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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

cotidianas #38 - O Cubo Mágico



Tudo preto. Preto.
Alguém finalmente lhe tira o capuz e ele consegue respirar um pouco melhor. Ah! Ar!
Olha em volta, está numa sala fechada, talvez um porão, um depósito. Correndo rapidamente os olhos vê à sua direita um homem que não faz, em absoluto, questão de esconder o rosto. Traz na mão apenas um cubo-mágico.
Ele dá alguns passos lentos pela sala enquanto embaralha as cores do cubo e mistura as faces até então uniformes. Aproxima-se novamente da cadeira,olha para o refém e joga-lhe o cubo no colo.
- Resolve.
- Quê? Quê... Como?
- Se tu resolver, te deixo ir embora, se não conseguir, tu morre. - disse sacando uma arma da cintura, sob a camisa.
- Como assim? Mas eu...
- É isso! - e começou a soltar as mãos do homem na cadeira que estavam amarradas nas costas - Tem 5 minutos.
- Olha só, moço: eu não sei o que o senhor quer, se você tá me confundindo com alguém... eu não tenho dinheiro. Eu sou só um corretor. Não tenho muito... Aliás, se o senhor quiser eu até arranjo alguma coisa. Não tenho muito mas...
- Não quero teu dinheiro. - interrompeu bruscamente - Não quero dinheiro, não quero informação, não quero tua filha, tua mulher, só quero que tu resolva esse cubo e, a propósito, teu tempo tá passando.
Um súbito desespero começou a se apoderar da vítima. Primeiro tentou levantar dali, correr, mas os tornozelos estavam amarrados aos pés da cadeira. Impossível. E aquele cara com uma arma ali! Vendo-se sem alternativa, começou finalmente a tentar fechar as faces do cubo. Mas naquela pressa, daquele jeito? Não conseguia raciocinar, se concentrar, montar a peça de maneira lógica.
Verde-vermelho-amarelo-amarelo-amarelo (um lado quase pronto). Não! Um azul pra atrapalhar. Não, não!
De novo: amarelo-amarelo-verde... (não)!
5 minutos.
-Sinto muito...
Tudo preto. Preto.

Cly Reis

O Bode Espiatório

David Bowie - "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders From Mars" (1972)

"Ziggy tocava guitarra
Improvisando com Weird and Gilly
E os Aranhas de Marte"


Um gênio capaz de se reinventar constantemente, capaz de criar estilos, mudar conceitos, influenciar comportamentos, transformar a própria arte e a dos outros também, e tudo isso sem preder a própria identidade. Assim David Bowie vem atravessando década após década sempre inquieto e inovador. Este espírito desassossegado foi que fez com que em 1972, este artista multifacetado criasse uma das obras mais originais e marcantes da história do rock. Com "The Rise and the Fall of Ziggy Stardust & The Spiders from Mars", Bowie criou o artista dentro do artista, o mito por trás do mito, a banda dentro da banda, e acima de tudo, uma lenda.
Este marco do que viria a ser batizado de glam rock, traz um Bowie totalmente andrógino encarnando o personagem Ziggy Stardust; frontman de uma banda fictícia, um rockstar pirado; num álbum que funciona quase que como uma pequena ópera-rock na qual é contada e 'encenada' a trajetória de Ziggy.
Das faixas, destaque para o rock'n roll alucinante de "Suffragette City", a não menos empolgante "Star", a belíssima "Starman", que ganhou até versão em português (lembram de "Astronauta de Mármore" do Nenhum de Nós?), e para a clássica faixa que inspira o tema da obra, "Ziggy Stardust".

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Apenas a título de curiosidade, há pouco tempo atrás em uma lista de um site musical na Internet o álbum foi escolhido por gays ilustres do mundo da música e artes, o mais gay de todos os tempos. Ainda que eu ache que existem outros exemplares mais representativos na categoria, compreendo a escolha pelo apelo sexual do disco, a androginia e a homossexualidade declarada do cantor na época (e hoje desmentida pelo próprio Bowie), que inevitavelmente acabou por criar na época uma forte identidade dos homossexuais com a obra e com o artista.
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Também como curiosidade e informação adicional, o disco "Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" ganhou duas reedições com extras e bônus, uma em 1990 com o acréscimo de cinco faixas, e outra em 2002, esta comemorativa dos 30 anos da obra, como CD duplo, sendo um deles só de demos, extras e raridades.

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E outra ainda: pra quem não conhece, a canção "Ziggy Stardust" tem uma regravação bem legal com a banda "gótica" Bauhaus. Vale conferir.

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FAIXAS (originais):
  1. " Five Years "- 4:43
  2. " Soul Love " – 3:33
  3. " Moonage Daydream " – 4:35 
  4. " Starman " – 4:16 
  5. " It Ain't Easy " (Ron Davies) – 2:56
  6. " Lady Stardust " – 3:20
  7. " Star " – 2:47
  8. " Hang on to Yourself " – 2:37 
  9. " Ziggy Stardust " – 3:13
  10. " Suffragette City " – 3:19
  11. " Rock 'n' Roll Suicide " – 2:57 
 todas as músicas de Bowie, exceto a indicada

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Ouça:
David Bowie The Rise and The Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars


Cly Reis

sábado, 31 de julho de 2010

The Chemical Brothers - "Dig Your Own Hole" (1997)




“Os eletrônicos que todo roqueiro deveria ouvir”


Quem disse que música eletrônica é só tunsch-tunsch?
Os Chemical Brothers, juntamente com um pequeno grupo de artistas criativos da cena eletrônica britânica, tratou de mostrar que não era bem assim.
Depois de uma interessante estreia com o elogiado álbum "Exit Planet Dust", a dupla de DJ's Tom Rowlands e Ed Simons, simplesmente concebeu um ÁLBUM com música eletrônica e não apenas uma série de repetições, samples e batidas para tocar em festas.
"Dig Your Own Hole" tem conceito, convicção, intenção, sonoridades variadas e influências diversas. É trabalhado faixa a faixa como se fosse um álbum de uma banda de rock com muitos instrumentisatas. Tudo tem seu lugar  e seu detalhe.
O início é destruidor com "Block Rockin' Beats" e seu sampler empolgante - só um cartão de visitas do que está por vir. "Elektrobank", outro ponto alto, é um funk cheio de ritmo com um vocal alucinado, tudo isso num ritmo de tirar o fôlego.
Em "It Doesn't  Matter", sim, eles fazem uma daquelas músicas bem pra pista de dança mesmo; legítimo trabalho de DJ; com batida básica e sampler repetido, mas não por isso menos bacana e interessante. É uma das minhas favoritas do disco, a propósito.
Com "Setting Sun" eles reinventam "Tomorrow Never Knows" dos Beatles, com uma composição (propositalmente) muito semelhante à original porém mais agressiva, contando com os vocais de Noel Gallagher do Oasis, exatamente o cara que supõe ser a reencarnação de John Lennon (o que, neste caso, ficou até bem apropriado, não?).
"Lost in the K-Hole" tem uma base envolvente e um sample-vocal sensual quase sussurado; "Where Do I Begin" começa com um sampler genial e extremamente bem trabalhado levemente chegado ao country até explodir logo adiante e dar uma reviravolta; e "Private Psychedelic Reel" que fecha o disco, é um épico chapado de 10 minutos com tons árabes, hindus, orientais, que faz mesmo quem não tenha tomado nada, ter a impressão de estar curtindo a maior viagem. Um final monumental para um álbum fantástico.
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FAIXAS:
  1. "Block Rockin' Beats" (Rowlands, Simons e Jesse Weaver) – 5:14
  2. "Dig Your Own Hole" – 5:27
  3. "Elektrobank" – 8:18
  4. "Piku" – 4:54
  5. "Setting Sun" (Rowlands, Simons e Noel Gallagher) – 5:29
  6. "It Doesn't Matter" (Rowlands, Simons, Conly, Emelin, Slye, Ford e King) – 6:14
  7. "Don't Stop the Rock" – 4:48
  8. "Get Up on It Like This" (Rowlands, Simons e Jones) – 2:48
  9. "Lost in the K-Hole" – 3:51
  10. "Where Do I Begin" – 6:51
  11. "The Private Psychedelic Reel" (Rowlands, Simons e Jonathan Donahue) – 9:28 
 todas as músicas, Rowlands/Simons, exceto as indicadas
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Ouça:
Chemical Brothers Dig Your Own Hole

Cly Reis

Berinjela Beligerante

O Bode Espiatório

quarta-feira, 28 de julho de 2010

cotidianas #37 - verde-coincidência


"Dize que virás
co'aqueles teus
olhos verdes
Dize...

Combinam tão bem
Com aquela
tua blusa.

verde-coincidência"


Cly Reis

ARQUIVO DE VIAGEM - Nova Friburgo - RJ (25, 26 e 27/07/2010)



O início do percurso do teleférico...

Fiz uma espécie de retiro nas montanhas nos últimos três dias. Fui conhecer, descansar e curtir um pouquinho de frio em Nova Friburgo, cidadezinha de colonização germânico-suíça na serra fluminense.
Nova Friburgo é simpática, tem um aspecto semi-rural e, na verdade, não tem grandes atrativos turísticos. Nota-se, pela quantidades de lojas ao longo da estrada e por todo o município, grande ênfase na produção e venda de lingeries, o que, em virtude do bom preço, acaba atraindo muitos turistas revendedores da capital e de outros estados.
De legal mesmo tem o teleférico na Praça do Suspiro, no centro da cidade, a cascata do Véu-da-Noiva e o Pico da Caledônia, ponto elevadíssimo com bela vista para toda a região serrana.
No mais, valeu por matar um pouquinho da saudade do frio sulista.

...e aqui a vista chegando lá no topo


 
A belíssima Cascata do "Véu-da-Noiva"
já mais afastada da área central

Paisagens bucólicas bem comuns
mais para dentro da cidade


A vista do alto do Pico da Caledônia

Valeu mesmo pelo descanso em um agradável hotel fazenda com verde, ovelinhas, passarinhos, frio e lareira.
Só calmaria.




Cly Reis

domingo, 25 de julho de 2010

O Frango Atirador

Para os que acham o Frango Atirador politicamente incorreto, amoral, imoral, antiético, preconceituoso, racista, fascista, indecente, estúpido, cruel e tantas outras coisas mais, resolvemos dar uma oportunidade para alguns calouros, aventureiros, candidatos tentarem a sorte no seu lugar, a fim de tentarem a simpatia da plateia.
Com vocês...






Hmm!!!, acho melhor ficar com o Frango Atirador mesmo, não?

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sábado, 24 de julho de 2010

Animamundi - CCBB, Centro Cultural dos Correios e Casa França-Brasil - Rio(23/07/2010)





















Vim dar uma conferida no Animamundi 2010. Muito movimentado, muita criançada e por isso, muitas filas pras oficinas, das quais acabei não participando exatamente por não ter a menor paciência.
No fim das contas, acabei, agora há pouco assistindo a algumas animações bem legais nos Correios.
Depois posto mais alguma coisa a respeito. Agora vou voltar ao CCBB e ver se já diminuiu o movimento por lá.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Van Morrison - "Astral Weeks" (1968)



"As canções de Astral Weeks" ... eram de outro tipo de lugar nada óbvio. Elas são poesia e reflexões míticas canalizadas da minha imaginação."
Van Morrison


Uma obra inusitada!
Em seu segundo álbum solo, após deixar o Them, Van Morrison surpreende com um álbum acústico acompanhado por músicos de jazz e rythm'n blues, recheado de improvisações e virtuosismo.
Composições belas e de rara inspiração; interpretações emocionantes; uma sonoridade singular. Tudo isso faz de "Astral Weeks" um dos meus discos preferidos.
Destaques para a excelente primeira faixa, que dá nome ao álbum; para a tocante "Beside You", para "The Way Young Lovers Do" que ainda traz ecos do Them e para "Slim Slow Slider" que fecha com chave-de-ouro.
"Astral Weeks" de Van Morrison, amigos: Básico!
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FAIXAS:
  1. "Astral Weeks" – 7:06
  2. "Beside You" – 5:16
  3. "Sweet Thing" – 4:25
  4. "Cyprus Avenue" – 7:00
  5. "Afterwards"
  6. "The Way Young Lovers Do" – 3:18
  7. "Madame George" – 9:45
  8. "Ballerina" – 7:03
  9. "Slim Slow Slider" – 3:17
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Ouça:
Van Morrison Astral Weeks


Cly Reis

cotidianas #36



"Nathanael, eu te falarei das cidades:
Vi Esmirna dormir como uma menininha deitada; Nápoles como uma banhista lasciva, e Zaguan como um pastor cabila, cujas faces a aproximação da aurora avermelhou. Argel treme de amor ao sol, e extasia-se de amor à noite.
Vi no norte aldeias adormecidas ao luar; os muros das casas eram alternadamente azuis e amarelos; em derredor estendia-se a planície; enormes montes de feno arrastavam-se pelos campos. Sai-se pelos prados desertos; volta-se para a aldeia dormecida.
Há cidades e cidades; por vezes não se sabe o que as pôde construir onde se encontram. - Ó, cidades do Oriente, do sul; cidades de telhados planos, de terraços brancos, onde à noite vão sonhar as loucas mulheres. Prazeres, festas de amor; lampadários das praças, que, quando vistos das colinas vizinhas, são uma fosforescência dentro da noite.
Cidades do Oriente!, alegria e paixão, ruas que se chamam ruas santas, onde os cafés estão cheios de cortesãs, e músicas demasiado agudas as fazem dançar(...)
Cidades do norte! Desembarcadouros; usinas; cidades cuja fumaça esconde o céu. Monumentos; torres móveis;presunção dos arcos. Cortejos deambulando pelas avenidas; multidão apressada. Asfalto brilhando depois da chuva; bulevar onde as castanheiras desfalecem; mulheres sempre à espera(...)"




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trecho de
"Os Frutos da Terra"
de André Gide


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pixies - "Doolitle" (1989)


O Disco que Inventou o Nirvana
"Quando escrevi 'Smells Like Teen Spirit'
eu estava basicamente tentado 'sugar' os Pixies.
Eu tenho que admitir isso."
"Kurt Cobain, Nirvana


Aquele contrabaixo bem cadenciado, a bateria só marcando o tempo, um vocal ainda contido, sereno; todos só esperando o refrão para explodirem juntos em ímpeto, histeria, barulho e loucura. Não, eu não estou falando de “Smells Like Teen Spirit” ou de “ Lithium”, mas é fato que esta fórmula que o Nirvana utilizou como sendo sua linha principal de composição, sobremaneira em “Nevermind”, já era praticamente marca registrada do som dos Pixies, aparecendo de forma mais evidente em “Doolitle”.
Se em “Surfer Rosa” Steve Albini (que depois viria também a trabalhar com o Nirvana em “In Utero”) tratou de “sujar” (num bom sentido) o som dos Pixies, Gil Norton, que assumiu a produção em “Doolitle” deu uma polida no som, deixando palatével até mesmo para as o grande público como no caso de “La La Love You” e “Here Comes Your Man” que chegaram a tocar nas rádios. Isto não os tornava uma banda pop ou de fácil aceitação geral. Apenas encorpava e dava, a partir dali, características fundamentais para a sonoridade do grupo.
A adorável “Hey” com sua delicadeza suja foi outra que se não virou hit, foi daquelas que fez “sucesso” no underground e passou a ser uma das favoritas dos fãs. Além dela, a ótima “Monkey is Gone to Heaven” é outra que marca bem aquela característica com o doce baixo de Kim Deal marcando para um refrão mais poderoso. Também nesta linha aparece “Tame” mas com um ápice bem mais gritado e barulhento. A propósito é bom salientar que guitarradas ensurdecedoras como esta ou outras que aparecem invariavelmente no disco, não conseguem esconder a grande qualidade não só de composição como de técnica de Black Francis, um baita guitarrista; tampouco a aparente simplicidade da condução da base de Kim Deal, uma baixista não muito virtuosa, diminuir os méritos das composições da banda, normalmente bem básicas mas extremamente apropriadas para cada canção e para a proposta geral.“I Bleed”, é prova disso, conduzida com uma linha muito simplória mas eficiente e perfeita.
“Debaser” que abre o disco com sua linha meio surf-music é ótima, “Crackity Jones” é alucinada, “Silver” baixa a rotação e traz uma sonoridade beirando o dark e “Gouge Away”, uma das melhores, fecha o disco de forma magnífica. Baita disco!!!
É lógico que os Pixies não foram a única inspiração do Nirvana, nem influenciaram apenas o pessoal do Kurt, muito menos se limitavam apenas àquela fórmula. Com sua sonoridade normalmente pesada, com um pé no punk, mas sempre melódicos e criativos, incrementando tudo com toques latinos, religiosos e letras beirando ao surreal; provavelmente no universo dito alternativo, o Pixies, juntamente com o Sonic Youth, sejam as bandas mais influentes deste meio, e “Doolitle”, enquanto obra, pelo encaixe destes elementos e a tradução deles em rock de primeira, seja um dos álbuns mais importantes de todos os tempos.
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FAIXAS:
1. "Debaser" – 2:52
2. "Tame" – 1:55
3. "Wave of Mutilation" – 2:04
4. "I Bleed" – 2:34
5. "Here Comes Your Man" – 3:21
6. "Dead" – 2:21
7. "Monkey Gone to Heaven" – 2:56
8. "Mr. Grieves" – 2:05
9. "Crackity Jones" – 1:24
10. "La La Love You" – 2:43
11. "No. 13 Baby" – 3:51
12. "There Goes My Gun" – 1:49
13. "Hey" – 3:31
14. "Silver" *(Francis, Kim Deal) – 2:25
15. "Gouge Away" – 2:45
*todas as músicas compostas por Black Francis, exceto a indicada.

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Ouça:
Pixies Doolitle


terça-feira, 20 de julho de 2010

cotidianas #35 - Um Passeio Pelo Lado Selvagem


Li na edição 155 da revista BRAVO de julho que Lou Reed, um dos maiores poetas do rock, com seus temas sempre bem urbanos, cotidianos e crus, vem ao Brasil, na Festa Literária de Parati, no  Estado do Rio, para lançar seu novo livro com a compilação de todas suas letras chamado "Atravessar o Fogo". Interessante, hein! Boa pedida.
Eis aí abaixo uma das suas músicas mais conhecidas, "Walk on the Wild Side" que tem bem essa cara "cidade-suja", lado B das ruas. Bem cotidiana.

Passeio pelo lado selvagem

Holly veio de Miami, Flórida
Atravessou os Estados Unidos pegando carona
Fez as sobrancelhas no caminho
Depilou as pernas, e então ele virou ela
Ela diz :"ei baby, dê um passeio pelo lado selvagem"

Candy veio de fora da ilha
No quartinho dos fundos, ela era querida de qualquer um
Mas ela nunca perdeu a cabeça
Mesmo quando estavam lhe chupando
(as garotas pretas cantam :"doo do doo do doo")

Little Joe nunca chegou a revelar
Todo mundo tinha que pagar e pagar
Um michê aqui, um michê ali
New York é o lugar onde eles dizem :"hey baby, dê um passeio pelo lado selvagem

A bicha Sugar Plum veio e caiu na rua
Procurando 'soul flood' e um lugar pra comer
Foi ao Apollo, você deveria ter visto eles dançando go-go

Jackie só está acelerando agora
Pensou em ser James Dean por um dia
Aí acho que ela tinha mesmo que bater, Valium deve ter ajudado nessa doidera

Hey dê um passeio pelo lado selvagem
E as garotas pretas cantam :"doo do doo do doo"
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Walk on the Wild Side
Lou Reed 
do álbum "Transformer" (1972)

Ouça:
Lou Reed Walk On The Wild Side


Cly Reis

O Frango Atirador - Dia do Amigo

domingo, 18 de julho de 2010

O Frango Atirador

"À Prova de Morte", de Quentin Tarantino (2007)



Fui assistir ontem a "À Prova de Morte", de Quentin Tarantino e,... nossa, por que ainda tentei?
O filme é muito ruim. RUIM, RUIM, RUIM!
Dir-me-ão que a proposta era esta, de fazer um filme com referências nos filmes de 5° categoria, exploitation, grindhouse, etc., sim, eu sei de tudo isso. Agora, então se a ideia era a de fazer um filme horrível, Tarantino teve sucesso, porque o troço é um lixo. (E escreve aqui alguém que gosta muito e admira este diretor)
Dirão muitos que provavelmente gosto de seus filmes pelos motivos errados, que não sei apreciar as sutilezas, sua estética própria e particular, seus diálogos e tal, mas neste projeto nem isso é bom.
Acabou acontecendo com "À Prova de Morte" o que eu temia que acontecesse, e por isso relutei em assistir a "Bastardos Inglórios"; uma mera repetição de tarantinismos: um amontoado de referências cinematográficas, uma série de exercícios estilísticos, auto-referências de uma marca consolidada, brincadeiras como as marcas de cigarro e fast-foods, violência extrema chocante, e aquela famosa "encheção de linguiça" dos diálogos longos e didáticos. Não estou desfazendo destes elementos que, no mais das vezes nas obras anteriores, aprecio muitíssimo, mas neste, ficam desvalorizados parecendo apenas ter intenção de homenagear ao próprio cinema e confirmar sua assinatura e grife. Os diálogos longos, então, outrora tão interessantes e instigantes (tome-se o do Cel. Hans Landa no início de "Bastardos Inglórios" ou a conversa sobre o Super-Homem de "Kill Bill 2" como exemplos), em "Death Proof" são absolutamente cansativos e improdutivos. Na metade do filme eu já estava impaciente para saber quando é que ia acabar aquela celeuma.
De bom mesmo, tem as duas cenas clímax das duas metades, por assim dizer, em que o filme se divide, pois praticamente consiste em duas enrolações longas com um ápice em cada uma; na primeira com a fantástica e hiper-real colisão dos carros, e no final da segunda metade com a empolgante perseguição na auto-estrada. Legal também o tipão do personagem principal, o Dublê Mike, o dono do carrão à prova de morte, que tirando a cicatriz, ficou parecido como Morrissey (hehehe).
Felizmente fui ver o posterior "Bastardos Inglórios" antes deste famigerado "À Prova de Morte". Acabou funcionando como uma espécie de máquina do tempo, pela qual fui ao futuro, dei uma espiadinha no que Tarantino faria depois e voltei ao presente. No presente vi ISSO mas sabendo o que "virá" depois, fico bem mais tranquilo.



PS.:(e só para lembrar, eu adoro Tarantino)


trailer "À Prova de Morte"




Cly Reis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fazendo turismo na cidade onde vivo





MARACANÃ - Rio de Janeiro (10/07/2010)

Por incrível que pareça, mesmo morando no Rio há seis anos e já tendo visto um bocado de jogos no Maracanã, nunca havia feito a tour do estádio. Sábado passado, aproveitando a visita de meu irmão à capital fluminense, banquei de guia e ao mesmo tempo turista no legendário palco da Copa de 50.
com a marca de Falcão, na Calçada da Fama
Para amantes do futebol como eu, é uma coisa mágica estar ali entre as pegadas dos maiores nomes do futebol brasileiro e mundial na Calçada da Fama, localizado logo no início do passeio. É como se estivéssemos entre os mestres, como se, com os pés gravados ali, suas energias estivessem presentes; cada jogada, cada drible, cada gol: Garrincha, Zico, Beckenbauer, Pelé, Ghiggia, Ronaldo; todos ali. Encontrei até os ídolos do meu time, o Internacional, os inesquecíveis, Figueroa, Falcão (que fiz questão de tirar foto junto às pegadas) e Carpeggiane que também brilhou no Rio defendendo as cores do Flamengo.
Já no interior do estádio um grande hall traz imagens de momentos inesquecíveis vividos naquele palco, desde os títulos e decisões dos quatro grandes da capital, passando por momentos históricos como o Gol 1000 do Rei, até a momentos como shows de Sinatra , Madonna e Stones.
O Rei comemorando o milésimo gol.
Subindo, lá nas cadeiras, se tem a visão ampla do estádio e todo seu porte na visão do torcedor; e descendo dali, indo aos vestiários, a mesma sensação mas do ponto de vista de quem faz o espetáculo, do nível do gramado, como uma pequena mostra do que deve ser estar ali, dentro do campo, jogando; jogando bola.
Agora, não sei por quê, desde a primeira vez que fui ao Maracanã, a imagem que tenho na cabeça olhando para o campo é a do Ghiggia invadindo pela direita em velocidade e chutando rasteiro no canto entre a trave e o goleiro Barbosa. Queira ou não queira, esta é minha imagem definitiva do estádio e que, provavelmente não se apagará nem com um título em 2014.
Ah, e a propósito, tenho uma camisa retrô do Ghiggia do gol de 50.


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'turistando' no gramado
Detalhe: Realmente o Maracanã, por mais simbólico e legendário que seja, precisa, sim, de reformas e modernizações consideráveis para encarar um mundial e ser o principal palco como se pretende.
Está velho, ultrapassado e fora dos padrões atuais de conforto, acessibilidade e instalações.
Mãos à obra!
A Copa tá logo ali.








Cly Reis

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Toy Story 3", de Lee Unkrich (2010)



Fui assistir ontem a "Toy Story 3".
Cara, muito legal!
Lindo, lindo! Não sei se fico com essa impressão por ter sido uma criança que brincou muito, que valorizava seus brinquedos, e que tinha aquela criatividade de improviso com os brinquedos que tinha, como mostra no filme, mas sei que ele deixa essa gostosa sensação de nostalgia. Deixa também, em determinado momento uma certa sensação de culpa, é verdade, por não termos guardado até hoje brinquedos tão VALIOSOS para nós naquela fase da vida; mas depois, o próprio filme trata de nos conceder o perdão.
Mas não fica só no lado emocional da coisa: talvez dos três filmes da franquia, seja o que tenha mais ação e a mais intensa de todas. Só para se ter uma idéia, a creche onde vão parar os brinquedos do Andy; o dono do boneco xerife Woody, agora um adolescente pré-universitário; acaba se tornando uma espécie de campo de concentração do qual eles tem que fugir para não ser destroçados por crianças que não sabem conservá-los direito e para fugir do jugo de um ursinho de pelúcia que se torna malvado deposi de ter sido abandonado por sua antiga dona.
Olha, um barato!!! Se não é algo assim brilhante, genial, um clássico, é emocionante para quem ainda é um pouco criança e adorava brinquedos na infância, e principalmente, é diversão garantida.

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Como único porém - não sei se eu que tô ficando muito chato, se não enxergo direito ou se as nossas salas de projeção não tem qualidade - achei o 3D praticamente desnecessário e , novamente justificável apenas por uma ceninha que outra. O que não tira de modo algum todos os méritos visuais do filme. 



trailer "Toy Story 3"




Cly Reis