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quinta-feira, 21 de setembro de 2023

"A Décima Segunda Noite", de Luís Fernando Versíssimo - ed. Objetiva - Coleção Devorando Shakespeare (2006)

 



Olha..., uma das raras vezes que não gosto de alguma coisa do Luís Fernando Veríssimo

"A Décima Segunda Noite", sua "versão" para a peça de Shakespeare, conhecida por aqui como "Noite de Reis", é uma bagunça. Um caos mais estapafúrdio do que seria permissível mesmo para o gênio criativo de Luís Fernando Veríssimo que, costumeiramente mistura elementos muitas vezes aparentemente incompatíveis, criando universos literários peculiares e interessantíssimos.

Não é o caso aqui.

"A Décima Segunda Noite" é uma verdadeira salada: um grupo de travestis brasileiros, ex-integrantes de um fracassado grupo de dança, trabalha no salão de beleza de um italiano que é apaixonado por uma ricaça francesa, cujo um irmão falecido era contrabandista de santos barrocos vindos do Brasil, e cujo "bobo-da-corte" (?!?!), que animava as festinhas dos travestis brasileiros tocando violão, fora diplomata no Itamaraty... E tudo isso narrado por uma papagaio cinza, pintado de verde e amarelo só pra dar um toque de brasilidade ao salão de beleza.

Não, ó: aí o Veríssimo passou dos limites na "liberdade criativa".

A situação da separação dos irmãos, Viola e Sebastian, no original, Violeta e Sebastião, nesta adaptação, até é bem criativa e interessante. Se lá eles se perdem num naufrágio, aqui eles são separados no aeroporto em Paris, por questões diplomáticas e suspeitas em relação ao envolvimento de Sebastian com o contrabando de joias. Ok... Tá bom, mas praticamente ficamos nisso. O papagaio contando a história dá um toque original, até tem seu valor, tem seus momentos divertidos, mas é muito pouco.

No mais, um infeliz "samba do branquelo doido" que faz a gente querer chegar logo ao final, muito mais para se livrar daquele martírio do que para saber o final que, no fim das contas, para quem conhece a peça, já está cansado de saber. Mas não se engane, por mais que saibamos o final, neste caso, Luís Fernando Veríssimo consegue colocar elementos que não acrescentam em nada, não têm graça nenhuma e só pioram o final.

Por mais fã de Shakespeare que seja, e apaixonado por Paris, acho que, desta vez, Veríssimo errou na mão. Adaptação completamente dispensável (E é com peso no coração que digo isso).




Cly Reis


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