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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

"Sexta-Feira 13", de Sean S. Cunnigham (1980) vs. "Sexta-Feira 13: Bem-Vindo a Crystal Lake", de Marcus Nispel (2009)



Alguns jogadores transcendem seus clubes e, de certa forma, são tão grandes que acabamos associando o time a eles de maneira indelével. Quando pensamos em Santos, inevitavelmente lembramos de Pelé, se falarmos em Barcelona, não tem como não pensar em Messi. Do mesmo modo, cinematograficamente, quando falamos em Sexta-Feira 13, não tem como não lembrar de Jason Vorhees. Mas nem todo mundo lembra que o primeiro "Sexta-Feira 13", lá de 1980, não tem o icônico assasino da máscara de hóquei. Quem mata no primeiro filme da franquia é a mãe, Pamela, vingando a morte do filho causada por irresponsabilidade de jovens monitores do acampamento de Crystal Lake. Assim, curiosamente, no confronto "Sexta-Feira 13" (1980) versus "Sexta-Feira 13: Bem-Vindo a Crystal Lake" (2009), o favorito joga desfalcado de sua principal estrela. Mas o time original não sente muito o desfalque. Parte para o ataque e a mamãe assassina dá conta do recado com bons recursos (machado, facão, arpão) e ótimas mortes, sustentadas pelos ótimos efeitos especiais de Tom Savini, craque na matéria. 

A nova versão, por sua vez, não é um bem um remake, embora recupere alguns fatos do original como a morte por decapitação da mãe de Jason, por exemplo. No reboot, vinte anos depois da primeira série de crimes, um grupo de jovens, informado sobre uma possível plantação de maconha, vai a Crystal Lake e acaba aniquilado por Jason, com exceção de uma garota que é capturada por ele e mantida em cativeiro. Algum tempo depois, o irmão da garota também segue para o local, acompanhado por um grupo de amigos, desta vez para procurar a desaparecida e, logicamente tudo o que temos são mais vítimas para o "nosso herói".


"Sexta-Feira 13" (1980) - todas as mortes


"Sexta-Feira 13: Bem-Vindo a Crystal Lake" (2009) - todas as mortes


O fato de contar com o nosso maníaco favorito desde o início não traz nenhuma vantagem para o novo filme. Muito pelo contrário, o torna óbvio e previsível. Embora, de um modo geral, nenhum dos dois filmes tenha nada de especial e ambos não passem de um banho de sangue, a presença revelada de Jason o tempo todo na nova versão faz com que não tenhamos nenhum expectativa diferente do que imaginemos que deva ser. Ele vai matar esse, aquele, aquele outro, o casalzinho fazendo sexo e assim por diante. No original, de 1980, pelo menos, num primeiro momento, existe a dúvida sobre quem está comentendo os crimes, e o próprio ritmo do filme, posteriormente tão copiado em filmes slasher, era, ainda então, algo um tanto instigante para o espectador. Já no novo, a figura de Jason num acampamento, numa cabana, no mato, com um facão na mão, um monte de adolescentes, peitos de fora, correria pela floresta... é o mais do mesmo de todas as outras desgastadas e cansativas sequências que a franquia original teve.

O que temos é uma vitória fácil e incontestável do filme de 1980. Um gol pelo pelo bom desenvolvimento da trama (dentro das limitações do gênero e considerando sua época, é claro); outro para o conjunto e variedade de mortes, de tudo que é tipo e com todo tipo de instrumento; outro para os efeitos especiais que mesmo antiguinhos, com menos recursos que os atuais, ainda são bem impressionantes; e mais um Pamela Vorhees que mesmo no curto período em que aparece em cena, cumpre bem seu papel e é simplesmente perturbadora com aquele seu "Mate ele, mamãe!", imitando uma vozinha de criança. A bela atuação de Betsy Palmer, como a mãe mortal, no entanto, é manchada (de sangue) quando ela perde a cabeça, no final, e deixa o time com um a menos. O time de 2009 aproveita a vantagem numérica e a boa forma de Jason, mais fininho e em boa forma, e desconta com um golzinho pela cena em que o serial-killer faz uma espécie de churrasco num casulo, assando uma garota numa fogueira, pendurada num saco de dormir. Mas fica nisso.

Garoto promissor. Jason aparece só no finalzinho 
do filme original mas já guarda o seu.


 Ainda dá tempo de, no apagar das luzes, levar mais um de um garoto que já despontava como uma grande revelação. O jovem Jason entra no finalzinho, dá o bote, puxa a marcação e surge por trás da zaga mergulhando com tudo para botar pro fundo. Esse tem tudo pra ser um grande matador.

Fim de jogo em Crystal Lake.

Um massacre! 5x1.

O filme de 1980 nem precisou de sua principal estrela para trucidar o adversário.
Parece que o Jason do filme de 2009 mascarou.



Jogo pegado, jogadas bem violentas mas o original, mais afiado,
soube usar as pontas (de facas, arpões, machados...)
 e matou o jogo sem maiores problemas.



por Cly Reis