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terça-feira, 12 de março de 2013

cotidianas #209 - Tininho e Tiririco




As cigarras já esganiçavam seu canto funesto àquela hora, fim de tarde. O sol, forte e alaranjado naquele dia, caía agora frouxo, aguado, por detrás do morro do Piau como que prostrado da lida do dia, cansado, consumido de si mesmo. Justino havia piorado. E naquela luz pouca de não-sol, então! A pior das impressões. Magro como estava, aí sim que sumia. Um risco. Desde a noite anterior, ardera em febre, revirando os olhos, espumando a saliva, estrebuchando, coisa horrível de se ver. Eu vi. O que eu não vi, o resto, me contaram. Tremia dum jeito que dona Arminda só tinha visto pequena, lá nos idos de 1892, ainda no Vapabuçu, quando Frasino, irmão dois anos antes dela, batia os queixos tão forte que rachou o dente de leite da frente. Ela lembra como se fosse hoje de observar cara da mãe. Rosto afinado mais do que precisava, tanto resultado de doença quanto de pouco de-comer. Via o sofrimento dela, tanto que só a boca sacudia. O resto, tudo parado. Até o piscar. Mas agora, com o seu pobre Tininho ali mal à sua frente, não é mais o “como se fosse hoje”: é o hoje. Fosse assim, seria lembrança. Doída, mas passada. Mas não era. Era, sim, desta feita, num filho. Já vira Justino passar por sérias ruindades de saúde. Mas agora era pior, visível que era. Judiaria.
Dentro da palhoça, terço gasto na mão áspera, muita ladainha. E choro. Lá fora, sentado, com o queixo apoiado sobre as duas mãos cruzadas no cabo da enxada, Tiririco. Olhando o vazio, acabrunhado. Burro, como sempre se foi desde que apareceu ali um dia, com fome, há uns 12 anos, e foi ficando, ficando, sem jamais, ‘té hoje, dizer uma palavra. Bom de roçado, opera tudo que precisar. Reza religiosamente a cada prato que lhe é posto na frente, e isso desde que chegou, já naqueles idos. Educado nas rezas como um seminarista, bonito de se ver. Agradecido como de não muitos, quase nenhuns. E se dá bem com os bichos mateiros que, decerto por identificação, gostam dele de pronto, seja anta, cachorro-vinagre, bugio, jaratataca, jia, maria-faceira, araçari, chora-chuva. Coração bom tem dentro. Mas abestalhado da cabeça por demais. Essas coisas de doença, enfermidade como a de Justino, jamais teve atino pra essas coisas; muito jumentoso pra isso. Trabalha bem a lida forte, mas be-a-bá, valei-me Nossa Senhora!, é-lhe muito. Explicar o porquê da doença era perda de tempo. Fazia cara de bobice, como se não tivesse entendendo aquilo que realmente não tinha; um ouvido só servia pra dar passagem ao som que vinha do outro, e lá se ia a explicação embora sem serventia. Com Justino assim, adoentado, era proibido de entrar na casa porque, se Nhô Chico vacilasse, Tiririco ia se chegando de mansinho, sem piar, escondido, até que, de repente, ‘regalava os olhos e desatava a chorar. Berreiro longo, assoviado, esganiço nem pela boca nem pelo nariz que dava pra ouvir na cercania de Nhô Matias, meia légua, 600 braças dali. E não só: ainda borrava-se nas calças, emporcalhava-se todo, empestava. Isso se assucedeu umas duas vezes, até que Nhô Chico deu-lhe um basta. É que Tiririco gostava muito do Justino, era isso. Como um irmão a quem escolheu pra ser. Justino desde pequeno também se afeiçoara no maninho emprestado. Foi ele, inclusive, que atribuíra essa graça esquisita: Tiririco. Nome que não quer dizer nada, como o próprio, que nada diz. Deu-se cabimento, assim, o tal nome. É que Justino, ‘inda piá, abraçava o irmão bem forte e embestava em repetir-lhe: “Tiririco, Tiririco, Tiririco”. Aí, ficou. Mas aquela não era hora de abranjo nem de fala. Então, pra modo de não estorvar Justino e de Nhô Chico não ter de desenhar-lhe um galo na cabeça, o certo era Tiririco ficar lá fora no curral enquanto cuidavam do acamado. Lá fora: ele e o cabrito.
O pano branco de Nhá Doca, emplastrado daquelas ervas e embebido de água fresca recém-tirada do poço por seu Chico, já não dava mais conta. Esquentava sobre a testa de Justino, que fervia. Dava para enxergar o vaporzinho subindo, serpentinando uma dança mundana e ligeira. A mão calosa e encarquilhada da curandeira virava e desvirava o tecido, repetindo o sinal da cruz e murmurando na boca sumida pela velhice orações que ninguém entendia. Às vezes, parecia até que Justino queria repetir as palavras, gesticulando a boca com dificuldade. Mas não era reza, não. Decerto, devaneio da cabeça febril, frenesim (certo que era). Nhá Doca ainda tentava a cura com sua famosa beberagem, cuja receita continha garapa-amarela, melado, palavras místicas, cauda-de-cavalo e guaco socado. Dava a ele pela ligeira fenda entre os beiços num chumaço de algodão empapado, pingando ali gota a gota. Brincadeira da vida: logo Nhá Doca, parteira do pequeno Justino, era quem, agora, com as mesmas mãos que lhe trouxeram pra imensidão da vida, lhe via despedir-se dela a cada minuto que passava. Era no já-já, questão de esperar apenas. Estava-se indo o Tininho.
Terço na mão, Dona Arminda agora só chorava sobre o lenço algodoado e surrado. A pele flácida e calcinada estremecia a cada lacrimejo. Tentava não fazer barulho, suplicando baixinho à Nossa Senhora das Sete Dores. Mas o quarto minúsculo, cuja maca onde o filho pesteado se estendia, tomando-lhe quase toda área, prendia o som choroso ali mesmo, que dali não saía. A maca não era da família, não. Era de seu João Troncoso, homem granjola dali das bandas favorecido dos faz-me-rir que a emprestou para seu Chico não sem exigir que este o entregasse de volta a maca mais 3 contos de réis. Nhô Chico, fazedor de tudo para ver o filho são, assumiu mesmo sem saber como ia cumprir. Valia. Até porque, do seu jeito torto, João se apiedara do caso de Justino, a quem ele vira crescer à mesma época que seu mais novo, Salustiano, que hoje está no Rio de Janeiro fazendo o colegial. Foi Salustiano que, anos atrás, acometido de espinhela caída, ficou dois meses deitado sobre aquela maca tomando remédio e aquietando as costelas. E sarou. Maca boa, comprada nas estranjas. “Vai que acontece o mesmo com o Justino!”, pensou João, e a emprestou com a benevolência descontada dos apatacados de até deixar-se pagar depois.
No quarto, as velas bentas alumiavam com cor de fogo febril o chão batido de terra vermelhusca, acendendo também, ao canto, a imagem da Santa, que padre Lino, por consideração, cedera do altar da igrejinha. “Muit’agradicida”, disse-lhe dona Arminda, beijando-lhe a mão e correndo logo em seguida de volta pra casa com a Virgem debaixo do braço. Noutro canto, o feixe fazia descobrir a carteira dos estudos. Justino, sabido nas letras e nas contas, queria ser doutor. Daria esse gosto pra seu Chico, certamente. Mas, ironia d’O-de-Lá-de-Cima, a saúde nunca acompanhou o sonho dele e do pai. O organismo frágil desde a infância, se por um lado lhe limitavam dos afazeres mais pesados da roça, por outro, pareciam que emprestavam mais inteligência àquele corpo desmilinguido que mal parava em pé nos dias em que Deus soprava o vento mais forte. E era querido em toda redondeza. Brigão? Nunca. Os rapazolas valentões viviam de sopapo pra cá e pra lá, fosse de verdade ou só de borga. Ele: não. E era respeitado, sabe? Ninguém lhe pegava pra inticar. Era admirado. Eu mesmo, sempre o gostei. Cabeça sempre pros estudos, desde caboclinho. Queria, um dia, mostrar pra Nhô Chico e Nhá Arminda o anel do doutoramento.
Pois o tempo avançava e a ventania assoprava lá fora da casinha, sacudindo as palhas do telhado, que apitavam. As cigarras já de tanto cantar aquele canto desgracento desistiram de esperar melhora e morreram. Justino piorava. Nada daquilo tudo adiantava. Nhá Doca tinha que tomar rumo, não podia mais ficar ali. Tinha outra família pra atender, e, fora isso, morava noutras paragens, longe, lá no arraial das Taquaras. Mas, de bom grado, pois consternada com o jovem, deixou ali uma caneca daquela beberagem, o emplastro e a bacia com as ervas que colhia na mata da Caratiga, “santas”, diziam todos por lá. Dona Arminda, resignada, agradeceu, e seu Chico mal o fez com a cabeça, assentindo (nem palavra tinha mais). A benzedeira pôs o surrão nas costas e saiu a passo miúdo mas rápido pra sua idade. Na saída, cruzou com Tiririco, que ainda obedecia a regra de se manter debaixo do sereno. Sentado num toco, ele e o cabrito faziam-se companhia, consolando um ao outro, como amigos. Essa parceria só podia ser por conta dessa parecença que Tiririco tem com os bichos. Certa feita, um velho sertanejo, de passagem por ali, pediu água à Nhá Arminda. Sentou-se a convite uns minutos no mesmo toco esse, cansado, com um cajado na mão. Até que mirou Tiririco longe, na capina. O velho parou o gole no meio e disse:
- Esse menino é ribeirinho, nasceu no regato do São Francisco, logo se vê. Posso até dizer onde foi: foi nas Pedras de Cima, na margem do rio Chico, bem lá.
Nhô Chico estranhou. Olhou pra mulher e depois pra Tiririco espantado, pois nunca lhe passou pela cabeça que Tiririco tivesse vindo de algum lugar.
- Vósmecê me adescurpe, mas não lhe dê caso: isso aí não veio de lugar nenhum nem tem grande aproveitamento. Isso aí é burrico, só sabe de enxada e lavramento - disse Nhô Chico rindo, apontando desdenhoso na direção de Tiririco com o queixo.
- Bonito de ver mesmo é meu filho, Justino. Tá nus´istudo agora essa hora. Vai estudar na cidade ano que vem. Esse, sim, tem precisão pra vida - relatou, orgulhoso.
Mas o velho, sem dar ouvido, concluiu, encantado:
- Logo se vê que esse caboclinho é filho do santinho dos animais...
Tomou o resto d’água, agradeceu e foi-se. Sumiu na caatinga pra nunca mais.
O frio e o escuro da noite fechada e bonita agora pareciam não dar mais nenhuma esperança. A morte já se acomodara, calma e agourenta, esperando o minuto certo, que se anunciava pra dali a não muito. Nhá Arminda, desacorçoada, suplicava à Consoladora um milagre. No fundo, culpada por ter botado no mundo uma cria tão sem vigor, tão quebradiça, gravetinho. Nhô Chico, de oposto, não admitia. Revoltava-se. Embestado e indignado, não entrava no seu miolo porque Deus não se apiedava dele; porque Deus fazia isso com Justino, menino tão bom; porque Deus fazia essa judiação, essa maldade tão maldade com ele, Chico. Pecado? Tinha, claro; mas então que aquilo não fosse com Justino! Fosse então com... com... (sabia o que queria pensar, mas abafava.) O que fez pra merecer, indagava, olhando furioso pra palha do teto tentando enxergar o que tinha por detrás dela, acima, lá em cima, no céu preto. Pensava que jamais alguém dos Da Luz seria alguém nessa vida; ia tudo continuar naquela miséria dos infernos. Todo o dinheiro juntado por anos pra custear os estudos do menino na cidade grande, pra quê? Tudo aquilo, pra quê?
Justino lutava pra não ir, mas carecia mais luta não. Era. Até que se alevantara. Alisou com gosto no corpo a roupa de chita de xadrez colorido, aquela que de quando em quanto abria a gaveta e admirava, usada só nos dias de festa de São João. Vestia uma calça branca adornada de botões, bem solta, cuja bainha dava no meio das canelas. Calçava aquela sandália franciscana de couro endedada. Justino caminhou em direção à comodazinha, onde pegou com delicadeza a concertina, lustrosa de tão limpa. Reluzia o instrumento. Enganchou as alças sobre os ombros, posicionou os dedos sobre as sétimas e olhou para os pais com um sorriso iluminado de tanto encanto.
- Ói, mãe, que bonito! Que nem Tiririco falou ‘quele dia, se alembra? Ói, pai, ói!
Na rua, Tiririco teve um estalo. Olhou pro céu estrelado e, naquele escuro infinito, enxergou uma rolinha pararu alçar de repente. Uma luz parecia cobrir somente a sua penagem azulada dentro da escuridão do em volta. Luz só nele, branca. Cois’estranha um pararu-azul àquela hora, noitinha, ‘inda mais apontado naquela luz tão de não-sei-onde! A ave sibilou seu canto cheio: “u-út... u-út”, e Tiririco, pra modo de não bulir com Nhô Chico e Nhá Arminda, respeitando a dor dos pais lá dentro da casinha jururu de tão triste, abriu pra si um sorriso silencioso, enquanto uma lágrima entendedora caía de seu rosto.



sábado, 9 de março de 2013

cotidianas #242 - Versos Sujos




Asco 
Nojo
Pudor, Odor
Transpiração

Hálito
Nhaca, Eca
Fedor
Respiração

Buceta
Pica
Cu
Depravação

Língua
Sabor
Rabo, Dor
Penetração

Leite Moça
Chocolate
Chantilly
Refeição

"Leite, moça?"
"chocolate?"
Sêmem
Ejaculação

Mijo
Cocô
Náusea
Perversão

Pelo traseiro
pêlo no ânus
Pubianos
Por trás, não

Sujeira de porra
sujeira de merda
sujeira de traição

Porcaria
na cozinha, na pia
na cama
Porcaria pelo chão

Pela frente e pelo verso
Versos imundos
versos perversos
versos perdidos
Versos sujos





Cly Reis




O Bode Espiatório


sexta-feira, 8 de março de 2013

cotidianas #208 - Especial Dia Internacional da Mulher - "Todas as Mulheres do Mundo"



Elas querem é poder!

Mães assassinas, filhas de Maria
Polícias femininas, nazijudias
Gatas gatunas, kengas no cio
Esposas drogadas, tadinhas, mal pagas


"Salomé de Wilde", REIS, Cly
óleo sobre tela (120x60cm)
Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

Garotas de Ipanema, minas de Minas
Loiras, morenas, messalinas
Santas sinistras, ministras malvadas
Imeldas, Evitas, Beneditas estupradas

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

Paquitas de paquete, Xuxas em crise
Macacas de auditório,velhas atrizes
Patroas babacas, empregadas mandonas
Madonnas na cama, Dianas corneadas

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz

Socialites plebéias, rainhas decadentes
Manecas alcéias, enfermeiras doentes
Madrastas malditas, superhomem sapatas
Irmãs La Dulce beaidetificadas

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz


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"Todas as Mulheres do Mundo"
(Rita Lee)


terça-feira, 5 de março de 2013

Dossiê ÁLBUNS FUNDAMENTAIS


E chegamos ao ducentésimo Álbum Fundamental aqui no clyblog .

Quem diria, não?

Quando comecei com isso ficava, exatamente, me perguntando até quantas publicações iria e hoje, pelo que eu vejo, pelos grandes discos que ainda há por destacar, acredito que essa brincadeira ainda possa ir um tanto longe.

Nesse intervalo do A.F. 100 até aqui, além, é claro, de todas as obras que foram incluídas na seção, tivemos o acréscimo de novos colaboradores que só fizeram enriquecer e abrilhantar nosso blog. Somando-se ao Daniel Rodrigues, Edu Wollf , Lucio Agacê e José Júnior, figurinhas carimbadas por essas bandas, passaram a nos brindar com seus conhecimentos e opiniões meu amigo Christian Ordoque e a querida Michele Santos, isso sem falar nas participações especiais de Guilherme Liedke, no número de Natal e de Roberto Freitas, nosso Morrissey cover no último post, o de número 200.

Fazendo uma pequena retrospectiva, desde a primeira publicação na seção, os ‘campeões’ de ÁLBUNS FUNDAMENTAIS agora são 5, todos eles com 3 discos destacados: os Beatles, os Rolling Stones, Miles Davis , Pink Floyd e David Bowie , já com 2 resenhas agora aparecem muitos, mas no caso dos brasileiros especificamente vale destacar que os únicos que tem um bicampeonato são Legião Urbana, Titãs, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben, Engenheiros do Hawaii e João Gilberto, sendo um deles com o músico americano Stan Getz. A propósito de parcerias como esta de Getz/Gilberto, no que diz respeito à nacionalidade, fica às vezes um pouco difícil estabelecer a origem do disco ou da banda. Não só por essa questão de parceiros mas muitas vezes também pelo fato do líder da banda ser de um lugar e o resto do time de outro, de cada um dos integrantes ser de um canto do mundo ou coisas do tipo. Neste ínterim, nem sempre adotei o mesmo critério para identificar o país de um disco/artista, como no caso do Jimmi Hendrix Experience, banda inglesa do guitarrista norte-americano, em que preferi escolher a importância do membro principal que dá inclusive nome ao projeto; ou do Talking Heads, banda americana com vocalista escocês, David Byrne, que por mais que fosse a cabeça pensante do grupo, não se sobrepunha ao fato da banda ser uma das mais importantes do cenário nova-iorquino. Assim, analisando desta forma e fazendo o levantamento, artistas (bandas/cantores) norte-americanos apareceram por 73 vezes nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, os ingleses vem em segundo com 53 aparições e os brasileiros em, 3º pintaram 36 vezes por aqui.
Como curiosidade, embora aqueles cinco destacados anteriormente sejam os que têm mais álbuns apontados na lista, o artista que mais apareceu em álbuns diferentes foi, incrivelmente, Robert Smith do The Cure, por 4 vezes, pintando nos dois da própria banda ("Disintegration"  e "Pornography"), em um tocando com Siouxsie and the Banshees  e outra vez no seu projeto paralelo do início dos anos ‘80, o The Glove. Também aparece pipocando por aqui e por ali John Lydon, duas vezes com o PIL  e uma com os Pistols; Morrissey, duas vezes com os Smiths e uma solo; Lou Reed uma vez com o Velvet e outras duas solo; seu parceiro de Velvet underground, John Cale uma com a banda e outra solo; Neil Young , uma vez solo e uma com Crosby, Stills e Nash; a turma do New Order em seu "Brotherhood" e com o 'Unknown Pleasures" do Joy Division; e Iggy Pop 'solito' com seu "The Idiot" e com os ruidosos Stooges. E é claro, como não poderia deixar de ser, um dos maiores andarilhos do rock: Eric Clapton, por enquanto aparecendo em 3 oportunidades, duas com o Cream e uma com Derek and the Dominos, mas certamente o encontraremos mais vezes. E outra pequena particularidade, apenas para constar, é que vários artistas tem 2 álbuns fundamentais na lista (Massive Attack, Elvis, Stevie Wonder, Kraftwerk) mas apenas Bob Dylan e Johnny Cash colocaram dois seguidos, na colada.

No tocante à época, os anos ‘70 mandam nos A.F. com 53 álbuns; seguidos dos discos dos anos ‘80 indicados 49 vezes; dos anos ‘90 com 43 aparições; 40 álbuns dos anos ‘60; 11 dos anos ‘50; 6 já do século XXI; 2 discos destacados dos anos ‘30; e unzinho apenas dos anos ‘20. Destes, os anos campeões, por assim dizer são os de 1986, ano do ápice do rock nacional e 1991, ano do "Nevermind" do Nirvana, ambos com 10 discos cada; seguidos de 1972, ano do clássico "Ziggy Stardust" de David Bowie, com 9 aparições incluindo este do Camaleão; e dos anos do final da década de ‘60 (1968 e 1969) cada um apresentando 8 grandes álbuns. Chama a atenção a ausência de obras dos anos ‘40, mas o que pode ser, em parte, explicado por alguns fatores: o período de Segunda Guerra Mundial, o fato de se destacarem muitos líderes de orquestra e nomes efêmeros, era a época dos espetáculos musicais que não necessariamente tinham registro fonográfico, o fato do formato long-play ainda não ter sido lançado na época, e mesmo a transição de estilos e linguagens que se deu mais fortemente a partir dos anos 50. Mas todos esses motivos não impedem que a qualquer momento algum artista dos anos ‘40 (Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Cole Porter) apareça por aqui mesmo em coletânea, como foi o caso, por exemplo, das remasterizações de Robert Johnson dos anos ‘30 lançadas apenas no início dos anos 90. Por que não?

Também pode causar a indignação aos mais 'tradicionais', por assim chamar, o fato de uma época tida como pobre como os anos ‘90 terem supremacia numérica sobre os dourados anos 60, por exemplo. Não explico, mas posso compreender isso por uma frase que li recentemente de Bob Dylan dizendo que o melhor de uma década normalmente aparece mesmo, com maior qualidade, no início para a metade da outra, que é quando o artista está mais maduro, arrisca mais, já sabe os caminhos e tudo mais. Em ambos os casos, não deixa de ser verdade, uma vez que vemos a década de 70 com tamanha vantagem numérica aqui no blog por provável reflexo da qualidade de sessentistas como os Troggs ou os  Zombies, por exemplo, ousadia de SonicsIron Butterfly, ou maturação no início da década seguinte ao surgimento como nos caso de Who e Kinks. Na outra ponta, percebemos o quanto a geração new-wave/sintetizadores do início-metade dos anos ‘80 amadureceu e conseguiu fazer grandes discos alguns anos depois de seu surgimento como no caso do Depeche Mode, isso sem falar nos ‘filhotes’ daquela geração que souberam assimilar e filtrar o que havia de melhor e produzir trabalhos interessantíssimos e originais no início da década seguinte (veja-se Björk, Beck, Nine Inch Nails , só para citar alguns).

Bom, o que sei é que não dá pra agradar a todos nem para atender a todas as expectativas. Nem é essa a intenção. A idéia é ser o mais diversificado possível, sim, mas sem fugir das convicções musicais que me norteiam e, tenho certeza que posso falar pelos meus parceiros, que o mesmo vale para eles. Fazemos esta seção da maneira mais honesta e sincera possível, indicando os álbuns que gostamos muito, que somos apaixonados, que recomendaríamos a um amigo, não fazendo concessões meramente para ter mais visitas ao site ou atrair mais público leitor. Orgulho-me, pessoalmente, de até hoje, no blog, em 200 publicações, de ter falado sempre de discos que tenho e que gosto, à exceção de 2 ou 3 que não tenho em casa mas que tenho coletâneas que abrangem todas as faixas daquele álbum original, e de 2 que sinceramente nem gostava tanto mas postei por consideração histórica ao artista. Fora isso, a gente aqui só faz o que gosta. Mas não se preocupe, meu leitor eventual que tropeçou neste blog e deu de cara com esta postagem, pois o time é qualificado e nossos gostos musicais são tão abrangentes que tenho certeza que atenderemos sempre, de alguma maneira, o maior número de estilos que possa-se imaginar. Afinal, tudo é música e, acima de tudo, nós adoramos música.
Cly Reis

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PLACAR POR ARTISTA:
  • The Beatles: 3 álbuns
  • The Rolling Stones: 3 álbuns
  • David Bowie: 3 álbuns
  • Miles Davis: 3 álbuns
  • Pink Floyd: 3 álbuns

  • Led Zeppelin; Massive Attack, Elvis Presley, Siouxsie and the Banshees; Nine Inch Nails, The Who; The Kinks; U2; Nirvana; Lou Reed; The Doors; Echo and the Bunnymen; Cream; Muddy Waters; Johnny Cash; Stevie Wonder; Van Morrison; Deep Purple; PIL; Bob Dylan; The Cure; The Smiths; Jorge Ben; Engenheiros do Hawaii; Caetano Veloso; Gilberto Gil; Legião Urbana; Titãs e João Gilberto: 2 álbuns

PLACAR POR DÉCADA:
  • Anos 20: 1 álbum ("Bolero", Maurice Ravel)
  • Anos 30: 2 álbuns ("The Complete Recordings", Robert Johnson e "Carmina Burana", de carl Orff)
  • Anos 50: 11 álbuns
  • Anos 60: 40 álbuns
  • Anos 70: 53 álbuns
  • Anos 80: 49 álbuns
  • Anos 90: 43 álbuns
  • Anos 00:  6 álbuns

PLACAR POR ANO:
  • 1986 e 1991: 10 álbuns
  • 1972: 9 álbuns
  • 1968 e 1969: 8 álbuns
  • 1987 e 1969: 7 álbuns

PLACAR POR NACIONALIDADE (ARTISTAS):
  • EUA: 73
  • Inglaterra: 53
  • Brasil: 36
  • Irlanda: 4
  • Escócia: 3
  • Alemanha: 2
  • Canadá: 2
  • Suiça; Jamaica; Islândia; França; País de Gales; Itália e Austrállia: 1 cada



domingo, 3 de março de 2013

ARQUIVO DE VIAGEM - GRAMADO / RS




Sempre charmosa com seu ar meio europeu, suas casas ao estilo alemão, seus pinheiros, hortênsias  e araucárias, sua paisagem serrana, seus artigos típicos e sua gastronomia irresistível, Gramado é um programa de viagem com satisfação garantida.

Repleta de atrações de toda ordem, para todos os gostos e idades, garante ocupação e divertimento todos os dias. Foi o meu caso: embora já conhecesse a cidade, nas 3 vezes anteriores que fui, passei sempre um dia apenas, o que fazia sempre ficar em falta com muita coisa. Desta vez, não. Como ficamos na região serrana do Rio Grande do Sul por 13 dias, pelo menos 10 destes foram dedicados a Gramado e sempre tivemos o que fazer.

Lojas de chocolate, fábricas e lojas de cristais, parques temáticos, zoológico, museus, restaurantes e o indispensável café colonial... Ah, Gramado é tudo de bom!
Abaixo algumas das atrações que visitamos na cidade:


O centro da charmosa Gramado ainda com
 a decoração de Natal

O Palácio dos Festivais, sede anual do
Festival de Cinema de Gramado

A catedral, não tão imponente, nem tão bela
quanto a de Canela, mas ainda assim, simpática

O belíssimo e agradável Lago Negro.
O passeio de pedalinho é 'de lei'.

O interessantíssimo Zoológico de Gramado
somente co animais da fauna brasileira.

Passeio de carro de boi no Parque Gaúcho,
instalação temática contando a história e
expondo as tradições do povo gaúcho

Vista do pátio do Parque Gaúcho

A Aldeia do Papai Noel.
Lá é Natal nos 365 dias do ano.

A Casa do Papai Noel, dentro da Aldeia...

...e o interior dela,
toda mbiliadinha e tudo mais.

O Mini-mundo...

... e o impressionante mundo em miniatura
em movimento lá dentro.

O Mundo Encantado...

.... uma espécie de Mini-Mundo mas mais especificamente
focado na imigração italiana.

Aqui, no Mundo Encantado,
miniatura de uma produtora de vinhos.

É interessante também a visita a uma das muitas
fábricas de vidros e cristais.

Lá pudemos acompanhar a produção de uma das peças.


O Museu do Perfume...

... na verdade uma fábrica, com loja, que mostra a
história da produção dos aromas
ao longo da história.

Aqui, no Museu do Perfume,
uma vitrine com os nomes mais importantes  do mundo
em matéria de perfumes.

O Museu Medieval...

... e seu impressionante acervo de armas
remontando a história bélica da humanidade,
com peças originais, inclusive.

Fachada do Museu Super-Carros...

... e um dos carrões lá dentro.
"Somente" uma Ferrari.

O Hollywood Dream Cars...

... este mais voltado para modelos históricos.

O Museu Harley-Davidson, na verdade praticamente
um bar temático no subsolo do museu de cêra.

Uma das supermotos no Museu Harley

Fachada do Dreamland,
 o Museu de Cêra de Grmado

Lá encontrei o Macca,
aliás, Sir Paul Mc Cartney.

Mas também encontrei o Chapolin Colorado.
"Não contavam com minha astúcia!".

E pra finalizar, um dos cartões postais de Gramado, suas hortênsias,
um tanto castigadas, é verdade, pelo calor do verão.



por Cly Reis

sábado, 2 de março de 2013

cotidianas #207 - Fatal



"Ai, assim, assim... hmm... hmmm... Isso me chupa, me chupa.
Que que tu vai pegar aí? Que que tu tem aí?
...
Ah, tu gosta de brinquedinhos, é?
Vamos brincar, então.
Espero que tu tenha a chave disso.
Hmmm, hmmm...
Tá bom, agora para com essa palhaçada. Já não tô mais gostando disso.
Que que tu tá fazendo?
Que isso?
Me solta, me solta.
Não...
Nããããoooo..."





Cly Reis

O Frango Atirador