Engenhão, 20/11/11 - Prometi a mim mesmo que não viria assistir a nenhum jogo do Inter este ano aqui no Rio. Ah, tá sem Maracanã que é mais perto pra mim, o Engenhão não é lá muito acessível, o Colorado não está lá com essa bola toda, jogar fora costuma ser mais sofrido e o mais comum nos jogos aqui é eu voltar pra casa com uma derrota nas costas.
Pois bem que, na condição de sócio do clube, sou sorteado com um ingresso para este jogo. E logo este! Jogo decisivo. Confronto direto por vaga na Libertadores. Ai, meu Deus! E aqui estou eu de novo. Torcendo.
O que resta é torcer.
Torcedor sofre.
Vamo, Inter!!!
Eu poderia falar aqui da importância de John Coltrane para a história do jazz.
(Ou tentar falar)
Ou mais, poderia falar da sua relevância para a história da música.
Eu poderia falar da relação de Coltrane com o saxofone e de sua deste artista para a consagração deste instrumento.
Poderia ressaltar todas as qualidades técnicas deste fantástico instrumentista.
Poderia tentar explicar suas grandes virtudes, seu estilo, características, mas como não sou um especialista, e sim apenas um apreciador, por certo, não conseguiria explanar tudo com precisão.
Poderia até...
Bom...
Poderia um monte de coisas.
Mas não vou.
Queria falar-lhes do disco "My Favourite Things" de 1961, mas... o que poderia dizer dele?
Falar da banda?
Do repertório de regravações de clássicos?
Porter, Gershwin, Rogers...? Hum...
Deixa pra lá.
Apenas dir-lhes-ei que "My Favourite Things" é uma daquelas obras que parecem preencher a alma d'a gente. Uma daquelas coisas que parecem não estar sendo tocadas por seres humanos. Que por vezes chega a parecer fazer-nos ficar em vias de desfalecer ou talvez, também, e não raro, sem nenhum aviso, fazer-nos apanharmo-nos inadvertidamante com lágrimas nos olhos.
Ah,
Dos meus favoritos.
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FAIXAS: 1."My Favorite Things" (Richard Rodgers) — 13:41 2."Everytime We Say Goodbye" (Cole Porter) — 5:39 3."Summertime" (George Gershwin) — 11:31 4."But Not for Me" (Gershwin) — 9:34
“Sean Lennon inteligentemente se posicionou entre o pop e o experimental, propondo uma ideia caleidoscópica como fizeram os multiculturais dos anos ‘90 Beastie Boys, Beck e Cibo Matto.”
Stephen Thomas
A estas alturas, segunda década dos anos 2000, já é possível identificar com clareza quais foram os grandes discos da última década do século passado, os anos 90. Depois dos anos 50, marco do nascimento do rock, dos explosivos e extrapolados ’60, dos psicodélicos e revoltados ’70 e dos criativos e inteligentes ’80, o que restaria à música pop nos ’90? Repetir-se? Não! Alguns artistas souberam recriar e até trazer coisas bem novas. "Broken", do 9 Inch Nails, "Nevermind" , do Nirvana, ou "Loveless", do My Bloody Valentine, já elencados como Álbuns Fundamentais neste blog, são bons exemplos. “Moon Safari”, do Air, “Odelay”, do Beck, e “Big Calm”, do Morcheeba, provavelmente darão as caras por aqui ainda. Mas mesmo gostando mais de alguns destes, um que a mim marcou muito os anos 90 e com o qual me delicio a cada audição é “Into the Sun”, do cantor, compositor e multi-instrumentista Sean Lennon, o “filho do homem”.
“Into the Sun” é, simplesmente, apaixonante. De sonoridade sofisticada, experimental e com um toque artesanal, o CD de estreia deste abençoado ser – resultado da cruza de John Lennon com Yoko Ono – emenda uma pérola atrás da outra, numa explosão de criatividade e técnica. O referido ar “caseiro” não é à toa: exceto algumas participações, Sean compõe, produz, canta e toca todos os instrumentos. A delicada faixa-título – uma bossa-nova de rara beleza com direito à batida de violão a la João Gilberto – é a única em que divide o microfone, acompanhado de Miho Hatori, vocalista da banda Cibo Matto. A outra integrante deste grupo, a então namorada Yuka Honda, co-produtora e “musa inspiradora” da obra, dá sua contribuição com samples, programações e no vocal de “Two Fine Lovers”, um jazz-lounge funkeado ao mesmo tempo romântico e dançante, e de “Spaceship”, outra das melhores.
Uma peculiaridade que impressiona na música de Sean é a sua capacidade de inventar melodias de voz absolutamente belas. É o caso de “Home”, single do CD que rodava direto na MTV com o ótimo clipe de Spike Jonze. Por trás das guitarradas estilo Sonic Youth e da bateria possante do refrão, a melodia de voz é doce, linda, daquelas de cantar de olhos fechados pra saborear cada frase. Outra assim é “Bathtub”, um mescla de MPB com Beatles em que, novamente, Sean destila sua destreza com a palavra cantada, principalmente na parte final, onde se cruzam três melodias de voz apresentadas durante a faixa.
Eu sei, eu sei! É óbvio que a dúvida surgiria: afinal, a música Sean se parece com a de John? Como TUDO em música pop depois dos The Beatles, sim; mas, surpreendentemente, menos do que seria normal pela consanguinidade. A voz, claro, lembra o timbre levemente infantil do beatle. Das músicas, “Wasted”, só ao piano e voz, e, principalmente, “Part One of the Cowboy Trilogy”, um country como os que John tinha incrível habilidade ao compor, remetem bastante. Mas fica por aí. No máximo, a parecença conceitual com álbuns do pai como “Plastic Ono Band” ou “Imagine” por conta da diversidade estilística – o que, convenhamos, não era uma característica só de sir. Lennon.
Outra marca de Sean é a composição no violão. Da ótima faixa de abertura, “Mystery Juice”, à balada “One Night”, passando pelas bossas – a já citada “Into the Sun” e “Breeze”, outra belíssima –, ele brande as cordas de nylon para extrair melodias muito pessoais e profundas. A mais intensa destas é, certamente, “Spaceship”, que começa só ao violão sobre ruídos eletrônicos e na qual vão se adicionando outros instrumentos e sons, até estourar em emoção no refrão, com guitarras distorcidas, bateria alta e a voz de Honda no backing. Ótima.
Mas a variedade musical de Sean não pára por aí. Depois de MPB, indie, country e balada, ele apresentaria ainda, se não melhor, a mais bem trabalhada música do álbum: “Photosynthesis”, um jazz-rock instrumental no melhor estilo Art Ensemble of Chicago. Puxado pelo baixo acústico, que mantém a base o tempo inteiro, tem samples, solos de flauta e de piano, até que, depois de um breve breque, a música volta com um impressionante solo de percussão latina e, emendando, um outro de trompete. Incrível! “Sean’s Theme”, mais um jazz, este mais piano-bar, fecha bem “Into the Sun”, que traz ainda “Queue”, um gostoso rock embaladinho que termina sob uma camada densa de guitarras, revelando, mais uma vez, a engenhosidade no trato com a melodia de voz.
Um “disco de cabeceira” para mim, que não canso de reouvir. Um baita disco de rock com a distinção de quem herdou o que de melhor seu pai tinha como gênio da música que foi: a sensibilidade artística.
*********************** vídeo de "Home", Sean Lennon
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FAIXAS: 1. "Mystery Juice" 2. "Into the Sun" 3. "Home" 4. "Bathtub" (S. Lennon/Yuka Honda) 5. "One Night" 6. "Spaceship" (S. Lennon/Timo Ellis) 7. "Photosynthesis" 8. "Queue" (S. Lennon/Y. Honda) 9. "Two Fine Lovers" 10. "Part One of the Cowboy Trilogy" 11. "Wasted" 12. "Breeze" 13. "Sean's Theme"
Todas as músicas de autoria de Sean Lennon, exceto indicadas. **************************** Ouça:
Fui ao brechó solidário em prol de animais abandonados no atelier da artista plástica Vanice Cougo, na Cidade Baixa, a convite de minha tia e parceirona Isaura Reis e da adorável amiga Francine Kras Borges, envolvida na causa. Sabendo de antemão que haveria pouca roupa masculina, interessei-me por saber que estaria à venda, entre outras coisas, CD’s. Para minha boa surpresa, além de alguns CD’s – como o ótimo “05:22:09:12 Off”, do Front 242, que peguei pra mim –, tinha também vinis. Poucos mas bons! O suficiente para vir para casa com uma pilhazinha de bolachões. São velhos conhecidos, mas as aquisições são novas. Eis:
Ambitious Lovers, "Lust"
“Lust”, The Ambitious Lovers (1990) – O segundo e último trabalho da dupla Peter Scherer e do múltiplo “americano-pernambucano” Arto Lindsay. Assim como o primeiro, “Greed” (1988), segue no estilo sofisticado da banda, que foi uma das precursoras fora do país a unir MPB a um som moderno e tecnológico. Destaque para a faixa-título, a linda “Villain”, parceria com Caetano Veloso (com direito a participação dele e de Naná Vascocelos!), e para a versão eletrificada de “Umbabarauma”, de Jorge Ben. Disco bem legal.
"Midnight Express, soundtrack
“Midnight Express Soundtrack”, Giorgio Moroder (1978) - A marcante trilha sonora de um dos melhores trabalhos de Alan Parker. A música desenha a atmosfera de melancolia, solidão e mistério do filme. De tão forte que é, impossível não associar cenas ao tema musical, como a histórica sequência final. Além desta, cenas como da perseguição pelas ruas de Istambul ou a do acesso de fúria do personagem principal na cadeia são fortemente pontuadas pela música de Moroder.
Caetano, "Totalmente Demais"
“Totalmente Demais”, Caetano Veloso (1986) – Pode-se dizer o precursor do modelo “Acústico MTV”. Este bom disco de Caetano, só na voz e violão, traz, como sempre quando se trata do artista, obras-primas. Já inicia com a então inédita na voz dele “Vaca Profana”, um clássico. Ainda tem pérolas como “O Quereres”, “Oba-lá-lá/Bim Bom” e a linda versão de “Todo Amor que Houver nesta Vida”, de Cazuza, cujo aval de Caetano ao então malvisto rock brasileiro àquela época foi marcante.
Sisters of Mercy, "Floodland"
“Floodland”, The Sisters of Mercy (1988) – Segundo dos únicos três álbuns de estúdio desta boa banda gothic-punk britânica. O disco é irregular, porém traz as boas “Lucretia my Reflection”, com baixo matador, “Flood II” e a soturna “Never Land”. Curiosamente, este é o LP que motivou o início de outra boa banda inglesa da época: o The Mission, uma vez que os então integrantes , Wayne Hussey e Craig Adams saíram do Sisters nesta época para formá-la.
Deee-Lite, "Infinity Within"
“Infinity Within”, Deee-Lite (1992) – Depois do ótimo “World Clique” (1990), puxado pelo hit “Groove is in the Heart”, este segundo trabalho do cosmopolita trio (a americana Lady Kier, o DJ russo Dimitri e o telentosíssimo japonês Towa Tei) não repete com tanto sucesso o trabalho de estreia. No entanto, valem bastante “Runaway”, “I.F.O.”, “Electric Shock” e as interessantes participações das bandas Arrested Development e Disposable Heroes of Hiphoprisy.
Enfim, uma tarde de boa ação e boas compras.
apenas utilizaram um microfone sobre a bateria, e o som da bateria deles é o mais incrível que eu já ouvi. Ainda hoje é o meu som de bateria preferida.
Parece que ele está batendo mais forte
do que qualquer um que eu já conheci."
Kurt Cobain
É certo que um bocado de bandas dos anos 60 influenciaram e ajudaram a formar a linguagem do que seria o punk rock, mas poucas daquela época sujaram tanto o som, estouraram as caixas amplificadas, rasgaram tanto os vocais como o The Sonics. As guitarras soavam altas e agressivas, os teclados quando apareciam formavam uma espécie de camada, os metais eram invariavelmente enlouquecidos e a bateria alta e oca, soava como uma metralhadora nos rolos.
Numa época em que as versões e releituras dos clássicos do blues e do rock eram quase um cartão de visitas para qualquer banda que aspirasse aparecer no cenário musical, os caras verdadeiramente 'desvirtuaram', num bom sentido, algumas pérolas do rock de lendas como Chuck Berry, Little Richard e Ray Charles.
No seu álbum de estreia, "Here Are The Sonics" de 1965, eles até dão uma poupada em "Roll Over Beethoven", por exemplo, que ganha peso, aceleração mas não chega a ser tão ousada, mas "Good Golly Miss Molly", por sua vez fica absolutamente selvagem tal o barulho, o volume e a gritaria; e a bela balada "Night Time Is the Right Time" de Ray Charles ganha vocais berrados e arranhados que lhe conferem uma sensação completamente nova em relação à original.
Mas, em absoluto, se limitavam às covers: das canções próprias destaca-se facilmente a fantástica "The Witch", um rockaço, meio surf music, com um riff minimalista e pesado que lembra o antigo tema do seriado Batman. Nada mais nada menos que matadora! "Psycho", outra das composições da banda, como já subentende o nome é algo assim próximo à loucura, e "Strychnine" que descarrega guitarras ruidosas e vocais violentos em outra das melhores do disco, é puro veneno
O disco "Here are the Sonics" não era assim tão fácil de ser encontrado mas há pouco tempo saiu em reedição com alguns extras, no entanto, bom mesmo pra quem quiser um apanhado geral é a coletânea lançada em 1993 que contém todas as músicas deste primeiro LP e mais um bocado de outras boas coisas da banda, chamada "Psycho-Sonic". Pra quem quiser ir atrás, acho que este é o melhor caminho.
Simplesmente psycho!
Psycho!
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FAIXAS: 1."The Witch" 2."Do You Love Me" (The Contours) 3."Roll Over Beethoven" (Chuck Berry) 4."Boss Hoss" 5."Dirty Robber" (The Wailers) 6."Have Love, Will Travel" (Richard Berry) 7."Psycho" 8."Money (That's What I Want)" (Barrett Strong) 9."Walkin' the Dog" (Rufus Thomas) 10."Night Time Is the Right Time" (Ray Charles) 11."Strychnine" 12."Good Golly Miss Molly" (Little Richard)
*todas as faixas, The Sonics, exceto as indicadas
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Ouça: Here Are The Sonics
"Não há dois caminhos sobre isto: 'After Hours With Miss D' ainda é a prova rítmica, rebelde mais robusta de que a Srta. Washington é uma das artistas mais incomparáveis nos mais altos escalões da canção popular moderna."
trecho do texto da contracapa original do álbum de 1954
Meu primeiro contato com Dinah Washington, lembro, foi proporcionado pela minha amiga Mari, que era secretária num escritório onde eu trabalhava. Ela me emprestou uma fita cassete do namorado dela da época que era um geólogo que havia excursionado à Antartida e que, segundo ele, havia gravado a fita a bordo do navio Barão de Tefé, o que exigia que eu devesse ter cuidado redobrado com a fita. Levei para casa, ouvi, adorei e por ter gostado tanto e para não correr nenhum risco de danificar aquela relíquia da história expedicionária brasileira, tratei de fazer uma cópia para mim e devolver aquele K7 o quanto antes possível. Fiquei muitos anos com aquela fitinha sem saber os nomes das músicas nem nada mas sempre curtindo muito aquela voz, aquela interpretação, aquela emoção, tudo!
O cassete caiu em desuso, a fita se perdeu e fazia alguns anos que não ouvia nada desta cantora até que há pouco tempo atrás, fuçando numa dessas lojas de LP's antigos por aí, topei com um bolachão da cantora. Um belo exemplar, capa de papelão duro, vinil pesadão, edição original americana dos anos 50... Devia custar uma nota! Caro? Paguei R$ 5,00 por aquela raridade. Eu estava levando comigo "After Hours With Miss D", de 1954, para casa e finalmente eu tinha um registro decente desta cantora que eu havia aprendido a gosatar mas que não tinha nada dela em casa para ouvir.
O disco é absolutamente sensacional! Com uma banda de primeira, a "Rainha do Blues" como era conhecida interpreta de forma brilhante e emotiva clássicos do jazz e rhytm'n blues dos anos 50 em jam-sessions soltas e inspiradas.
"Am I Blue?" é uma balada doce, inspirada, sentida, pontuada por um trumpete choroso e melancólico; "A Foggy Day" ao contrário, é um jazz ensolarado, embalado e cheio de vida; "I Let a Song Go Out of My Heart" é belíssima com destaque especial para a metaleira da retaguarda; mas em "Love for Sale", é Dinah quem dá ums show todo particular, mudando os tempos vocais com uma facilidade impressionante e até mesmo rasgando a voz o melhor estilo Satchmo.
Mas a que eu mais adoro no disco é "Blue Skies", clássico de Irving Berlin, numa versão longa com uma interpretação solta da diva e um grande interlúdio instrumental com espaço para performances individuais notáveis de cada um dos integrantes da banda.
Som delicado, delicioso para se ouvir naqueles momentos de relax, nas horas de silêncio. Som para aquelas after hours.
********************************** FAIXAS: 1."Blue Skies" (Irving Berlin) – 7:52 2."Bye Bye Blues" (David Bennett, Chauncey Gray, Frederick Hamm, Bert Lown) – 6:58 3."Am I Blue?" (Harry Akst, Grant Clarke) – 3:14 4."Love Is Here to Stay" (George Gershwin, Ira Gershwin) – 2:31 5."A Foggy Day" (G. Gershwin, I. Gershwin) – 7:59 6."I Let a Song Go Out of My Heart" (Duke Ellington, Irving Mills, Henry Nemo) – 7:02 7."Pennies from Heaven" (Arthur Johnston, Johnny Burke) – 2:17 8."Love for Sale" (Cole Porter) – 2:12
**************************** vídeo de"Love For Sale"
Um homem está pescando na beira de um rio quando um menino se aproxima e puxa assunto: -Legal esse molinete! -É mesmo, diz o homem. -Meu pai tem dois iguais a esse, diz o guri. O cara não dá muita bola, afinal crianças às vezes precisam se autoafirmar a partir dos pais, e segue o que estava fazendo. Vai pegar então a caixa de anzois e o garoto, que continuava ali à volta, dispara de novo. - Meu pai tem duas dessas caixas. O cidadão já meio aborrecido, afinal não é da conta dele o que o pai do garoto tem ou deixa de ter, respira fundo e vai pegar as iscas. O guri, ainda o observando, vê a lata de iscas e tasca: -Meu pai tem duas dessa. O homem, agora já irritado, tenta se acalmar, larga o molinete, a isca, o anzol, e vai até o carro pegar uma cerveja no isopor. Mas o menino, atento, não alivia: -Meu pai tem dois carros desse. O homem faz que não ouve mas o fedelho já emenda: - Meu pai tem duas caixas de isopor dessas. Aí o cara fica puto de vez, desiste da cerveja e pra evitar de sentar a mão no moleque, resolve dar uma boa mijada pra ver se passa a raiva. Vai então até a beira do rio, abre a braguilha, tira o pau pra fora e começa a mijar. Mas já antecipando a provocação do moleque, antes que o menino dissesse alguma coisa, pergunta com deboche: - E aí, vai dizer que teu pai tem dois desse aqui também? Ao que o pirralho responde: - Dois ele não tem, mas tem um que dá dois desse.
" Foi uma abordagem diferente quando começamos 'Check You Head'. Antes disso, muito do que tínhamos tocado era mais pro lado rock e hardcore." Adam Yauch
Os americanos do Beastie Boys tiveram que vencer as desconfianças por serem um grupo rap de brancos, para só então se firmarem neste cenário musical específico tão característico e dominado pelos negros. Mas a bem da verdade não demorou muito para superarem essa barreira. Bastaram seus dois primeiros discos para conquistarem de vez público, crítica e músicos com seu hip-hop/hardcore bem-humorado, irreverente, cheio de embalo e peso. Para se ter uma ideia do quanto o punk, as distorções fazem parte do universo dos rappers branquelas, já na sua estreia no primeiro álbum, “License to Ill”, por exemplo, contaram com a participação do guitarrista do Slayer em algumas faixas, envenenando mais os nervos da rapaziada. Aliás o peso, o punk, o hardcore, o metal são elementos constantes no rap incrementado dos Beastie Boys.
Cara, resolvi falar deles por serem outro grupo que influenciou muito na minha formação e não consigo ver o planeta sem a trilha sonora dos três malucos nova-iorquinos com músicas como “Hey ladyes” ,”(You Gotta) Fight for your Rigth (To Party)”, “Sabrosa”,”No Sleep Till Brooklyn”, e a clássica "So What'cha Want" entre outras.
Em “Check Your Head” de 1992, terceiro trabalho da banda, além da já citada “So What’cha Want”, uma das melhores músicas não só do disco mas do grupo; “Gratitude” com seu baixão distorcido; “Pass the Mic” com aqueles samples e scratches furiosos e “Funky Boss”; outra das grandes do trio, merecem especial. atenção.
Nada melhor do que uma session de skate ouvindo o “Check Your Head”, mais uma dica dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
"Foi o maior registro de Muddy que tivemos na Chess"
Marshall Chess, produtor
"Aquele 'Electric Mud' foi uma bosta de cachorro."
Muddy Waters
Tem gente que não curte por não ser blues tradicional. Há pouco tempo atrás eu soube inclusive que o próprio Muddy renegou este disco. Mas e daí? É difícil defender uma obra cujo próprio criador repudia mas, eu, particularmente, à parte das questões que envolveram sua concepção e pseudo-purismos musicais, considero este um baita de um disco. "Electric Mud" de 1968 aproximava ainda mais o velho e bom blues do psicodelismo corrente naquele final de anos 60 nos quais Jimi Hendrix, por exemplo, já começava a ensaiar esta tendência. Com guitarras mais pesadas, efeitos e levadas mais viajantes, o velho Muddy mostrava vocais simplesmente alucinados e solos enlouquecidos. Ele que já havia sido um dos grandes responsáveis pelo conceito de blues band, que desenvolvera um jeito todo particular de tocar guitarra, ele que fora um dos blueseiros que mais aproximara sua linguagem com a do rock, agora dava peso e experimentalismo ao blues como nenhum bluesman da escola tradicional havia ousado fazer até então. O resultado disso são oito pérolas do rock-blues com a qualidade e a marca registrada da guitarra do Chefe de Chicago.
"I Just Want to Make Love to You" que abre o disco já nos apresenta a surpresa; tem uma batida que se aproxima do funk, uma levada de baixo puxando pro soul, guitarras altas e uma interpretação absolutamente notável de Waters. "I'm Your Hoochie Coochie Man" que a segue, talvez seja, junto com "The Same Thing", as mais conservadoras do álbum, ainda que não possa-se chamar exatamente de puras; "She's Alright" é doideira total num blues pesado com vocais alucinados e guitarras destruidoras solando o tempo todo; "", outra das melhores é "Manish Boy", um bluesão swingado com referências a "I'm a Man" do colega Bo Diddley, à "I'm Your Hoochie Coochie Man" de Willie Dixon e à sua própria antiga canção, "Rolling Stone"; e no mais, cara... tudo é demais nesse disco!
Mas o grande barato mesmo, para mim, é a versão de "Let's Spend the Night Together" dos Rolling Stones. Inspiradíssima, ácida, empolgante, emocionante, envolvente, uma daquelas versões que faz a gente questionar se a cover não seria até melhor que a original. Será?
Diz-se que a ideia do disco neste conceito mais rock, mais doidão, mais eclético teria sido do filho do dono da gravadora, Marshall Chess, que achava que a cerreira do cantor não estava indo muto bem e aproveitou a onda psicodélica para 'sugerir' que Muddy fizesse um disco nessa linha. Ao que consta, foi tudo meio forçado, meio goela abaixo e Muddy não gostou muito disso nem do resultado final. Ao que parece fãs do blues mais tradicional e da obra do cantor também torceram o nariz e o disco foi um fracasso no Estados Unidos. Pra mim, independente do conceito, da ideia, da aprovação ou não do próprio autor da obra, o resultado final é uma das melhores coisas originadas da fusão direta do blues e do rock, que, afinal de contas, além de serem como pai e filho, desde que o rock se originou dele, sempre andaram de mãos dadas mesmo.
O fato é que se McKinley Morganfield, vulgo Muddy Waters, fez este disco contrariado e não gostou do que fez, deu muita sorte em fazê-lo e, sobretudo, nós demos muita sorte de que ele o tenha feito e tenha saído desse jeito. Produziu, talvez, por acaso, uma obra-prima.
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FAIXAS: 01 – I Just Wan To Make Love To You 02 – Hoochie Coochie Man 03 – Let’s Spend The Night Together 04 – She’s Alright 05 – Mannish Boy 06 – Herbert Harper’s Free Press News 07 – Tom Cat 08 – The Same Thing
"Com o Selvagem a gente estava tentando nadar em cores nacionais. E ter um retorno tão forte pra gente significou, 'Uau! Que legal que tenhamos encontrado esse grau de sintonia' "
Herbert Vianna
Os Paralamas do Sucesso eram uma bandinha bem simpática, interessante, gostosa de ouvir. Faziam aquele seu popzinho com toques de new-wave, com influências evidentes de ska mas nada muito mais que isso. Tinham até feito coisas interessantes como "Óculos", "Meu Erro", "Ska" que garantiram seu sucesso comercial mas não convenciam totalmente. Isso até darem uma virada que foi decisiva para sua carreira e para definir enfim uma identidade musical, diferenciando-os no cenário do BR-Rock dos anos 80. Com "Selvagem?" de 1986, o trio Herbet, Bi e Barone incrementava seu pop-rock com coloridos latinos, tropicais, caribenhos, baianos, brasileiros, africanos, caprichava nas doses de reggae e calibrava o seu ska. O que se ouviu então foi um disco admirável cheio de ritmo, balanço, embalo e rock também, por quê não?
A diferença já pode ser notada pelo acréscimo de brasilidades: Gilberto Gil compõe em parceria com Herbert o reggae lento e gostoso "A Novidade" e empresta seus dotes de guitarrista na ótima "Alagados", talvez a melhor síntese de toda a mistura musical proposta no disco, cheia de protesto e crítica social. E reforçando este novo olhar brasileiro, trazem a balada "Você" de Tim Maia numa releitura pra lá de bacana.
"Teerã", bem polítizada, volta seu olhar sobre o oriente-médio despejando uma letra crítica e preocupada apoiada numa linha de baixo marcante e forte; a divertida "Melô do Marinheiro" confirma a vocação da banda para o bom-humor com uma letra engraçadíssima sobre um marujo acidental num reggae cantado quase como rap; e ambas, Teerã e o Melô, são repetidas no próprio disco em versões dub bem interessantes e muito bem trabalhadas no estúdio.
A excelente "O Homem" é séria, reflexiva e tem seu som incrementado com alguns efeitos de teclado; "A Dama e o Vagabundo" cai naquela classificação das 'simpáticas', numa musiquinha legal mas que, com certeza, é a mais fraca do disco; "There's a Party" é ska puro e embalado; e a faixa-título, "Selvagem" é uma pedrada com letra agressiva e guitaras distorcidas transitando na margem entre o ska e o punk. Simplesmente selvagem!
Sem dúvida um dos 5 álbuns mais importantes dos anos 80 junto com o "Cabeça Dinossauro" , o "Dois" , o "Revoluções por Minuto" e o 'Nós Vamos Invadir sua Praia" e um dos mais importantes da música brasileira sendo extremamante influente para grande parte da geração pop rock brasileira dos início dos 90 para nomes como Skank, Cidade Negra, Jota Quest, o pessoal do Mangue Beat, e muitos outros.
A banda está na estrada este ano para a comemoração dos 25 anos do legendário álbum com apresntações tocando o disco na íntegra. A turnê passa aqui pelo Rio e a apresentação ocorre no Circo Voador neste sábado, dia 29 de outubro.
******************** FAIXAS: 1."Alagados" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna) 2."Teerã" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna) 3."A novidade" (Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil, Herbert Vianna) 4."Melô do marinheiro" (Bi Ribeiro, João Barone) 5."Marujo Dub" (Bi Ribeiro, João Barone) 6."Selvagem" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna) 7."A dama e o vagabundo" (Bi Ribeiro, Herbert Vianna) 8."There's a party" (Herbert Vianna) 9."O homem" (Bi Ribeiro, Herbert Vianna) 10."Você" (Tim Maia) 11."Teerã Dub" (Bi Ribeiro, João Barone, Herbert Vianna)
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Ouça: Os Paralamas do Sucesso Selvagem?