O roteiro do filme, se não todos, muitos já sabem, haja vista que a produção é de 8 anos atrás. Por isso, relembremos: “Todos...” conta a história de Laura (Penélope), que retorna à Espanha natal para acompanhar a cerimônia de casamento de sua irmã. Por motivos de trabalho, o marido argentino (Darín) não pode ir com ela. Chegando no local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco (Bardem), que não via há muitos anos. Durante a festa, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um.
Afora trazer na mesma produção Argentina e Espanha, “Todos...” nos apresenta semelhanças cinematográficas que também unem esses dois países. A história faz bem lembrar a ótima fase recente do cinema argentino, que produziu vários thrillers empolgantes como “O Segredo dos Seus Olhos”, “Vermelho Sol” e "Kóblic", além de jogar luzes sobre Darín, um dos melhores atores deste século. Igualmente, o filme faz remontar o clássico cinema espanhol, como o fantástico de Victor Erice e as tramas de suspense psicológico de obras como “Dispara!” e “O Sétimo Dia”, estes dois últimos do saudoso Carlos Saura - que, aliás, já havia feito a ponte entre seu país natal e o sul-americano nos documentários "Tango", de 1998, e "Argentina", de 2015. Colabora para este resultado a direção de Farhadi, representante de uma escola cinematográfica tão importante do novo cinema mundial como a do Irã.
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| Espanha e Argentina em campo, só que no cinema, por meio dos astros Penélope Cruz, Ricardo Darín e Javier Bardem |
Igualmente, “Todos...” também aproxima os países finalistas da Copa por um motivo até então inédito na competição: será apenas a segunda vez em quase 100 anos que os dois principais times falam o mesmo idioma! Já teve de tudo em termos idiomáticos em Copas: português com italiano, espanhol com holandês, francês com croata, alemão com húngaro, italiano com checo... mas espanhol com espanhol só lá na primeira edição, em 1930, quando Argentina e Uruguai se enfrentaram. Geopoliticamente falando, é a primeira vez que, a rigor, um país colonizador enfrenta um colonizado por ele mesmo, relação esta que remonta a mais de 500 anos!
História à parte, será um grande jogo e que reescreverá, sim, um novo capítulo histórico, Em campo, o próprio estilo de jogo de cada equipe é parecido, valorizando a bola e contando com a força do coletivo. No cinema, arte essencialmente coletiva, essa química entre espanhóis e argentinos já deu muito certo, a se ver por outros títulos hispano-argentinos como o já citado "O Segredo...", "Um Conto Chinês" e “Truman”, todos, aliás, também com Darín. O suspense de Farhadi mostra bem isso, pois cada um dos países, Espanha e Argentina, são escolas craques nas quatro linhas que formam a câmera. Isso “todos los saben”, Agora, falta saber qual escola, mas a do futebol, se saíra melhor nas quatro linhas do gramado.
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