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quarta-feira, 4 de março de 2026

Plabe Rude 4.5 & 40 anos de "O Concreto Já Rachou" com abertura de Fausto Fawcett - Circo Voador - Rio de Janeiro/ RJ (27/02/2026)




Uma celebração do rock, do rock nacional, dos anos 80, de algumas lendas vivas da nossa música!
Assim foi o show da Plebe Rude em comemoração pelos 40 anos do clássico álbum "O Concreto Já Rachou".
A abertura com o cultuado Fausto Fawcett já deu o tom da noite de nostalgia. Com suas personagens pitorescas, histórias mirabolantes envolvendo mídia, violência e sensualidade e situações que só uma mente singular e criativa como a dele poderia conceber, Fausto, com uma dupla de músicos versáteis e bases pré-gravadas levantou a bola com qualidade para a atração principal da noite, a Plebe Rude.
Patinho feio de Brasília, banda menos badalada da cena brasiliense dos anos 80 se comparada às superstars Lagião Urbana e Capital Inicial, a Plebe sempre teve seu público e tem suas armas com um repertório mais agressivo, mais direto e contundente que a maioria da geração BR80. E, amigo, é só pedrada! Contestação, protesto, desafio ao poder, "Sua História", "Censura", "Códigos", "Descobrimento da América". A primeira parte do show foi marcada por um passeio pela trajetória da banda, tocando músicas de vários álbuns e momentos distintos da carreira, além de homenagens a ídolos e referências como Clash e Ramones, brincadeiras como a mistura de RPM com Midnight Oil, inserções de e covers como a bombástica "Hollidays In Cambodja", dos Dead Kennedy's que foi a grande responsável por quebrar a timidez do público e abria roda punk. O segmento, final, aí sim, trouxe a atração esperada por todos, a execução das faixas do grande clássico da banda, "O Concreto Já Rachou". O epílogo foi emocionante em vários momentos, a começar pela surpresa da presença de Jander Bilaphra, vocalista original e um dos fundadores da banda que eu, erroneamente, tinha notícia que teria falecido. Felizmente se tratava de mais um boato de internet e o cara estava lá, visivelmente emocionado, para interpretar a fodástica "Johnny (vai à guerra outra vez) para delírio dos plebeus ali presentes. 

"Johnny (vai à guerra outra vez" - 
Plebe Rude com participação de Jander Bilaphra

Clemente Nascimento, lenda do rock nacional, substituto de Jander desde sua saída e recém recuperado de um sério problema cardíaco que quase tirou sua vida, também comovido, fez uma breve cover solo de "Sujeito de Sorte" de Belchior que manifesta exatamente essa glória de estar vivo depois de uma situação tão séria e estar pronto pra outra, "ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro". O próprio Clemente comandou "Pátria Amada" de sua banda de origem "Os Inocentes, enquanto Phillipe Seabra, o vocalista e líder da banda, se deslocava para o meio da pista para comandar do meio da galera uma insana e furiosa roda punk ao seu redor. Espetacular! Dali, do meio da roda, praticamente nos braços do público, comandou o clássico "Proteção", com uma inserção de "Selvagem" dos Paralamas e "Pânico em SP" dOs Inocentes, versão um pouco longa demais, é verdade, mas nada que comprometesse o grande acontecimento que estava se dando ali. De volta ao palco ainda teve a destruidora "Brasília", rachando o concreto dos Arcos da Lapa e, por fim, a tão esperada "Até Quando Esperar", com introdução de "Blitzkreig Bop" dos Ramones,  para levar aqueles devotos à catarse, ao êxtase derradeiro.
Uma noite histórica! Uma noite de celebração total! Celebração do punk, uma celebração pela presença do eterno plebeu Jander Bilaphra, pela volta praticamente do mundo dos mortos de Clemente, pelos 45 anos da Plebe Rude, pelos 40 anos d"O Concreto Já Rachou"! Uma celebração à vida!
Viva quem nunca morreu, viva quem nasceu de novo, viva quem é imortal, viva a plebe!


🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸🎸

Fiquem com algumas imagens da noite histórica no Circo Voador:

O grande Fausto Fawcett abriu os trabalhos da noite

Fawcett cantado seu Rio belo e selvagem em "Rio 40 Graus"

Este seu blogueiro com o Fauno de Copacabana,
Fausto Fawcett

Fausto interpretando seu maior hit que não poderia faltar, 
"Kátia Flávia"


A Plebe em ação no palco do Circo


Muito vigorosa e vibrante a Plebe continua contundente e relevante


O líder Phillipe Seabra,
energia, carisma e simpatia



Clemente foi tão celebrado quanto a banda
por sua representatividade no universo punk
e por sua recuperação depois de seu problema de saúde


O fundador André X com o substituto de luxo Clemente


Phillipe Seabra e Clemente Nascimento

Momento histórico! A roda punk em volta de Phillipe
durante "Proteção"

O clássico "Até Quando Esperar" com introdução de Ramones




Cly Reis

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Rage Against the Machine - "Rage Against the Machine" (1992)

 






"As pessoas que se ofendem com [minhas opiniões sobre] política
 no Twitter ou Instagram, por favor,
 saibam que é porque você não era inteligente o suficiente
 para saber sobre o que era a música
 que você estava ouvindo
 todos esses anos (...)
De nada pela música,
 mas se você é um supremacista branco
 ou um protofascista,
 essa música não é escrita para você
 – é escrita contra você."
Tom Morello,
 guitarrista e compositor


A última passagem de Roger Waters pelo Brasil, em 2018, reacendeu uma discussão, que na verdade não faz muito sentido, uma vez que o rock, mesmo quando apenas reivindicava o direito de não cortar o cabelo ou de namorar no banco de trás do carro, à sua maneira, era "político", sobre o fato de artistas de rock se posicionarem politicamente. A situação toda começou quando o ex-baixista e vocalista da célebre Pink Floyd fez mostrar no telão, ao fundo do palco, os dizeres #EleNao, referindo-se ao então candidato Jair Bolsonaro à presidência brasileira (que, para infelicidade do país, veio a se eleger) arrancando um misto de vaias e aplausos da plateia e causando a reclamação de muitos "fãs" de sua antiga banda pelo fato de "agora" ter resolvido se meter em política e que um show de rock não seria lugar para esse tipo de manifestação do artista. A lamúria dos fãs superficiais, pseudo-roqueiros, no entanto foi ironizada pelos verdadeiros admiradores do grupo e roqueiros de verdade que questionaram se aqueles modinhas de ocasião que estavam no show nunca ouviram, por exemplo, o "The Wall" do Pink Floyd, que trata exatamente sobre o enfrentamento da sociedade opressora. Ou se ouviram, não leram as letras ou nunca entenderam do que se tratava. A discussão, especialmente em redes sociais, se ampliou e para situar os roqueiros do chalalá, que só curtiam o som mas não faziam a menor ideia do que estava sendo falado, outras bandas foram citadas de modo a mostrar o quão ignorantes aquelas criaturas estavam sendo. System of Down, Plebe Rude, Bruce Springsteen e até  a queridinha Legião Urbana foram algumas das que serviram de exemplo e, para maior surpresa, geraram ainda mais indignação entre os "revoltadinhos de condomínio-fechado", que qualificaram esses artistas, de forma simplista, imatura e desinformada, meramente de comunistas.

No entanto, a surpresa que mais chamou foi em relação à banda Rage Against the Machine. Ora, pensavam que a Máquina do nome da própria banda era o quê? Uma cafeteira elétrica? O RATM é antes de mais nada uma banda engajada, politizada e de pensamentos predominantemente de esquerda. Suas letras são quase sempre uma bala na cabeça, como diz o título de uma das músicas de seu primeiro álbum,  "Rage Against the Machine" de 1992, que, por sinal, fala exatamente sobre alienação e idiotização em massa.

No disco, os tiros da banda vão pra todo lado e sobra bala pra todo mundo que merece: "Bombtrack" atira na indústria musical; o hino "Killing in the Name" dispara contra o racismo; "Settle of Nothing" é  sobre criminalidade e vidas jovens arruinadas; "Freedom", fala, é claro, sobre liberdade, mas também acerta em cheio quanto à ignorância do ser-humano e sua relação com o meio ambiente; "Wake Up" liga a metralhadora giratória e atira nos fascistas, no judiciário, na mídia e no que estiver pela frente; e "Take the Power Back", "Know Your Enemy", "Fistfull of Steel" e "Township Rebelion", simplesmente, miram no sistema, de um modo geral, convocando para uma reação diante de tudo que nos oprime.

Tudo isso ao som da guitarra eletrizante de Tom Morello, conduzido pelos vocais contagiantes de Zach de La Rocha e  embalado por uma mistura explosiva de metal, hardcore, funk, rap e hip-hop, tão intensa que, eu até posso entender que tenha seduzido até o mais superficial roqueirinho de ocasião. Sim, sim, eu também escuto muita coisa pela sonoridade, muitas vezes não dou, mesmo, muita bola para a letra, ou nem ligo muito para o que estão dizendo em inglês, mas certos artistas, cuja atitude está ligada à sua obra é impossível, e até imperdoável, que se ignore essa relação. É o caso de Dead Kennedy's, Bob Dylan e do Rage Against the Machine, uma banda essencialmente política, engajada, atuante, como fica provado em seu primeiro disco. A própria capa do disco atesta essa atitude com a foto do monge vietnamita que preferiu atear fogo ao próprio corpo a se render ao governo autoritário de seu país. Esse é o espírito. Isso é o Rage Against the Machine. 

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FAIXAS:

1. "Bombtrack" 4:02
2. "Killing in the Name" 5:14
3. "Take the Power Back" 5:36
4. "Settle for Nothing" 4:49
5. "Bullet in the Head" 5:08
6. "Know Your Enemy" (featuring Maynard James Keenan) 4:57
7. "Wake Up" 6:06
8. "Fistful of Steel" 5:32
9. "Township Rebellion" 5:22
10. "Freedom" 6:06

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Ouça:
Rage Against the Machine (1992)



por Cly Reis

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Música da Cabeça - Programa #127


Nenhum beijo será castigado, nenhum livro será proibido, nenhuma música será inaudita. O Música da Cabeça se junta à manifestação contra a censura e a imoralidade que tentam nos impor e traz aquilo que expressa o que a gente é: música. Gilberto Gil, Almir Guineto, Sean Lennon, Caetano Veloso, Pixinguinha e Plebe Rude são alguns dos que protestam junto conosco. Tem também o quadro “Música de Fato” e dobradinha de “Sete-List” e “Palavra, Lê” para lembrar o mestre Elton Medeiros, morto esta semana. Nenhum direito a menos no MDC hoje, às 21h, na Bienal do Livro da Rádio Elétrica. Produção, apresentação e beijo de língua: Daniel Rodrigues. #CensuraNuncaMais



Rádio Elétrica:
http://www.radioeletrica.com/

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Plebe Rude - "O Concreto Já Rachou" (1985)



"O Concreto Já Rachou"
da letra de "Brasília"



Eles eram uma espécie de primo-pobre das bandas de Brasília. Uma espécie de patinho-feio. Enquanto a Legião Urbana arrebatava multidões de fiéis e o Capital Inicial , com um pop bem feito agradava em cheio ao grande público, a Plebe Rude com seu estilo mais cru, letras diretas e contundentes, até fazia seu sucesso também, mas nunca a ponto de alcançar a dimensão dos outros dois conterrâneos. Talvez por terem sido a menos concessiva no que diz respeito às suas raízes punk. Embora a Legião preservasse elementos de punk rock em seu repertório e o Capital s trabalhasse de maneira mais acessível no seu repertório, a Plebe Rude era que se mantinha mais fiel ao estilo e à atitude com um discurso mais enérgico e uma postura mais coerente.
Em seu EP de estreia, "O Concreto Já Rachou", de 1985, com apenas 7 músicas, a Plebe atacava as gravadoras, as autoridades, a TV, o sistema de uma maneira geral, com letras inteligentes, mas um tanto toscas, sem a brilhatura de um Renato Russo, por exemplo, o que fazia toda a diferença não só para a própria banda que o cantor integrava, como para o Capital Inicial que se impulsionou muito a partir de algumas delas como "Fátima" e "Música Urbana".
Mas a Plebe Rude não apenas se ressentia um elemento carismático, aglutinador, como ainda apresentava dois vocalistas (Philippe Seabra e Jander Bilafra) que se alternavam no microfone e, por vezes, como na excelente "Brasília", dividiam mesmo, simultaneamente a função principal. Nesta ótima faixa, sem cair na mesmice de falar de políticos, falcatruas, leis absurdas, etc., com sua letra dupla interpretada brilhantemente pelos dois, expunham toda a sujeira que a cidade estava (e está) mergulhada sob os olhos incapazes, conformados, perplexos e/ou covardes de seus habitantes e, mais amplamente, da população do país. A frase título do disco, presente na música sentenciava: o sonho da cidade ideal havia ruído e Brasília era um mar de lama. Punk direto e certeiro!
Mas dizer que a banda foi punk à risca em "O Concreto Já Rachou" seria um exagero. É lógico que, como a grande maioria dos artistas que assinou com gravadoras grandes naquela metade dos anos 80 teve que ceder um pouquinho aqui ou ali, mas parece que as cessões que a Plebe fez não foram o suficiente para subverter o cerne de seu som. É o caso de "Até Quando Esperar", por exemplo, que alcançou com bom destaque as paradas de sucesso, na qual até aceitam incluir o excepcional violoncelista Jaques Morelenbaum ao seu punk rock, à sua letra crítica e desesperançosa, sem contudo, com isso, perder a agressividade e a contundência do coração da canção, agregando ainda um certo acento solene proporcionado pelo grave do violoncelo. Ou também em "Sexo e Karatê", na qual mesmo com a participação de Fernanda Abreu suavizando o ritmo frenético, e com uma letra divertida de encontros e desencontros telefônicos, além de abordar a solidão, deixa transparecer ainda uma crítica à programação das emissoras, em especial à eterna inimiga pública, a Rede Globo de Televisão.
Mas se topavam estas pequenas 'adaptações' ao sistema, provavelmente sugeridas pelo produtor, Herbert Vianna, não por isso deixavam de criticar a indústria musical e todos seus meios para roubar a identidade dos artistas em nome do dinheiro, como na incisiva "Minha Renda", onde mencionam exatamente recursos como estas suavizações ("um lá menor aqui e um coralzinho de fundo / minha letra é muito forte? se eu quiser eu a mudo"); as imposições das gravadoras ("você é um músico não é um revolucionário / faça o que eu te digo que eu te faço um milionário"); respingando até mesmo no próprio produtor em trecho cantado pelo próprio vocalista dos Paralamas do Sucesso ("já sei o que fazer pra ganhar muita grana / vou mudar meu nome para Herbert Vianna").
"Proteção", outra das que teve boa execução nas rádios, talvez seja uma das mais fortes do disco, atacando em especial às autoridades, o exército, o fantasma da ditadura e o resto de censura que ainda perdurava com força naquela metade dos anos 80. Destaque para o vocal de Jander Bilafra, marcante, soturna e sinistra, repetindo quase o tempo todo, na segunda voz, o verso "para sua proteção", conferindo uma certa mecanicidade e uma espécie de sensação de presença vigiada sugerida pela letra.
Destaque ainda para a boa "Seu Jogo", sobre vidas vazias, com uns metaizinhos bem dispensáveis; e para "Johnny Vai à Guerra" sobre a inocência perdida por jovens em batalhas militares sem sentido.
 Um dos melhores álbuns daquela geração brazuca dos anos 80, e com certeza um dos pilares da santíssima trindade do rock brasiliense juntamente com o "Dois" do Legião Urbana e o álbum homônimo do Capital Inicial, "O Concreto Já Rachou" tem assegurado seu lugar de destaque na galeria dos grandes álbuns nacionais de todos os tempos. Depois daquilo os palácios , os ministérios, as obras de Niemeyer nunca mias teriam conserto. O estrago já estava feito. O concreto havia sido irremediavelmente danificado e a Plebe Rude havia colocado seu nome na história da música brasileira.

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FAIXAS:
1. Até Quando Esperar
2. Proteção
3. Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)
4. Minha Renda
5. Sexo e Karatê
6. Seu Jogo
7. Brasília

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Ouvir:
Plebe Rude O Concreto Já Rachou




Cly Reis