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sexta-feira, 25 de março de 2011

Nine Inch Nails - "Broken" (1991)


"Este é o primeiro dia dos meus últimos dias"
primeiro verso de "Wish"



O som conhecido como metal industrial, por misturar elementos de metal e hardcore com os de música eletrônica, incluindo samples, bases pré-gravadas e ruídos cotidianos da vida moderna, salvo raras exceções era extremamente barulhento e pouco técnico tirando o prazer ou a apreciação de uma audição, ou às vezes, ao contrário, mostrava-se excessivamente mecânico porém pouco pesado, pedindo mais contundência sonora, mais agrassividade. Mas "Broken" , um EP, dos Nine Inch Nails, de 1991, aparecia como um dos poucos que conseguiam encontrar o meio-termo exato do gênero, e com uma mistura perfeita e planejada de barulho, tecnologia e qualidade produzia então uma das melhores obras da categoria.
A própria banda, na pessoa de seu membro-único, Trent Reznor, multi-instrumentista de formação clássica, recém ganhador do Oscar de trilha original por "A Rede Social", havia se aventurado pela floresta de sintetizadores e máquinas em "Pretty Hate Machine", seu álbum de estreia com um resultado bem interessante porém, para mim, carente de 'pegada'. O disco até tinha peso nas entrelinhas, nas letras, nas interpretações vocais, nas batidas altas e aceleradas mas faltava vida, faltavam guitarras, e foi isto principalmente que ele colocou no segundo trabalho; e como o próprio Sr. NIN definiu na época era 'um disco baseado em guitarras'.
Senhores, e elas explodem!
A introdução crescente da vinheta de abertura, 'Pinion", desemboca direto na demolidora "Wish", uma bomba, um petardo destruidor com uma tempestade de guitarras que vem em resposta aos vocais desesperadores de Reznor, até terminar repentinamente com o ouvinte já provavelmente sem ar. Mas a pausa é curta pra se recuperar e "Last" já chega de sola com uma guitarra alta e pesadíssima. A segue a instrumental sufocante "Help Me I'm in Hell", menos pesada mas não menos impressionante com sua atmosfera densa lembrando uma abertura de filme de terror.
"Happyness in Slavery" que vem a seguir, então, quebra tudo de vez! Entra arrebentando um vocal gritado, um 'confronto' de sintetizadores que  introduzem para uma base bem eletrônica que  lembra muito o disco anterior, mas aqui soando muito mais poderosa ajudada por um eventual baixo distorcidaço que aumenta ainda mais o caos. A música é pesada, a letra a pesada e o vídeo é tão pesado que sua execução pública foi totalmente proibida. Nele, o artista performático, Bob Flanagam aparece se despindo e prende a si próprio numa máquina de torturas que perfura, corta, dilacera seu corpo enquanto seu rosto vai mesclando sensações de dor e prazer. E não é mais ou menos esta a ideia do disco? "Broken" é um misto de deleite musical com uma constante estupefação pela intensidade sonora. Ao mesmo tempo que fica evidente toda a criatividade, técnica e qualidade de Trent Reznor, ele faz questão de nos 'incomodar' com sua estrondosa barulheira.

Nine Inch Nails: Happiness In Slavery (Uncensored) (1992) from Nine Inch Nails on Vimeo.

Depois de "Happyness..." ter deixado quase que apenas destroços, ainda sobra alguma coisa pra "Gave Up" vir com um ritmo alucinado bem hardcore para encerrar a obra.
Não?
Ôpa!
Surpresa! O CD ainda corre silenciosamente até a faixa 98 para nos apresentar mais duas faixas: "Physical", cover interessante de Adam Ant, bem cadenciada mas com bom peso; e "Suck", versão bem eletrônica com levada bem quebrada para a música do Pig Face, banda do excelente batarista Martin Atkins, ex- PIL, que a propósito, empresta sua qualidade, fúria e técnica à excelente "Wish" e à acelerada "Gave Up".
A linguagem de "Broken" daria rumo ao, também, ótimo trabalho posterior, "The Downward Spiral", que é assunto pra outra hora, mas por si só, este EP representa um dos marcos do gênero industrial, um dos divisores de águas da estilo e um dos melhores discos dos anos 90.
Pela evolução sonora da proposta do próprio Nine Inch Nails e pelo resultado alcançado até mesmo no âmbito geral da categoria metal-industrial na qual é importantíssimo, "Broken", mesmo sendo um EP não podia ficar de fora aqui dos Álbuns Fundamentais.
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FAIXAS:
1."Pinion" – 1:02
2."Wish" – 3:46
3."Last" – 4:44
4."Help Me I Am in Hell" – 1:56
5."Happiness in Slavery" – 5:21
6."Gave Up" – 4:08
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98."Physical" (Adam Ant) – 5:29 *
99."Suck" (Martin Atkins, Paul Barker, Trent Reznor, Bill Rieflin) – 5:07 *

todas as músicas compostas por Trent Reznor, exceto as indicadas
todas as músicas tocadas integralmente por Trent Reznor, exceto faixas 2 e 6 com bateria de Martin Atkins e Cris Vrenna

*não estão listadas na relação original do EP
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Ouça:
Nine Inch Nails Broken


Cly Reis

quinta-feira, 24 de março de 2011

Iggy Pop & the Stooges - "Dirty Power"

Saiu há pouco por aí um material bem legal dos Stooges, banda precursora do punk, responsável sobremaneira pelo surgimento do lendário Iggy Pop para o cenário musical, lá pelos idos de 1969.
Trata-se de "Dirty Power", CD duplo reunindo demos, matariais 'perdidos', renegados, versões alternativas,  remixagens, etc. contando inclusive com faixas inéditas desprezadas pela CBS depois do fracasso comercial de "Raw Power" e da demissão da banda.
As novas mixagens são de músicas da carreira solo de Iggy, dos discos "Lust for Life" e "The Idiot" e valem mesmo pela curiosidade já que, na minha opinião não acrescentam às brilhantes produções originais de David Bowie.
Lançamento bem bacana com registros raros e interessantíssimos. Legal para fãs de carteirinha ou mesmo para curiosos que tenham interesse em conhecer uma das bandas mais importantes e influentes da história do rock.
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FAIXAS:
Volume 1

1. Tight Pants
2. Scene Of The Crime
3. I´m Sick Of You
4. I Got A Right
5. Gimme Some Skin
6. Cock In My Pocket
7. Rubber Legs
8. Head On
9. Wild Love
10. Open Up And Bleed
11. Till The End Of The Night
12. Jesus Loves The Stooges

Volume 2

1. Search And Destroy
2. Gimme Danger
3. Raw Power
4. Death Trip
5. I Need Somebody
6. I Wanna Be Your Dog (fast Version)
7. Lust For Life
8. The Passenger
9. China Girl
10. Dum Dum Boys
11. Baby
12. Sister Midnight


C.R.

sexta-feira, 18 de março de 2011

cotidianas #72 - "Há uma luz que nunca se apaga"






Há Uma Luz Que Nunca Se Apaga
Me leva para sair esta noite
Onde tenha música e gente
jovem e viva
Dirigindo no teu carro
Eu nunca mais quero ir para casa
Porque eu não tenho mais uma casa


Me leva para sair esta noite
Porque quero ver gente
E eu quero ver luzes
Dirigindo no teu carro
Oh, por favor não me deixa em casa
Porque esta não é minha casa
Esta é a casa deles
E eu não sou mais bem-vindo


E se um ônibus de dois andares
Batesse em nós
Morrer ao teu lado
Que jeito divino de morrer
E se um caminhão de dez toneladas
Nos matasse a ambos
Morrer ao teu lado
Bom, o prazer e o privilégio seriam meus


Me leva para sair esta noite
Ai, me leve para qualquer lugar
Eu não me importo, não me importo
E num túnel escuro
Eu pensei "Meu Deus, minha chance finalmente chegou"
Mas então um medo estranho me tomou
E eu simplesmente não pude pedir


Me leva para sair esta noite
Me leva para qualquer lugar
Eu não ligo, eu não ligo, eu não ligo
Simplesmente dirigindo no seu carro
Eu nunca mais quero ir para casa
Porque não tenho mais uma casa
Oh, eu não tenho mais


Há uma luz que nunca se apaga
Há uma luz que nunca se apaga...
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trad. de "There's a Light that Never Goes Out"~
(Morrissey/Marr)

O Frango Atirador

No discurso do Obama

domingo, 13 de março de 2011

Iron Maiden - "The Number of the Beast" (1982)



"Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é um número do homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis"
Apocalipse (12:12) e (13:18).



Particularmente, devo admitir, que não sou um grande fã do Iron Maiden. Prefiro antes os que foram fundamentais para que eles existissem, como Led, Purple e Sabbath, e os que não existiriam se não fossem eles, como Metallica, Sepultura, Anthrax, etc., mas não há como não reconhecer que trata-se de uma das bandas mais importantes da história do rock e decisiva na consolidação de um gênero do qual eles são praticamente sinônimo: o heavy-metal.
Às vésperas de um retorno ao Brasil para uma nova série de apresentações, agora em março, aproveito para incluir aqui nos A.F. um disco frequentemente apontado pelos fãs, senão efetivamente como o melhor, mas como um dos mais importantes e significativos na carreira da banda e na formação do metal: "The Number of the Beast" de 1982, além do grande sucesso comercial optido na época e de crítica desde lá, é o primeiro com Bruce Dickinson nos vocais e por isso, já, um marco. Cantor que enfrentou uma certa resistência logo de início ao substituir o carismático porém barra-pesada Paul Di'Anno, Dickinson não apenas consquistou o respeito dos fãs como acabou por tornar-se um ídolo e um símbolo da banda, imprimindo com personalidade sua característica vocal que se tornaria marcante e singular.
Mas voltando ao disco, destaques para a faixa-título, particularmente minha favorita e centro de polêmica em torno de um suposto satanismo, a ótima "The Number of the Beast"; e para a clássica "Run to the Hills" com sua levada galopante acelerada e incansável.
Clássico do metal! Clássico do rock!
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Se Dickinson se tornou um dos símbolos da banda e seu tipo de interpretação uma marca, outro dos elementos que se tornaria ao longo do tempo uma assinatura seria o mascote Eddie. É impossível falar de Iron Maiden sem mencionar Eddie The Head. O caveirão que aparece desde o início nas capas dos álbuns constitui uma espécie de identidade visual do grupo, basta ver aquela caveirinha e sabemos que ali tem Iron Maiden. No início era penas uma cabeça, ao longo do tempo ganhou corpo, assumiu várias formas e nos últimos tempos 'participa' inclusive dos shows na forma de bonecos gigantes.

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FAIXAS:
  1. "Invaders" (Harris) 3:22
  2. "Children of the Damned" (Harris) 4:33
  3. "The Prisoner" (Harris/Smith) 6:00
  4. "22 Acacia Avenue" (Harris/Smith) 6:34
  5. "The Number of the Beast" (Harris) 4:49
  6. "Run to the Hills" (Harris) 3:50
  7. "Gangland" (Smith/Burr) 3:47
  8. "Total Eclipse" (Harris/Murray/Burr) 4:28*
  9. "Hallowed Be Thy Name" (Harris) 7:10
* o disco saiu originalmente com 8 faixas e "Total Eclipse" só foi incluída em edições posteriores.

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 Integrantes em 1982
Bruce Dickinson - vocal
Steve Harris - baixo
Dave Murray - guitarra
Adrian Smith - guitarra
Clive Burr - bateria
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Ouça:
Iron Maiden The Number of The Beast



Cly Reis

quinta-feira, 10 de março de 2011

Novos Baianos - "Acabou Chorare" (1972)

Lá vem o Brasil bater à minha porta


 
Acima, a capa original de 1972,
e abaixo, a do relançamento em 1984
“Um heavy-samba que misturava
os mestres da MPB
com os sons internacionais
resultou num dos melhores discos
da história da música pop nacional.”
Nelson Motta



Era só um grupo de hippies doidões que, na utopia de viver em uma comunidade de “paz e amor”, saiu em bando da Bahia para se socar em um sítio em Vargem Grande, no Rio de Janeiro, estado onde a indústria fonográfica de fato acontecia naquele início de anos 70. Almejavam ganhar a vida tendo como inspiração seus ídolos do rock: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Beatles, Mama’s & The Papa’s e por aí vai.
Num Brasil tricampeão de futebol e em plena ditadura de AI-5, os “heróis da resistência” e também baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso recém voltavam do exílio em Londres. Os festivais, sufocados, já não tinham a mesma efervescência político-cultural. Nas rádios, o predomínio do pop mezzo-caipira mezzo-brega mezzo-romântica (ou seja: para tentar agradar a todo mundo) da dupla Antonio Carlos & Jocafi não desagradava aos militares, e isso era o que importava. O movimento hippie, assim como qualquer outra manifestação artística e cultural, não tinha a menor voz naquele cenário (a ver a repressão ao tropicalismo). Ou seja: aquela turma estava fadada a cair no esquecimento.
Até que um dia, ainda morando na cidade, aparece na porta do apartamento da galera um senhor sério de terno e gravata. Era a “cana”? O cheiro do baseado tinha incomodado tanto assim os vizinhos? Depois de muito se amontoarem para espiar pelo olho-mágico, perceberam de quem se tratava: era simplesmente o Brasil que lhes batia à porta. Ah! O outro nome do Brasil é João Gilberto, caso não saibam. E a turma de ripongos – formada por Baby Consuelo (vocal, percussão), Paulinho Boca de Cantor (vocal, percussão), Pepeu Gomes (guitarra, violão solo, craviola, arranjos), Dadi (baixo), Jorginho (bateria, bongô, cavaquinho), Baixinho (percussão e baixo), Bolacha (bongô) e liderada por Moraes Moreira (vocal, violão base, arranjos) e Luiz Galvão (composições) – era a banda Novos Baianos.
Formado ainda em Salvador, em 1968, os Novos Baianos lançariam um ano depois seu disco de estreia, “Ferro na Boneca” que, embora o relativo sucesso comercial, não podia ser repetido para um segundo trabalho. A fórmula roqueira já não condizia com o que a mídia e nem os próprios músicos ansiavam. Eram talentosíssimos: Moraes e Galvão, criativos compositores; Pepeu, o primeiro virtuose da guitarra brasileiro; Baby, uma intérprete irreverente e moderna; Dadi, um baixista de mão cheia. Mas sentiam que precisavam de sangue novo.
Foi então que, naquela aparição divina, o “velho baiano” trouxe-lhes o dendê que faltava na receita. A bossa nova, que o João Gilberto ajudara a cunhar em 1958 com Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de modernizar o samba, diminuindo seu compasso e adicionando toques do cool jazz americano, tinha impregnada na sua estrutura melódica e harmônica toda a tradição do samba, do maxixe aos standards da Rádio Nacional. Quer dizer: o exemplo da bossa de João Gilberto vai além da música: é o reconhecimento de um Brasil etiologicamente desenvolvido enquanto força artística. E os Novos Baianos captaram isso. Com o talento e experiência que tinham, em 1972, eles entraram no estúdio da Som Livre sob o comando de Eustáquio Sena para criar o disco que hoje é um dos mais importantes da música popular brasileira: “Acabou Chorare”.
A veia brasileira já diz a que veio de cara, abrindo o disco com “Brasil Pandeiro” numa versão histórica do samba de Assis Valente (composição de 1940, imortalizada na voz de Carmen Miranda) incluída no repertório por indicação de João Gilberto. Ali já estava tudo pelo o que a banda passou a ser reconhecida a partir de então: a fusão incrivelmente harmoniosa e orgânica do regional e do universal, onde tudo é samba ao mesmo tempo em que é rock, que é baião, que é frevo, que é pop. E com rebeldia, bom humor e pegada!



Em seguida, talvez grande obra-prima dos Novos Baianos enquanto conjunto: “Preta Pretinha”. Uma balada de mais de seis minutos que inicia apenas com voz e violões brejeiros, e que vem num crescendo aonde os outros elementos da banda vão sendo adicionados aos poucos até um final emocionante em que todos brilham. Aliás, esta é uma das características do disco: ser extremamente bem executado, a ver a bela instrumental "Um Bilhete Pra Didi", de pura técnica e inúmeras referências melódicas que vão de Hendrix a Jacob do Bandolim.
Há "Mistério do Planeta", "A Menina Dança" e “Tinindo Trincando”, canções pop com levada de MPB e um trabalho de guitarra excepcional de Pepeu Gomes. Mas é mesmo a raiz afro-brasileira que dá o tom: em "Swing de Campo Grande" (“Minha carne é de carnaval/ Meu coração é igual”) e “Besta é Tu” a galera chama no pé! Esta última, claramente surgida de um momento de discussão que acabou dando samba.
A ligação com as raízes do Brasil, que João Gilberto tão bem traduziu na bossa nova na sua inaugural batida de violão e seu modo econômico mas completo de cantar, entraram na música dos Novos Baianos de forma consistente e definitiva. Mas não com exageros. E esta releitura inteligente do moderno e do antigo fez com que “Acabou Chorare” se alinhasse ao tropicalismo, tão carente de um novo gás naquele instante. “Nós vimos o tropicalismo de Gil e Caetano e acreditamos que era possível criar algo novo”, disse Galvão certa vez.
O fato é que esta obra abriu portas para que bandas como Paralamas do Sucesso, Pato Fu, Rappa e Skank tenham hoje terreno para misturar o pop que vem de fora com ritmos brasileiros sem que se lhes torçam a cara por isso. Com justiça, “Acabou Chorare” é considerado discoteca básica essencial, tanto que consta como primeiríssimo da lista dos 100 discos fundamentais da música brasileira pela revista Rolling Stone.
Mas falta falar ainda da verdadeira pérola do disco: a faixa-título. Se em “Preta Pretinha” o talento de todos é chamado em cena, na faixa “Acabou Chorare” são apenas os violões de Moraes e Pepeu que brilham. E isso basta. Bossa nova total, esta delicada canção de ninar, além da linda melodia (e o rico solo de Pepeu ao final), traz na letra uma novidade na música brasileira enquanto estilo. Antes mesmo de grandes obras musicais para crianças como “A Arca de Noé” de Vinícius ou “Os Saltimbancos” de Chico Buarque, ela versa palavras do imaginário lúdico infantil com uma pureza e inocência que suscitam imagens incomuns e até surreais. Neologismos, palavras que se encadeiam pela sonoridade, frases “sem sentido”. Afinal, quem não há de se emocionar com os singelos versos que dizem que a abelhinha “Faz zunzum e mel”, ou que ela “Tomou meu coração e sentou/ Na minha mão”?
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“Acabou Chorare” têm como “musa” a filha de João Gilberto, a hoje internacionalmente conhecida Bebel Gilberto, com 6 anos na época. A coisa toda surgiu do convívio dos dois com a banda. O título, algo como “parou o choro”, era dito por Bebel e vem da confusão que ela fazia entre os idiomas português, espanhol e inglês por conta dos períodos de residência no México e EUA, além do Brasil.
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Foi João Gilberto também quem, um dia, sentado na rua ao lado de Moraes e Galvão, ao ver uma linda mulata passar caminhando com “seus requebros e maneiras”, disse aos dois a frase que inspirou a música Moraes, gravada em 1979: “olha lá, gente: lá vem o Brasil descendo a ladeira!”
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FAIXAS:
1. "Brasil Pandeiro" (Assis Valente)
2. "Preta Pretinha" (Luiz Galvão / Moraes Moreira)
3. "Tinindo Trincando" (L. Galvão / M. Moreira)
4. "Swing de Campo Grande" (Paulinho Boca de Cantor / L. Galvão / M. Moreira)
5. "Acabou Chorare" (L. Galvão / M. Moreira)
6. "Mistério do Planeta" (L. Galvão / M. Moreira)
7. "A Menina Dança" (L. Galvão / M. Moreira)
8. "Besta é Tu" (L. Galvão / Pepeu Gomes / M. Moreira)
9. "Um Bilhete Pra Didi" (Jorginho Gomes)
10. "Preta Pretinha (reprise)" (L. Galvão / M. Moreira)

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Ouça:
Novos Baianos Acabou Chorare




por Daniel Rodrigues

quarta-feira, 9 de março de 2011

cotidianas #70 - Literatura Privada


Começou com o jornal que forrava o armário. Lia uma manchete, uma notinha, às vezes se impressionava com uma notícia de anteontem, se surpreendia com uma informação da semana passada e, ali, no banheiro enquanto cumpria aquela necessidade fisiológica, atualizava sua desatualização.
Uma cagada! Ah, só um homem sabe o quanto é importante uma boa cagada, pensava ele. Pra uma mulher era só uma necessidade, de preferência dispensável; era entrar ali fazer e sair. Pra um homem não: aquilo era praticamente um evento. Era um momento de concentração, de serenidade, de introspecção até, de tranquilidade. Era o seu momento, pensava enquanto lia uma bula qualquer sentado no vaso.
Visto que normalmente permanecia pelo menos uns 15 minutos ali, na casinha-de-força, achou por bem aproveitar melhor aquele tempo desperdiçado e, sempre antes de entrar, pegava na sala uma revista. No mais das vezes lia coisas sem interesse: atriz casou com empresário, apresentadora espera segundo filho, dicas para fazer sua parceira ir às nuvens, e coisas do tipo, mas como aquilo o distraía resolveu colocar um pequeno revisteiro ali no banheiro. Mas em pouco tempo encheu-se daquele monte de futilidades das revistas e resolveu tornar sua estada, costumeiramente longa no banheiro, ainda mais proveitosa e passou a carregar livros. No início levava os de contos ou poesias, uma vez que um conto ou poesia equivaliam em tempo a, mais ou menos, uma cagada, e assim, conseguia terminar a leitura. Porém logo encorajou-se e passou, mesmo, a romances. De início os curtos, assim de umas 100 páginas no máximo, que poderia ler em umas duas sentadas. Isso quando não se empolgava com a leitura e prolongava o processo até terminar a curta obra.
Em nome da conclusão de partes, depois de capítulos, depois das obras, começou então a permanecer demasiado no quarto-de-banho, o que que por sua vez já começava a incomodar à mulher  que para qualquer coisa tinha que ir chamá-lo naquele lugar.
Contudo, ele sentia-se cada vez mais à vontade lá. Quieto, tranquilo, arriscaria dizer, até mesmo feliz, por quê não? Chegava em frente à estante de livros, percorria com os olhos, escolhia um que não tivesse lido, dirigia-se ao banheiro, entrava, fechava a porta, baixava as calças, sentava-se na privada, deixava-se ir na leitura enquanto dava aquele barro. Na maioria das vezes acabava de fazer o troço há muito, mas permanecia lá até acabar a leitura. Nem percebia o tempo passar.
Certo dia a esposa o vira passar por ela com "Os Irmãos Karamazov" debaixo do braço. Dirigiu-se ao banheiro, entrou e antes de fechar a porta ainda gritou, "amor, tô no banheiro, se me ligarem diz que eu retorno depois", e ela percebeu que não poderia contar com ele pra nada naquela manhã. Aliás não conseguia contar com ele para quase mais nada! Estava sempre socado naquele lugar maldito. Não entendia aquilo.
Mas não engane-se quem pensa que não podia contar com o marido nem para abastecer a casa. Quanto a ganhar a vida, sempre trabalhara em casa mesmo como consultor financeiro e tinha seu escritório em casa, mesmo antes de adquirir aquele hábito. O que mudou com a nova mania foi que começou a levar o laptop para o WC também e, nos últimos tempos, já emendava leituras ao trabalho.
Como que já estivesse consagrado o costume, mandou fazer uma espécie de escrivaninha com rodinhas para apoiar o computador portátil. Hoje praticamente só sai daquele banheiro pra jantar (quando sai). As vezes aproveita a própria escrivaninha móvel e come nela mesmo.
Paralelamente ao trabalho, vem desenvolvendo o projeto de um livro sobre o dinheiro através dos tempos na literatura. Não para de escrever. Só às vezes, nos intervalos, para ler um daqueles muitos livros que estão ali no chão. Uma pilha de clássicos ao lado do vaso sanitário.


Cly Reis

sábado, 5 de março de 2011

Coluna dEle #20

Ziriguidum-terecoteco!
Ziriguidum-ziriguidum-terecoteco!
Aí, galera, é carnaval e Eu já tô no clima.
Já estamos todos sob o reinado de Momo, portanto não Me encham o saco por estes dias porque Eu não tenho responsabilidade nenhuma pelo que acontecer até quarta-feira. É tudo com ele.
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Por falar em governo, os ditadores tão caindo que nem moscas ali pelo oriente-médio, hein! Já caiu o 'faraó' Mubarak, querem a cabeça do da Tunísia, do seu Bahrein, agora querem o tal do Kadaffi... Se a moda pega do povo derrubar quem tá a muito tempo no poder, é bom Eu me cuidar.
Se bem que Eu não sou exatamente um ditador (ou sou?). Só gosto que tudo seja exatamente como eu quero e não largo esse trono aqui de jeito nenhum.
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E sobre 'majestades', o tal do Imperador não toma jeito, mesmo! Dirige bêbado, falta a treino, não se apresenta... Eu já disse que dei todas as chances pro cara. O pior é que quando esses caras são pequenos ficam lá rezando, pedindo pra sair da favela, ser alguém na vida, ter dinheiro e blablablá, aí o Trouxa aqui consegue isso pro cidadão e o fulano só Me faz merda na vida. Pô, aê, cansei. Dá teu jeito agora.
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Ainda sobre futebol, fiquei sabendo que o Fenômeno parou. Putz! Esse Eu fiz jogar pra cacete. Pra esse e o pro Baixinho Eu dei o 'dom da grande área'. Se bem que o Romário andou dizendo, uma época aí, que os outros até podiam ser Reis do Rio mas que Deus só existia um. Quero crer que não estivesse se referindo a ele mesmo.
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Aliás, o Romário Eu soube também que está em carreira parlamentar, é verdade?
Mas vocês, hein! Depois vem me 'chorar as pitanga' que no congresso só tem ladrão, que não votam tal projeto, que não aprovam isso ou aquilo, que não tem quórum... Também, vocês elegem cada um! E esse nem é o pior: Eu soube também que vocês elegeram o Tiririca. Tão de brincadeira. Quando Me falaram Eu não acreditei. Acho que Eu mesmo vou parar o mundo pra Eu descer.
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Não é só isso que Me faz querer descer do Meu Mundo, eu soube também que a Sandy tá fazendo uma campanha sensual, aí, pr'uma cerveja. Tipo, uma devassa e tal, né? É sério?
'Cês devem tá de pilha pra cima de Mim!
Eu boto tanta mulher gostosa no mundo, umas verdadeira potranca exalando sexo pelos poros e os caras Me põe a Sandy como devassa? A loirinha piranha aquela que fez no ano passado tava melhor. Não tem lá muita carne mas (a Patroa que não me leia) até que dá pra dar uns 'tirinhos'. Mas essa garota, a outra metade do Júnior, é tão devassa quanto um pacote de bolacha, um pneu velho, um lápis... Hmmm! Acho que tô ficando excitado.
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A propósito de coisas fora do lugar, acho que vocês querem Me deixar louco: a Dona Encrenca aqui tava vendo a novela esses dias e eu vi que o Lázaro Ramos tá de galã da novela.
Como é que é?
Devem estar de sacanagem comigo!
Cara, talento Eu dei muito pr'aquele cara - até acima da média, por sinal -, mas eu lembro que quando foi pra passar na fila da beleza, aqui em cima, antes de nascer, ele tava com tanta pressa e nem quis entrar.
Pra vocês verem...
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E ainda sobre TV, Eu fiquei impressionado de saber que vocês aí tão assitindo a mais um Big Brother!
Se Eu que tenho o recurso de ficar vendo vocês aqui o tempo inteiro já não aguento isso, não sei como é que vocês suportam 11 edições daquele troço. E uns pagam pay-per-view pra isso! Mas... gosto é gosto.
A culpa é Minha. Eu que fiz vocês assim.
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Bom, vou meter o pé. Cair fora. Ralar peito.
Como Eu sei que o tal do Momo só quer o governo provisório pra folia, dos assuntos sérios quem tem que cuidar sou Eu.
Fui, então.
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Sugestões, reclamações, pedidos, preces, desejos, súplicas para o e-mail:
god@voxdei.gov

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O Frango Atirador

cotidianas #69 - Hoje o Samba Saiu Procurando Você



Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua


Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer



"Baile à Fantasia" (1913) - Chamberland, Rodolpho
Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado


O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão


Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia


Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não dê na vista
Bate palma com vontade, faz de conta que é turista

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"Quem te viu, quem te vê"
Chico Buarque

Ouça:
Chico Buarque Quem Te Viu, Quem Te Vê



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Frango Atirador

O Frango Atirador no Oscar

Oscar 2011 - Os Vencedores




Conforme minha pequena e modesta predição, as estatuetas douradas foram mesmo distribuídas irmanamente de modo que ninguém ficasse muito chateado. Só, provavelmente esqueceram, nesta repartição, de destinar algunzinho para o "Bravura Indômita" dos Irmãos Cohen, que de 10 indicações acabou saindo com as mãos vazias. Mas se por um lado houve sim este equilíbrio, e um filme como "A Origem" acabaria por ter o mesmo número de prêmios que "O Discurso do Rei", e seu mais forte concorrente "A Rede Social", um a menos; é certo que os do Monarca Gago têm irrefutável maior relevância, o que lhe garante, com efeito, a consagração como o GRANDE da noite; tendo sido esta a parte principal onde errei em meus chutes, julgando que não parariam nas mesmas mãos os prêmios de filme e direção. Mas como todo palpite, esta-se sujeito a errar. E, de todo modo, foram apenas palpites e nada mais que isso.
Sinceramente não vi "O Discurso do Rei", e, sinceramente, não verei. Talvez, dia desses, quando passar num Telecine da vida ou coisa assim, mas, em princípio, não me desperta nenhum interesse, nem agora de posse de um Oscar de melhor filme.
No mais, confirmadas as barbadas dos páreos: "Toy Story 3" justamente premiado como animação; Natalie Portman, cuja interpretação não me convenceu (mas não sou eu que voto), como melhor atriz; "A Origem" com os prêmios técnicos; Colin Firth emplacando como Rei Gago; e roteiros, original e adaptado, destinados ao Rei e a Rede.
Mas legal mesmo foi ver Trent Reznor, dos Nine Inch Nails, costumeiramente tão rebelde, arredio e anti-social, subir ao palco, dentro do protocolo, de smoking e visivelmente emocionado, para receber o Oscar de Melhor Trilha Sonora. O cara, que é um baita músico, extremamente criativo e inventivo, e já vinha montando ótimos sets pra cinema como em "Assassinos por Natureza" e "Estrada Perdida", agora teve o coroamento desta investidura no mundo do cinema com uma premiação desta importância.
Destaque positivo, desta vez, para a dupla de apresentadores da festa, Anne Hathaway e James Franco. Discretos, charmosos, engraçados na hora certa, com bom ritmo e condução, sem exageros... Ambos bem, no fim das contas. A cerimônia ficou legal com eles. Não ficou tão cansativa. Fraquinho mesmo foi aquele coral infantil com "Somewhere Over the Rainbow", mas ainda bem que já estava acabando.

Segue abaixo a lista com todos os vencedores da noite de ontem:


Melhor Filme:
O Discurso do Rei (The King’s Speech)


Melhor Diretor:
Tom Hooper – O discurso do Rei (The King’s Speech)


Melhor Ator:
Colin Firth – O Discurso do Rei (The King’s Speech)


Melhor Atriz:
Natalie Portman – Cisne Negro (Black Swan)


Melhor Ator Coadjuvante:
Christian Bale – O vencedor (The Fighter)


Melhor Atriz Coadjuvante:
Melissa Leo – O vencedor (The Fighter)


Melhor Longa Animado:
Toy Story 3


Melhor Filme em Língua Estrangeira:
Em um mundo melhor (In a Better World)


Melhor Direção de Arte:
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)


Melhor Fotografia:
A Origem (Inception)


Melhor Figurino:
Alice no País das Maravilhas (Alice in Woderland)


Melhor Montagem:
A Rede Social (The Social Network)


Melhor Documentário:
Trabalho Interno (Inside Job)


Melhor Documentário em Curta-metragem:
Strangers no More


Melhor Trilha Sonora:
Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social (The Social Network)


Melhor canção original:
We Belong Together – Toy Story 3


Melhor Maquiagem:
O Lobisomem (The Wolfman)


Melhor Curta-metragem de Animação:
The Lost Thing


Melhor Curta-metragem:
God of Love


Melhor Edição de Som:
A Origem (Inception)


Melhor Mixagem de Som:
A Origem (Inception)


Melhor Efeitos Especiais:
A Origem (Inception)


Melhor Roteiro Adaptado:
A Rede Social (The Social Network)


Melhor Roteiro Original:
O Discurso do Rei (The King’s Speech)

C.R.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Indicados para a premiação desta noite



Expectativa para a premiação desta noite em Los Angeles.
Tenho a impressão que não teremos nenhum grande arrebatador de prêmios e que as honras ficarão bem distribuídas, inclusive entre filme e direção, que acredito não devam para nas mesmas mãos.
(palpite)
Vamos ver.
Abaixo todos os indicados ao Oscar deste ano:

 Melhor filme:
- "A Rede Social"
- "O Discurso do Rei"
- "Cisne Negro"
- “O vencedor”
- "A Origem"
- "Toy Story 3"
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”
Melhor diretor:
- David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei”
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”
Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
- Colin Firth – “O discurso do rei”
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”
Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
- Natalie Portman – “Cisne negro”
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”
Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
- Christian Bale – “O vencedor”
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"
Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
- Melissa Leo – “O vencedor”
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”
Melhor roteiro original:
- “Cisne negro”
- “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei”
Melhor roteiro adaptado:
- “A rede social”
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"
Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
- "Toy Story 3"
Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas"
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"
Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"
Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
- "Inside job"
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"
Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
- "Poster girl"
- "Strangers no more"
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"
Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
- "A rede social"
Melhor filme de língua estrangeira
- "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca)
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)
Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" - John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross
Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
- "We belong together", de "Toy Story 3"

Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
- "God of love"
- "Na wewe"
- "Wish 143"
Melhor curta-metragem de animação
- "Day and night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing"
- "Madagascar, carnet de voyage"

Melhor edição de som
- "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"
Melhor mixagem de som
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
- "A origem"
- "Homem de Ferro 2"
Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
- "O lobisomem"


Globo e TNT transmitem a festa, o canal aberto, começará só depois que os 'Brothers' definirem anjos, líderes, emparedados e tudo mais, ali pela meia-noite, já a TNT promete abrir a trasmissão já a partir das 21h, como "Tapete Vermelho" e às 22h com o início da cerimônia. Pra quem tem esta opção, é muito mais negócio.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

The Young Gods - "L'Eau Rouge" (1989)

"...porque o som é algo que realmente você não pode controlar."
Franz Treichler,
vocalista e líder do
The Young Gods



Em 1989, na escolha anual da Revista Showbizz, aparecia lá um tal de "L'Eau Rouge" de uma banda suíça chamada The Young Gods como disco internacional do ano escolhido pela crítica. Não fazia a menor ideia do que se tratava a tal da banda e, na verdade, não procurei conhecer imediatamente, ainda que tivesse ficado um bocado curioso. Só fui procurar ouvir anos depois, já na época em que os downloads eram bem comuns e encontrar coisas como esta já era bastante fácil. Baixei então o tal "L'Eau Rouge" sem a menor ideia do que iria encontrar, não procurei sequer saber o gênero, a linha ou o tipo se som. Como, costumeiramente, as escolhas da crítica da revista eram bem criteriosas, imaginei que encontraria algo, no mínimo interesante, bacana, legal. Mas "L'Eau Rouge", já ao iniciar, mostrava que superaria minhas expectativas, e efetivamente o fez. Era uma espécie de som industrial mas como eu nunca tinha ouvido antes, com inserções de orquestra, de bandas folclóricas, de ritmos tradicionais, com samples inusitados e originais, tudo com muita agressividade sonora e embalado por uma voz rouca e rasgada cantando todas as faixas em francês.
Quando começa "La Fille de La Mort", com suas graciosas repetições à boulevard, não se pode imaginar que venha a se transmutar numa trilha sonora de um pesadelo, num caos sonoro, num clímax barulhento e apocalíptico conduzindo a um final fantástico e arrasador. Emenda, já na sequência, com "Rue des Tempêtes" abrindo com uma breve introdução de violinos que logo descambam para samples de guitarras enlouquecidas e viscerais.
A faixa que dá nome ao disco traz uma batida bem marcada, e por sua vez também explode em guitarras barulhentas no refrão; "Charlotte" dá um alívio no peso e remete às músicas tradicionais francesas com um interessantíssimo sampler de acordeão; "Longe Route" é um foguete devastador; a ótima "Les Enfants" deixa bem evidente a proposta de integração do eletrônico industrial com a música clássica, numa composição intensa recheada de elementos orquestrais pré-gravados trabalhados minuciosamente em estúdio; e pondo o ponto final de maneira explêndida vem a destruidora "Pas Mal" carregada de barulhentas colagens de guitarras.
Ouvi o "L'Eau Rouge" tardiamente em relação a seu lançamento, mas analisando retroativamente fica evidente a enorme influência do som dos caras na música pop de um modo geral, mas sobretudo no cenário do metal-industrial e da música eletrônica, admitida por nomes como Chemical Brothers, Ministry e Nine Inch Nails e até pelo mestre Bowie.
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FAIXAS:
  1. "La Fille de la Mort" (Young Gods) – 7:58
  2. "Rue des Tempêtes" (Young Gods) – 2:51
  3. "L'Eau Rouge" (Young Gods) – 4:20
  4. "Charlotte" (Young Gods) – 2:02
  5. "Lougue Route" (Young Gods) – 3:41
  6. "Crier les Chiens" (Young Gods) – 3:15
  7. "Ville Nôtre" (Young Gods) – 4:07
  8. "Les Enfants" (Young Gods) – 5:32
  9. "L'Amourir" (Young Gods) – 4:17
  10. "Pas Mal" (Young Gods) – 2:45
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Ouça:
The Young Gods L'Eau Rouge



Cly Reis

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

cotidianas #68


A vantagem de trabalhar em obra, muitas vezes, é o que a gente ouve dos funcionários. Certa vez, um pintor que trabalhava numa reforma conosco, relatava bem-humorado o seguinte caso que tento reproduzir da forma mais fiel possível:

- Hihihihi! Não quero mais saber de mulher, não! Não é que eu virei viado. Só não quero mais saber de mulher, assim, pra ter pra mim. Só quero agora é ficar sabendo quem é corno pra ficar rindo da cara deles. Hihihi! Depois que eu cheguei um dia em casa e encontrei o cara temperando a carne na minha mulher em cima do fogão eu decidi que não queria mais saber de mulher. Agora é só essas aí, de pegar por aí. Mulher de ser minha, mesmo, nunca mais. Só fico agora rindo dos corno quem nem eu. Hihihihi!
E ria-se com gosto, como se o mero conhecimento das infidelidades alheias lhe servisse de consolo por ter certeza de não ser o único.
-Hihihi! - ria-se ele, bem feliz.

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tim Maia - "Tim Maia" (1970)


"Eu estou tocando música com influência americana, mas com muita raiz brasileira também porque eu aprendi a tocar violão aqui, meu conhecimento harmônico foi todo aqui."
Tim Maia para o "Pasquim" em 1970

Já começa com um rock pegado, carregado no xaxado mas com uma pitada de música negra americana. Assim é "Coroné Antônio Bento" a primeira faixa deste álbum histórico da música brasileira e um dos mais importantes do seu contexto geral. E esta é a tônica da obra, o álbum "TimMaia" de 1970: música brasileira, cheia de raizes, de origens, mas com influências consideráveis da black-music da terra do Tio Sam. Tudo isso fruto da temporada americana de Tim, pouco antes de gravar seu primeiro álbum. Lá, nos EUA, Tim absorvia James Brown, Stevie Wonder, Ray Charles e trouxe consigo na bagagem o que de melhor conseguiu tirar da musicalidade deles agregando ao seu universo e formação musical, obtendo disso, então um extraordinário resultado.
"Jurema" e "Flamengo" são puro funk-soul ao melhor estilo Mr. Dynamite, com sonoridade toda à americana porém, ambas, com títulos bem brasileiros; "Padre Cícero" é outra carregada de regionalismos e brasilidades, fundindo a tradição religiosa brasileira com a sonoridade gospel americana; "Cristina", que aparece em duas versões, sobremaneira na parte um, mais lenta, tem um baixo marcante bem suingado e muito bonito que serve de moldura qualificada para Tim deitar seu vocal imponente e poderoso.
Destaque também para as baladas 'Primavera" e "Azul da Cor do Mar", outros dois shows de interpretação no vozeirão afinadíssimo e singular de Tim.
Em época de caixas (Box da Universal Music) e reedições (Coleção Abril) das obras do Síndico, nada mais justo que destacar este grande disco aqui nos FUNDAMENTAIS.
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FAIXAS:
  1. "Coroné Antônio Bento" (Luiz Wanderley / João do Vale)
  2. "Cristina" (Carlos Imperial / Tim Maia)
  3. "Jurema" (Maia)
  4. "Padre Cícero" (Cassiano / Maia)
  5. "Flamengo" (Maia)
  6. "Você fingiu" (Cassiano)
  7. "Eu Amo Você" (Silvio Rochael / Cassiano)
  8. "Primavera" (Vai Chuva) (Rochael / Cassiano)
  9. "Risos" (Fábio Imperial / Paulo Imperial)
  10. "Azul Da Cor Do Mar" (Maia)
  11. "Cristina nº 2" (Carlos Imperial / Tim Maia)
  12. "Tributo à Booker Pittman" (Cláudio Roditi)
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Ouça:
Tim Maia 1970



Cly Reis