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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Paraty, para mim, paratodos

PARATY - Temporadinha em Paraty.
Bem bacana.
Uma dos núcleos históricos mais significativos e bem conservados das cidades que já visitei com esta característica.
Construções tipicamente coloniais portuguesas, pavimentação tipo 'pé-de-moleque', igrejas e fortificações históricas, tudo emoldurado por uma belíssima paisagem natural.
Réveillon vai ser aqui. Na volta posto mais detalhes e curiosidades. Por enquanto, aí vão algumas imagens.












Cly Reis

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Carmina Burana" - Carl Orff (composição de 1937)



"... a música em si não comete pecados simplesmente por ser e permanecer popular. O fato de 'Carmina Burana' aparecer em centenas de filmes e comerciais de televisão é a prova de que ela não contém nenhuma mensagem diabólica..."
Alex Ross, crítico musical do The New Yorker




Os eruditos, os puristas ou os pedantes de plantão que me perdoem mas "Carmina Burana" de Carl Orff é a obra clássica mais pop que existe.
Bastaria citar a quantidade de vezes que vocês já devem ter ouvido a primeira parte, "O Fortuna" em comerciais, filmes, ou sampleado em outras músicas, mas se não for o suficiente pode-se observar outros elementos da cantata: apresenta em suas 7 partes 25 faixas relativamente curtas (com aproximadamente 4 minutos cada) modelo bem característico das composições cntemporâneas para rádio; é muito mais percussionada que a maioria das outras do seu gênero e estas marcações aparecem em ritmos mais regulares que o comum; há refrôes em várias destas "faixas" e estas apresentam, não raro, elementos repetidos e andamentos iguais entre eles. Quer mais? "Ego Sum Abbas" é praticamente um metal com aquele barítono solo com a resposta instrumental (literalmente) barulhenta; e "Estuants Interis" é daquelas coisas bem Pixies ou Nirvana com uma "base" segurando para uma explosão no refrão; e "In Taberna" então? Intensa, fortíssima, agrassiva.
Também tem o fato de a obra ter sido composta em 1937, ou seja já no século XX e entre movimentos modernos que explodiam pelo mundo afora, o que certamente já influenciava um composição muito mais ousada e de acordo com seu tempo; e como se ainda não bastasse as letras, adaptações de textos do século XIII, versam sobre vida mundana, beberagens, orgias, sexo. Quer mais rock'roll que isso?
Sim, tem mais que isso. Saindo desta parte que particularmente acho legal de ter essa cara tão contemporânea, as composições de Orff para o manuscrito, além da ousadia, da visão, são uma beleza e uma sensibilidade inegáveis e não à toa é considerado um dos maiores nomes da música clássica do século XX.
Infelizmente a obra "Carmina Burana" acabou caindo nas graças dos nazistas e acabou sendo a obra mais encenada durante o reinado do reich, o que de certa forma acabou jogando sobre Orff aquela 'nuvenzinha' de ligações com o nazismo, às quais na verdade nunca ficaram realmente comprovadas. Mas até isso é meio rock'n roll de certa forma, não é?
Ouvi quatro execuções desta ópera e particularmente gosto muito da tocada pela Filarmônica de Berlin, regida pelo maestro Seiji Ozawa que é a que recomendo, caso se interessem, mas de um modo geral todas são boas e não irão decepcionar a ninguém.

O Fortuna - Imperatrix Mundi


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"CARMINA BURANA (Cantiones Profanae)"

Fortuna Imperatrix Mundi
1. O Fortuna
2. Fortune plango vulnera

I – Primo vere In Spring
3. Veris leta facies
4. Omnia sol temperat
5. Ecce gratum

Uf dem Anger On the Lawn
6. Tanz
7. Floret silva nobilis
8. Chramer, gip die varwe mir
9. a) Reie
9. b) Swaz hie gat umbe
9. c) Chume, chum, geselle min
9. d) Swaz hie gat umbe (reprise)
10. Were diu werlt alle min

II – In Taberna In the Tavern
11. Estuans interius
12. Olim lacus colueram
13. Ego sum abbas
14. In taberna quando sumus

III – Cour d'amours Court of Love
15. Amor volat undique
16. Dies, nox et omnia
17. Stetit puella
18. Circa mea pectora
19. Si puer cum puellula
20. Veni, veni, venias
21. In trutina
22. Tempus est iocundum
23. Dulcissime

Blanziflor et Helena Blancheflour and Helen
24. Ave formosissima

Fortuna Imperatrix Mundi
25. O Fortuna (reprise)
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Ouça:
Carmina Burana Carl Off

Cly Reis

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os Causo de Dois Morro - A verdadeira história do Menino Jesus


A despropósito de Natar, pôca gente sabe mas na verdade o tar de Menino Jesus nasceu mesmo em dois Morro. Não se chamava-se exatamente Jesus mas na verdade Jesuíno. Jesus foi apelido que os ôtros menino botaro anos dispois no coléjo, mas isso não tem desimportância: o qui importa é que é doismorense de nascimento e lavradura.
Pois é!
Naquelas época de muito coronelismo romano, o Coroné Herodes da provinciazinha de Nova Belenzinho, ali logo do lado de Dois Morro, ficô sabendo dum disse-me-disse que um tar de Gabrier andava espaiando ia nascê uma criança que ia de sê o Sarvador. Achô já que isso de Saravadô era coisa de reforma agrárica, ortográfica, pornográfica e mandou os home dele atrás de tudo que fosse casar que tivesse cria pra nascê nos dia dali seguido. Mas o peór é que não era nada diss'que o coroné tava pensando: era mais que o guri que ia rebentá era cria do seu Zé Sarvadô e da Dona Maria Sarvadô, antonce que de todos jeito só podia sê um Sarvadô, oressa! Mas ele não quis nem sabê e fez e aconteceu com as famía dos recém-nascido.
O seu Zé e a Dona Maria que num ero bôbo nem nada, dexaro caí a noitinha e se bandearo lá pra Dois Morro, lá por perto das meia-notche do dia 24 de  dezembro a Dona Maria Sarvadô começô a sentí as dor. Tivero que parar num garpão, num celêro ou argo assim, no arto do morro da direita e foi ali que nasceu o Jesuíno Sarvadô. Piá bonito que nem um tordilho, gordo que nem um leitão.
Dali a pouco dispois do parimento chegô uns moço que já tavo meio "alterado"por caus'duns tochico que tinho usado, e que vinho com umas conversa que tinho seguido uma estrela que mostrou pra eles onde ia nascê um tar de Messia e biriribororó. O seu Zé não gostô dessas história de Messia e disse que já tinha decidido que o nome ia sê Jesuíno e que era assunto encerrado. Um dos moço tentô se explicá dizendo, "Quê isso, magro? A gente não tá querendo mudar o nome do teu guri! Fica na boa, magro!". E de tanto magro pra lá, magro prá cá (e como parecío meio afrescalhado os trêis), ficaro conhecido dispois como os Três Gays Magro.
Só sei que os magrão trussero uns presente meio esquisito: um deles, tá bom, até trôsse ôro. Ôpa!, ôro ninguém dejeita. Mas, agora, os ôtro fôro inventá de dá pro seu Zé incenso e mirra. Pra quê???
O seu Zé largô-lhes os cachôrro:
- Vai acendê esse palito fedorento na casa da tua mãe e tu vai dá mijo pra putaquitipariu!
E não adiantô nem o magrão tentá explicá:
- É mirra, magro, é mirra.
Foro enxotado a coice do celêro do Jesuíno.

postado por Chico Lorotta

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Frango Atirador

Tim Maia - "Tim Universal Maia" Box com 8 CD's + DVD (2010)

Saindo também super box do 'Síndico'.
Alguns dos álbuns mais significativos da carreira de Tim Maia e ainda, pra ver, DVD de um especial da Rede Globo de 1989. Só a nata musical da carreira do polêmico e controvertido cantor.
Tim foi um dos mestres do soul brasileiro. Uma das maiores vozes e dono de uma musicalidade fora do comum, Tim foi inovador dentro da música nacional ao mesclar de forma brilhante, principalmente nos primeiros álbuns, ritmos americanos, como funk, soul e rock, com outros tipicamente brasileiros como samba, forró, baião, sem fazer concessões pra nenhum dos dois lados. Era mistura mesmo. A caixa vale mais por essa fase, os álbuns até 1980. O resto, pra mim, mesmo com inegável valor, já considero um pouco menos inspirado.
Dono de um temperamento difícil, Tim Maia ficou famosso além do talento, pelas broncas e discussões com a banda, ajustando o som o tempo inteiro no palco; e pelos seus atrasos homéricos nos shows deixando o público esperando por horas a fio, o que de certa forma era até uma sorte se fosse SÓ esperar, pois não era incomum que sequer aparecesse para as apresentações. Isso tudo sem falar na tal da fase Racional na qual o glorioso Tim pirou na batatinha mas acabou produzindo dois álbuns fora de série, mas que não entram neste box.
Baita músico, baita cantor! Figuraça!


Tim Universal Maia - Box com 8 CD's + 1 DVD
CD's: Tim Maia (1970); 'Tim Maia' (1971); 'Tim Maia' (1972); 'Tim Maia' (1973); 'Tim Maia' (1976); 'Tim Maia' (1980); 'O Descobridor dos Sete Mares' (1983); 'Sufocante' (1984)
DVD: 'Tim Maia In Concert' (especial para a Rede Globo de 1989)
Universal Music
(2010)
R$ 169,00

"David Bowie - A Biografia" de Marc Spitz - ed. Benvirá (2010)



Saindo nova biografia do Camaleão. 
Pelo que li a respeito vale pedir pro Papai Noel.
Parece ter um pouco mais do olhar de fã sobre a obra e o artista do que a maior parte das muitas outras biografias já lançadas por aí sobre o cara.
Mais informação, mais conteúdo, mais curiosidades, mas acima de tudo imparcialidade mesmo sob o olhar de um fã.
Assunto é que não falta na rica carreira deste que é um dos maiores nomes da história do rock.


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"David Bowie: A Biografia"
autor: Marc Spitz
448 páginas
R$ 39,90
Tradução: Santiago Nazarian
BENVIRÁ / 2010 -1ª edição

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"SciFi=SciFilo - A Filosofia Explicada pelos Filmes de Ficção Científica", de Mark Rowlands (2003) ed. Relume Dumará


Caiu em minhas mãos por algumas cargas d'água, destas da vida, o livro "SciFi=SciFilo" do doutor em filosofia e apaixonado por filmes de ficção científica, Mark Rowlands, que a partir de obras cinematográficas deste gênero traça paralelos, estabelece comparativos e pontos de análise de princípios filosóficos, meio que 'explicando' a filosofia através destes filmes. Um grande barato! Bem legal mesmo a ideia! Como o próprio autor coloca na introdução, os filmes de ficção, muitas vezes subestimados, ridicularizados, desprezados, se prestam, sim, admirável e surpreendentemente a análises filosóficas extremamente sólidas e profundas, possivelmente, mais até do que filmes tidos como 'sérios' ou 'cabeça'.
No livro Rowlands analisa, entre outros, "Star Wars" sob a ótica do maniqueísmo, em que George Lucas coloca tudo como sendo o BEM e o MAL; pergunta como fica o livre arbítrio quando se sabe que vai-se cometer um crime como em "Minority-Report"; e a partir daquele final emocionante e reflexível de "Blade Runner" , discorre sobre o sentido da vida.
Alguns dos filmes acabam na minha opinião sendo mal utilizados nas analogias como é o caso de "Frankenstein" que para mim toma uma linha que pode prestar-se à filosofia, mas que fica distante do âmago da história em si criada por Mary Shelley e das suas adaptações cinematográficas; ou o caso também de "O Exterminador do Futuro" no qual ele desperdiça a possibilidade de análise do filme em nome de capítulos e mais capítulos versando sobre dualismo e materialismo, praticamente deixando de lado o cinema. Fica muita filosofia e pouca ficção científica neste ponto do livro.
Legal mesmo o capítulo sobre "Matrix", um dos filmes dos últimos tempos que provavelmente mais se prestam a este tipo de análise. Sobre este, Rowlands ataca na incerteza de termos certeza de alguma coisa e deixa, com aval de Descartes, Nietzsche e Hume, a pulguinha atrás da orelha de 'será que o mundo que conhecemos é o mundo tal como é?' Será que não vivemos numa espécie de matrix? Bobagem!!! ...Ou não?
Outra comparação pertinente é sobre um filme que nem é tudo isso mas que se presta perfeitamente à avaliação filosófica: "O Homem Sem Sombra" levanta a questão da moralidade e  por que ser moral? Tipo: se você tivesse a faculdade de ficar invisível será que você não sairia por aí entrando em vestiários femininos, assaltaria um banco, sacanearia quem você não gosta ou faria coisas ainda piores? Será que a 'proteção' de uma invisibilidade, da impossibilidade de sermos identificados não nos seria a permissão para fazer tudo aquilo que sempre tivemos vontade de fazer, impunemente? E sendo assim, então não fazemos estas coisas não por um senso moral mas apenas por um medo de punição? Boas perguntas?
Bem bacana! Escrito com conhecimento, com citações, com base, mas muito despojada e descontraídamente. Legal especialmente pra quem viu os filmes (que por sorte e por vício eu já tinha visto todos).
Pra quem acha que filmes de monstros, de robôs, de naves, de alienígenas são só besteira, bobagem, estupidez, "SciFi=SciFilo" é uma resposta inteligente, muitíssimo qualificada e acima de tudo gostosa e bem-humorada.


Cly Reis

9° Sinfonia de Beethoven pela Orquestra Sinfônica Brasileira - Theatro Municipal - RJ




Conheci ontem finalmente o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Bonito mas, surpreendenetemente para mim, pequeno. E conforme já sabia, uma imitação do Opera de Paris, o que não o desmerece em nada. Além da fachada de seu ecletismo remetendo ao neoclássico, já exaustivamente vista a cada ida à Cinelândia no centro do Rio, agora pude conhecer o espaço interno absolutamente nobre com seus veludos e tapetes vermelhos, evocativo com seus vitrais, brilhante com seus dourados e lustroso com seus mármores italianos.
Um dos belíssimos vitrais
A colunata da fachada
Fomos à apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, no último concerto do evento chamado Série Fora-de-Série, no qual executaram com brilhantismo a 9° Sinfonia de Beethoven, uma das maiores obras musicais já concebidas pelo homem. Inegavelmente um privilégio assistir a execução de uma obra como esta e de quebra, depois de 5 anos morando aqui,  conhecendo, finalmente, um dos pontos turísticos históricos mais importantes da cidade.
O interior rico e suntuoso.

THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro localiza-se na Cinelândia (Praça Marechal Floriano), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), no Brasil.
Construído em princípios do século XX, é um dos mais belos e importantes teatros do Brasil. A responsabilidade de sua gestão é da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculada a Secretaria de Estado de Cultura, que é presidida por Carla Camurati desde 2007, possui direção artística de Roberto Minczuk e direção operacional de Sonja Dominguez de Figueiredo França.


HISTÓRIA
A atividade teatral era, na segunda metade do século XIX, muito intensa na cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, a cidade não dispunha de uma sala de espetáculos que correspondesse plenamente a essa atividade e que estivesse à altura da então capital do país. Os seus dois teatros, o de São Pedro e o Lírico, eram criticados pelas suas instalações, quer pelo público, quer pelas companhias que neles atuavam.
Após a Proclamação da República brasileira (1889), em 1894 o autor teatral Arthur Azevedo lançou uma campanha para que um novo teatro fosse construído para ser sede de uma companhia municipal, a ser criada nos moldes da Comédie-Française.Entretanto, naqueles agitados dias, a campanha resultou apenas em uma lei municipal, que determinou a construção do teatro municipal. Essa lei não foi cumprida, apesar da cobrança de uma taxa para financiar a obra. Observe-se que a arrecadação desse novo tributo nunca foi utilizada para a construção do teatro.
Seria necessário esperar até à alvorada do século XX quando a sua construção viria a representar um dos símbolos do projeto republicano para a então capital do Brasil. À época, o então prefeito Pereira Passos promoveu uma grande modernização do centro da cidade, abrindo-se, a partir de 1903, a Avenida Central (hoje avenida Rio Branco) moldada à imagem dos boulevards parisienses e ladeada por magníficos exemplares de arquitetura eclética.
Nesse contexto, realizou-se um concurso para a construção de um novo teatro, do qual saiu vitorioso o projeto de Francisco de Oliveira Passos (filho do então prefeito Francisco Pereira Passos), que contou com a colaboração do francês Albert Guilbert, com um desenho inspirado na Ópera de Paris, de Charles Garnier.
O edifício foi iniciado em 1905 sobre um alicerce de mil e seicentas estacas de madeira fincadas no lençol freático. Para decorar o edifício, foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para executar vitrais e mosaicos.
Finalmente, quatro anos e meio mais tarde – um tempo recorde para a obra, que teve o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo então presidente da República, Nilo Peçanha, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Serzedelo Correia era o então prefeito da cidade.
Originalmente com capacidade para 1.739 espectadores, em 1934, com a constatação de que o teatro estava pequeno para o tamanho crescente da população da cidade, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em apenas três meses, também tempo recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.
Em 1975, a 19 de outubro, o teatro foi fechado para obras de restauração e modernização de suas instalações e reaberto em 15 de março de 1978. No mesmo ano foi criada a Central Técnica de Produção, responsável por toda a execução dos espetáculos da casa.
Em 1996 iniciou-se a construção do edifício anexo, visando desafogar o teatro dos ensaios para os espetáculos, que, com a atividade intensa da programação durante todo o ano, ficou pequeno para eles e, também, para abrigar condignamente os corpos artísticos. Com a inauguração do anexo, o coral, a orquestra e o balé ganharam novas salas de ensaio e espaço para as suas práticas artísticas.
Em seus primórdios, apresentavam-se no teatro apenas companhias e orquestras estrangeiras - especialmente as italianas e francesas - até que, em 1931, foi criada a Orquestra Sinfônica Municipal do Rio de Janeiro. Entre as personalidades ilustres que nele se apresentaram destacam-se os nmomes de Maria Callas, Renata Tebaldi, Arturo Toscanini, Sarah Bernhardt, Bidu Sayão, Eliane Coelho, Heitor Villa-Lobos, Igor Stravinsky, Paul Hindemith, Alexander Brailowsky entre outras. Hoje a casa abriga a Orquestra Petrobras Sinfônica e a Orquestra Sinfônica Brasileira e são apresentados, majoritariamente, programas de dança e de música erudita.


fonte: Wikipedia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"O Jogador", de Robert Altmann (1992)




Revi ontem de madrugada no TC Cult “O Jogador”, de Robert Altmann.
Nossa! Só aquele início com o plano seqüência de 9 minutos já é espetacular. Um a homenagem por certo ao de “A Marca da Maldade “ de Orson Welles, que por sinal, neste meio tempo da abertura, é citado duas vezes. O filme todo é uma ode à Sétima Arte com diversas menções, citações, aparições e imagens do mundo do cinema. Mas ao mesmo tempo que homenageia escarnece do próprio meio, mostrando o quanto pode ser podre, imoral, artificial e ridículo este universo. Um barato e engaçadíssimos os roteiros mirabolantes e esdúxulos que os roteiristas oferecem ao produtor em sua sala. Mas o cinema é assim, nos mostra o diretor: estrelas em alta, em baixa, fracassados, roteiros ruins que podem vender, roteiros bons que vão pro lixo, interesses, sujeira e tudo mais.
O produtor Griffin (Tim Robbins) com uma das cartas
de ameaça do roteirista misterioso
Ah, e não pode-se deixar de mencionar que no meio de toda essa reverência à telona corre um suspensezinho bem interessante sobre um produtor ameaçado por um roteirista insatisfeito; e esta pequena trama desenvolve-se muito bem e de maneira muito envolvente em meio a todo o circo hollywoodiano montado por Altmann.
Emocionante pra quem gosta de cinema e principalmente pra quem consegue colher e perceber onde estão as referências.
Obra de arte deste mestre do cinema!






Cly Reis

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Frango Atirador

ELVIS

Considerações sobre um Fracasso

Fiasco!
Inegável.
É inegável. Não adianta querer esconder.
As grandezas eram muito distantes, as ambições, as tradições, as conquistas. Este verdadeiro oceano (literal) que separa Inter e Mazembe fazem da derrota no Mundial de Clubes, sem meias palavras, um vexame.
Ninguém está negando isso.
Agora,... é dessas coisas que acontecem no futebol. São estas coisas que fazem o futebol fascinante. A possibilidade de um menor vencer um gigante, de um inexpressivo ganhar seu lugar na história, do improvável ganhar corpo e virar realidade. Só é uma pena que às vezes estas coisas aconteçam com o time que a gente torce.
Não é querer ser profeta do acontecido (e de preferência jamais prefessaria contra meu time) mas estava na cara que uma hora isso iria acontecer no Mundial de Clubes com este seu atual formato com participantes de todos os continentes. Uma hora um time de terceira grandeza, bem arrumadinho, bem esquematizado especificamente para um jogo, iria fazer um golzinho num contra-ataque e se fechar até o final; iria fazer aquele gol numa bola parada aos 42 do 2° tempo sem dar tempo de reação ao outro; iria, heroicamente tomando pressão o tempo todo, levar o jogo pros pênaltis e ganhar; ou iria simplesmente explorar a ansiedade e os nervos do favorito e deixá-lo pelo meio do caminho. Só, pena que foi com o meu.
Mas o Internacional tem destas coisas: tem episódios negativos logo suplantados por grandes feitos. Lembro recentemente da desclassificação na primeira fase da Libertadores de 2007, após ter sido campeão no ano anterior. Fato inédito!!! Nunca o então atual campeão fora eliminado na primeira fase. Tragédia? Não. Gozação, flauta, zoação? Com certeza. O resultado disso: três anos depois do 'fiasco' o Internacional levantava de novo a competição continental. Pronto. Não se abateu. Analisou os erros, lambeu as feridas, reviu conceitos e lá estava ele de novo no ponto mais alto das Américas.
Acho que foi um pouco por isso que não fiquei tão abatido com o fato: hoje em dia não é mais desesperador para nós colorados perder uma competição como esta. É desagradável, sim, ainda mais da forma como foi, mas temos plena consciência do potencial do clube que nos últimos dez anos chegou sempre em condições de vencer todas as competições que disputou, que praticamente, no que não ganhou foi vice: conquistou em pouco tempo todos os títulos continentais, por três vezes em uma década foi o segundo melhor do Campeonato Brasileiro e por uma da Copa do Brasil, é o ÚNICO clube brasileiro a ganhar títulos internacionais nos últimos cinco anos; sem falar no âmbito estadual, que particularmente eu desprezo, mas no qual de todo modo temos supremacia na última década (mantida desde os anos 40); tudo isso sustentado por um corpo associativo de mais de 100.000 pessoas do qual eu orgulhosamente faço parte.
Passei a ser sócio do Inter quando, em determinada ocasião, com propostas do exterior, o presidente disse que só estava conseguindo manter o Nilmar porque tinha 80.000 sócios e por isso tinha conseguido pagar a compensação ao atleta por uma proposta alta. Ali eu vi o quanto era importante nós estarmos fazendo nossa parte para dar o aporte para o clube trabalhar com tranquilidade e planejamento, poder manter jogadores e trazer outros visando sempre qualificação, grandeza e novos títulos.
É por isso que não me assusto. Fico chateado, claro, mas sei que um clube estruturado como o Internacional, com seus 107 mil sócios, com sua exigência interna (a mesma que saiu da desclassificação na 1° fase da Libertadores para sua reconquista), logo, logo estará lá de novo. Há algum tempo atrás eu teria me desesperado achando que desperdiçáramos a chance de nossas vidas. Mas não. Tenho certeza que teremos muitas outras. Ganharemos muitas, perderemos outras, talvez sejamos desclassificados em uma semifinal para asiáticos, mas estremos de novo prontos para outra e outra e outra jornada.
Fiascos? Todo mundo teve o seu. Quem não lembra do Santo André passear no Flamengo em pleno Maracanã diante de 80.000 pessoas? Ou da Seleção Brasileira, com dois jogadores a mais, ser eliminada numa semi de Olimpíada por Camarões? Ou da Seleção Francesa ser eliminada na primeira fase de uma Copa sem nenhuma vitória e sem nenhum gol marcado após ter sido campeã na Copa anterior? Não lembram? Claro que não. O futebol é assim. O Flamengo foi Campeão Brasileiro de 2006, a Seleção já é pentacampeã Mundial e uma Copa depois a França já estava numa final novamente... e a vida segue. E as conquistas miniminizam os grandes vexames. É sempre assim.
Foi um tropeço. Um grande tropeço numa pedra pequena. Mas o que resta é levantar, dar aquela espanada e seguir com classe, como se nada tivesse acontecido. Com o joelho doendo mas mantendo a pose. Como se nada tivesse acontecido mas  sem perder a lição, é claro: 'a pedra era pequena mas eu deveria ter tomado cuidado. da próxima vez olho por onde piso'. E segue em frente.
No fundo, não só o futebol, como de certa forma a vida podem se resumir na atitude do craque Didi, depois do Brasil ter tomado o gol da Suécia na final da Copa de 58: foi o fundo do gol, buscou a bola na rede, atravessou calmamente entre seus companheiros até o meio do campo na sua altivez de Príncipe Etíope, botou a bola no centro e... vamos por jogo de novo.


Cly Reis

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Chico Buarque - "Construção" (1971)



"Ao entregar a letra, num golpe de ironia e audácia, o advogado da gravadora pediu que a proibissem; os censores então, como que para contrariá-lo, liberaram "Construção" sem cortes."
relatado pelo escritor Humberto Werneck,
no livro "Tantas Palavras - Letra e Música",
songbook de Chico Buarque



Tijolo por tijolo num desenho mágico. Assim foi construído "Construção"(1971), disco espetacular de Chico Buarque de Holanda; o primeiro gravado após sua volta do exílio, provavelmente o melhor do artista e um dos maiores da música brasileira. Ao contrário da boa parte dos discos de Chico que eram verdadeiras colchas de retalho com músicas feitas em épocas diferentes, com parceiros variados, para fins diferentes (filmes, peças, homenagens), "Construção" fora planejado para ser efetivamente um álbum e provavelmente por isso mostre uma coesão, uma unidade, uma encaixe tão perfeito entre as músicas que o tornam diferenciado na obra do cantor.
Constitui praticamente uma grande sinfonia cotidiana, uma grande ópera do homem comum, com tragédias, amores, sangue e emoção. Reforçam esta sensação de obra erudita os arranjos ousados e intensos do maestro Rogério Duprat, com suas cordas e metais poderosos. Já em "Deus lhe Pague" que abre o disco esta intensidade fica demonstrada: ela é forte, ela é densa, com sua condução grave, sua percussão pesada e com as vozes do MPB4 intensificando o sarcasmo da gratidão.
"Cotidiano" que a segue alivia o clima num samba descontraído faz um infinito ciclo do dia-a-dia. "Desalento", um samba triste com uma cuíca chorosa, parceria com Vinícius de Moraes, é um dos poucos casos de música que não deveria estar ali uma vez que faria parte originalmente do compacto de "Apesar de Você" que acabou não saindo, vetado pela censura.
A faixa título, "Construção" é a verdadeira ópera trágica cotidiana: dramática desde sua sonoridade até seus versos pessimistas. Um dia na vida de um operário de obra; aquele dia que ele, cansado da vida, da injustiça, da mesmice, decidira ser o último de sua vida. E Chico descreve isso de maneira mágica, brincando com as palavras, jogando com os versos, num exercício formal absolutamente bem engendrado, amarrando a letra toda por uma anáfora que serve de fio condutor e mantendo uma admirável regularidade silábica de dodecassílabos. A dramaticidade da letra, da situação do operário, do incidente fatal ganham proporções ainda maiores novamente com a orquestração de Duprat e com o coro do MPB4 até chegar a um final  onde repete-se um trecho de "Deus lhe Pague" (dentro de "Construção") reafirmando toda e desesperança.
Segue com o gostoso samba "Cordão"; com a lamentosa "Olha, Maria" parceria com Vinícius e Tom Jobim, bem com a cara do maestro soberano; com o desafiador "Samba de Orly" que não se privou, mesmo em época de censura forte e violenta, de falar de quem estava fora do país morrendo de saudades mas que não podia voltar por 'forças maiores'. "Minha História", uma adaptação de uma canção italiana de Lucio Dalla chamada "Gesù Bambino", também teve seus problemas com a censura e com a igreja pela menção a um Menino-Jesus de procedência indigna e vida marginal e boêmia, à qual Chico então teve que se contentar em deixar o nome que pretendia traduzir simplesmente, apenas entre parênteses e no original em italiano.
O disco baixa a rotação totalmente na última faixa, numa espécie de canção de ninar, como que num convite a um relaxamento depois de tantos dramas, compromissos e agruras, em que Chico se despede com "Acalanto". A última peça. O último tijolo.
A obra estava completa.
Álbum mais que fundamental! E não sou apenas eu que digo: "Construção" é um dos poucos discos brasileiros na publicação "1001 Discos Pra Ouvir Antes de Morrer", livro que conta com avaliações de críticos especializados do jornalismo internacional; além disso, foi eleito o terceiro melhor disco brasileiro de todos os tempos na edição brasileira da Rolling Stone, e também pela mesma revista, a canção "Construção" foi considerada a melhor música brasileira da história.
É pouco?
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FAIXAS:
  1. "Deus lhe Pague" – 3:19
  2. "Cotidiano" – 2:49
  3. "Desalento" (C. Buarque, Vinícius de Moraes) – 2:48
  4. "Construção" – 6:24
  5. "Cordão" – 2:31
  6. "Olha Maria" (C. Buarque, V. de Moraes, Tom Jobim) – 3:56
  7. "Samba de Orly" (C. Buarque, Toquinho, V. de Moraes) – 2:40
  8. "Valsinha" (C. Buarque, V. de Moraes) – 2:00
  9. "Minha História (Gesù Bambino)" (Lucio Dalla; versão de C. Buarque) – 3:01
  10. "Acalanto" – 1:38
*todas as músicas, Chico Buarque, exceto as indicadas
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Ouça:
Chico Buarque Construção

Cly Reis

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

cotidianas #61 - Eu disse um



Um bêbado entra no ônibus sob os olhares desconfiados, superiores e repugnados dos outros passageiros , senta como consegue no banco do fundo e anuncia tranquilamente, sem gritar, mas de modo que todos possam ouvir:
- Hoje eu vou comer um cu!
Abismados com o descaramento, indignados com a indelicadeza, estupefatos, enfim, todos se viram e olham para trás. Então ele emenda:
-Eu disse UM!!

"Film Socialisme", de Jean-Luc Godard (2010)



Não concordo que "Film Socialisme" seja uma reinvenção de Jean-Luc Godard como li de alguns críticos. Frequentemente se vê na obra do diretor os mesmos elementos, a mesma condução, a mesma dialética, os mesmos recursos. Não precisamos alardear uma 'reinvenção' para justificar o alto nível e qualidade da última obra do diretor. Que ela é grandiosa, é, mas o é como muitas outras dele mesmo. Com diferenças, outros meios, outros olhos, mas ainda assim um Godard autêntico.  O que considero louvável neste, é ver JLG a estas alturas, aos 80 anos, ainda incomodado, incomodando e em grande forma, com uma saudável vitalidade artística.
Com um navio, num cruzeiro marítimo, sobre a água (ou seja, sem chão) o cara consegue conter o mundo inteiro e destruir fronteiras; e nisso, utilizando-se das mais diversas formas e recursos, constrói um manifesto artístico que abrange dinheiro, política, religião, etnias, ideologias. Depois, com uma família, com quatro pessoas numa propriedade semi-rural, disseca a história política da França, sua política desde suas origens até os dias de hoje unindo (ou desunindo) quatro gerações de cidadãos franceses e suas ideias. Só que em meio a tudo isso , entre um "capítulo" e outro, entre uma "viagem" e outra, deixa perguntas no ar: no que se transformou sua França?, no que se tranformou a Europa?, no que nos transformamos?
"Film Socialisme" é um turbilhão de imagens e sons que vão compondo uma sinfonia cinematográfica que, de maneira aparentemente desordenada, mas sutilmente coordenada, vai botando o dedo nas feridas mais fundas da sociedade contemporânea. Entre cortes abruptos, diálogos inacabados, imagens desfocadas, barulhos ensurdecedores, Godard vai pontuando os temas e conduzindo aquele "caos" magistralmente como só um grande mestre do cinema poderia fazer. E, a propósito disso, no caso de Godard, quando se fala em DIRIGIR, pode-se tomar o termo literalmente, pois através de suas frases "jogadas" na tela intercalando partes, episódios, momentos, ele vai nos conduzindo e ensinando a ver seu filme.
Mestre! Mestre!
Fazia tempo que não via um Godard e  felizmente este reencontro foi para mim extremamente compensador.


Cly Reis

sábado, 4 de dezembro de 2010

"Zelig", de Wody Allen (1983)



Ainda tenho algumas dívidas de Woody Allen para comigo mesmo e uma delas era "Zelig", filme que sempre quis ver mas nunca loquei, perdia quando passava no Cult e assim por diante. Esta semana tive a oportunidade de assistir e só confirmou tudo o que eu esperava dele. Pode não ser tão espetacular quanto "Manhattan", meu preferido do diretor, mas é daqueles geniais, na mesma proporção por exemplo de "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar". Só um gênio como Allen pra fazer um filme daquele e daquele jeito.
Zelig Gordo, Zelig Negro, Zelig Escocês.
Na forma de um (falso) documentário, conta a história de um homem, Leonard Zelig, que tem a capacidade de assimilar as característcas não só psicológicas mas também físicas de quem se aproxima dele. O cara vira um fenômeno, uma atração mundial e é badalado por onde passa até que acontecimentos fazem com que toda a opinião pública se volte contra ele. O barato, além deste formato é como ele é apresentado, com imagens verdadeiramente antigas da sociedade americana dos anos 20 e 30, mescladas às produzidas para o filme, que são tão bem trabalhadas, envelhecidas, riscadas, mal-cortadas que parecem realmente serem originais de muito tempo atrás. Os filmes reais dentro do filme alternam-se na condução do "documentário" com filmagens 'amadoras', gravações das sessões com o sr. Zelig, com fotos que praticamente dialogam, e depoimentos posteriores de pessoas envolvidas no curioso caso; tudo isso numa montagem espetacular, com inserções da imagem de Zelig (Allen) em fotos e acontecimentos de maneira muito convincente (isso muito antes e sem os mesmos recursos técnicos de "Forrest Gump"
"Zelig" na verdade é uma grande alegoria sobre a individualidade, a personalidade, a auto-estima do indivíduo e a volubilidade das pessoas e opiniões, tratando tudo isso de uma forma extremamente original, inteligente e divertida.
Ainda tenho uma certa dívida de Allens: não vi "Radio Days", não vi o recente "Tudo pode dar certo", perdi há poucos dias também na TV o "Bananas", mas aos poucos eu vou diminuindo este meu prejuízo. Gênio! Woody Allen é um dos que se pode atribuir este adjetivo sem medo.



Cly Reis

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Coluna dEle #19


E aí, filharada, como é que tão as coisas?
Bom, Eu que devia saber, né? Eu que comando toda essa bagunça.
A propósito, o mundo tá como o Diabo gosta. Vocês não tomam vergonha nessas caras, mesmo, hein! Só Me fazem merda!
Pra quê que Eu fui criar o tal do Livre-arbítrio!!!

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Andei afastado, aí, uns tempos, porque afinal de contas a Gente é dono dessa merda e tem que tomar conta do tal do Mundo. Se bem que às vezes dá vontade de pedir as contas!
Mas infelizmente não dá. É cargo vitalício. Fui inventar de criar  mundo, universo, e pepepé, agora segura a bomba, otário!

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Por falar em cargo e segurar o rojão, fiquei sabendo que vocês aí no Brasil escolheram uma mulher pra presidente! Tão de brincadeira, né? Bom, cada um com seu cada um, mas só brasileiro mesmo pra optar por ser mandado por mulher (hehehe).
(Boa sorte...)
Aqui em cima não tem dessas de eleição, não! O 'pepino' é eternamente Meu. Escolhi Meu ministério há muito tempo atrás e assim vamos seguindo: é o Jorginho no Ministério da Guerra, o Tadeu no das Causas Impossíveis, a Clara nas Telecomunicações, o Toninho no da União Civil e assim por diante. Só mexo nisso se for muito necessário.
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É, Eu falo, falo mas na verdade aqui em cima é bem aquela história da última palavra ser sempre Minha: “Tá bom , meu bem”, “Claro, amor”, “Como não, benzinho”.
A primeira-dama aqui é forte!

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Cara, falando nisso, agora que Eu lembrei que tamo perto do aniversário do Meu guri.
2010 anos, hein! Quem diria! Mas continua com aquela carinha de 33.
É aniversário dEle mas na verdade tem que comprar presente pra todo mundo. Olha só no que vocês transformaram a data. A Dona Encrenca, por exemplo, já falou que quer um sofá novo; que o nosso tá um lixo, que o gato arranhou todo, que tá cheio de farelos nos cantos e que eu derramo cerveja... já viu, né: vou dançar com uma bela duma grana.

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Andei acompanhando pela TV esses lances todos que aconteceram no Rio.
Tenho uma simpatia toda especial pelo Rio de Janeiro. Dei uma caprichada no visual aí: fiz aqueles morros, as praias e tudo mais, mas o quanto esse pessoalzinho se esforça pra dasmoralizar Minha obra de arte, não é brincadeira! Tem até uma estátua maneiríssima do Meu guri aí e tal. Pô, curto de montão! Mas essas paradas de atentado, tiroteio pra todo lado me deixam meio puto com vocês.
Vam’ dá um jeito nisso aí, porra!

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E ainda, por falar em Rio de Janeiro: o Nelsinho, aqui, (o Nélson Rodrigues, sabe?) tem Me enchido tanto o saco com Tricolor pra cá, Tricolor pra lá, que eu e o pessoal do Ministério dos Esportes resolvemos que... tá bom, tá bom. Esse ano é de vocês.

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Bom, vou vazar!
Tem um monte de coisas pra resolver e tentar deixar esse mundo um pouco mais ajeitadinho até o Ano-Novo pra ver se a gente começa um 2011 mais na moral.
Passei a régua e fechei a conta.Como diria a Carla Perez: F – O – I. Fui!

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pedidos de Natal de Ano-Novo, parabenizações pro meu filhote, cartas pra minha esposa ou pros meus ministros, para o e-mail:
god@voxdei.gov

terça-feira, 30 de novembro de 2010

cotidianas #60 - Falsos


Érica era o tipo da mulher que numa primeira olhada parecia desinteressante, meio magricela, sem corpo. Até que um dia, na festa empresa apareceu toda produzida e revelou então uma silhueta bastante interessante que fez deixar os rapazes todos boquiabertos: falsa-magra.
Aí que o João, tido como quietão, discreto, de pouca fala, não perdeu tempo, foi lá e arrebatou a Érica assim que ficaram reveladas suas qualidades físicas. Surpresa para todos. Logo o João, hein: falso-tímido.
Casaram-se o João e a Érica. Tiveram um filho. Mas lá pelas tantas por dívidas de carro, casa, colégio do menino, a coisa começou a apertar. Viviam em racionamento dentro de casa mas não perdiam a pose na rua: as coisas não são como parecem.
A Érica resolveu pintar o cabelo, ficou mais bonita, mais chamativa, mais reluzente e atraía atenção dos homens e comentários maldosos das mulheres: falsa-loira.
O João descobriu que a Érica o estava traindo. Ficou furioso, ameaçou botar ela pra fora, depois mudou de ideia e resolveu ele ir embora, até que por fim resolveram mesmo permanecer vivendo sob o mesmo teto por mais algum tempo por causa do Guilherme. Não seria bom para a formação dele, para o rendimento dele no colégio, além de suscitar comentários dos vizinhos e tudo mais. Ficaram vivendo assim por um tempo: casamento de aparências.


Cly Reis

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Bode Espiatório

The Beatles - "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967)


A Revolução do Sargento Pimenta



"Mais do que um mero disco pop,
"Sgt. Peppers" é um momento significativo
na história da civilização ocidental".
Jornal The Times (1967)



Você pode achar que o disco "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band", dos Beatles, não seja o melhor de todos os tempos, mas uma coisa há de se concordar: foi revolucionário. Não estou me referindo somente a parte musical, mas sim os vários elementos em torno deste disco. Chamado por alguns especialistas de “obra de arte”, esse rótulo se deve ao fato que, além das suas canções, esse registro mexeu com uma idéia de conceito, incluindo as artes gráficas e a moda. Naquele momento, nenhuma banda tinha se caracterizado de personagens, como os Beatles fizeram. Se fardar de banda do Sargento Pimenta, com direito a uniformes psicodélicos de uma unidade militar regada à LSD, foi uma ideia inédita.

O que dizer da capa desse disco? Uma platéia de celebridades que foram “convidadas” a participar do encarte. Cheia de significados e de mensagens sublimares, as quais os Beatles tinham adoração e eram peritos em despertar a curiosidade no público. Essa “pegadinha” aos fãs vinha desde a época do Rubber Soul, com pistas que davam conta de que Paul McCartney estava morto, o que, na verdade, havia apenas se acidentado de carro, no entanto virou um excelente marketing para a banda. Macca segue mais que vivo do que nunca, apresentando vitalidade e músicas de grande nível, mesmo tendo passado, há alguns anos, dos seus Sixty-Four, como projetou em Pepper. A capa do Sargento é marcante e, não é à toa, que é uma das mais reproduzidas da história.

Importante salientar neste disco a proposta de conceito que ele apresenta, pois, anteriormente, os grupos gravavam, num LP, uma compilação de músicas. Além disso, Pepper apresentou técnicas e métodos diferenciados de gravação para a época, nos anos 60. Por mais que todas as músicas não foram compostas de uma maneira que fossem ligadas uma a outra, conforme John Lennon e George Harrison afirmaram em entrevistas, isso não impede afirmar que é conceitual. São os Fab Four acompanhados da banda do Sargento Pimenta, que, é claro, foi orquestrada pela batuta de George Martin, o quinto Beatle.

Sobre as canções, bom lembrar que o aquecimento do Pepper veio com um compacto com duas preciosidades: “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lanne”. O que podia esperar? Era o prenúncio de que uma grande obra estava por vir.

O disco começa com uma inovação, uma transição da música título com a “With a Little Help from My Friends”. Outra novidade é a reprise dessa mesma canção tema – numa versão mais rock and roll -, que aparece na décima segunda faixa. Já com “Within You Without You", Harrison faz mais um esforço para popularizar a música oriental, até então pouca explorada. E não é só, it´s getting better, ou melhor, tem mais considerações importantes para comentar. Em “She's Leaving Home", Macca demonstra seu peculiar dom de compor canções emotivas. Fora que terminar o disco com “A Day in the Life”, uma música em que Lennon faz o “papel” de uma pessoa sonhando e McCartney o de uma acordada, é um grande desfecho. Aliás, de um sonho, ou de uma ajuda lisérgica, veio a inspiração para “Lucy in the Sky with Diamonds”. Enfim, uma obra que apresenta magia e criatividade, todas materializadas e verdadeiras.

Com esses argumentos que descrevi, se nota o quanto admiro e respeito o disco. É um registro que marcou época e eternamente vai ser lembrado. "Pepper" segue soando contemporâneo e digno de continuar sendo comentado e, lógico, escutado.
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FAIXAS:

  1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
  2. With A Little Help From My Friends
  3. Lucy In The Sky With Diamonds
  4. Getting Better. Fixing A Hole
  5. She's Leaving Home
  6. Being For The Benefit Of Mr. Kite.
  7. Within You Without You
  8. When I'm Sixty-Four
  9. Lovely Rita
  10. Good Morning Good Morning
  11. Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band (reprise)
  12. A Day In The Life

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OUÇA:
The Beatles Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band

por Eduardo Wolff




Eduardo Wolff é jornalista formado pela PUC/RS e também radialista. Atualmente, é assessor de imprensa, com passagens em algumas rádios. É devorador de CDs, DVDs, livros e qualquer coisa relacionada à boa música. O ecletismo está no sangue, no entanto os clássicos do rock dos anos 60 estão no top da sua lista de preferências. Baterista frustado, pretende um dia engrenar em alguma banda, mesmo que toque num buteco mais xinfrim da cidade.




domingo, 28 de novembro de 2010

"Avatar", de James Cameron (2009)



Quando saiu no cinema, com todo o barulho e estardalhaço que se fez, me recusei a me deslocar até uma sala, dedicar meu tempo e dinheiro para assistir ao tal "Avatar" que a meu pré-juízo era só mais uma grande produção pra encher os olhos do público e os bolsos do cineasta, da produtora, enfim, da indústria cinematográfica. Resolvi, já naquele momento que me prestaria a ver quando estreasse no Telecine. Nesse meio tempo leio um bocado de coisas favoráveis, elogios, menções à proposta inovadora, um marco no cinema, o conteúdo imbuído de mensagens ecologicas e humanísticas e coisa e tal, que até me animararm e me fizeram questionar minha posição preconceituosa, em princípio. E eis que o badalado filme estreia finalmente na TV paga neste final de semana. Então, conforme prometido, vou lá e assito; e, conforme eu imaginava, o filme é uma droga! Uma gloriosa porcaria! Nossa!!! Péssimo, fraquíssimo, ridículo.
Não tem nada, nada, nada....
...
...
...
...
Eu disse nada!

Lamentável!

(não, não! não em venham com a produção caprichadíssima, com os efeitos especiais, com a obra anterior do diretor, com a mensagem ecológica; não, não, não! não percam seu tempo! nada justifica!)


É fraco, é ruim mesmo.
Eu nunca vi uma série tamanha de clichês serem utilizados juntos , de maneira tão estúpida e óbvia em um mesmo filme. É a receita-de-bolo de filme americano: herói em potencial, um cara mau durão, o cara tem uma missão, se envolve com o lado mais fraco, se apaixona e blablablá, abraça a causa dos fracos e biriri-bororó... Putaquipariu!!! Vocês já não viram essa merda seiscentas vezes antes na vida? Cruzes! Aí até a tal da "mensagem", se é que vale de alguma coisa, fica rasa, fica rasteira no meio de todo esse nada. Parece ter sido colocada ali só pra justificar toda a parafernália. Só porque se não tivesse nem isso, o filme conseguiria ser pior ainda
Putaquipariu!

Um dos piores filmes que eu já vi.

LA-MEN-TÁ-VEL!!!



Cly Reis