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sábado, 24 de setembro de 2011

Exposição 'Queremos Miles!' - CCBB- Rio de Janeiro (18/09/2011)











capa de "Tutu",  álbum da
popularização definitivada obra de Miles
Aproveitando bem minha estada no Rio, pude conferir no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), em companhia de meu irmão e editor deste blog, a ótima exposição “Queremos Miles”, sobre a vida e obra do músico de jazz norte-americano Miles Davis (1926-1991). A mostra, que vai somente até 28 de setembro, recupera (quase) toda a biografia do talvez maior gênio do jazz mundial em todos os tempos, um verdadeiro escultor de sons e revolucionário da música do século XX ao lado de alguns outros poucos como Stockhausen, Tom JobimStravinsky Beatles.
Miles ainda menino
Organizada pela Cité de la Musique de Paris, a exposição – cujo título em português, embora a tradução literal, perde em significado, uma vez que o original, “We Want Miles”, faz menção também ao nome de um disco de Miles Davis –, resgata de forma cronológica a biografia deste influente artista que, disco após disco, antecipava e inventava novas tendências, novos estilos, revolucionando a arte moderna e influenciado gerações. O recorte pega desde o seu nascimento, na sulista de St. Louis, trazendo fotos dele quando pequeno com sua família, até o período final de sua carreira, demarcado por sua última obra-prima dentre as várias que produziu em quase 50 anos de vida artística: o álbum “Tutu”, de 1986, marco da criação do hoje popularizado jazz lounge. Da fase inicial, estão o encontro com Charlie Parker e Dizzie Gillespie, o “nascimento do cool”, em 1948, e os admiráveis títulos pelo selo Prestige nos anos 50, para o qual gravou seis obras-primas com o quinteto que incluía nomes como John Coltrane, Red Garland e Sonny Rollins.
Os instrumentos da banda dos anos 70
Multimeios, a abrangente mostra contém um rico acervo de aproximadamente 300 itens entre fotografias raras, capas de LP's, vídeos de apresentações em TV e shows, roupas e vários instrumentos utilizados por ele e por suas célebres bandas, além de partituras, documentos de registro de gravações em estúdio, quadros (belíssimos!) pintados pelo próprio Miles e até o manuscrito original do texto do pianista Bill Evans da contracapa do clássico álbum “Kind of Blue”, de 1959, o disco de jazz mais vendido da história e considerado por muitos insuperável no gênero. E, claro, muita música! Em cada canto, em cada ilha que se entrava pode-se escutar algumas das maravilhas de Miles. Às vezes, nem percebia que me apressava em ver determinada coisa, atraído pelo som de uma “All Blues”, “Pharaoh's Dance” ou “Nuit sur les Champs-Élysées“.
Painel com o estilo Miles dos anos 80
A personalidade camaleônica de Miles Davis, que nunca teve medo de mudar e progredir ao longo dos anos fica evidente, principalmente no aspecto visual: os finíssimos trajes bem cortados que vestia nos anos 40 e 50, transformariam-se, nos 60 e 70, na estética psicodélica da juventude. Igualmente, a bem elaborada curadoria de Vincent Bessières soube destacar muito bem os pontos impostantes da obra de Miles, como a fascinante trilha sonora do filme “Ascensor para o Cadafalso”, de 1957, a parceria com o pianista e maestro Gil Evans, que gerou os históricos “Miles Ahead” e “Porgy and Bess” (1957 e 59, respectivamente), ou as salas especiais dos discos clássicos: "Kind of Blue", sobre o qual comentei aqui neste blog tempo atrás; “In a Silent Way” e “Bitches Brew”, ambos de 1969 e marcos do jazz fusion; "A Tribute to Jack Johnson" (1971), a memorável trilha para o documentário sobre o boxeador a quem Miles tanto admirava; e “On the Corner”, de 1972, quando Miles introduziu de vez o som do funk que vinha dos guetos americanos em sua música.
A única falha, por assim dizer, é a não inclusão do seu último disco, o póstumo “Doo-Bop”, de 1991. Sei que os puristas torcem a cara para este trabalho por sua mistura de hip-hop com jazz, o que aparentemente motivou a organização da mostra a não referi-lo – evidenciando a menor importância a que geralmente lhe atribuem. Eu, particularmente, gosto bastante deste disco não só por sua qualidade musical como por sua importância dentro da música pop diante do que se faria a partir de então no mundo do entretenimento. Quando os norte-americanos do Us3 surgiram com aquele seu jazz-rap em 1993, embora tenha gostado da banda, não segui o estardalhaço em torno do grupo como sendo algo revolucionário justamente por já ter escutado tudo aquilo em “Doo-Bop”. A justificativa dos críticos é a de que os produtores que finalizaram “Doo-Bop” o teriam feito sem a qualidade que Miles imprimiria se estivesse vivo. Sinceramente, acredito que, se o músico tivesse morrido depois da feitura do álbum, o conteúdo seria praticamente o mesmo e muitos dos detratores certamente o louvariam hoje (talvez até mais do que o disco merecesse). Preconceito ou não, falta de critério ou não, o fato é que, até por seu caráter póstumo, considero este momento importante na biografia do artista, por isso a falta dentro da exposição. Mas, entre tantos acertos que “Queremos Miles” traz, isso é o de menos. Mais fácil eu pegar meu “Doo-Bop” e me deliciar sozinho em casa.

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Queremos Miles
Até 28 de Setembro
Local: Térreo e 1º andar | CCBB RJ
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Philip Glass e Tim Fain- Teatro Municipal - Rio de Janeiro (15/09/2011)




Terminou no último dia 19 a série de recitais para piano e violino que o maestro e compositor norte-americano Philip Glass fez no Brasil neste mês de setembro nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. Na companhia de minha mãe – que até pouco tempo não o conhecia, mas é uma boa curiosa –, pude conferir a apresentação carioca, em pleno Teatro Municipal. Um luxo e um prazer a todos que puderam admirar um pouco da vasta e incomparável obra deste que é um dos maiores gênios vivos da música moderna, uma alma revolucionária e transformadora.
O fato de se restringir a apenas dois instrumentos não tirou a graça em nenhum momento da apresentação. Muito pelo contrário. Acostumado a compor para grandes orquestras ou mesmo conjuntos de câmara, Glass, inventivo compositor e exímio pianista, é também autor de magníficas obras solo, e foi este o recheio do que pôde ser apreciado pelo público. Estavam lá, só em piano e/ou violino, suas marcas: os acordes repetidos, as estruturas minimalistas, as melodias circulares, as variações tonais escritas com perfeição. A música de Glass flerta com o rock, com a música eletrônica, com a simplicidade saudável do pop, mas sempre com o pé firme no clássico. Ou seja: uma música completa para os nossos tempos. Para que outros instrumentos, né?
Com repertório todo de sua autoria, ele e o violinista norte-americano Tim Fain presentearam, em pouco mais de uma hora e meia, a numerosa plateia com dez números, começando pela inédita e “Três Estudos para Piano”, cujo primeiro movimento é simplesmente espetacular. Seguiu-se a longa e variante “Partita para violino solo”, escrita por Glass especialmente para as mãos hábeis e de pura sensibilidade de Fain. Depois do intervalo, vieram “Metamorphosis”, para piano, e a brilhante “Music from The Screens”, para piano e violino. A primeira parte, “The Orchard”, toda em contraponto, remete direto às fugas de Bach, porém com cores que modernizam o barroco. “France” e “The French Lieutenant” completaram esta que foi das mais aplaudidas da noite.
Glass e seu piano magistral
A seguir, ouviu-se “Pendulum”, também para piano e violino, em que o músico parece ter criado uma trilha poética para o conto de Poe: um pêndulo que se sucede em movimentos contínuos, de um lado para o outro, em sons com intervalos regulares, trazendo novamente a sensação de espiral característica de sua maneira de compor.
Show terminado, minutos de aplausos. Mas viria mais. No bis, Glass anunciou em português (aliás, como fizera sempre que falava ao microfone, lendo ou não) duas de suas obras-primas: “Opening/Closing”, da célebre série das “Glassworks”, gravadas por ele em 1981. Fui com grande expectativa para que tocasse essa. E ele tocou. Uma peça onde lirismo romântico e modernismo estão incrivelmente bem casados. Depois desta, podia até ir embora que já me dava por satisfeito. Mas aí Fain sacou seu violino e mandou ver a hipnótica e cáustica “Knee 4”, da “ópera-punk” "Einstein on the Beach" um dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS deste blog. Mesmo sem as vozes do coral, e tocando apenas uma parte da original, o violinista finalizou o recital em alto estilo com esta peça de difícil execução e requerente de muita técnica e velocidade.
Agora não precisava mais nada. Piano, violino e a magistral música de Philip Glass, além da beleza redentora do Municipal e a calorosa companhia de minha mãe. Noite de gala.



cotidianas #105 - "Só Tetele"



Tetele
Fon
Nei
Práticon
Tar que se
Tua ore
Lhatapegandofo
Go
Eu
Pen
Sando
Envo
Se...

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música "Só Tetele"
Os Mulheres Negras

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os Causo de Dois Morro - Roque in Dois Morro



Tá se falando muito desse ter de Rock in Rio mas, é que esse pessoar de hoje tem memória curta e não se alembra que o maior evento desses que já teve foi o Roque em Dois Morro. Aquilo sim é que foi festivar!
Foi-se no sítio do compadre Jesuíno. Ele emprestô uma parte da pastage prumas gurizada dessas que gostava dessas música barulhenta fazê lá os tar de show.
As gente da cidade de começo fêiz poco caso da festança porque o negócio deles mesmo era fandangada, mas aos poco fôro se costumando co’a ideia, fôro ficando curioso e no fim das conta quando foi de tê os espetáclo, tava todo a indiada e todo o chinaredo lá. Foi cousa linda de se vê. Devia tê, só no pátio do compadre Jesuíno, uns vinte milhão de pessoa. Gente até adonde as vista arcançava. Isso sem sem fala nos bicho. O que tinha de besta, viado, vaca e galinha era uma grandeza. Os da fazenda do seu Jesuíno, é craro!
Se presentaro no festivar uns pessoarzinho meio esquisito, uns estrangero lá das estranja dos Iuésssei, uns gringo que falavo enrolado e podio até tá chingando nóis, mas como nóis num entendia nada, só dancemo e pulemo.
Tinha uns lá que era os Metálico, que ero o pessoar que trabalhava na siderúrgica e que resorvero montá um grupo, mas era um troço mui barulhento; tinha a Neide GaGa  que era uma véia que levava esse pelido porcausdeque já tava  tão esclerosada que já tava té usando umas rôpa mutcho da esquisita ; tinha os Hot Dog Xis e Pepsi que era a turma lancheria da esquina que se ajuntou também pra fazer um som; o Feijans‘n Arrozes que era o pessoar que fazia as colheta dos grão;  o Barrão Vermelho que era o pessoar da plantação de beterraba; uma tar de Carla Leitte que trabaiava nas ordenha; a Ri-Ana que nas verdade só se achamava-se Ana, mas como que ria mutcho, o pessoar começô a chma´ela assim; tinha tamém o Ramiro Cai, um rapaz que tava sempre tomando uns tombo, e mais um bocado de gente. Mutcha gente boa.
Sei que o festivar foi um sucesso. Mutcho, secsso, mutcha droga e mutcho roquenrrou! Depois um empresário quis fazê ôtro lá e pediu de novo o sítio do compadre, mas o véio Jesuíno não ia querê aquela rapaziada fazendo senvergonhice e usando tóchico na fazenda dele de novo. Aí acabô que não teve ôtro festivar. Só sei que o empresariador esse, levô o evento pra cidade do Rio de Janêro e virô o tar de Rock in Rio, mas que não chega nem perto do de Dois Morro.
Antes já tinho tentado fazê um ôtro mas um mar-entendido acabô por impossibilitá o evento: foi que um empresariante interessado chegou pro dono da venda, o seu Valério, que tava disposto a botá dinheiro, e falô pra ele bem assim: “a gente podia fazer um festival de rock, podia fazer aqui o Woodstock”, aí o seu Valério, o comerciante respondeu, “o do estoque acabou. Não vai dá pra fazê” e o moço que queria fazer o festivar, desistiu, fêiz em ôtro lugar. Acho que foi lá pras banda dos Estadozunido.
Pra vê como são as coisa...
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Tem uma ôtra versão que diz que na verdade o Roque em Dois Morro foi um dia que o Roque Santêro, o Roque Júnior, o Roque SantaCruz e o Roque do pograma Sílvio Santos visitaro a cidade. Mas vai se sabê. É difícer acreditá em tudo o que esse pessoar fala por aí.

postado por Chico Lorotta

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Exposição "I'm A Cliché" - CCBB - Rio de Janeiro (18/09/2011)





Estive ontem, finalmente, na exposição "I'm a Cliché - Ecos da Estética do Punk" no CCBB, aqui no Rio, um retrato da estética do punk, na companhia do meu irmão, colaborador, jornalista e blogueiro, Daniel Rodrigues, que é tão amarradão no assunto quanto eu.
Muito legal a exposição!
Melhor do que eu imaginava.
da série "Rimbaud em
Nova York"
Destaque principalmente para os trabalhos dos fotógrafos Bruce Conner e David Wojnarowicz que me impressionaram muito positivamente, especialmente este último com a série "Rimbaud em Nova York".
No restante, muito legais os espaços do Velvet Underground com projeções de pequenos filmes do padrinho Andy Wahrol e a sala dos Sex Pistols com toda aquela identidade visual inconfundível dos puplilos de Malcolm McLaren.
entrada da exposição:
passeando entre LP's
Bacana também a entrada da exposição com um pórtico por onde se passa e se vê, ali, nas paredes capas de discos marcantes do movimento, enquanto os alto falantes tocam exemplares clássicos de punk-rock como Kennedy's, Television, New York Dolls e outros. Enquanto instalação de exposição, era até meio tosca pra falar a verdade, mas é sempre um barato passear entre as capas dos discos que nos marcaram e empolgam ao som daquela trilha sonora.
Entre Sid e Johnny
na sala dos Pistols
Punks, roqueiros e simpatizantes, apressem-se. A exposição só fica até 02 de outubro.

sábado, 17 de setembro de 2011

cotidianas #104 - O Barroso


Éramos os renegados.
Éramos aqueles que não serviam para os melhores times do bairro ou do colégio, então resolvemos nos juntarmos e fazermos nosso próprio time. De início sem uniforme mesmo. Sem nome. Somente um bando de desprezados juntos. Éramos aqueles com pouca habilidade, pouco trato, dribles parcos e criatividade mínima. Embora dotados de muito interesse e muita paixão pela bola, não havíamos sido contemplados com a benção de seu manejo. Eu um avante tosco; o Cabelo um zagueiro baixo e porra-louca; o Alembér que tinha um bom chute mas não muito mais que isso; o Carlos Henrique rápido mas sem cérebro; o Éderson, um pouco mais habilidoso mas insuficiente; e aí por diante.
Deve-se, contudo, fazer justiça ao nosso goleiro, o Tairone, frequentemente solicitado e pretendido pelos melhores times do bairro e para os torneios mais importantes. Havia treinado no Inter até, mas embora não fosse exatamente baixo, sua estatura mediana não favorecia a pretensões profissionais. Assim, ficava atendendo a diversos timezinhos pelas redondezas. Mas apesar de tanto prestígio e procura, colocando como critério maior a amizade, a camaradagem, a curtição, o Tairone seguia conosco; ao lado dos perdedores. E nosso time começava com ele, que invariavelmente evitava vexames maiores contra o time do Leléco, para o qual sempre perdíamos. O Leléco jogava nas categorias de base do Internacional mas volta e meia, quando não tinha compromisso com o clube, se prestava a juntar-se ao pessoal da Saldanha da Gama para nos humilhar. Os demais não eram lá tudo isso: tinha o Ronaldo que era goleador, o Mad que achava que jogava mais do que realmente jogava e tinha esse apelido por ser a cara do Alfred Newmann da revista MAD; tinha o Testa que até jogava bola mas que sempre queria dar um lençol em qualquer jogada, e alguns outros certamente mais hábeis que nós, mas que sem o ‘craque’ semiprofissional, o Leléco, até seriam possivelmente batíveis.
Mas todo domingo de manhã quando nos encontrávamos no campinho do colégio Caldas Júnior, onde passávamos por um buraco na cerca para jogar, embora enchêssemos-nos de expectativa de que daquela vez o Leléco estaria doente, viajando com a delegação dos juniores do Inter, indisposto, ou qualquer coisa assim, e seria então desta vez mais fácil vencê-los, lá vinha ele com seu andar de boleiro, meio de lado, insolente. Resultado: mais uma goleada. Estávamos convencidos que só um alguma coisa fora do comum, uma nevasca, um furacão, um fenômeno natural poderia nos fazer ganhar a primeira.
Então que numa daquelas manhãs de jogo, no inverno gaúcho, chegamos a ficar em dúvida se deveríamos ou não comparecer ao nosso compromisso dominical, tal era a intensidade da chuva e o frio que fazia. Domingo 8h da manhã, sair de baixo do cobertor pra levar outro ‘arrodião’? A resposta foi 'sim'! A fome falava mais alto.
Chegamos no campinho de terra do colégio e além do frio que era maior do que imaginávamos, as gotas de chuva batiam na pele como pedras, grossas e geladas, mas já que estávamos ali, o melhor que se podia fazer àquelas alturas era rolar o caroço pra se esquentar. As condições adversas nos davam a esperança que alguns deles tivessem desanimado e preferido ficar debaixo dos cobertores e chegassem bem desfalcados, mas para nossa decepção, assim como nós, não tinham resistido ao chamado da bola e todos, inclusive o Leléco, tinham tomado coragem e resolvido ir jogar bola naquele domingo tempestuoso.
Mas naquele dia não adiantou Leléco nem telecotéco. Parecia que a chuva derramava-se sobre nós como uma espécie de mágica e naquela lama toda, era como se nos transformávamos em gigantes. Não chagava a fazer o milagre de nos fazer jogar como Zicos, Sócrates ou Falcões mas nos imbuía de uma coragem e uma raça que até então não conhecíamos em nós mesmos e que surpreendia até o adversário deixando-os um tanto atônitos.
Assim, de forma surpreendente e heroica os gols foram se sucedendo: de cabeça, de falta, com a bola parando na poça, com falha do goleiro, um gol meu de carrinho no lamaçal da pequena área, um dos Henrique driblando meio time, e por fim, um golaço do Alembér do meio da rua, no ângulo. 7x4! Tínhamos vencido! Tínhamos vencido!
A nossa vitória fora tão impressionante pela entrega, pela luta, que o Testa, um dos bons do time deles, provavelmente impressionado pela força coletiva, a partir daquele dia preferiu os mais fracos porém mais apaixonados, do que aquele outro bando de futeboleiros pedantes. O Leléco ainda saiu de campo nos tentando nos zombar, “ganharam uma, hein!”, mas não estávamos nem aí. Sabíamos que a partir daquele momento éramos um time.
Naquela época rolava uma propagando do Conhaque Dreher que duvidava que um jóquei conseguisse ganhar com um cavalo pangaré. O cara olhava para o cavalo e dizia pro jóquei, “quero ver ganhar com esse, Barroso” e no final da propaganda, provavelmente por ter tomado o tal conhaque, o jóquei, o Barroso ria por último. Nós, também desacreditados, tínhamos vencido com nosso pangaré. E naquele barro, então!!! Aí foi inevitável: brincávamos com nossa própria desgraça e triunfo: Éramos o Barroso.
O nome foi mesmo mais folclórico e acabou que durou pouco. Logo achamos a necessidade de ter um nome um pouco mais respeitável, nos levamos mais a sério, nos estruturamos a partir dali, compramos camisetas, tivemos dificuldades de nos firmar com um bando de ruindades, agregamos mais qualidade com o tempo e o Barroso acabou-se transformando na temível Juventus, um time de bairro extremamente competitivo e vencedor como nunca poderia-se imaginar ao ver naquele domingo chuvoso de junho ou julho, aquele bando de guris perebas correndo atrás de uma bola no meio do barro.
Ao voltar pra casa naquela manhã, imundo e enlameado, entrei pela cozinha pra não molhar a casa toda, e enquanto minha avó ralhava comigo pelo estado em que chegava, ouvia no rádio dela que aquela manhã havia sido a mais fria do inverno e uma das mais frias dos últimos tempos na cidade com sensação térmica de 4 ° negativos. Nossa! Não havia sido à toa que tínhamos ganho naquele dia. Não tinha sido uma nevasca, é verdade, nem um furacão tampouco, mas aquele pequeno dilúvio e todo aquele frio naquela manhã de Porto Alegre, não tinha lá sido uma coisa muito comum.



Cly Reis

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"Escuta Só - do Clássico ao Pop", de Alex Ross, ed. Companhia das Letras (2011)



"Eu sempre quis falar de música clássica como se fosse popular
e de música popular como se fosse clássica."
Alex Ross


Tão logo soube que sairia, já me aprontei para comprar o livro "Escuta Só - Do Clássico ao Pop", do jornalista Alex Ross, e agora finalmente o adquiri. Meu acentuado interesse dá-se muito pelo fato que, pelo que sei e conheço deste crítico, sua abordagem nesta obra aproxima-se muito de uma visão que eu já expunha aqui no blog algumas vezes, quanto à relação da música contemporânea com oque se considera um música erudita ou de nível superior.
Alex Ross, assim como eu, antes de mais nada, entende que música é música simplesmente e que os rótulos ou nomenclaturas, em grande parte dos casos são inadequados, sobremaneira o do gênero tido como 'clássico', e que na verdade, só o afasta do público em geral e tenta colocá-la num pedestal mais alto do que precisaria estar. E tudo isso, quando na verdade tudo na música não passa de uma evolução, transformação de conceitos, épocas, ideias que fazem desembocar em outras formas de manifestação,novas técnicas, linguagens muitas vezes tão válidas e qualificadas quanto estas elitizadas porém subestimadas por serem punk, funk, pop, etc.
Embora não precise de respaldo para escrever qualquer coisa que afirme aqui, fico feliz em ver num crítico e jornalista conceituado e criterioso, um pouco desta proximidade de conceito a respeito da música. Apenas para citar como exemplos, aqui mesmo já foi mencionada a formação erudita de Trent Raznor dos Nine Inch Nails, e que no entanto, não o impede de produzir algumas das canções mais furiosas dos últimos tempos; a veia clássica do Kraftwerk que faz deles, para mim, os herdeiros legítimos de toda a tradição musical alemã de Brahms, Bach, Schubert; as sinfonias ruidosas do My Bloody Valentine; a breve analogia entre "TV II" do Ministry com "Eggo Sum Abbas" da obra "Carmina Burana" e a própria inclusão desta obra de Carl Orff  nos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do ClyBlog, salientando toda a característica pop da obra, valendo-me inclusive de um comentário do próprio Ross na introdução.
Comecei agora a leitura. Nem sei se ele toca exatamente nestes pontos, nem qual exatamente o foco de abordagem, mas a mera semelhança de pensamentos e o fato de falar de música de forma tão abrangente já me faz ter todo o interesse neste trabalho.
À leitura!



Cly Reis

Coleção Folha Grandes Arquitetos





Aos colegas arquitetos e outros possíveis interessados, para quem não sabe ainda, a Folha de São Paulo lançou, desde a última semana uma coleção interessantíssima com livros sobre 18 grandes nomes da arquitetura mundial com suas respectivas biografias, obras significativas, croquis, plantas, dados técnicos e curiosidades. A Coleção Grandes Arquitetos sai todo o final de semana e já teve no primeiro número Frank Lloyd Wright, levando de quebra, na primeira semana, o segundo, de Renzo Piano, sendo que esta dobradinha só se deu nesta abertura de coleção e os demais exemplares serão vendidos individualmente. Virão por aí ainda mestres como Mies Van der Rohe, Le Corbusier, Gaudí e muitos outros. Particularmente senti falta de Richard Meyer na coleção, mas, enfim..., não se pode ter tudo; e de todo modo muitas vezes essas coisas de coleções coletivas e similares passam por questões como de direitos de imagem, autorais, editoriais e etc. que talvez seja o caso.
Os livros podem ser adquiridos em qualquer banca de revistas e custam R$16,90. Quem perdeu o primeiro número, com certeza, se se apressar, ainda pode encontrar esta semana nas bancas. E fiquem ligados porque no próximo número tem o mestre brasileiro Oscar Niemeyer.




Confira abaixo todos os números da publicação:


  1. Frank Lloyd Wright
  2. Renzo Piano
  3. Oscar Niemeyer
  4. Antoni Gaudí
  5. Le Corbusier
  6. Santiago Calatrava
  7. Norman Foster
  8. Jean Nouvel
  9. Tadao Ando
  10. Steven Holl
  11. Dominique Perrault
  12. Mies Van Der Rohe
  13. Zaha Hadid
  14. Rafael Moneo
  15. Álvaro Siza
  16. Alvar Aalto
  17. David Chipperfield
  18. Kango Kuma

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pink Floyd - "The Dark Side of the Moon" (1973)




"Na verdade,
não há lado escuro da lua.
De fato, ela é toda negra."
 do porteiro do estúdio Abbey Road,
onde a banda gravou o álbum



Um álbum clássico!
Uma obra mágica.
Um disco legendário.
Um trabalho genial envolto em lendas, mitos e polêmicas.
Uma brilhante resenha musical sobre o cotidiano e as loucuras da vida moderna: angústia, pressa, dinheiro, comportamento... Tudo traduzido magistralmente em música sob variadas formas e possibilidades.
“The Dark Side of the Moon” de 1973 não é apenas um grande álbum, é um marco na música contemporânea. Não só pelo sucesso alcançado, pela dimensão que assumiu no mundo desde seu lançamento, mas pela influência musical que exerce até hoje, pelas temáticas extremamente atuais e pertinentes, veja-se “Money” ou “Time”, por exemplo; pela ousadia de experimentação, como no caso de “On the Run”; pela qualidade técnica; pela concepção gráfica e estética vanguardista; e por tudo mais, ora bolas!
“Speak to Me”, a vinheta que introduz a obra, antecipa todos os elementos que serão apresentados ao longo da obra, partindo do som da batida de um coração que se mistura a rápidos recortes de cada uma das músicas que se seguirão, numa espécie de trailer musical; e estes pequenos flashes, subitamente, desembocam então em“Breathe”, uma canção leve que, então, majestosamente abre efetivamente o disco.
Sem pausa, na seqüência, vem “On the Run” uma alucinante faixa instrumental eletrônica cheia de ruídos e experimentações de estúdio. “Time” que a segue, começa com seus estridentes sons de relógios, despertadores, campainhas e badalos, dando início a um dos maiores clássicos da banda com aquela entrada inconfundível e marcante na voz de David Gilmour e seu solo espetacular na segunda parte. Aí "Time" desacelera, e com uma passagem, que não é mais que uma breve repetição de “Breathe”, traz consigo a magnífica “The Great Gig in the Sky”, uma base instrumental que sustenta uma improvisação vocal memorável e emocionante da cantora convidada Clare Tory.
Ao som de outra introdução inconfundível, como a de “Time”, mas esta com sons de moedas e caixas registradoras, Roger Waters nos apresenta um blues embalado e bem marcado no baixo e com uma série de variantes interessantíssimas, como acelerações, ênfases, solos de guitarra e saxofone, nesta que é para mim a grande música do álbum: "Money".
Depois vem a longa “Us and Them” com sua melodia lenta e emocional e, assim como na anterior, com um belíssimo solo de saxofone.
A instrumental “Any Colour You Like” é outra bem experimental com sua série de efeitos sobrepostos com guitarras e vice-versa.
A belíssima “Brain Damage”, que carrega em sua carne o nome do disco, começa a encaminhar o final da obra, e praticamente como sua continuação, com uma separação muito sutil, a emocionante “Eclipse” fecha a obra-prima de forma majestosa , inclusive, diz a lenda, com um trechinho de "Ticket to Ride" dos Beatles podendo ser ouvido lá ao fundo, no final, quando o som já está abaixando, depois das batidas de coração... as mesmas que começaram o disco lá em "Speak to Me". E ele brilhantemente acaba como começou, ou começa onde acaba, ou mesmo... não tem fim.
Além da misteriosa "Ticket to Ride" que, oficialmente, teria sobrado de uma fita mal apagada, o que não falta são lendas e estórias a respeito deste disco, tais como as alusões codificadas a Syd Barret em diversas faixas; a afirmação de que a versão CD da época não teria sido copiada das fitas originais e Gilmour indignado teria mandado refazer; ou que os temas das músicas, como dinheiro, tempo, angústia, etc., teriam sido feitos quase aleatoriamente num banheiro; e a mais famosa delas, aquela que supõe haver uma estranha e impressionante sincronia do disco com cenas do filme "O Mágico de Oz". Verdade? Mentira? Concidência? Não interessa. Como se não bastasse a qualidade musical superior, coisas como esta só aumentam a aura mística de uma obra absolutamente magistral como esta. Enfim, um álbum fundamental, senhores.
Um disco legendário.
Uma obra mágica.
Um álbum clássico!

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FAIXAS:
1.Speak to Me
2.Breathe
3.On the Run
4.Time
5.The Great Gig in the Sky
6.Money
7.Us and Them
8.Any Colour You Like
9.Brain Damage
10.Eclipse
*******************
Ouça:
Pink Floyd The Dark Side of the Moon



Cly Reis

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

cotidianas #103 - "Virgem"



As coisas não precisam de você
Quem disse que eu
Tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos
Também não precisam


O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você
O farol da Ilha
Só gira agora
Por


Outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas


O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber
E o farol da Ilha
Procura agora


Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas


As coisas não precisam de você

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"Virgem"
(Marina Lima/ Antonio Cícero)

Ouça:
Marina Lima - "Virgem"

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Philip Glass & Robert Wilson - "Einstein on the Beach" (1976)




“’Einstein [on the Beach]’ parece um estudo de sobrecarga sensorial, o que significa ser tudo e nada ao mesmo tempo.”
Tim Page 


Com a vinda do maestro e compositor norte-americano Philip Glass ao Brasil neste mês de setembro, não podia deixar de aproveitar para falar um pouco sobre a inconfundível obra deste revolucionário artista de nosso tempo. Dono de uma música hermética e profundamente instigante que questiona as fronteiras entre arte culta e popular, o ativo Glass vem empilhando ótimos trabalhos desde os anos 70, seja em trilhas para cinema, teatro, ópera, sinfonia, câmara e até música pop. Mas o seu ápice de explosão criativa é a inclassificável e genial “Einstein on the Beach”, de 1976.
Só pelo fato de ter contribuído com a invenção do estilo minimalista para a música Philip Glass já teria seu espaço no Olimpo dos grandes autores da história evolutiva da arte musical. Porém, ele fez mais. Filho da contracultura e admirador de rock, jazz, MPB, entre outros estilos “não-eruditos”, mas permanentemente conectado ao classicismo, Glass criou uma forma única de compor onde, a partir de células sonoras mínimas, gera variações graduais muito bem escritas que vão aos poucos formando uma massa complexa e densa, muitas vezes totalmente diferente daquilo de como começou.
“Einstein on the Beach” é um marco da música do final do século XX. Usando os instrumentos e as vozes de forma cirúrgica, tanto cordas e madeiras tradicionais como sintetizadores próprios da vanguarda, Glass compôs uma obra que não é propriamente uma ópera, nem sinfonia, nem um disco pop. Em quatro atos para orquestra, coro e solistas, “Einstein” é, sim, uma peça extremamente rica que mudou totalmente em forma e linguagem a música para grandes conjuntos. Composto originalmente
para teatro, onde contou com a direção do parceiro Robert Wilson, (que é creditado na capa do disco, embora não tenha contribuição musical efetiva) seu exemplo radical abriu caminho para muito do que se tornou comum hoje em diversas áreas, como teatro, cinema, publicidade, televisão, entre outros.
Glass, à esq. com o parceiro,
Robert Wilson
Como dá para supor, a obra flerta com o nonsense. A frase do título foi extraída de ‘Einstein on the beach on Wall Street’, uma das diversas sentenças sem significado lógico ditas pelo seu “co-autor”, Christopher Knowles, um autista que “canta” em algumas das 20 peças que a perfazem. Glass, confesso admirador do punk rock (aliás, ele foi integrante e produtor de uma excelente banda pós-punk, a Polyrock), usou a voz solo de Knowles salpicando palavras soltas na faixa “’Mr. Bojangles’”, lembrando muito o vocal esganiçado de Johnny Rotten dos Sex Pistols . Contemporâneo ao movimento punk, “Einstein” traz essa verve radical não só neste aspecto como nas próprias estruturas melódicas, que exploram bastante as repetições e a simplicidade composicional, igual aos riffs de guitarra do punk. Em sentido inverso, a influência do estilo de Glass também pode ser percebida fortemente em alguns artistas do rock, como Cocteau Twins, Laurie Anderson e Diamanda Galas.

Apesar do pé no pop, o legal é que a música de Glass nunca se desvincula da tradição erudita. Estão lá, preservados, Bach, Palestrina, Beethoven, Rossini. As melodias de voz (por vezes, o centro do tema, como em “Knee 3” e “Night Train”), ora se valem de modernos mezzo-sopranos e mezzo-barítonos, ora remetem diretamente ao uníssono homofônico do canto gregoriano medievo, como na base coral que sustenta a falação fora de compasso (e de senso) de Knowles em “’Mr. Bojangles’” ou na linda “Knee 4”, cuja letra resume-se a um metalinguístico “dó re mi fa sol”. Há ainda as hipnóticas “Dance 1” e “Building”, em que os teclados eletrônicos conflitam com as vozes e os outros instrumentos;  as delicadas “Entrance” e “Knee 5”; ou a impressionista “Train 1”, que coloca o ouvinte a bordo de um trem de notas metafísicas.
Extenso, “Einstein on the Beach” tem aproximadamente 3 horas e 10 minutos de duração sem interrupção entre as partes, interligadas pelos cinco “knees” (“joelhos” que, literalmente, ligam uma articulação à outra). A obra é, de fato, feita para ser sorvida do início ao fim, pois guarda a unidade temática própria da ópera, como na proposital repetição de motivos em mais de uma faixa. O coro contando números de “Knee 1” e “Knee 2”, que aparece novamente em “’Prematurely Air-Conditioned Supermarket’” e, lá no final, em “Knee 5”, mostram isso claramente.
No teatro, a estrutura musical de “Einstein” está completamente entrelaçada com a ação dos atores e a iluminação. No entanto, como toda boa “ópera”, ela não precisa necessariamente do palco para existir. A forte cena clímax, em “Spaceship”, é um ótimo exemplo: somente em sons, “descreve” o holocausto nuclear: linhas vocais pulsantes, explosão de instrumentos amplificados e notas repetitivas de um coro histérico cantando rápida e freneticamente, num reflexo das tensões fin-de-siècle.
Assim, a peça de Glass sugere uma outra ideia mais abrangente: se em formato “Einstein” subverte a tradição clássica por não contar uma história trágica, elemento básico da ópera, em contrapartida, levanta um sério questionamento: há tragédia maior do que os tempos atuais? Para traduzi-los, só mesmo com uma narrativa sem trama e ruídos musicados que transmitam loucura e ilógica através de sensações extremas. Tudo e nada. Afinal, quer imagem mais surreal do que Albert Einstein tomando sol numa praia em Wall Street após o fim do mundo?
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FAIXAS:
    1. KNEE 1 (8:04)
    2. TRAIN 1 (21:25)
TRIAL 1:
    1. Entrance (5:42)
    2. "Mr. Bojangles" (16:29)
    3. "All Men Are Equal" (4:30)
    4. KNEE 2 (6:07)
    5. DANCE 1 (15:53)
    6. NIGHT TRAIN (20:09)
    7. KNEE 3 (6:30)
TRIAL 2/ PRISON:
    1. "Prematurely Air-Conditioned Supermarket" (12:17)
    2. Ensemble (6:38)
    3. "I Feel The Earth Move" (4:09)
    4. DANCE 2 (19:58)
    5. KNEE 4 (7:05)
    6. BUILDING (10:21)
BED:
    1. Cadenza (1:53)
    2. Prelude (4:23)
    3. Aria (8:12)
    4. SPACESHIP (12:51)
    5. KNEE 5 (8:04)

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Ouça:

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

cotidinas #102- "Dívidas"



Descendo ladeira abaixo
Uma grande correria
Só pra ver se não perdia
A primeira condução
Esqueceu de resgatar
Uma grana que devia
A um tal de Oliveira, marido da Conceição
"Favela" - Portinari, Cândido
Que pela mulher pressionado
Foi receber o dinheiro
Só encontrando a inocência
Deu início a discussão
Disse tudo que devia
Sem medir as consequências
Num bate boca danado
Diante do barracão

Quando ele voltou depois das seis, se aborreceu
Sabendo do "aperto" que a mulher atravessou
E muito magoado, saiu sem dizer nada
Achando que Oliveira esquecera da amizade
E a tudo a bem dizer, por uma nota de dez
Que o outro bem podia dispensar
Mas era fim de mês, e na quitando do Garcês
O Oliveira, precisava se explicar
E foi assim, que a demanda começou
Não aceitaram, argumentos de ninguém
Naquela noite, todo morro lamentou
Eu era menino, mas me lembro muito bem.

Descendo ladeira abaixo
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"Dívidas"
(Paulinho da Viola/ Elton Medeiros)

Ouça:
Paulinho da Viola - "Dívidas"