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quinta-feira, 11 de abril de 2013

The Cure - Arena Anhembi - São Paulo / SP(06/04/2013)



Just Like Old Days!
por Christian Ordoque


foto:Iris Borges
Toda década tem o U2 que merece. “Mas tu não foi num show do The Cure seu doente ? E vem me falar em U2 ?!?!?”. Explico. Nos anos 60, teve Beatles/Stones, nos 70 teve Pink Floyd/Led, nos 80 teve Cure/U2, Iron e AC/DC/Bon Jovi, Kraftwerk e Depeche/Pet Shop Boys e Erasure, nos 90 teve Metallica/Guns, e a partir dos 2000 teve R.E.M./Radiohead e Nirvana/Foo Fighters. O que eu quero dizer com isso. Tem bandas que são as que aparecem para a mídia (e que permanecem no tempo), que se consolidam como “A cara” do momento, da época.

Entretanto existe outro tipo de banda que faz um som um pouco mais elaborado e não tão pop / radiofônico que são tão boas ou até mesmo melhores que as da vitrine. Grosso modo coloquei as de som elaborado como as primeiras e as mais pop como o segundo exemplo na comparação acima. E é bom que assim seja, pois uma faz o papel de fundamentação do estilo musical da década e outra o de divulgação. Mais ou menos como trabalhos de academia e revistas de divulgação científica. American Journal of Medicine e Superinteressante. Ok ?

“Eu vou, retomar o raciocínio”. Show The Cure. Começou antes com o show bem indie e bem bonzinho da Lautmusik com uma vocalista muito afinadinha e uma banda tocando competentemente músicas pops curtas e rápidas. Sobre a segunda banda me lembrou um Pink Floyd com distorção. “Vamos falar de coisa boa ? Vamos falar de Tekpix ?”.

Começaram com 'Tape', música de abertura da época do Show e mantendo o clima veio a 'Open' que é música de passagem de som disfarçada, distorções, correções, “Aumenta o baixo, dá um gás na guitarra, não ta pegando o tom tom” e essas coisas. 'High' e 'The End of The World' bem meia boca. "Lovesong" ainda arrumando o som com uma musica mais suave. (pensa que me engana seu Bob Smith, em matéria de Cureologia conheço suas manhas seu Bob Smith. “20 anos de curso !”).

E daí o bicho pegou pela primeira vez na noite com a (ainda não inventaram adjetivo para descrever, quem quiser colaborar, por favor, a casa é sua) "Push". O cara ouve esta música desde sempre e ficava imaginando com era ao vivo e quem tocava o que etc e tal. E daí a banda tá ali na tua frente e os guitarristas esmerilhando de forma parelha neste clássico. A bem da verdade, o Gabrels algumas vezes fazia a cama para o Smith deitar e rolar, o que se repetiu várias vezes durante o show. Uma hora ia um, outra hora ia outro a solar ou fazer base. Lá pelas tantas pensei: “Vai faltar voz na ‘The only way to beeeeeee’”. Não faltou. "In Between Days" empurradaça na base do violão assim como a 'Just Like Heaven' termina o primeiro bloco radiofônico da noite que tinha começado com a supracitada "Push".

A banda durante a execução de "Lovesong"
(foto: Iris Borges)
E daí vem a 'From the Edge of the Deep Green Sea'. Musicaço guitarreiro no último grau, quebrando de modo magistral o bloco anterior e serviu para mostrar que o “novo” guitarrista do Cure toca horrores quando quer. E é isso que faz de um instrumentista um músico, saber quando é necessário encher de notas e firulas uma canção e não sempre. Não precisa ficar em toda santa música se debulhando, só quando precisa, e ele sabe disso.

"Pictures of You", "Lullaby", "Fascination Street" e 'Sleep When I´m Dead'. "Pictures of You" e "Fascination Street" são duas aulas de baixo. Aliás como o Cure é uma banda que é fundamentada no baixo. E o Simon é um monstro, um absurdo.

'Play for Today', como estávamos ali entre as 15 primeiras filas, a galera cantava junto e coisetal e esta foi muito legal com o coro de “O oo oo oo” que ouvi pela primeira vez no ao vivo 'Paris' e 'A Forest' com toda a cerimônia que a música evoca e necessita. Música extremamente envolvente que eu de novo eu pensei: “Vai faltar voz no ‘Againandagainandagainagainandagainagainandagain’”. Não faltou.

Bananafishbones do "The Top" foi um presente para os fãs hardcores, Começou com o Robert tocando uma gaitinha de boca das mais bizarras e um show de guitarra do Reeves, de como utilizar o pedal de wha-wha. E emendou direto e reto na Shake Dog Shake, como teclado um pouquinho acima do tradicional nas partes de suspense e no “Wake up, wake up!” o povo cantou todo em volta. Me senti em casa cercado de fãs hardcores.

'Charlotte Sometimes'. Que beleza ! Comecei a prestar atenção nesta música através de um cover que tem num CD que comprei no primeiro show que vi deles (agora posso dizer isso, já vi 2 :P). Não gostava por causa do clipe, mas ao vivo... Bah ! Depois veio a dançante e que na boa, deveria ser tocada só em baixo e bateria 'The Walk' e que mostrou que finalmente o Jason ta tocando muito direitinho e nessa música, enfiando o braço. 'Mint Car' e 'Friday...' para o povo do rádio, ok. 'Doing the Unstuck' foi outro regalo do Disco 'Wish', música alegre e faceira.

'Trust'. Poisé né... Outra do 'Wish'. Teclados com climão e dedilhados e bom... né. Quem conhece sabe do que eu tô falando. 'Want', a única música que presta do 'Wild Mood...' e que abriu o show de 96. 'Hungry Ghost', whatever... A bem da verdade trocaria taco a taco a 'Hungry Ghost', a 'Sleep when I´m Dead' e a 'The End of The World' por 'M', "Strange Day", e 'There Is no If', mas enfim, nada é perfeito, nem o show do Cure, nem o do Macca e nem eu, veja você...

'Wrong Number' foi outra que cresceu em peso, velocidade e revezamento entre os guitarristas. Fui surpreendido pela execução ao vivo desta música. E já estávamos chegando ao final do show com a "One Hundred Years". Que coisa séria. O cara já acha uma baita música e aqui toda a banda carrega o piano para ele tocar, fazer solo e cantar. Baixo e bateria excelentes, lembrando os primeiros discos ao vivo e bootlegs do Cure. E terminou com 'End'.

Bis. Quando vi o setlist do RJ, me dei conta que eles tocaram 'Plainsong', 'Prayers for Rain' e 'Disintegration' e achei péssimo #prontofalei. E em SP o que aconteceu ? Tocaram 'The Kiss' com o botão de F*&%-se ligadaço no máximo, como se dissessem. “Agora vamos mostrar como se toca de verdade !”. O momento instrumentista da banda com muitas, mas muitas notas por minuto. Em seguida a maravilhosa 'If Only Tonight We Could Sleep' e terminaram com o tijolo quente nos tímpanos 'Fight' !!! Daí sim ! Trocaram as mais xaropentas por 3 clássicos.

Bis 2. Jogando pra torcida e dando olé agora, só sucessos pop. 'Dressing Up', 'Lovecats' (outro baixo absurdo !), 'Catterpilar'. Na "Close to Me" (foi quando ele fez, segundo a Iris Borges, a dança de "Bonecão do Posto", que já tinha arriscado lá na "Lullaby") o povo da frente ficou batendo palmas como no clipe. Ele o o O´Donnel ficaram faceiros e sorriram com esta interação. Aliás, faceiro tava o tecladista, credo ! 'Hot, Hot, Hot!!!', 'Let´s go to Bed', 'Why Can´t I Be You', encerram esta fase pop do segundo bis.

E daí vem o triunvirato 'Boys Don´t Cry', '10:15 Saturday Night' e a impressionante 'Killing An Arab' com uma pitadinha punk na bateria e o Robert mostrando que quem faz os solos nessa música é ele. Terminando com a rotação em alta ! E para mim uma referência muito bacana, pois descobri o Cure ouvindo o 'Concert' que termina justamente com esta música.

No chorômetro (aparelho que marca quantas vezes a pessoas chora em músicas nos shows) ficou assim: "Push", 'Play for Today', 'A Forest', 'Charlotte...', 'Trust', "One Hundred Years", 'If Only Tonight...' e 'Boys Don´t Cry'.

Olha Mr. Smith, acho que o Sr está errado. This boy “craiou” horrores.
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foto: Christian Ordoque
SETLIST
Open
High
The End of the World 
Lovesong 
Push
In Between Days
Just Like Heaven 
From the Edge of the Deep Green Sea 
Pictures of You 
Lullaby
Fascination Street
Sleep When I'm Dead
Play for Today
A Forest
Bananafishbones
Shake Dog Shake
Charlotte Sometimes
The Walk
Mint Car
Friday I'm in Love
Doing the Unstuck
Trust
Want
The Hungry Ghost
Wrong Number
One Hundred Years
End


Bis:

The Kiss
If Only Tonight We Could Sleep
Fight


Bis 2: 
Dressing Up 
The Lovecats 
The Caterpillar 
Close to Me 
Hot Hot Hot!!! 
Let's Go to Bed 
Why Can't I Be You? 
Boys Don't Cry 
10:15 Saturday Night 
Killing an Arab





quarta-feira, 10 de abril de 2013

Baden Powell e Vinícius de Moraes - "Os Afro-Sambas" (1966)


"Nunca os temas negros de candomblé tinham sido tratados com tanta beleza, profundidade e riqueza rítmica (...) é esta sem dúvida a nova música brasileira (...) digo-o em consideração a sua extraordinária qualidade artística, à misteriosa trama que os envolve: um tal encantamento em alguns que não há como sucumbir à sua sedução, partir em direção ao seu patético apelo."
Vinícius de Moraes,
na contracapa da edição original



Assim que aquilo começou a tocar foi como seu eu tivesse sido capturado por um canto de sereia. Aquele coro feminino quase hipnótico, aquele batuque, aquele aquela voz sussurrada, aquele violão mágico. O que era aquilo?  O violão sofisticado de Baaden Powell, unido à poesia característica e ao vocal arrastado de Vinícius de Moraes, explorando os ritmos afro-brasileiros com classe, estilo, requinte, ao mesmo tempo que com simplicidade e crueza, compunham um dos álbuns mais notáveis da música brasileira, “Os Afro-Sambas”, de 1966.
Uma perfeita mescla de técnica, poesia, brasilidade, africanidade, sincretismo, tradições, folclore e genialidade em um trabalho que leva ao limite a multiplicidade e as possibilidades dentro da linguagem do samba e das vertentes da música brasileira desde suas mais remotas origens.
“Canto de Ossanha”que abre o disco é simplesmente emocionante com seu dueto inicial de Vinícius com a atriz Betty Faria, naquela espera com voz ofegante para a introdução do refrão e finalmente na explosão do estribilho com o coro do Quarteto em Cy.  Lindíssima, espetacular, fantástica!
O Quarteto em Cy, que a propósito, faz os vocais de apoio em todas as canções do álbum, são destaque na incrível “Canto de Xangô”, de arranjos vocais admiráveis de linhas clássicas contrastando com uma percussão marcante bem característica de pontos de umbanda; e na linda “Bocoché” na qual as vozes parecem emergir do fundo do mar.
“Tempo de Amor” é bem samba-de-raiz, bem samba de fundo-de-quintal, que aliás foi a intenção de como o disco deveria soar.  Puro, primário como uma roda de samba, rústico como um terreiro de candomblé. “Canto do Caboclo Pedra-Preta” também soa bem crua, bem básica e o destaque é para a interpretação magistral de Vinícius, que nem sequer era um grande cantor. Já “Tristeza e Solidão” é mais requintada, e embora tenha o instrumental percussivo, a bateria, os agogôs, os atabaques, bem destacados e evidentes, aparece como uma espécie de bossa-nova bem trabalhada.
O disco fecha com “Lamento de Exu”, faixa sem letra, marcada apenas pela técnica da execução de Baden, emoldurada por evoluções vocais líricas do coro feminino, constituindo, então, um encerramento grandioso e digno de um grande álbum.
Um dos discos que mais me impactou nos últimos tempos. Assim que comecei a ouvi-lo na casa do meu irmão, Daniel , conforme descrevi acima, me apaixonei. Até copiei um arquivo para mim, mas como sou chato e gosto mesmo de mídias originais, recentemente adquiri uma edição inglesa do álbum. Foi meio difícil achar, mas valeu o esforço. Aqui no Rio, por exemplo, estive em uma loja de discos bem conceituada em MPB, a Toca do Vinícius, à cata deste “Afro-Sambas” e de uma boa coletânea do Nelson Cavaquinho. Chagar a ir até lá era algo do tipo “se não tiver na Toca do VINÍCIUS, não tem mais em lugar nenhum”. O dono da loja indicou-me que encontraria facilmente algum do Nélson em uma Loja Americanas da vida, mas meio que me desanimou quanto ao “Afro-Sambas”, dizendo-me que somente com muita sorte o encontraria em LP no Brasil, e em CD só encontraria no exterior, mas que me parabenizava pelo bom gosto. Agradeço, caro comerciante, ainda mais sabendo dos títulos que lida e manuseia todos os dias em sua loja, mas o elogio não é para mim. Não sou eu, o disco que é de muito bom gosto. De muitíssimo bom gosto. Eu só fui capturado.
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FAIXAS:
  1. Canto de Ossanha - 03:23
  2. Canto de Xangô - 06:28
  3. Bocoché - 02:34
  4. Canto de Iemanjá - 04:47
  5. Tempo de amor - 04:28
  6. Canto do Caboclo Pedra-Preta - 03:39
  7. Tristeza e solidão - 04:35
  8. Lamento de Exu - 02:16
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Ouça:

terça-feira, 9 de abril de 2013

Mostra “VOCÊ ESTÁ AQUI”, de Daniel Escobar – Galeria Mamute – Porto Alegre / RS








A mostra que começa a dimensionar onde realmente cada um de nós está no mundo, fica mais duas semanas na Galeria Mamute e apresenta cinco obras do artista plástico Daniel Escobar.
Para os amantes da deriva e da perambulação por cidades (a quem me alio por vocação) a mostra de Daniel tem muito desses caminhos trilhados por cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte e New York. Daniel convive com os espaços numa versão tridimensional. Ele está dentro dos espaços, seja afetivamente, seja por estar perambulando mesmo.
Daniel nasceu em Santo Ângelo e formou-se em Artes Visuais no Instituto de Artes da UFRGS. Seu trabalho está em coleções públicas de alguns museus referenciais no mundo das artes. No exterior, está no Canadá, na Devry Smith Frank LLP, em Toronto; em New York, no Crowell and Moring Law Firm; em solo brasileiro, no Museu de Arte da Pampulha, em Beagá; no Museu de Arte do RS (MARGS); no Museu de Arte Contemporânea do RS (MAC/RS), em Porto Alegre; e nos Museus de Arte Contemporânea de Jataí (GO) e do Paraná (PR).
A ideia é pensarmos num conjunto de situações onde realidade e representação dos lugares parece fundir-se para que finalmente possamos nos identificar como habitantes destas cidades reais e fictícias. Em sua produção mais recente, Daniel aborda paisagens do desejo criadas pelo entretenimento e o consumo. Existe muito de publicidade nestas obras buscando trazer à tona várias camadas que constroem o que vemos somente na superfície. Neste sentido, a cidade ganha ares de sonhos, mistura-se aos mapas, ícones e tours labirínticos, deixando você imerso em pura fantasia.
A mostra tem curadoria de Bernardo José de Souza, que é curador associado da 9ª Bienal do MERCOSUL, curador independente do MAC/RS e Ecarta, professor de Pós-Graduação em Moda na ESPM, Coordenador de Cinema, Vídeo e Fotografia na PMPA. 
Conheça os trabalhos que fazem parte da mostra na Galeria Mamute:


  • Sala 1
Scroll, 2013: É um mapa do local da exposição e seu entorno. O mapa obtido no Google Maps a partir da imagem projetada sobre a parede e, em seguida, redesenhada através da sobreposição de fitas adesivas, que constroem o traçado urbano sobre a parede.

Scroll, 2013,
foto: Drigo Cardoso

Permeável – série “Perto demais”, 2012: A publicidade está nesta obra através de outdoors e cartazes sobrepostos, perfurados em formato de 1,50 x 2,20cm. “Perto demais” faz parte de uma série de trabalhos desenvolvidos com empresas, que fazem esse material e descartam o excedente. O perfurador que Daniel utiliza transforma essas imagens em rendas de papel, com imagens porosas, instaurando, assim, um novo tempo de observação com imagens enigmáticas.


  • Sala 2
Continuous, 2012: Papel, metal e fragmentadoras de papel. Uma instalação que gera acúmulos de papel em cada suporte. No centro da instalação, as tiras de papel vindas de diferentes direções – aliás, da outra sala –, constroem uma trama que redesenha a malha urbana da parte planejada da cidade de Belo Horizonte. É uma ideia de mapa em processo que representa a cartografia e o espaço real das cidades, sempre em constante processo de transformação.


Continuous, 2012
(foto: Drigo Cardoso)
Atlas de Anatomia Urbana, 2012: Recorte sobre guia turístico de Belo Horizonte, nas dimensões de 21 x 23 x 2,5cm. A série toma como ponto de partida a fragmentação do mapa da cidade em regiões para a sua apresentação em um guia turístico. Os guias são escavados, então se vê o que está no seu interior, conferindo, assim, um caráter escultórico ao objeto.


Atlas de Anatomia Urbana
(foto: site)

  • Sala 3
The World, 2011: Apresenta numa mesa 12 guias de viagem, no formato de 10 x 23 x 20cm cada.  A obra surge da ideia de projetar fisicamente um mundo ficcional produzido pela indústria do turismo, utilizando guias de viagem de diversos lugares do mundo. As imagens, recortadas e levantadas das páginas, ganham cenários tridimensionais que lembram os livros pop-up. A maquete mistura realidade e ficção. A atmosfera escurecida da sala com foco de luz somente sobre os livros deixa o visitante mergulhado num mundo paralelo de sonho.


The World, 2011
(foto: site)

Se você está em Porto Alegre, pegue seu mapa de viagem, abandone a bússola e venha conhecer o trabalho de Daniel Escobar. Embarque nessa deriva e perambule conosco.

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Entrevista com o artista



Teaser de apresentação


 
SERVIÇO:
Mostra “Você Está Aqui” , de Daniel Escobar
Curadoria: Bernardo José de Souza
Local: Galeria Mamute (Rua Caldas Júnior, 375 – Centro Histórico – Porto Alegre)
Visitação: Até 19 de abril, das 14 às 18h, de segunda a sexta

Mais informações:
www.danielescobar.com.br
www.galeriamamute.com.br



 por Leocádia Costa

segunda-feira, 8 de abril de 2013

cotidianas #215 - O Casarão



Deu-se quando este meu amigo de que falei, por motivos de partilha familiar, estava a procurar uma boa casa onde pudesse viver livre das picuinhas e mesquinharias dos parentes. Andando por Botafogo, e deparando-se com uma que parecia lhe atender as necessidades de solteiro abastado, tratou de marcar com a imobiliária uma visita ao dito imóvel no dia seguinte.

Tratou por volta de três da tarde, mas tendo por hábito chegar antes da hora marcada, adiantou-se algo em torno de quinze minutos. Chegando ao portão, e encontrando-o destrancado, adentrou à propriedade de modo a não precisar ficar postado na calçada esperando, já aproveitando para apreciar o jardim e fazer uma avaliação prévia do bem quer pretendia adquirir. Rodeou, perambulou entre as aléias, surpreendentemente bem tratadas para um imóvel vazio, e distraído em seu pequeno passeio, viu-se de repente em frente à porta dos fundos. Tentou a maçaneta só por curiosidade de ver se estaria aberta, e para sua surpresa, a mesma encontrava-se destrancada. Ainda pensou um momento se não deveria esperar o corretor, mas não encontrando mal algum em examinar o local antes da chegada da outra pessoa, adentrou o casarão pela cozinha. Era uma sobrado imponente, de teto alto, corredores extensos, cômodos confortáveis e janelas grandes. Encontrava-se internamente, assim como o jardim, muitíssimo bem arrumado se comparado ao que via-se de fora, sujo, descascado, com aparência de abandono. Lá dentro, não. A sala de estar parecia pronta a receber um sarau, a de jantar uma recepção para a realeza, da cozinha perfeitamente asseada poderiam ser preparados os mais saborosos pratos naquele momento, e os quartos, tão aprumados que estavam, que poderiam receber os mais nobres hóspedes da família real. Por certo, teria o corretor, antecipando a visita, mandado dar um jeito no local de modo a impressionar o comprador. Impressionara, se esta era sua real intenção.

Estava ainda a examinar a prataria da sala de jantar quando fui surpreendido por uma bela mulher que adentrava o ambiente, vinda provavelmente, da sala de estar. Seus cabelos eram louros tal uma cascata de luz, sua pele de um alvor quase ofuscante, sua boca de um rubor sanguíneo e seus olhos eram de um azul hipnótico. Trajava um belo vestido branco, acinturado, com rendas nos braços e na base da saia, levava um leque e usava na cabeça um a espécie de tiara com pedras.

- Suponho que seja a corretora – disse eu – Desculpe-me não imaginei que a imobiliária fosse enviar uma dama, ainda mais tão formosa quanto si.

Ela sorriu como em agradecimento e continuei;

- Espero que me perdoe por não lhe ter esperado... Encontrei a porta dos fundos aberta e... entrei.

Esperei por alguma resposta mas só recebi de volta o mesmo sorriso doce e discreto.

- Podemos ver a casa? – perguntei, agora já um ouço embaraçado pelo silêncio da moça – examinei apenas superficialmente a sala e a cozinha – completei mentindo.

Ela continuou em silêncio e apenas fez sinal com a mão para que a acompanhasse.

Guiou-me então por todas as dependências, sempre calada, apenas gesticulando para que olhasse ou entrasse nos ambientes que me apontava.

No andar superior, indicou-me então uma porta fechada ao fundo de um corredor. Encaminhei-me para lá. Diante da porta, ainda consultei com um olhar à senhorita se deveria abri-la, ao que respondeu com um assentimento de cabeça. Ao abrir encontrei uma ampla e luxuosa suíte com móveis requintados, pesadas cortinas aveludadas e uma larga cama emoldurada por um dossel. Antecipou-se a mim e entrou no quarto convidando-me a acompanhá-la. Assim o fiz, então, observando seus movimentos leves e sendo tomados aos poucos por uma sensação estranha que misturava medo a desejo. Lá dentro, notando minha perturbação, avançou lentamente em minha direção, pousou fixamente seu olhos azuis nos meus, aproximou seus lábios dos meus e enlouqueceu-me num beijo lento e inebriante. Não entendia o que se passava naquela casa naquele instante mas a bem da verdade não fazia questão. Não consegui reagir e nem quereria se pudesse. Não sabia se era certo mas não tinha forças para distinguir juízo de valores naquele momento. Beijamos-nos, abraçamo-nos, despimo-nos e dali em pouco havia sido eu como que arrastado àquela cama, onde me deixara entregar a uma volúpia jamais experimentada, sendo entorpecido por aquele corpo marmóreo, possuído por aquela boca vermelha e envolvido naquelas melenas doiradas. Entrei numa espécie de transe, num estado de prazer tão absoluto que creio ter desfalecido por alguns instantes.

Quando despertei, creio, depois de alguns minutos, acredito, encontrava-me totalmente desfeito, quase nu, sobre a cama. A dama já não estava mais lá. Tratei de vestir-me rapidamente e sair dali o quanto antes, embora imaginasse que tendo estado já uma representante da imobiliária lá, não haveria outros visitantes naquela tarde. Mas mesmo assim, apressei-me e desci para o andar de baixo.

Por que narro agora na primeira pessoa? Ora, apenas para que te sintas mais integrado à história. Dar-te-á uma sensação mais real.

É claro que não foi comigo.

Mas deixa que eu prossiga: ainda se recompondo, descendo para a sala, ele notou um homem bem vestido, de casaco preto, óculos, de bigode fino e cabelo engomado na base da escada, e que,  ao vê-lo, sorriu amistosamente e foi falando:

- Ah, o senhor deve ser o interessado. Não sabia que havia subido. Deve ter visto os quartos, já, não? Sei que estão muito mal-conservados, mal-cuidados, mas o imóvel é bom. Basta uma tinta e fica novinho como que em folha.

- O senhor é?... – perguntou sem completar a frase, só para se certificar.

- Ah, sou Nogueira, o corretor. Espero que tenha gostado do que viu – continuou já emendando a apresentação com a venda – Essa coisa toda de casa mal-assombrada, que a dona da casa aparece, é tudo besteira! Imagine! Fantasmas... Hnff... Faço pouco.

- Dona da casa?...

- Sim. Dizem que uma moça muito bonita teria, TERIA, eu disse, se matado naquele quarto de cima do fundo do corredor. Aquele que está trancado. Coisas de amor, de coração partido. Dizem que a família não aprovava o casamento com um moço e ela preferiu tirar a vida. Mas posso abrir o quarto para o senhor se o senhor quiser. Eu tenho a chave. O senhor vai ver que não há absolutamente nada de errado com esta casa.

Só então notou à sua minha volta que tudo estava coberto de pó, as paredes tomadas de teias de aranha e os sofás e poltronas estavam cobertos por lençóis.

Vendo que o cliente se ocupava do estado de conservação do local, apressou-se em amenizar a situação:

- A aparência, não é das melhores, eu sei, mas não é nada que uma faxineira não resolva – riu um tanto sem graça o vendedor de imóveis. E dando de olhos em algo na parede, pareceu entusiasmar-se repentinamente, desviando o assunto.

-Hei, olhe só! Aqui está. A tal moça de que lhe falei. A que dizem que assombra a casa – mostrando uma fotografia ao visitante – Mas eu tenho certeza que o senhor, que me parece um homem culto, inteligente, não vai se deixar levar por essas crendices populares.

No daguerreótipo onde aparecia com o mesmo vestido que a tinha visto, aqueles olhos o encaravam com a mesma sensualidade de alguns minutos atrás, mas agora parecia notar um ar de satisfação doentia, um espécie de sombra de prazer mórbido. E, embora o retrato que o vendedor mostrava fosse em preto-e-branco, era como se ainda visse aqueles olhos tão azuis quanto há pouco. Um azul estranhamente vivo.
Cly Reis

sexta-feira, 5 de abril de 2013

The Cure - HSBC Arena - Rio de Janeiro (04/04/2013)


Uma noite Como Essa
por Cly Reis

foto: site Terra
O The Cure está definitivamente redimido comigo. Como se precisasse depois da quantidade de músicas que me proporcionaram embalando minha vida há quase 30 anos. Mas se redimiramem relação ao show do Hollywood Rock de 1996, para o qual fui cheio de expectativas e saí relativamente desapontado. Digamos que fizemos as pazes no que diz respito a apresentações ao vivo.

Desta vez não! Uma banda vibrante, pilhada, motivada, entrosada, fez um show entusiástico e impecável. Tirando o baterista Jason Cooper, que eu nunca engoli desde que entrou na banda, para mim um músico afoito, sem naturalidade, ao contrário de seu antecessor, Boris Williams que tocava limpo, sem fazer esforço, o time agora parece estar redondinho, funcionado como um relógio. O resultado disso foi uma performance coletiva competentíssima, salientando a do baixista Simon Gallup, que além de esmerilhar no instrumento, em especial em "Fascination Street" e "Disintegration", tem uma performance de palco muito bacana, com o baixão lá na metade da coxa e se movimentando intensamente o tempo todo.

A gente sempre fica naquela curiosidade sobre que música vai abrir o show e tal, ainda mais no caso do Cure, de grandes inícios de discos, e entre tantas boas alternativas, a opção da banda foi a lógica: abriu com “Open” do álbum “Wish”. Nada mais apropriado, não? Aliás a primeira parte do show, bem longa conforme prometido, começou e fechou com as faixas deste álbum: “Open” na entrada e “End” pra encerrar. No meio disso uma viagem ao longo de toda a discografia, intercalando grandes sucessos com outras menos populares. Teve "In Between Days" levando a galera à loucura; uma “Shake Dog Shake’ ganhando em peso e energia mas perdendo um pouco a identidade (quase não reconheci de início); “Trust”, a única balada, executada lindamente; uma “Love Song” emocionante e até dancinha de aranha de Robert Smith na ótima "Lullaby".

Não chorei tanto quanto no show do Morrissey, aqui no Rio, há pouco tempo atrás, mas em “Play for Today”, por exemplo, sequer consegui acompanhar aquele “ôôô” criado pelo público no disco “Paris”, por conta das lágrimas; e ainda, de sacanagem comigo, Mr. Smith e sua turma resolveram emendar, na sequência, o clássico “A Forest” pra desmontar qualquer sistema emocional. Aí não teve jeito, tive que assistir a essa parte do show com a vista toda embaçada.

Depois de “End”, excessivamente barulhenta por conta do som do ginásio que foi piorando gradualmente, terminada a primeira parte, a banda deu aquele tempinho, bebeu aquela aguinha esperta e voltou para um bloquinho "Disintegration", iniciando com a própria abertura do álbum, "Plainsong", linda e apaixonante, seguida da surpreendente "Prayers for Rain", e fechando o primeiro bis com a faixa-título do que é para mim o melhor disco da banda, "Disintegration", cheia daquele efeitinhos de vidro quebrando, que na verdade, são um charme a mais na música.

O terceiro bis, e a última parte do show foi pra galera, empilhando hits de modo a não despontar ninguém. Foi “Why Can’t I Be You?”, “Hot Hot Hot!!!”, "Close to Me", “Boys Don’t Cry” e até “The Caterpillar”, não muito comum em concertos, reservando a reta final para aquela sequenciazinha já tradicional dos encerramentos do Cure, com “10:15 Saturday Night”, que levou o público à loucura, e “Killing na Arab”, matadora, já num estado de êxtase coletivo.

Destaques também para “Just Like Heaven”, talvez a mais festejada; para "Push", com o público cantando junto o “go, go, go!!!” ; “From the Edge of Deep Green Sea” pouco conhecida do grande público e longa para shows mas mesmo assim com ótima receptividade da audiência;  “Sleep When I’m Dead” que eu, particularmente não conhecia e gostei muito; e ainda para “Want” , a única música aproveitável do sofrível álbum “Wild Mood Swings”. Agradáveis surpresas foram “Bananafishbones”, impecavelmente bem executada e “The Lovecats”, extremamente rara nas set-lists de shows, e interessantes ausências foram, para mim, “Primary”, que considero uma música com pique bom para apresentações ao vivo, e "A Night Like This", uma das grandes da banda e que certamente teria uma boa receptividade, mas que não fizeram tanta falta assim a ponto de comprometer o conjunto geral do espetáculo.

Se eu tinha alguma seqüela daquele showzinho bem mais ou menos de 1996, posso dizer agora que finalmente estou curado. Um show empolgante, vigoroso, numa noite memorável. Uma noite para guardar na memória pois uma noite como essa não é sempre que se tem a oportunidade de presenciar.

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SETLIST
Open
High

The End Of The World
Love Song
Push
In Between Days
Just Like Heaven
From The Edge Of The Deep
Pictures Of You

Lullaby
Fascination Street
Sleep When I´m Dead
Play For Today
A Forest
Bananafishbones
Shake Dog Shake
Charlotte Sometimes
The Walk
Mint Car
Friday I´m In Love
Doing The Unstuck
Trust
Want
The Hungry Ghost
Wrong Number
One Hundred Years
End
Plainsong
Prayers For Rain
Desintegration
Dressing Up
The Love Cats
The Catterpillar
Close To Me
Hot Hot Hot
Let´s Go To Bed
Why Can´t I Be You
Boys Don´t Cry
Saturday Night
Killing an Arab

cotidianas #214 - Como Cacatuas




Ela saiu de sua casa
E olhou ao redor
Em todos os jardins que olhou
Atrás de sua casa
(como todos os rostos
Que questionam quando você sorri...)


E ele estava parado
No canto
Onde a estrada se tornava escura
Uma parte de água brilhante
Como se chovesse sangue
Negro abaixo da chuva


E beijou seus pés , ela caiu
Sua cabeça distânte do paraíso
E sua face pressionou firmemente
E cantou a noite afora
Como cacatuas


"ali há muitas coisas" ele disse
"eu nunca direi aquelas coisas de novo"
E virou seu calcanhar
E ele deixou um vestígio de bolhas
Sangrando em seu lugar


E em sua cabeça
Uma figura de um menino que a deixou
Sozinha na chuva
( e cantou noite afora
Como cacatuas)

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trad. da letra de "Like Cockatoos"
The Cure
(Smith, Gallup, Tolhurst, Williams, Thompson)


quinta-feira, 4 de abril de 2013

The Cure - "The Head on the Door" (1985)



The Cure - The Head on the Door (clyblog)
"Acho que muitos fãs gostam desse disco porque ele está balanceado.
Tem o nosso lado mais soturno como em 'The Blood',
mas há momentos muito relaxados como em 'In Between Days' e 'Close to Me' ."
Robert Smith
“The Head on the Door” , de 1985, é certamente o disco mais pop do The Cure. Mas isso não significa que a banda tenha meramente se entregado ao mercado musical fazendo o que a 'indústria' e o grande público desejavam. O álbum é resultado de toda uma bagagem que o Cure foi agregando ao longo de sua trajetória desde o punkzinho dos dois primeiros discos, a atmosfera dark da fase seguinte, o synth-pop da época que o Cure foi apenas uma dupla, chegando à metade dos anos oitenta tão bem constituída a ponto de dar subsídio para que a banda conseguisse produzir um trabalho extremamente variado sem abrir mão de sua identidade sonora e de suas convicções, com qualidade e personalidade.

“In Between Days “ que abre o disco dá a mostra do quão acessível é esse trabalho da banda, num dos maiores hits de sua carreira. Uma base com um violão marcante, um teclado fluído e inconfundível e um refrão daqueles de não tirar da cabeça. A segue “Kyoto Song”, uma belíssima e perturbadora balada de característica sonora bem à japonesa; uma levada agressiva de violões à espanhola dão início e pautam toda a forte e intensa “The Blood” que vem na sequeência, cujos versos "I'm paralized by the blood of Christ" são resultado de alucinações causadas por um vinho português; vem em seguida “Six Different Ways”, psicodélica, interessante, mas nada mais que apenas graciosa; mas “Push”, a seguinte, com uma introdução longa, típica do Cure, apresentando primeiro toda a parte sonora antes de entrar com a letra, tem um dos melhores trabalhos de guitarra de Robert Smith, nesta que é para mim uma das grandes músicas do álbum.

“The Baby Screams”, que durante algum tempo até mesmo abriu shows da banda, é uma interessante mistura de guitarras com recursos eletrônicos com Robert Smith verdadeiramente gritando, numa interpretação muito legal e interessante; vem na sequência outro super-hit, “Close to Me” com sua batida seca, vocal quase sussurado e tecladinho adorável. Não precisaria nem dizer que é uma das melhores da banda até hoje. O acerto pela simplicidade. “A Night like This’ é outra jóia do disco. Música belíssima, bem composta, tristinha (como de costume) mas de uma leveza impressionante.  Tem um solo de sax lindíssimo que, se o ouvinte não estiver derretido até ali, cai de vez depois dele. Gosto muito de “Screw”, esquisitona, quebradiça, com destaque especial para o ótimo Simon Gallup e seu baixão distorcido. E então o disco fecha magistralmente com a ‘climosa’ “Sinking”, sombria, soturna, depressiva, para, se havia ficado alguma dúvida, ter-se certeza de que tudo o que ouviu-se até então era realmente o bom e velho The Cure.

Um trabalho perfeito de síntese musical dos anos 80. A mistura exata entre o clima de obscurantismo do início da década com a fórmula pop que consegue atirngir o grande público. Com sua melhor formação e auge técnico, o Cure conseguia com um álbum impecável atingir o sucesso comercial, não trair a si próprio, ganhar novos fãs e manter os existentes sem desagradá-los. Nem é meu preferido, até porque sou mais fã dos discos bem ‘góticos’ por assim dizer, como "Disintegration", “Faith”, "Pornography", mas reconheço sua alta qualidade e não estranharia e não tiraria a razão de algum fã se me afirmasse ser este o melhor disco do The Cure.
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FAIXAS:
  1. "In Between Days" – 2:57
  2. "Kyoto Song" – 4:16
  3. "The Blood" – 3:43
  4. "Six Different Ways" – 3:18
  5. "Push" – 4:31
  6. "The Baby Screams" – 3:44
  7. "Close to Me" – 3:23
  8. "A Night Like This" – 4:16
  9. "Screw" – 2:38
  10. "Sinking" – 4:51
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Ouvir:

Internacional - 104 Anos

Até Aqui e Daqui Para Frente

Internacional Campeão Metropolitano de 1913.
Primeiro de muitos títulos ao longo de seus 104 anos


Lembro de ser colorado desde
Desde sempre

Lembro da minha primeira camisa
Lembro do vermelho
Lembro das bandeiras, da torcida

Lembro das vitórias
Lembro das derrotas, é claro
Mas guardo os triunfos em um lugar especial
no coração

Lembro de Carlos Kluwe, de Paulinho Piranha, de Carbone, de Adãozinho
Mesmo sem tê-los visto jogar
Lembro de ter visto jogar Gamarra, Rubem Paz, Geraldão, Celso e Gabiru

Lembro de ter visto gols de pênalti, de falta, de letra, de bicicleta
Lembro de ter visto inúmeras vezes o vídeo do gol de tabelinha do Falcão
E de ver no estádio o gol do Simão

Lembro de não ver o gol da virada do GreNal do século por estar em prantos
Lembro de quase não ver o pênalti do Célio Silva por me abaixar na coréia com medo do que iria ver
E lembro de ver, às gargalhadas, o 5x2 na casa deles

Lembro de ler nos livros que Colombo descobriu a América
Mas lembro mesmo de quando o Colorado a conquistou
Lembro que me disseram que Deus criou o Mundo
Mas o que eu sei mesmo é que foi Fernandão que o trouxe para nós

Lembro de todos os teus 104 anos, Oh, Internacional
(de cada um deles)
Porque eu sempre estive contigo, Inter
Mesmo antes de nascer

Lembro de tudo o que aconteceu até aqui
E Lembro desde agora
De tudo o que virá




Cly Reis

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Minotauro 2



"Minotauro" - REIS, Cly
grafite sobre sulfite (25x15cm)



REIS, Cly

O Frango Atirador


Um Dia Depois do Fim


A volta da Causa Mortis


Meu primo/parceiro/irmão/colaborador (não necessariamente nessa ordem), Lucio Agacê, grande influência musical na minha vida, DJ, blogueiro, multiinstrumentista, agitador inquieto, constantemente envolvido em algum projeto musical, retoma um dos mais legais capítulos de sua trajetória no meio alternativo da Grande Porto Alegre, com o qual eu tive o privilégio de conviver ainda que brevemente: a banda Causa Mortis. Petardo hardcore, agressivo, violento, na veia e dando impiedosamente nos dedos, a CM foi contemporânea, nos anos 90, do nosso projeto musical, muito interessante mas pouco profissional e pouco ambicioso, a HímenElástico, inclusive com membros em comum, como Pereba e Maurício, e por certo, muito nos influenciou na atitute e sonoridade.
O lance todo é que depois de um hiato, aí, de 18 anos, a banda volta disposta a pôr tudo abaixo e  a grande volta acontecerá no dia 03 de maio, no Holiday Studio Pub em Sapucai do Sul. Quem estiver por lá ou pelas redondezas, não perca. Eu, mesmo estando aqui no rio, vou tentar estar presente.
Abraços a todos os integrantes e boa sorte nessa volta.
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Causa Mortis é:
LucioAgace(voz)
Sandro Takeda(bass)
Mauricio Sor(guitar)
César Pereba(drums)


Holiday Studio Pub fica na
Rua Leônidas de Souza, 891, 93210-140 Sapucaia do Sul - RS


veja o vídeo de duvulgação da volta e do evento:



C.R.