E lá se foi mais um ano de Música da Cabeça! O oitavo, mais precisamente, sempre com estreia na Rádio Elétrica, às quartas, 21h, e cuja programação é divulgada semanalmente aqui no blog. Programação esta, aliás, invariavelmente associada a artes que, toda semana, haja programa inédito ou não, pintam aqui e nas redes sociais.
Por isso, como viemos fazendo nos últimos anos e a exemplo da retrospectiva da sessão Clyart, separamos as artes feitas para o MDC que rolaram durante 2026. Já com atraso, inclusive, visto que já estão rolando os programas deste ano. Mas a retrospectiva segue valendo para mostrar as linhas criativas que seguimos nos últimos meses, com temas geralmente do momento, aqueles que motivaram as nossas criações, quase como uma crônica visual.
São temas da política, da sociedade, dos acontecimentos internacionais ou até mesmo aquele fato curioso que estava pegando durante a semana: muitos deles se transformaram em chamadas para as nossas edições do MDC.
E dessa vez não teve desculpa de enchente, como a de 2024, que interrompeu o nosso programa por mais de um mês. Com um ano cheio, pudemos deitar e rolar em nossas chamadas. Ou seja: o que não ficou legal foi única e exclusivamente por conta de alguma inabilidade com as ferramentas de criação das artes. Contudo, o avançar dos anos, somado à constante prática de todas as semanas buscar levantar algo criativo visual e tematicamente, vem fazendo com que alguma evolução técnica apareça, mesmo que isso fique somente na menor dificuldade de executar. Pelo menos isso.
Mas saiu coisa legal, inegavelmente. E com muita variedade, seja em peças ou vídeos. De gozações com a febre nacional “Vale Tudo” à lenga-lenga da contratação de Carlo Ancellotti para técnico da Seleção Brasileira de Futebol Masculino, passando pelo conclave do novo Papa e a morte de ilustres como Sebastião Salgado e Sly Stone, teve de um tudo. Claro: os gritos de guerra “Sem Anistia” e o processo que levou pra cadeia a corja de golpistas, incluindo o execrável ex-presidente, foi acompanhado e registrado no programa, seja através das notícias, seja por meio de suas artes de divulgação.
Enfim, mais um ano cheio de acontecimentos e motivações pra que o programa existisse e, com ele, as artes do MDC, que a gente recupera aqui o que de melhor rolou em 2025.
Começamos o ano desejando tudo de bom para os ouvintes em 2025
E já na posse de Trump as coisa já não iam bem. Hillary Clinton que o diga
Mas 2025 começava também com alegria e orgulho pelo filme "Ainda Estou Aqui", naquele janeiro vencedor do Globo de Ouro e concorrente ao Oscar, bem como de Fernanda Torres, que dava show por onde passava - até quando ela falava do MDC
Olha as sandices do Trump de novo! Na ed. de 19 de fevereiro, ele estava querendo mudar o nome do Golfo do México para Golfo... do MDC, claro!
E foi assim que a gente chegou à Quarta-Feira de Cinzas: sorrindo com o Oscar de "Ainda Estou Aqui", para a ed. de 5 de março
O programa encerrou o segundo mês do ano com edição especial de nº 400, que teve a honra de entrevistar o músico, produtor e jornalista Thomas Pappon, direto de Londres, onde ele reside. Fizemos um vídeo-teaser bem legal, para este que foi um dos melhores programas MDC em 8 anos
Esta arte para a ed. 403, de 19 de março, em comemoração aos 80 anos de Elis Regina, foi das mais bonitas. A Pimentinha merece
Esta também, do programa 406, ficou interessante e visualmente instigante
Primeira vez que houve um díptico para chamar um programa, e foi na ed. 404, em março. Como foi bom ver essa gente sendo presa...
Mais uma bem legal de 2025, esta para a reprise da ed. 240, em abril, com o olhar característico do Carletto
E quando numa mesma semana se perde Nana Caymmi e Cristina Buarque? A gente uniu as duas em uma homenagem no MDC do começo de maio
E teve mais perdas entre maio e juno que viraram arte do MDC: Sebastião Salgado, Pepe Mujica e Sly Stone
Claro que a gente tinha que tirar um sarro da coqueluche do Brasil, "Vale Tudo", novela com a qual o MDC rivalizou tête-à-tête a audiência no horário nobre toda quarta-feira (#SQN)
E quando tivemos a felicidade de interromper a programação para dar a notícia do Plantão MDC, que o Bozo estava preso?! Começávamos a lavar a alma neste programa 422
O MDC 420 também teve atração especial, que foi a entrevista do músico e produtor Xuxa Levy, para o qual montamos esse pequeno vídeo em 23 de julho
E não é que em semanas subsequentes de final de agosto e início de setembro perdemos Jaguar e Verissimo? Só mesmo Sig e as Cobras para nos consolar
O soco que o Wanderlei Silva tomou não podia deixar de ilustrar a arte daquela semana de começo de outubro, né?
Pelo menos o MDC matou Odete Roitman, o que o fez com muita frieza e sem deixar vestígios em 8 de outubro, para o programa especial 430
Aí o "imbrochável" vai lá e enfia um ferro de solda na tornozeleira eletrônica. Não tem como não virar arte do MDC!
Outros dois grandes que partiram: Hermeto Pascoal, em setembro, e Lô Borges já em novembro. Foram tema dos nossos MDC 427 e 434 respectivamente
Na semana da Consciência Negra, repetimos o programa de nº 200 com a entrevista com Jards Macalé, outro grande que a gente perdia repentinamente naquele mês, e por isso recuperamos o belo vídeo-teaser que montamos quando de sua exibição em 2011. Salve Macao!
Pra encerrar o ano com mais um prêmio, ninguém melhor que ela, Fernandinha, dando uma chinelada na cara da extrema-direita para nosso MDC de Natal
A nossa retrospectiva da produção visual do ClyBlog acabou atrasando por diversos fatores, mas em tempo, destacamos aqui alguns dos trabalhos digitais, manuais, de vídeo da seção ClyArt, anúncios e chamadas em redes sociais, variações dos logos do blog e das nossas seções. Um pouco da criatividade visual que expressamos no ClyBlog ao longo do ano passado.
***************************
O logo, como sempre ganhando variações de luzes, cores e texturas
Os logos das seções também ganham variações em ocasiões especiais, mas se tem um que sempre muda conforme o tema da postagem é o ClyArt
A seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS, por exemplo, é uma que também celebra datas e acontecimentos importantes. E homenageia aqueles que nos proporcionam grandes discos. Esse ano, um dos lembrados, foi o novo oitentão, Ivan Lins
E teve estreia de seção nova no blog. A Clyblood, parte da Claquete dedicada aos filmes de horror, cjhega derramando sangue no visual do ClyBlog
As artes digitais que transformam MPB em HQ's ou em filmes apareceram de novo no ClyArt. Destaque aqui para Maria Bethânia comandando os raios e para os heróis (ou anti-heróis) brasileiros do Sepultura
Recuperamos as antigas capas de fita K7 feitas artesanalmente, recorte, colagem e muita criatividade. Aqui a capa de Gil & Jorge, feita por Daniel Rodrigues
Imagens sempre ilustram os contos, crônicas e poemas da seção Cotidianas. Aqui, arte de Cly Reis, 'Eu Sou a Ressurreição'.
A inteligência artificial também foi usada para ajudar na arte do conto "Meu Pobre English"
A gente divulga o ClyBlog nas redes sociais e esta foi uma das artes que produzimos e espalhamos por aí no ano que passou
A vídeoarte também foi destaque no ClyBlog e Daniel Rodrigues
Além de passear um pouco e transitar a pé por Santa Maria nos dias em que estive na cidade por conta do festival Santa Maria Cinema e Vídeo, no final de outubro, num começo de tarde dei uma escapada para conhecer o Museu de Arte Moderna de Santa Maria, o MASM. Um bonito espaço, mas um tanto sucateado. Do que estava exposto, interessante a do artista visual rosariense Erick Leal, “Rebordosa”.
Com uma estética instigante, que absorve a luz avermelhada e a textura do neon, “Rebordosa”, com curadoria de Leonardo Penna, põe sob crítica a cultura gaúcha, cuja narrativa de “pertencimento” e “tradição” é, na verdade, uma falácia repleta de “excessos, sombras, resíduos”. Habitando o que Leal chama de “tapera neon”, este espaço entre tradição e desejo se localizada em torno dessa história. O queer, o marginal, o kitsch, o punk se entrelaçam, a exemplo da estética relacional de Joseph Beuys, a bombacha, a espora, as comidas, o homem (?) campeiro.
Em época de revisão dos valores tradicionais (quanto mais um inexplicável “orgulho” como termo definidor de um povo, como é para o gaúcho), mesmo que uma visita rápida, esta mostra provocativa e debochada do MASM foi suficiente para sair de lá refletindo. Assim que deve ser.
🎨🎨🎨🎨🎨🎨🎨🎨🎨
Série "Entreveiro". Sexualidade e macheza
Lambe-lambe de 2025
Parede com as gravuras da série Entreveiro"
Erick se vale da técnica do lambe-lambe, tradicional da cultura urbaba
Símbolos gauchescos revisitados e questionados
Mais gravuras de Erick
Instalação "Laço Frouxo". Estética relacional muito bem empregada
Outra instalação bastante instigante e crítica
"Bate", objeto arte de 2025, pra fechar a exposição