Neste Dia Mundial do Rock, posto esta oraçãoznha para que Nosso Senhor Elvis Presley nos proteja de músicas ruins.
O texto não é meu, topei com isso na internet. Não estou me apropriando dele, simplesmente não sei a quem dar o crédito, mas tem os meus parabéns. Ficou show!
Rock nosso que estais na veia,
Muito escutado seja o vosso solo,
Assim venha a nós o riff inteiro,
Seja feito barulho a vontade,
Assim em casa como nos shows,
Musica boa de cada dia nos dai hoje.
Perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos os pagodeiros,
com aquelas músicas horríveis,
Não nos deixei cair no pagode...
E nos livrai de todo axé.
Amém
sexta-feira, 13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Lançamento do livro "Anarquia na Passarela" de Daniel Rodrigues
Acontecerá na próxima quinta-feira em Porto Alegre o lançamento do livro "Anarqui na Passarela" do meu irmão e colaborador deste blog, Daniel Rodrigues , muito aguardado por mim por mim, em especial, em primeiro lugar por ver uma realização pessoal de uma pessoa querida e muito também por já conhecer a essência do trabalho exposto no livro, uma vez que o assunto praticamente foi o tema de sua tese final para o curso de jornalismo.Trata-se de mostrar o quanto o punk, mesmo com seu caráter negativo a tudo, destrutivo, anti-moda, anti-tendência, de comportamento anti-comportamental, acabou por ter enorme influência na maneira de vestir, agir, portar-se, criar, compor a partir de seu acontecimento no final dos anos 70, e demostrar toda a influência estética que acabou exercendo na sociedade desde então.
(estou certo, Dã?)
De minha parte, já estou inclusive de passagens compradas e estarei lá para prestigiar o lançamento.
O evento acontece no dia 19 de julho, no Pinacoteca Café, na Rua da República, 409, no Centro de Porto Alegre.
Parabéns pelo livro, Daniel.
Tomara que eu consiga um autógrafo.
Cly Reis
quarta-feira, 11 de julho de 2012
“Futebol no País da Música", de Beto Xavier – Ed. Panda Books (2009)
"Uma coisa é certa: no Brasil a música brota em todas as partes, como o futebol. Basta ter uma caixa de fósforos ou uma bola de meia, que dá samba ou dá jogo."
Beto Xavier
Mais um daqueles maravilhosos presentes que ganho dos meus
irmãos. Desta vez foi minha irmã, Karine, que conhecendo-me bem, sabendo que minhas
duas grandes paixões são futebol e música, tratou de me dar, no último Natal,
um livro que une essas duas predileções, juntando-as com uma terceira que é a
leitura. Trata-se de “Futebol no País da
Música” de Beto Xavier, um gostoso passeio pela história do futebol desde
sua chegada ao Brasil com Charles Miller, sempre marcando sua relação com a
música mesmo que de maneira mínima ou sutil, como foi o caso do próprio Miller,
introdutor do esporte no Brasil, que por sua vez tinha uma esposa pianista. A
relação já começou ali.
E, convenhamos, que a idéia do autor de abordar estes dois
temas em conjunto não poderia ser mais feliz, ainda mais em se tratando de
Brasil onde os dois elementos tem uma ligação tão íntima, tão intrínseca, tão
próxima, sobretudo quando se fala em samba. Aí sim, tem tudo a ver! O gingado,
a malandragem, o dom, a malícia. Predicados típicos do brasileiro e que ele
aplica com a mesma qualidade tanto nos campos quanto nos palcos, com a bola ou
com o violão.
E nessas modalidades em comum, música e futebol, alguns
nomes não poderiam deixar de ser mencionados e aparecem com o merecido destaque
nas páginas do livro deste jornalista gaúcho, como a clássica tabelinha João
Bosco e Aldir Blanc com seus nomes sugestivos alusivos a futebol (“Linha de
Passe”, “De Frente pro Crime”, “Gol Anulado”); as inúmeras composições de Jorge Ben sobre o tema (“Ponta de Lança Africano”, “Zagueiro”, “Camisa 10 da Gávea”,
a famosa “Fio Maravilha” e mais tantas outras); ou ainda a paixão e as
freqüentes citações à bola do praticante ‘craque amador’ Chico Buarque, como “minha cabeça rolando no Maracanã” de
“Pelas Tabelas”, “tem as pernas tortas e
se chama Mané” de “Pivete”, ou ainda em “Deus me deu perna comprida e muita malícia prá correr atrás de bola e
fugir da polícia” em “Partido Alto”, e composições belíssimas como aquela
que leva, nada mais nada menos, que o nome do esporte mais amado pelos
brasileiros: “O Futebol”.
Mas tem mais. Tem muito mais que isso: tem Noel querendo
saber qual foi o resultado do futebol, tem a partida de futebol do Skank, tem o
amor de Elza e Mané, tem as camisetas de clubes dos Engenheiros do Hawaii, as
inúmeras homenagens ao rubro-negro carioca, os temas da Seleção Canarinho, os
hinos de Lamartine Babo, o canal 100, o time dos Novos Baianos , Pelé
cantando,... Ufff! Tem coisa que não acaba mais.
Muito legal, Karine. Adorei o presente. Livro que a gente lê
cantando, ou melhor, lê jogando bola. Ou talvez, joga lendo, ou... Bom, tudo
isso um pouco.
O que que eu posso falar desses irmãos? Sempre me brindando
com agradáveis surpresas.
Golaço, Kaká! Golaço!
Cly Reis
terça-feira, 10 de julho de 2012
Nirvana - "MTV Unplugged in New York" (1994)
"É melhor queimar do que desaparecer aos poucos"
trecho da carta de suicídio
deixada por Kurt Cobain,
citando trecho da música
“Hey, Hey, My, My” de Neil
Young
Um verdadeiro réquiem montado por aquele próprio que viria a
morrer. Um funeral em vida cuidadosamente preparado com castiçais, velas,
flores, lustres e palavras finais. Assim foi o acústico do Nirvana
para a MTV americana, o melhor dos especiais neste formato realizado pela emissora.
Os acústicos como ficaram conhecidas estas apresentações
exclusivas para o canal Music Television, começaram num formato bem intimista,
meio luau, com as bandas ou artistas num banquinho, com instrumentos simples,
de uso corriqueiro, algum complemento percussivo mais original ou elaborado,
mas na maioria das vezes, num clima bem aconchegante e descontraído. Com o
sucesso dos eventos, que passaram a render discos e DVD’s das apresentações, a
coisa foi mudando e ficando mais chata e pomposa: artistas levavam orquestras
inteiras, criavam versões com instrumentos rebuscadíssimos, levavam os shows
para teatros grandes, deturpavam as próprias canções, contavam com a
participação de inúmeros convidados e o acústico, aquela coisa, voz, violão,
viola, chocalhos, baterias discretas e tudo mais que fizesse soar simpático,
foi ficando pra trás.
O Nirvana, convidado a fazer o seu especial, além da
‘decoração’ já mencionada, que se por um lado poderia parecer mórbida,
inegavelmente era aconchegante e convidativa, recuperava também essa idéia de
tocar com os amigos e sentados em almofadas no chão, em banquinhos baixos,
empunhando nada mais que violões, com o baterista David Grohl na retaguarda,
trazendo uma bateria tradicional, mas sem abusar da intensidade; fazia o
acústico definitivo e o imortalizava transformando-o no álbum “MTV Unplugged in New York”, que
viria a ser o último registro oficial da banda, numa espécie de testamento
musical de Kurt Cobain, que viria a suicidar-se dali há alguns meses.
Provavelmente já de caso pensado sobre o que faria, Kurt
Cobain, tratou de dar seus últimos recados e desfilar toda a angústia que
perturbava seu coração em interpretações sentidas como em “About a Girl”, “Pennyroyal
Tea” e “Dumb”.
Canções como “Polly”, “Something in the Way” e “All
Apologies” que por sua característica original, mostravam-se propícias para uma
versão acústica, ficaram perfeitas, tendo estas duas última recebido acréscimo
de violoncelo como nas versões originais. A simpática "Jesus Doesn't
Want Me for a Sunbeam", dos Vaselines por sua vez tem um adorável
acordeão e na cover de David
Bowie, “The Man Who Sold the World”, Kurt dribla o formato acústico e põe
um pequeno amplificador para reinterpretar o clássico, numa versão talvez melhor que a original.
A propósito de covers, o trio de Seattle mandou ver em três versões de
canções dos Meat Puppets em sequência, acompanhados pelos próprios intergrantes
da banda que serviram de apoio para o Nirvana
no acústico: a ótima “Plateau” de acorde minimalista; a boa “Oh Me”; e a forte “Lake
of Fire” com grande interpretação de Kurt Cobain.
Encerrariam então com outra cover e outra grande performance
de seu vocalista, “Where Did You Sleep Last Night”, blues tradicional de
autoria de Leadbelly, que exprimia muito do que Kurt provavelmente sentia a
respeito de sua relação com Courtney Love naquele momento e por isso mesmo, a cantaria
de uma maneira absolutamente intensa, envolvida, sentida, num momento tão
emocionante que não podia deixar de ser o final do especial acústico. Um final
monumental.
A canção final.
O final de tudo...
Infelizmente poucos meses depois da gravação do especial
Kurt Cobain se suicidaria e deixaria esta lacuna no cenário do rock, tendo sido
dele seu último grande nome.
Mas se neste acústico sua intenção havia sido mostrar o
quanto seu coração e sua alma estavam consumidos com seu repertório
cuidadosamente escolhido e suas interpretações sofridas, ele pode ter certeza
que os fãs perceberam isso em cada verso, em cada expressão, em cada grito de
dor; e se mais do que isso, foi sua idéia planejar as próprias exéquias públicas,
ficaremos para sempre com a imagem do acústico como sua despedida.
Assim sendo, tudo o que resta a dizer é descanse em paz, Kurt. Descanse em paz.
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FAIXAS:
- "About a Girl" - 3:37
- "Come As You Are" - 4:13
- "Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam" (Kelly/McKee; cover dos Vaselines) - 4:37
- "The Man Who Sold The World" (cover de David Bowie) - 4:20
- "Pennyroyal Tea" - 3:40
- "Dumb" - 2:52
- "Polly" - 3:16
- "On a Plain" - 3:44
- "Something In The Way" - 4:01
- "Plateau" (Kirkwood; cover dos Meat Puppets) - 3:38
- "Oh, Me" (Kirkwood; cover dos Meat Puppets) - 3:26
- "Lake of Fire" (Kirkwood; cover dos Meat Puppets) - 2:55
- "All Apologies" - 4:23
- "Where Did You Sleep Last Night" (cover de Leadbelly) - 5:08
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Ouça:
Cly Reis
segunda-feira, 9 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Coluna dEle #26
Ôpa!
E aí, galera, tudo numa boa?
Por aqui tudo na Minha Santa Paz.
Tirando uns radicais terroristas aqui, um tremorzinho de
terra ali, acho que o Mundo tá em ordem.
(Não tá?)
E por falar em mundo em ordem, esse bando de engravatados se
reuniu aí nessa tal de Rio + 20, falaram, conversaram, jogaram conversa fora e
assinaram um papelzinho qualquer só pra não dizer que foi tudo a toa.
Ói, acho bom vocês começarem a levar
essa coisa a sério porque Eu não vou ficar segurando as broncas de vocês, hein.
Eu fiz essa coisa toda de planeta mas se vocês só avacalharem o negócio sem
cuidar um pouquinho, daqui a pouco não tem mais agüinha, arzinho, sombrinha de árvore...
Eu faço o que Eu posso mas não dá pra fazer milagre.
E essa crise na Europa, cara?
Mas não era COMUNIDADE EUROPEIA e papapá?
Cadê a união agora?
É, agora querem mais é que os aristóteles da vida, lá, se
tomem no peloponeso.
Mas isso tudo é bem feito! Teve todo aquele tempo que
roubaram da indiarada da América, da negadinha da África, agora vão passar um
pouquinho de trabalho.
Mas é só um pouquinho de
sofrimento pra vocês aprenderem.
Eu sou Pai, não sou padrasto.
Mas ainda sobre Europa, estive assistindo à tal da Euro.
É impressionante como vocês brasileiros tem muito mais ‘de
onde tirar’ e não conseguem fazer o que aqueles ‘toureiros’ fazem.
E ‘cês tão achando que os caras são craques? Que jogam muita
bola? Jogadorzinhos comunzinhos. Só que eles acertam passe de 3 metros.
Atualmente, vocês não.
Agora, Eu coloco um monte de caras aí no país de vocês que ‘gastam
a bola’, jogam pra cacete e vocês Me ficam dando balão pra frente. Aí fica
difícil.
É, às vezes Eu acho que dou
biscoito pra quem não tem dente, mesmo.
E por falar em futebol: e o Corinthians, hein.
O Jorginho aqui tá enlouquecido! O São Jorge, sabe?
Tinha feito até trabalho pra Ogum pro time dele ser campeão.
Eu disse pra ele que esse negócio de 'batuque' é bobagem. É
aquele tal negócio, se macumba desse certo o campeonato baiano terminaria empatado.
Só foi campeão porque Eu resolvi que já tava na hora. Era o
único dos grandes daí do Brasil que não tinha ganhado ainda, daí eu disse, “Tá
bom, vai lá. Vou ajudar dessa vez pros outros pararem de zoar vocês”.
Agora sim, mais do que nunca podem dizer que Eu sou Fiel.
Mas mudando de assunto, começou o inverno pra vocês aí no
Brasil, né?
Hmmm! Época boa pra tomar um chocolate-quente e ficar de
baixo do edredon, ficar só no chameguinho com a patroa.
Quê?
Vocês achavam que Eu não fazia essas coisas?
Ah, Eu também sou filho de ...
Bom...
Não sou o filho, quero dizer,...
Ah, vocês entenderam.
E a propósito de inverno, frio e tal, ainda bem que acabaram
as tais das Festas Juninas. O pessoal aqui tava animado até demais. O Pedrinho,
o João e o Tonho só queriam saber de festa todo dia. Tô com Meu carpete todo
sujo de pipoca e amendoim até agora. Isso sem falar no porre de quentão que
eles tomaram. Nossa Senhora! Quero dizer, Minha Senhora!
O coitado do Tonho que não conseguiu aproveitar muito. É bem
essa época do ano que ele trabalha mais por causa das cartinhas das solteironas.
Tem cada caso. Tem umas que mandam fotos.
Cruzes!
Meu Eu do céu!
Tem umas que nem Eu dava jeito.
Eu lembro de algumas ali que quando eu tava fazendo elas que pediram pra entrar na fila da feiúra umas três vezes.
Cruzes!
Eu que Me perdoe.
Mas por falar em mulher , tô vendo a reprise de Gabriela.
Eu vi na época que passou pela primeira vez.
Aquela outra, a Sônia Braga era boa, mas essa Juliana Paes é
uma loucura.
Às vezes Eu me impressiono com uma coisas que Eu faço.
Só pra encerrar, acabei de saber que uns cientistas aí andam
dizendo que encontraram Meus partículos.
Bom, todo dia de manhã, na hora de fazer xixi, Eu tenho primeiro
que encontrar o Todo-Poderoso porque minha barriga não deixa mais Eu ver, mas
até onde Eu sei meus patículos continuam dentro das minhas calças.
(Ou não é disso que eles estão
falando?)
Ah, é Partícula de Deus.
Ih, foi mal.
Bom, Meus filhos, vou ficando por aqui que Eu tenho um Mundo
de coisas pra resolver.
Cuidem-se e juízo.
Reclamações, pedidos, súplicas, desejos, vontades, orações
para:
quarta-feira, 4 de julho de 2012
"Sub" - Vários (1983)
"O Mundo vai acabar"
da letra de “Terceira Guerra”
do Fogo Cruzado
Vale coletânea?
Vale, ué!
Quem falou que não pode ter álbum com ias de um artista aqui nos ÁLBUNS
FUNDAMENTAIS? Já teve ao vivo, compacto, EP, por que não poderia ter coletânea?
Até porque a seleção em questão é extremamente significativa
para o seu segmento em particular. Falo do disco “Sub” , uma compilação de bandas punk nacionais do início dos anos
80, que junto com outra coletânea, “Grito Suburbano”, que podem ser consideradas
de certa forma a síntese do punk paulista, que a rigor foi o berço do movimento
no Brasil. Embora haja controvérsias quanto ao fato de Brasília ter dado início
à tendência, com certeza a região operária de São Paulo, o ABC, com suas
características de proletariado industrial, conjuntos habitacionais, até mesmo
as lutas sindicais foram decisivas para a formação mais efetiva, ativa e
característica do movimento punk brasileiro na periferia de São Paulo, como cantaria Gilberto
Gil na sua "Punk da Periferia", ao passo que em Brasília a atitude ficava por conta de uma outra
faixa social intermediária, composta por filhinhos de papai, de diplomatas ou às vezes até mesmo por filhos de
militares. Ou seja, a de São Paulo era mais autêntica, mais verdadeira, mais
sincera e honesta.
E é isso que vemos no “Sub”. Aquele grito juvenil indignado,
muitas vezes ingênuo, clamando por justiça social, por igualdade, por paz
mundial em tempos de Guerra-Fria e ameaças nucleares, denunciando a fome, o
desemprego, o racismo, o preconceito e o regime militar que àquelas alturas já
estava no final e bem mais fácil de ser contestado em plena Abertura.
As músicas? Tosquice pura! Faixas
curtas, muito barulho, limitação de recursos de gravação e absoluta falta de
qualidade técnica dos músicos. As letras por sua vez, agressivas, raivosas,
rebeldes, muitas vezes, demonstram extrema inocência até, com conceitos e
idéias um tanto pueris (“O homem ingênuo
sobe na vida
sem nada saber de sua burguesia”), e não raro, deixando transparecer a extrema pobreza gramatical dos compositores que incorriam em erros de português clamorosos ( “a noite escureceu, o dia esclareceu” ou “eu vi a barca atravessando a avenida pareciam deguladores” ). Sem falar que muitas vezes os versos ficavam quase incompreensíveis dada a rapidez da música ou da pronúncia do vocalista.
sem nada saber de sua burguesia”), e não raro, deixando transparecer a extrema pobreza gramatical dos compositores que incorriam em erros de português clamorosos ( “a noite escureceu, o dia esclareceu” ou “eu vi a barca atravessando a avenida pareciam deguladores” ). Sem falar que muitas vezes os versos ficavam quase incompreensíveis dada a rapidez da música ou da pronúncia do vocalista.
A coletânea conta com quatro bandas: dois dos nomes mais
importantes da cena punk brasileira, Cólera e Ratos de Porão, nessa época ainda
sem o emblemático João Gordo, e os outros dois menos conhecidos do grande
público, Fogo Cruzado e o Psykóze, que não ficam devendo em nada aos
consagrados e por vezes roubam a cena com músicas até mais interessantes e mais
bem elaboradas.
Destaques para “Vida Ruim” dos Ratos de Porão; do Cólera
“Quanto Vale a Liberdade?” vale a indicação, e a que leva o ‘doloroso’ título
“X.O.T.”, abreviação absurda de “Xantagem Ocasional Tramada” mesmo com seu erro
grotesco de português; “Terceira Guerra Mundial” e “Buracos Suburbanos” são as
melhores do Psykóze na minha opinião; e do Fogo Cruzado, os meus preferidos da
coletânea, destaco “Delinqüentes”, “Inimizade” e “Terceira Guerra” com sua
‘bombinha’ caindo no final pra destruir tudo e finalizar o disco.
Lembro que o meu primo Lucio Agacê me
apresentou isso empolgado na época que estava descobrindo essas coisas, o punk
rock, o hardcore. Me mostrou brasileiros como o Vírus 27, o Olho Seco o
Hysteria Oi, estrangeiros como o Exploited, Kennedy's
, G.B.H. mas não curti muito de início. Estava mais voltado pro som dark
dos anos 80 e não dei muita atenção. Fui dar valor mesmo
anos depois quando entendi que na verdade, punk, pós-punk, gótico, era tudo uma
continuidade e muito do que eu ouvia era resultado do que os punks haviam
desenvolvido. Aí saí à cata de coisas que eu não havia dado a devida atenção em
outro momento e numa dessas topei com o “Sub”
por aí e não tive nem dúvida: tinha que ser meu.
Entre tantas outras contribuições musicais na minha vida e
nossas colaborações na época da nossa banda, devo ao Lucio essa iniciação ao
som punk. Sem ele não teria conhecido esse universo e neste caso específico, o
“Sub”, bola da vez aqui nos ÁLBUNS
FUNDAMENTAIS.
Valeu por mais essa, Lucio!
**********************************
FAIXAS:
- "Parasita" (Ratos de Porão) - 01:11
- "Vida Ruim" (Ratos de Porão) - 01:32
- "Poluição Atômica" (Ratos de Porão) - 01:08
- "X.O.T." (Cólera) - 01:38
- "Bloqueio Mental" (Cólera) - 01:36
- "Quanto Vale a Liberdade?" (Cólera) - 02:18
- "Terceira Guerra Mundial" (Psykóze) - 01:42
- "Buracos Suburbanos" (Psykóze) - 01:33
- "Fim do Mundo" (Psykóze) - 00:55
- "Desemprego" (Fogo Cruzado) - 01:49
- "União entre Punks do Brasil" (Fogo Cruzado) - 01:23
- "Delinqüentes" (Fogo Cruzado) - 01:09
- "Não Podemos Falar" (Ratos de Porão) - 00:51
- "Realidades da Guerra" (Ratos de Porão) - 00:50
- "Porquê?" (Ratos de Porão) - 01:04
- "Histeria" (Cólera) - 01:11
- "Zero Zero" (Cólera) - 01:27
- "Sub-Ratos" (Cólera) - 01:13
- "Vítimas da Guerra" (Psykóze) - 00:54
- "Alienação do Homem" (Psykóze) - 00:53
- "Desilusão" (Psykóze) - 01:02
- "Inimizade" (Fogo Cruzado) - 01:17
- "Punk Inglês" (Fogo Cruzado) - 01:45
- "Terceira Guerra" (Fogo Cruzado) - 01:38
************************************************
Ouça:
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
"Histórias Coloradas - Os mais interessantes relatos da alma colorada" por Aleco Mendes e Flávio Schlottfeldt, Ed.: Nova Prova
Não li imediatamente até porque a fila de coisas pra ler é
sempre enorme e tinha muita coisa boa na frente esperando a vez, mas como às
vezes é legal mudar o formato de leitura, variar entre romances, crônicas,
contos, quadrinhos, etc., passei este na frente de alguns.
Em época de tempo escasso para leitura por conta da correria
diária, aproveitei um pequeno período que estava sem carro que estava no
conserto, e tinha que ir de ônibus para o trabalho, pois ai teria mais ou menos
1 hora de trajeto para me dedicar àleitura do presente do meu irmão.
Muito bem...
Que vergonha tu me fizeste passar, Daniel!
Não tinha dia que eu não me pegasse chorando no ônibus.
Que belo presente tu me arranjas!
Não fossem os óculos escuros seria pior, mas mesmo assim a
fungação às vezes me entregava.
Tinha que parar a leitura de vez em quando para me
recuperar. Me recompor e depois, dependendo do próximo relato, talvez,
conseguir continuar lendo.
Da próxima vez manda uma caixinha de lenços de papel junto,
tá?
Mas brincadeiras à parte, trata-se de um livro gostosíssimo
para um torcedor colorado. Leitura agradabilíssima com histórias contadas por
jogadores, dirigentes, personalidades da mídia e torcedores comuns demonstrando
toda a paixão pelo clube em momentos tristes, alegres, ternos, curiosos ou
engraçados de momentos do clube ou de hitórias pessoais no qual o Inter estava
presente de alguma forma.
Soube depois que existem mais duas edições do “Histórias
Coloradas. Se topar com elas aqui no Rio, com certeza eu os terei.
Independente dos meus vexames diários nos ônibus, muito
obrigado pelo presente, Daniel.
Adorei!
Cly Reis
quinta-feira, 28 de junho de 2012
cotidianas #167 - A Nobre Arte
Annie, Annie, eu não vou te decepcionar. Eu não vou.
Ai, como dói minha cabeça.
Eu não vou te decepcionar, Annie.
Eu ainda sou bom. Eu sei que sou.
Não sou mais tão rápido, minhas pernas pesam.
E essa gente toda, eles acreditam que eu posso.
Apostaram em mim.
Eu preciso desse dinheiro.
Minha cabeça dói.
Mal consigo enxergar.
Eu acho que eu não agüento mais.
Desculpa, Annie.
Já não sou mais o mesmo.
Eu era bom. Eu fui dos melhores.
(Já não sou mais um garoto)
“Se movimenta, se
movimenta. Não fica no mesmo lugar que fica fácil pra ele. E levanta essa guarda...”
O que?
Que que esse cara tá falando? Ah,... o treinador.
O gongo.
Não me deixa, Annie. Não me deixa.
Mas o cara é mais jovem. Tem tanto pela frente. E eu...
“Vai lá, vai lá. Acaba com ele, campeão."
Cuspo no balde.
Levanto.
Se eu ganhar essa tudo vai voltar a ser como antes. Tudo vai
ficar bem.
Eu sou o campeão. Eu sou o campeão.
Mais um round.
Cly Reis
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Siouxsie and the Banshees - "Juju" (1981)
" 'Juju' foi a primeira vez que tínhamos feito,
por assim dizer,
'um álbum conceitual'.
Um disco que se baseou
em elementos mais escuros."
Steven Severin
Gosto muito deste disco por ser ele um trabalho de
transição. A passagem definitiva daquele grupo caracteristicamente punk do
final dos anos 70, para uma linha mais gótica de estilo sombrio, de atmosferas
obscuras, bem típico daquele início dos anos 80.
“Juju” de 1981, tem um pouco dos dois: o peso do punk rock e
o clima do darkismo oitentista. Conheci o disco por intermédio da minha amiga
Tânia Becker que gravou um fita cassete pra mim com o álbum na época que eu era
duro demais pra comprar os LP’s. Como naquela época eu não conhecia este trabalho
especificamente da discografia d banda, fiquei um tanto surpreso exatamente
com isso que chamei atenção: como aquele disco era pesado, como era guitarrado,
distorcido, e no entanto era completamente Siouxsie and the Banshees. Grande parte dessa
‘barulheira’ se deve é claro à guitarra marcante de John McGoech (ex-Magazine)
que, se nunca foi um grande guitarrista (e não foi) sempre foi competente e
inegavelmente tinha seu traço instrumental pessoal muito marcante com suas
guitarras rascantes e supersonicas. Em “Juju” a banda ganhava outro acréscimo
de qualidade que era toda qualidade e a técnica do baterista Budgie, que havia na
verdade entrado no álbum anterior, “Kaleidoscope”, mas talvez por causa do
direcionamento bastante eletrônico daquele álbum, não tivesse podido tirar o
melhor de si, o que começaria, efetivamente, a acontecer em “Juju” e só
melhoraria dali para a frente. Steven Severin não precisa nem falar: é de uma
precisão e segurança impressionantes. Um relógio; e a Rainha das Trevas hipnotiza com seu
vocal enfeitiçante, sedutor e assustador por vezes, indo da loucura à magia, do desespero ao transe em
questão de segundos.
Canções como a vibrante “Spellbound” que abre o disco; a
frenética “Haloween” e a distorcidíssima e “Monitor” com sua guitarra
incontrolável, não negam que a veia punk continua lá firme; por outro lado a
arrastada “Night Shift” e sobremaneira a macabra “Voodoo Dolly”, um show à
parte de Sioux, não desmentem o caminho soturno que a banda seguiria mais
enfaticamente a partir de então.
“Arabian Nights” de baixo bem desenhado e percussão
marcante; “Into the Light” de estrutura toda quebrada; “Head Cut” com destaque
novamente para a guitarra de McGoech; e a crescente “Sin in My Heart”, ficam
num meio termo entre a sutileza e a brutalidade, entre as trevas e a luz, entre
o agressivo e o belo, e igualmente merecem menção com entusiasmo.
Fiz uma pequena enquete entre amigos que como eu curtem
Siouxsie and the Banshees, não exatamente para decidir que álbum destacaria
aqui na seção, mas mais para ter uma noção do preferido dos fãs. De um modo
geral, manifestou-se uma certa preferência pelo “Hyaena” de 1984, o que me
surpreendeu um pouco, considerando que é um disco que, por certo, aprecio
bastante mas que não destacaria a tal ponto. Embora seja uma discografia
difícil de destacar qualquer álbum dada a regularidade dos trabalhos da banda,
na verdade já estava decidido que para mim “Juju” seria o
ÁLBUM FUNDAMENTAL da
vez.
Mas nada impede que o “Hyaena” ou qualquer outro apareça por aqui uma hora dessas.
***********************************
FAIXAS:
- "Spellbound"
- "Into the Light"
- "Arabian Knights"
- "Halloween"
- "Monitor"
- "Night Shift"
- "Sin in My Heart"
- "Head Cut"
- "Voodoo Dolly"
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Ouça:
por Cly Reis
para Tânia Becker
para Tânia Becker
segunda-feira, 25 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
cotidianas #166 - "Noite de São João"
"Festa de São João" - Portinari, Cândido
(óleo sobre tela) 1958
|
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata
Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Toda noite de São João
A quermesse era um festão
Bandeirinhas no arame
De papel celofane
Pau de sebo e de fita
Era noite de São João
E depois de comer pinhão
Vinha pé-de-moleque
Puxa-puxa e um pileque
De caninha ou de quentão
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
Era noite de São João
Cordeona com violão
Esquentavam as moça
E eu nesse bate-coxa
Não podia me segurar
Toda noite de São João
Eu voava que nem balão
Namorava as estrelas
Que são primas terceiras
E afilhadas de São João
Soltando foguete (tchê)
Pulando fogueira (há)
Era noite de São João
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letra de "Noite de São João"
(Kleiton e Kledir)
Ouça:
Kleiton e Kledir - "Noite de São João"
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Lou Reed - "Transformer" (1972)
“Mas se essas calçadas [de Nova Iorque] parecerem um pouco
mais familiares agora, é porque Lou mostrou-nos tudo ao redor delas há muito
tempo atrás, dando rostos humanos a todos os habitantes das trevas.”
Michael
Hill,
jornalista,
jornalista,
no texto do encarte da
reedição de 30 anos do álbum
“Transformer” é
de certa forma um álbum escuro, um álbum sombrio, que mostra o lado B do mundo,
das pessoas , das ruas. As drogas, a prostituição, as perversões, a solidão, de
certo modo permeiam todo o desenvolvimento desta obra do ex-Velvet Underground, Lou Reed. Produzido por David Bowie e por Mick Ronson, “Transfromer”, de 1972, é um
dos exemplares mais significativos das constantes contribuições entre Bowie e
outros artistas, sobremaneira, das que se seguiriam, na chamada ‘fase
berlinense’, com Brian Eno e Iggy Pop.
A clássica “Walk on the WildSide” com seu baixo insinuante,
seu clima cool e seu charmoso
trumpete, exprime perfeitamente todo esse universo com putas de esquina,
cafetões agressivos, garotos vendendo drogas e mentes desajustadas. Outras complementam
o conceito underground como a ótima e um tanto sadomasoquista, “Vicious” de
fraseado marcante de guitarra; a embalada e gostosa “Hangin’ Round”, uma trilha
para vidas confusas; e a transformação de uma garota para a ‘noite de trabalho’
em “Make Up”.
Na teatral “New York Telephone Conversation”, Reed
praticamente recita a letra sob um acompanhamento de piano numa exposição sobre
a cidade e seus habitantes como um todo; a adorável “Satellite of Love” é um
pouco mais iluminada com seu belo coro feminino do final; “Wagon Wheel” é o
típico rock loureediano, básico e objetivo ao passo que “I’m So Free” tem a
cara do produtor, Bowie; “Goonight Ladies” com sua tuba engraçada é um perfeita
despedida para aquelas damas da noite que Reed refere-se o tempo inteiro e um
final perfeito para o disco, no fim das contas.
Mas em contraste com toda o clima pesado do temas, do disco,
dos tipos, das vidas, das amarguras, minha principal lembrança deste disco
sempre remete a um dia de sol em que estava em
Veneza e entrei em uma loja de
vidros de Murano e a atendente, uma bela jovem loura, ouvia música em um pequeno
discman. Logo percebi que era Lou Reed mas por um momento não identifiquei a
música, até que me veio. Próximo ao balcão como estava, comentei simplesmente,
“’Perfect Day’...”, ao que a balconista sorriu e respondeu em inglês “É, você
gosta?”. “Adoro”, respondi. É do álbum...” - interrompi tentando sinceramente
buscar na memória a informação que naquele momento me falhava - “...’Transformer’”, completei lembrando
finalmente, ao que ela confirmou novamente em inglês “yeah!”, seguido por outro
gracioso sorriso.
Não continuei nenhuma conversa, acho que não quis
sacrificá-la com meu inglês sofrível e sequer me aventurei no italiano.
Compramos algumas coisas, saímos do loja e nos metemos afora pelas vielas de
Veneza novamente. Era um belo dia de sol, um
belo dia para se andar em
Veneza .
Um dia perfeito.
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FAIXAS:
2- Andy's Chest
3- Perfect Day
4- Hangin' 'Round
5- Walk on the Wild Side
6- Make Up
7- Satellite of Love
8- Wagon Wheel
9- New York Telephone Conversation
10- I'm So Free
11- Goodnight Ladies
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Ouça:
terça-feira, 19 de junho de 2012
cotidianas #165 - "Disneylândia"
Filho de imigrantes russos casado na ArgentinaCom uma pintora judia,
Casou-se pela segunda vez
Com uma princesa africana no México
Música hindú contrabandiada por ciganos poloneses faz sucesso
No interior da Bolívia zebras africanas
E cangurus australianos no zoológico de Londres.
Múmias egípcias e artefatos íncas no museu de Nova York
Lanternas japonesas e chicletes americanos
Nos bazares coreanos de São Paulo.
Imagens de um vulcão nas Filipinas
Passam na rede dc televisão em Moçambique
Armênios naturalizados no Chile
Procuram familiares na Etiópia,
Casas pré-fabricadas canadenses
Feitas com madeira colombiana
Multinacionais japonesas
Instalam empresas em Hong-Kong
E produzem com matéria prima brasileira
Para competir no mercado americano
Literatura grega adaptada
Para crianças chinesas da comunidade européia.
Relógios suiços falsificados no Paraguay
Vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.
Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe
Na baixada fluminense
Filmes italianos dublados em inglês
Com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia
Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné
Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.
Pizza italiana alimenta italianos na Itália
Crianças iraquianas fugidas da guerra
Não obtém visto no consulado americano do Egito
Para entrarem na Disneylândia
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letra da música "Disneylândia"
(Titãs)
Ouça:
Titãs Disneylândia
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