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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

CLAQUETE ESPECIAL 15 ANOS DO CLYBLOG - Cinema Brasileiro: 110 anos, 110 filmes (parte 4)

 

Os clássicos absolutos chegaram, entre eles,
"O Beijo da Mulher Aranha", primeiro filme
brasileiro a vencer um Oscar
Demorou um pouco além do normal, mas voltamos com mais uma parte da nossa série especial “Cinema Brasileiro: 110 anos, 110 filmes”. E tem justificativa para esta demora. Isso porque reservamos este quarto e penúltimo recorte da lista para o mês de agosto, o de aniversário do Clyblog, uma vez que este Claquete Especial, iniciado em abril, é justamente em celebração dos 15 anos do blog.

Talvez somente esta justificativa não baste, entendemos. Então, já que vínhamos mês a mês postando uma nova listagem com 20 títulos cada, propositalmente falhamos em julho para que agora, no mês do aniversário, fizéssemos uma sequência não apenas de 20 filmes, mas de 40 de uma vez. E não se tratam de quaisquer quatro dezenas! Afinal, a seleção inteira é tão rica, que igualável em qualidade a qualquer cinematografia mundial. Mas, especialmente, porque estes novos compreendem as posições do 50º ao 11º. Ou seja: aqueles “top top” mesmo, quase chegando nos “finalmentes”.

Waltinho, um dos 6 com 2 filmes entre
os 40 melhores
E se o adensamento já vinha acontecendo fortemente, com a presença de grandes realizadores, títulos clássicos e premiados e escolas reconhecidas somadas às novas produções do furtivo século XXI, agora, então, esta confluência se faz ainda mais presente. Dá para se ter ideia pelos nomes de cineastas de primeira linha como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Walter Salles Jr., Luis Sergio Person, Hector Babenco e Eduardo Coutinho, que já deram as caras com obras anteriormente e, desta feita, emplacam dois filmes cada entre os selecionados, até então os mais bem colocados. Somam-se a eles os altamente competentes João Moreira Salles, Jorge Furtado e Bruno Barreto, também com dois entre os 40.

Pode-se dizer que, agora, é quando de fato entram os clássicos incontestes, aqueles “divisores de águas” do cinema nacional (e, por que não, mundial), como “Ganga Bruta”, de Humberto Mauro, "O Beijo da Mulher Aranha", de Babenco, “São Paulo S/A”, de Person, e “Tropa de Elite”, de José Padilha. Mas também pedem passagem “novos clássicos”, tal o perturbador documentário “Estamira” e o premiado “Bacurau”, de 2019, quarto mais recente entre os 110 atrás apenas de “Três Verões” (63º), “Marte Um” (79º) e “Marighella” (106º).

Elas, as cineastas mulheres, se ainda em desigualdade na contagem geral, marcam forte presença nesta fatia mais qualificada até aqui. Estão entre elas Kátia Lund, Daniela Thomas e Anna Muylaert, esta última, responsável por um dos filmes mais tocantes e críticos do cinema brasileiro, “Que Horas Ela Volta?”. Então, pegando carona na expressão, para quem estava nos perguntando "que horas eles voltariam?”: voltamos. E voltamos abalando com 40 filmes imperdíveis, que dignificam o cinema brasileiro e latino-americano. Pensa bem: apenas 10 títulos os separam do melhor cinema do Brasil. Isso diz muito.

************

50. "Estamira”, Marcos Prado (2004)

Dentre as dezenas de documentários realizados na década 00, um merece especial destaque por sua força expressiva incomum: "Estamira". Certamente o que colabora para esta pungência do filme do até então apenas produtor Marcos Prado, sócio de José Padilha à época, é a abordagem sem filtro e nem concessões da personagem central, uma mulher catadora de lixo com sério desequilíbrio mental, capaz de extravasar o mais colérico impulso e a mais profunda sabedoria filosófica. A própria presença da câmera, aliás, é bastantemente honesta, visto que por vezes perturba Estamira. Obra bela e inquietante. Melhor doc do FestRio, Mostra de SP, Karlovy Vary e Marselha, além de prêmios em Belém, Miami e Nuremberg.




49. “Tropa de Elite”, de José Padilha (2007)
48. “Batismo de Sangue”, de Helvécio Ratón (2007)
47. “Terra Estrangeira”, Walter Salles Jr. e Daniela Thomas (1996) 
46. “O Dia em que Dorival Encarou a Guarda”, Jorge Furtado e José Pedro Goulart (1986)
45. “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis (2002)



44. “Nunca Fomos Tão Felizes”, Murilo Salles (1984) 
43. “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho (2002)
42. “O Homem da Capa Preta”, Sérgio Rezende (1986)
41. “O Beijo da Mulher Aranha”, Hector Babenco (1985)


40. 
“São Bernardo”, Leon Hirszman (1971) 

Adaptação do livro do Graciliano Ramos, que transporta para a tela não só a história, mas a secura das relações e a incomunicabilidade numa grande fazenda do início do século XX, escorada na desigualdade dos latifúndios. Não há diálogo: a vida é assim e pronto. Daqueles filmes impecáveis em narrativa e concepção. E Leon, comunista como era, não deixa de, num deslocamento temporal, dar seu recado quanto à reforma agrária. A trilha, vanguarda e folk, algo varèsiana e smetakiana, é de Caetano Veloso, que acompanha a secura da narrativa e cria uma "música" totalmente vocal em cima de melismas lamentosos e desconcertados. Recebeu vários prêmios em festivais, entre eles o de melhor ator para Othon Bastos no Festival de Gramado, o Prêmio Air France de melhor filme, diretor, ator e atriz (Isabel Ribeiro), além do Coruja de Ouro de melhor diretor e atriz coadjuvante (Vanda Lacerda). 



39. “Carandiru”, de Hector Babenco (2002)
38. “O Som do Redor”, Kleber Mendonça Filho (2012)
37. “Que Horas Ela Volta?”, Anna Muylaert (2015) 
36. “Notícias de uma Guerra Particular”, Kátia Lund e João Moreira Salles (1999)
35. “Ganga Bruta”, Humberto Mauro (1933)



34. “Lavoura Arcaica”, Luiz Fernando Carvalho (2001)
33. “Bar Esperança, O Último que Fecha”, Hugo Carvana (1982) 
32. “Couro de Gato”, Joaquim Pedro de Andrade (1962)
31. “Os Fuzis”, Ruy Guerra (1964)


30. “O Bandido da Luz Vermelha”, Rogério Sganzerla (1968) 

Se existe cinema marginal, esta classificação se deve a “O Bandido...”. Transgressor, louco, efervescente, non-sense, crítico, revolucionário. Adjetivos são pouco pra definir a obra inaugural de Sganzerla, que trilharia pela "marginalidade" até o final da coerente carreira. Um filme de manifesto, questionamento de ordem política, de uma estética diferente e bela (apesar do baixo orçamento) e a vontade de avacalhar com tudo. "Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba". Grande vencedor do Festival de Brasília de 1968. O filme que fez o “terceiro mundo explodir” de criatividade.


29. "Santiago", de João Moreira Salles (2007)
28. “Jogo de Cena”, Eduardo Coutinho (2007)
27. “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, Glauber Rocha (1968)
26. “Noite Vazia”, Walter Hugo Khouri (1964)
25. “São Paulo S/A”, Luis Sérgio Person (1965) 



24. "Terra em Transe", Glauber Rocha (1967) 
23. "Sargento Getúlio”, Hermano Penna (1981) 
22. “O Caso dos Irmãos Naves”, Luis Sergio Person (1967) 
21. “Memórias do Cárcere”, Nelson Pereira dos Santos (1984) 

20. 
 “Ilha das Flores”, Jorge Furtado (1989)

É incontestável a importância de "Ilha das Flores" para a cinematografia gaúcha e nacional. O filme que, em plenos anos 80 ainda de fim do período de Ditadura, expôs ao mundo uma realidade muito pouco enxergada, o fez de forma absolutamente criativa e impactante. Ao acompanhar o percurso de um mero tomate da horta até o lixão a céu aberto onde vive uma fatia da população em total miséria e descaso social, Furtado virou de cabeça para baixo a narrativa do audiovisual brasileiro, influenciado diretamente as produções de TV dos anos 80 e 90 e o cinema pós-retomada nos anos 2000. Urso de Prata para curta-metragem no 40° Festival de Berlim, Prêmio Especial do Júri e Melhor Filme do Júri Popular no 3° Festival de Clermont-Ferrand, França, entre outras premiações na Alemanha, Estados Unidos e Brasil. Um clássico ainda hoje perturbador.



19. “O Beijo no Asfalto”, Bruno Barreto (1980) 
18. “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr. (1998) 
17. “Dnª Flor e seus Dois Maridos”, Bruno Barreto (1976)
16. “Garrincha, A Alegria do Povo”, Joaquim Pedro de Andrade (1962)
15. “Barravento”, Glauber Rocha (1962)


14. “Rio 40 Graus”, Nelson Pereira dos Santos (1955)
13. “Bacurau”, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (2019)
12. “Assalto ao Trem Pagador”, Roberto Faria (1962) 
11. “Bye Bye Brasil”, Cacá Diegues (1979) 



Daniel Rodrigues


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Aqueles 10 filmes argentinos imperdíveis

 

Darín, o grande astro do cinema argentino
contemporâneo e presente em várias obras
Este post vem cumprir uma promessa feita há alguns anos. Conversávamos eu e dois colegas de trabalho durante o almoço e, papo vai, papo vem, lá pelas tantas o assunto caiu – como não é incomum de acontecer comigo e amigos meus – em cinema. O tema: cinema argentino contemporâneo. Compartilhamos ali do mesmo gosto pelo cinema realizado pelos hermanos e começamos a falar sobre nossas preferências dentro desta cinematografia. Foi então que, percebendo-se que alguns dos títulos dos quais eu comentava ambos não tinham visto ainda, eles ficaram curiosos para conhecer e tratamos de que eu fizesse uma lista com os meus filmes argentinos preferidos.

A lista, como se vê, não saiu em seguida. Voltamos do almoço para nossos postos e as obrigações nos fizeram esquecer de qualquer ludicidade. Mas os anos se passaram e o cinema da Argentina segue muy bien, gracias. Vários filmes foram produzidos neste meio tempo, inclusive dignos de comporem uma lista como esta além dos que já haviam sido realizados até então quando daquela nossa conversa. A bem da verdade, desde o brilhante “A História Oficial”, o primeiro Oscar de Melhor Filme para um argentino, em 1985, isso já se anunciava. A meu ver, no entanto, não foi com o hoje cult “Nove Rainhas”, de 2000, o start, pois o ainda considero imaturo e artificial. Porém, o filme, mesmo com suas inconsistências, já era o sinal que o curso do Rio do Prata havia sido achado. A partir dali, só foi “golazo”.

O contundente "A História Oficial":
1º Oscar da Argentina
Pois a indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional de “Argentina, 1985”, certamente um dos novos entrantes deste rol, fez-me resgatar a ideia agora atualizada. Esta amostragem aqui, então, vem resgatar – mesmo com este atraso do tamanho do Obelisco – a tal promessa. As 10 indicações servem tanto para estes meus amigos (espero que esta postagem chegue a eles) como qualquer um que também admire o melhor cinema feito na América Latina nos últimos 30 anos. Sim, porque a Argentina certamente passou o Brasil neste quesito, o que se reflete inclusive nas conquistas e na simples comparação entre um cinema e outro durante este tempo. (e olha que o cinema brasileiro se tornou bastante pujante nas últimas duas décadas!)

Mas não tem comparação: é na terra de Gardel que se atingiu um nível muitas vezes de excelência (e de exigência) técnica que contamina uma grande parte da produção cinematográfica do país. Seja nos roteiros bem escritos, seja na técnica de nível “primeiro mundo”, seja na habilidade cênica, seja no carisma e competência de símbolos desse cinema, como o principal deles: Ricardo Darín. Mas não somente ele: Oscar Martínez, Martina Gusmán, Dario Grandinetti, Leonardo Sbaraglia, María Onetto e outros que brilham nas telas. Tudo está a serviço de um cinema eficiente, que sabe contar bem (e com criatividade) uma história. Um cinema que achou o tão almejado equilíbrio entre arte e entretenimento.

E como se trata de uma produção vultosa (inclusive aqueles que eu nem assisti), teve, claro, o que ficou de fora. Mas se quiserem incluir “Leonera” (Pablo Trapero, 2008), “A Odisseia dos Tontos” (Sebastián Borensztein e Eduardo Sacheri, 2019), “Koblic” (Borensztein, 2016), “Elefante Branco” (Trapero, 2012) e “Neve Negra” (Martín Hodara, 2017), sintam-se perfeitamente à vontade, que também merecem toda audiência.

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“O Segredo de Seus Olhos”, Juan José Campanella (2009)

Não se poderia falar em lista de melhores filmes argentinos sem incluir “O Segredo...”. Afinal, não se trata apenas de um dos melhores da história de seu país, mas, tranquilamente, da década de 2000 em todo o mundo, no mesmo patamar de "Match Point", "Cidade dos Sonhos", "Elefante" e "Onde os Fracos não Tem Vez". Muito teria para se falar do filme de Campanella: a atuação sublime de Ricardo Darín, o hipnotismo que a musa Soledad Villamil causa no espectador, do merecido Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, do impressionante plano-sequência do jogo de futebol, enfim. Mas o que pauta esta grande obra é, definitivamente, sua trama, tão envolvente quanto literária, visto que extraída com maestria por Campanella do livro de Eduardo Sacheri (que, aliás, colabora com o roteiro). Thriller, romance, comédia, policial, aventura, drama. Um pouco de tudo e tudo muito bem amarrado. (Amazon Prime)


“Abutres”, Pablo Trapero (2010)

Aqui, duas recorrências próprias do atual cinema da Argentina. A primeira delas, obviamente, é Ricardo Darín, que estrela vários filmes dessa lista e muitos outros dignos de estarem aqui mencionados também. A outra repetição é Trapero, o mais talentoso cineasta de sua geração na Argentina. Em ”Abutres”, ambos dão um show. Numa trama que, como é de costume aos argentinos, envolve drama, denúncia e história de amor, o filme trata de um advogado especializado em acidentes rodoviários, que descobre um esquema de corrupção e desvio de dinheiro às custas do sofrimento de pessoas simples. A cena final, sem dar spoiler, além de um surpreendente desfecho da história, tem o recurso de plano-sequência característico aos encerramentos dos filmes de Trapero. (Star Plus)


“Medianeiras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, Gustavo Taretto (2011)

Comédia romântica, mas não como os enlatados de Hollywood, e sim com um olhar muito próprio da vida contemporânea na era que tudo impele a ser digital – inclusive as relações amorosas. Ganhador de melhor direção e melhor longa estrangeiro no Festival de Gramado, “Medianeiras” narra os encontros e desencontros de Martín e Mariana, os protagonistas-símbolo de uma geração emparedada pelas linhas simétricas das metrópoles. Solidão, neuroses, traumas, aflições, desilusões. Tudo sob o olhar da selva de concreto chamada Buenos Aires, que se revela como uma personagem onipresente. Para quem ama comédias românticas inteligentes como “Encontros e Desencontros”, “Bar Esperança”, e “(500) Dias com Ela”, pode por pra rodar “Medianeiras”, que o longa de Taretto é deste naipe. 


“O Clã”, Pablo Trapero (2015)

Trapero de novo. E aqui impecável. A assustadora história da família acima de qualquer suspeita, os Puccio, que sequestra pessoas ricas, cobra o resgate e assassina as vítimas assim que coloca a mão no dinheiro, guarda o aspecto de crítica político-social própria do cinema argentino. Baseado num caso real, mais do que apenas evidenciar fragilidades de seu país, “O Clã” revela perversidades obscuras sorrateiramente entranhadas na sociedade platina. Afinal, como duvidar que tamanha maldade aconteça numa sociedade que, em parte, acolheu uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina? Memoráveis as cenas em que "Afternoon Tea", da Kinks, rola enquanto o circo de horrores acontece e, como de praxe quando se trata deste cineasta, o plano-sequência. Vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor em Veneza, Trapero faz seu melhor filme - e isso significa bastante considerando sua filmografia quase irretocável. (Star Plus)


“Relatos Selvagens”, Damián Szifron (2014)

A tradição dos filmes de episódios dos europeus e mesmo do Brasil nos anos 60 e 70 é inteligentemente recuperado, claro, pelos argentinos. E que filme! Potente, ferino, mordaz, grotesco. "Relatos Selvagens" reúne seis histórias distintas, que se complementam entre si por um fio condutor subjetivo mas evidente: o conflito entre barbárie e civilização. E pior: a primeira, fatalmente, sempre vence de algum jeito, seja nas vias de fato após, seja com uma bomba que exploda tudo. Darín, igualmente, não poderia estar de fora, estrelando o episódio em que um engenheiro de minas que se revolta contra o sistema e resolve se vingar com aquilo que ele melhor sabe fazer: explodir bombas. Embora não tenha levado, foi selecionado para os dois maiores prêmios do cinema mundial: a Palma de Ouro de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro. (HBO Max e Amazon Prime)


"O Pântano”, Lucrécia Martel (2001)

Além do já mencionado Trapero, o cinema argentino conta com vários outros cineastas talentosos. Porém, nenhum deles possui um estilo tão pessoal como Lucrécia Martel. Dona de um cinema de linhagem moderna carregado e perspicaz, ela vale-se da dificultação do olhar e da fragmentação narrativa para expressar sentimentos e angústias da sociedade contemporânea, adentrando nas profundezas de seus personagens. Texturas, sensorialidades e densidade se homogeizam para expor tensões interpessoais, que se encaminham fatalmente para o pior. Uma reflexão visceral sobre classe, natureza, sexualidade e política, e uma das mais aclamadas estreias de realização contemporâneas. Prémio para Melhor Primeira Obra no Festival de Cinema de Berlim.


“Um Conto Chinês”, Sebastián Borensztein (2011)

O típico filme do novo cinema da Argentina: comédia dramática, com roteiro envolvente, referência a traumas nacionais (Guerra das Malvinas), um toque de romance e, claro, a estrela de Ricardo Darín. A trama é relativamente simples, mas convidativa: o ranzinza Roberto (Darín) trabalha numa loja de ferragens e vive de maneira metódica, mas sua rotina muda quando um chinês que não fala uma palavra de espanhol aparece em seu caminho, e ele decide ajudar o adorável forasteiro. Longe de se resumir a uma fórmula como no tradicional cinema comercial, “Um Conto...” faz uso desses elementos narrativos para compor um filme divertido e delicioso de se assistir, sem deixar de propor reflexão. Diversão com cérebro. Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano. (Star Plus)


“Vermelho Sol”, Benjamín Naishtat (2019)

Esqueça o formato "diversão inteligente" de “Relatos...”, o toque romântico de “O Silêncio...” a comicidade de “Um Conto...”. “Vermelho Sol” é pura tensão e embrulho no estômago. Contando a história de um advogado arrogante, que vê sua vida perfeita desmoronar quando um detetive particular chega na sua pacata cidade para investigar um desaparecimento, o longa de Naishtat se assemelha a filmes marcantes do cinema que souberam narrar, com acuidade, o "começo do fim", como “A Fita Branca”, de Michael Haneke, para com a Primeira Guerra, ou “O Ovo da Serpente”, de Ingmar Bergman, que previa o que levou ao Holocausto. Duro, forte e absolutamente real. Afinal, por trás dos segredos dos personagens de “Vermelho...” havia uma ditadura militar se anunciando. Premiado em diversos festivais, como Toronto, Havana, San Sebastian, Rio de Janeiro e Recife.


“Nascido e Criado”, Pablo Trapero (2006)

Antes de “Leonera”, de “Abutres” e de “O Clã”, Trapero realizou está pequena obra-prima tocante e profunda sobre os limites da existência, confrontando o inato e a superfície, a natureza e a convenção social. Conta a história da família de Santiago, um jovem dedicado à decoração e à restauração de antigos objetos, que vive um repentino acidente na estrada, o qual desencadeia uma tragédia familiar e um violento giro em sua vida. Numa paisagem gelada do extremo-sul argentino, Santiago, irreconhecível, reaparece empregado num aeroporto perdido no fim de mundo. O cineasta volta sua lente para dois interiores: o humano e o das paisagens rústicas do pampa, para onde o personagem principal se refugia de si próprio. Na mesma medida, Trapero, dado a este olhar penetrante, atinge outro interior: o do espectador. (Prime Vídeo)


“Argentina, 1985”, Santiago Mitre (2022)

Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro (não levou o Oscar por pouco, pois merecia muito mais do que o badalado “Sem Novidades no Front”), "Argentina, 1985" narra a história verídica dos promotores públicos Julio Strassera e Luis Moreno Ocampo, que ousaram investigar e processar a ditadura militar mais sangrenta da Argentina. Sob forte pressão política, pública e militar, a dupla, amparada por uma jovem equipe de universitários engajados, encabeçou uma longa pesquisa antes de começar a julgar os cabeças do regime argentino naquele que é conhecido como Julgamento das Juntas. Não apenas Darín, que faz Strassera, mas Juan Pedro Lanzani, no papel de Ocampo, estão fenomenais. Igualmente, magnífica a cena da leitura da acusação no tribunal, um dos textos mais pungentes que o cinema latino-americano já viu. (Prime Video)




Daniel Rodrigues

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Black Alien - “Abaixo de Zero: Hello Hell” (2019)

 

"Quem precisa de correntes de ouro pra ser Gustavo?/
Quem precisa de correntes de ferro pra ser escravo?"
Da letra de "Área 51"

“Eu sou o agora.”
Da letra de "Que nem o meu Cachorro"

Após os Racionais MC’s terem aberto a porteira para o novo rap brasileiro nos anos 90, uma questão se formou: identificar este gênero musical dentro do contexto da música brasileira. Por incrível que pareça, não foi aquele que lançou a principal interrogação pós-“Sobrevivendo no Inferno” quem matou a charada. Se Marcelo D2 foi quem propôs encontrar “a batida perfeita”, a qual pressupunha uma junção do estilo marginal e urbano norte-americano com o samba brasileiro, coube a outro ex-Planet Hemp ser o verdadeiro achador deste formato próprio de um hip hop que respondesse aos anseios de seus criadores e de um novo mercado fonográfico no Brasil: Black Alien. Não é de se estranhar, afinal Gustavo de Almeida Ribeiro sempre se diferenciou dentro da Planet. Enquanto os outros integrantes exauriam o discurso do “Legalize Já!”, este carioca de São Conrado mostrava-se conectado com uma infinidade de referências como jazz, literatura, psicanálise, pós-punk e cinema cult, visão “extrapunk/extrafunk” que lhe dava mais condições de perceber além, de ver que o grito libertário da geração pós-Ditadura deveria ser necessariamente mais amplo. Tanto foi coerente e certeiro que, em seu primeiro disco solo, “Babylon By Gus Vol. 1 – o Ano do Macaco”, de 2004, foi ele quem, na esteira de Sabotage e seu "Rap É Compromisso!", de três anos antes, encontrou a tal batida perfeita. Chegava-se, enfim, ao que se pode chamar de rap brasileiro.

Acontece que, se a batida é perfeita, as quebradas são tortas. O cara que abriu as portas para que viessem a público os novíssimos talentos do rap brasileiro, como Criolo, Emicida, Rincon Sapiência e Baco Exu do Blues, levou mais de uma década para lançar um segundo trabalho, o irregular “No Princípio Era o Verbo – Babylon by Gus, Vol. II”. Neste meio tempo, Criolo já havia colocado o gênero de ponta-cabeça com o revolucionário “Nó na Orelha”, em que abria um paradigma como há décadas não se via na música brasileira, Emicida reinventava o discurso da negritude, Rincon retornava às raízes da África para forjar uma nova poesia nagô e Baco elevava o estilo ao nível de art-rap como apenas ousaram MF Doom e Beastie Boys. Black Alien parecia haver perdido o passo, perdido o tempo da batida. Alguma coisa haveria de estar imperfeita – e estava. A dependência química, hábito da adolescência, tomava dimensões indesejáveis na vida do músico a ponto de lhe atrapalhar a carreira e a produção artística. A ponto de quase o deixar à sombra de seus discípulos.

Só que, como diz o próprio Black Alien: “Não ir pra frente é retrocesso, nada que vale a pena é fácil”. Precisou, então, descer abaixo do nível zero e dar um alô para o diabo para que ressurgisse. Limpo das drogas e de tudo que não lhe interessava, Black Alien, como a fênix, lança, 17 anos depois da estreia solo, seu terceiro e melhor álbum: o corajoso e autorreferencial “Abaixo de Zero: Hello Hell”. Coeso, tal grandes discos da MPB do passado tem curta duração, o suficiente para apresentar, em menos de 10 faixas, uma música altamente impactante e bem produzida feita basicamente a quatro mãos com o produtor carioca Papatinho nas composições, beats, samples e programações. Black Alien desfila, com uma poesia áspera e sofisticada, visto que rica em figuras de linguagem e rimas rebuscadas (dos tipos emparelhada, coroada, preciosa, entre outros), versos confessionais e conscientes sobre drogas, religiosidade, existência e política, mas sem cair no enfadonho. Pelo contrário. "Área 51", que abre o disco, manda ver em versos brilhantes como estes: “Invicto no fracasso, invicto no sucesso/ A gata mia, boemia aqui não me tens de regresso/ De boa aqui na minha, não foi sempre assim, confesso/ Levitei em excesso, neve tem em excesso/ A costela quebrada me avisa quando eu respiro/ A favela e a quebrada te avisam quando me inspiro”. E o refrão é impagável: “Vim pesadão ninguém vai me ‘dirrubá’/ E problema com pó quem tem é o dono do bar”.

Outra joia confessional, o charme-soul “Carta pra Amy” nem precisa mencionar a homenageada em sua letra para dar o recado. Versos doloridos e inspiradíssimos aprofundam a ideia central do disco, elevando a reflexão a questões existenciais e da religiosidade (“Jurei por Deus que ia acertar as contas/ E aí lembrei que é Deus quem acerta as contas/ Ele acerta no início, no meio, e no fim das contas”). Mas sempre com a visão catalisadora, como nesta passagem em que traz a banda de David Byrne como referência: “Vencer a mim mesmo é a questão/ Questão que não me vence/ Minha cabeça falante fala pra caralho/ E aí my talking head stop makin’ sense”. Usa este mesmo último verso, aliás, para criar outra analogia, numa rima indireta com o nome Byrne: "No confinamento as paredes são minhas páginas de cimento/ Babylon burn." Sem deixar, ainda, de alfinetar a demagogia dos ex-companheiros de grupo (“Quando legalizarem a planta/ Qual vai ser o seu assunto? Cara chato”), Black Alien guarda para o refrão o mais alto nível poético e literário em que conjuga Bob Marley, William Faulkner e C.J. Young num tempo: “Mostre-me um homem são e eu o curarei/ You’re runnin and you’re runnin’ and you’re runnin’ Away/ Não posso correr de mim mesmo/ Eu sei, nunca mais é tempo demais/ Baby, o tempo é rei/ Em febre constante e o dom da cura/ Nem mais um instante sem o som e a fúria”.

A dissonante “Vai Baby” literalmente descontrói o compasso para problematizar a questão do sexo neste novo contexto de vida longe das drogas. Mais uma vez, contudo, a veia poética faz com que Black Alien não recorra a um artifício óbvio, mencionando o filme “Mais e Melhores Blues”, de Spike Lee (1990), para representar, numa metonímia, a ideia do casamento entre erotismo e música negra. “Quero mais e melhores blues/ Com água sob os pés, sobre a cabeça, céus azuis/ Mais e melhores jazz, mais e melhores Gus/ Só de tá na busca, eu tô além do que eu supus”. Passo além dentro da própria obra de Black Alien, lembra em temática “Como eu te Quero”, sucesso de seu primeiro disco, porém noutro nível de maturidade.

Outra pungente, "Que Nem o Meu Cachorro", com um belo e circunspecto riff jazzístico de piano, fala da força de vontade para manter-se sóbrio, num esforço artístico e pessoal de autorreconhecimento. Black Alien diz a si mesmo: não esquecer para não reincidir. “Bem-vindo ao meu lar, cuidado pra não tropeçar, a mesa ainda tá aqui, porém mudei certezas de lugar”, alerta. A animalização causada pela dependência química (“Tô que nem o meu cachorro no domínio do latim”) é suplantada pela consciência do “só por hoje”, “pois”, como diz a letra, “a zona de conflito é minha zona de conforto, e a estrada pro inferno se desce de ponto morto, então parou com a zona”. E finaliza: "Não tô nem aí, nem lá, tô bem aqui, além do que se vê/ Se vêm baseado no passado, só há um resultado: 'Cê' vai se fuder.”

Referência direta ao cool jazz e a Dave Bruback, “Take Ten” adiciona ao relato pessoal a crítica ao sistema: “Quem me viu, mentiu, país das fake News/ Entre milhões de views e milhões de ninguém viu”. Além disso, estão num mesmo caldeirão John Coltrane, Disney, Dr. Jekyll Mr. Hyde e Jimi Hendrix e anáforas geniais como estas: “Hoje cedo no Muay Thai de manhã/ Outros tempos, só Deus sabe onde ia tá de manhã/ O cara vai ter pra adiantar de manhã/ Praticava o caratê de rá-tá-tá de manhã”. 

Sensual e picante como já havia trazido em “Vai Baby”, “Au Revoir”, no entanto, também reflexiona a relação amorosa imbricando-a com a passagem do tempo e, novamente, o sentimento de atenção ao presente: “Não tem como saber sem ir/ Aonde a gente vai chegar/ Au revoir/ Mais e melhores blues/ Assinado Guzzie”. Como diz Fernando Brant em naqueles versos clássicos: “O trem que chega é o mesmo trem da partida”. Já a tocante "Aniversário de Sobriedade" relembra com distanciamento o Gustavo “fundo do poço” para que o mesmo não seja esquecido. Que letra! Ao mesmo tempo forte, autocrítica e filosófica e na qual Black Alien cita até Nietsche. Metalinguística, referencia a sua própria obra “Babylon By Gus” para escancarar seu comportamento no passado e o quanto isso o fez desperdiçar oportunidades: “Vishh!!!/ Meu ‘cumpadi’ que fase/ Me olho no espelho ‘mas Gustavo, o que fazes?’/ Cadê as letras?/ Esqueceu da caneta/ Fica só cheirando em cima do CD de bases/ Os beatmakers, os melhores do país/ E eu só vou pra Jamaica pra acalmar o meu nariz/ Mete a venta e não produz/ Bye bye Gus, babylon by trevas volume zero, sem luz”. No estúdio com ele e Papatinho, ainda Julio Pacman nos teclados e o suingado solo de sax de Marcelo Cebukin.

Black Alien reserva para o fim de um disco irretocável aquilo que desde a Planet foi seu forte, que é a crítica social. Porém, “Jamais Serão” traz esta verve agora filtrada pelo "despertar temporão" do novo Gustavo, percorrendo uma lógica que vai do particular para o público. Tradução da era Temer, que havia se instaurado com o golpe político-jurídico à época da feitura de “Abaixo de Zero...”, a música astuciosamente prevê que o pior ainda viria no governo Bolsonaro. No entanto, alerta com esperança que "presidentes são temporários". E sentencia: "música boa é pra sempre/ esses otários jamais serão".

Rap, trap, reggae, funk, rock, charme, soul, jazz e R&B. Deu para perceber que não se fala de samba? Pois é: Black Alien não só achou a “batida perfeita” acalentada por D2 quanto, ainda, desmistificou que rap no Brasil precisa ser “tropicalizado”. A se ver por um estilo pós-moderno e de origem suburbana que é, não haveria de precisar abrasileirar-se para se tornar essencialmente brasileiro visto a semelhança socioantropológica que une as nações de diáspora negra. Com uma sonoridade quase doméstica e despida de rodeios – ao contrário do caminho tomado por D2, Emicida e, principalmente, Criolo, que evoluiu para um som além do próprio rap – o feito de Black Alien conquistou o Prêmio Multishow como Disco do Ano e foi eleito o Melhor Álbum pelo Prêmio APCA de Música Popular. “Abaixo de Zero...”, no entanto, mostrou muito mais do que um encontro classificatório para as prateleiras de lojas ou playlists de streaming. O principal achado não estava fora, mas dentro do próprio artista. Afinal, Black Alien entendeu que ele é “o agora”.

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FAIXAS:
1. "Área 51" - 2:46
2. "Carta pra Amy" - 4:23
3. "Vai Baby" - 2:57
4. "Que Nem o Meu Cachorro" - 3:31
5. "Take Ten" - 2:33
6. "Au Revoir" - 3:27
7. "Aniversário de Sobriedade" - 2:45
8. "Jamais Serão" - 2:59
9. "Capítulo Zero" - 1:27
Todas as composições de autoria de Black Alien e Papatinho

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OUÇA O DISCO:

Daniel Rodrigues

sábado, 21 de janeiro de 2017

ARQUIVO DE VIAGEM - Brasília /DF - 06/01/2016 a 13/01/2016



"Dizia ele
'Estou indo pra Brasília,
nesse país lugar melhor não há' ".



O verso do "Faroeste Caboclo" da Legião Urbana, pode não ser totalmente verdadeiro uma vez que há lugares mais aconchegantes, mais calorosos, de belezas naturais mais deslumbrantes mas não há como negar que Brasília é uma das obras mais notáveis criadas pelo homem. Uma verdadeira escultura interativa em escala real moldada em meio ao cerrado brasileiro que se não soubéssemos que fora construída poder-se-ia jurar que aqueles prédios brotaram do chão naquele lugar. O corajoso e visionário empreendimento de JK, materializado pelo traçado de Lúcio Costa e pelas linhas ousadas e artísticas de Oscar Niemeyer não a toa é Patrimônio da Humanidade. É absolutamente encantador ir desvendando o plano e entendendo-o à medida que circula-se na cidade. Há críticas, é verdade, até dos próprios habitantes; há problemas urbanos, eu sei; há distorções do projeto original, é verdade; mas para um arquiteto, só o fato de percorrer uma cidade planejada (e que funciona), já é uma enorme experiência e o melhor aprendizado de urbanismo que se possa ter mesmo que seja para a partir de seu projeto repensar soluções urbanas.
Mas além do plano, do traçado, dos palácios, a capital federal tem outros atrativos como o Parque da Cidade é uma ótima opção de lazer para a família com áreas de recreação, esporte, estar e convívio; o Parque Nacional, na Asa Norte, dentro de uma reserva ambiental com muito verde e com uma concorrida piscina natural; as lojas de discos e camisetas no CONIC, prédio "gêmeo" e rebatido do Shopping Conjunto Nacional, que apesar do mau aspecto, bem menos conservado que seu irmão espelhado do outro lado do Eixo, guarda verdadeiros tesouros em vinil; tem o simpático Lago Paranoá com belas vistas ao longo de sua extensão e áreas de circulação e lazer, além das boas opções de gastronomia no Pontão; e a propósito de comidas, tem ainda os ótimos restaurantes e barzinhos nas áreas comerciais da super-quadras.
Outro programa que vale muito é a visitação dos palácios que se não bastassem já serem obras de arte em grande escala ainda guardam grandes produções das artes plásticas especialmente de artistas brasileiros.
Fica um certo ódio ao percorrer, ali, o centro do poder sabendo de toda a lama que corre por trás daquelas paredes, dentro daqueles gabinetes, mas se o visitante não se deixar afetar de forma preponderante por esta sensação, se segurar a raiva e souber admirar o que é bonito e positivo em Brasília, certamente terá uma passagem agradável. Brasilia certamente é um lugar que merece ser visitado.

O BÁSICO E FUNDAMENTAL EM BRASÍLIA
O Congresso é visita obrigatória.
Bom, né, não tem como ir a Brasilia e não visitar o centro administrativo, o eixo monumental, o centro do poder. A ordenada Esplanada de Ministérios, a formosa Catedral com seus belos vitrais, o belíssimo Museu Nacional com suas linhas audaciosamente arredondadas, e, é claro, os prédios dos três poderes com sua arquitetura moderna e ousada. Ah, detalhe! Vale a pena conhecer o interior dos palácios que além de revelar mais da arquitetura genial de Niemeyer, tem grandes obras de arte de artistas brasileiros. O Planalto, o Itamaraty e o congresso Nacional tem visitações que podem ser agendadas. Legal também é ir mais adiante no eixo monumental e ir até a torre de TV de onde pode-se ver a cidade inteira e tirar ótimas fotos.




COMER EM BRASÍLIA
O Pontão tem excelentes opções
gastronômicas.
Olha, me surpreendi com a qualidade dos restaurantes em Brasília! Comi bem em todos os lugares em que estive, desde barzinhos mais básicos, até restaurantes um pouco mais sofisticados. É bem verdade que só comi na Sa Sul, onde estava hospedado, mas não tenho dúvidas de que no outro extremo não teria sido diferente. Destaque para o ótimo Dona Lenha com suas ótimas carnes e seus deliciosos temperos, para o bar Buteko e seus petiscos saborosos e muito bem servidos, ambos nas Quadras, e para o Sallva no Pontão do Lago Sul que além de um cardápio de muito bom gosto tem ótimo atendimento e de quebra uma bela vista para o Lago Paranoá.





COMPRINHAS E AFINS
O CONIC é o point!
Além das muitas opções de shopping centers, Brasilia oferece feirinhas de artesanato como a da Torre de TV com artigos variados de artesanato, as lojinhas dos museus com artigos personalizados e temáticos, e muitas galrias de arte espalhadas por todo o Plano. Mas o grande barato mesmo para o pessoal mais alternativo como eu que quer fugir do convencional, mais interessado por discos, camisetas, games e quadrinhos, é o CONIC, um complexo comercial com má aparência devido a um certo abandono mas que revela-se, ao contrário do que pode-se imaginar, não só totalmente seguro como absolutamente interessante. Ótimas opções em vinil com preços e estilos variados, artigos para colecionadores e amantes de HQ's e lojas de camisetas com estampas muito transadas. Destaque para a Atlântida Discos com muitos títulos em vinil, para a Berlim Discos com mais CD's que LP's; e para a excelente loja de camisetas do Natinho onde além de comprar belas camisetas com estampas feitas por ele mesmo, tive um agradável papo sobre música, literatura e cinema.



PLAYLIST
Minha cabeça é muito musical e estou sempre pensando em alguma música e situações, lugares, frases, pessoas, acabem sempre acionando aquele PLAY automático no cérebro. Nessa viagem não foi diferente, e diga-se de passagem, Brasília é um prato cheio para a memória musical de um cara como eu. Assim, aí vão algumas das músicas que acabavam sempre aparecendo, ligando, acendendo na mente diante de várias situações e por diversos motivos na capital do Distrito Federal.

1. FAROESTE CABOCLO - Legião Urbana
Legião Urbana
Mais do que qualquer outra canção, a saga de João de Santo Cristo suscita diversas "memórias" plantadas pela cinematográfica letra de Renato Russo. Desde a perspectiva da chegada à Capital com o sonho de uma vida melhor, passando por Taguatinga, Asa Norte, Planaltina, até chegar ao fatídico duelo final na Ceilândia, "Faroeste Caboclo", o quilométrico e improvável sucesso da Legião talvez seja a imagem musical mais inspiradora de Brasília. E tudo aquilo pra que? Só pra falar com o Presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer.

OUÇA: Legião Urbana - "Faroeste Caboclo"




2. BRASÍLIA - Plebe Rude
O concreto já rachou?
Ah, o riff inicial volta e meia retinia em meu ouvido mental. "Brasília" da Plebe Rude está presente a todo momento e em todo lugar: "Capital da esperança, asas e eixos do Brasil"; "Brasília tem centos comerciais, muitos porteiros e pessoas normais"; "A morte traz vida e as baratas se arrastam". Com uma abordagem mais amarga, mais angustiante e pessimista, ela afirma figurativamente que o concreto da cidade já teria rachado, ou seja que o sonho de cidade ideal já teria desmoronado há muito tempo.

OUÇA: Plebe Rude - "Brasília"




A Asa Norte do Plano Piloto
3. UM TELEFONE É MUITO POUCO - Léo Jaime
Essa não é das melhores, sei, mas não conseguia deixar de pensar nela cada vez que ia em direção à Asa Norte. "E ele foge para a Asa Norte tropeçando em ratos que saem do esgoto". E eu tinha esse disco, hein.

OUÇA: Léo Jaime - "Um Telefone é Muito Pouco"






4. FLOR DO CERRADO - Gal Costa
A flor do cerrado
Lembrei dessa inicialmente quando vi a belíssima peça em ouro de mesmo nome em exposição no Palácio do Planalto, mas depois não deixava mais de pensar nela sempre que me deparava com a espécie propriamente dita espalhada por boa parte da vegetação de Brasília, especialmente no Parque Nacional. Não conhece uma? Bom... "Da próxima vez que eu for a Brasilia eu trago uma flor do cerrado pra você".


OUÇA: Gal Costa - "Flor do Cerrado"




Hino das Diretas Já.
5. CORAÇÃO DE ESTUDANTE - Milton Nascimento
Impossível não lembrar dessa ao visitar o Memorial Tancredo Neves, localizado atrás da Praça dos Três Poderes. Um passeio pela trajetória do homem que representou esperança para o Brasil logo após o fim da ditadura militar e que morreu antes de assumir a presidência. Os comícios, as "Diretas Já", a eleição indireta, a internação e a morte são destacadas no belíssimo espaço projetado por Oscar Niemeyer e que tem trechos da canção de Milton Nascimento escritos nas paredes.

OUÇA: Milton Nascimento - "Coração de Estudante"





Nossa Senhora do Cerrado
nos proteja.
6. TRAVESSIA DO EIXÃO - Legião Urbana
Mais uma da Legião que talvez tenha sido a banda que malhor retratou e mais mencionou a cidade em suas músicas. Cada vez que pegava o Eixo Rodoviário lembrava dessa. Ah, a propósito, nem tentei atravessá-lo a pé.

OUÇA: Legião Urbana - "Travessia do Eixão"





Tema do filme
"República dos Assassinos"
7. NÃO SONHO MAIS - Chico Buarque
Essa não tem a ver diretamente com Brasília mas a menção aos candangos, denominação atribuída aos  brasilienses, a trazia à minha mente constantemente. "Meu amor, vi chegando/ um trem de candango/ formando um bando/ mas que era um bando/ de orangotango pra te pegar".


OUÇA: Chico Buarque - "Não Sonho Mais"






Na parede do Memorial.
8. UM ÍNDIO - Caetano Veloso
Lembrei dessa ao visitar o Memorial dos Povos Indígenas, onde inclusive há trechos da letra nas parede logo na entrada.


OUÇA: Caetano Veloso - "Um Índio"







Ótima capa do disco
"Vítimas do Milagre"
9. TÁ COM NADA - Detrito Federal
Essa não é tanto pela música que, embora fale de Nova República, Tancredo e tal, não faz uma menção objetiva à cidade em si. É muito mais pela emblemática capa do álbum da banda, que vem muito a propósito nos dias atuais. Sempre lembrava dela ao visualizar lá ao fundo da Esplanada do Ministérios, o Congresso Nacional.

OUÇA: Detrito Federal - "Tá Com Nada"





JK no alto de
seu Memorial.
10. FILHO ÚNICO, IRMÃO DE TODOS - Moacir Franco
Na verdade não me orgulho muito de ter lembrado dessa mas a visita ao Memorial JK fez com que inevitavelmente ela viesse à minha mente. Ouvia muito essa música, por incrível que pareça, no antigo programa Festa Baile da TVE, apresentado por Agnaldo Rayol, que minha querida vó assitia. De vez em quando Moacir Franco dava as caras por lá e cantava essa. É... A gente não tem muito controle sobre a memória, não é mesmo?

OUÇA: Moacir Franco - "Filho Único, Irmão de Todos"





Abaixo alguns registros fotográficos da capital brasileira:


"Os Guerreiros", ou "Os Candangos"
como também é conhecida a estátua
na Praça dos Três Poderes

Visitamos a Praça dos Três Poderes em dia de troca da bandeira.

Desfile militar e salva de tiros para a bandeira nacional.

Brasília vista "de trás". Fascinate de qualquer ângulo.

O Memorial Tancredo Neves.

O interior do Memorial a Tancredo com o livro de heróis nacionais (abaixo à direita)
e ao fundo um belíssimo painel sobre a Inconfidência Mineira.

O Supremo Tribunal Federal.
Será que essa justiça está sendo mesmo imparcial utlimamente?

A famosa rampa do Palácio do Planalto.

Perfil do Planalto com a bandeira ao fundo.

O interior guarda grande quantidade de obras de arte como esta,
"O Circulo".

Painel de Burle Marx no Salão Oeste.

Também no Planato, "Galhos e Sombras" de Franz Kerjcberg.

A aquitetura já é uma obra de arte no Palácio.

Onde as tramas são feitas.
O Gabinete da Presidência.

A rampa do Planato de dentro para fora
guarnecida pelos Dragões da Independência.

O blogueiro em frente ao Congresso Nacional.

Outro prédio que abriga inúmeras obras de arte´
ao longo de seus corredores, salas e salões.
Aqui o Salão Verde.

A toca dos ladrões, digo,... o plenário da Câmara

Eu no Senado.
Outro antro de... Bom, deixa pra lá.

Vista do Congresso para a Esplanada.


O belíssimo Palácio da Justiça e suas águas.

Outro admirável prédio, o Palácio do Itamaraty.
à sua frente a escultura "Meteroro" de Bruno Giorgi.

Mais uma das muitas obras de arte de Niemeyer,
a escada interna do Itamaraty.

Os jardins do Itamaraty ficaram a cargo de Burle Marx
e dividem espaço com belíssimas obras de arte.

A Biblioteca Nacional.

Mais uma impressionante obra de Oscar Niemeyer,
o Museu Nacional.

Espaço interno do Museu.

A Catedral de Brasília.

Os belíssimos vitrais da artista franco-brasileira Marianne Peretti.

Ainda no Eixo Monumental, mas afastando-se um pouco
temos a Torre de TV que proporciona de seu alto
uma privilegiada vista da cidade.

Vista de parte da Asa Sul com a Ponte Juscelino Kubitschek ao fundo.

Declaração de amor à cidade ao pé da Torre.

Mais adiante, no Eixo, o Memorial das Nações Indígenas.

Mias uma admirável obra de Oscar Niemeyer
com seu percurso circular em declive que chega ao pa´tio central.

O Memorial JK.

Grande acervo, vídeos, fotos e objetos pessoais
do homem que tirou Brasília do papel.

Em frente ao remodelado Estádio Mané Garrincha
com sua imponente colunata.

Afastando-se um pouquinho do centro o belíssimo Palácio da Alvorada.

Vegetação típica de cerrado no Parque Nacional, na Asa Norte.

A piscina de água mineral bombando no Parque Nacional.

Outra atração é o Jardim Zoológico, na Asa Sul.

O lindo tigre albino no Zoo de Brasília.

Área de estar e lazer à beira do lago Paranoá
num píer calçadão na Asa Norte.

E outra ótima opção de lazer e gastronomia à beira das águas
é o Pontão do Lago Sul.

Um dos arcos da imponente
Ponte Juscelino Kubitschek.

Aqui a Ponte JK vista por inteiro.

Bom, eu resolvi botar uma ordem nessa zona
e estou aqui para anunciar que vou assumir essa bagaça.



Cly Reis