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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Música da Cabeça - Programa #199

 

Bernie Sanders passou a semana esperando sentado só pra ouvir o MDC. Então, chegou a hora, senador! Hoje teremos conterrâneos seus como Tracy Chapman, Beck e Angelo Badalamenti, mas também os britânicos da Chemical Brothers e Cocteau Twins e brasileiros, representados por Ronnie Von, Milton Nascimento e Gilberto Gil. Além disso, tem "Cabeça dos Outros" e "Palavra, Lê" com letra de Djavan - que prometemos compreendê-la. Isso às 21h, na paciente Rádio Elétrica. Produção, apresentação e toneladas de leite condensado: Daniel Rodrigues (#BolsonaroGenocida)


Rádio Elétrica:

http://www.radioeletrica.com/

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Meus melhores filmes de Rock


Um dia 13 do mês 7. Dois números considerados demoníacos por alguns. Só poderia mesmo ser o Dia do Rock! Afinal, como muito assertivamente diz Raul Seixas em sua música em parceria com Paulo Coelho: “o diabo é o pai do rock”. Pois o estilo musical mais popular do mundo é e sempre será relacionado ao obscuro, ao que nos tira do chão, nos faz pirar a cabeça. Impossível seria se toda essa força não se entranhasse no cinema. Seja em títulos que abordam o tema, seja na difusão da “linguagem videoclípica” ou até dos milhares de filmes que se valem de seu ritmo e potência em trilhas sonoras, o rock ‘n’ roll desde que os Beatles se aventuraram nas telas com “A Hard Days Night”, de Richard Lester, em 1964, passou a fazer parte do universo do cinema, sendo-lhe fundamental hoje na construção de estéticas, dramaticidade e conceitos. Para saudar o estilo musical mais frenético e rebelde da história da arte, elencamos 6 filmes que trazem o rock em seu coração, seja na trama, argumento ou mesmo como um elemento fílmico de destaque. Por que 6? Ora, bebê: 13 menos 7…

Coração Selvagem (1990) – Premiado longa de David Lynch com Nicholas Cage e Laura Dern, "Wild at Heart" (Palma de Ouro em Cannes) que entre seus diversos elementos simbólicos típicos do cineasta, como as referências a “Mágico de Oz”, aos road-movies dos anos 70 e aos suspenses psicológicos de John Frankenheimer, um se destaca: Elvis Presley. A figura do Rei do Rock é fundamental na trama, funcionando simbolicamente para o amor verdadeiro mas combatido dos personagens centrais. Na história, Marietta (Diane Ladd, ótima) é uma sulista rica e louca que não aceita que sua filha, Lula (Laura, jamais tão sexy como neste filme) namore Sailor Ripley (Cage) por ciúmes dela. Marietta manda um capanga matar Sailor, que reage e ele, sim, o mata e vai preso. Dois anos depois, ele é solto e foge para a Califórnia com Lula. Passam a ser perseguidos por Marcello Santos (J.E. Freeman), um assassino contratado por Marietta, e conhecem diversos tipos bizarros, como Bobby Peru (Willem Dafoe, incrível), que convence Sailor a participar de um assalto a banco. Claro que a ideia não dá em boa coisa! Além das músicas incidentais brilhantemente bem selecionadas por Angelo Badalamenti, autor de trilha, como “Be-Bop-a-Lu-La”, Gene Vincent, o clássico blues “Baby Please Don’t Go”, com a Them, e o heavy-metal avassalador “Slaughter House”, da Powermad, é em Elvis que o rock aparece com força. Além de cantar “Love Me” durante o filme, no final, Sailor entoa “Love me Tender” para Lula, cena de tirar lágrimas de qualquer espectador. “Coração Selvagem” é puro rock ‘n’ roll, onde não faltam sexo, drogas e muito som. 



Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994) – Quando Quentin Tarantino trouxe ao mundo do cinema o divisor-de-águas “Pulp Fiction”, com seu turbilhão de referências pop, entre elas do rock ‘n’roll, o mesmo já havia mostrado seu apreço pelo rock no antecessor “Cães de Aluguel” (1992) e no por ele roteirizado “Amor à Queima-Roupa”, de Tony Scott (1993). Mas é em “Pulp Fiction” que sua alma rocker se expõe definitivamente através do rock dos anos 50 e 60, bastante presente na trilha, selecionada a dedo pelo próprio Tarantino. Desde a abertura com a avassaladora surf-music “Misirlou”, com Dick Dale, até o hit “Girl, You’ll Be A Woman Soon”, da Urge Overkill, “Pulp Fiction”, este marco da história do cinema, reverencia o rock na sua forma mais inteligente e sacada, trazendo à tona (como é de praxe a Tarantino) nomes e artistas já esquecidos do grande público. Quem não conhece a famosa cena em que, no encantador pub Jackrabbit Slim, Vincent Vega (John Travolta) e Mia Wallace (Uma Thurman) dançam “You Never Can Tell” de Chuck Berry? Delicioso e divertido, é outro que abocanhou a Palma de Ouro em Cannes.



Contra a Parede (2004) – Tocante e apaixonante filme alemão do diretor Fatih Akin, um pequeno clássico contemporâneo. Romance moderno, se passa entre a cosmopolita e suburbana Berlim e a exótica e sensual Istambul e narra a história de Sibel (Sibel Kekilli), uma linda muçulmana que conhece em uma clínica de recuperação, após uma tentativa de suicídio, Cahit (Birol Ünel), um rapaz que também tem raízes turcas. Ambos decidem se casar formalmente como fachada para que Sibel escape das regras estritas de sua família conservadora. Embora ela tenha uma vida sexual independente, eles resolvem dividir um apartamento. O junkie Cahit, roqueiro amante de Sisters of Mercy, Siouxsie and the Banshees e Nick Cave, aceita a situação no início, mas se apaixona e, num acesso de ciúmes, mata um dos amantes da companheira. Depois de cumprir pena, Cahit reencontra Sibel, ainda acreditando que eles podem ter um futuro em comum. Duas cenas roqueiras são impagáveis. A primeira é a em que os protagonistas dançam ao som de "Temple of Love", do Sisters of Mercy. A outra é a cena em que o médico da clínica psiquiátrica cita para Cahit “Lonely Planet”, da banda de rock inglesa The The, é engraçada e, ao mesmo tempo, simbólica para a trama, pois diz: “Se você não pode mudar o mundo, mude a si mesmo”.



Os Bons Companheiros (1990) – Clássico do genial Martin Scorsese, “Goodfellas” é o melhor filme de gângster de sua carreira (para muitos, o seu melhor entre todos) e, embora o tema não se relacione diretamente com o rock, a vida junkie de seu protagonista (Henry Hill, vivido por Ray Liotta) e, principalmente, a trilha sonora, fazem com que este estilo musical desenhe o filme de ponta a ponta. A história conta a saga de um trio de golpistas desde os anos 50 ao início dos 80, e a trilha acompanha esta trajetória, pontuando período por período com joias muito bem pinçadas por Scorsese – o maior roqueiro por trás das câmeras ainda vivo. Duas cenas em que músicas do cancioneiro rock marcam o filme são inesquecíveis. Uma delas, a da “limpa” que a gangue pratica, executando diversos adversários e cúmplices, quando os acordes da maravilhosa parte com piano de “Layla”, de Eric Clapton, acompanham o movimento da câmera, que percorre vários lugares mostrando os corpos assassinados. A outra finaliza a fita, quando, já no final dos anos 70, época do estouro do punk-rock, Liotta quebra a "quarta parede" e olha desanimado para a câmera ao som de “My Way” com o Sex Pistols



Blow-Up – Depois Daquele Beijo (1966) – Um dos maiores filmes da história do cinema, esta pérola de Michelangelo Antonioni, se não aborda diretamente a vida sem sentido de jovens da contracultura norte-americana dos anos 60 como “Vanishing Point”, de cinco anos depois, é, talvez mais do que este, um marco deste período por sua trilha, de ninguém menos que o mestre do jazz moderno Herbie Hancock. Escrevi mais substancialmente sobre “Blow-Up” em 2010, quando tive oportunidade de assistir a uma aula que dissecou o roteiro e concepção desta obra-prima do cinema mundial. Um dos pontos que destaquei é, justamente, a famosa cena do show dos Yardbirds em um clube em que Jeff Beck, detonando um hard-rock de tirar o fôlego, quebra a guitarra no palco e atira o braço todo despedaçado para o público. O protagonista, o cético e desmotivado fotógrafo Cummings (David Hemmings) briga para ficar com o toco de guitarra, sai do clube para que não o tirem dele e, já na rua… joga fora. Atitude que reflete o descrédito e ceticismo da lisérgica geração Swingin’ London. A abertura, com os créditos ao som de um charmoso rock de Hancock, é clássica: simbólica e esteticamente estupenda.



The Wall (1982) – Alan Parker, não sei se por esvaziamento ou preguiça, há muito não filma algo que o valha. Porém, antes de realizar obras-primas como “Coração Satânico” (1987), “Mississipi em Chamas” (1988) e “Asas da Liberdade” (1984), o inglês já havia feito o épico “The Wall”, em que cria, a partir da magistral música de Roger Waters, um musical conceitual e arrojado para o disco homônimo do Pink Floyd, lançado três anos antes. Em imagens muito bem fotografadas por Peter Biziou, cuja estética remete ao pós-guerra, mostra as fantasias delirantes do superstar do rock Pink, um homem que enlouquece lentamente em um quarto de hotel em Los Angeles. Queimado no mundo da música, ele só consegue se apresentar no palco com a ajuda de drogas. O filme acompanha o cantor desde sua juventude, mostrando como ele se escondeu do mundo exterior. Ainda, as intervenções de desenhos animados, trazidos pela habilidosa mão do desenhista Gerald Scarfe, são bastante pioneiras em termos de arte pop no cinema, antecipando, por exemplo, filmes como "Kill Bill" e "Sin City".




por Daniel Rodrigues

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Them - "The Angry Young Them" (1965)



"Estes cinco jovens rebeldes 
são escandalosamente fiéis a si mesmos.
Provocadores! Irritados! Tristes!
Eles são honestos ao nível do insulto!"
pequena descrição da banda
na contracapa original de 1965



Quando assisti a "Coração Selvagem", de David Lynch, além de ter me apaixonado pelo filme, a trilha sonora me chamou muito atenção, diversificada, visitando o clássico, como nas composições de Angelo Badalamenti, usual parceiro de Lynch; o metal, na estrondosa "Slaughterhouse" da banda Powermad que pontua o filme diversas vezes ao longo de sua duração; o blues como na cena do posto de gasolina, por exemplo; Elvis Presley por conta da admiração pessoal do protagonista Sailor Ripley que chega a interpretar, com alguma competência "Love Me" do Rei do Rock; e o rock'n roll de uma maneira geral. Uma que se destacava no filme era a canção que tocava no momento em que Sailor e sua namorada Lula decidem vilar a condicional do rapaz e irem para Nova Orleans. Era um rock, agudo, enérgico, vivaz que, na época, na minha ignorância não situei como sendo um rock sessentista, podendo, tal sua qualidade e atemporalidade, ser contemporânea do filme. Gostei tanto da trilha que comprei o LP. Nele descobri que a música chamava-se "Baby Please Don't Go" e que era efetivamente um rock lá dos idos dos anos 60, e era interpretado por uma banda irlandesa chamada Them. Só algum tempo depois quando meu irmão me apresentou o álbum "Astral Weeks" foi que soube que a tal Them era a banda original da carreira do cantor irlandês Van Morrison, a quem passei a admirar muito assim que conheci sua obra solo.
No entanto não conhecia muito do Them a não ser aquela canção do filme, assim fui atrás do álbum em que ela estivesse e para minha surpresa ele não constava na curta discografia da banda com o enfezado Morrison na formação, de apenas dois discos. A faixa havia sido lançada apenas em single com "Gloria", o grande sucesso da banda no lado B. Mas mesmo saindo somente em compacto e em um EP posterior, "Baby Please Don't Go", de tantas outras regravações por diversos artistas, alcançou êxito e popularidade sendo reconhecida como um clássico na versão da banda.
Assim cheguei ao álbum "The Angry Them Young", o primeiro da banda, lá de 1965, e que além do hit "Gloria", marcante pelo seu refrão com pronunciado alto com toda a clareza, traz todo aquela atmosfera de invasão rock dos anos 60, blues acelerados e baladas que começavam a fugir do tradicional pelo som "sujo" de garagem e os vocais rasgados que o vocalista imprimia às canções.
O álbum traz além de "Gloria", o rock frenético de guitarra nervosa "Mystic Eyes" que faz as honras de abrir o álbum; a balada com clima meio western "You Just Can't Win" e  a outra "If You And I Could Be As Two", onde Morrison já exercita rumos que seu trabalho viria a tomar;  o blues agressivo e gritado "Just A Little Bit"; a versão para "Don't Look Back" de John Lee Hooker; a intensa "I Like It That", e a boa e bem ritmada versão de "Route 66", que fecha o disco.
A fama de maus fez mal à banda, à gravadora, às vendas, e o já irritadiço e enfezado Morrison não tardou a mandar tudo pro inferno e ir cuidar da própria vida, o que, diga-se de passagem, fez muito bem, pois, embora o Them tenha sido importante para geração britânica da metade dos anos 60, tenha tido papel importante na história do rock e seu lugar reservado nela, o futuro acabou por mostrar que aquele universo de som sujo e caras de mau era reduzido demais para a genialidade e o talento de um cara como ele.

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FAIXAS:
  1. "Mystic Eyes" (Van Morrison) – 2:41
  2. "If You and I Could Be as Two" (Morrison) – 2:53
  3. "Little Girl" (Morrison) – 2:21
  4. "Just a Little Bit" (Ralph Bass, Buster Brown, John Thornton, Ferdinand "Fats" Washington) – 2:21
  5. "I Gave My Love a Diamond" (Bert Berns, Wes Farrell) – 2:48
  6. "Gloria" (Morrison) – 2:38
  7. "You Just Can't Win" (Morrison) – 2:21
  8. "Go On Home Baby" (Berns, Farrell) – 2:39
  9. "Don't Look Back" (John Lee Hooker) – 3:23
  10. "I Like It Like That" (Morrison) – 3:35
  11. "I'm Gonna Dress in Black" (M. Gillon aka Tommy Scott, M. Howe) – 3:34
  12. "Bright Lights, Big City" (Jimmy Reed) – 2:30
  13. "My Little Baby" (Berns, Farrell) – 2:00
  14. "(Get Your Kicks On) Route 66" (Bobby Troup) – 2:22

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Ouça o disco:



Cly Reis