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sexta-feira, 11 de junho de 2021

Glenn Branca Ensemble - Mostra Sesc de Artes - Sesc Belenzinho - São Paulo/SP (2012)

 

por Samir Alhazred

Muito legal a iniciativa do blog em retomar a experiência de grandes shows passados, especialmente neste período de – necessária – seca de grandes espetáculos (a excepcionar algumas boas experiências em ‘lives’, e mesmo assim são sensações distintas).

Dia desses, o jornalista José Norberto Flesch ainda "provocou" em suas redes sociais: “Qual show você se arrepende de não ter ido?” – o que dá margem a todo um texto à parte. Mas fica a lição futura, especialmente no atual contexto: "na dúvida, compre aquele ingresso! Você merece!"

Claro que os preços proibitivos dos ingressos no Brasil também não permitem o luxo de comparecer a todos os concertos que se deseja. Nisso, o Sesc sempre representou um grande alento, aliando variedade, bom gosto e acessibilidade.

Por isso, gostaria de lembrar 5 grandes shows que o SESC, especificamente, me/nos proporcionou:

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GLENN BRANCA ENSEMBLE

Tenho este entre meus shows preferidos, senão ‘O’ preferido da vida! Fui completamente sem pretensão numa chamada “Mostra Sesc de Artes” no ano de 2012. Conhecia Glenn Branca, ícone vanguardista ligado à no wave americana, apenas de nome. Li rapidamente acerca do projeto, da ideia de uma ”orquestra” de guitarras elétricas. Mas nada poderia me preparar para o que de fato presenciaria.

Aqui, o local fez toda a diferença. Para quem não é de São Paulo, o Sesc Belenzinho é uma das mais novas unidades do Sesc, um grande complexo, mas seu teatro é uma sala relativamente pequena, localizado num dos andares do prédio lateral. Um palco daqueles comportar cerca de 6 músicos, entre os guitarristas, baixista e baterista, além do próprio maestro Branca, já era um feito. A proximidade da plateia e o volume, altíssimo, contribuíram para a experiência avassaladora.

Branca: ícone da no
wave americana
Aquilo era a essência hipnótica do que hoje chamamos de ‘drone’, que cresce e se modifica lenta e gradativamente, agressiva e minimalista ao mesmo tempo. Descobriria depois que, naquela oportunidade, nos foi apresentada a íntegra de “The Ascension: The Sequel”, obra de Branca do ano de 2010 – hoje me recordo como uma experiência tão curta, quanto inovadora e extremamente impactante.

Também descobriria que Branca realizara o sonho de contar com mais de 100 guitarras num projeto ao vivo em 2008, “Symphony No. 13 (Hallucination City) For 100 Guitars”, que foi lançado em CD posteriormente.

Branca faleceu em 2018, aos 69 anos, e realmente me sinto privilegiado de ter comparecido àquele espetáculo de concepção tão única, por um de seus criadores máximos. Em 2021, sua obra “The Ascension” (1981) completa 40 anos. Branca ainda nos deixou “The Third Ascension”, lançada postumamente em 2019.

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