Curta no Facebook

Mostrando postagens com marcador Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rock. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Música da Cabeça - Programa #470


O MDC especial de nº 470 merece coisa também especial, né? Então, que tal um superquadro Cabeção celebrando o centenário do mestre Moacir Santos? É isso que terá hoje, 21h, trazendo e reverenciando a obra do Ouro Negro da música brasileira. Além disso, têm, claro, as músicas da nossa mente e os quadros fixos de sempre. Essencial como Moa, a edição de data fechada do Música da Cabeça escreve sua partitura no pentagrama da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e batuta: Daniel Rodrigues 


www.radioeletrica.com


terça-feira, 28 de julho de 2026

Capas de K7 X - "Rolling Stones"

 







RODRIGUES, Daniel
"Rolling Stones"
Arte para fita cassete doméstica sobre coletânea da Rolling Stones pela gravadora PolyGram
Recorte, colagem e letras transferíveis sobre papel revista
9,5 x 10,3 cm
S/D

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Música da Cabeça - Programa #469

Tá certo que o Gavi já tinha se sagrado campeão com sua Espanha, mas que a situação dele não tá totalmente fácil aí, não tá. Assim é o MDC também: vencedor, mas matando um leão por dia. Agora que a Copa acabou, a gente segue nossa vida com o perrengue nosso de cada dia, mas sempre com música e, desta vez, na companhia de Stereolab, Jorge Benjor, Rolling Stones, Arthur Verocai, Prince e mais. No quatro, especial, um rescaldo da Copa em um Sete-List. Sem dedo na cara, o programa vai ao ar hoje às 21h na pacífica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e esquece Copa, que agora tudo é Eleições: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com

domingo, 19 de julho de 2026

Copa do Mundo Joy Division - GRANDE FINAL

 




DISORDER VS TRANSMISSION


Disorder e Transmission, as duas grandes finalistas da Copa do Mundo Joy Division, entram no gramado.

Perfilam-se ao redor do grande círculo de acordo com o novo cerimonial da FIFA e ouvem a execução de "Atmosphere", que foi eliminada mas continua sendo o hino da banda. Escolhem os lados, a saída de bola, prestam um minuto de silêncio a Ian Curtis que teria completado 70 anos nesta última quarta-feira, e estão prontas pro jogo.

Contagem regressiva: 3,5, 0, 1, 2, 5..... Go!!!

E começa o jogo!

Agora é com nossos especialistas. Como será que cada um dos nossos mestres joydivisianos irá definir a parada?

⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽


CLY REIS:

Dois times com estilos parecidos, jogo acelerado, velocidade, duas baterias brilhantes, linhas de baixo marcantes e interpretações inspiradas. Jogo lá e cá, trocação pura.

Transmission é um clássico, tem um dos refrões mais conhecidos do grupo, mas poucos álbuns na história tem uma abertura como Disorder. O que se sente ao começar um disco ouvindo aquela introdução pela primeira vez é algo único.

Disorder pode ter perdido o sentimento mas tem o espírito, e na base da garra se impõe e vence o jogo.

DISORDER 1 X TRANSMISSION 0

**********

LUNA GENTILE:

O clássico começou eletrizante: Disorder abriu o placar com sua urgência característica, impulsionada pelo baixo pulsante de Peter Hook e pela bateria impecável de Stephen Morris. Mas Transmission respondeu rapidamente, encaixando uma jogada coletiva construída por sua batida hipnótica e pelo refrão explosivo, empatando a partida antes do intervalo.

No segundo tempo, o jogo ficou aberto. Disorder voltou a pressionar com guitarras afiadas, mudanças de ritmo e a interpretação intensa de Ian, recuperando a vantagem fazendo 2x1. Porém, Transmission mostrou mais eficiência: controlou a posse, acelerou as transições e aproveitou duas falhas da defesa para marcar os gols da virada. A torcida entrou no clima e o estádio inteiro parecia obedecer ao comando de "dance to the radio".

Nos minutos finais, Disorder lançou o time todo ao ataque, acertou uma bola na trave e obrigou o goleiro a fazer uma grande defesa, mas o placar permaneceu em 3 x 2. E Transmission é a grande campeã, uma das faixas mais fluentes na história do pós-punk.

DISORDER 2 X TRANSMISSION 3

***********

ROBERTO SULZBACH:

De um lado, Transmission, que carrega em si tudo que a banda tinha de mais visceral e urgente. Do outro, Disorder, o portal para a realidade manchesteriana de Joy Division e para a mente do genial Ian Curtis.

Os dois times jogam de maneira intensa, entrosada. Transmission vai para cima de cara, ao ritmo dançante de sua batida. Disorder inicia mais retraída, cansada dos últimos grandes confrontos que encarou. Sendo assim, Transmission abre o placar: 1 a 0, querendo ainda mais.

Mas futebol é detalhe: uma jogada construída na base da insistência, erro da defesa, e a bola entra. Foi para 1 a 1, à base da raça de Disorder, com o estádio inteiro percebendo que a decisão vai ser no detalhe.

Perto dos minutos finais, Disorder encontra a fresta que precisava. Foi o lance de quem quer mais. A bola sobra na entrada da área depois de uma bola dividida, e o time que abriu o portal, que deu o pontapé inicial nessa história, marca o gol que sonhava desde o início.

DISORDER 2 X TRANSMISSION 1

*********

DANIEL RODRIGUES:

Pode-se dizer uma final surpreendente, de dois times não necessariamente favoritos, mas que fizeram por onde para chegar onde chegaram. Direta ou indiretamente, Disorder e Transmission derrubaram clássicos consagrados, como Decades, She's Lost Control, Love Will Tear Us Apart e Atmosphere. Ou seja: estão longe de serem azarões. Uma, Com essa confiança toda, eles entram em campo para a grande final. Como todo jogo importante, muito estudo de cada lado. Jogo bom, mas estratégico, sem dar margem para erro. Disorder, mais atrevida e ligeira (afinal, é talvez a única da Joy composta em nota Sol, o que a torna a mais "alegre" da banda), assusta, mas desperdiça as oportunidades que cria. E diante de um forte adversário, não dá pra ratear.

Até que, na construção, no volume, na categoria, Transmission - que também sabe ser agressiva - aproveita a momentânea "desordem" da defesa adversária e faz o seu. É o gol da vitória. É o gol do título! E que privilégio: não precisa nem adotar música de outra banda pra cantar com a galera. Vai de Transmission mesmo!

DISORDER 0 X TRANSMISSION 1


************

PLACARES SOMADOS

DISORDER 5 X TRANSMISSION 5


* O regulamento da International Blog, em seu artigo 3,5,0,1,2, 5, Go!, Exercise One, estabelece que em caso de empate entre os votantes, o resultado será decidido no saldo de gols. Persistindo o empate, o resultado final será decidido por um convidado, também especialista na obra da banda.


PRORROGAÇÃO


*convidado desempate

CHRISTIAN ORDOQUE:

Caraio!!!

Transmission! 

DISORDER 5 X TRANSMISSION 6



Pode comemorar!
Com dancinha, com dancinha...

🎵🎶🎵Dance, dance, dance, dance to the radio!🎵🎶🎵


sexta-feira, 17 de julho de 2026

COPA DO MUNDO JOY DIVISION - O Caminho Até a Final

 


Não pensem que foi tranquila a estrada. Nossas duas finalistas tiveram um caminho duro para chegar à grande decisão. E não teria como ser diferente, qualquer música do Joy Division é uma grande obra e, deste modo, toda a comparação entre duas delas deixa um fã num sério dilema: qual é a melhor?

Felizmente, no dia a dia, ouvindo o Ian Curtis nosso de cada dia, no fone de ouvido, no computador, na vitrola, não temos essa preocupação de definir uma superior, mas aqui resolvemos complicar pra nós mesmos e nos incumbir da tarefa de escolher a maior música do Joy Division.

DISORDER, a abertura do primeiro álbum, o único álbum lançado, na verdade, com Ian Curtis ainda em vida, Unknown Pleasures, foi uma das que conseguiu chegar, com muito custo, a essa disputa final; TRANSMISSION, nunca lançada em álbum, reunida a outras na célebre coletânea póstuma Susbtance, um dos maiores clássicos da banda, será sua grande rival, teve que entrar ainda em uma fase preliminar para só então entrar definitivamente no certame e, como se não bastasse, precisou ainda derrubar gigantes para chegar até aqui.

Vamos relembrar então como foi a trajetória de cada uma das nossas finalistas?

Vamos lá então: o longo e árduo caminho de Disorder e Transmission até a finalíssima, na busca pela eternidade... 

A Copa Eterna.


⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽


  • DISORDER

1ª FASE: Incubation

OITAVAS-DE-FINAIS: Something Must Break

QUARTAS-DE-FINAIS: Candidate

SEMIFINAL: New Dawn Fades


DISORDER



  • TRANSMISSION

FASE PRELIMINAR: Leader of Men

1ª FASE: Insight

OITAVAS-DE-FINAIS: Shadowplay

QUARTAS-DE-FINAIS: Love Will Tear Us Apart

SEMIFINAL: Decades


TRANSMISSION



quarta-feira, 15 de julho de 2026

Música da Cabeça -Programa #468


A Copa tá se encaminhando para a decisão, mas não adianta: todos os chaveamentos levam ao MDC desta semana. Não poderia ser diferente, afinal temos também "protagonistas", como Lou Reed, Cornelius, Milton Nascimento, Cocteau Twins, Parliament e mais. No quadro especial, um Cabeça dos Outros. Aparecendo na hora que precisa, o programa põe a bola no campo às 21h na decisiva Rádio Elétrica. Produção, apresentação e apostas abertas: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com

segunda-feira, 13 de julho de 2026

COPA DO MUNDO JOY DIVISION - finalistas



Era emoção que vocês queriam? Então toma!

Não tinha como ser mais empolgante a decisão dos finalistas da Copa Joy Division! 

Olha foi tudo no detalhe...

Coube a cada dois árbitros-especialistas definir uma das semifinais e, é claro, deste modo o empate entre opiniões seria algo bem possível. 

Não quis avisar aos participantes mas, caso cada um optasse por uma vencedora, a decisão seria no saldo de gols. 

Ótimo! Isso resolveu em uma das semifinais. Sim, como eu disse, foi no detalhe.

Mas e na outra? 

Nem o saldo de gols resolveu tamanha a igualdade.

O que tivemos que fazer? Apelar para um outro especialista, de fora do nosso time de jurados para definir a parada.

Sim, amigos, nenhuma Copa do Mundo Rock do ClyBlog foi tão disputada assim!

E pensa que acabou? Que nada!

Ainda tem a final.

E quem vai para lá? Descubra agora com a definição no lance-a-lance dos nossos mestres joydivisianos:


⚽⚽⚽⚽⚽


TRANSMISSION x DECADES

  • Luna Gentile:

Transmission entrou com marcação alta desde o apito inicial. Com seu baixo pulsante sua a bateria precisa, a música transmite grandiosidade e abre espaços na defesa adversária para sair na frente no placar.

Decades respondeu com uma bela jogada coletiva trocando passes com seus sintetizadores envolventes diminuindo o placar. Considero uma das faixas mais sofisticadas de Closer que contêm uma atmosfera única, então garante mais um gol.

Mas a noite era de Transmission, um hino do pós-punk, com intensidade e um refrão que nunca perde a força. Transmission fecha conta em 4 a 2 fazendo um jogo perfeito.


  • Daniel Rodrigues:

O caminho de “Decades” nessa copa não tem sido nada fácil, hein? Na fase classificatória, fez valer sua estatura de faixa de encerramento de Closer sobre “Interzone”. Depois, despachou “I Remember Nothing” em vitória simples e, nas quartas, teve que se impor de novo para virar sobre “A Means to Na End”. E se pra “Decades” foi esse osso todo, imagina para “Transmission”?! Na preliminar, ok: não teve maiores problemas pra eliminar “No Love Lost” Mas, nas oitavas, de cara pegou “Shadowplay”, que ganhou numa vitória magra. Depois, pior: “Love Will Tear Us Apart”, mais pedreira ainda. Num jogo emocionante, com adversário saindo na frente e ampliando, “Transmission” teve que buscar o resultado. Ou seja: dois times que chegam desgastados e em pé de igualdade, seja em tamanho quanto em condições de jogo. Isso fez com que o 0 x 0 se estendesse por praticamente toda a partida, com os times se estudando e dando aquela estocada sempre que possível, mas calculada, pra não gerar contra-ataque. Pois foi justamente numa dessas investidas, depois de correr e marcar o jogo todo, que “Transmission” perdeu uma bola no meio de campo quando tentava armar uma jogada e viu o adversário tocar três vezes na bola e chegar na área, até ser duramente castigada. Bola na rede faltando apenas 3 minutos para o final, tempo que “Decades” segurou para garantir mais uma vitória sofrida, mas suficiente para se classificar: 1 x 0 e “Decades” na final!


*como consta no Art. 350125 Go! Exercise I, em caso de empate entre os votantes a decisão do classificado se dará pelo saldo de gols:

PLACAR FINAL - 

TRANSMISSION 4 X DECADES 3


⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽⚽


DISORDER x NEW DAWN FADES

  • Cly Reis:

Mais um clássico local do Unknown Pleasures.

A energia de Disorder contra a cadência de New Dawn Fades.

Aquele introdução pulsante de bateria, numa das grandes aberturas de um álbum na história do rock, garante um gol relâmpago para Disorder um gol relâmpago, logo nos primeiros segundos, abrindo o placar: 1x0.

Mas New Dawn Fades não se assusta e com seu jogo seguro, construído, parte por parte, com paciência, chega ao gol de empate: 1x1.

O jogo mais completo, mais equilibrado de NDF se impõe e o conjunto garante o gol da vitória. 2x1 num jogo incrível que justifica o tamanho dessas duas equipes na discografia da banda.


  • Roberto Sulzbach:

Bem amigos do ClyBlog, não tem jogo fácil à esta altura do campeonato. 

Disorder x New Dawn Fades são símbolos da qualidade e influência que a banda tem no cenário da música pop global. Ambas podem servir de argumento sobre como mudaram a música, mas a sensação de abrir a vitrola, colocar o LP e embarcar em uma viagem é transcendental. Jogo duro, plástico e aberto. Placar final: 3 a 2 Disorder

*como consta no Art. 350125 Go! Exercise I, em caso de empate entre os votantes a decisão do classificado se dará pelo saldo de gols:

PLACAR FINAL - 

DISORDER 4 X NEW DAWN FADES 4



JOGO EXTRA - DISORDER x NEW DAWN FADES:

*(como consta no regulamento da International Blog, ficando as equipes empatadas no saldo de gols, o jogo será decidido por um convidado também fã e especialista em Joy Division)


  • Jairo Alone:

Difícil, hein!

"Disorder" ganha. Por quê? Sonoramente, ela é mais influente. Dá para ver esse DNA desde bandas como The Cure como Legião Urbana. Se tivesse que apresentar uma das duas para alguém, seria essa. Num jogo? Dois a  um (2 X 1). Placar apertado e gol nos acréscimos. 


PLACAR FINAL JOGO EXTRA -
DISORDER 6 X NEW DAWN FADES 5






quarta-feira, 8 de julho de 2026

Música da Cabeça - Programa #467

 

Já é reprise o Brasil eliminado da Copa, como tem acontecido nas últimas seis edições do torneio. Mas reprise mesmo será a do nosso programa 296, de dezembro 2022, quando ocorria a Copa em Dubai - e a Seleção se despedia mais uma vez... No clima de futebol, mas sempre com muita música, como Whale, Joy Division, Criolo, Adoniran Barbosa, Arnaud Rodrigues e mais. Só pelos craques agora, o MDC segue prestigiando a Copa na classificada Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Música da Cabeça - Programa #466


O jogador alemão aí não está frustrado com a eliminação, não! É que a música não sai da sua cabeça por nada. Isso vai "melhorar", porque tem um MDC cheio de chicletes de ouvido (ou "ohrwurm", como chamam os alemães). Trolando a Alemanha enquanto ainda estamos na Copa, a gente traz, sem brincadeira, uma seleção talentosa formada por The Beatles, Stevie Wonder, Woody Guthrie, Zezé Motta e mais. Ainda, um Sete-List que junta futebol com Gilberto Gil. Vingando-se um pouquinho do 7x1, o programa tira onda com hora marcada: 21h, na sarcástica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e olhos agora para a Noruega: Daniel Rodrigues 


www.radioeletrica.com

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Karlheinz Stockhausen - “Gesang der Jünglinge” (1956)


Capa das edições de 1957 e
1962, respectivamente, da
Deutsche Gramophon

“'Gesang der Jünglinge' é a mais original criação eletrônica de Stockhausen e talvez a peça eletrônica mais influente já composta."
Alex Ross
jornalista, escritor e crítico musical

"'Novo' significa mudar o método; novos métodos mudam a experiência, e novas experiências mudam o homem. Sempre que ouvimos sons, somos mudados: não somos mais os mesmos depois de ouvir certos sons, e isso é ainda mais verdadeiro quando ouvimos sons organizados, sons organizados por outro ser humano: música".
Karlheinz Stockhausen

O trauma da Segunda Guerra Mundial foi decisivo para toda uma geração de artistas da segunda metade do século 20 na Europa. Ainda mais na Alemanha pós-nazismo. Misturavam-se, principalmente do lado ocidental do Muro, sentimentos de culpa e de constrangimento, que tomava o coração dos artistas das mais diversas áreas, do cinema à literatura, das artes visuais à música. Tanto que o reerguimento da Alemanha destruída física e moralmente veio com altos investimentos de tecnologia, mas também com uma vontade irrefreável de produzir arte para espantar os demônios. Dessa complicada equação, que une dor e profundo catolicismo com inovação científica e pulsões existenciais, algumas figuras foram chave para trazer ao mundo obras que revolucionariam a arte contemporânea. Na música do país germânico, Karlheinz Stockhausen é o principal deles.

Nascido em Mödrath, em 1928, Stockhausen foi afetado diretamente por todos esses fenômenos. Durante a Guerra, perdeu os pais, fato que seria, ao mesmo tempo, traumatizante e mobilizador de suas ações. Órfão, aos 22 anos se mudou para Colônia, onde trabalhou como pianista e estudou música na universidade local, frequentando logo em seguida cursos de serialismo musical em Darmstadt com o mestre francês Olivier Messiaen. Com uma mente acima da média do resto dos seus colegas, em 1952, foi selecionado para o Conservatório Nacional de Música de Paris e estudou com outra referência da música de vanguarda, o também francês Pierre Boulez. Circundavam lhe ideias da música serialista, concreta, atonal, futurista, dodecafônica, mas nada fazia total sentido a Stockhausen, que ansiava por algo realmente inovador, mais profundo e que lhe respondesse àquele vácuo existencial. Precisava elevar um novo Deus, mas um Deus de ossos de metal, feito de transistores e estanho, já que aquele da igreja havia ido embora. O laboratório era a nova igreja.

Foi aí que veio, a partir da observação não dos instrumentos, mas do funcionamento da frequência dos osciladores de rádio, a ideia para a música eletrônica, a qual, há 70 anos, Stockhausen ajudou a fundar. É bem verdade que o francês Pierre Schaefer já havia lançado, em 1948, as bases de uma música que não seguia nenhum padrão tonal ao criar o gênero acusmático, no qual a música pré-gravada é difundida sem a presença de músicos ou cantores em tempo real graças às tecnologias de captação, manipulação e reprodução eletroeletrônicas. Mas o obstinado Stockhausen vai além e monta suas primeiras peças com fitas magnéticas para, sim, serem apresentadas ao vivo, o que realiza com “Gesang der Jünglinge”, peça que completa sete décadas de sua estreia, numa estranhíssima avant-premiére em Colônia, em 30 de maio de 1956. Quem assistiu aquela "performance", saiu ou chocado ou sem entender.

Foto da estreia de "Gesang...", em Colônia.
Estranhamento da plateia
Criada durante dois anos, “Gesang....” - que quer dizer “Canção dos Jovens”, na tradução para o português - é obscura e diferente de qualquer coisa que se tinha notícia até então, antecipando-se à reorganização tonal de Steve Reich e às saborosas esquisitices da turma da Fluxo. Composta para fita magnética e cinco autofalantes, esta obra religiosa não-litúrgica é pioneira em alguns sentidos. Em primeiro lugar, pela própria ideia de fundir e combinar o som da voz humana com sons gerados eletronicamente, lançando mão da tecnologia e das técnicas então disponíveis. A composição é basicamente constituída pela alteração da voz de um menino sintetizada. Alterando o espectro de ondas senoidais, Stockhausen conseguiu criar uma linha contínua que permitia a manipulação de todas as articulações pronunciadas. Uma vez criada a linha contínua, o compositor extraiu os elementos básicos e os grupos de elementos da composição. 

O “serialismo total” desenvolvido por Stockhausen resolve uma série de questões técnicas altamente intrincadas para resultar em uma obra de pouco mais de 13 minutos capaz de, mesmo sem conhecimento profundo de música do ouvinte, impactá-lo. Selvagem e estranhamente “científica”, detalhada e artesanal, “Gesang…”, quando composta, levava horas de trabalho para que fosse criado um segundo de música, apenas dosando, expandindo, reduzindo, sintetizando sons.

Entre silêncios, estranhas emulações de instrumentos “reais”, guizos, farfalhares e ruídos em geral, o que resulta é uma obra sombria, que traduz aquela nova liturgia fundada por Stockhausen. A memória dos pais, o trauma da Guerra, a religiosidade cristã da infância e a febre moral de seu país transformam-se em uma música que, propositalmente, soa sem sentido ou, se não tanto, sem exigir-se racional ou pertencente a uma tradição. O próprio canto do jovem soprano Josef Protschka, de 12 anos à época, período em que a voz dos meninos oscila entre o grave e o agudo, exprime esse incômodo. Nada é verdade. Assim, o texto bíblico Do Forno Ardente, do livro de Daniel, é meramente um instrumento filosófico para o compositor expurgar seus males trazendo à tona outro, que passaria a ser muito conhecido da sociedade: o mal-estar do Século 20.

De Miles Davis a Beatles, passando por David Bowie, Kraftwerk, Philip Glass, Radiohead, Chemical Brothers e Björk, o pensamento de Stockhausen estimulou a que se buscasse desbravar outras possibilidades de composição, apropriação e organização do som, além de alçar o problema da escuta da música a uma outra dimensão. Junto com Boulez e John Cage, Stockhausen reescreveu a música moderna, “matando” o tonalismo e abrindo um novo paradigma. Cabe aos que vieram depois desbravá-lo e decifrá-lo.

Um repórter que presenciara a famigerada estreia de “Gesang…”, ao entrevistar seu compositor logo após, confessou-lhe que achava não ter entendido a obra, mas que ficara extrema e positivamente transtornado com o que ouvira. Stockhausen lhe respondeu que, justamente por essa reação, ele havia, sim, entendido a proposta.

📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼

FAIXAS:
Versão 1957:
1. "Studie I" - 9:42*
2. "Studie II" - 3:20*
3. "Gesang Der Jünglinge" - 13:00
* Peças de música eletrônica geradas a partir de tons senoidais manipulados de 1953 e 1954, respectivamente 

Versão 1962:
1. "Gesang Der Jünglinge" - 13:00
2. "Kontakte" - 35:30**
** Peça para fita de 4 canais escrita entre 1958 e 1960

📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼📼



Daniel Rodrigues

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Música da Cabeça - Programa #465


Sabe muito esse Lamine Yamal, hein? Além da mensagem política, o 304 da comemoração dele guarda ainda esse outro segredo, só que visto de outro ângulo. É sinal também que o MDC de hoje será especial, tendo Chico Buarque, Stevie Wonder, PIL, Roberto Carlos e mais. Igualmente, um Cabeção sobre Eumir Deodato. Com muita simbologia, o programa vai ao ar às 21h na resistente Rádio Elétrica. Produção, apresentação e orgulho multicultural: Daniel Rodrigues


www.radioeletrica.com


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Música da Cabeça - Programa #463

Prontos para mais uma apresentação de craques? Então, preparem-se, pois é o MDC que põe seu time em campo! Um dia antes de começar a Copa do Mundo, o programa escala seu time com talentos dos mais variados países, como a França de Françoise Hardy, a Inglaterra da The Cure e da Lush, os Estados Unidos de Iggy Pop e, claro, os brasileiros pentacampeões Fernanda Abreu, Carlinhos Brown, Erasmo Carlos e mais. No quadro especial, Um Cabeça dos Outros. Com a equipe formada, o programa dá o pontapé inicial às 21h na futebolística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e golaços: Daniel Rodrigues


 www.radioeletrica.com

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Copa Joy Division 2026








E NOVAMENTE TEREMOS COPA DO MUNDO NO CLYBLOG!

MAIS UMA COPA MUSICAL NA QUAL CANÇÕES DE UM ARTISTA, UM CANTOR, UMA BANDA SÃO COLOCADAS FRENTE A FRENTE PARA UM EMBATE FUTEBOLÍSTICO-MUSICAL CUJO OBJETIVO É DEFINIR

QUAL SUA MELHOR MÚSICA.

E DESTA VEZ DESCOBRIREMOS QUAL A MAIOR MÚSICA DE UMA DAS BANDAS MAIS ICÔNICAS DE TODOS OS TEMPOS. GRUPO DE CURTA MAS DE CANÇÕES MARCANTES E ETERNAS, ESPECIALMENTE PARA SEUS FÃS.

E AQUI TEREMOS QUATRO DELS, QUATRO ADMIRADORES DESSA LENDA DE MANCHESTER, QUE COM SUAS PREFERÊNCIAS E CONHECIMENTO, AJUDARÃO A DEFINIR O QUE MUNITA GENTE SE PERGUNTA:

QUAL A MELHOR MÚSICA DO JOY DIVISION?

CLAYTON REIS E DANIEL RODRIGUES, TITULARES DO BLOG, E OS CONVIDADOS LUNA GENTILE E ROBERTO SULZBACH DEFINIRÃO OS VITORIOSOS EM MATA-MATAS SORTEADOS.

OS SINGLES, AS INÉDITAS E AS INTEGRANTES DE COMPILAÇÕES SE ENFRENTAM EM UMA FASE PRELIMINAR DE ONDE SAEM 12 QUE SE JUNTARÃO ÀS 20 CANÇÕES DOS ÚNICOS DOIS ÁLBUNS DA BANDA, QUE JÁ ESTARÃO ESPERANDO PARA, ENTÃO, FORMAR AS 32 QUE EM ELIMINATÓRIAS SIMPLES, SEMPRE SORTEADAS, SE ENFRENTARÃO ATÉ CHEGAR À GRANDE FINAL.

QUE COMECE A COPA!

A COPA ETERNA!


COPA JOY DIVISION






C.R.


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Erasmo Carlos - “Banda dos Contentes” (1976)


"'Banda dos Contentes' não é redondo, fechado, nem sufocante. É um trabalho livre, aberto, de um rock muito simples, girando em torno de um mundo real." 
Eliane Martins, em matéria da revista Pop, na época do lançamento de "Banda dos Contentes"

"Mudei. Mudei para melhor. Agora não sou mais galã de Jovem Guarda. Não me preocupo mais com a imagem. Eu estava sufocado, agora estou mais livre." 
Erasmo Carlos, em 1976

Roberto Carlos já havia deitado no divã da psicanálise 4 anos antes. Erasmo Carlos, coautor da canção gravada pelo “irmão camarada” em 1972, sentia que precisava de algo parecido. O Erasmo agora pai, casado, com carreira profissional consolidada e livre de vez da imagem do rapaz suburbano alçado ao estrelato da Jovem Guarda sabia que devia também se entender melhor. Mas se para alguns o processo terapêutico embaralha as emoções, para ele o aprofundamento em si mesmo foi revolucionário – e se deu através da própria música. “Banda dos Contentes”, álbum de 1976 que completa 50 anos de lançamento, é a prova disso, pois capta um homem honesto consigo e que, diante das mudanças do mundo daquela época, buscava se encontrar de coração e asas abertas.

Musicalmente, Erasmo já vinha exercitado seu lado tropicalista e independente da figura neo-romântica de Roberto desde “Erasmo Carlos e os Tremendões”, de 1970, passando pelo celebrado “Carlos, Erasmo”, de 1971, e pelo não menos “memorável” “Sonhos e Memória (1941-1972)”, de 1972. Em “Banda...”, o antigo garotão de “Gatinha Manhosa” e “Fama de Mau” chega maduro como músico e como pessoa. Isso se refletia na banda que escolhera trazer para perto de si: a fidelidade do “mutante” Liminha no baixo, a bateria esperta de Elber Bedaque, a guitarra roqueira de Rick Ferreira e a sofisticação jazz-samba do piano de Antônio Adolfo, além das participações de grandes músicos como Perna Fróes, Ruy Maurity, Rubão Sabino e do grupo Karma nos backings.

A diversidade sonora e a caprichada produção, a cargo de Guti e do próprio Erasmo, dão conta de um repertório que mantém o alto nível do início ao fim, com uma construção narrativa típica de quem sabe o que está fazendo. E mais legal é que, contrariamente a uma possível densidade em razão da influência psicanalítica, o disco une saudavelmente reflexões existenciais e filosóficas com sua caracteristicamente saborosa melodia. Até a arte visual é contaminada por esse olhar. No encarte do LP, Benício desenha vários homens se digladiando violentamente. Todos têm o rosto de Erasmo...

A faixa-título, com letra que parece ter saído fresquinha de uma sessão de terapia, é ao mesmo tempo fatídica e engraçada. ‘Às vezes olho no espelho/ Não vejo minha cara/ E com que cara que eu vou me mostrar/ Dentro de mim/ Com o meu saco cheio/ Porque a vida me fez/ Somente do meu tamanho”, dizem os versos. Mas o olhar freudiano contamina, de uma forma ou de outra, praticamente todo o repertório escolhido. O hit “Filho Único”, que inicia o disco e que foi tema de abertura da novela da Rede Globo Locomotivas, é uma das músicas mais sensíveis de toda aquela geração. Com uma letra que fala da busca de autonomia e independência de um filho sem irmãos para com sua genitora, traz alguns dos versos mais duros que a música brasileira já escreveu, justamente por contar uma verdade pouco admitida na sociedade daqueles idos: a de que os filhos são do mundo, não dos pais. O mundo agora é seu dono, “e nos seus planos não estão você”. Ele e Roberto, autores, abrem dizendo: “Ei mãe, não sou mais menino/ Não é justo que também queira parir meu destino”. Quer sentença mais psicanalítica que essa? Uma das joias do pop rock brasileiro de todos os tempos.

Arte de Benício no encarte do LP: vários Erasmos
contra eles mesmos
Sem deixar cair a peteca, Erasmo traz um então pouco conhecido compositor cearense chamado Belchior, que Elis Regina e Vanusa já haviam gravado mas que ainda nem havia lançado seu primeiro álbum, o hoje histórico “Alucinação”, daquele ano. A faixa é a clássica “Paralelas”, com sua letra forte e poética (“E no escritório em que eu trabalho e fico rico/ Quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor”) e melodia/arranjo tanto quanto.

E se é para manter o nível lá em cima, nada melhor do que uma inédita como “Queremos Saber” na sequência. Assim como Caetano Veloso havia dado a Erasmo “De Noite na Cama” anos antes, agora era o outro tropicalista-mor, Gilberto Gil, que lhe presenteava com uma canção. E que canção! Indagadora, esta delicada balada caía como luva para a voz doce de Erasmo. Quem não há de ficar impactado (ou, pelo menos, reflexivo) com esses versos?: “Queremos notícia mais séria/ Sobre a descoberta da antimatéria E suas implicações/ Na emancipação do homem/ Das grandes populações/ Homens pobres das cidades/ Das estepes, dos sertões”. Cássia Eller regravaria “Queremos...” 25 anos depois e as interrogações continuariam as mesmas...

Em época de autoanálise, por que também não promover a investigação do que se põe como externo? É o que Erasmo e Roberto, em mais uma da dupla no disco, fazem, literalmente, com muita “descontração”. Monstro do Lago Ness, Carnaval, 10 Mandamentos, homem na Lua, guerras: está tudo em “Análise Descontraída”. Erasmo mostra-se indignado e incrédulo com o que vê à sua volta. “Eta mundo velho/ Você me parece ainda um ovo/ Ou então precisa urgentemente se acabar pra nascer de novo”. Morte, nascimento, valores ultrapassados, violência, modernidade confusa... Mais uma vez, a bendita terapia pegando.

Uma epifania em um cenário turbulento, “Dia de Paz”, de Jorge Mautner e Adolfo, evoca o Erasmo hippie de “Gente Aberta” e “Por Cima dos Aviões”. Outra que parece se deslocar no tempo e espaço para fugir um pouco da realidade é “Continente Perdido (Terra de Montezuma)”, uma fenomenal composição de Maurity e José Jorge, que conta com flautas e arranjos de Perna e uma sonoridade toda latina de raiz. Ousadias que Erasmão se permitia. Assim como a deliciosa “Baby”, mais uma de autoria com Roberto, um funk matador aos moldes de “Mundo Deserto” em que volta a usar sua verve contestadora para criticar... os homens como ele! Em sua descida às próprias profundezas, Erasmo, diante de uma feminista empoderada, vê-se inerte. “Deixe os seus protestos e os manifestos/ Pra outra periferia/ Não fui eu quem fez as leis/ Que não lhe dão maior autonomia/ Mas, se não dá/ Vamos fazer o nosso amor num outro dia”. Genial! Com uma linha de sopros de primeira, o baixo pulsante de Rubão, a bateria suingada de Pascoal Meirelles e as guitarras de Perna e Gabriel O’Meára, tem ainda o bass vocal de Erasmo marcando o ritmo.

Igualmente a “Dia de Paz”, “Fatos e Fotos”, de Luiz Mendes Jr. e Renato Terra, integrantes da Karma, baixa de novo a rotação numa canção romântica como as que Erasmo era craque em interpretar desde a Jovem Guarda. Isso porque, para encerrar, ele manda ver num country-rock ao mesmo tempo empolgante, lúdico e audacioso: “Billy Dinamite”, dele e de Rick. Audacioso, primeiramente, na concepção, haja vista que é a primeira música, após quase 20 anos de carreira artística, escrita com outro parceiro que não Roberto. Depois dele, viriam muitos outros, de Marisa Monte a Nelson Motta, de Samuel Rosa a Emicida. Narrando uma história típica de um livrinho barato do Tex, em que um mocinho se apaixona pela filha do cacique da tribo inimiga e, sabendo que sentenciara a própria morte por causa do amor, “fez a cama na montanha para ficar mais perto do céu”.

O anterior “Carlos, Erasmo”, seu mais cultuado álbum, bem como os posteriores “Erasmo Carlos Convida” (1980), “Mulher” (1981) e, já da última fase, “Rock‘n’Roll” (2009), são considerados marcos na discografia do Tremendão. Porém, nenhum outro é tão autoral e fala tanto sobre o próprio artista como “Banda...”, um divisor-de-águas em sua carreira. Com sua "cuca legal"“descontente” com o que devia ser, Erasmo antecipava, por exemplo, a crítica à masculinidade tão em voga hoje, expondo angústias, dúvidas, insatisfações e, principalmente, fragilidades do homem moderno. No brutalizado Brasil dos anos 70, de ditadura militar e supremacia da machosfera, Erasmo era um homem que chorava e se permitia emocionar. “Banda...” reflete, assim, mais do que qualquer outro trabalho seu aquilo que sempre lhe atribuíram: o de ser um verdadeiro Gigante Gentil em um mundo de cada vez menos gentilezas. 

videoclipe do Fantástico de "Billy Dinamite"

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

FAIXAS:
1. "Filho Único" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:40
2. "Paralelas" (Belchior) - 2:55
3. "Queremos Saber" (Gilberto Gil) - 3:54
4. "Análise Descontraída" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:30
5. "Dia de Paz" (Jorge Mautner/ Antonio Adolfo) - 3:30
6. "A Banda Dos Contentes" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:10
7. "Continente Perdido (Terra de Montezuma)" (José Jorge/ Ruy Maurity) - 5:05
8. "Baby" (Erasmo Carlos/ Roberto Carlos) - 3:25
9. "Fatos e Fotos" (Luiz Mendes Jr./ Renato Terra) - 3:01
10. "Billy Dinamite" (Erasmo Carlos/ Rick Ferreira) - 4:18

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

OUÇA O DISCO:

Daniel Rodrigues

quinta-feira, 28 de maio de 2026

T.N.T. - Show "T.N.T. I - Ponto Zero" - Auditório Araújo Vianna - Porto Alegre (24/04/2026)


A T.N.T. pode não ser necessariamente a melhor banda gaúcha de todos os tempos, haja vista que tem Os Replicantes, De Falla, Engenheiros do Hawaii, Liverpool, Cascavelletes, Saracura... Mas uma coisa não se tem dúvida: eles são a banda mais icônica do rock ‘n’ roll no Rio Grande do Sul. Criado há 40 anos, esse histórico grupo tanto para o rock da terra da bombacha quanto para o Brasil celebrou as quatro décadas de lançamento do seu memorável primeiro e homônimo disco num disputado show no Auditório Araújo Vianna, que lotou de fãs para ouvi-los e cantar seus clássicos.

Por falar em clássico, foi assim que iniciaram a apresentação: emendando nada menos que três de seus maiores sucessos: “Entra Nessa”, “Ana Banana” e “Identidade Zero”. Ufa! Um começo arrasador.. Porém, de certa forma parece que Charles Master, Márcio Petracco, Tchê Gomes, João Maldonado, Fábio Ly, Paulo Arcari e Felipe Jotz gastaram metade da pólvora antes do primeiro quarto de batalha. Não que depois tenha necessariamente decaído ao tocaram músicas menos conhecidas ou tão aclamadas, mas o som mal equalizado (que embolava os sons e dificultava que se entendesse aquilo que já não se sabe de cor), somado à longa duração do show inteiro, deu um certo cansaço.

Mas tudo bem, afinal, show de rock de verdade passa por cima de som ruim ou algum equívoco de repertório, e o  público compareceu mesmo para vê-los tocar as músicas que uma geração inteira de gaúchos cresceu ouvindo nas rádios. Caso de “Irmã do Dr. Robert” e “Oh Deby”, esta última, assim como as três citadas do começo do show, composições de autoria de Flávio Basso (ou Júpiter Maçã ou Jupiter Apple). Aliás, ou eu não entendi pelo som embolado das falas entre as músicas ou ninguém mencionou Flávio, que, convenhamos, é o arquiteto da T.N.T., a cabeça mais criativa não só da banda, mas de todo o rock gaúcho em todos os tempos. Estranho...

Além do disco de estreia, teve também coisas das outras fases, como os hits “Não Sei” (“Não sei se eu tô certo ou se eu tô errado/ Mas faço tudo o que eu digo e digo tudo que eu faço”), “Não Vai Mais Sorrir (Pra Mim)” (ambas de “TNT nº 2”, de 1988 e já sem Flávio na formação), “Noite Vem, Noite Vai” e “Quem Procura Acha”, duas do terceiro álbum de estúdio da T.N.T., de 1991. O público gostou.

O hit "Não Sei" com sua melodia a la "Sweet Jane"


Rolou ainda uma participação da Orquestra Rosariense, que não acrescentou muito, na verdade. Tanto que a banda tocou, no bis, exatamente as músicas que haviam rearranjado para as cordas, “Muito Cuidado” e “Nunca Mais Voltar”. Mais para o final, teve outra consagrada, “Cachorro Louco”, desses rocks imbatíveis, dos melhores do BRock anos 80. Para encerrar, “O Mundo É Maior Que o Teu Quarto”, da Cowboys Espirituais, uma das corruptelas da T.N.T. assim como a Tenente Cascavel e a Cascavelletes. Baita música, regravada por gente como Barão Vermelho, mas que, por não terem dosado melhor a narrativa do show e gastado as melhores lá no início, talvez não fosse a mais indicada para encerrar.

Mas, de novo, tudo bem! A noite foi para celebrar o bom e velho rock ‘h’ roll, o que a T.N.T. representa no mais alto grau. Deixa pra lá a acústica ruim, o andamento do repertório. O negócio foi “entrar nessa” e “dançar um rock ‘n’ roll”. Foi o que fizemos - e foi legal.

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

Começa o show da lendária T.N.T.


Acompanhando a letra no telão de "Entra Nessa",clássico do rock gaúcho


Entrando nessa com "Entra Nessa"

"Ana Banana" no começo do show pondo 
todo mundo pra cantar


Repertório do primeiro e dos outros discos da
banda compuseram o show

A T..N.T. canta outra clássica: 
"A Irmã do dr. Robert"


Mais clássicos


Tocando "Nunca Mais Voltar", das preferidas da galera


Estes dois roqueiros felizes por ver a T.N.T.
celebrando os 40 anos de sua estreia


🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸


texto: Daniel Rodrigues
fotos e vídeos: Daniel Rodrigues e Leocádia Costa

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Música da Cabeça - PROGRAMA ESPECIAL Nº 461


Hoje tem MDC especial! Direto da Flórida, nos Estados Unidos, o programa desta semana traz uma edição especial com entrevista do música Phill Fest, guitarrista de jazz e música brasileira filho do célebre Manfredo Fest. Pianista e compositor gaúcho, um dos precursores da bossa nova e do jazz brasileiro no exterior, Manfredo completaria 90 anos se vivo. Na bate-papo com Phill, falamos sobre sua obra, seu trabalho e seu legado. Ainda, quadros, música e muito mais. É hoje, 21h, na Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues.