Ei, olha onde voce esta pisando! Nao precisa nem enxergar, pois tudo vai dar no MDC desta semana. Da pra confiar de olhos fechados, porque a programacao de hoje tem Steely Dan, Paralamas do Sucesso, Joao Gilberto, Peter Gabriel, Fátima Guedes e mais. Ainda, um quadro Sete-List homenageando o jazz. De peito aberto, o programa dá um passo no ar 21h na vendada Radio Eletrica. Producao, apresentacao e direcao certa: Daniel Rodrigues
quarta-feira, 6 de maio de 2026
segunda-feira, 4 de maio de 2026
"Michael", de Antoine Fuqua (2026)
Somente este contexto já é suficiente para me aproximar tanto do filme, que reduz minha chance de não gostar. Afinal, o aguardado longa de Fuqua, sucesso de bilheteria, é, sim, apreciável, mas abertamente comercial. Com a direção tecnicamente perfeita e a abordagem pop, como lhe é característico, o cineasta, um dos eminentes negros do cinema norte-americano atual, conta a história do maior astro pop de todos os tempos (interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson) de forma cronológica, porém com um recorte acertado, haja visto que não vai até a sua morte. Pegando do começo da vida artística, ainda criança com os irmãos companheiros de Jackson 5, passando pela ascensão da carreira solo, vai até o fatídico momento em que Michael se desenvencilha do opressor pai, Joe - vivido por Colman Domingo, num papel digno de indicação a Oscar. As belas cenas musicais e o realismo de diálogos ajudam a cumprir bem esse recorte narrativo, que nada mais é do que a escolha central da trama: a conturbada relação de Michael com o pai.
No que se refere a Joe Jackson, cabe uma reflexão sociológica. Afinal, como o histórico de racismo, intolerância e perseguição aos negros nos Estados Unidos gerou pais de família afro-americanos rancorosos, mesquinhos, infelizes e invejosos! E pior: dada a baixa autoestima deles, revoltados com uma sociedade que lhes esmagou e não lhes deu oportunidade de brilharem com seus talentos individuais, usam esses sentimentos somenos, justamente, contra aqueles que deviam amar. É o caso de Joe e o caçula Michael, mas também com outros artistas negros do século 20, como Ike Turner para com a esposa Tina Turner e o pastor C. L. Franklin com sua filha Aretha. Todos psicologicamente doentes e tiranos domésticos. Incapazes de admitir que seus próximos são, sim, astros com mais brilho que eles, entram em rota de colisão e numa cruzada para obscurecê-los. É triste de se ver tamanha perversidade, mas explicável em um contexto maior.
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| Domingo na pele do perverso Joe Jackson: digno de Oscar |
Para quem acompanhou Michael Jackson desde criança até a fase adulta sabe que muito do que é mostrado faz sentido, mas também que há um cuidado em tratar de temas delicados. Porém, essa é a hora de trazer à tona essas delicadezas, se não, fica estranho.
E é aí que a proximidade de fã com a obra do artista faz com que seja impossível não se notar as lacunas. Quanto mais fã, aliás (e nem sou o maior conhecedor de MJ, repleto de ardorosos apaixonados pelo mundo todo), mais se sabe dos fatos verídicos. E me refiro a lacunas importantes, basais. Em "Michael", um dos assuntos faltantes foi criticado antes mesmo do filme ser lançado: o nebuloso (mas possivelmente verdadeiro) caso de abuso sexual sofrido por ele na infância. Nem uma menção, mesmo que sutil para não escancarar algo tão traumático? Pesa negativamente, uma pena.
Outro ponto faltante: onde está Diana Ross? E Stevie Wonder? Ambos admirações de Michael e com quem ele conviveu, tocou, filmou e gravou. Não foi possível incluí-los no roteiro? Foi uma opção? Há questões contratuais que impeçam? Verba para pagar direitos de imagem duvido que os produtores não tivessem.
O que me pesou também foi a ausência de referência ao filme "O Pequeno Príncipe", de 1974. Falou-se acertadamente de Gene Kelly, James Brown, Charles Chaplin e Fred Astaire, inspirações mais óbvias de Michael. Mas seria importante informar a quem não sabe de onde vieram várias de suas referências coreográficas: da dança da serpente no deserto, brilhantemente coreografada pelo ator e dançarino Bob Fosse. Há gestuais idênticos aos eternizados por Michael, dentre os quais o famoso passo Moonwalk, marca registrada de MJ. Tiveram medo de expor Michael e ferir sua imagem? Embora a clara semelhança da dança de um e de outro, não parece uma mera imitação e, sim, uma forte inspiração, por isso não faria nenhum mal em se revelar isso ao grande público. Ao contrário: traria mais uma das referências pop que a genial cabeça de Michael conseguia reunir e devolver em forma de arte.
A semelhança das danças de Michael Jackson e Bob Fosse
De tudo que não está em "Michael", no entanto, o que mais me ressenti foi não se mostrar com mais detalhe o processo criativo do Rei do Pop ao compor. Há vídeos de matérias jornalísticas que registram esse processo, algo absolutamente fascinante de se ver, ainda mais considerando que ele, dono de ouvido absoluto, não precisava (assim como Elis Regina e Lupicínio Rodrigues) tocar nenhum instrumento para saber exatamente o que queria em sua música. Fuqua opta por evidenciar mais o processo de criação coreográfica - o que faz com perfeição nas cenas de "Beat It" e "Thriller" -, mas dá menor relevância para a invenção musical. No máximo, situa o conceito impulsionador de determinadas canções, como coisas que ele via na TV. Como fã, saí frustrado por isso, pois esperava por mais.
Cinebiografias não são necessariamente completas, é certo. Mas quem vê, por exemplo, "O Tempo não Para", sobre Cazuza, sente falta de se mencionar ou representar Ney Matogrosso, pessoa sabidamente fundamental na vida íntima e artística do autor de "Ideologia". Contudo, não dá para alguém que conhece o objeto do filme fechar os olhos para o que (não) está vendo. Ainda mais, quando se tratam de informações importantes.
Há representatividade e "lugar de fala" na direção de Fuqua, uma vez que somente os tempos atuais deram condições a uma produção dessas ser realizada por um cineasta negro. Para ele, pessoalmente, deve ser uma realização abordar um ídolo formativo. Entendo isso. No entanto, fica por aí a reserva autoral. O final de "Michael", que deixa reticências para uma sequência, fecha a tampa dessa abordagem excessivamente comercial da obra: recorta-a até um ponto bem estipulado, mas, fatalmente, não a desfecha com o impacto que merecia. Como geralmente ocorre, o lado business compromentendo o artístico. Mas para um cineasta que esticou até a inanição uma franquia que começou legal como "O Protetor", não é de se estranhar que ainda produza tantas sequências de "Michael" quanto as de "Velozes & Furiosos". E o público do entretenimento, sem maiores distinções, vai adorar.
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Trailer de "Michael", de Antoine Fuqua
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sexta-feira, 10 de abril de 2026
Marvin Gaye - "I Want You" (1976)
por Zeca Azevedo
Sim, perdi a chance de falar sobre os 50 anos de lançamento de "I Want You" no meio de março, quando a efeméride aconteceu. Dias atrás, vi um sujeito no YouTube a fazer comentários, ou melhor, comparações entre "I Want You" e os dois LPs de Marvin Gaye que o antecederam, "What's Going On" (1971) e "Let's Get It On" (1973). Esse par é geralmente considerado o ponto culminante do legado fonográfico de Marvin e o tal comentarista de YouTube investiu nesse discurso para falar de "I Want You", fato que me aborreceu muito. Por que não falar do álbum sem apelar para comparações e hierarquias? Isso virou um vício, um sintoma do modo de vista imposto a todos nós e que nos coloca uns contra os outros em um esquema de competição louca.
"I Want You" é um trabalho DIFERENTE dos
anteriores, tem identidade sonora própria tramada por Leon Ware e adaptada por
Marvin ao seu cânone. A fluidez líquida das canções de "I Want You"
seduz o ouvinte, leva-o para a cama e o faz gozar múltiplas vezes. "I Want
You" é uma espécie de sequência/extensão de "You Sure Love to
Ball", a faixa mais erótica de "Let's Get It On".
Em "I Want You", Marvin Gaye aplica sua visão do
amor monogâmico e carnal, à época moldada pela relação que ele tinha com a
jovem e bela Janis Hunter, às molduras musicais que Leon Ware havia preparado
para um disco que ia lançar como solista. Berry Gordy ouviu o trabalho em
progresso de Ware e sugeriu ao músico e produtor que ele usasse o que havia
feito até ali para o próximo álbum de Marvin, que naquele momento sofria um
bloqueio criativo.
"I Want You" tem seu próprio modo de ser no mundo
e foi (ainda é) tremendamente influente - Maxwell que o diga. É um trabalho que
merece ser apreciado verticalmente, sem comparações e reduções. 50 anos depois
de lançado, "I Want You" continua a levar ouvintes do mundo todo a
múltiplos gozos, sejam eles estéticos, espirituais ou os do tipo mais popular.
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quarta-feira, 8 de abril de 2026
Música da Cabeça - Programa #454
Os tripulantes da Artemis II estão sobrevoando a Lua e observam o pôr-do-sol... mas o que é esse planeta no horizonte?! É o planeta Música, gente! Para quem matou essa aula, a gente explica: esse distinto astro, cientificamente chamado de MDC 454 d, é cheio de vida e emite sinais sonoros ao ritmo de Marina, The Kinks, Louis Armstrong, Banda Black Rio e Barão Vermelho. Ela também se compõe de melodias e arranjos de Luiz Eça, cuja estrela continua irradiando seu brilho pelo espaço mesmo após sua morte. A nave está programada para entrar na rotação da Terra às 21h na estelar Rádio Elétrica. Produção, apresentação e um satélite na cabeça: Daniel Rodrigues
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quarta-feira, 25 de março de 2026
Música da Cabeça - Programa #452
Bomba! Revelado o verdadeiro Power Point que liga o MDC a suas conexões! Mas aqui não tem mau jornalismo e nem intenções lavajatistas! Afinal, Sly & Family Stone, Neguinho da Beija-Flor, Cláudia, The Smiths e Jackson Browne sabem muito bem do que estão falando. Ainda, Eliane Elias ilustra nosso Cabeça dos Outros desta semana. Com distorção só de guitarras, o programa entra no modo apresentação às 21h na imparcial Rádio Elétrica. Produção e apresentação sem erro: Daniel Rodrigues
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quinta-feira, 19 de março de 2026
Living Colour - Best of 40 Years Tour - Bar Opinião - Porto Alegre/RS (26/02/2026)
Com um repertório muito bem montado, que inicia com sucessos, passa por momentos de surpresas, homenagens, sessões livres e termina com as "mais mais" e direito a bis, Corey Glover (vocais, e que vocais!), Vernon Reid (guitarra, gênio!), Doug Wimbish (tocando baixo como se não estivesse fazendo nada difícil) e Will Calhoun (bateria, certamente dos melhores do instrumento) não apenas executam os números: eles brincam de tocar. A construção harmônica e o arranjo das competições favorece a que eles, exímios instrumentistas, improvisem o tempo todo, transformando também as músicas constantemente.
A entrada dos quatro no palco foi triunfal ao som do tema do filme "O Império Contra-ataca", de John Williams, uma sacada bastante sarcástica vindo de um grupo que "contra-atacou" o "império" branco da indústria pop. A abertura, então, foi com "Leave it Alone", do disco “Stain”, de 1993. Prejudicados nos primeiros números em razão da qualidade do som, quando mal se ouvia a voz potente de Glover e a guitarra de Reid era um zunido só, eles fizeram na sequência "Middle Man" e uma magnífica versão, mesmo mal equalizada, de "Memories Can't Wait", da Talking Heads, gravada por eles, assim como a anterior, em "Vivid", de 1988. Até em reggae eles transformaram a música num trecho! Mas o que manda mesmo é a guitarra intensa e melodiosa de Reid, assim como ele faria em muitas outras a seguir.
"Ignorant is Bliss", em que parece que Mr. Dinamite sujou de guitarras pesadas seu groove, e o heavy-metal possante de "Go Away" vieram antes da ótima "Bi", suingada e com toda aquela atmosfera jazzística em cima de um rock vibrante. A altamente variante "Funny Vibe", cuja bateria de Calhoun é que dita o ritmo, indo do hardcore ao funk e ao jazz em poucos compassos, ainda é incrementada com "Fight The Power", dos seus ídolos Public Enemy.
A essas alturas, já com o som ajeitado na mesa de áudio, um dos momentos especiais do show: quando tocam "Hallelujah", de John Cale, só no vocal de Glover e a guitarra de Reid, fazendo suscitar os cânticos de louvor da tradição gospel que está na veia dos rapazes da LC. Lembrei muito de Mahalia Jackson emocionando a multidão quando cantava “Precious Lord, Take My Hand”, para se ter ideia da potência do que seu viu/ouviu no Opinião. Depois, colada, a clássica "Open Letter (to a Landlord)", ao mesmo tempo uma música de protesto e denúncia do racismo e uma oração. A cara da banda. Olha: isso é que é saber compor um setlist!
Mas tinha mais! A pedrada "Pride", um de seus maiores sucessos, levantou ainda mais a galera, composta basicamente de fãs da banda e do Metal. E as improvisações, mesmo em músicas consagradas, impressionantemente nunca param de acontecer. Está no jeito de eles tocarem, de sentirem a própria música. Mas essa liberdade de inventar na hora não quer dizer faça com que o quarteto se perca ou que desvirtuem os próprios temas. Experientes, sabem quando "criar" mais e quando dar apenas "cores livres". Afinal, estamos falando de música preta, de descendentes do improviso do jazz e do blues. Dava para ouvir, em certos momentos, a influência direta do free jazz spiritual de John Coltrane, principalmente em se tratado de Reid. Verdade é que a LC é talvez a única power band em atividade, aquela classificação de grupo em que todos, sem exceção, são grandes músicos.
Pois até a "cozinha" brilhou. Calhoun fez todos ficarem embasbacados com seu solo de bateria e na conjugação com a música “Baianá”, do conjunto brasileiro Barbatuques. Empunhando aquelas baquetas junto com Calhoun, estavam, certamente, Elvin Jones com sua africanidade, John Bonham com sua intensidade, Steve Gadd com sua habilidade, Art Blakey com sua capacidade de criar ritmo. Pouco depois, foi a vez de Wimbish, chamando o público pra cantar e dançar, comandar o palco cantando um medley de três clássicos do hip-hop da Grandmaster Flash & The Furious Five, "White Lines", "Apache" e um dos maiores hits da era break, "The Massage". Demais!
O final do show foi uma sequência de tirar o fôlego, começando com "Glamour Boys", cuja guitarra suingada do riff explode em distorção no refrão cantado pela plateia toda ("I ain't no glamour boy (I'm fierce!)/ I ain't no glamour boy (wow!)"); o blues matador "Love Rears It's Ugly Head", o maior sucesso da LC e cujo clipe gastou de tanto rodar na MTV no início dos anos 90; e a paulada "Type", outro clássico absoluto deles e do rock pesado de todos os tempos. Refrãozasso: "We are the children of concrete and steel/ This is the place where the truth is concealed/ This is the time when the lie is revealed/ Everything is possible, but nothing is real". E Reid, hein?! O que é Vernon Reid tocando?! Ele é por si um show. Definitivamente um dos deuses da guitarra. Contemporâneo de Steve Vai e Joe Satriani, de quem guarda semelhanças no jeito de tocar, Reid é um guitar hero em atividade e que exercita seu estilo não só em solos inventivos (e que não são cansativamente extensos como fazem a maioria dos virtuoses), mas também na maneira de compor. Tanto quanto seus companheiros, vê-lo ao vivo no palco é algo realmente memorável.
Mas, gente: ainda tinha mais, acreditem. O hardcore "Time's Up", que dá nome ao celebrado segundo disco da LC, de 1990, emendou-se com outra de "Vivid", "What's Your Favorite Color?". E, para "encerrar", nada mais nada menos que "Cult of Personality", seguramente um dos 10 maiores riffs do rock dos últimos 40 anos, que foi entoada por todo o pessoal em êxtase que lotava o Opinião. É muito heavy, mas também é muito jazz, principalmente por suas quebras de ritmo, variações de escala e andamento e, claro, a habilidade dos rapazes de improvisar.
Digo "encerrar" assim, entre aspas, porque ainda rolou, como disse no início, bis. E foi primeiro com a calmaria da gostosa "Solace of You" - que em muito lembra a mistura de reggae e ritmos do Caribe de "Alagados", da Paralamas do Sucesso, de alguns anos antes - para, enfim, terminarem com outra de suas covers emblemáticas: a punk "Should I Stay or Should I Go", da The Clash.
Foram só pedradas, só clássicos, que fez lembrar a primeira apresentação da banda no Brasil, no Hollywood Rock de 1992, quando ainda muito jovens, e que não só assisti ao vivo pela TV na época como gravei em K7 e por anos meu irmão e eu escutamos aquele memorável show. Agora, mais maduros, Glover, Reid, Wimbish e Calhoun continuam a tocar o que talvez à época nem tenha me dado conta com tamanha clareza: a de que se trata do mais alto nível de rock que se possa imaginar. O rock melodioso, tocado com alma e, por que não, também barulhento. Um rock negro, tal qual foi criado, há quase 80 anos. Como diz aquela canção, "Lobão tem razão". Às vezes, tem.
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| Quarteto norte-americano no palco do Opinião |
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| Reid, Glover com seus deads e Wimbish com Calhoun ao fundo |
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| Músicos da mais alta qualidade em uma apresentação histórica Momento emocionante - e pulsante - com "Open Letter (to a Landlord)". Louvação e protesto |
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| Clima de festa dos "metaleiros" com as mãos chifradas pra cima |
quarta-feira, 18 de março de 2026
Música da Cabeça - Programa #451
Como se já não bastasse a guerra, agora um manda animação Lego pra cá, videogame pra lá... Sem brincar com coisa séria, o MDC solta seus mísseis também, mas só os musicais. Hoje, Johnny Rivers, Kraftwerk, Jorge Bem Jor, Nirvana e Chico Science miram seus alvos. No Cabeção, igualmente, uma explosão de talento com os 80 anos da deusa Liza Minelli. Divertida-mente cultural, o programa vai ao ar às 21h na "gamificada" Rádio Elétrica. Produção, apresentação e meme pela paz: Daniel Rodrigues
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quarta-feira, 11 de março de 2026
Música da Cabeça - Programa #450
Estamos na semana do Oscar na torcida pelo nosso O Agente Secreto. Mas o que se vê lá no final do tapete vermelho?! É... o MDC desta semana! Humm, isso pode ser um bom presságio! Assim como é rodar Tim Maia, Morcheeba, The The, Public Enemy e Les Étolies. No quadro especial, Um Sete-List, claro, a ver com os brasileiros no Oscar. Louquinho por mais uma estatueta, o programa vai ao ar às 21h na oscarizável Rádio Elétrica. Produção, apresentação e espumante já gelando: Daniel Rodrigues.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #448
Estão vendo essas imagens? É da ação da polilaminina sobre os nossos neurônios que regenera lesões musculares. Entenderam? Pra falar a verdade, nós não, mas estamos, isso sim, celebrando no MDC o pioneirismo da ciência brasileira. E, claro, a gente celebra com música, que desta vez será de The Cure, Peter Tosh, Rita Lee, Chico Buarque, Ace of Base e mais. Torcendo pelo primeiro Nobel brasileiro para a bióloga Tatiana Sampaio, o programa cruza os dedos hoje às 21h na científica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e louvor à pesquisa: Daniel Rodrigues
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #447
Tanto esforço desses praticantes do curling nas Olimpíadas de Inverno pra deslizar aquela pedra! Pra que tudo isso, gente?! O alvo é mais fácil que vocês imaginam, pois nem precisa esfregar a vassourinha pra acertar no MDC, que terá Living Colour, Beatles, Bauhaus, Robson Jorge, Marina e mais. Tem também quadro especial aludindo ao samba e ao Carnaval, que tá se aproximando rapidinho igual à pedra do curling. Deslizando em seus ouvidos o programa entra na pista hoje às 21h na esportiva Rádio Elétrica. Produção, apresentação e vassourinha na mão (mas a de frevo, afinal, o Carnaval tá aí): Daniel Rodrigues
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #446
A nevasca no Hemisfério Norte tá tão forte, que quase não dá pra ver o que tem na frente. Por isso, o MDC desta semana vai desembaçar. Bem diante dos olhos estão Kraftwerk, João Nogueira, James Brown, Renato Russo, Caetano Veloso, Elisa Lucinda e mais. Também, Cabeça dos Outros, Palavra, Lê, Música de Fato, tudo aquilo! Garantindo boa visibilidade, o programa vai ao ar às 21h na flocada Rádio Elétrica. Produção, apresentação e visão turva: Daniel Rodrigues.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #444
Se alguém acredita num conselho de paz liderado por um louco como o Trump, há alguma coisa errada. Certo mesmo é ouvir o MDC desta semana, que tem Beastie Boys, Bob Marley, Maria Rita, Incognito e Gal Costa. Ainda, um Cabeça dos Outros que homenageia um dos aniversariantes da semana, Jorge Mautner. Nosso conselho é ouvir o programa de hoje, que vai ao ar na pacífica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e #Palestinalivre: Daniel Rodrigues.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Música da Cabeça - Programa #442 (retrospectiva)
O ano tá começando não muito feliz com a invasão a Venezuela e o sequestro do Maduro. Mas mesmo assim, sem essa de dar adeus ao ano velho. Afinal, no MDC a gente valoriza tudo aquilo que se fez nos 365 dias que se passaram. Por isso, nossa retrospectiva 2025 vai ser montada somente com blocos dos nossos programas rodados durante o ano passado: as edições, 397 (fevereiro), 417, 418 (julho), 423 (agosto), 433 (outubro) e 435 (novembro). Desejando uma bom 2026, vamos ao ar às 21h, na valorosa Rádio Elétrica. Produção, apresentação e muito dinheiro no bolso: Daniel Rodrigues. www.radioeletrica.com
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Música da Cabeça - Programa #440
Não tem quem não esteja assim nesse fim de ano. Mas aguenta firme mais um pouquinho antes de tombar de vez pra escutar o MDC desta semana. Temos certeza que não vai se arrepender com a edição especial de nº 440. Afinal, uma combinação de Tina Turner, Cátia de França, Neil Young, Titãs e Adélia Prado põe qualquer um de pé de novo. Ainda mais com a homenagem que a gente vai fazer a Tony Williams, grande baterista que completaria 80 anos se vivo. Com as últimas forças de 2025, o programa vai ao ar às 21h na brava Rádio Elétrica. Produção e apresentação sem esmorecer: Daniel Rodrigues
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segunda-feira, 24 de novembro de 2025
Ed Motta - “Aystelum” (2005)
O cara se contradiz, é desrespeitoso, brigão e, por vezes, arrogante. Ao mesmo tempo, é sincero e fala verdades necessárias que poucos ousam dizer. Controverso, paga o preço por isso, sendo “cancelado” em vários meios. Mas uma coisa não se pode discordar: como o próprio se autodefine sem nenhum constrangimento pela soberba, ele é um dos “gênios da nossa latinoamerica”. Ed Motta, essa figura única, é, definitivamente, um dos músicos mais completos do mundo. Dono de um vocal cheio de técnica e timbre, este carioca nascido em família musical (sobrinho de Tim Maia, conviveu na infância com o tio e seus amigos Lincoln Olivetti, Cassiano, Hyldon entre outros, o suficiente para se encantar com o universo dos músicos) é capaz de, como nenhum outro cantor, compositor e instrumentista vivo, unir com tamanha densidade a soul, o jazz, o samba, o funk e os ritmos latinos. Nisso, há de se concordar com ele sem se contaminar pela insolência do próprio: Ed é o cara.
Prodígio, Ed teve carreira artística iniciada aos 16 anos já com os megassucessos “Manoel” e “Vamos Dançar”, da Ed Motta & Conexão Japeri, de 1988. Sua precocidade, aliada à personalidade contestadora e, por vezes difícil, no entanto, o prejudicaram ao longo dos anos no mainstream. Fez sucesso, rompeu com gravadoras, voltou atrás, fez mais sucesso, vendeu milhões e, a exemplo de seu tio, rompeu de novo com as gravadoras que faltavam até ficar escanteado. Disso tudo, a consequência: o trabalho realmente autoral de um artista que sempre buscou esse objetivo só pode ser realizado por ele mais de uma década depois de sua estreia: em “Aystelum”, de 2005, décimo álbum de Ed, que completa 20 anos de lançamento.
Fruto do encontro de Ed com o selo Trama, de João Marcelo Bôscoli, “Aystelum”, na esteira do excelente “Dwitza”, de três anos antes, e “Poptical”, o primeiro pela Trama, é o resultado da libertação criativa de um músico sem fronteiras de gêneros, estilos e temporalidade. É música pura – e no mais alto nível que o país de Moacir Santos, Tom Jobim, Tânia Maria, Filó Machado, Johnny Alf, Dom Salvador e tantos outros mestres de sua admiração pode produzir. Mas, claro, não somente estes professores musicais. Fã da música negra norte-americana desde criança, Ed usa e abusa nesse disco da sonoridade do afro jazz, do free jazz, do latin jazz e do spiritual jazz, sem deixar de referenciar suas bases da soul, Donny Hathaway, Donald Fagen, Gil Scott-Heron, Patrice Ruschen, entre outros. “Aystelum”, no entanto, ainda adiciona outra paixão de Ed: a música da Broadway de autores como Leonard Bernstein, George Gershwin, Stephen Sodenhein e Irvin Berlin.
Essa sonoridade livre está impressa na faixa de abertura, um afro jazz modal latino e spiritual em que brilham não somente o band leader, nos teclados, como toda a banda: o baixista Alberto Continentino; o baterista Renato Massa; o trompetista Jessé Sadoc Filho; o piano elétrico de Rafael Vernet; o guitarrista Paulinho Guitarra; o craque da percussão Armando Marçal; e o chileno Andrés Perez, “saxofonista tenor com a sonoridade do Coltrane, Joe Henderson, conhecimento alto das escalas e também de efeitos que o sax pode fazer, harmônicos, etc.”, como aponta Ed.
A então recente aproximação de Ed com a música brasileira – uma vez que, infantilmente, até pouco tempo antes a renegava em detrimento da norte-americana – fez com que ganhasse, aqui, dois presentes. Nei Lopes. compositor, cantor, escritor e estudioso das culturas africanas escreve-lhe as letras de “Pharmácias”, um samba-jazz influenciado pela música brasileira tradicional tocado só com instrumentos eletroacústicos, e a obra-prima “Samba Azul”. Nesta última, em especial, Ed encontra uma improvável intersecção entre samba-canção, blues, bossa-nova e bolero, tudo num arranjo primoroso do maestro Jota Moraes, parceiro de longa data. Mas não só isso: a música, além da magnífica letra de Lopes (“Tudo azul/ Beija-flor voa ao leu/ Sobre Vila Isabel/ Elegante/ Vai pousar distante/ Na Portela”), ainda tem um duo com Alcione, uma “força da natureza” cuja voz põe todo mundo no estúdio para “voar”, descreveu Ed.
A faixa-título, composta por uma palavra inventada por Ed sem nenhum sentido, apenas dotada de sonoridade, é outro jazz instrumental em que a turma arrebenta. O tema mais spiritual jazz de todos do repertório, lembrando bastante coisas de John Coltrane e Pharoah Sanders. Esse abstratismo é logo contraposto por “É Muita Gig Véi!!!”, que é puro ritmo. Baseada na ideia de improvisação, cada músico traz para dentro da jam suas experiências e bagagens. Samba e jazz em perfeita comunhão com direito a show de cuíca de Mestre Marçal. Outra espetacular nesta linha é “Partidid”, das melhores do disco, na qual fica evidente a reverência à sonoridade sofisticada e gingada de bandas como Azymuth e Black Rio.
Porém, sem se prender a nenhum formato, Ed traz para dentro desse caldeirão musical algo extremamente próprio e bonito, que é o musical norte-americano. Neste sentido, “Balendoah” é divisional. Mais uma dessas palavras tiradas da mente de Ed (que querem dizer, no fundo, apenas “muita musicalidade”), este número é fundamental para a narrativa do disco. Nele, Ed une os dois polos que o álbum propõe: o jazz de matriz africana e a música da Broadway. “Negros e judeus, o ápice da música que eu amo”, classificou ele próprio. Com a engenhosidade harmônica complexa extraída dos mestres Duke Ellington, Randy West, Moacir Santos e Charles Mingus, Ed amalgama uma melodia de voz que cria essa ponte com o teatro/cinema musical norte-americano. “Balendoah”, assim, além de uma música arrebatadora, abre caminho para a “segunda parte” do disco.
Tal virada em “Aystelum” surpreende, mas não destoa. O trecho de "7 - O Musical”, que Ed escreve para a peça musical de Charles Möeller e Claudio Botelho, é um medley em que constam a graciosa “Abertura”, a atonal “Na Rua”, com vocal de timbres metálicos de Tetê Espíndola, e a bela “Canção Em Torno Dele”. Interessante notar o “libreto” em português e não em inglês, contrariando a própria lógica do tradicional musical, o que denota um Ed desprovido de afetação para com a língua inglesa, a qual teria maior naturalidade.
“A Charada”, parceria com Ronaldo Bastos, retoma a sonoridade soul num AOR romântico, que poderia tranquilamente ser uma música de trabalho não tivesse “Aystelum” feito tão pouco sucesso de público, que estranhou todo aquele experimentalismo. “Guezagui”, então, um funk tomado de groove e musicalidade, fecha a conta deste histórico e sui generis disco da discografia brasileira.
Ed já havia dado seu grito de independência com “Entre e Ouça”, de 1992, então apenas seu terceiro trabalho. Além de ainda muito jovem (só tinha 21 anos), naquela época não tinha a credibilidade e nem a experiência de um trintão amadurecido musicalmente como em “Aystelum”. Foram necessários que os anos lhe dessem tempo para agregar as diversas sonoridades entre as milhares que rondam sua cabeça, as quais absorve e traduz com espantoso poder de síntese e originalidade. Depois de tantos acertos e topadas, paixões e desavenças, fama e infortúnio, de tanto céu e inferno, Ed chegava, enfim, na paz da sua própria obra. Como quem toma a bênção de um santo protetor e pronuncia, em louvor, uma palavra que somente os deuses da música compreendem: “Aystelum”.
Ed Motta - "Aystelum"
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
Música da Cabeça - Programa #436
Maldito é uma espécie de bendito ao contrário. É nessa lógica que vamos falar da perda de Jards Macalé: ao invés de lamentar, celebraremos! Afinal, temos muito sempre a exaltar de Macau, a começar pela entrevista que ele nos prestou em 2011 para a edição especial de nº 200 do MDC, que iremos reprisar hoje. Também, nesta Semana da Consciência Negra, teremos outros artistas e ainda mais Jards, seja em forma de notícia, letra ou nos abençoando com sua maldição. Desafiando o coro dos contentes, o programa não vai ficar no porto chorando, não, pois às 21h embarca naquele velho navio da Rádio Elétrica. Produção e apresentação american black do Brás do Brasil: Daniel Rodrigues
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quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Música da Cabeça - Programa #435
No Brasil, são 12.284.478 Marias, 5.164.752 Josés e 34.030.104 Silvas. Mas o que o Censo não revela é a sigla mais falada no Brasil: MDC. Afinal, são 435 no total, trazendo sempre consigo nomes dos mais destacados como Paulinho da Viola, The Cure, Velvet Underground, SZA, João Donato e mais. Nesse ranking também entram outros sete nomes, que vão compor o nosso quadro Sete List da semana. Dando nome aos bois, o programa vai ao ar às 21h na estatística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e outros 770.743 primeiros nomes iguais: Daniel Rodrigues.
www.radioeletrica.com
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Música da Cabeça - Programa #434
Deixemos um pouco de lado os homens sórdidos e os ratos mortos na praça. Nesta semana em que a nuvem cigana levou Lô Borges, o MDC celebra ele e também dá lugar a Miles Davis, Ivan Lins, Camisa de Vênus, Body Count, Radiohead e muito mais. No Cabeça dos Outros, o Sol também bate, pois lembramos novamente Lô. Da janela lateral dará para ouvir o programa de hoje às 21h no trem azul da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e sonhos que não envelhecem: Daniel Rodrigues.
www.radioeletrica.com














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