O ano tá começando não muito feliz com a invasão a Venezuela e o sequestro do Maduro. Mas mesmo assim, sem essa de dar adeus ao ano velho. Afinal, no MDC a gente valoriza tudo aquilo que se fez nos 365 dias que se passaram. Por isso, nossa retrospectiva 2025 vai ser montada somente com blocos dos nossos programas rodados durante o ano passado: as edições, 397 (fevereiro), 417, 418 (julho), 423 (agosto), 433 (outubro) e 435 (novembro). Desejando uma bom 2026, vamos ao ar às 21h, na valorosa Rádio Elétrica. Produção, apresentação e muito dinheiro no bolso: Daniel Rodrigues.
Não tem quem não esteja assim nesse fim de ano. Mas aguenta firme mais um pouquinho antes de tombar de vez pra escutar o MDC desta semana. Temos certeza que não vai se arrepender com a edição especial de nº 440. Afinal, uma combinação de Tina Turner, Cátia de França, Neil Young, Titãs e Adélia Prado põe qualquer um de pé de novo. Ainda mais com a homenagem que a gente vai fazer a Tony Williams, grande baterista que completaria 80 anos se vivo. Com as últimas forças de 2025, o programa vai ao ar às 21h na brava Rádio Elétrica. Produção e apresentação sem esmorecer: Daniel Rodrigues
Há quem diga que a dancinha do Maduro é um pedido de trégua pros Estados Unidos, mas a gente sabe que é só porque ele soube do MDC desta quarta. Mexendo o esqueleto, Lou Reed, Sabotage, Tom Waits, Beach Boys, Zé Ramalho e mais. Ainda, Cabeção celebrando aniversário do grande Toninho Horta. Dando um "sim" à paz e "não" à guerra, o programa toma o espaço aéreo às 21h na pacífica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e coreografia: Daniel Rodrigues
Não, você não está tendo uma alucinação: é mesmo o MDC te chamando para ouvir a edição desta semana. Por pura curiosidade, vamos violar as amarras da mediocridade com Nação Zumbi, Patti Smith, Edo Lobo, Esquivel, Milton Nascimento e mais. Ainda tem um Cabeça dos Outros de gente com nenhuma paranoia dentro dela. Metendo o ferro quente, às 21h vamos botar pra ferver na inviolável Rádio Elétrica. Produção, apresentação e vozes do além: Daniel Rodrigues.
Maldito é uma espécie de bendito ao contrário. É nessa lógica que vamos falar da perda de Jards Macalé: ao invés de lamentar, celebraremos! Afinal, temos muito sempre a exaltar de Macau, a começar pela entrevista que ele nos prestou em 2011 para a edição especial de nº 200 do MDC, que iremos reprisar hoje. Também, nesta Semana da Consciência Negra, teremos outros artistas e ainda mais Jards, seja em forma de notícia, letra ou nos abençoando com sua maldição. Desafiando o coro dos contentes, o programa não vai ficar no porto chorando, não, pois às 21h embarca naquele velho navio da Rádio Elétrica. Produção e apresentação american black do Brás do Brasil: Daniel Rodrigues
No Brasil, são 12.284.478 Marias, 5.164.752 Josés e 34.030.104 Silvas. Mas o que o Censo não revela é a sigla mais falada no Brasil: MDC. Afinal, são 435 no total, trazendo sempre consigo nomes dos mais destacados como Paulinho da Viola, The Cure, Velvet Underground, SZA, João Donato e mais. Nesse ranking também entram outros sete nomes, que vão compor o nosso quadro Sete List da semana. Dando nome aos bois, o programa vai ao ar às 21h na estatística Rádio Elétrica. Produção, apresentação e outros 770.743 primeiros nomes iguais: Daniel Rodrigues.
Deixemos um pouco de lado os homens sórdidos e os ratos mortos na praça. Nesta semana em que a nuvem cigana levou Lô Borges, o MDC celebra ele e também dá lugar a Miles Davis, Ivan Lins, Camisa de Vênus, Body Count, Radiohead e muito mais. No Cabeça dos Outros, o Sol também bate, pois lembramos novamente Lô. Da janela lateral dará para ouvir o programa de hoje às 21h no trem azul da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e sonhos que não envelhecem: Daniel Rodrigues.
A Nasa tá se quebrando pra entender o comportamento do cometa 3I/Atlas. Mas o que vai dar mesmo um nó nos cientistas é desvendar a composição do MDC desta semana. Elementos como Luiz Gonzaga, Michael Jackson, Dr. Feelgood, Banda Black Rio e Elis Regina formam uma química improvável. Ainda mais atônico é o nosso homenageado do Cabeção, o italiano Luciano Berio, que faria 100 anos. Enquanto o corpo interestelar ziguezagueia na direção da Terra, a gente escuta o programa 433 bem de boas, às 21h, na celeste Rádio Elétrica. Produção, apresentação e só de olho no céu: Daniel Rodrigues
Será mesmo que a polícia francesa não se deu conta de que o roubo das joias do Louvre é coisa do Arsène Lupin? Intrépido e certeiro assim como o personagem de Leblanc é o MDC, que terá somente joias preciosas na edição de hoje. The Beatles, Cypress Hill, Vitor Ramil, Talking Heads e Miúcha são alguns dos que vão brilhar. Reluzindo igualmente, o ouro negro Grande Otelo, que completa 110 anos de seu nascimento. Roubando a atenção de muita gente, o programa vai entrar pelas janelas às 21h na sorrateira Rádio Elétrica. Produção, apresentação e joias bem escondidas: Daniel Rodrigues
Faz de conta que a cara de espanto da Meloni não por causa da cantada escrota do Trump, mas porque ela soube do que vai rolar no MDC de hoje. Também pudera: com Seals & Crofts, Taiguara, Marisa Monte, Public Enemy e Wayne Shorter qualquer um ficaria ruborizado. Ainda mais se ela souber o que tem no Cabeça dos Outros! Sem vergonha nenhuma, o programa é às 21h na desinibida Rádio Elétrica. Produção, apresentação e falas bem mais adequadas: Daniel Rodrigues.
A pergunta que não quer calar: quem vai ouvir o MDC de hoje? Enquanto uns param na frente da TV para tentar saber quem matou Odete Roitman, os espertos sintonizam no programa para ouvir a edição especial de nº 430. Quem vier conosco vai ganhar uma recompensa em DOSE DUPLA, estamos avisando! Sem motivos pra matar ninguém, entramos no ar no horário da novela das 9 na insuspeita Rádio Elétrica. Produção e apresentação: Daniel Rodrigues (mas quem será mesmo que atirou?...)
Que porrada foi essa, Wanderlei Silva? Olha, mas porrada mesmo vai ser quando ouvir o MDC desta semana. Reunindo só pesos-pesados, sobem ao ringue hoje Frank Zappa, Caetano Veloso, Buffalo Springfield, Sinead O'Connor e The Bangles. No Sete-List, os 80 anos de Gal Costa. Dando um cruzado de direita, o programa vai pra luta às 21h com transmissão ao vivo da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e luvas calçadas: Daniel Rodrigues.
Ei, você, que não tem medo de Lei Magnitsky e que não arreda um centímetro pra perdoar bandido, este programa é feito pra você! Numa "excelente química", o MDC de hoje convoca House of Pain, Antônio Adolfo, Luiz Melodia, The Stooges, Air e outros, digamos, "caras legais". Também tem um novo Cabeção, desta vez celebrando os 90 anos do compositor estoniano Arvo Pärt. Contra qualquer blindagem ou anistia, o programa reúne milhares em ato às 21h na manifestante Rádio Elétrica. Produção, apresentação e soberania inegociável: Daniel Rodrigues.
Tem uma história envolvendo bateristas, que traduz a magia desse instrumento. Antes do histórico show da Rolling Stones em Porto Alegre, em 2016, os integrantes da banda Cachorro Grande, minutos antes de terem a honra de abrir a apresentação para os ídolos, interagiam no camarim com Mick Jaeger, Keith Richards, Ron Wood, banda e, claro, também com o saudoso baterista Charlie Watts.
Conversa vem, conversa vai, até que Charlie é apresentado a Gabriel Azambuja, baterista da Cachorro Grande. Imediatamente identificado com o colega brasileiro, o lendário baterista disse-lhe de forma deferente e do alto de sua experiência com seu elegante inglês: "Nunca se esqueça que você é o coração da banda".
É esse coração sonoro que se celebra hoje, dia 20 de setembro. O Dia do Baterista, data escolhida para homenagear os donos das baquetas, seja no rock, no jazz, no blues ou na música brasileira. Porque, sim, junto a grandes mestres do instrumento, temos também brasileiros, reconhecidos internacionalmente desde os anos 60. E tem elas também, as bateristas, menos lembradas, mas igualmente importantes, como Viola Smith, a mais rápida do mundo, Moe Tucker, a mais moderna, Cindy Santana, virtuosa e versátil, ou Karen Carpenter, fera também com as baquetas.
Como sabiamente sugeriu Charlie Watts, bateria não é apenas uma mera “cozinha” ou acompanhamento da guitarra. Nossos convidados – alguns bateristas, outros não, mas todos apreciadores da boa música e da contribuição dos donos do ritmo – foram convocados para listarem seus bateristas preferidos. Mas numa coisa todos são unânimes: eles sabem que bateria é mais do que bumbo, caixa, surdo, tom-tom e pratos.
Alguns nomes escolhidos são diretamente ligados a bandas/artistas, como Stewart Copeland e Jorginho Gomes; outros, ícones ou “free lancers”, o nome fala por si, como Steve Gadd e Max Roach. Mas todos craques na sua arte. E é por eles que a música pulsa.
Hermeto nos ensinou que música está em tudo. Percebendo-a em todos os lugares, o MDC 427 homenageia o Bruxo e traz também outras bruxarias sonoras, como as de The Who, George Clinton, PJ Harvey, Milton Nascimento, Beth Carvalho e outros. E claro: o quadro Cabeção é com ele: Hermeto Pascoal, que nos deixou esta semana para ir morar no universo música. Ouvindo acordes em qualquer coisa, o programa toca seus instrumentos às 21h na musical Rádio Elétrica. Produção, apresentação e som de chaleira: Daniel Rodrigues
Eu se fosse você ia na pilha do SIG, viu? Afinal, o MDC desta semana está adoravelmente neurótico. Vai ter de Public Enemy a Clementina de Jesus, de Pequeno Cidadão a Curtis Mayfield, de Keith Richards a Maria Bethânia. E tem também Cabeça dos Outros, igual o SIGmund Freud, que cuidava exatamente disso. Saudando e com saudades de Jaguar, o programa vai ao ar às 21h na satírica Rádio Elétrica. Produção, apresentação e mais uma dose pra salvar Jaguar: Daniel Rodrigues.
A Metá Metá é a melhor banda do Brasil pós-Chico Science & Nação Zumbi. Isso quer dizer muito, haja visto o terreno fértil para criatividade que a música brasileira pisa. Porém, nada bate o trio Kiko Dinucci (violão), Thiago França (sax e flauta) e Juçara Marçal (voz), que fez uma apresentação histórica num lotado Salão de Atos da Reitoria-UFRGS. O estilo do grupo, interseção entre música brasileira, africana, latina, free jazz, punk rock e avant-garde, desafia qualquer classificação. E se a Metá Metá é de fato a grande banda brasileira, imagina ela adicionada do talento inigualável de Jards Macalé? É para desafinar o coro dos contentes!
Com o trio começando no palco, eles mandaram algumas poucas músicas do repertório deles, porém muito bem selecionadas. Começando com a épica “Vale do Jucá”, canção que simplesmente inaugura o cancioneiro da banda no disco de estreia de 2010. Sobre negritude e força ancestral (“Uma palavra quase sem sentido/ Um tapa no pé do ouvido/ Todos escutaram/ Um grito mudo perguntando aonde/ Nossa lembrança se esconde/ Meus avós gritaram”). Que música! Na sequência, uma das melhores do repertório da Metá Metá: a possante “São Jorge”, que evocou o aguerrido Ogum para dentro do teatro na voz versátil e personalíssima de Juçara: “Guerreio é no lombo do meu cavalo”.
Mais quatro do repertório antes de chamarem palco Jards: “Trovoa”, versão para a música do “Mulher Negra” Maurício Pereira, uma execução cheia de improvisos e de difícil canto, visto que de letra extensa e repleta de variações; o heavy-nagô “Atotô” (“Rolei na terra/ Abença, atotô/ Seu xarará/ A ferida secou/ A Flor do velho/ Ô me curou”), do EP de 2015; e “Cobra Rasteira”, outra das grandes da Metá Metá, esta do fantástico álbum “Metal Metal”, de 2013 (“Estrada, caminho torto/ Me perco pra encontrar/ Abrindo talho na vida/ Até que eu possa passar”, diz a letra).
Juçara Marçal e e Metá Metá cantam "Trovoa"
no Salão de Atos da UFRGS
Antes ainda de Jards entrar, a Metá Metá anuncia-o tocando “Pano pra Manga”, esse samba do clássico “Let’s Play That”, de Jards, de 1983. E foi justamente esta outra clássica, parceria de Macao com Torquato Neto, lá de 1972, que os quatro se juntaram para explodir o teatro da UFRGS. Dois violões esmerilhando, Jards e Juçara atacando todas as notas aos vocais, o sax de França corroendo a atmosfera. Os deuses da atonalidade vibraram no Olimpo! Logo em seguida, outra conhecida do repertório do veterano músico: “Negra Melodia”, dele e de Wally Salomão, em mais um show de sintonia e musicalidade. Tanta química, que é de se pensar: quem sabe Jards não se torna um quarto Metá Metá ou estes formem a banda do primeiro em algum show ou projeto?
Cabeça que fez a ligação entre Guerra-Peixe e João Gilberto a John Cage – com quem, aliás, jogou xadrez –, Jards é artífice de uma linguagem que, calcada em seu violão crispado, hibridiza lamento, rock, sussurro, guturalidade, blues e samba-canção. Sem acompanhamento, ele manda ver em duas: a linda e sentimental “Anjo Exterminado”, outra com Wally, e, para delírio do público gaúcho, a lupiciniana “Dona Divergência”, resgatada do seu disco “4 Batutas e um 1 Coringa”, de 1987, onde faz a ponte entre os sambistas clássicos e vanguarda – coisa que, aliás, somente uma mente como a dele para concatenar. Teve ainda, num dos grandes momentos do show, o duo com o sax de França para a icônica “Vapor Barato” (“Sim, eu estou tão cansado/ Mas não pra dizer/ Que eu não acredito mais em você”), música que atinge diversas camadas de significado, desde o anseio de liberdade na Ditadura Militar, quando na voz de Gal Costa, nos anos 70, a cinematográfica interpretação de Fernanda Torres no filme “Terra Estrangeira”, ao hit radiofônico d’O Rappa, nos anos 90. Com Jards, apoiado pela Metá Metá, sua própria obra ganha todo o tamanho que merece.
Das composições mais recentes, “Coração Bifurcado”, na voz e de autoria de Kiko e Jards e a qual dá nome ao disco deste segundo, de 2023, foi outra presença no setlist, assim como mais uma deles (esta, também com Thomas Harres), “Vampiro de Copacabana”, a majestosa homenagem a Torquato escrita pelos três em 2019, abertura do excelente álbum “Besta Fera”. Mas voltando ao passado de Jards, também teve o samba-canção “Boneca Semiótica” (de “Aprender a Nadar”, de 1974: “Você venceu com a lógica/ Digital e analógica/ Você não passa da programadora/ De repertório redundante da minha dor”), com mais uma brilhante execução do agora quarteto. Nesta linha, puxaram também “Farinha do Desprezo”, igualmente incríveis nos violões vanguardistas de Kiko e Jards, somados à arrojada interpretação dos vocais.
Para finalizar, depois de todos estes vários momentos de êxtase, ainda teve uma incrível (mas incrível, mesmo!) “Soluços”, a pioneira gravação de Jards em seu compacto de 1970. Juçara, uma das intérpretes mais expressivas da cena musical brasileira contemporânea, traz no canto ancestralidade e vigor, não restringindo o canto à perfeição melódica ou ao rigor técnico. Ela apura “Soluços”, enquanto o violão afro-percussivo de Kiko e o abrasivo sax de França compõem, junto com Jards e seu violão ácido, um final épico para a apresentação. No bis, cantada por todos, retrazem o samba-dark de Nelson Cavaquinho “Juízo Final”. Sob gritos de “Sem Anistia!” na semana em que havia sido decretada a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, a o clássico samba caiu como uma luva com seus versos: “Do mal/ será queimada a semente/ O amor/ Será eterno novamente”. Sim: o amor, a depender de Macao e Metá Metá, será eterno novamente.
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O maravilhoso trio Metá Matá: a melhor banda do Brasil da atualidade
Jards sobe ao palco para formar o quarteto com a Metá Metá
Jards e Thiago França tocando "Vapor Barato": grande momento do show
"Soluços", clássica de Jards para encerrar o show apoteoticamente