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domingo, 31 de julho de 2011

Teremos uma festa! Primal Scream volta ao Brasil para tocar 'Screamadelica' na íntegra



Confirmado! O Primal Scream, uma das bandas mais importantes dos anos 90 e uma das mas influentes dos últimos tempos, volta ao Brasil em setembro para tocar na íntegra seu clássico álbum, o excelente "Screamadelica"  de 1991. Num primeiro instante, havia apenas uma data confirmada para São Paulo, no festival Popload Gig , junto com as bandas Metronomy e Warpaint, no dia 24 de setembro, no HSBC Brasil, mas recentemente também foi confirmada mais uma apresentação em Porto Alegre no Bar Opinião no dia 26 de setembro. Tenho informações que uma produtora vem tentando trazer o evento também para o Rio para o Circo Voador. Para os fãs daqui, resta rezar para que consigam. Caso contrário, terei que dar um pulo em Porto Alegre. Talvez aproveite para rever os amigos e parentes.


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PRIMAL SCREAM
São Paulo
Dia 24 de setembro de 2011
HSBC Brasil
Rua Bragança Paulista, 1281
Camarote: R$ 200,00 | R$ 100,00 (meia)
Frisas: R$ 150,00 | R$ 75,00 (meia)
Cadeira Alta: R$ 100,00 | R$ 50,00 (meia)
Pista: R$ 120,00 | R$ 60,00 (meia)

Porto Alegre
Dia 26 de setembro de 2011
Bar Opinião
Rua José do Patrocínio, 834
Primeiro Lote: R$ 70,00
Segundo Lote: R$ 90,00
Terceiro Lote: R$ 110,00

Coluna dEle #21

Ôpa! Tamo aí!
Vocês podem achar que o marinheiro abandonou o barco mas Eu tô no comando.
O troço parece que tá desandando mas tá tudo sob controle.
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Eu acho que o Meu mundo tá um caos mesmo. Até na Noruega, que nunca faz mal a ninguém, agora Me aparece terrorista!
E esse atirador de Oslo, cara?!?!
Eu fico impressionado com o que umas figuras que Eu fiz conseguem fazer. Nem parece que fui Eu que fiz, entendem?
É que vocês tem que entender que às vezes, aqui na linha de montagem, faltam peças mas a gente tem que mandar aí pra baixo mesmo assim. Aí que uns que outros, de vez em quando, vão aí pra Terra com uns parafusos a menos na cachola.
Bom,... pra falar a verdade, quase sempre faltam peças, mas é que alguns vão com muuuuitos parafusos faltando.
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Por falar em falta de parafusos, chegou aqui em cima a tal da Amy.
Porra, cantava muito a garota, hein! Quero dizer, pra mim ainda canta, né.
Vocês aí de baixo reclamam que Eu trago o pessoal bom cedo aqui pro andar de cima. Bom, em primeiro lugar ela já tava Me pedindo pra subir faz tempo; em segundo lugar, se deixar esse pessoal muito tempo aí no mundo de vocês, começam a fazer merda tipo gravar com a Cristina Aguilera, com o Phil Collins, então é melhor trazer de uma vez; e além do mais, Eu também gosto de coisa boa e aos poucos vou fazendo um 'timaço' aqui em cima: já tão até cobinando de fazer uma jam session, ela, a Ella, a Dinah e a Billie, com o Evans, o Coltrane e o Parker na 'metaleira'.
Putz!
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Ainda a propósito, andei recebendo aqui no Meu e-mail uma piadinha ironizando o fato de cantores ruins não morrerem. Algo tipo, que uma tal de Joelma de uma banda chamada Calypso teria sido encontrada viva em seu apartamento e que isso causava grande dor à música brasileira. Boa, boa ironia!
Não conhecia a tal Calypso e fui ouvir. Nossa!!! Posso lhes garantir que ela vai ficar aí embaixo muito tempo. Essa Eu não quero aqui tão cedo.
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Também vi que já tem gente contando nos dedos os próximos dez anos pra Eu trazer o Justin Bieber pra cá. É por causa desse lance do Jimmi, da Janis, do Kurt, do Jim terem morrido com 27 anos? Lamento decepcioná-los, mas o Clube dos 27 não aceita pessoal da 'categoria' desse pirralho.
Tenho outros planos pra esse garotinho e não incluem trazê-lo tão cedo.
Escândalos, bebedeiras, talvez drogas, homossexualismo. Tenho que lembrar do que reservei pra ele no Livro da Vida.
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Mas mudando de assunto, o pessoal aqui tá todo faceiro porque o time deles ganhou a Libertadores. Particularmente não tenho nada com isso mas não Me responsabilizo por qualquer coisa que eles tenham feito pra ajudar o Santos. Se Eu fiz alguma coisa foi ter dado um pouco mais de bola pr'aquele guri do cabelo esquisito. Podem até achar que é favorecimento dos santos daqui porque antes Eu tinha feito o Pelé jogar lá na Vila e agora esse guri aí, mas podem estar certos que o moicaninho até joga muito mas não tem metade do que Eu instalei no negão.
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Alguém sabe como é que Eu faço pra devolver pro Elano e pro André Santos essas bolas que vieram para aqui em cima?
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Até Eu com a minha idade e com a minha barriga, bato melhor que aqueles caras.
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Dizem que pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube. Aqui em cima é assim: nas peladas do pessoal, quando o Margarida, que já tá aqui em cima, aponta a cal, chamam a Mim pra bater.
E é certeiro: forte na cara do goleiro.
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Por falar em Margarida, cara, como tá na moda essa coisa de gay aí embaixo: é gay pra cá, gay pra lá, é casamento gay, é legalização de união no Brasil, é fila pra casar em Nova Iorque, é gay no noticiário, na novela, é passeata...Uff! Não que Eu tenha algo contra, vocês fazem o que bem entenderem. Eu fiz o bigulinzinho pra encaixar na pixulinha, mas quem quiser usar tudo de outra maneira, pode ficar à vontade.
Essa coisa de bater, de matar...ih, isso não tá com nada. Deixa os caras fazerem o que lhes agrada. Cada um, cada um. Cada um sabe do que gosta mais. De minha parte, é como que eu sempre digo: mulher é tão bom, mas tão bom que quem não gosta tem mais é que tomar no c* mesmo.
Pronto, falei!
E não é?
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Bom, depois dessa, acho bom Eu ir andando. Acho que hoje vou ter uma caixa cheia de  e-mais pra responder...
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Reclamações, xingamentos, solidariedade e tudo mais para:
god@voxdei.gov

quinta-feira, 28 de julho de 2011

cotidianas #95 - Conversa de Botequim



Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.



Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro.



Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom me empresta algum dinheiro,
Que eu deixei o meu com o bicheiro.
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente.



Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.
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Conversa de Botequim
Noel Rosa/Vadico

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Love - "Forever Changes" (1967)


"- Mas você disse que me amaria para sempre!
- exclamou a garota.
E o namorado respondeu:
- Bem, para sempre muda."
diálogo de um casal de amigos do vocalista Arthur Lee
que teria originado o nome do álbum


Meu irmão, que é bem mais pesquisador que eu, foi quem me apresentou o Love. Naquela época ele costamava ir atrás das recomendações da seção chamada Discoteca Básica da revista Bizz. Lá destacavam um álbum chamado “Forever Changes", com uma capa bem psicodélica na qual um conjunto de rostos dava forma a algo tipo um coração humano hipercolorido. Como éramos meio duros de grana, meu irmão costumava pagar para gravar numa loja de discos, e assim, numa fita gravada, o “Forever Changes” apareceu pra mim.
Gamei logo de cara! “Que que era aquilo?”. Era ao mesmo tempo, forte, romântico, apaixonado, louco, psicodélico, sofisticado, rock, orquestral. Trazia uma semente de hard rock ao mesmo tempo que dava peso às músicas apenas com violões, tinha solos de metais e bases de cordas e orquestra.
“Alone Again Or”, a primeira, abre o disco de maneira magnífica com um vocal dobrado e um solo de trumpete bem ao estilo tourada madrilenha; a segue outra maravilhosa, "A House is Not a Motel", mais rock, mais cheia de guitarras mesmo, inclusive com um solo bem bacana  antecedido por uma virada de bateria daquelas de guardar na memória; “Andmoreagain”, docemente melódica traz nos seu delicado arranjo uma atmosfera colorida de bucolismo; a sétima faixa, de nome quilométrico é embalada, é poderosa, cheia de força, com seu arranjo complexo misturando o poder das guitarras com naipes de metal espetaculares; "Live and Let Live" inicia bem folk, bem country mas logo passa a alternar para um rock potente e encorpado embasado por violões fortes; e "You Set the Scene" que fecha a obra é outra das minhas favoritas, dosando genialmente entre a pegada e o requinte.
Obra de arte do rock de uma das bandas mais cultuadas e respeitadas no meio musical. Referendados na sua época mesmo por nomes como Neil Young, Jim Morrisson  e Jimmi Hendrix , sendo este último inclusive amigo particular de Arthur Lee, o 'difícil' vocalista e cérebro desta banda espetacular que teve muitos altos e baixos na carreira, muito em virtude d e seu temperamento complicado. Mas infelizmente todo gênio é meio assim, não?
Consta que "Forever Changes" seria uma resposta de Arthur Lee a "Sargent Pepper's..." dos Beatles.
Sabemos quem é mais conhecido mais significativo mais importante e tudo mais, mas não há como se negar que foi uma boa resposta. Ah, isso foi!
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FAIXAS:
1. Alone Again Or
2. A House Is Not A Motel
3. Andmoreagain
4. The Daily Planet
5. Old Man L
6. The Red Telephone
7. Maybe The People Would Be The Times Or Between Clark And Hilldale
8. Live And Let Live
9. The Good Humor Man He Sees Everything Like This
10. Bummer In The Summer
11. You Set The Scene

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Ouça:
Love Forever Changes



Cly Reis

terça-feira, 26 de julho de 2011

Gang of Four - "Entertainment!" (1979)


"O índio sorri, ele acha que o cowboy é seu amigo.
O cowboy sorri, ele está feliz porque o índio foi tapeado.
Agora ele pode explorá-lo."
texto em torno dos quadrinhos
na capa do álbum



Estava ouvindo o “Entertainement!” do Gang of Four dia desses e pensando o quanto bandas que eu gosto muito beberam dele. A gangue de Leeds foi responsável provavelmente pela formação de grande parte da identidade musical da maioria das bandas dos anos 80, dos ditos pós-punk, mas também de uma boa galera dos 90 e mesmo dos tempos atuais. Ainda levava no sangue punk nas veias com uma certa agressividade sonora, com o minimalismo, com a crueza , mas já perseguia uma ideia de um som mais desenvolvido, mais elaborado, mais complexo na sua concepção, com os vocais entrecortados e silábicos de John King e baixos repletos de funk de Dave Allen.
“Entertaiment!” de 1979 é discaço com todas as letras. ÁLBUM FUNDAMENTAL com todas elas maiúsculas. Sonzaços do disco? Todas! Mas em especial a quebrada “Not Great Man”; a pegada punk legal de “I Found the Essence Rare”; uma parcela na antecipação do gótico na ruidosa “Anthrax”; e sobretudo a excelente “Ether” que abre o disco com sua levada indígena e ritualística.
Detalhe: a capa, totalmente pop art, é outro ponto a se destacar. Show de bola! Disco literalmente bom por dentro e por fora.
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FAIXAS:
  1. "Ether" – 3:52
  2. "Natural's Not in It" – 3:09
  3. "Not Great Men" – 3:08
  4. "Damaged Goods" – 3:29
  5. "Return the Gift" – 3:08
  6. "Guns Before Butter" – 3:49
  7. "I Found That Essence Rare" – 3:09
  8. "Glass" – 2:32
  9. "Contract" – 2:42
  10. "At Home He's a Tourist" – 3:33
  11. "5.45" – 3:48
  12. "Anthrax" – 4:23


Ouça:
Gang of Four Entertainment!


Cly Reis

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Exposição de fotos "AQUI, ALI E ACOLÁ"’, de Nilton Santolin – Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre - RS





Eu, batendo um papo com
o jornalista e músico
Domício Grillo durante a exposição
Amante de cinema como sou, tenho lá minhas pretensões de, um dia, realizar um filme meu, pois me considero apto a, na posição de diretor, conceber, gerenciar e transmitir as ideias de um projeto audiovisual. Mas sempre pondero nessa hora que, certamente, precisarei andar de mãos dadas com o diretor de fotografia, tendo em vista minha limitação técnica no manejo de iluminação, temperatura de lente e outros pormenores que só o fotógrafo é capaz de executar com seu conhecimento e com aquele ganho de qualidade característico. Um olhar perspicaz e aguçado que só os (bons) fotógrafos têm. Mesmo em fotos estáticas, foi esta qualidade “a mais” que pude conferir na abertura da exposição "Aqui, ali e acolá!" do amigo fotógrafo (e colorado!) porto-alegrense Nilton Santolin, na Casa de Cultura Mário Quintana, a qual segue lá no 7º andar até 28 de agosto.
"Negra e Branco"
Reunindo uma boa galera ligada à fotografia, dentre os quais os colegas de profissão Mauro Schaeffer, Dulce Helfer, Edison Vara e Itamar Aguiar, pude ver, entre uma taça de vinho e o gostoso som de Beatles tocado pela Nowhere Band, excelentes cliques (a maioria num apurado p&b) batidos em, como o título indica, algumas cidades por aí, como Rio de Janeiro, Paris, Morro de São Paulo (Bahia) e, claro, Porto Alegre. São registros entre o documental e o jornalístico carregados de arte, sensibilidade e bom humor – uma marca de Nilton –, presente em títulos e, principalmente, na abordagem empregada na concepção de algumas dessas imagens.
"A Canoa, o pescador e o mar"
As 20 fotos mostram desde detalhes de ruas, extraindo lirismo de cantos despercebidos das grandes cidades, até momentos inusitados e paisagens cotidianas, como a pictórica “Toruga na Serração” (e que ilustra o convite da exposição), uma impressionante tela onde as cores de uma nebulosa Porto Alegre noturna parecem ter sido pintadas a óleo tamanha a fusão de palhetas que os azuis e lilases aludem sob a luz branca dos postes. Noutra, a metaliguística “Negra e Branco”, são duas mãos dadas em close que suscitam uma poética história. Nilton conta que os personagens são o mais velho casal do bairro onde mora, o Santana: dona Lourdes, a negra, e seu Sérgio, o branco, que, com mais de 80 anos ambos, tiveram que lutar por seu amor interracial numa provinciana e preconceituosa sociedade gaúcha dos anos 50 para, vencida a batalha, estarem juntos até hoje. A foto registra, com simplicidade e encanto, na textura das peles enrugadas de gente batalhadora e no contraste cromático que suas melaninas sugerem, justamente esta união tão rica de significado.
Com definiu o jornalista Jayme Copstein no texto de apresentação da mostra, o que chama atenção na obra de Nilton Santolin é, além da reconhecida técnica, o talento de buscar “a imensidão escondida nas pequenas coisas, tesouro cada vez mais distante neste mundo de olhos turvados pelo gigantismo da tecnologia”.
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exposição "Aqui, Ali e Acolá"
Nilton interagindo com suas fotos.
fotos de Nilton Santoli
na Casa de Cultura Mário Quintana, 7° andar 
Rua dos Andradas, 736 - Centro - POA
visitação, até 28 de agosto
segunda-feira das 14h às 21h;
de terça à sexta-feira das 9h às 21h;
e sábado e domingo das 12h às 21h




"Um Homem Com Uma Câmera", de Dziga Vertov (1929)





O Canal Futura volta e meia nos proporciona deleites cinematográficos inestimáveis, não? Tive a felicidade de assitir ontem, no Cine Conhecimento, ao filme russo de 1929, "Um Homem Com Uma Câmera", uma notável sucessão de imagens do cotidiano filmadas de uma maneira absolutamente artística e poética. O olho de uma câmera mostrando, com arte, o dia de uma cidade: as pesssoas, suas relações, o trabalho, a dor, a alegria, a natureza... Tudo, é claro, ainda em tempos de cinema mudo, sem uma palavra sequer; mas mesmo que pudesse tê-las, para que precisaria?

Esse olho onipresente do cameraman, o próprio realizador, Dziga Vertov, proporciona-nos imagens de incrível beleza plástica, de rara técnica, de extrema felicidade, conseguindo extrair impressionantes sincronias do homem com o mundo industrial, de máquinas com música, do urbano com a arte.
Precursor da linguagem de documentário no cinema e fundamental para uma linguagem como a do videoclipe, tão comum nos dias de hoje. Ousado, técnico com uma fotografia admirável e, mesmo no final da década de 20, com uma montagem de fazer inveja a muitos cineastas dos dias atuais.
Como é que um filme desse ainda não tinha entrado na minha vida? Simplesmente uma das melhores coisas que já vi.




Cly Reis

sábado, 23 de julho de 2011

Morre Amy Winehouse


Amy Winehouse, (1983-2011)
Infelizmente, não precisava ser nenhum adivinho pra saber que isso não ia demorar para acontecer, mas hoje, há poucas horas atrás, a polícia britânica encontrou o corpo de Amy Winehouse em seu flat, em Londres. A polícia não divulgou oficialmente a causa da morte, mas as primeiras informações parecem apontar para uma overdose (bem provável).
Uma pena.
Vai-se cedo, jovem e ainda transbordando talento, uma das maiores cantoras dos últimos tempos e talvez de todos eles.
Mas também, infelizmente, isso é natural nos gênios e esta precocidade da morte, essa rapidez de passagem por este mundo. Talvez seja porque não consigam permanecer muito tempo entre nós mortais.
Foi-se a última grande Diva da música.Uma diva meio marginal, maio avessa a tudo, meio química, meio etílica, meio rock'n roll demais, mas ainda assim, uma Diva.




C.R.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

cotidianas #94 - Um Dia na Vida


Um Dia na Vida
(açúcar, ameixa, biscoito... açúcar, ameixa, biscoito.)
Eu li as notícias de hoje, oh rapaz!
Sobre um sortudo que ganhou na loteria
E embora as notícias fossem um tanto tristes
Bem, não pude deixar de rir
Eu vi a fotografia


Ele arrebentou a cabeça num carro
Não tinha percebido que o semáforo havia mudado
Uma multidão parou e o encarou
Já tinham visto seu rosto em algum lugar
Mas ninguém tinha certeza se não era um Senador.

Eu vi um filme hoje, cara
O exército inglês acabara de vencer a guerra
Uma multidão teve que ir embora
Mas eu tive de olhar
Tendo lido o livro, eu adoraria te excitar!

Acordei, caí da cama
Passei uma escova pela minha cabeça
Desci as escadas e tomei um café,
E olhando para cima, vi que estava atrasado


Achei meu casaco e peguei meu chapéu
Subi no ônibus segundos depois
Subi as escadas e fumei um cigarro
E alguém falou, e eu entrei em um sonho


Eu li as notícias de hoje, rapaz
Quatro mil buracos em Blackburn, Lancashire
E embora os buracos fossem bem pequenos
Eles tiveram que contá-los um a um
Agora sabem quantos buracos são necessários para encher o Albert Hall
Eu adoraria te excitar!

“A Day in the Life”
Lennon/MacCartney

Ouça:
The Beatles  - A Day in the Life

postado por Daniel Rodrigues

cotidianas #93 - A importância de um amigo


Na cola do Dia do amigo aí vai uma piada que exemplifica bem o valor de um amigo.
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Um humilde caipira lá do interior foi contemplado em um sorteio com uma viagem num navio 5 estrelas. Além da viagem em si, do conforto, do luxo, a embarcação estaria cheia de VIP's, cantores, atores famosos, etc. Mas como sorte de pobre tem que vir sempre seguida de uma certa desconfiança, o navio do cruzeiro sorteado lá pelas tantas teve problemas e em meio à viagem, na vastidão do Atlântico, afundou.
O caipira conseguiu se salvar e vendo uma mulher se afogando, conseguiu salvá-la também. A muito custo, conseguiu nadar e fazer com que fossem conduzidos pelas ondas até uma pequena ilhota no meio do oceano. Lá descobriu que a ilha estava completamente deserta e descobriu também que salvara, nada mais nada menos que a Jennifer Lopez. Isso mesmo aquela cantora, e atriz que tem uma bunda enorme. O caipira num primeiro momento manteve os bons modos e o respeito, mas com o passar do tempo, o socorro não vindo, com a 'seca' batendo e com aquele mulherão na sua frente, passou a assediar constantemente a  famosa atriz. Em princípio J-Lo resistia, mas não tardou muito, embora seu salvador não fizesse muito o seu tipo, num misto de gratidão pela vida salva, de resignação, de indiferença, ou mesmo de necessidade física, acabou cedendo e satisfazendo os desejos sexuais do capial.
Aquilo, naturalmente, acabou repetindo-se com frequência e cada vez mais, conformada com a situação de ter que viver o resto da vida naquela ilha e por ao menos ter um companheiro, nossa querida e gostosa estrela até mesmo passou a guardar por ele um grande apêgo, poderia-se dizer quase amor, o que, pode-se afirmar seguramente, era correspondido por ele. Sendo assim, já superada toda e qualquer repulsa por parte da atriz, toda noite, todo dia, ou toda hora, era 'ferro-e-ferro'. Era como se cada dia fosse o último. Mas até que o ritmo começou a diminuir. Nosso caipira já não a procurava com tanta frequência e mostrava-se cada vez mais taciturno e sorumbático. Um dia ela, atenciosa e preocupada, resolveu perguntar o que o incomodava:
- Sabe o que é Dona Jennifer: -sempre a chamava de dona mesmo já tendo mantido com ela todo tipo de relações íntimas possíveis - é que lá no interior onde eu morava eu tinha um  amigo, o Nézinho, e a gente conversava de tudo, eu contava minhas coisa pr'ele e ele contava pr'eu e eu é sentindo uma bruta farta dele.
- Mas não basta eu aqui? Nós dois? - perguntava ela, que já tinha aprendido português àquelas alturas, intrigada e uma ponta de comiseração.
- É diferente, Dona Jennifer - dizia ele - Faz farta tê arguém com quem a gente possa trocá uma ideia.
- Mas você pode conversar comigo.
- É diferente... - ia repetindo mas se deteve percebendo algo - Mas oiando bem assim até que a senhora dá os ares do João. Acho que a senhora pode fazer uma coisa que eu pode me ajudá.
Ela logo se animou coma possibilidade de reabilitar a alegria de seu companheiro de ilha, praticamente marido.
- A senhora assim com o cabelo preso, com esse pedaço de terno véio e com esse bigodinho - dizia enquanto desenhava no rosto dela um bigode falso com o carvão da fogueira da noite anterior - fica o Nézinho cuspido e escarrado.
- Agora tá bom? - devidamnte caracterizada - Não vai mais sentir falta do Nézinho?
- Tá quase bão. Ainda farta arguma coisa... - disse ainda claramente insatisfeito.
- Que é? - perguntou ela não escondendo a decepção.
- Dona Jennifer, a senhora podia caminhar lá até aquele coqueiro e vim vindo pra cá, pra mode quê parecê que o João tá vindo assim na minha direção, como se eu tivesse encontrando ele depois de tempo. Pra ficar mais naturar, sabe.
Ela prontamente, disposta a reanimar seu único homem no mundo, foi até a árvore e de lá, com o cabelo preso, seu bigode desenhado e trajada com seu trapo de paletó foi-se dirigindo até ele. Ao chegar bem próximo, ele enfim exclamou alegre:
- Nézinho, meu amigo véio! Quanto tempo! Nézinho, nem sabe quem eu tô comendo...

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Moral da história: não adianta de nada comer a Jennifer Lopez se você não tiver um amigo pra contar.

domingo, 17 de julho de 2011

Trio 3-63 – Projeto UniMúsica – Salão de Atos da UFRGS – Porto Alegre -RS (14/07/2011)


Olorum no toró: uma homenagem a Moacir Santos


Moacir Santos (1926-2006)
Tem dias que a chuva parece precipitar além do normal. E o último 14 de julho foi assim – pelo menos em Porto Alegre. Choveu 48 horas sem parar. E não era qualquer chuvinha. Era “chuva que Deus mandava”, incessante, bastante. Mas tanta água vinda do céu foi, para os mais atentos, o prenúncio de algo transcendental que aconteceria na noite deste fatídico e molhado dia. Numa homenagem ao maestro pernambucano Moarcir Santos, um dos maiores gênios da música universal dos últimos tempos, o Trio 3-63, dentro do Projeto UniMúsica 30 anos – tempomúsicapensamento, fez um inesquecível show para cerca de 400 destemidos – e abençoados – espectadores no Salão de Atos da UFRGS.
Trio 3-63: apresentação curta porém marcante

Formado pela flautista Andrea Englert, pelo pianista Paulo Braga e pelo percussionista Marcos Suzano, três feras, o Trio 3-63 destilou um show curto mas emocionante do início ao fim, onde predominou a execução perfeita, unindo técnica e alma, e, claro, a reverência a Moacir Santos, instrumentista, arranjador e compositor, autor de obras-primas da MPB, como o célebre álbum “Coisas”, de 1960, e “Opus 3 nº 1”, de 1979. Moacir, que viveu grande parte de sua vida artística nos Estados Unidos, onde é venerado, foi, ao lado de Tom Jobim  e Hermeto Paschoal, o grande mestre da revolução harmônica da música brasileira moderna. Sua estética tem, com um hibridismo impressionante, toques de jazz e erudito misturados aos ritmos essencialmente brasileiros, bebendo no vasto folclore do nordeste (maracatu, coco, roda, xaxado, cantos religiosos), na tradição dos ritmos afro-brasileiros (lundu, jongo, candomblé, samba, marcha, choro, maxixe) e até caribenhos (rumba, habanera, cuban jazz). Tudo sempre com muito bom gosto e perfeição.
Marcos Suzano, fera da percussão
No show, o Trio 3-63 destilou clássicos como “Coisa nº 1”, “Paraíso” e “Outra Coisa”. Porém, fizeram mais do que isso. A começar pela inteligente incursão a obras de outros compositores influenciados e/ou influenciadores de Moacir Santos, como os “Motivos Nordestinos”, do percussionista e compositor Luiz D’Anunciação, e “A Inúbia do Cabocolinho”, do maestro e pesquisador musical Guerra-Peixe, ex-professor de Moacir nos seus primórdios tempos em Pernambuco. Nesta seara, ainda apresentaram a gostosa “Radamés y Pelé”, de Tom Jobim (homenageado que, por sua vez, homenageava, além do craque da bola, outro craque, este dos sons, Radamés Gnatali, grande influenciador da bossa nova e de Moacir), além de uma composição do próprio Paulo Braga, “Farol”, onde claramente o pianista conjuga todas essas referências.




Mas o trio guardaria ainda outras duas surpresas. Primeiro que, a certa altura, o trio passou a quinteto. Primeiramente, com a entrada no palco do multi-instrumentista Lui Coimbra, que tocou violão e cantou a suave e brejeira “A Santinha lá da Serra”, parceria de Moarcir com o poeta Vinícius de Moraes. Depois, ao cello, Lui acompanhou a banda em outra novidade do show: “The beautiful life” e “Love Go Down”, canções inéditas no Brasil resgatadas por Andrea no acervo de Moacir nos EUA.
Ao final do show, junta-se aos integrantes o cantor e percussionista Carlos Negreiros, negro alto, tipo etíope, todo de branco como que uma entidade da umbanda. Com seu bongô e sua bela voz grave, mas de refinado alcance dos agudos, cantou com os quatro “Coisa nº 8 - Navegação”, de charmosa melodia e letra poética (“Depois de tanto palmilhar/ Desvios e bifurcações/ Da proa desta embarcação/ Consigo interpretar, enfim/ A carta de navegação/ Que o mar traçou dentro de mim”), proporcionando o momento mais emocionante do show. Foi também Negreiros quem creditou a Olorum, senhor da criação e dos céus, o milagre de estarmos ali, mesmo com o toró que o próprio orixá fazia cair lá fora. Só podia ser uma mensagem divina, pois fomos, de fato, abençoados nesta noite. Por Olorum e por Moacir Santos, cuja poderosa alma estava lá também, encharcando-se de alegria e beleza como nós todos.



sábado, 16 de julho de 2011

R.E.M. - "Reckoning" (1984)

O Disco da Vida e da Morte

"Michael ouve a melodia e então escreve uma letra ou acha alguma que se encaixa. Elas são incrivelmente pessoais, coisas que aconteceram com ele, por isso, às vezes as pessoas não conseguem decifrá-las."
Mike Mills


Certa vez estava em um ônibus, passando sobre um viaduto e ouvindo o “Reckoning” do REM no walkman. Por um instante aquele som me preencheu de tal maneira, me elevou de tal modo que cheguei a dispensar minha vida por um breve momento. Disse silenciosamente, “Deus, se tu quiseres, podes fazer esse ônibus despencar deste viaduto agora mesmo, porque ter vivido até aqui e morrer ouvindo algo assim terá me bastado”. Aguardei por um momento, ouvindo a música, atento a um possível impacto na mureta e um salto no vazio, mas logo abri os olhos e vi que o ônibus já havia descido do viaduto e, ainda que houvesse chance de uma colisão logo ali a diante, parecia que Ele ignorara minha ‘permissão’. O Velho lá por sua vez deve ter dito, “larga de bobagem, menino, que ainda te reservei muita coisa. Vai, vai...”. E tudo seguiu em frente até hoje.
Colocando assim pode parecer que o “Reckoning” seja a coisa mais maravilhosa do mundo, o álbum definitivo, a obra suprema, mas não... Não é isso. É que ele consegue na sua simplicidade, na sua sutil beleza, na sua pureza, na sua, até, crueza, soar tão gostosamente, tão suficiente e tão indispensável que chega a parecer algo assim como um papo com o melhor amigo, um vento na cara, um doce saboroso, um beijo de carinho, um sono numa manhã de sábado.
Do tempo que o REM era mais bruto, mais simples, mais alternativo, mais autêntico, “Reckoning” é feito só de jóias: "Harborcoat", a primeira, é um college rock cheio de ska bem gostoso e embalado e já de cara uma das minhas prediletas ; a adorável melodia de "7 Chinese Brothers" é encantadora; a lindíssima "So. Central Rain (I'm Sorry") antecipa momentos que veríamos depois mais lapídados em "Green" e "Out of Time"; "Pretty Persuasion", talvez seja a mais pop do disco, mas o que não representa, em absoluto, um defeito; “Time After Time”, que vem em seguida com seus ares árabes-orientais, é simplesmente apaixonate; "Second Guessing" tem uma levada embalada e empolgante; a belíssima "Camera" vem nos explorando, nos ganhado, nos conquistando com seu ritmo lento até nos arrebatar de vez com a emoção e envolvimento da interpretação de Stipe; e outra das grandes do álbum, (Don't Go Back To) Rockville, é bem country, bem folk e totalmente raiz americana, aliás uma das marcas do disco, no geral.
Outro daqueles pra se ter em LP: originalmente as músicas foram distribuídas em lado direito e lado esquerdo e isso, certamente, dentro dos quebra-cabeças de letras, momentos e sonoridades montados por Michael Stipe ao longo do disco, tem também seu significado.
Felizmente Deus sequer levou em consideração minha autorização besta de criança. Se tivesse acabado ali não teria criado um blog, não visto meu time Campeão do Mundo, não teria conhecido minha esposa, não veria agora minha filha que está a caminho, entre outras tantas coisas boas (e ruins) que aconteceram desde lá. Mas mesmo assim, sem qualquer motivo efetivamente palpável ou justo, até hoje, quando pego o “Reckoning” pra ouvir não consigo deixar de pensar nele como O Disco da Vida e da Morte.
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FAIXAS:

  • Lado 1 - Esquerdo


  1. "Harborcoat" – 3:54
  2. "7 Chinese Bros." – 4:18
  3. "So. Central Rain (I'm Sorry)" – 3:15
  4. "Pretty Persuasion" – 3:50
  5. "Time After Time (AnnElise)" – 3:31



  • Lado 2 – Direito


  1. "Second Guessing" – 2:51
  2. "Letter Never Sent" – 2:59
  3. "Camera" – 5:52
  4. "(Don't Go Back To) Rockville" – 4:32
  5. "Little America" – 2:58

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Ouça:
R.E.M. Reckoning




Cly Reis

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Depeche Mode - "Violator" (1990)



"Deixe-me te mostrar o mundo em meus olhos"
da música "World in my Eyes"


Banda frequentemente subestimada por ser, equivocadamante, incluída num rol de grupos oitentistas de synth e technopop que simplesmente ligavam as 'máquinas' e deixavam as coisas acontecer, o Depeche Mode, indubitavelemente se distanciava desta turma por virtudes notórias e superiores sobretudo no que dissesse respeito às composições. Com um tecladista e compositor altamente qualificado, diferenciado e criativo, Martin L. Gore; um vocalista de interpretações sensíveis e precisas, com um vocal grave e bem empostado, Dave Grahan; com letras intimistas, profundas e inteligentes; e composições muitíssimo elaboradas, bem estruturadas e sofisticadas; fazia um pop eletrônico que trazia em seu rastro ainda ares do pós-punk e influências muito vivas do chamado gótico do início dos anos 80.
"Violator" de 1990, o oitavo trabalho da banda, é um daqueles discos, literalmente, de marcar época, servindo como referência na sua linguagem, na sua proposição e no contexto musical e artístico daquela transição de décadas.
O disco foi muito bem recebido pelo público e emplacou uma série de hits, entre eles "World in My Eyes" um pop sombrio impecável que abre o disco; a ótima "Enjoy the Silence" mais embalada e gostosa de dançar; "Policy of Truth", composição interessantíssima e igualmente excelente; e "Personal Jesus", com sua base-riff marcante, buscada sutilmente do country, simplesmente uma das grandes músicas da história, sendo multi-reverenciada por diversos artistas, tendo inclusive regravações bem bacanas de Marilyn Manson e Johhny Cash.
Das menos conhecidas, a lenta e viajante "Sweetest Perfection" é uma picada na veia; "Clean", mesmo pesada, densa, tenta ser uma luz na escuridão; e a belíssima "Blue Dress", que lembra um pouco as composições western de Enio Morricone é uma das minhas favoritas.
Depeche Mode, provavelmente junto com o New Order e algumas outras poucas 'boas almas' do techno synth ou similares naqueles idos anos 80, representaram a prova de que podia haver vida inteligente no pop e que era possível fazer música eletrônica de qualidade, e "Violator" é inegavelmente um dos grandes símbolos disso.
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FAIXAS:
1."World in My Eyes"
2."Sweetest Perfection"
3."Personal Jesus"
4."Halo"
5."Waiting for the Night"
6."Enjoy the Silence"
7."Policy of Truth"
8."Blue Dress"
9."Clean"

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Ouça:
Depeche Mode Violator


Cly Reis