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Até os deuses morrem. Na semana em que nos despedimos do mais humano deles, Maradona, também falamos da perda do artista visual Gelson Radaelli rodando a entrevista que fizemos com ele em nosso programa de nº 20, em agosto de 2017. Mas não só isso: o MDC de hoje terá também Jorge Ben Jor,Red Hot Chili Peppers, Miles Davis, Cameo, Cartola e mais. "La mano de Dios" vai agir sobre nosso programa hoje, com hora marcada: às 21h, na milagrosa Rádio Elétrica. Produção, apresentação e presenciamento: Daniel Rodrigues.
Qualquer pessoa que já tenha tido a felicidade de ir ao Atelier de Massas, no Centro de Porto Alegre, sabe que não se vai lá somente pelas deliciosas comidas que a casa oferece – o que já seria, importante ressaltar, motivo suficiente. Além do jazz rolando em volume adequadíssimo nos alto-falantes (nem alto demais que não se consiga conversar, nem baixo em demasia que não seja possível identificar a música e criar uma atmosfera agradável), as paredes do restaurante são verdadeiramente hipnotizantes. Isso porque Gelson Radaelli, dono do negócio, é, igualmente, um dos mais criativos e expressivos artistas visuais do Rio Grande do Sul, e as paredes do Atelier de Massas são tão abarrotadas de quadros dele quanto de garrafas de vinhos, confundindo o restaurante – propositalmente – com seu atelier de arte.
Faço o paralelo com o vinho, pois, como acontece com a bebida de Baco, a obra de Radaelli também parece melhorar com o tempo. Se não tanto, ao menos se refina – o que a muitos pode ser entendido, sim, como avanço conceitual e técnico. “Neon”, em exposição no MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, simboliza essa hipótese: é a celebração de 30 anos de um trabalho forjado essencialmente na pintura e no desenho sintetizado em elementos pictóricos mínimos, mas que denotam a multiplicidade plástica e, consequentemente, a depuração de uma obra artística. São 22 quadros inéditos, maiormente óleo sobre tela, em que a constituição básica são pinceladas largas em preto, branco e cinza (por vezes, algum azul) sobre um fundo rosa.
Assim, as fantasmáticas e desconcertantes figuras humanas vistas em grande parte da obra de Radaelli, que chegam até a assustar com sua expressividade desacomodante, estão presentes na novíssima série produzida para a exposição. Entretanto, homogeneizadas, hibridizadas, como que assimiladas naturalmente. Os corpos humanos ou pedaços de dão lugar a borrões e espessos feixes de tinta. Se o figurativo dá lugar ao pleno abstratismo, a sensação de movimento – não raro, vertiginosa –, a persistência do traço, a sobreposição de camadas e a inquietante fúria do gesto mantêm-se intactas, reelaboradas, renovadas.
A maturidade atingida por Radaelli nesta nova série também pode ser percebida na síntese cromática obtida com a combinação mínima de cores. O fundo rosado funciona como um cenário de múltiplas possibilidades de interação com aquilo que suporta. Assim, o preto, o branco e o cinza, intercalam-se, somam-se, desafiam-se. Nunca suplantando sua base, mas experimentando gestos de todas as ordens: jorros, acasos, redemoinhos, urgências. E ainda deixando escapar sempre, mesmo que discretamente, algum azul. Um azul de existência, de resistência. De luz.
“Neon” faz-se, por estes aspectos e outros vários que possam ser depreendidos, uma mostra desafiadora em sua aparente redução. Radaelli sempre delegou, diferentemente de Iberê Camargo – de quem se notam semelhanças por vezes –, ao apreciador a responsabilidade de lidar com o incômodo, com o embaraço das contorcidas e doloridas figuras humanas que compunha. Nesta série, entretanto e para além disso, a assimilação conceitual pela via da abstração não tira de quem vê tal carga. Põe, sim, a perguntarem-se: onde fomos parar?
Vídeo: Exposição "Neon"
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serviço
Exposição “Neon"
local: Galerias Ângelo Guido, Pedro Weingartner e João
Fahrion do MARGS (Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli)
endereço: Praça da Alfândega, s./n., no centro de Porto
Alegre/RS
Porto Alegre se torna a cada dia uma cidade mais e mais “bunda mole”. Poucas coisas das que nos identificam enquanto nativos da capital gaúcha escaparam da deterioração física e/ou imaterial. Gelson Radaelli e sua obra são das coisas que prevalecem. Dono de uma arte abstrata muito pessoal, tanto quanto forte e inquietante, Radaelli acaba de inaugurar uma exposição alusiva aos 30 anos de intensa produção artística no Margs - Museu de Arte do RS, intitulada “Neon”. Pelo pouco que vi, interessei-me muito. São pinturas a óleo com as características pinceladas largas do artista em preto, branco e cinza sobre um fundo rosa. Ainda não fui, mas é certo que passarei lá para conferir a novas telas de Radaelli e, se possível cumprimentá-lo, pessoa simpática que ele é. Posteriormente, volto aqui ao blog para contar o que vi.
Uma das obras novas de Radaelli em exposição no Margs
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Exposição “Neon”
obras recentes de Gelson Radaelli
local: Margs - Museu de Arte do RS
endereço: Praça da Alfândega, s./n., no centro de Porto Alegre
período: de 26 de julho até 10 de setembro, de terças a
domingos, das 10h às 19h.