Correu para o ponto de ônibus. Teve uma certa dificuldade para embarcar. Parecia que o degrau da entrada estava mais alto que de costume. "Esses novos ônibus que estão circulando...", pensou, dEsapontado. Sem assentos disponíveis, esticou o braço para segurar-se na barra horizontal. Definitivamente, a nova frota não fora pensada para conforto do passageiro!
Para descer, teve que literalmente saltar do ônibus. No curto trajeto que percorreu entre o ponto e o prédioda empresa, tudo pareceu estranho à sua volta mas não sabia identificar exatamente o quê.
No prédio, foi ajudado por um gentil senhor para apertar o botão do décimo sexto andar, no elevador. Percorreu os corredores do escritório como se ninguém o visse. Era impressão sua ou as divisórias estavam mais altas? Chegou à sua estação de trabalho e para sua surpresa não alcançava a cadeira. Ficou na ponta dos pés, deu um impulso, não adiantou. Teve que derrubar a lixeira e subir nela, deitada, para alcançar a área do assento.
Ouviu de um colega passava na entrada da sua baia, "O nosso colega aqui não vem hoje, não?".
Estava ali, mas ninguém o via. Ele pelo contrário, via os demais se esticando como que intermináveis na direção do teto. Só então entendera o que estava se passando, por mais inverossímil que aquilo lhe parecesse. Olhou em volta como se procurasse alguma solução. Talvez tivesse encontrado: em cima da sua mesa do escritório repousava um pequeno frasco com um líquido amarelo fluorescente dentro, com um rótulo escrito, "Beba-me". Supondo que o bolo tivesse causado tudo aquilo, imaginou que a bebida o fizesse voltar aí normal.
Tomou distância até o final da cadeira, correu, deu um pulo, segurou na borda da mesa e conseguiu subir. Com muito esforço escalou a pequena garrafa, tirou a rolha e a empurrou, derramando o líquido na mesa, à qual pôs-se a lamber sofregamente como um se fosse um gatinho.
*******
Um estrondo acompanhado de um tremor assustou a todos. E outro, e outro... Se repetiam como passos.
No escritório, todos correram para a janela para ver o que se passava.
Um olho enorme cobriu toda a superfície da janela espiando para dentro.
Cly Reis

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