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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

The Seeds - “The Seeds” (1966)


"Sky Saxton era um guerreiro espiritual que me dizia que os músicos eram os profetas vivos do mundo."
Billy Corgan


Os deuses do rock talvez não sejam tão generosos com as garage bands. Enquanto as grandes bandas do mainstream faziam sucesso, vendiam milhões de discos e conquistavam todas as menininhas, as bandas de garagem, muitas vezes tão inventivas e revolucionárias quanto, ficavam à margem como patinhos feios. Uma dessas joias subvalorizadas é a The Seeds. Surgida na efervescente Los Angeles dos anos 60, a banda liderada pelo intrépido Sky Saxton tinha suas raízes no melhor do blues de Chicago e fazia, tal outras garage bands da época, como The Sonics, The Chocolate Watch Band, Monks, The Electric Prunes e The Troggs, um som altamente psicodélico e arrojado, união da onda hippie e do punk, que começava a se formar.

Com a devida má produção do próprio Saxton (afinal, garage band que se preze tem som cru em estúdio e no palco), “The Seeds”, primeiro e homônimo disco da banda, completa 60 anos com o mesmo vigor adolescente e rebelde de quando foi gravado. Se a trajetória da banda começa com a suave “Can't Seem To Make You Mine”, faixa de abertura do disco, na sequência engatam quatro pedradas: “No Escape”, “Lose Your Mind”, "Evil Hoodoo" e “Girl I Want You”. Cartão de visitas devidamente apresentado.

A sonoridade da Seeds era formada, primeiramente, pela presença e pelo vocal marcante de Saxton, cujo timbre é algo entre o anasalado de Van Morrison jovem e rasgado de Mick Jagger. Como os recursos de efeitos de guitarra eram parcos, criavam jeitos para que sua música soasse mais ruidosa. Sem o saxofone áspero da Sonics ou condições de estúdio um pouco melhores, Saxton e cia. distorciam a saída do alto-falante, metiam um moog a la The Doors ou, simplesmente... tocavam mais alto! Mas o principal, a qualidade do que compunham, era prioridade. Em cima dos acordes clássicos inspirados em Little Richards e nos gêneros negros da música pop, esmeravam-se em inventar riffs, texturas, ritmos, atmosferas. Tudo que provocasse sujeira e psicodelia. Se havia menos recurso, sobrava criatividade. 

A embalada “Pushin' Too Hard”, das melhores deles, é o melhor exemplo. Música que podia tranquilamente fazer parte do repertório da The Stranglers (até por causa do moog frenético), é a de maior sucesso do grupo e tão emblemática quanto outros hinos da garage band, como "Louie Louie", “Witch” e “Wild Thing”. A letra, reflexo das aspirações daquela geração, diz: “Bem, tudo que eu quero é apenas ser livre/ Viver minha vida do jeito que eu quero ser/ Tudo que eu quero é apenas me divertir/ Viver minha vida como se ela apenas tivesse começado”. Já “Try To Understand”, muito The Kinks, é também das melhores.

Outras em que o blues prevalece, porém com a pegada suja da Seeds, são “Nobody Spoil My Fun”, “It's A Hard Life” e “You Can't Be Trusted”, quase uma segunda “Pushing...”. Fechando essa pequena joia do Psychedelic Rock sessentista, “Excuse Excuse”, sonzeira com um riff simples e supercriativo, o princípio do punk. Um blues tradicional, ao estilo dos mestres Howlin’ Wolf e Muddy Waters, é o que encerra o álbum de estreia da banda com a faixa “Fallin' In Love”, tão mal produzida que nem a voz do vocalista se escuta direito sem que isso seja proposital. Mas tudo bem: é pra ser assim mesmo! Crueza, sangue, rebeldia, psicodelia. Rock.

A Seeds lançaria naquele mesmo ano seu segundo disco, “A Web of Sound” e, logo em seguida, o terceiro e último álbum da banda, “Future”. Meses depois, irrequieto e espiritualista, Sax se juntava à comuna Source Family, liderada pelo Padre Yod, iniciando uma intensa jornada espiritual e com quem gravou vários álbuns experimentais da banda Ya Ho Wha. A Seeds seria retomada por Saxon nos anos 2000 com formações diferentes e com relativo sucesso nas turnês que fez pela Europa e Estados Unidos. Pouco antes de morrer, em 2008, Saxton foi reverenciado pelo amigo Billy Corgan, gravando com a The Smashing Pumpkins e aparecendo no videoclipe da canção não coincidentemente intitulada “Superchrist”. Pioneiros do movimento "Flower Power/Punk", Saxton e sua The Seeds mereciam, só por conta disso, mais consideração dos deuses do rock.

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FAIXAS:
1. "Can't Seem To Make You Mine" - 2:56
2. 'No Escape" (Jan Savage/Jimmy Lawrence) - 2:08 
3. "Lose Your Mind" - 2:11
4. "Evil Hoodoo" - 5:00
5. "Girl I Want You" - 2:15
6. "Pushin' Too Hard" - 3:03
7. "Try To Understand" - 2:45
8. "Nobody Spoil My Fun" - 3:50
9. "It's A Hard Life" - 2:38
10. "You Can't Be Trusted" - 2:05
11. "Excuse, Excuse" - 2:20
12. "Fallin' In Love"- 2:47
Todas as composições de autoria de Sky Saxton, exceto indicada

🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸


Daniel Rodrigues