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sábado, 13 de junho de 2026

A Seleção do Jorge

 

Ninguém entende mais de futebol do que Jorge Benjor! Pelo menos, nenhum compositor sabe como ele colocar futebol em versos cantados. Mais do que qualquer outro artista da música, Jorge consegue associar esses universos de forma única e inspirada.

São diversas as canções dele em que o esporte paixão das multidões está  presente de alguma forma, seja como tema principal, como personagem ou de forma sutil na forma de uma mera alusão  ao clube do coração.

Então, no dia da estreia da Seleção na Copa do Mundo, decidimos escalar a Seleção do Jorge, as 11 titulares do Cavaleiro Imaculado.

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"Eu vou lhe avisar
Goleiro não pode falhar"







1."Goleiro", do álbum "23" (1993): Não poderia ser diferente e a gente começa com o goleiro. Jorge Benjor homenageou o jogador da posição mais solitária do campo em seu álbum "23". A canção "Goleiro" alerta para a responsabilidade da posição na qual qualquer falha pode ser fatal, e uma desatenção pode originar um frango vergonhoso.

Ouça: Goleiro










2."Troca Troca", do álbum "A Banda do Zé  Pretinho" (1978): Música que remete às criativas transações que o cartola tricolor Francisco Horta, dos anos 70, promovia entre os grandes clubes do Rio de Janeiro, incrementando o campeonato e alvoroçando os torcedores.
No mais famosos 'pacotão' de trocas, Horta levou para as Laranjeiras o goleiro Renato do Flamengo em troca do também arqueiro Robero do Fluminense, deu o argentino Doval em troca  do atacante Zé Roberto do rubro-negro, e já que estamos falando de lateral, cedeu o lateral Rodrigues Neto do Fluzão, em troca de Toninho, do rival.

Ouça: Troca Troca





"Zagueiro tem que ser malandro
Quando tiver perigo com a bola no chão
Pensar rápido e rasteiro
Ou sai jogando ou joga bola pro mato
Pois o jogo é de campeonato"



3."Zagueiro", do álbum "Solta o Pavão" (1975): E no centro da defesa ele, o zagueiro, impávido, imponente, aguerrido. Jorge Benjor descreve e canta de forma magistral a desenvoltura do dono da grande área com suas virtudes e atribuições, nesta que é, sem dúvida, uma das mais belas canções sobre futebol.

Ouça: Zagueiro










4."Cadê o Pênalti", do álbum "A Banda do Zé Pretinho" (1978): Caiu na área? É pênalti! Se o zagueiro não tomar cuidado, for driblado, perceber um perigo eminente, for seu último recurso e tiver que fazer a falta dentro da grande área, o juiz aponta pra marca da cal e aí já era. Jorge Benjor, também no disco "A Banda do Zé Pretinho" trata da infração mais séria e fatal do futebol: a penalidade máxima.

Cuidado, zagueiro!

Ouça: Cadê O Penalty



"Eu quero ser
jogador de futebol"





5."Meus filhos, Meu Tesouro", do álbum "África Brasil", (1976): Que menino nunca sonhou em ser jogador de futebol? Não foi diferente com Artur Miró, filho fictício da música "Meus filhos, meu tesouro". Ele, o irmão Jesus Corrêa e a irmã, Anabela Gorda, questionados pelo pai, na letra da canção integrante do disco "África Brasil", manifestam suas aspirações. O irmão, quer ser um empresário, ela, dona de casa ou 'dondoca' de sociedade, já Artur Miró, por sua vez, não hesita: "Eu quero ser jogador de futebol".

Jorge Benjor foi um desses meninos que tinha esse desejo e, dizem, tinha talento para tal. Até tentou alguma coisa na base do Flamengo antes da carreira artística. Acabou mesmo na música. Sorte a nossa.

Ouça: Meus Filhos, Meu Tesouro










6."Jesualda", do álbum "Solta o Pavão" (1976): Jogando na nossa lateral-esquerda ela que é simpática, pura e meiga e foi trabalhar na zona sul de cozinheira de forno e fogão. E o que é que a donzela Jesualda tem a ver com futebol? É que na volta do trabalho, no ponto de ônibus, num domingo à tarde, encontrou um sujeito meio apressado que ia com bandeira e tudo ao Maracanã e a partir daquele momento a sorte da moça suburbana mudou. Casou, espera um bebê e foi morar no exterior. Ah, o futebol... Unindo destinos e mudando vidas.

Ouça: Jesualda










7."Fio Maravilha", do álbum "Ben" (1975): Somente Jorge Benjor conseguiria narrar um gol musicalmente como fez com a jogada celestial do atacante Fio.

Jorge descreve com inigualável inspiração, ritmo, musicalidade a jogada do gol de placa de um jogador carismático de seu clube do coração, o Flamengo. O tempo de jogo, o desenvolvimento da jogada, o sentimento do jogador, a reação da torcida... Um golaço de Jorge Benjor!

Ouça: Fio Maravilha



"Olha que a cidade toda ficou vazia
Nessa tarde bonita só pra te ver jogar"





8."Ponta de Lança Africano (Umbabaruma)", do álbum "África Brasil" (1976): Este meia-atacante saído da mente luminosa do compositor é certamente o jogador fictício que todo fã de música imagina como seria e gostaria de ver jogando. Um ponta de lança decidido que pula, cai, levanta, sobe, desce, abre espaço e que é capaz de levar uma multidão ao estádio especialmente para vê-lo jogar. O jogador decisivo, o homem-gol.

Um samba-rock embalado e irresistível que tem, possivelmente, um dos melhores rifas da música brasileira.

Ouça: Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)











9."O Nome do Rei é Pelé", do álbum "Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum)" (2004): Homenagem de Jorge Benjor ao maior de todos. Canção pouco inspirada, pra falar a verdade, numa fase já  menos genial do compositor. Jorge praticamente se limita a enumerar os feitos e listar estatísticas do rei, com ritmo, com balanço, bom refrão, é verdade, mas numa composição bem inferior a outras coisas que já fizera.

O Rei do Futebol poderia ter algo melhor do Rei das Músicas de Futebol.

Ouça: O Nome Do Rei É Pelé




"É falta na entrada da área
Adivinha quem vai bater?
É o camisa 10 da Gávea"




10."Camisa 10 da Gávea", do álbum "África Brasil" (1976): Eu podia ter posto o 10 eterno, Pelé, com a camisa 10 da nossa seleção musical, mas não tem como não reservar este posto para uma canção cujo título é nada menos que o número da camisa. Jorge Benjor já se encantava com o garoto Zico antes dele se tornar tudo o que representou na história do Clube de Regatas do Flamengo. Numa canção mansa, malemolente, Benjor adverte do perigo fatal de cometer uma falta na entrada da área quando aquele jovem craque estava em campo. Isso alguns anos antes do Galinho de Quintino colocar o Flamengo no topo do mundo. Jorge Benjor entende mesmo de bola.

Ouça: Camisa 10 Da Gávea











11."Camisa 12", do álbum "Salve, Jorge" - Inéditas e Raridades - 1963-1976 (2009): Quem fica com a nossa camisa 11 aqui é a "Camisa 12". Uma ode à mítica camiseta canarinho da Seleção Brasileira e a todos os apaixonados por ela. "Camisa 12", canção antiga recuperada em um álbum extra de raridades, exalta os jogadores que defendem, que honraram a camisa amarela e trouxeram cinco títulos mundiais para o Brasil, toda sua raça, sua determinação e sua técnica, além de reverenciar os torcedores, e a troca de energia que acontece quando a Seleção está em campo, especialmente em Mundiais. 

Nada mais oportuno para o momento, no dia da estreia do Brasil em mais uma Copa do Mundo. 

Ouça: Camisa 12


C.R.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

cotidianas #804 - "Alexia"



mural do artista urbano TVBoy, em Barcelona,
dedicado à jogadora espanhola Alexia Putellas,
melhor jogadora de futebol do mundo, na atualidade.


Pela rambla o estandarte das cores
Catalunya, Barceloneta, Blaugrana
A mirar-lhe o olhar de mil homens
Bailarina dança na roda sardana

Chove chuva, molha o chão
Nuvem, samba do avião
Ela vai jogar

Hendrix, Elvis, Messi e hoje
Brilha nova estrela dessa galáxia
Flashes, lights, likes, closes
Compartilha agora a beleza de Alexia

Vai começar mais um jogo

Menina mulher da pele branca
Com a classe de quem sabe a arte de jogar bem futebol
A bela da tarde com charme encanta
Filme de Buñuel, obra de Gaudi ou tela de Miró

Hendrix, Elvis, Messi e hoje
Brilha nova estrela dessa galáxia
Inverte os pés, caem os cones
Dribla as zagueiras e a guarda-metas

Pra fazer um golaço

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"Alexia"
Skank
(Samuel Roda e Nando Reis)


"Alexia" - Skank



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Exposição “Monet: Paisagens Impressionistas” - Praia de Belas Shopping - Porto Alegre/RS

 

“Todos discutem minha arte e fingem compreender, como se fosse necessário compreendê-la, quando é simplesmente necessário amar.”
Claude Monet

Nunca vi um Monet ao vivo. Como admirador de arte e visitador contumaz de exposições (à exceção desse período pandêmico que obriga ao distanciamento), costumo dividir com minha esposa e meu irmão, adoradores e visitadores tanto como eu, a alegria (e a expectativa) de ver alguma obra de um grande artista presencialmente. Já tive a emoção de ver à minha frente, a poucos centímetros, Picasso, Dali, Frida, Miró, Renoir, Yoko, Warhol, Bansky, GoyaVan Gogh, Weiwei, Mondrian, Basquiat... Mas Claude Monet, não. Um pouco desta vontade foi, no entanto, muito bem suprida com a exposição “Monet: Paisagens Impressionistas”, que está até 20 de fevereiro no Praia de Bela Shopping, em Porto Alegre. Na esteira do que vem se tornando prática no mundo expositivo de se tematizar artistas de forma mais tecnológica e imersiva, a exposição sobre o impressionista francês se sai muito bem. 

Com um tratamento curatorial bem realizado, a cargo de Patrícia Engel Secco e Karina Israel, a mostra me lembrou, dadas as devidas proporções, visto que menor em tamanho, algumas que assisti no CCBB do Rio de Janeiro devido a seu formato, que faz o visitante percorrer corredores que destacam a obra e a história ligada a Monet por meio de plataformas variadas (som, imagens, texto, luz, cenários, vídeos) e ambientes temáticos personalizados, que vão de bojos de som e proposições olfativas a salas escuras. 

São sete espaços temáticos, cada um destacando algum aspecto importante da longa trajetória artística e de vida de Monet. Um desses nichos é, por exemplo, logo no começo, o que traz um cenário que remete a Rue de Paris, com sua calçada típica e um poste iluminado diante de lojas parisienses da Belle Èpoque. É onde se conhece o lado caricaturista do artista ainda início da carreira. A proposta imersiva, no entanto, de fato se catalisa na seção que trata das paisagens impressionistas. São telões em uma sala escura que, apoiados por uma música bastante debussyana, mostram diversos vídeos com pinturas, filmagens, animações, fotografias e letterings que causam uma impressionante (ou seria "impressionista"?...) profusão de cores, traços e movimentos. Mesmo aqui reproduzidos em vídeo e fotos não passam a ideia da real sensação que se sente presenciando.

Tanto para quem conhece Monet e o impressionismo quanto para quem ainda possa se interessar, a exposição é bastante prazerosa. Para quem, como eu, prefere sempre ver um original ao invés de reproduções, a substituição se torna satisfatória, visto que bem realizada dentro de sua concepção. Não é igual a ver um Monet a olhos nus, certamente, mas que vale o programa, vale.

Fiquem com algumas imagens e vídeos da exposição:

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A recepção, que coloca o visitante no atelier de Monet

Seja bem-vindo à Rue de Paris!

Reprodução de algumas das caricaturas que o jovem Monet fazia
no início da carreira artística para levantar uma grana




Áudio, espelhos e desenhos, tudo ambientando a Paris da Belle Èpoque

Uma das atrações da mostra: reprodução do
quadro que deu nome ao movimento impressionista:
"Impressões, Nascer do Sol", de 1872

Janela aberta para a catedral da Catedral de Rouen,
vista que inspirou Monet em vários quadros




A famosa série de pinturas “Montes de Feno”
reproduzida em sensações olfativas e visuais




Obra dos primeiros anos de Monet, ainda clássico
mas já com alguns traços que soltos que lhe caracterizariam

Detalhe de outra obra impressionante em que Monet
retratou a primeira esposa morta




O impressionante salão com telões,
mais de 10 minutos de deleite





Que tal cruzar a ponte do jardim japonês de Giverny
pra finalizar a visita ao mundo de Monet?

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exposição “Monet: Paisagens Impressionistas”
Quando: até 20 de fevereiro
Onde: Praia de Belas Shopping (2º Piso, Ala Sul, ao lado da Livraria Saraiva)
Horários de visitação: de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos, das 11h às 21h.
Ingressos: https://site.bileto.sympla.com.br/praiadebelas
Informações: www.praiadebelas.com.br  



Texto: Daniel Rodrigues
Fotos: Tamires Rodrigues, 
Ângela Sosa e Daniel Rodrigues

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Exposição "Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura" - Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Rio de Janeiro/RJ








"A ideia de cada Objeto Cinético é uma constelação
que é mais ou menos prevista,
e a partir disto vou construindo,
apesar de que ocorrem durante a construção
modificações  no plano original."
Abraham Palatnik


A obra do artista plástico Abraham Palatnik reúne, direta ou diretamente, características de artistas que admiro enormemente como Mondrian, Klee, Kandinsky, Miró e por isso despertava-me grande interesse em visitar a exposição "Abraham Palatnik - Reinvenção da Pintura" que esteve em cartaz até o último dia 24 de abril, segunda-feira passada, no CCBB do Rio.
O primarismo de cores do plasticismo da De Stijl, a espacialidade dos bauhanianos Kandinski e Klee, a espontaneidade, o ludicismo do catalão Miró, até um pouco do dadaísmo de Duchamp, tudo está presente na obra desse admirável artista potiguar. O diferencial, no entanto, do trabalho de Palatnik para os outros mencionados e o que o torna singular entre eles é o fato de dar volume ao elemento pictórico e, sobretudo, sua capacidade de conferir movimento a ele. Seus quadros, em grande parte das vezes compostos de finas estruturas ou lâminas de madeira encaixadas têm um efeito encantador e hipnótico no apreciador e suas instalações e quadros volumétricos são absolutamente fascinantes pela sensação tridimensional e pelo rigor técnico e precisão, aproximando a arte da matemática de uma maneira poucas vezes vista com tamanho êxito plastico.
Ilusão, velocidade, luz, cor, força, técnica, tempo... São algumas das sensações que o trabalho admirável deste artista brasileiro nos proporcionam. Uma obra magnífica numa exposição para a qual nenhuma outra palavra define melhor do que IMPRESSIONANTE.

A seguir, algumas fotos da exposição.


A sensação de movimento na obra do artista.

Uma quase perturbadora ilusão de ótica no quadro "W-432"

Detalhe da detalhada estrutura que causa o efeito visual

"Objeto Cinético em Construção"


"Aparelho cinecromático em construção"

Aqui, vários de seus objetos cinéticos.

No detalhe, o objeto CK-8, de 1966

"Objeto Cinético Gita"

Anotações, cálculos e esboço de uma das peças

Mais um exemplar dos aparelhos cinéticos de Palatnik

Aqui quadros com acabamento de madeira natural

Incrível efeito visual.

Composição e decomposição.

Detalhe do encaixa das peças da obra anterior

Obras exploram diversas possíveis sensações no visitante 

O minimalismo quase cibernético  do "T-21"

Outras peças na exposição

Notável "sugestão" de paisagem.

Ondas

Mais de perto.

Palatnik também explora o design e mobiliários

Tabuleiro de jogo.

O artista em seu ateliê


Um dos aparelhos cinéticos em funcionamento.



Cly Reis