Curta no Facebook

Mostrando postagens com marcador Pascal Languier. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pascal Languier. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de agosto de 2026

"Mártires", de Pascal Laugier (2008) vs. "Martírio", de Kevin Goetz e Michael Goetz (2016)

 




Ainda no rastro de Copa do Mundo, mais um confronto internacional no nosso Clássico é Clássico ( vice-versa). O cultuado "Mártires", exemplar básico do cinema extremo francês, consagrado pelos fãs do terror, contra a tentativa norte-americana de refilmagem, mesmo tendo que contrariar as próprias características de cinema comercial.

É tipo aquele jogo que o juiz esqueceu o cartão em casa. Pancada o jogo inteiro, violência comendo solta e nem advertência.
"Mártires", de 2008, do diretor Pascal Laugier, e seu remake "Martírio", de oito anos depois, dos irmãos Goetz, não aliviam, os dois são brutais, a diferença é que o norte-americano parece aquele time que não tem a coragem de entrar na área, e a área, aqui, neste caso, é um nível de violência além do tolerável. 
Com algumas diferenças,  a premissa é basicamente a mesma: uma jovem que fora sequestrada e torturada na infância, anos depois supõe ter encontrado seus torturadores e vai atrás deles com sede de vingança, ainda que a melhor amiga, companheira de internato na infância órfã e de recuperação do trauma, ponha em dúvida se aquela família identificada pela nossa vingadora teria inquestionavelmente relação com as atrocidades cometidas contra a amiga anos atrás. O próprio espectador põe em dúvida se aquele núcleo familiar tão bonitinho e normal seria capaz de coisas tão cruéis a ponto de traumatizar uma pessoa.  
Sim? Não?
Melhor não revelar.
Vou procurar não dar muitos spoilers, mas o fato é que a partir daí, se desencadeiam uma série de situações que deixam o espectador sem respirar e sem acreditar no acontecimento seguinte. E não é uma questão de reviravolta, plot-twist, é porque é tão inesperado que a gente fica cada vez mais tenso, embasbacado, impressionado e incrédulo.

"Mártires" (2008)

Assista ao filme completo: Mártires (2008) Filme Completo DUBLADO 

"Martírio" (2016)


Assista ao filme completo: "Martírio" (2016) - completo dublado


Em ambos essa sucessão de acontecimentos surpreendentes acontece, mas a impressão que dá é que a produção norte-americano de 2016 toma o cuidado de não passar dos limites, de se manter na medida do possível, dentro de um padrão minimamente comercial, enquanto o original francês vai até as últimas consequências. Talvez somente no primeiro contato com a família feliz a refilmagem consiga ter tanto impacto quanto. Fora isso, não chega nem perto, repleto de americanices e suavizações, como no caso da outra garota encontrada em cárcere, uma garotinha sofrida, desesperada, mas inteirinha e saudável; do esfolamento nos porões, bem mais leve e superficial que o do filme francês; do destino da amiga, preparado e heroico como todo americano gosta; e da sequência final, muito mais 'poética' e apoteótica. (E podem fiar tranquilos, pois estou sendo bem genérico para não correr o risco de revelar muito).
Enfim, "Mártires" bate impiedosamente em "Martírio", espanca, tortura e ainda tira o couro do time yankee.
Uma goleada fácil, um 5x0 com requintes de crueldade. 

Ambas as cenas do "êxtase" final.
À esquerda o original, que parece um Hellraiser de tão horrendo, 
e à direita, o remake que está mais para mais o Auto da Compadecida,
só arranca uma tira de couro.


E o time norte-americano apanha resignado, conformado, 
sofrendo por que sabe que tem que sofrer pois
Não há outra coisa a fazer diante do fortíssimo time francês.





Cly Reis

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"Martyrs", de Pascal Lauguier (2008)



Vinha topando com frequência com esse filme em listas de melhores terror ou mais impactantes ou coisas do gênero até que resolvi ir atrás. "Martyrs" realmente é tudo o que se diz dele. Tem que ter estômago. É de uma violência explícita chocante como poucas vezes se viu e por extensão de um pavor psicológico perturbador.
Uma jovem, Lucie, vai em busca de vingança da família que a teria sequestrado e torturado na infância e para seu intento conta com a ajuda de Anna, uma amiga ex-colega do internato para onde foi mandada depois da fase do cativeiro. Anna, no entanto, mostra-se um pouco cética quanto à certeza que a amiga tem em relação àquela família especificamente e principalmente quanto à veracidade da história toda de sequestro e tortura, uma vez que Lucie costuma ter alucinações e comete por vezes automutilações. No entanto, dentro da casa da família, a vingança é concretizada num massacre impiedoso que não poupa absolutamente ninguém, muito menos o espectador que vê entre outras coisas uma criança ser executada a sangue frio, mas o ato é seguido por mais uma das crises alucinatórias violentas da vingadora Lucie o que acentua o sentimento de dúvida e agora de culpa em Anna, cúmplice de certa forma. Só que tudo se confirma quando a Anna, sem querer, acaba encontrando uma passagem oculta na casa que leva a uma instalação subterrânea com celas e equipamentos de tortura. Se quem está vendo o filme acha que já viu bastante horror até ali, engana-se. O pior ainda está por vir. A partir daí as cenas e situações chocantes se sucedem de maneira tensa e desconfortável. A mulher que é resgatada numa das celas com placas parafusadas no corpo, os espancamentos,a alimentação, os métodos e, para culminar, a cena do esfolamento, tão dolorosa e cruel que faz aquela do "Hellraiser" parecer coisa de criança. Tudo ali... na lata, a seco, sem cuspe.
Esfolada viva.
E toda essa crueldade, toda essa tortura para que? Bom, não vou revelar com detalhes uma vez que esta questão é um dos elementos-chave do filme, mas o que posso dizer é que efetivamente há um grupo de pessoas envolvido com um motivo bastante inusitado e hediondo, e cujo martírio, que sugere o nome do filme, é bastante esclarecedor.
"Mártires" é uma produção francesa, o que é interessante uma vez que não é um cinema que costuma se destacar muito na linguagem de terror e menos ainda nessa ênfase física e psicológica. Procurando por este, o francês, me deparei com uma versão americana, também surpreendentemente bastante boa uma vez que muitas vezes suavizam ou fantasiam excessivamente histórias originais valiosas. Poucas coisas mudam no remake, algumas situações são, sim, amenizadas, mas por outro lado outras são intensificadas. O final é diferente, um pouco mais dramático, mais hollywoodyano, mas não tira o valor da boa versão.
Mas recomendo mesmo o original tão forte, tão pesado tão porrada que chegou a ter sua exibição proibida em diversos países, inclusive no Brasil, o que justifica o fato de ser somente encontrado para download ou no Youtube. Mas como eu falei: tem que ter coragem, tem que ter resistência, não vale fechar os olhos nem virar o rosto. É dor e dor e dor e dor! Veja, resista, aguente como um mártir.

trailer de "Martyrs" (França/ 2008)




Cly Reis