
- Disco 1
- Disco2
- James Gurley – Guitarra
- Sam Andrew – Guitarra
- Peter Albin – Baixo
- Dave Getz – Bateria
- John Till – Guitarra
Richard Bell – Piano - Ken Pearson – Orgão
- Brad Campbell – Baixo
- Clark Pierson – Bateria

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| Dona Ivone Pacheco solo ao piano |
Deve haver algum mistério divinal guardado
no nome Ivone que faz com que algumas delas, Ivones, sejam iluminadas. Só pode!
Pois se não bastasse dona Ivone Lara, a sambista bachiana da MPB, eis que tenho
a honra de conhecer e ver tocando a também dona Ivone, esta de sobrenome
Pacheco, intitulada como a Diva do Jazz de Porto Alegre. As semelhanças entre
as duas não se encerram aí: longevas (ambas ultrapassam as 80 primaveras), ainda
são mestres na música e, acima de tudo, verdadeiras entidades, pessoas que ao
se olhar se percebe que excedem este plano aqui, de nós mortais. Há uma
espiritualidade que as eleva e que, justamente, conseguem transpor em arte.![]() |
Grupo tocando Hancock, um dos
pontos altos da noite
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O pessoal do
rockabilly
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D. Ivone e Ramiro Kersting tocando
"As Time Goes By"
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Take Five: casa que completa
30 anos
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| Sexto Take: Eu, totalmente intergrado na atmosfera do clube |
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| Acima a capa original e, abaixo a da edição especial dupla. |
Somente grandes bandas resistem à perda de um integrante essencial. Os ingleses da Rolling Stones, quando da trágica morte de Brian Jones, em 1969, e a Pink Floyd, que perdia o genial mas perturbado Syd Barrett em 1968 para a doença mental, são dois exemplos clássicos de bandas que souberam se reinventar mesmo sem aqueles que as fundaram. Grupo símbolo do bom gosto no pop dos anos 90, a igualmente britânica Morcheeba também passou por essa prova. Conhecida por sua sofisticada mistura de trip hop, folk rock, R&B, eletropop e downtempo, o trio, formado pela cantora Skye Edwards e os irmãos Paul e Ross Godfrey, abriu sua trajetória, em 1996, com "Who Can You Trust?", e, dois anos depois, lançavam o essencial "Big Calm", top 10 da parada britânica. Mantiveram o êxito no sucessor "Fragments of Freedom", de 2000, que os alçou ao estrelato com o hit "Rome Wasn't Built in a Day".
Porém, em 2005, as relações internas começaram a se desestabilizar. Após o ótimo "Charango" e uma década juntos, Skye deixa a Morcheeba por um tempo, retornando dois álbuns depois, em 2013, para "Head Up High". Só que, agora, quem se despedia era Paul – e ele, pelo visto, em definitivo. E então: suas programações de ritmo, samples, percussões e scratches, tão essenciais para o estilo da banda, como ficariam? Não se valeriam mais desse tipo de expediente? A supressão dele iria mudar a proposta sonora da banda? A resposta veio após cinco anos no magnífico "Blaze Away". A agora dupla Skye e Ross não só manteve a qualidade que caracteriza a Morcheeba como, ainda, produz um dos melhores trabalhos da discografia da banda.
Com produção e sonoridade caprichadas de sempre, “Blaze Away” (que quer dizer algo como "chama acesa") abre com uma música de título também bastante simbólico para este novo momento: "Never Undo" ("Nunca desfaça"). Trip hop sentimental de letra apaixonada, talvez também deixe um "recado" aos que se foram: "Você foi uma história sombria/ Mas não deixe isso afundar/ Vamos apenas cantar". Na sequência, a faixa-título, um eletro-funk matador com a participação do rapper Roots Manuva cuja voz potente contrapõe o delicado timbre de Skye. Sonzasso.
"Love Dub", como o nome diz, traz o ritmo jamaicano com a invariavelmente ótima guitarra de Ross e um inspirado refrão, desses facilmente cantaroláveis, especialidade da Morcheeba: “Lead the healing/ Build the bridge/ Freedom feeling/ We begin there”. E por falar em melodia bonita em forma de música pop, “It's Summertime” é exemplar. Embalada pela guitarra de Ross sobre uma programação de ritmo e efeitos de teclados, é tão solar como o título sugere. E o que é Skye pronunciando a palavra “love”?! É de se apaixonar por esse verão.
Já a bela “Sweet L.A.”, mais cadenciada, é basicamente ao som do órgão e a doçura vocal de Skye. Pura delicadeza. Na sequência, talvez a melhor do disco e uma das grandes de todo o cancioneiro da Morcheeba: "Paris Sur Mer", que entra na interessante lista de canções cantadas em francês por artistas de outra nacionalidade como “Touche Pas à Mon Pote”, do brasileiro Gilberto Gil, e “Aéro Dynamik”, dos alemães Kraftwerk. Claro, aqui Skye e Ross são ajudados sobremaneira pela poderosa e sensual voz do cantor e ator francês Benjamin Biolay. Um ritmo funkeado sobre um riff de violão, que, na mesa de som, soa como se sampleado por eles próprios. Tem também o tradicional solo de Ross com pedal wah wah, marca dele em várias outras músicas da banda, como as antigas “The Sea” e "Shoulder Holster", de “Big Calm”, e “Cut to the Chase”, de “Blood Like Lemonade” (2010). Mas, além disso tudo, tem o charme do idioma de Proust sendo cantado em uníssono por essas duas lindas vozes masculina e feminina, ao estilo Gainsbourg-Birkin: “Paris-Sur-Mer/ Station de ski d'hiver/ Paris-Sur-Mer/ Se rêve en station balnéaire”.
Com o clima de folk downtempo (tal músicas como “Aqualung” e “Part of the Process”, de álbuns anteriores), "Find Another Way" vem em seguida. É outra dessas melodias graciosas que só a Morcheeba sabe compor, e sempre com o vocal cheio de sensualidade de Skye, suavemente rouco e de timbre levemente infantil. Sua voz carrega com elegância também o synth-funk "Set Your Sails", formando uma camada vocal em overdub e num fluxo temporal diferente da base eletrônica e dos outros instrumentos.
Encerrando “Blaze...”, a belíssima "Free of Debris", balada romântica ao estilo de outras da banda, tipo “Fear and Love”, “Undress Me Now” e “Col”, mas desta vez também com algo de ambient. Curta e poderosa, quase uma vinheta para o viajandão trip hop "Mezcal Dream", que finaliza o disco unindo as vozes de Skye e da francesa Amanda Zamolo. Cheia de efeitos, samples, programação de ritmo... pelo visto, Paul Godfrey não está fazendo tanta falta.
Dá para dizer que “Blaze...” é o “Exile on Main Street” ou o “Atom Heart Mother” da Morcheeba? Talvez seja uma comparação exagerada, mas não descabida. Skye e Ross, cientes de que agora o barco é só com eles, esmeraram-se e trouxeram um álbum que não apenas dignifica a história do grupo como, no mesmo peso, superam a ausência de um ex-integrante e mantêm, sim, a banda plenamente viva. Tal Rolling Stones e Pink Floyd fizeram um dia quando estiveram quase por acabar. Atitude de grandes bandas.
Clipe da faixa-título "Blaze Away"
Daniel Rodrigues
Saiu uma dessas listas da Rolling Stone com as 200 melhores músicas de todos os tempos.
"Smells Like Teen Spirit" 1991