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domingo, 6 de junho de 2010

"O Escritor Fantasma", de Roman Polanski (2009)



Dá gosto de ver um filme de quem sabe fazer cinema!
"O Escritor Fantasma" de Roman Polanski é um destes. Quando se vai assistir a um Polanski já pode-se apostar na qualidade e ele não decepciona, seja pela temática, pelo enfoque, pelas tomadas, pelos planos, pelos personagens, ou por todos estes elementos juntos. O diretor polonês é um daqueles que nos deixa na expectativa do que encontraremos a cada novo filme seu, não por uma inconstância ou irregularidade, mas sim pelo seu vasto repertório cinematorgráfico, indo desde um terror diabólico como "O Bebê de Rosemary", o soturno e perturbador "O Inquilino", passando por exemplo por uma tragédia clássica  como "Macbeth" com uma visão muito mais crua e violenta que as outras adaptações, ou por uma ação alucinante como em "Busca Frenética". 
Neste, "O Escritor Fantasma", opta por uma linha mais comedida de condução, vai nos envolvendo na história, não ousa muito nas imagens (mas não abandona a qualidade da fotografia) e aos poucos vai nos desvelando detalhes cruciais. Polanski é daqueles que justificam plenamente o termo DIRETOR de cinema, pois nos conduz na história, leva o filme como bem pretende e sempre tem o controle do seu objeto. É admirável e prazeroso assistir a obras de um mestre como este.
Na história um "ghost writer" (Ewan McGregor) é contratado, em substituição a um outro que morrera em circunstâncias suspeitas, para escrever a biografia de um ex-primeiro ministro britânico (Pierce Brosnan) cujo nome está envolvido em um suposto de envolvimento em crimes de guerra. A tarefa que seria aparentemente simples de escrever um livro e nunca aparecer, acaba se tornando perigosa, uma vez que existe muita coisa por trás das atividades do político, sua vida particular, amigos e inimigos.
Não chega a ser o melhor filme do diretor, como andei lendo por aí, mas é inegavelmente um ótimo filme e satisfação garantida principalmente para os fãs. Agora é torcer, em nome da arte, para que o cara não seja condenado e fique enjaulado por muito tempo, o que certamente encerraria sua carreira cinematográfica.


trailer "O Escritor Fantasma"



Cly Reis

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Miles Davis - "A Tribute to Jack Johnson" (1971)


"I'm Jack Johnson - heavyweight champion of the world!
I'm black!
They never let me forget it.
I'm black all right;
I'll never let them forget it."
Jack Johnson,
Campeão Mundial Peso-Pesado de 1908 a 1915



Antes tarde do que nunca!!!
Felizmente, fuçando, por curiosidade, vim a conhecer o ótimo “A Tribute to Jack Johnson” de Miles Davis. Em princípio me interessou por saber que tratava-se do início das incursões de Miles Davis no rock e em uma aposta em experimentações mais livres. Concebido para um documentário sobre a lenda do boxe, o primeiro negro a sagrar-se campeão mundial dos pesados, o álbum compõe-se de duas suítes longas; a primeira “Right Off” é mais pesada, mais forte, swingada com idas e vindas, subidas e descidas, numa “marcha” sonora que sutilmente remete o ouvinte a toda a poética de uma luta de boxe, como a um bailado de pernas, jabs curtos, uma sucessão de golpes precisos ou um belo upper. Possui uma linha de baixo mais agressiva e imponente que, ao que consta, traz trechos de “Sing a Single Song” do Sly and the Family Stone, só para se ter uma idéia da sonoridade pretendida e alcançada com o álbum.
“Yesternow” a outra faixa que completa a obra começa um pouco mais leve, mais arrastada, e vai se desenvolvendo assim por um bom tempo até apresentar alguns saltos e arroubos de improviso mais fortes e impetuosos, esta tendo por sua vez sua linha de base inspirada (ou mesmo, tirada) de "Say It Loud - I'm Black and I'm Proud", de James Brown.
Miles pontua as composições com aquele trumpete singular. INVARIAVELMENTE GENIAL. Solando, não solando, deixando vazios e preenchendo-os, sugerindo a próxima nota ao ouvinte e muitas vezes, provocativamente, não dando-as, deixando só para a imaginação, para o que poderia ter sido.
Em “A Tribute to Jack Johnson” Miles Davis acaba concebendo com maestria um trilha para um filme sobre boxe conjugando exatamente dois elementos antagônicos que fazem deste esporte, mesmo violento e brutal, tão mágico e belo a ponto de ser conhecido como “A Nobre Arte”: É um disco que tem sobretudo FORÇA e a SENSIBILIDADE.
Como se diria no boxe , é uma obra que tem pegada. Tem “punch”.
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FAIXAS:
1."Right Off" – 26:53
2."Yesternow" – 25:34

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Ouça:
Miles Davis A Tribute to Jack Johnson


Cly Reis

cotidianas #28 - Levando Sua Namorada Para Casa



Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está me dizendo como nunca escolheu você
"Vire à esquerda", ela diz
Então eu viro à esquerda
E ela diz
"Como eu fui acabar me envolvendo tão profundamente
Na mesma vida que eu planejei evitar?"
E eu não posso responder

Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está rindo para parar de chorar
"Continue dirigindo", ela diz
Então eu continuo dirigindo
E ela diz
"Como eu fui acabar presa a esta pessoa
Uma vez que seu senso de humor
Fica cada vez pior?"
E eu não posso contar para ela

Estou estacionado do lado de fora da casa dela
E nos cumprimentamos
Nos damos boa noite, tão educadamente
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"Driving your girlfriend home"
Morrissey
do álbum "Kill Uncle"

Ouça:
Morrissey Driving Your Gilfriend Home

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Fúria de Titãs" de Louis Leterrier (2009)






E fui eu, sábado, ver o remake de “Fúria de Titãs”.
Amigos...
Desnecessário.
Nada a acrescentar.
Nem o 3D ajuda. Aliás quase não se justifica. Poucas cenas são válidas o suficiente para que o recurso tivesse sido utilizado num filme como este. Sem contar que o tal 3D acaba meio que se perdendo na movimentação e velocidade intensíssimas das cenas de luta e perseguições, na proximidade da câmera nestas mesmas situações e na escuridão da fotografia. Pra piorar ainda mais, com todo o dinheiro, efeitos especiais, tantas dimensões e tudo mais, a ambientação do Olimpo com os deuses em pé sobre umas nuvenzinhas e a caracterização de Zeus com uma roupitcha brilhante-desfocada são ridiculas. Com toda a limitação de técnica e de recursos da época, os efeitos do clássico são bem mais legais do que os do novo, até mesmo pela importância e inovação no contexto daquele momento.
Agora vamos à história em si: outro desperdício!
O roteiro consegue destruir elementos extremamente interessantes do clássico de 1981 que eram a pureza de Perseu e a predileção dos deuses por ele. O novo Perseu, ao mesmo tempo que é alheio aos interesses dos nobres e deuses no seu conflito, é um jovem orgulhoso e movido pela vingança pela morte dos seus pais adotivos e não pelo amor pela bela Andrômeda como no antigo, o que o tornava naquele caso realmente envolvido com os objetivos da jornada na qual irá se lançar. Em nome de uma dinâmica e adrenalina para o filme, o herói acaba se mostrando bem menos racional e inteligente que seu predecessor oferecendo-nos apenas uma sucessão de correrias, lutas, vôos e saltos. Prova disso é a diferença da cena da Medusa na versão original, na qual Perseu pensa, aguarda o momento certo e finalmente age; sendo que nesse novo desde que entram no covil da Górgona, é só “loucura total”, culminando numa desenfreada perseguição entre as ruínas do mundo subterrâneo que vai, aí sim desfechar-se da mesma maneira que no outro filme mas de um modo muito mais ‘heróico”, com um salto acrobático e tudo mais. E a atual Medusa também não ajuda. Ainda guardando resquícios de sua extinta beleza não é nem sombra da apavorante criatura da primeira versão que, lembro, me impressionou muito na época.
A ajuda dos deuses, desprezada pelo diretor Louis Leterrier (de “O Incrível Hulk”) e conseqüentemente negada pelo seu Peseu, seria elemento importante na tramae, creio, enriquecedor para os novos objetivos de um remake. O herói teria bem mais "brinquedinhos", apetrechos, equipamentos, sendo quase que um James Bond de Argos com um recurso para cada situação difícil. A espada, o cavalo alado Pégasus, o elmo e o escudo que inclusive o salva no confronto com a Medusa, que apareciam como oferendas das entidades do Olimpo ao filho de Zeus; neste novo, Perseu  por "beicinho" e orgulho insiste em não utilizar até que lá pelo final, acaba no aperto, tendo que usar a espada e montar no cavalo, mas muito contrariado. O escudo, antes presente dos deuses, é substituído agora, por um feito da carcaça dos escorpiões gigantes que eles mataram e o elmo da invisibilidade, é esquecido.
Trama mal amarrada, mal explorada, diálogos infantis, motivações pueris e atuações caricatas...
Olha,... bem fraco.
Mas desta vez eu mereci. Eu sabia que não ia ser grande coisa e tentei.
Bem feito.
Quem não assistiu, procure o antigo em DVD. Vale a pena.




Cly Reis

sábado, 29 de maio de 2010

Berinjela Beligerante

Os Causo de Dois Morro - A Copa de ATRÂNTIDA 1922

Como é ano de Copa dos Mundo, queria  alembrar os amigo e informá os que não sabe que o premêro selecionado a representa o Brasir em um Mundiar foi um combinado de Dois Morro. O primêro Camponato Mundiar mesmo foi em 1922 na extinguida Atrântida que depois se afundô-se n'água, mas como naquela época não existia a tar de FIFA, entonce que aquela Copa não foi reconhecida. Só dispois em 1930, teve a tar da Copa no Uruguai e como não chamaro os doismorrense de novo, logicasmente que o Brasir perdeu.
Mas a Copa de 1922 foi cousa mui bonita de se vê.
Participava a Prússia, a seleção de Lorena & Alsácia (que anos despois ia sê Itália), a seleção da Babilônia, a de Esparta que era muito briguenta e a fortíssima seleção da Mesopotâmia, além, é craro da seleção brasilêra que era o Doismorrense. Arguém se alembra do escalamento? Era o legendário Cambraia no gôlo, dispois Prego, Marafo e Morrão ero os beque e o Panete fazia a esquerda.
Miscorete, Caiana e Restilo no meio e os foruárdi  ero Uca, Xinapre e Zuninga.
Copa mui disputada!
O Brasir-Doismorrense atropelava todo mundo: Fêiz 25x3 na Manchúria, 8x0 na Pérsia e só 1x0 nos dono da casa, a seleção de Altlântida, num jogo mui difícer.
Nas quarta-de-finar ganhêmo de Esparta, que tinha aquele famoso jogador, o Leônidas, por 4x3, e fomo pras semifinar contra a Babilônia. Os babilônico tinho um time de se tirá o chapér. Ainda lembro do escalamento, era: Alexandre, Hitita, Sumério, Sargão e Assírio, Assurbanípal, Hamurabi e Nabucodonosor, Ciro, Dario e Xérxenes. Sei que a peleia foi braba e só ganhêmo nos penárti.
Na finar peguemo a seleção do Império Romano e metemo 4x1 Eles tinho um baita dum time. Formavo com Júlio César, Otaviano, Diocleciano, Tibério e Marco Antônio; no meio, Galiano, Tito Flávio e Renato Augusto, na frente o ataque que era conhecido como o "triunvirato" era Constantino, Adriano e Trajano. Só fizemo 4 purque nosso time era especiar de bom.
Uma cousa importanta foi que nessa Copa hove a premêra grande revolução tática do futebór. Isso graças ao treinador do Doismorrense, o genial Arlindo Cachaça que inventô o sistema "1-10" que consistia-se basicamente em um pegar c'as mão e os otro déiz chuta c'os pé. Gênio!!!
Doismorro representando o Brasir levô aquela Copa e dispois disso Atrântida, como eu já falei, afundô e dexô de existí.
A delegação vitoriosa levô o caneco pra casa mas infelizmente ele foi derretido.
Mas a taça não foi robada e derretida que nem aquela ôtra que o Brasir ganhô em '70. Essa derreteu-se sozinha quando levaro pra Dois Morro porque fazia mutcho calor por lá naquela época do ano. Dois Morro no verão é terrível!
O probrema é que não ficô rezistro nenhum de que Dois Morro ganhô verdaderamente uma Copa pro Brasir antes de existí essas Copa de hoje e aí ninguém sabe e muitos duvida. Fazê o que?
Mas que aconteceu, aconteceu. Eu garanto.

postado por Chico Lorotta

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Presentes Colorados

Ganhei (a meu pedido) recentemente uma verdadeira enxurrada de livros sobre o meu time, o Sport Club Internacional.
Dois deles do professor Luís Augusto Fischer, apaixonado e constante colaborados nas publicações do clube. Dele, ganhei o pocket “O Time do Meu Coração”, uma publicação mais informativa voltado para novos torcedores ou curiosos, com números, goleadores, datas, títulos etc., e que traz junto uma pequena revista em quadrinhos voltada para o público infantil, chamado “Colorado das Glórias, Orgulho do Brasil”; e o outro, “Sangue, Suor e Talento – O Segredo Colorado”, com muita informação e história também porém mais autoral, pessoal e apaixonado.
Também aproveitei e levei pra casa “Os 10 Mais do Internacional” onde figuram os grandes jogadores que vestiram a camisa colorada na visão do jornalista Kenny Braga com suas respectivas biografias, detalhes e curiosidades; um destes craques, Paulo Roberto Falcão é o autor de outro dos que foram lá pra casa, chamado  “O Time que Nunca Perdeu” que conta a trajetória do Inter de 1979, o único time brasileiro campeão nacional invicto.Ainda acrescentei à minha biblioteca colorada “Internacional - Autobiografia de Uma Paixão” de Luís Fernando Veríssimo, livro bem ao estilo dele; bem humorado, sagaz, inteligente; com a diferença de neste estar tratando sobre seu clube do coração. Adorável! Independente de ser colorado ou não é uma leitura agradabilíssima pra quem gosta de futebol.
Agora com a estante praticamente vermelha é ir relembrando as grandes glórias enquanto se espera pelas próximas.
E que venha o Bi da América.

domingo, 23 de maio de 2010

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (2009)



Não havia me empolgado muito com a estréia de "Viajo porque preciso, volto porque te amo", mesmo apreciando o cinema do pernambucano Karim Aïnouz (diretor de "O Céu de Suely) e tendo boas referências do co-diretor Marcelo Gomes (de "Cinema, Aspirinas e Urubus"). Parecia-me em principio, apenas mais um filme com a temática do sertão, com foco no popular, nos dramas sociais da região, etc. No entanto, uma observação em uma crítica de jornal, aliada a uma sinopse bem objetiva e convincente, me estimularam a ir assistir ao filme. O texto em questão referia-se ao filme como "uma pequena obra-prima" que teria seu lugar assegurado na filmografia nacional e descrevia-o como um filme quase sem palavras, visto com os olhos do narrador, sendo que este, em momento algum aparecia. Pela descrição, pareceu-me, no mínimo, valer uma conferida.
O que se vê no início de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" é uma sucessão de filmagens amadorísticas, imagens toscas, às vezes só fotos na tela, enquadramentos parados longos, tudo isso acompanhando a narração do protagonista, um geólogo que percorre o interior do Sertão Nordestino a fim de avaliar uma área para implantação de um canal na região. Só que por trás deste aparente mal-acabamento, de um descuido estético e técnico, se esconde, ou melhor, se MOSTRA, uma obra rigorosamente pensada e cuidada em todos os detalhes. A película, a fotografia, a montagem, a trilha "incidental", a duração de uma cena, a extensão de uma frase; tudo tem um intuito, uma utilidade, um objetivo por vezes cada elemento deste complementando o outro, ora na mesma cena, ora ao longo do filme.
Num formato meio documentário, meio amador, meio câmera-na-mão, o narrador vai alternando relatos técnicos sobre sua pesquisa com revelações íntimas sobre uma mulher, que chama de Galega, e constantes declarações de amor e saudades. Mas aos poucos vai se revelando uma relação não muito feliz com  esta pessoa e problemas no casamento ficam evidentes. Aí pensamentos vão se confundindo, intenções vão se transformando, objetivos mudando e os relatos e ficam cada vez mais reveladores em um espírito atormentado, inquieto, para o qual a viagem teoricamente profissional, acaba-se justificando em parte como uma tentativa de fuga do problema e uma de fuga de si mesmo. O problema é que logo no início desta tentativa, nosso narrador descobre que fugir não adianta.
As imagens dialogam fantasticamente com o texto, quase sempre pessimista, desiludido e triste na voz do geólogo-narrador. Ao mesmo tempo que reforçam este seu estado de espírito de tédio, melancolia e confusão, o desmentem várias vezes quando ele nos diz uma coisa e as imagens apresentam detalhes que o desautorizam e mostram mais do que ele gostaria de contar. Isso semfalar nas músicas, quase sempre escutadas no rádio do carro do pesquisador mas que valem por muitos diálogos.
"Viajo..." não é um filme para grande público ou para mero entretenimento. Deve-se estar disposto a descobri-lo, decifrá-lo. É uma obra a ser apreciada , descortinada, montada e remontada pelo espectador. Diria que não chega a ser uma obra-prima como afirmou o crítico que me convenceu a ir ao cinema, mas concordo com ele que pela sua linguagem e proposta quase singulares na filmografia nacional, tem lá sim seu lugar assegurado de destaque.


Confira aí o trailer do filme:



Cly Reis

sábado, 22 de maio de 2010

cotidianas #26 - O Dalvo


A boate abria às 10 mas a coisa só começava mesmo a esquentar lá pelas 11, onze e meia, como disse o Caco. Cheguei no lugar ali pelas onze e quinze e já tinha um fila grande. Sabia que o Caco ia levar umas amigas, segundo ele, "muito gatas" e tratei de caprichar no visual e dar aquele trato. Apresentações, beijinhos na fila pro ingresso - eram a Ana, a Rafaela e a Ticiane -, conversa vai, conversa vem e eu, esperando pra entrar, meio que reconheço o segurança parado logo ali na porta de entrada. Um negro atarracado, meio grisalho, porte altivo, cara ossuda e ar bondoso. Quase certo de ser quem eu imaginava que fosse, me aproximo e pergunto:
- Desculpa, mas o senhor não é o Dalvo? O Dalvo que jogou no Nacional, na Seleção?
- Eu mesmo, garoto. Como é que me reconheceu? Não é do seu tempo - fazendo esta última observação entre uma tímida risada.
- É - concordei rindo também - Não é mesmo, mas eu pesquiso, eu me interesso pelos jogadores do passado... Puxa, Dalvo, eu sou seu fã!
- Obrigado, garoto! - disse verdadeiramente satisfeito e lisonjeado.
- Meu pai sempre falava do senhor. Dizia que foi o melhor centroavante que ele viu jogar. Que cabeceava como ninguém. Era o "Cabeça-de-Nêgo" porque a cabeçada era uma verdadeira bomba.
- Tu sabe tudo, hein, garoto!
- Puxa, seu Dalvo, o senhor é uma lenda!
-Quê isso, garoto? Assim eu fico até meio sem jeito.
Nisso, a fila já chegara até a porta e uma das amigas do Caco interrompe:
- Vamos entrar, Thiago?
- Vão entrando. Eu vou daqui a pouco.
Não entrou.
Ficou horas na porta conversando com o Dalvo e depois ainda foram pra um boteco falar sobre futebol.
No final da noite, saiu com um autógrafo do Dalvo no verso do ingresso da festa.



Cly Reis 

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Coluna dEle #17


Depois de muito tempo sem dar as caras por aqui, sem mandar um post, uma coluna, um SMS que fosse, me reaparece aqui com uma cara deslavada e cheio de desculpas esfarrapadas o tal do Colunista deste espaço. Só porque é Dono do Mundo acha que é o dono do blog,  e no entanto é quese um ex-dono deste espaço. Só não rodou ainda porque tem gente que lê esse monte de bobagem que ele escreve. Mas estou, novamente, repensando a situação deste colaborador.
Enquanto eu decido o que fazer, fiquem com mais uma Coluna dEle.

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Sei, sei que tá todo mundo puto Comigo. Tô sabendo, tô sabendo.
Recebo milhões de e-mails e orações todos os dias dizendo que isso não é pai, que Eu abandonei vocês, que já sabiam que Eu não prestava e coisas do tipo. Tudo isso porque, devo admitir, o mundo está de cabeça pra baixo. É enchente, ciclone extratropical, terremoto em todo o lugar, isso sem falar naquela chaminézinha da Islândia.
Não é desculpa ou conversa fiada, galera, mas é que, aqui em cima, a gente tem um sistema todo, uma rede, sala de comando com computador central e tudo mais. É tudo informatizado. Negócio de primeiro mundo, sabe. Eu, mesmo nem sei mexer nessas coisas. Eu só dou as coordenadas e a rapaziada mais nova que entende dessas coisas de nets, internets, long-net, vai lá no computador e bota pra funcionar.
Daqui a gente comanda tudo: fases da lua, velocidade dos ventos, nível pluviométrico, temperatura. Só não temos gerência direta sobre a língua do Lula, por exemplo. Mas de resto é tudo por aqui, e salvo alguma falha de sistema, algum vírus, um apagão ou algo assim, as coisas vão mais ou menos na ordem natural.
Só que de uns tempos pra cá o pessoal notou algo estranho no sistema, e não estamos conseguindo sequer acessar a nossa própria rede.
Aí, um desses meninos da informática descobriu que tem um hacker no sistema e que ta comandando tudo de fora. Rastreamos e descobrimos que vem lá de baixo, das profundezas do Inferno. E, cara, o Coisa-Ruim tá no comando! É por isso que o mundo tá que é só tragédia. O cara foi lá na rede e modificou os níveis de movimentação de placas e deu no que deu: terremoto no Haiti. Foi lá e reativou um vulcão que tava dormindo a 200 anos: eo que deu? Caos aéreo na Europa. Mexeu em tudo! Fez até o time dele ser campeão brasileiro!!!
O pessoal da técnica aqui tentando solucionar isso tudo e transferir os comandos pra cá de novo, mas tá foda! Enquanto isso é esperar. Eu mesmo tô sem trabalhar aqui em cima. De braços cruzados. Sem o sistema, não dá pra fazer nada.
É, são os novos tempos. Como a gente ficou dependente da informática!
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E esses padrecos que comem criancinha, hein?
Putz! Me racham a cara de vergonha.
E ainda usam meu nome pra fazer essas putarias. “Somos homens do senhor”, “a palavra Dele”. Eu fora!
Acho que deram OUTRA interpretação pr’aquela passagem do “vinde a mim, ó, criancinhas”.
Não era nada disso, cambada de tarado!

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E a seleção do Dunga, hein?
Pô, Dunga, cadê os meninos da Vila?
Já li que o blogueiro concorda com a besta-quadrada deste técnico, mas a opinião desse aí não conta porque não entende nada de futebol. Essa gurizada nova que não viu seleções de 58, de '70 não sabe o que é futebol de verdade.
Ai, ai, tô vendo que eu vou ter que ajudar vocês aí, de novo.
(Não sabem o quanto foi complicado fazer aquela bola do Baggio subir tanto).

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E falando ainda de futebol, o Adriano não tem jeito mesmo.
O cara passa a vida inteira me pedindo uma oportunidade na vida, pra sair da favela, pra ser um grande jogador, ir pra seleção e blá, blá, blá. Aí Eu, burro, atendo. Faço o cidadão jogar pra cacete, boto o cara na Europa jogando em time grande e morando numa das melhores e mais sofisticadas cidades do mundo, o cara enche o cu de dinheiro e quer voltar pro Brasil pra brincar na favela. Ah, para!!! Mas até aí tudo bem. É lá com ele trocar a Inter pelo flamengo. Mas faço o cara jogar o bastante pra chegar na seleção, o cara é um dos preferidos do técnico e nas vésperas de uma Copa faz tudo isso: falta a treino, vai a baile funk, engorda como um porco, faz orgia com anão, jumento e os cambal e depois ainda quer reclamar que não foi convocado? Tá de pilha! Depois Eu que sou ruim, que não dou oportunidade, que não perdôo.
O mal é que Eu dou biscoito pra quem não tem dentes.
Esse é o mal.

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Bom, vou nessa, galera.
Espero conseguir normalizar o sistema e voltar ao comando. Enquanto isso, recomendo paciência por que a coisa vai continuar como o Diabo gosta.

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Orações, sugestões, reclamaões, palpites, preces, súlicas, promessas para
god@voxdei.gov
(pode mandar poque ainda estou conseguindo acessar o e-mail e o Belzebu não tem a senha)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Berinjela Beligerante

NOVAS AQUISIÇÕES FONOGRÁFICAS

Aproveitando os baixos preços da Argentina por conta do desvalorizado Peso, trouxe alguns CDzinhos na bagagem:
Um deles foi

MGMT - "Congratulations"

Frustrando toda minha expectativa depois do espetacular (com o perdão da redundância) "Oracular Spectacular", o MGMT vem com um som pretensioso metido a Beach Boys, a Steely Dan ou outras coisas do tipo. Deu um outro tom pro seu psicodelismo mas capturou o que havia de pior e mais chato da tendência. Tentando se desfazer muito rápido das amarras do sucesso, da exposição, dos mainstream, tentam mostrar logo no segundo disco que não são só mais uma bandinha de refrões fáceis e pegajosos. Ora, amigos, mas ninguém tinha dito que vocês eram isso! "Oracular Spectacular" havia sido brilhantemente pop, criativo, original, eclético e multi-influenciado. Claramente se notava que ali tinha hippie, gótico, punk, eletrônico, folk e não precisava de nenhuma prova de que eram músicos de verdade para serem levados a sério. Quem tinha consagrado "Time to Pretend" não havia sido o grande público, o público fácil. Foi quem enxergou em um hit qualidades de grandes e ótimas influências. No fim das contas, pela tentativa dos rapazes, "Congratulations" acaba, infelizmente, soando meio forçado e até pedante.
Mesmo assim, detaques para "It's Working" e "Brian Eno".

também trouxe de lá

Morrissey "Swords"

Já que não vinha encontrando por aqui no Rio, assim que topei com ele em um loja em Palermo, me apoderei e não larguei mais. A boa surpresa é que mesmo sendo um disco de sobras e B-sides, consegue formar um álbum e, por incrível que pareça, um álbum bastante bom. Talvez pelo descompromisso de não ter que compor uma unidade musical para um momento específico, um desejo da gravadora, um objetivo de vendas etc., "Swords" é mais ousado, por exemplo, que "Ringleader of Tormentors", "Maladjusted" e até mesmo do que o bom "Years of Refusal". Além de mais pegada, mais sonoridade, tem, de novo, um Morrissey melodioso, musical e mordaz. "Good Looking Man About Town" que abre o disco já causa boa impressção e surpreende com sua base meio oriental, indiana ou algo do tipo. "Ganglord", já destacada aqui no blog é outra das grandes do álbum com uma base sutilmente eletrônica. "Shame is the Name" é bem Moz e bem radiofônica até.Gostei muito também de"Sweetie Pie", estranha, melancólica mas interessantemente bela e "The Never-Played Symphonies", tristíssima, mas linda.
Boa aquisição.

E outro ainda que compre lá foi

Miles Davis "Tutu"

Comprei numa loja exatamente que homenageia o trumpetista, a Miles, na Rua José Luís Borges, também no bairro de Palermo. Eu tive o "Tutu" em cassete há um tempo atrás em Porto Alegre, deixei lá com meu irmão, depois consegui um piratinha e agora finalmente o tenho decentemente. Sei que não é das obras-primas deste gênio, mas particularmente gosto muito da obra. Miles Davis que virou o jazz (e a música em geral) de cabeça pra baixo umas três vezes ou quatro, acelerando, desacelerando, colocando elementos e tirando, aqui dá uma aula de como fazer um jazz vanguardista, moderno e atrevido, cheio de misturas e influências.
Destaque para a faixa-título, "Tutu", minha preferida.

sábado, 15 de maio de 2010

ARQUIVO DE VIAGEM - Comer na capital Argentina


Ao estilo criollo, jantar ao som de tango.
Viagens sempre rendem assunto e boas viagens ainda mais.
Havia escrito sobre passeios, lugares, futebol, mas tinha prometido falar de gastronomia e ficara devendo esta parte.
Amigos, pra quem gosta de churrasco, carnes na brasa, grelhados em geral, a gastronomia argentina é um achado. Eu, gaúcho, então, me fartei dos mais saborosos e suculentos pratos. A especialidade, que é imperdível, é a parrillada, algo bem próximo do nosso churrasco mas com um "formato" um pouco diferente. Tudo é feito na brasa mas são servidos cortes específicos em um prato só. Tipo um churrasco misto. A carne deles também é diferente do padrão de churrasco brasileiro, sobretudo da região sudeste (Rio-SP) que prefere cortes finos e sequinhos. Se assemelha, até por questões geográficas, ao padrão gaúcho de corte e preparo, com uma carne bem mais gordurosa, mais rústica, mais campeira. Comi a tal parrillada no bairro da Boca supondo que por ser meio que caseira, pela característica dos restaurantes dali, fosse mais autêntica e tradicional mas me enganei e a qualidade do prato ficou a desejar. Gostei muitíssimo, sim, de uma que comi no centro da cidade, que foi absolutamente espetacular e muitíssimo bem servida para uma pessoa. Mas o melhor prato, e que não foi a parrillada inteira e sim apenas um corte, foi o vacio (uma espécie de filé mignon, mas com uma capa de gordurinha de cada lado) que comemos em Palermo Soho, num simpaticíssimo restaurante chamado Estilo Criollo.

O Punta Brasas, mais chiquezinho.
Localizado na rua Serrano, próximo à movimentada praça Julio Cortazar, tem ótimo atendimento , ambiente aconchegante e uma carne fantástica. Gostamos tanto que fomos lá quase que por acaso no primeiro dia da viagem e quisemos voltar para comemorar meu aniversário; e logicamente, pedimos o mesmo prato.
Outro lugar legal pra se conhecer e comer é Palermo Hollywood, ali pertinho do Soho. Um lugar cheio de resturantes; estes já de um nível um pouco mais elevado mas, curiosa e favoravelmente, com preços não muito mais altos do que os do resto da cidade. O preço das coisas aliás é um ponto a favor. Nas atuais condições econômicas, com o Real mais valorizado que o Peso, a maioria das coisas estão muito baratas para nós brasileiros, aí o que acontece é que se come bem e se gasta pouco.

vista da janela do La Paraolaccia.
Lá fomos ao Punta Brasas, na rua Bonpland esq. com Honduras, que além do lomo de ternera que pedimos, serve uma morcilla fenomenal. Puerto Madero, uma área nova, revitalizada, mais moderna, um antigo porto à beira do rio, é uma pequena exceção a esta regra. Lá a a maior parte dos estabelecimentos é bem mais caro. Quase o dobro do preço dos outros lugares. O que não inviabiliza um jantar lá, mas aí é o preço de um restaurante bom no Brasil. Comemos lá também mas escolhemos um restaurante que não fugisse muito dos preços usuais do restante da cidade. Fomos a uma cantina com comida italiana chamada La Parolaccia que por sorte, mesmo lotada por conta do bom preço, nos deu uma mesa na janela com vista para o rio.

De resto, a cidade não tem muitos vendedores de rua, lanches rápidos ou "podrões". Até se encontra um churrasquinho que outro, um cachorro-quente, mas não é aquela coisa fácil de se tropeçar em um destes a qualquer momento. Como lanchinhos deve-se provar os empanados e croissants em qualquer café ou padaria, normalmente muito bons. Vale a pena assim como em Paris, SENTAR mesmo nestess cafés argentinos e saborear as delícias.






Cly Reis