, praticamente instrumental, "Reggatta de Blanc", a segunda faixa do disco, evolui numa crescente até tornar-se um rock forte e vigoroso com alguns vocais esparsos, sem letra; "Bring on the Night", que até então eu só conhecia da versão ao vivo da carreira solo de Sting, e da versão um pouco diferente da coletânea, é brilhante na sua sutileza e sofisticação jazzística, combinados a um agradável refrão carregadíssimo no reggae; e a excelente "Walking on the Moon", é um show de técnica do trio em outra das grandes músicas do álbum.
Muito interessantes também são a aninada "It's Allright For You"; o reggae embalado "The Bed's Too Big Without You"; a brilhante muitíssimo bem construída "Contact", cujo início sempre me remete a "Tom Sawyer" do Rush; e "Does Everyone Stare" que começa com um piano e o baterista Stewart Copeland no vocal, e parece prenunciar algumas características da futura carreira solo de Sting.
Daqueles discaços da primeira à última. Mas devo admitir que até hoje, quando chega a última, levanto o volume e ensaio um air-drum imitando o Copeland.
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FAIXAS:
1. "Message In A Bottle"
2. "Reggatta De Blanc"
3. "It's Alright For You"
4. "Bring On The Night"
5. "Deathwish"
6. "Walking on the Moon"
7. "On Any Other Day"
8. "The Bed's Too Big Without You"
9. "Contact"
10. "Does Everyone Stare"
11. "No Time This Time"


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Ouça:

Cly Reis
(para Christian Ordoque)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Copa do Mundo The Beatles - classificados da fase preliminar

Pelo amor dos meus filhinhos!!!
A coisa já começou quente. Jogaços, cla´ssicos, pedreiras e algumas grandes eliminadas precocemente. Em alguns casos era inevitável como em confrontos tipo She's Leaving Home x Magical Mystery Tour ou A Day in the Life x For No One. alguém tem que sobrar. Mas em outros, em especial no confronto Dr. Robert contra Hey Jude, uma das favoritas do público, uma daquelas de cantar em coro com as mãozinhas pra cima, dançou logo na pré-fase.
Bom, confiram abaixo, destacados em vermelho, todos os classificados e fiquem ligados, em breve, no sorteio da primeira fase, quando entram as 32 mais bem colocadas na parada da Billboard.


























    A Day in the Life, And I Love Her, I Saw Her Standing There, Because, Black Bird, Dear Prudence, Dr. Robert, Drive my Car, Eleanor Rigby, Getting Better, Glass Onion, Golden Slumbers, Helter Skelter, Here Comes the Sun, Hey Jude, I Am The Walrus, I Should Have Known Better, I Want You (She's So Heavy), Norwegian Wood (This Bird Has Flown), Oh Darling, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band – Reprise, She Said She Said, She's Leaving Home, Strawberry Fields Forever, Tell Me Why, The Fool on the Hill, Tomorrow Never Knows, Two of Us, When I'm Sixty-Four, With a Little Help from My Friends, Within You Without You e You've Got to Hide Your Love Away.

The Jesus and Mary Chain - Vivo Open Air - Marina da Glória / Rio de Janeiro (27/05/2014)



Entrada do Vivo open Air,
proposta de sessão de cinema
ao ar livre seguida de show musical
Irmãos, eu vi Jesus!
Sim, sim, uma das minhas bandas favoritas, o The Jesus and Mary Chain, cujo álbum de estreia, "Psycho Candy" é meu disco de cabeceira frequentemente citado como um dos melhores dos naos 80, estava ali na minha frente, como um milagre. Como um milagre, sim, porque assim como o filho do Homem, ressuscitou, depois de uma longa inatividade para uma turnê, que por felicidade passou por essas terras.
Sim, Jesus está entre nós!
Shwarzie encarnando o impiedoso robô
do futuro na telona na Marina da glória
Depois de uma sessão de cinema ao ar livre com a exibição do filme o Exterminador do Futuro, ao qual eu já tinha assistido zilhões de vezes, mas que queria ver como seria numa tela grande, ao ar livre e dentro da proposta do evento, o Vivo open Air, que na verdade não é nada mais do que um grande drive-in daqueles antigos, só que sem carro, era hora de encontrar os irmãos Reid, e sua corrente de Jesus e Maria, uma das bandas mais significativas e cultuadas das últimas décadas no rock mundial.
E, irmãos, eu encontrei Jesus!
"Snakedriver" pra abrir. Delírio!!! "Head On" na sequência. Pra enlouquecer!!! "Far Gone and Out", "Between Planets", "Blues for a Gun"... Uau!!! Foda, foda, foda! Mesmo com meus joelhos detonados (minha condropatia patelar) tive que ir lá pro burburinho. Pulando e me batendo com a galera. Ah, foda-se!
Jesus cura!
Os irmãos Reid no palco. Ao centro Jim e à direita,
William exibindo uns (muitos) quilinhos a mais
Mesmo bem menos barulhentos, com um 'barulho' mais limpo, o repertório dos caras é matador e cada música executada era uma espécia de êxtase para os fãs. E vieram "Cracking Up", "Happy When it Rains", "Teenage lust", "Sidewalking". Yeah, yeah, yeah!!!
Sim, eu ouvi Jesus!
Bem mais simpático do que de costume com o público, acenando vez que outra, agradecendo os aplausos e bicando uma cervejinha o tempo todo, Jim Reid fez uma apresentação, se não perfeita, correta, enrolando-se com o fio e fazendo aquele tradicional vai-e-vem como pedestal do microfone, fazendo com que vários tivessem que ser substituídos. O surpreendentemente obeso, William Reid, ao contrário das negativas expectativas com base nos erros do show de São Paulo, foi bastante competente  e seguro na guitarra no comando daqueles solos simples, sem frescura mas extremamente cativantes. Se em São Paulo eles não haviam ensaiado, parece que o show de lá serviu de ensaio para o do Rio, que tecnicamente, de um modo geral foi bom e assim, sem maiores percalços, a primeira parte do show terminou com a doce/ácida "Just Like Honey" com uma convidada que foi chamada para fazer o backing vocal feminino mas cuja voz praticamente não foi apareceu. Jim anunciou então que aquela fora a última música e a banda saiu apressada do palco deixando a dúvida "Jesus breve voltará?". Sabendo do temperamento da dupla não era de se estranhar que a ameaça de nos deixar se confirmasse. Mas felizmente não.
Jesus voltou!
Depois de uma breve pausa voltaram, aí sim, caprichando na ruideira, nas microfonias e nas distorções para uma dobradinha "Psycho Candy", com "The Hardest Walk" e "Taste of Cindy", fechando em seguida com o clássico "Reverence" numa performance empolgante. Mas agora sim era o fim. Um show relativamente curto, mas conhecendo como conhecemos os rapazes já foi grande coisa que tenham dado o show e que não o tivessem abandonado no meio como faziam em outros tempos.
Saí contemplado por ter visto aquilo. Por ter finalmente visto uma das bandas que mais gosto e admiro e por ter ouvido ao vivo algumas das músicas que ainda hoje me marcam muito.
Eu fui abençoado.
Amém!

trechinho de "Teenage Lust" gravado de celular
(perdoem a qualidade do áudio)