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sábado, 12 de junho de 2010

cotidianas #30 - Dia dos Namorados


No clima de Dia dos Namorados, lembrei de um fato ocorrido na data romântica dos amantes, no ano passado.
Eu, tendo deixado para o último dia, pra última hora pra comprar alguma coisa pra minha esposa, entrei numa floricultura no caminho pra casa, voltando do trabalho. Lá escolhi as flores, pedi uma dúzia de rosas, paguei, e ao sair da loja, já na calçada, uma moça que passava na rua, falou "Ai, moço, dá uma pra mim!". Eu imaginei que fosse só um gracejo por achar bonitas as flores, sorri e segui em direção ao carro que estava estacionado ali perto. Mas a moça, incrivelmente insistiu, "não tem uma pra mim?". "Como é que é?" Pensei.
"Me dá uma!", insistiu a garota. Aí tive que responder "não posso, são pra minha esposa" ao que ela respondeu indignada, "Mal educado!!!". Como seu eu tivesse obrigação de dar uma flor a ela porque ela ou não tem namorado ou porque era muito feia. Pode isso?
Ainda tive que ouvir uma coisa desses!
Se tivermos que dar uma rosa a cada solitária carente que pede uma flor nas ruas, o Dia dos Namorados vai virar também o "Dia de Solidariedade às Feiosas Encalhadas" além de correr-se o risco de chegar sem nenhuma flor do buquê em casa.


Cly Reis

quarta-feira, 9 de junho de 2010

cotidianas #29

Fico impressionado com jogadores que vão bater uma falta, que seja, e jogam a bola lá na arquibancada.
Que horror!
Fico pensando "eles só fazem isso da vida", "eles só tem que treinar pra chutar bem". É inadmissível!
Lembro que quando garoto, eu e  mais alguns amigos, ficávamos chutando em gol a tarde inteira. Horas. Como se estivéssemos batendo falta num jogo mesmo. Às vezes imitando o posicionamento, o modo de partir pra bola de determinados batedores. O Éder, o Zico, o Dinamite. Chegamos a um ponto tal de precisão que só valia gol se fosse lá na forquilha, no ângulo, mais precisamente, onde a coruja dorme. Só se batesse no travessão em cima e dentro do gol embaixo, atrás da linha, como o gol do Valdomiro contra o Corinthinas em 76. Gol de "dois-de-blum" como se chama às vezes, ou de "paulistão" como também é conhecido.
Como todo moleque, no início da "carreira de peladas" alimentava aquela fantasia de ser jogador de futebol. O primeiro avante que vi jogar tinha sido o Geraldão que fez 5 gols em dois GreNais seguidos e eu fiquei fã do cara. Mas logo, logo, por conta da minha comprovada deficiência técnica, acabei me desestimulando da idéia de ser um craque dos gramados e tive que me conformar em jogar apenas no time que eu mesmo fundei no meu bairro. Nunca joguei grande coisa, é verdade, mas a precisão conseguida em horas e horas de "treino" me garantiu a possibilidade de durante um bom tempo jogar de centroavante no meu time com algum êxito até, e não apenas por ser o dono dele. Por mais que fosse um jogador limitado, se caísse pra mim, em condições de chutar, era "caixa" e acabei sendo goleador do time por várias temporadas. Aí que, hoje, vendo por exemplo, um jogador como o Washington, do São Paulo, ex-Flu, ex-Inter, ex-Grêmio, que só jogou em times grandes e não sabe dominar uma bola, eu vejo que até dava pra insistir.
E agora eu vejo os jogadores, numa Copa do Mundo, em gramados que são verdadeiros tapetes, em condições ideias de temperatura e pressão me reclamar da tal da Jabulani, a bola oficial da competição. Tão de brincadeira, né! Nem parece que a vida inteira jogaram com verdadeiros "caroços" num saibro duro, ou com uma bola de borracha nos paralelepípedos da rua, ou com a bola furada mesmo só pro jogo não acabar.
A gente usava a bola até o fim. Até o último gomo soltar. E nem por isso deixava de guardar lá na gaveta, lá onde a coruja dorme. De dois-de-blum.
O que tão fazendo já é armar a desculpa pr'aquele chute que vai lááá no placar eletrônico. Aquele tipo de jogada que dá a deixa pro narrador dar a pausa pros comercias sem nem se dar ao trabalho de narrar a jogada bisonha que acaba de ver, dizendo apenas "Globo e você, tudo a ver" ou "Bandeirantes, o canal do esporte".

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Eu vou torcer pelo Dunga

Não sou dos mais fervorosos torcedores de Seleção Brasileira. É meio que natural de nós gaúchos que de certa forma temos “outra pátria”. Pra nós, mais do que pra qualquer outro torcedor no país, nossos clubes, Inter e Grêmio, estão acima da Seleção e nos orgulhamos muito por exemplo de nunca termos perdido pra seleção nacional quando houve enfrentamento com a Seleção Gaúcha. Tem o clássico episódio que já contei no blog, do 3x3 no Beira-Rio em 1972 que a gauchada queria matar um “brasileiro” que vibrara com um gol dos Canarinho.
Não fiquei indiferente aos títulos. Vibrei sim com os títulos de 94 e 2002, mas tenho que admitir que há bastante tempo não me empolgo com Seleção. Acho que nem no fracasso de 82, quando tinha 8 anos, não fiquei muito decepcionado porque na verdade não me dizia muita coisa o Brasil sair de uma Copa. Eu já sabia que tinha outros tantos participantes e podia ganhar ou perder, ué! Acontece! Desde aquele tempo fiquei com a sensação de que o povo e a imprensa acham que a Seleção Brasileira joga Copa sozinha e é só formalidade ir lá buscar a taça. E não é. Sem contar que, mesmo criança, aquele time não me inspirava muita confiança depois de ter ganho com as calças na mão da URSS, ter dado show nos galinhas–mortas da Nova Zelândia e só ter, até o jogo com a Itália, jogado bem mesmo UMA vez, contra a Argentina. Mas deixa isso pra lá.
O que acontece é que pra mim Copa do Mundo nos últimos tempos mais atrapalha do que me interessa. Estou muito mais interessado no que vai acontecer na semifinal da Libertadores, na seqüência do Brasileirão, nas finais da Copa do Brasil do que em Copa do Mundo. Adoro futebol e por isso vou assistir ao máximo de jogos (interessantes) que puder; mas é porque existe e está ali, no mais, se pudesse não ter ou quem sabe se não fosse agora, seria melhor.
Por conta deste desestímulo, estava com uma indiferença enorme em relação à Seleção Braileira. Estava na verdade torcendo mais pra Inglaterra, com quem simpatizo bastante e acho que está na hora de ganhar de novo aproveitando a melhor geração desde o título de 66; ou para a Holanda que duas vezes com times muito bons bateu na trave ou mesmo, quase inutilmente, para a Celeste Olímpica, que não tem a menor chance. Mas no fim das contas resolvi que vou torcer SIM para o Brasil. Ou melhor: vou torcer pro Dunga.
só me estimula mesmo torcer para o Brasil pra parar esta babaquice coletiva de pegar no pé do cara. E sem motivo! Talvez tenha sido a seleção brasileira que chega mais confiável, coesa, fechada e entrosada. Ganhou Copa América, Copa das Confederações, chegou em primeiro nas Eliminatórias classificando com antecipação e em todo o tempo desde que o cara assumiu desacreditado (a princípio até por mim) só perdeu 5 partidas, sendo que ganhou fácil da Itália, goleou a Argentina (duas vezes) e ainda ganhou na casa deles nas eliminatórias, destruiu Portugal com um 6x2, e deu um chocolate no Uruguai em Montevidéu como há muito não acontecia.
Agora porque não convocaram este fulaninho ou aquele, a IMPRENSA, principalmente de RJ-SP, põe na cabeça do povo, que é burro e influenciável, que a seleção é fraca, que tá tudo errado, que tem muitos volantes, que não tem talento, que é uma seleção sem técnica. Ah, peraí um pouquinho! Não tem técnica quem faz aquele gol de troca de passes contra a Itália na Copa das Confederações? E foi um dos "volantes". E aquele do Luís Fabiano contra a Argentina em Rosário não teve técnica. velocidade, conclusão, beleza? E o que falar dos gols contra Portugal? Todos trabalhados.É triste principalmente neste época de Copa quando muito mais mulheres, crianças e pessoas que não acompanham futebol o ano inteiro passam a se ligar na seleção, como a informação chega moldada pra estas cabeças e aí fica fácil formar opinião de quem não tem nenhuma e está ávido exatamente para que, os teoricamente entendidos e profissionais, lhes transmitam alguma coisa. O problema é que muitos não são entendidos, outros estão ultrapassados e muitos sequer são profissionais, permitindo que vaidades, interesses regionais ou pessoais influenciem em suas críticas.
Vou torcer pelo Dunga para que ele prove que o que está tendo é coerência. Palavra tão cobrada de outros treinadores e seguida profissionalmente por Dunga, mas que desta vez curiosamente está sendo desdenhada e ridicularizada pela crônica esportiva. Vou torcer para o Dunga para que ele mostre que convocou quem convocou porque fazia parte de um projeto, de um interesse comum, de um compromisso coletivo, ao contrário do que acontecera, principalmente na Alemanha em 2006 quando se sobrepunham os interesses individuais deste atingir tantos gols, do outro atingir tantos jogos, daquele bater tal recorde, e incrivelmente, alguns daqueles jogadores não só foram perdoados como tiveram seus nomes reclamados no atual grupo. Poucas vezes, desde que os calendários ficaram mais apertados, que os jogadores brasileiros em sua maioria passaram a atuar fora, que a Seleção Brasileira conseguiu montar um TIME. Dunga mesmo encontrando seus jogadores a cada 3 ou 4 meses tem o grupo como se os visse todos os dias e isso é um mérito ao contrário do que querem fazer parecer. Não se pode num grupo assim colocar elementos “estranhos” sem que tenham comprovada uma integração, por mais que seja comprovada sua qualidade, mas que, por outro lado, não tenham provado sua estabilidade. E aí falo dos tais “Meninos da Vila” que não poderiam sem mais nem menos figurar numa lista de Copa do Mundo por terem jogado bem durante 3 meses. É fantasioso, amigos. É fácil para um comentarista falar mas ele não o faria. Você não faria na sua empresa, no seu grupo de trabalho. Pense nisso.
A impressão que tenho é que como a coisa chegou muito tranqüila, muito favorável, estão botando”pêlo em ovo’. Estão preparando a explicação para um eventual fracasso já com uma defensiva que é ofensiva, tipo, “eu não disse?”, “nós avisamos”, quando era hora de louvar esta estabilidade do grupo, dos resultados, e deixar trabalhar com tranqüilidade. É lógico que a relação Dunga-imprensa fica agravada na medida em que o técnico não oferece as facilidades que os jornalistas estão acostumados, não fala o que os eles querem ouvir e demonstra uma convicção poucas vezes vista mesmo em treinadores mais calejados o que não dá margem a especulações nem palpites. Definitivamente não era o que a imprensa queria.
Depois de servir de ‘bode expiatório” do equivocado sistema do Lazaroni servindo de apelido pejorativo para uma ERA de futebol dito ruim, e, incrivelmente, não convencendo mesmo ganhando em 94 por causa da babaquice do tal de futebol arte, que eu não sei do que se trata (o lançamento de 3 dedos do Dunga pro gol do Romário contra Camarões não conta, o golaço com “passo de balé” do Romário contra a Holanda não conta, o gol do Bebeto deixando o goleiro no chão e quase entrando com bola e tudo não conta), Dunga vê-se, de novo tendo que brigar contra tudo e contra todos pra provar que está fazendo a coisa certa, que futebol é coletivo, que Seleção é coisa séria, que tem hora pra jogar sério e hora de dar de calcanhar, e etc., etc., etc. E por que que está tendo que provar essas coisas é que, sinceramente, eu não sei.
Não tem nada a ver com ser colorado ou gaúcho, mas por toda essa pegação de pé injustificada eu vou torcer mais pro Dunga ganhar a Copa do que propriamente a Seleção Brasileira. Espero que este, sim, vocês tenham que engolir.


Cly Reis

domingo, 6 de junho de 2010

"O Escritor Fantasma", de Roman Polanski (2009)



Dá gosto de ver um filme de quem sabe fazer cinema!
"O Escritor Fantasma" de Roman Polanski é um destes. Quando se vai assistir a um Polanski já pode-se apostar na qualidade e ele não decepciona, seja pela temática, pelo enfoque, pelas tomadas, pelos planos, pelos personagens, ou por todos estes elementos juntos. O diretor polonês é um daqueles que nos deixa na expectativa do que encontraremos a cada novo filme seu, não por uma inconstância ou irregularidade, mas sim pelo seu vasto repertório cinematorgráfico, indo desde um terror diabólico como "O Bebê de Rosemary", o soturno e perturbador "O Inquilino", passando por exemplo por uma tragédia clássica  como "Macbeth" com uma visão muito mais crua e violenta que as outras adaptações, ou por uma ação alucinante como em "Busca Frenética". 
Neste, "O Escritor Fantasma", opta por uma linha mais comedida de condução, vai nos envolvendo na história, não ousa muito nas imagens (mas não abandona a qualidade da fotografia) e aos poucos vai nos desvelando detalhes cruciais. Polanski é daqueles que justificam plenamente o termo DIRETOR de cinema, pois nos conduz na história, leva o filme como bem pretende e sempre tem o controle do seu objeto. É admirável e prazeroso assistir a obras de um mestre como este.
Na história um "ghost writer" (Ewan McGregor) é contratado, em substituição a um outro que morrera em circunstâncias suspeitas, para escrever a biografia de um ex-primeiro ministro britânico (Pierce Brosnan) cujo nome está envolvido em um suposto de envolvimento em crimes de guerra. A tarefa que seria aparentemente simples de escrever um livro e nunca aparecer, acaba se tornando perigosa, uma vez que existe muita coisa por trás das atividades do político, sua vida particular, amigos e inimigos.
Não chega a ser o melhor filme do diretor, como andei lendo por aí, mas é inegavelmente um ótimo filme e satisfação garantida principalmente para os fãs. Agora é torcer, em nome da arte, para que o cara não seja condenado e fique enjaulado por muito tempo, o que certamente encerraria sua carreira cinematográfica.


trailer "O Escritor Fantasma"



Cly Reis

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Miles Davis - "A Tribute to Jack Johnson" (1971)


"I'm Jack Johnson - heavyweight champion of the world!
I'm black!
They never let me forget it.
I'm black all right;
I'll never let them forget it."
Jack Johnson,
Campeão Mundial Peso-Pesado de 1908 a 1915



Antes tarde do que nunca!!!
Felizmente, fuçando, por curiosidade, vim a conhecer o ótimo “A Tribute to Jack Johnson” de Miles Davis. Em princípio me interessou por saber que tratava-se do início das incursões de Miles Davis no rock e em uma aposta em experimentações mais livres. Concebido para um documentário sobre a lenda do boxe, o primeiro negro a sagrar-se campeão mundial dos pesados, o álbum compõe-se de duas suítes longas; a primeira “Right Off” é mais pesada, mais forte, swingada com idas e vindas, subidas e descidas, numa “marcha” sonora que sutilmente remete o ouvinte a toda a poética de uma luta de boxe, como a um bailado de pernas, jabs curtos, uma sucessão de golpes precisos ou um belo upper. Possui uma linha de baixo mais agressiva e imponente que, ao que consta, traz trechos de “Sing a Single Song” do Sly and the Family Stone, só para se ter uma idéia da sonoridade pretendida e alcançada com o álbum.
“Yesternow” a outra faixa que completa a obra começa um pouco mais leve, mais arrastada, e vai se desenvolvendo assim por um bom tempo até apresentar alguns saltos e arroubos de improviso mais fortes e impetuosos, esta tendo por sua vez sua linha de base inspirada (ou mesmo, tirada) de "Say It Loud - I'm Black and I'm Proud", de James Brown.
Miles pontua as composições com aquele trumpete singular. INVARIAVELMENTE GENIAL. Solando, não solando, deixando vazios e preenchendo-os, sugerindo a próxima nota ao ouvinte e muitas vezes, provocativamente, não dando-as, deixando só para a imaginação, para o que poderia ter sido.
Em “A Tribute to Jack Johnson” Miles Davis acaba concebendo com maestria um trilha para um filme sobre boxe conjugando exatamente dois elementos antagônicos que fazem deste esporte, mesmo violento e brutal, tão mágico e belo a ponto de ser conhecido como “A Nobre Arte”: É um disco que tem sobretudo FORÇA e a SENSIBILIDADE.
Como se diria no boxe , é uma obra que tem pegada. Tem “punch”.
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FAIXAS:
1."Right Off" – 26:53
2."Yesternow" – 25:34

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Ouça:
Miles Davis A Tribute to Jack Johnson


Cly Reis

cotidianas #28 - Levando Sua Namorada Para Casa



Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está me dizendo como nunca escolheu você
"Vire à esquerda", ela diz
Então eu viro à esquerda
E ela diz
"Como eu fui acabar me envolvendo tão profundamente
Na mesma vida que eu planejei evitar?"
E eu não posso responder

Eu estou levando sua namorada para casa
E ela está rindo para parar de chorar
"Continue dirigindo", ela diz
Então eu continuo dirigindo
E ela diz
"Como eu fui acabar presa a esta pessoa
Uma vez que seu senso de humor
Fica cada vez pior?"
E eu não posso contar para ela

Estou estacionado do lado de fora da casa dela
E nos cumprimentamos
Nos damos boa noite, tão educadamente
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"Driving your girlfriend home"
Morrissey
do álbum "Kill Uncle"

Ouça:
Morrissey Driving Your Gilfriend Home

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Fúria de Titãs" de Louis Leterrier (2009)






E fui eu, sábado, ver o remake de “Fúria de Titãs”.
Amigos...
Desnecessário.
Nada a acrescentar.
Nem o 3D ajuda. Aliás quase não se justifica. Poucas cenas são válidas o suficiente para que o recurso tivesse sido utilizado num filme como este. Sem contar que o tal 3D acaba meio que se perdendo na movimentação e velocidade intensíssimas das cenas de luta e perseguições, na proximidade da câmera nestas mesmas situações e na escuridão da fotografia. Pra piorar ainda mais, com todo o dinheiro, efeitos especiais, tantas dimensões e tudo mais, a ambientação do Olimpo com os deuses em pé sobre umas nuvenzinhas e a caracterização de Zeus com uma roupitcha brilhante-desfocada são ridiculas. Com toda a limitação de técnica e de recursos da época, os efeitos do clássico são bem mais legais do que os do novo, até mesmo pela importância e inovação no contexto daquele momento.
Agora vamos à história em si: outro desperdício!
O roteiro consegue destruir elementos extremamente interessantes do clássico de 1981 que eram a pureza de Perseu e a predileção dos deuses por ele. O novo Perseu, ao mesmo tempo que é alheio aos interesses dos nobres e deuses no seu conflito, é um jovem orgulhoso e movido pela vingança pela morte dos seus pais adotivos e não pelo amor pela bela Andrômeda como no antigo, o que o tornava naquele caso realmente envolvido com os objetivos da jornada na qual irá se lançar. Em nome de uma dinâmica e adrenalina para o filme, o herói acaba se mostrando bem menos racional e inteligente que seu predecessor oferecendo-nos apenas uma sucessão de correrias, lutas, vôos e saltos. Prova disso é a diferença da cena da Medusa na versão original, na qual Perseu pensa, aguarda o momento certo e finalmente age; sendo que nesse novo desde que entram no covil da Górgona, é só “loucura total”, culminando numa desenfreada perseguição entre as ruínas do mundo subterrâneo que vai, aí sim desfechar-se da mesma maneira que no outro filme mas de um modo muito mais ‘heróico”, com um salto acrobático e tudo mais. E a atual Medusa também não ajuda. Ainda guardando resquícios de sua extinta beleza não é nem sombra da apavorante criatura da primeira versão que, lembro, me impressionou muito na época.
A ajuda dos deuses, desprezada pelo diretor Louis Leterrier (de “O Incrível Hulk”) e conseqüentemente negada pelo seu Peseu, seria elemento importante na tramae, creio, enriquecedor para os novos objetivos de um remake. O herói teria bem mais "brinquedinhos", apetrechos, equipamentos, sendo quase que um James Bond de Argos com um recurso para cada situação difícil. A espada, o cavalo alado Pégasus, o elmo e o escudo que inclusive o salva no confronto com a Medusa, que apareciam como oferendas das entidades do Olimpo ao filho de Zeus; neste novo, Perseu  por "beicinho" e orgulho insiste em não utilizar até que lá pelo final, acaba no aperto, tendo que usar a espada e montar no cavalo, mas muito contrariado. O escudo, antes presente dos deuses, é substituído agora, por um feito da carcaça dos escorpiões gigantes que eles mataram e o elmo da invisibilidade, é esquecido.
Trama mal amarrada, mal explorada, diálogos infantis, motivações pueris e atuações caricatas...
Olha,... bem fraco.
Mas desta vez eu mereci. Eu sabia que não ia ser grande coisa e tentei.
Bem feito.
Quem não assistiu, procure o antigo em DVD. Vale a pena.




Cly Reis

sábado, 29 de maio de 2010

Berinjela Beligerante

Os Causo de Dois Morro - A Copa de ATRÂNTIDA 1922

Como é ano de Copa dos Mundo, queria  alembrar os amigo e informá os que não sabe que o premêro selecionado a representa o Brasir em um Mundiar foi um combinado de Dois Morro. O primêro Camponato Mundiar mesmo foi em 1922 na extinguida Atrântida que depois se afundô-se n'água, mas como naquela época não existia a tar de FIFA, entonce que aquela Copa não foi reconhecida. Só dispois em 1930, teve a tar da Copa no Uruguai e como não chamaro os doismorrense de novo, logicasmente que o Brasir perdeu.
Mas a Copa de 1922 foi cousa mui bonita de se vê.
Participava a Prússia, a seleção de Lorena & Alsácia (que anos despois ia sê Itália), a seleção da Babilônia, a de Esparta que era muito briguenta e a fortíssima seleção da Mesopotâmia, além, é craro da seleção brasilêra que era o Doismorrense. Arguém se alembra do escalamento? Era o legendário Cambraia no gôlo, dispois Prego, Marafo e Morrão ero os beque e o Panete fazia a esquerda.
Miscorete, Caiana e Restilo no meio e os foruárdi  ero Uca, Xinapre e Zuninga.
Copa mui disputada!
O Brasir-Doismorrense atropelava todo mundo: Fêiz 25x3 na Manchúria, 8x0 na Pérsia e só 1x0 nos dono da casa, a seleção de Altlântida, num jogo mui difícer.
Nas quarta-de-finar ganhêmo de Esparta, que tinha aquele famoso jogador, o Leônidas, por 4x3, e fomo pras semifinar contra a Babilônia. Os babilônico tinho um time de se tirá o chapér. Ainda lembro do escalamento, era: Alexandre, Hitita, Sumério, Sargão e Assírio, Assurbanípal, Hamurabi e Nabucodonosor, Ciro, Dario e Xérxenes. Sei que a peleia foi braba e só ganhêmo nos penárti.
Na finar peguemo a seleção do Império Romano e metemo 4x1 Eles tinho um baita dum time. Formavo com Júlio César, Otaviano, Diocleciano, Tibério e Marco Antônio; no meio, Galiano, Tito Flávio e Renato Augusto, na frente o ataque que era conhecido como o "triunvirato" era Constantino, Adriano e Trajano. Só fizemo 4 purque nosso time era especiar de bom.
Uma cousa importanta foi que nessa Copa hove a premêra grande revolução tática do futebór. Isso graças ao treinador do Doismorrense, o genial Arlindo Cachaça que inventô o sistema "1-10" que consistia-se basicamente em um pegar c'as mão e os otro déiz chuta c'os pé. Gênio!!!
Doismorro representando o Brasir levô aquela Copa e dispois disso Atrântida, como eu já falei, afundô e dexô de existí.
A delegação vitoriosa levô o caneco pra casa mas infelizmente ele foi derretido.
Mas a taça não foi robada e derretida que nem aquela ôtra que o Brasir ganhô em '70. Essa derreteu-se sozinha quando levaro pra Dois Morro porque fazia mutcho calor por lá naquela época do ano. Dois Morro no verão é terrível!
O probrema é que não ficô rezistro nenhum de que Dois Morro ganhô verdaderamente uma Copa pro Brasir antes de existí essas Copa de hoje e aí ninguém sabe e muitos duvida. Fazê o que?
Mas que aconteceu, aconteceu. Eu garanto.

postado por Chico Lorotta

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Presentes Colorados

Ganhei (a meu pedido) recentemente uma verdadeira enxurrada de livros sobre o meu time, o Sport Club Internacional.
Dois deles do professor Luís Augusto Fischer, apaixonado e constante colaborados nas publicações do clube. Dele, ganhei o pocket “O Time do Meu Coração”, uma publicação mais informativa voltado para novos torcedores ou curiosos, com números, goleadores, datas, títulos etc., e que traz junto uma pequena revista em quadrinhos voltada para o público infantil, chamado “Colorado das Glórias, Orgulho do Brasil”; e o outro, “Sangue, Suor e Talento – O Segredo Colorado”, com muita informação e história também porém mais autoral, pessoal e apaixonado.
Também aproveitei e levei pra casa “Os 10 Mais do Internacional” onde figuram os grandes jogadores que vestiram a camisa colorada na visão do jornalista Kenny Braga com suas respectivas biografias, detalhes e curiosidades; um destes craques, Paulo Roberto Falcão é o autor de outro dos que foram lá pra casa, chamado  “O Time que Nunca Perdeu” que conta a trajetória do Inter de 1979, o único time brasileiro campeão nacional invicto.Ainda acrescentei à minha biblioteca colorada “Internacional - Autobiografia de Uma Paixão” de Luís Fernando Veríssimo, livro bem ao estilo dele; bem humorado, sagaz, inteligente; com a diferença de neste estar tratando sobre seu clube do coração. Adorável! Independente de ser colorado ou não é uma leitura agradabilíssima pra quem gosta de futebol.
Agora com a estante praticamente vermelha é ir relembrando as grandes glórias enquanto se espera pelas próximas.
E que venha o Bi da América.

domingo, 23 de maio de 2010

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (2009)



Não havia me empolgado muito com a estréia de "Viajo porque preciso, volto porque te amo", mesmo apreciando o cinema do pernambucano Karim Aïnouz (diretor de "O Céu de Suely) e tendo boas referências do co-diretor Marcelo Gomes (de "Cinema, Aspirinas e Urubus"). Parecia-me em principio, apenas mais um filme com a temática do sertão, com foco no popular, nos dramas sociais da região, etc. No entanto, uma observação em uma crítica de jornal, aliada a uma sinopse bem objetiva e convincente, me estimularam a ir assistir ao filme. O texto em questão referia-se ao filme como "uma pequena obra-prima" que teria seu lugar assegurado na filmografia nacional e descrevia-o como um filme quase sem palavras, visto com os olhos do narrador, sendo que este, em momento algum aparecia. Pela descrição, pareceu-me, no mínimo, valer uma conferida.
O que se vê no início de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" é uma sucessão de filmagens amadorísticas, imagens toscas, às vezes só fotos na tela, enquadramentos parados longos, tudo isso acompanhando a narração do protagonista, um geólogo que percorre o interior do Sertão Nordestino a fim de avaliar uma área para implantação de um canal na região. Só que por trás deste aparente mal-acabamento, de um descuido estético e técnico, se esconde, ou melhor, se MOSTRA, uma obra rigorosamente pensada e cuidada em todos os detalhes. A película, a fotografia, a montagem, a trilha "incidental", a duração de uma cena, a extensão de uma frase; tudo tem um intuito, uma utilidade, um objetivo por vezes cada elemento deste complementando o outro, ora na mesma cena, ora ao longo do filme.
Num formato meio documentário, meio amador, meio câmera-na-mão, o narrador vai alternando relatos técnicos sobre sua pesquisa com revelações íntimas sobre uma mulher, que chama de Galega, e constantes declarações de amor e saudades. Mas aos poucos vai se revelando uma relação não muito feliz com  esta pessoa e problemas no casamento ficam evidentes. Aí pensamentos vão se confundindo, intenções vão se transformando, objetivos mudando e os relatos e ficam cada vez mais reveladores em um espírito atormentado, inquieto, para o qual a viagem teoricamente profissional, acaba-se justificando em parte como uma tentativa de fuga do problema e uma de fuga de si mesmo. O problema é que logo no início desta tentativa, nosso narrador descobre que fugir não adianta.
As imagens dialogam fantasticamente com o texto, quase sempre pessimista, desiludido e triste na voz do geólogo-narrador. Ao mesmo tempo que reforçam este seu estado de espírito de tédio, melancolia e confusão, o desmentem várias vezes quando ele nos diz uma coisa e as imagens apresentam detalhes que o desautorizam e mostram mais do que ele gostaria de contar. Isso semfalar nas músicas, quase sempre escutadas no rádio do carro do pesquisador mas que valem por muitos diálogos.
"Viajo..." não é um filme para grande público ou para mero entretenimento. Deve-se estar disposto a descobri-lo, decifrá-lo. É uma obra a ser apreciada , descortinada, montada e remontada pelo espectador. Diria que não chega a ser uma obra-prima como afirmou o crítico que me convenceu a ir ao cinema, mas concordo com ele que pela sua linguagem e proposta quase singulares na filmografia nacional, tem lá sim seu lugar assegurado de destaque.


Confira aí o trailer do filme:



Cly Reis

sábado, 22 de maio de 2010

cotidianas #26 - O Dalvo


A boate abria às 10 mas a coisa só começava mesmo a esquentar lá pelas 11, onze e meia, como disse o Caco. Cheguei no lugar ali pelas onze e quinze e já tinha um fila grande. Sabia que o Caco ia levar umas amigas, segundo ele, "muito gatas" e tratei de caprichar no visual e dar aquele trato. Apresentações, beijinhos na fila pro ingresso - eram a Ana, a Rafaela e a Ticiane -, conversa vai, conversa vem e eu, esperando pra entrar, meio que reconheço o segurança parado logo ali na porta de entrada. Um negro atarracado, meio grisalho, porte altivo, cara ossuda e ar bondoso. Quase certo de ser quem eu imaginava que fosse, me aproximo e pergunto:
- Desculpa, mas o senhor não é o Dalvo? O Dalvo que jogou no Nacional, na Seleção?
- Eu mesmo, garoto. Como é que me reconheceu? Não é do seu tempo - fazendo esta última observação entre uma tímida risada.
- É - concordei rindo também - Não é mesmo, mas eu pesquiso, eu me interesso pelos jogadores do passado... Puxa, Dalvo, eu sou seu fã!
- Obrigado, garoto! - disse verdadeiramente satisfeito e lisonjeado.
- Meu pai sempre falava do senhor. Dizia que foi o melhor centroavante que ele viu jogar. Que cabeceava como ninguém. Era o "Cabeça-de-Nêgo" porque a cabeçada era uma verdadeira bomba.
- Tu sabe tudo, hein, garoto!
- Puxa, seu Dalvo, o senhor é uma lenda!
-Quê isso, garoto? Assim eu fico até meio sem jeito.
Nisso, a fila já chegara até a porta e uma das amigas do Caco interrompe:
- Vamos entrar, Thiago?
- Vão entrando. Eu vou daqui a pouco.
Não entrou.
Ficou horas na porta conversando com o Dalvo e depois ainda foram pra um boteco falar sobre futebol.
No final da noite, saiu com um autógrafo do Dalvo no verso do ingresso da festa.



Cly Reis 

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Coluna dEle #17


Depois de muito tempo sem dar as caras por aqui, sem mandar um post, uma coluna, um SMS que fosse, me reaparece aqui com uma cara deslavada e cheio de desculpas esfarrapadas o tal do Colunista deste espaço. Só porque é Dono do Mundo acha que é o dono do blog,  e no entanto é quese um ex-dono deste espaço. Só não rodou ainda porque tem gente que lê esse monte de bobagem que ele escreve. Mas estou, novamente, repensando a situação deste colaborador.
Enquanto eu decido o que fazer, fiquem com mais uma Coluna dEle.

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Sei, sei que tá todo mundo puto Comigo. Tô sabendo, tô sabendo.
Recebo milhões de e-mails e orações todos os dias dizendo que isso não é pai, que Eu abandonei vocês, que já sabiam que Eu não prestava e coisas do tipo. Tudo isso porque, devo admitir, o mundo está de cabeça pra baixo. É enchente, ciclone extratropical, terremoto em todo o lugar, isso sem falar naquela chaminézinha da Islândia.
Não é desculpa ou conversa fiada, galera, mas é que, aqui em cima, a gente tem um sistema todo, uma rede, sala de comando com computador central e tudo mais. É tudo informatizado. Negócio de primeiro mundo, sabe. Eu, mesmo nem sei mexer nessas coisas. Eu só dou as coordenadas e a rapaziada mais nova que entende dessas coisas de nets, internets, long-net, vai lá no computador e bota pra funcionar.
Daqui a gente comanda tudo: fases da lua, velocidade dos ventos, nível pluviométrico, temperatura. Só não temos gerência direta sobre a língua do Lula, por exemplo. Mas de resto é tudo por aqui, e salvo alguma falha de sistema, algum vírus, um apagão ou algo assim, as coisas vão mais ou menos na ordem natural.
Só que de uns tempos pra cá o pessoal notou algo estranho no sistema, e não estamos conseguindo sequer acessar a nossa própria rede.
Aí, um desses meninos da informática descobriu que tem um hacker no sistema e que ta comandando tudo de fora. Rastreamos e descobrimos que vem lá de baixo, das profundezas do Inferno. E, cara, o Coisa-Ruim tá no comando! É por isso que o mundo tá que é só tragédia. O cara foi lá na rede e modificou os níveis de movimentação de placas e deu no que deu: terremoto no Haiti. Foi lá e reativou um vulcão que tava dormindo a 200 anos: eo que deu? Caos aéreo na Europa. Mexeu em tudo! Fez até o time dele ser campeão brasileiro!!!
O pessoal da técnica aqui tentando solucionar isso tudo e transferir os comandos pra cá de novo, mas tá foda! Enquanto isso é esperar. Eu mesmo tô sem trabalhar aqui em cima. De braços cruzados. Sem o sistema, não dá pra fazer nada.
É, são os novos tempos. Como a gente ficou dependente da informática!
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E esses padrecos que comem criancinha, hein?
Putz! Me racham a cara de vergonha.
E ainda usam meu nome pra fazer essas putarias. “Somos homens do senhor”, “a palavra Dele”. Eu fora!
Acho que deram OUTRA interpretação pr’aquela passagem do “vinde a mim, ó, criancinhas”.
Não era nada disso, cambada de tarado!

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E a seleção do Dunga, hein?
Pô, Dunga, cadê os meninos da Vila?
Já li que o blogueiro concorda com a besta-quadrada deste técnico, mas a opinião desse aí não conta porque não entende nada de futebol. Essa gurizada nova que não viu seleções de 58, de '70 não sabe o que é futebol de verdade.
Ai, ai, tô vendo que eu vou ter que ajudar vocês aí, de novo.
(Não sabem o quanto foi complicado fazer aquela bola do Baggio subir tanto).

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E falando ainda de futebol, o Adriano não tem jeito mesmo.
O cara passa a vida inteira me pedindo uma oportunidade na vida, pra sair da favela, pra ser um grande jogador, ir pra seleção e blá, blá, blá. Aí Eu, burro, atendo. Faço o cidadão jogar pra cacete, boto o cara na Europa jogando em time grande e morando numa das melhores e mais sofisticadas cidades do mundo, o cara enche o cu de dinheiro e quer voltar pro Brasil pra brincar na favela. Ah, para!!! Mas até aí tudo bem. É lá com ele trocar a Inter pelo flamengo. Mas faço o cara jogar o bastante pra chegar na seleção, o cara é um dos preferidos do técnico e nas vésperas de uma Copa faz tudo isso: falta a treino, vai a baile funk, engorda como um porco, faz orgia com anão, jumento e os cambal e depois ainda quer reclamar que não foi convocado? Tá de pilha! Depois Eu que sou ruim, que não dou oportunidade, que não perdôo.
O mal é que Eu dou biscoito pra quem não tem dentes.
Esse é o mal.

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Bom, vou nessa, galera.
Espero conseguir normalizar o sistema e voltar ao comando. Enquanto isso, recomendo paciência por que a coisa vai continuar como o Diabo gosta.

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Orações, sugestões, reclamaões, palpites, preces, súlicas, promessas para
god@voxdei.gov
(pode mandar poque ainda estou conseguindo acessar o e-mail e o Belzebu não tem a senha)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Berinjela Beligerante

NOVAS AQUISIÇÕES FONOGRÁFICAS

Aproveitando os baixos preços da Argentina por conta do desvalorizado Peso, trouxe alguns CDzinhos na bagagem:
Um deles foi

MGMT - "Congratulations"

Frustrando toda minha expectativa depois do espetacular (com o perdão da redundância) "Oracular Spectacular", o MGMT vem com um som pretensioso metido a Beach Boys, a Steely Dan ou outras coisas do tipo. Deu um outro tom pro seu psicodelismo mas capturou o que havia de pior e mais chato da tendência. Tentando se desfazer muito rápido das amarras do sucesso, da exposição, dos mainstream, tentam mostrar logo no segundo disco que não são só mais uma bandinha de refrões fáceis e pegajosos. Ora, amigos, mas ninguém tinha dito que vocês eram isso! "Oracular Spectacular" havia sido brilhantemente pop, criativo, original, eclético e multi-influenciado. Claramente se notava que ali tinha hippie, gótico, punk, eletrônico, folk e não precisava de nenhuma prova de que eram músicos de verdade para serem levados a sério. Quem tinha consagrado "Time to Pretend" não havia sido o grande público, o público fácil. Foi quem enxergou em um hit qualidades de grandes e ótimas influências. No fim das contas, pela tentativa dos rapazes, "Congratulations" acaba, infelizmente, soando meio forçado e até pedante.
Mesmo assim, detaques para "It's Working" e "Brian Eno".

também trouxe de lá

Morrissey "Swords"

Já que não vinha encontrando por aqui no Rio, assim que topei com ele em um loja em Palermo, me apoderei e não larguei mais. A boa surpresa é que mesmo sendo um disco de sobras e B-sides, consegue formar um álbum e, por incrível que pareça, um álbum bastante bom. Talvez pelo descompromisso de não ter que compor uma unidade musical para um momento específico, um desejo da gravadora, um objetivo de vendas etc., "Swords" é mais ousado, por exemplo, que "Ringleader of Tormentors", "Maladjusted" e até mesmo do que o bom "Years of Refusal". Além de mais pegada, mais sonoridade, tem, de novo, um Morrissey melodioso, musical e mordaz. "Good Looking Man About Town" que abre o disco já causa boa impressção e surpreende com sua base meio oriental, indiana ou algo do tipo. "Ganglord", já destacada aqui no blog é outra das grandes do álbum com uma base sutilmente eletrônica. "Shame is the Name" é bem Moz e bem radiofônica até.Gostei muito também de"Sweetie Pie", estranha, melancólica mas interessantemente bela e "The Never-Played Symphonies", tristíssima, mas linda.
Boa aquisição.

E outro ainda que compre lá foi

Miles Davis "Tutu"

Comprei numa loja exatamente que homenageia o trumpetista, a Miles, na Rua José Luís Borges, também no bairro de Palermo. Eu tive o "Tutu" em cassete há um tempo atrás em Porto Alegre, deixei lá com meu irmão, depois consegui um piratinha e agora finalmente o tenho decentemente. Sei que não é das obras-primas deste gênio, mas particularmente gosto muito da obra. Miles Davis que virou o jazz (e a música em geral) de cabeça pra baixo umas três vezes ou quatro, acelerando, desacelerando, colocando elementos e tirando, aqui dá uma aula de como fazer um jazz vanguardista, moderno e atrevido, cheio de misturas e influências.
Destaque para a faixa-título, "Tutu", minha preferida.

sábado, 15 de maio de 2010

ARQUIVO DE VIAGEM - Comer na capital Argentina


Ao estilo criollo, jantar ao som de tango.
Viagens sempre rendem assunto e boas viagens ainda mais.
Havia escrito sobre passeios, lugares, futebol, mas tinha prometido falar de gastronomia e ficara devendo esta parte.
Amigos, pra quem gosta de churrasco, carnes na brasa, grelhados em geral, a gastronomia argentina é um achado. Eu, gaúcho, então, me fartei dos mais saborosos e suculentos pratos. A especialidade, que é imperdível, é a parrillada, algo bem próximo do nosso churrasco mas com um "formato" um pouco diferente. Tudo é feito na brasa mas são servidos cortes específicos em um prato só. Tipo um churrasco misto. A carne deles também é diferente do padrão de churrasco brasileiro, sobretudo da região sudeste (Rio-SP) que prefere cortes finos e sequinhos. Se assemelha, até por questões geográficas, ao padrão gaúcho de corte e preparo, com uma carne bem mais gordurosa, mais rústica, mais campeira. Comi a tal parrillada no bairro da Boca supondo que por ser meio que caseira, pela característica dos restaurantes dali, fosse mais autêntica e tradicional mas me enganei e a qualidade do prato ficou a desejar. Gostei muitíssimo, sim, de uma que comi no centro da cidade, que foi absolutamente espetacular e muitíssimo bem servida para uma pessoa. Mas o melhor prato, e que não foi a parrillada inteira e sim apenas um corte, foi o vacio (uma espécie de filé mignon, mas com uma capa de gordurinha de cada lado) que comemos em Palermo Soho, num simpaticíssimo restaurante chamado Estilo Criollo.

O Punta Brasas, mais chiquezinho.
Localizado na rua Serrano, próximo à movimentada praça Julio Cortazar, tem ótimo atendimento , ambiente aconchegante e uma carne fantástica. Gostamos tanto que fomos lá quase que por acaso no primeiro dia da viagem e quisemos voltar para comemorar meu aniversário; e logicamente, pedimos o mesmo prato.
Outro lugar legal pra se conhecer e comer é Palermo Hollywood, ali pertinho do Soho. Um lugar cheio de resturantes; estes já de um nível um pouco mais elevado mas, curiosa e favoravelmente, com preços não muito mais altos do que os do resto da cidade. O preço das coisas aliás é um ponto a favor. Nas atuais condições econômicas, com o Real mais valorizado que o Peso, a maioria das coisas estão muito baratas para nós brasileiros, aí o que acontece é que se come bem e se gasta pouco.

vista da janela do La Paraolaccia.
Lá fomos ao Punta Brasas, na rua Bonpland esq. com Honduras, que além do lomo de ternera que pedimos, serve uma morcilla fenomenal. Puerto Madero, uma área nova, revitalizada, mais moderna, um antigo porto à beira do rio, é uma pequena exceção a esta regra. Lá a a maior parte dos estabelecimentos é bem mais caro. Quase o dobro do preço dos outros lugares. O que não inviabiliza um jantar lá, mas aí é o preço de um restaurante bom no Brasil. Comemos lá também mas escolhemos um restaurante que não fugisse muito dos preços usuais do restante da cidade. Fomos a uma cantina com comida italiana chamada La Parolaccia que por sorte, mesmo lotada por conta do bom preço, nos deu uma mesa na janela com vista para o rio.

De resto, a cidade não tem muitos vendedores de rua, lanches rápidos ou "podrões". Até se encontra um churrasquinho que outro, um cachorro-quente, mas não é aquela coisa fácil de se tropeçar em um destes a qualquer momento. Como lanchinhos deve-se provar os empanados e croissants em qualquer café ou padaria, normalmente muito bons. Vale a pena assim como em Paris, SENTAR mesmo nestess cafés argentinos e saborear as delícias.






Cly Reis