Era comigo mesmo.
Ela me olhava de um jeito provocante, lascivo, pervertido, como se quisesse me comer. Percebendo a minha dúvida, tratou de eliminá-la completamente. Sem tirar aqueles olhos penetrantes de mim, me chamou com um gesto de mão. Seu indicador se movia como uma serpente inquieta me fazendo sinal para que fosse até ela.
Não restava dúvidas.
Fui.
- Oi, senta. Pode chegar perto. Eu não mordo - disse ela, provocante.
- Não, claro. Eu sei, é só que... sei lá. Achei que não fosse comigo. Tantos caras mais interessantes e você me chama. Sei lá...
- Você se subestima. Você tem muito mais coisas que atraem uma mulher do que poderia imaginar.
Enchi meu ego!
- E então, vamos? - perguntou ela com a naturalidade de quem pede as horas.
Não acreditei. Me fiz de desentendido pra ter certeza de que era o que eu estava pensando, e ela confirmou.
- Pro meu apartamento, bobinho!
Fui.
Entrei, olhei em volta. Um ambiente um tanto curioso. Quase nu. Apenas um sofá velho sobre um tapete estampado empoeirado e cortinas vinho pesadas cobrindo as janelas.
A respiração dela perto do meu pescoço fez eu sair de minha hipnose intrigado por aquele ambiente inusitado.
- Lembra quando eu disse que não mordia? - sussurrou pertinho da minha orelha.
Só tive tempo de arregalar os olhos...
- Eu menti.
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"Eu não mordo"
Cly Reis

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