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domingo, 26 de outubro de 2025

"Se Eu Fosse Minha Mãe", de Gary Nelson (1976) vs. "Sexta-Feira Muito Louca", de Mark Waters (2003)

 


Sabe quando um time não tá funcionando bem, pinta aquela crise no vestiário e um setor começa a reclamar do outro? O pessoal do ataque cobra da defesa por tomar tantos gols, mas aí o pessoal da zaga argumenta que os atacantes não tem a menos noção da dificuldade que é marcar porque nunca se preocupam com isso e não ajudam nem na saída de bola. Os dianteiros, por sua vez, se defendem alegando que o meio deveria colaborar mais, que jogam muito espaçados e que o volante deveria proteger a área. Aí é a meiúca que acusa os laterais de avançarem muito e deixarem a parte defensiva muito exposta. Os homens dos flancos, por seu turno, ofendidos, alegam que tem que ir e voltar o tempo todo e que ninguém trabalha como eles no time... "Queria ver se fossem vocês!", dizem. Enfim, ninguém se entende!

No nosso duelo cinefutebolístico da vez, pegamos dois filmes em que, exatamente, uma personagem não tem a exata noção das dificuldades da outra e acaba precisando viver na pele os problemas do outro lado para perceber que perrengues não são exclusividade sua.

"Se eu Fosse Minha Mãe" e "Sexta-Feira Muito Louca" têm basicamente a mesma história. Mãe e filha, intolerantes às questões da outra, depois de uma discussão (mais uma!!!) acabam por um incidente metafísico trocando de lugar, mudando de corpo. A mãe no corpo da filha e a filha no corpo da mãe, mas com a mesma cabeça, os mesmos conceitos, os mesmos pensamentos e preocupações. Em nome de manter as aparências e tentar deixar as coisas sob controle até que, de alguma forma, tudo volte ao normal, elas concordam em assumir seus papéis durante aquele dia e cumprir as tarefas uma da outra. Aí é passar um dia encarando os desafios cotidianos do outro lado tão subestimados por cada uma delas.

No original de 1976, a mãe, Ellen, vivida por Barbara Harris, é meramente uma dona de casa e suas particularidades basicamente se limitam à rotina do lar, como preparar a comida, lavar a roupa, cuidar do marido, solicitar manutenções, etc., retrato da época e do padrão desejado para uma mulher na sociedade dos anos 70. O universo da filha Annabelle, vivida por uma jovem Jodie Foster ainda em seus tenros 14 anos, além da escola, do convívio das amigas, inclui atividades esportivas nas quais, por sinal, ela se destaca, como hóquei e esqui aquático, o que representará dificuldades adicionais a quem assuma sua identidade.

Não precisaria nem dizer que a filha, no corpo da mãe, em casa tendo que atender o fogão, máquina de lavar, serviços de entrega, relações sociais e tudo mais, fica perdidinha e só toma decisões erradas. E a mãe, na escola, no corpo da filha, além de perceber que o universo escolar é mais complexo do que imaginava, nas atividades extraescolares não terá a menor destreza com tacos de hóquei, esquis e coisas do tipo.

Na refilmagem de 2003, a atualização é preciosa e rende muitos ganhos à nova versão. Tess, a mãe, interpretada por Jamie Lee Curtis, é uma mulher independente, de sucesso, trabalha fora, é viúva mas tenta dar uma nova chance à sua vida com um novo parceiro que, por sinal, é muito mal recebido pela filha adolescente Anna, ainda muito sentida pela perda recente do pai. Anna tem preguiça pra acordar pra ir pra escola, briga com o endiabrado irmãozinho menor, não é má aluna mas tem suas dificuldades na escola, seja com outras meninas, seja com professores implicantes. Tem uma quedinha por um gatinho da escola, tem personalidade forte, discute com a mãe por quase tudo e tem uma banda de rock que além de seu lazer, seu prazer, é quase seu escape para todo os estresses do dia a dia. O problema é que a mami não vê  bem assim. Acha que é só uma barulheira, é só mania, brincadeira de adolescente, que não tem importância alguma e no dia que pode ser o mais importante para o futuro musical da filha, ela quer pôr seu interesse à frente obrigando a garota a ir em sua festa do noivado com o futuro padrasto. Aí não, né! É claro que vai dar treta! Tá certo que Anna tem que entender que a mãe precisa de uma nova chance na vida, passado o luto, e que aquele é um momento especial, mas Tess também podia ter um pouquinho de noção que uma batalha de bandas, uma chance de mostrar seu talento, exibir aquilo que você curte e faz bem, de se autoafirmar como pessoa, é algo que não se pode deixar passar.

Só esse recorte já demonstra o quanto "Sexta-Feira Muito Louca" é mais bem estruturado, mais bem costurado, bem construído, ao passo que o outro tem questões pontuais, dilemas mais isolados e o problema final que é o de Ellen no corpo da filha tendo que participar de uma demonstração de esqui, enquanto Annabelle no corpo da mãe, com uma licença de adulto mas sem nenhuma prática na direção, tem que dirigir até o local do evento aquático para impedir que algo de pior aconteça à filha..., digo à mãe..., a mãe que na verdade é filha... Ah, sei lá! Até já me confundi.

Fato é que o remake é muito superior. A própria troca de papéis tem uma "lógica" mais justificável na segunda versão, com os biscoitos da sorte no restaurante chinês, do que no primeiro filme quando se dá simplesmente durante mais uma discussão na qual ambas acabam falando ao mesmo tempo. Sem falar na rotina escolar de Anna, no cotidiano mais complexo da mãe, na relação mais engraçada da garota com o irmão, a situação do namoradinho que se encanta com a mulher mais velha, que no primeiro é meramente um bocó da vizinhança enquanto na refilmagem é um gatão de moto e que tem participação relevante em um elemento importante da trama.  Ou seja, "Sexta-Feira Muito Louca" tem tudo para passar por cima de "Se Eu Fosse Minha Mãe".

Mas futebol e cinema se decide dentro das quatro linhas e, apesar das aparências, o filme de 1976 não é nenhuma galinha-morta. Dois times com boas duplas de ataque! De um lado, "Se eu fosse minha mãe" tem a belíssima Barbara Harris num papel até bem competente dadas as limitações do personagem, e a jovem Jodie Foster que viria a ter dois prêmios The Best FIFA na estante (ou seja, dois Oscar da Academia) mas que até aquele instante era apenas mais uma boa promessa do sub-15. Mas se não era possível prever que no futuro aquela adolescente sardentinha seria uma oscarizada, quem apostaria que um dia a final-girl de Halloween, Jamie Lee Curtis também teria um Oscar pra chamar de seu? Pois é, alguns anos depois, uma das primeiras rainhas do grito, também viria a levar seu 'premio FIFA' por "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo". Ou seja, se o negócio é prêmio grande, TEMOS.  E pros dois lados.

Já a mãe da versão original e a filha da versão nova, nunca chegaram a ter essa projeção toda, embora Harris tenha recebido uma indicação ao Oscar e Lindsay Lohan tenha sido um ícone de sua geração especialmente nas comédias juvenis. O problema com LL é que foi tipo aquele jogador porra-louca que teve bom desempenho em duas ou três temporadas depois de subir pro profissional mas estragou tudo e jogou a carreira fora.

Mas, pasmem, aqui, no estágio da carreira de cada uma, a Lindsay 'Lôca', supera a bi-oscarizada Jodie Foster. O retrato de adolescente, as particularidades da sua época, as atualizações do roteiro, a parte musical, favorecem enormemente a maluquete dos anos 2000 e ela desequilibra a favor do seu time.

"Se Eu Fosse Minha Mãe" - Abertura


Apesar de tudo indicar uma vitória fácil do remake, para surpresa geral, o original é quem abre o placar nos primeiros segundos de jogo. A abertura em animação, graciosa e cativante é um diferencial do time de 1976. Muito bonitinha! Gol relâmpago! SEFMM 1x0.

Mas parece que era tudo que o time setentista tinha para dar. A dinâmica do remake, os contextos familiar e escolar, a atualização do olhar sobre a mulher, a introdução do elemento do padrasto, a existência da banda, tudo isso representa um ganho considerável para o novo filme. Jogada coletiva, toca daqui toca de lá e SFML empata rapidamente. 1x1.

Numa tabelinha espetacular de Jamie Lee Curtis com Lindsey Lohan, SFML faz o segundo. As situações em que elas contracenam logo após a troca, quando compreendem que mudaram de corpo e teriam que encarar pelo menos um dia daquele jeito, são de se mijar de rir. Cada uma pegando as falas, as manias, os trejeitos da outra é algo absolutamente hilário! Experiência aliada à juventude e SFML vira o jogo: 1x2.

Por falar em experiência e juventude, a cena em que o crush de Anna, Jake, um rapaz da escola que ajuda na detenção, dá carona de moto para a mãe, achando que está caidinho por ela (mas é pela filha), além de saborosa e engraçada, é embalada por uma versão matadora de Joey Ramone para o clássico "What a Wonderfull World". Aí não tem como, né? É gol do time de 2003. 1x3 no placar.


"Sexta-Feira Muito Louca" - cena da moto
"What a Wonderfull World", Joey Ramone


A relação com o irmão menor é mais engraçada na segunda versão mas não faz tanta diferença para representar um gol; a origem da "maldição", com o restaurante chinês, o biscoito da sorte e tudo mais é apenas mais bem resolvida na refilmagem que o do original, mas não chega a ser nada genial e não  representa, um diferencial considerável. O que faz a diferença, sim, é a sequência final que, enquanto no primeiro filme se resume a uma desastrada demonstração de esqui aquático e uma perseguição automobilística totalmente pastelão, na nova versão tem o clímax dividido entre a festa de noivado da mãe e a batalha de bandas da filha, colocando frente a frente os interesses de cada uma e a capacidade de compreender a necessidade da outra. A sequência toda culmina em nada menos do que um show de rock com um solo de guitarra de Anna, no corpo da mãe Tess, salvando a própria pele, uma vez que a quem está ali no palco, pelo menos em corpo, é ela mesmo. Literalmente..., show!1x4.

Num jogo realizado numa sexta-feira e em que tudo parecia fora do lugar - o volante jogando de ponta esquerda, o zagueiro de centroavante, o lateral na meia - "Sexta-Feira Muito Louca" mostra mais qualidades, mais variações de jogo, troca de posições, e atropela seu original dos anos '70. Se eu fosse a Jodie Foster, eu chamava minha mãe porque a surra foi feia.

Pois é, futebol moderno exige que os jogadores atuem em mais de uma função.
Tem que aprender a jogar na posição da outra.
(À esquerda, Annabelle e Ellen, na primeira versão,
e à direita, Anna e Tess, na refilmagem)



A defesa do time de 1976 foi uma mãe e

 facilitou a vitória do time de 2003.


por Cly Reis

terça-feira, 2 de maio de 2023

Coleção "Os Melhores Filmes de Todos os Tempos - Terror", coordenação de Paulo Basso Jr. - ed. Europa (2020)



 

Filmes de terror
Ganhei de aniversário - a meu pedido - o livro  de Terror da coleção "Os Melhores Filmes de Todos os Tempos".
Meio decepcionante.
Uma breve coletânea de posters de grandes clássicos do gênero com algumas informações, observações e curiosidades. A verdade é que deveria ter me interado melhor do que se tratava a publicação antes de querer tê-la em minha biblioteca. Tem as obviedades, como "O Bebê de Rosemary", "A Noite dos Mortos-vivos", algumas boas surpresas, como o assustador "O Babadook", justiças, como o inovador "A Bruxa de Blair", e novos clássicos como o impressionante "A Bruxa".
Esperava uma vasta lista, com dicas improváveis, coisas pouco conhecidas, informações que me fizessem querer ver algum filme que nunca me interessara etc., mas o que ganhei foi apenas uma publicação bem básica para iniciantes no assunto.
Para ser justo, algumas das curiosidades são realmente muito interessantes e algumas delas eu sequer tinha conhecimento, como o fato de Jamie Lee Curtis só ter sido a escolhida para "Halloween" por ser filha de Janeth Leigh, a estrela do clássico "Psicose"; de Christopher Lee ter feito "O Homem de Palha" de graça e colocar o filme como o ponto alto de sua carreira; ou da Disney ter manifestado a intenção de comprar o roteiro de "A Hora do Pesadelo', com a intenção de suavizá-lo para crianças e adolescentes. Mas só seria bom mesmo se tivesse uns duzentos ou trezentos filmes, como no número anual especial da antiga revista Set, que trazia um guia com os melhores filmes de todos os tempos em cada gênero e uma publicação especial dedicada ao terror. Aquilo lá, sim, muito me serviu de base e orientação.
Quem sabe uma hora dessas encontro algo assim. 
Mas não foi dessa vez.



Cly Reis

segunda-feira, 13 de março de 2023

Oscar 2023 - Os Vencedores




Michelle Yeoh, vencedora como Melhor atriz no Oscar 2023
Michelle Yeoh, a primeira asiática
a ganhar o Oscar de melhor atriz.
Você pode até não ter gostado de "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", pode ter achado tudo aquilo uma loucurada sem fundamento, mas não tem como negar que poucas vezes se viu algo parecido. Drama, comédia, aventura, uma montagem alucinante, uma história dentro da outra, várias histórias dentro de uma, universo, multiverso, personagens que não são aquilo que parecem, outros que são vários ao mesmo tempo... Até por tudo isso, pelo ineditismo, pela originalidade, pela ousadia, acho que a Academia não tinha como ignorar o fenômeno que estamos presenciando. O filme dos "Daniels", Kwan e Scheinert, levou 7 das onze estatuetas que disputou na noite de ontem, na cerimônia do Oscar, em Los Angeles e entrou para a galeria dos grandes vencedores, daqueles que além de fazer quantidade, levam os prêmios mais significativos, aqueles que atestam a majestade da obra, melhor filme e diretor.
A produção alemã "Nada de novo no front" foi outro destaque da noite, levando 4 prêmios, incluindo filme internacional. "A Baleia" ficou com dois, um deles para a excepcional atuação de Brendan Fraser, batendo o também impressionante Elvis de Austin Butler. De resto, os prêmios ficaram bem distribuídos. O ótimo "Pinóquio", de Guillermo Del Toro, com muita justiça, levou o prêmio de melhor animação; os badalados "Avatar" e "Top Gun: Maverick", ganharam um prêmio técnico, cada um e o novo "Pantera Negra" levou o de melhor figurino.
"Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", dominou também os prêmios de atuação, o que não chega a ser uma surpresa para mim, embora minhas preferências, nos três casos, melhor ator e atriz coadjuvantes e atriz, fosse diferente das escolhidas, especialmente no último caso, na qual considerava a atuação de Cate Blanchett, por "Tár" absolutamente incrível e superior, embora não veja nenhum absurdo no reconhecimento da  Academia pela ótima e versátil performance de Michelle Yeoh.
No mais, emocionantes discursos da própria Yeaoh, valorizando a mulher e desfazendo tabus  e mitos sobre a idade; de seu parceiro de filme Ke Huy Quan, vencedor como coadjuvante; da figurinista de "Pantera Negra", Ruth E. Carter, enfatizando o valor da mulher negra; do emocionado Brendan Fraser, cuja carreira parecia ter ido pelo ralo até, de repente, ressurgir com um papel dessa magnitude; e ainda da esposa do ativista russo Alexei Navalny, que encontra-se preso por sua luta contra o regime de Vladimir Putin, retratado no documentário "Navalny", vencedor em sua categoria.
Quer conhecer também todos os outros vencedores? Dá uma olhada, então, aí.

Segue abaixo a lista com todos os ganhadores do Oscar 2023:



- Melhor Animação:
Pinóquio

- Melhor Ator Coadjuvante:
Ke Huy Quan - Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Atriz Coadjuvante:
Jamie Lee Curtis - Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Documentário:
Navalny

- Melhor Curta-metragem:
The Irish Goodbye

- Melhor Fotografia:
Nada de novo no front

- Melhor Cabelo e Maquiagem:
A Baleia

- Melhor Figurino:
Pantera Negra: Wakanda Forever

- Melhor Filme Internacional:
Nada de novo no front

- Melhor Documentário em Curta-metragem:
Como cuidar de um bebê elefante

- Melhor Curta-metragem de Animação:
O menino, a toupeira, a raposa e o cavalo

- Melhor Direção de Arte:

Nada de novo no front

- Melhor Trilha Sonora Original:

Nada de novo no front

- Melhores Efeitos Visuais:
Avatar, O Caminho da Água

- Melhor Roteiro Original:

Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Roteiro Adaptado:
Entre Mulheres

- Melhor Canção Original:

Naatu Naatu - RRR

- Melhor Som:
Top Gun: Maverick

- Melhor Montagem:

Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Direção:

Daniel Kwan e Daniel Scheinert - Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Ator:
Brendan Fraser - A Baleia

- Melhor Atriz:
Michelle Yeoh - Tudo em todo lugar ao mesmo tempo

- Melhor Filme:

Tudo em todo lugar ao mesmo tempo



C.R.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Oscar 2023 - Os Indicados


O fraquissimo "Top Gun" Maverick" foi um
dos destaques nas indicações.
Saíram os indicados ao Oscar 2023.

Tenho que admitir que, por enquanto, não assisti a muitos ainda, mas hoje em dia com a facilidade dos streamings, a oportunidade está dada para quem quiser, a partir de agora, maratonar os filmes até 12 de março, quando serão conhecidos os vencedores.

"Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo", lidera as indicações com 11, seguido por "Os Banshees de Inisherin" e pela produção alemã "Nada de novo no Front", com 9, esta disputando, inclusive, por melhor filme e melhor filme internacional. "Elvis", da brilhante atuação de Austin Butler, aparece com 8, "Os Fabelmans", de Steven Spielberg, com 7, e o badalado "Top Gun: Maverick", com 6, e destaque também para o vencedor da Palma de Ouro do ano passado, "Triângulo da Tristeza", indicado a melhor filme, além de outras duas categorias.

Particularmente, me chamou atenção a indicação de "Top Gun: Maverick", para melhor filme, a meu juízo um gloriosa porcaria; as indicação de "Batman", com 3; e a não indicação da animação "Pinóquio" de Guillermo del Toro para a categoria principal de melhor filme, o que não foi exatamente uma surpresa, mas era uma expectativa tal a qualidade do filme. Quanto ao mais indicado "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" , embora já tenha aparecido aqui no ClyBlog, na opinião do nosso parceiro Vagner Rodrigues, de minha parte não posso fazer juízo, por enquanto, mas fico com a impressão positiva pelo que foi descrito na resenha.

Mas chega de papo. Fiquem com a lista dos indicados:


  • Melhor Filme

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Os Banshees de Inisherin

Elvis

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Os Fabelmans

Tár

Top Gun: Maverick

Triângulo de Tristeza

Women Talking


  • Melhor Ator

Austin Butler (Elvis)

Colin Farrell (Os Banshees de Inisherin)

Brendan Fraser (A Baleia)

Paul Mescal (Aftersun)

Bill Nighy (Living)


  • Melhor Atriz

Cate Blanchett (Tár)

Ana de Armas (Blonde)

Andrea Riseborough (To Leslie)

Michelle Williams (Os Fabelmans)

Michelle Yeoh (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)


  • Melhor Atriz Coadjuvante

Angela Bassett (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre)

Hong Chau (A Baleia)

Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin)

Jamie Lee Curtis (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)

Stephanie Hsu (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)


  • Melhor Ator Coadjuvante

Brendan Gleeson (Os Banshees de Inisherin)

Brian Tyree Henry (Causeway)

Judd Hirsch (Os Fabelmans)

Barry Keoghan (Os Banshees de Inisherin)

Ke Huy Quan (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)


  • Melhor Direção

Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin)

Daniel Kwan e Daniel Scheinert (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)

Steven Spielberg (Os Fabelmans)

Todd Reid (Tár)

Ruben Ostlund (Triângulo de Tristeza)


  • Melhor Animação

Pinóquio por Guillermo del Toro

Marcel the Shell with Shoes On

Gato de Botas 2

A Fera do Mar

Red: Crescer é uma Fera


  • Melhor Curta  de Animação

The Boy, The Mole, The Fox and the Horse

The Flying Sailor

Ice Merchants

My Year of Dicks

An Ostrich Told Me The World is Fake and I Think I Believed It


  • Melhor Roteiro Original

Os Banshees de Inisherin

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Os Fabelmans

Tár

Triângulo de Tristeza


  • Melhor Roteiro Adaptado

Nada de Novo no Front

Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Living

Top Gun: Maverick

Women Talking


  • Melhor Curta em Live-Action

An Irish Goodbye

Ivalu

Le Pupille

Night Ride

The Red Suitcase


  • Melhor Design de Produção

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Babilônia

Elvis

Os Fabelmans


  • Melhor Figurino

Babilônia

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Elvis

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Sra. Harris vai a Paris


  • Melhor Documentário

All That Breathes

All the Beauty and the Bloodshed

Fire of Love

A House Made of Splinters

Navalny


  • Melhor Documentário em Curta-Metragem

The Elephant Whisperers

Haulout

How Do You Measure a Year?

The Martha Mitchell Effect

Stranger at the Gate


  • Melhor Som

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Batman

Elvis

Top Gun: Maverick


  • Melhor Direção de Fotografia

Nada de Novo no Front

Bardo

Elvis

Empire of Light

Tár


  • Melhor Edição

Os Banshees de Inisherin

Elvis

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Tár

Top Gun: Maverick


  • Melhores Efeitos Visuais

Nada de Novo no Front

Avatar: O Caminho da Água

Batman

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Top Gun: Maverick


  • Melhor Maquiagem e Cabelo

Nada de Novo no Front

Batman

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Elvis

A Baleia


  • Melhor Filme Internacional

Nada de Novo no Front (Alemanha)

Argentina, 1985 (Argentina)

Close (Bélgica)

EO (Polônia)

The Quiet Girl (Irlanda)


  • Melhor Trilha Sonora Original

Nada de Novo no Front

Babilônia

Os Banshees de Inisherin

Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Os Fabelmans


  • Melhor Canção Original

Diane Warren – “Applause” (Tell It Like a Woman)

Lady Gaga – “Hold My Hand” (Top Gun: Maverick)

Rihanna – “Lift Me Up” (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre)

M.M. Keeravaani e Chadrabose – “Naatu Naatu” (RRR)

Ryan Lott, David Byrne, Mitski – “This Is a Life” (Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo)


Que comece a maratona!



C.R.

sábado, 31 de dezembro de 2022

"O Trem do Terror", de Roger Spottiswoode (1980)



Uma festa de Ano Novo num trem!

Que boa ideia!

Nem tanto...

Não quando dentro desse trem há um maníaco assassino que vai eliminando convidados.

Por quê?

Bem, não se abe ao certo mas tudo indica que os crimes estejam sendo cometidos por vingança.

Três anos antes um estudante do curso de medicina, o virgem da turma, Kenny Hampston, fora submetido a um trote de muito mau gosto, quando, na expectativa de finalmente transar com uma garota, fora colocado pelos veteranos, na cama com um cadáver. Agora, enquanto Kenny encontra-se num hospital psiquiátrico, traumatizado pela experiência, os outros comemoram o fim do curso e a formatura e para isso, organizam uma festa à fantasia num trem, na virada do ano. Só que alguém aproveita-se do anonimato garantido pelos disfarces e vai eliminando passageiros usando a máscara das vítimas à medida que as mata. Grouxo Marx, Lagarto, Pássaro, Bruxa... Nosso serial-killer, ao contrário de um Jason, Michael Myers, de um Ghostface, não tem uma máscara só, assumindo a "identidade" do último que matou e, desta forma, circulando livremente entre os convidados, como mais um formando, sem levantar suspeitas. Seria o perturbado Kenny Hampston? Mas ele não estava no hospital psiquiátrico? (pelo que se sabe, ele teria matado uma pessoa no manicômio...) E qual seria aparência dele agora? Seria ele o mágico que dava espetáculo no vagão do fundo e que ninguém lembrava de ter contratado? Ou outro formando qualquer? Quase impossível saber entre tantas máscaras e fantasias.

Embora, na maioria das vezes, as mortes não sejam mostradas explicitamente, algumas são bastante chocantes, o terror é intenso e o clima de ameaça é constante e imprevisível. Além disso, a limitação de um veículo em movimento, seus corredores estreitos e o inevitável final dos vagões, garantem um clima claustrofóbico e angustiante.

Já consagrada no gênero, por conta de sua estreia de dois anos antes, "Halloween",  a então jovem Jamie Lee Curtis é a estrela da produção que também conta, curiosamente, com o ilusionista David Copperfield, como não poderia deixar de ser, no papel do mágico, que tem até um certo protagonismo na trama, chegando a ser apontado como um dos possíveis suspeitos pelos crimes na locomotiva.

Dirigido por Roger Spottiswoode, que viria a fazer o bom "O Amanhã Nunca Morre", de James Bond, anos depois, "Trem do Terror" é um clássico dos primórdios do slasher com um serial-killer interessante que ao contrário do que acostumamos a ver, não tem um rosto só. Não é uma máscara branca sem expressão, não é uma máscara de hóquei, nem de bebê, nem feita de pele humana. Pode ser qualquer coisa, qualquer um... E isso o torna mais perigoso e ameaçador. Garantia que ninguém dentro daquele trem tenha uma passagem de ano tranquila.

Grouxo, Lagarto, Velha? O assassino pode ser qualquer um e estar em qualquer lugar
naquele trem do terror.


Assista:

 "O Trem do Terror" (1980) completo legendado



Cly Reis

domingo, 10 de maio de 2020

Mãe é Mãe - Algumas das Mães Mais Marcantes do Cinema


Todo mundo tem mãe e, como não podia deixar de ser, no cinema, todo personagem tem mãe. Muitas vezes elas não são mencionadas, não aparecem, são secundárias, não tem sequer relação com a história, mas sabemos que elas existem. Contudo, em outros casos, elas são tão essenciais ou têm participação tão destacada na trama que é impossível não lembrar delas. o ClyBlog destaca algumas dessas mães aqui. Sei que cometeremos injustiças, vai faltar uma que outra, alguém vai dizer que essa ou aquela não podia faltar, mas procuramos fazer uma lista interessante e heterogênea em características, estilos, época, nacionalidade, ambiente, gênero cinematográfico, etc.
Então, vamos à lista:
* (Cuidado! Pode conter spoilers)


************


Ela, inatingível, pairando sobre tudo.
1. "O Espelho", de Andrey Tarkovski (1975) - Para mim, desde que vi pela primeira vez, "O Espelho", filme semiautobiográfico do diretor russo Andrei Tarkovski, representa uma obra sobre mães. No filme Maria (Margarita Terekova), uma mãe abandonada pelo marido, voluntário para o exército, vive com seus dois filhos em uma propriedade campestre e ali acompanhamos parte do cotidiano desse núcleo familiar corajosamente conduzido por uma mulher. Filme cheio de simbologias e metáforas, embora traga elementos como infância, saudade, nostalgia e seja passível de diversas interpretações, para mim, é a maternidade o elemento que mais chama atenção e emociona. O olhar e as imagens sempre poéticas de Tarkovski mostram aquela mulher como uma espécie de entidade superior, uma criatura inabalável, altiva, incólume, impenetrável, mesmo com o mundo desabando à sua volta. A cena de sonho em que ela flutua, elevada da cama, confere a ela ares de divindade, de magia, de alguém com um poder inexplicável que talvez até ela mesmo desconheça. E, na maioria das vezes, não é bem assim que são nossas mães?



2. "Psicose", de Alfred Hitchcock (1960) - Esse é o caso de uma mãe que é fundamental para a trama mas, na verdade, não está presente fisicamente o tempo inteiro durante o filme. 
Hitchcock, genial como era, até nos deixa com a pulga atrás da orelha num primeiro momento, sugerindo alguma farsa ou assombração, uma vez que nos tornando conhecedores do fato que a mãe do dono do motel, Norman Bates, está morta, faz aparecer um vulto feminino na janela da casa, nos deixa ouvir uma bronca de voz feminina envelhecida no filho Norman e, por fim mostra-nos uma senhora de cabelos brancos e coque esfaqueando a cliente loura no chuveiro, numa das cenas mais clássicas do cinema. "Como assim?", pergunta-se o espectador de primeira viagem. Acho que não  vou dar *spoiler porque a essas alturas, mesmo quem não  viu, está  cansado de saber que é o próprio Norman que, perturbado e esquizofrênico assume o papel da mãe, vestindo-se como ela e punindo quem quer que seja que venha a despertar algum tipo de desejo no reprimido Norman.
É  incrível mas uma das mães  mais célebres  do cinema, não está verdadeiramente no filme. Loucura!

"Psicose" e sua famosa cena do chuveiro.








3. "O Bebê de Rosemary", de 
Roman Polanski (1968) - Rosemary (Mia Farrow) é uma futura mãe que pressente uma ameaça ao filho que ainda está  em sua barriga, vinda de seus vizinhos, um casal de velhotes estranhos e enxeridos e, por incrível que pareça, de seu próprio marido. Tudo começa quando se mudam para o novo apartamento, conhecem os vizinhos e não muito tempo depois, o esposo, um ator pouco valorizado, ganha um papel importante em um filme em virtude da morte do ator que interpretaria o papel. O marido passa agir estranhamente, os velhos passam a estar constante e inconscientemente presentes em sua casa e sua vida e até mesmo administram à grávida uma estranha dieta à base de algumas ervas de origem e efeitos duvidosos. Aos poucos Rosemary, fragilizada física  e emocionalmente, começa a desconfiar estar sendo vítima de alguma espécie de seita para a qual o bebê que leva dentro de si, provavelmente, virá a ser elemento chave.
Paranoia, imaginação, ansiedade, fantasia, reflexo de sua fraqueza física, estresse da gravidez? Exagero ou não, essa mãe vai brigar até o último instante para proteger seu filho de algo que, na verdade, nem ela sabe bem ao certo do que se trata mas que, pelo que vai se apresentando a ela, parece algo muito, muito maligno.




4. "Sexta-Feira Muito Louca", de Mark Walters (2003) - Quantas vezes já não ouvimos que só estando no lugar da outra pessoa para saber como ela se sente, não? Pois é, "Sexta-Feira Muito Louca" promove essa possibilidade justamente em uma relação de uma mãe e uma filha. Relação difícil, intolerância, falta de compreensão mútua... Só mesmo uma troca de corpos para fazer com que cada uma perceba as dificuldades da vida da outra. E nessa confusão quem sai ganhando é o espectador com situações muito divertidas, com Jamie Lee Curtis fazendo uma adolescente no corpo de uma "coroa", e da maluquete Lindsay Lohan curtindo uma de senhora responsável presa num corpo de garota de colégio. Mamãe vai entender, ou talvez lembrar, que existe pressão por notas, coleguinhas implicantes e insuportáveis, professores chatos, paqueras, necessidade de privacidade, tempo para lazer, etc. e talvez, a partir de tudo isso, se remodelar; e a filhota vai perceber que ser mãe, ter obrigações, preocupações, casa, trabalho, e, principalmente filhos aborrecentes, não é tarefa para qualquer uma.



 
Mães e filhas e suas histórias.
5. 
“Clube da Felicidade e da Sorte”, de Wayne Wang (1993) – Filme emocionante sobre mulheres que foram filhas, se tornaram mães e viram as filhas se tornarem mães.
Quatro chinesas com histórias diferentes em seu país de origem, vão parar nos Estados Unidos e lá constroem famílias, se conhecem e tornam-se grandes amigas. Muitos anos depois, após a morte de uma delas, Suyuan, é revelado à sua filha June, que as filhas gêmeas que a mãe tivera na China e que abandonara bebês durante a guerra em circunstâncias pouco esclarecidas, às quais todos acreditavam não terem sobrevivido, estavam, sim, vivas e dispostas a conhecê-la. Então, a festa de despedida de June, que embarcará para a China para conhecer as irmãs, serve de pano de fundo para conhecermos as histórias de vida de cada uma delas, de suas dificuldades na China, das particularidades das relações com suas próprias filhas quando crianças, e dos problemas da vida adulta destas como mulheres.
Traumas, reminiscências, roupa-suja, desabafos, remorsos, sacrifícios, esqueletos dentro do armário são trazidos à tona em momentos chave do filme de modo a preencher lacunas em aberto e colocar as coisas nos seus devidos lugares e apenas reafirmar aquilo que todos sabemos: que ela pode ter todos os defeito que tiver, mas que não existe ninguém como a mãe da gente.



6. "Dançando no Escuro", de Lars Von Trier (2000) - Tudo o que Selma queria era guardar um dinheirinho para fazer a cirurgia de olhos de seu filho para que ele não acabasse como ela, quase sem enxergar nada, uma vez que herdara dela a doença progressiva de perda de visão. Mas um vizinho, um policial proprietário do terreno onde ela vive num trailer com o filho, descobre sobre o dinheiro e rouba as economias da pobre coitada que, além de tudo, acabara de ser demitida da fábrica onde trabalhava. Tentando recuperar seu dinheiro, Selma acaba matando o vizinho e é presa por isso. Uma história dura, dramática, pesada, é verdade. Mas a vida de Selma, de certa forma, é embalada e seus momentos difíceis amenizada pela música. Amante dos musicais cinematográficos, Selma foge mentalmente de sua realidade imaginando estar em cenas de filmes musicais onde tudo à sua volta suscita sons e canções, desde as máquinas da metalúrgica onde trabalha ou mesmo passos, enquanto é levada pelos guardas na cadeia.
Filme do sempre controverso , com atuação brilhante da cantora Björk, no papel da protagonista, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.
Eis uma mãe que deu cada centavo de seu trabalho e fez tudo que estava a seu alcance pelo bem do filho. Até as últimas consequências.

"Dançando no Escuro", 107 passos




A maluca mãe de Carrie, disposta tudo para
que a filha continue pura.
7. "Carrie, A Estranha", de Brian De Palma (1976) - Não tem como falar em mães no cinema e não lembrar da maluca, crente e super-protetora mãe de Carrie White. Fanática religiosa, Margareth mantém a filha afastada e alienada em relação ao mundo que a rodeia, expondo a jovem a constrangimentos diários como, por exemplo, o do início do filme em que se desespera por ter menstruado e é ridicularizada pelas outras meninas no vestiário da escola. Ah, mas não é uma boa ideia zoar com uma garota como Carrie com poderes psicocinéticos que se manifestam especialmente quando ela se altera emocionalmente, e essa galera que adora tocar um terror nos outros, vai entender isso da forma mais dolorosa possível.
Uma das garotas do bullying no vestiário, verdadeiramente arrependida e na boa intenção de se redimir com Carrie, convence o namorado, os gostosão da escola, a convidá-la para o baile, de modo que a esquisitinha se enturme, socialize. A mãe, brilhantemente vivida por Piper Laurie, tenta evitar de todas as maneiras que a filha vá, utilizando-se de seus argumentos religiosos, chantagens psicológicas e sua por fim de sua autoridade de mãe, mas Carrie, decidida a viver pelo menos um dia de sua vida, começa a mostrar seus poderes em casa, contra a própria mãe e termina de fazê-lo na festa, onde vítima de um trote de muito mau gosto, do restante da turminha da pesada, proporciona um banho de sangue em uma das cenas mais marcantes da história do cinema.

A velha podia ser louca, mas não dá pra dizer que ela não avisou.



Sarah Connor não vai permitir que robô nenhum 
se meta com seu filho.
8. "O Exterminador do Futuro II – O Julgamento Final", de James Cameron (1991) - Tá certo que no início, lá no primeiro filme, por mais que tivesse sido informada por um carinha do futuro que seria a mãe de um líder da resistência humana numa guerra contra as máquinas, Sarah Connor estava mais interessada era em salvar a própria pele do que de um bebê que, a bem da verdade, ela nem tinha certeza se viria a existir mesmo. Mas a partir do momento que se convenceu, da pior forma possível, depois de ter sido perseguida por um ciborgue sanguinário e impiedoso, de que o papo de apocalipse das máquinas era quente, foi determinada em ter a criança e, no pouco tempo em que teve com ele antes de ser internada num hospital psiquiátrico, em treiná-lo e prepará-lo para cumprir seu destino no front dos humanos contra as máquinas.
Durante todo o tempo em que esteve mantida no manicômio penitenciário por ter destruído uma fábrica de eletrônicos e alegar que o fizera porque um robô exterminador teria vindo do futuro para matá-la e a seu filho, Sarah (Linda Hamilton) sempre ficou pensando numa maneira de sair dali para proteger o filho. A desconfiança que o garoto tem, posteriormente no filme, quando a resgata do hospício, de que a mãe está mais preocupada com a humanidade do que com ele, não demora para se desfazer diante de toda o amor com que ela o protege.
Ela é fria é pragmática, objetiva, dura, durona, mas não poderia ser de outra maneira quando se sabe que seu filho, além de já ser naturalmente importante somente por ser seu filho, pode ser a salvação da humanidade.




9. "Leonera", de Pablo Trapero (2008) - Circunstância estranhas... Um homem morto, outro ferido, uma mulher inconsciente. Um dos dois seria o assassino? Teria sido uma quarta pessoa? Por que não ela não lembra de nada? Teria sido drogada? Ou não quer lembrar? O fato é que nesse mistério todo, a garota é quem vai parar na cadeia, só que grávida como se encontra, é enviada a uma instituição onde é permitido que as internas tenham lá seus bebês e depois permaneçam com as crianças no presídio, até os 4 anos de idade. Revoltada com a gravidez, relutante e resistente em ter o filho, num primeiro instante, Julia Zarate (Martina Gusmán), aos poucos vai sendo conquistada pelo seu pequeno rebento e seu instinto e amor de mãe acabam prevalecendo, fazendo dela uma mãe atenciosa e carinhosa, mesmo dentro daquele ambiente prisional.
O lugar, mesmo com as características tradicionais de uma instituição carcerária, em muitos momentos acaba parecendo uma creche e a presença das crianças acaba iluminando um pouco o lugar e garantindo-lhe, de certa forma, sempre um rasgo de alegria e esperança.
Só que em meio às situações corriqueiras de um presídio, envolvimentos íntimos, desavenças com outras internas, visitas do advogado, audiências de apelação, Julia vê-se às voltas com as investidas de sua mãe para levar o neto dali daquele ambiente que considera pouco apropriado para a criação  de uma criança. Sob pretexto de tratar um resfriado do menino, a avó consegue convencer a mãe a tirá-lo de lá, em princípio, apenas para uma consulta médica, com a promessa de levá-lo de volta. Só que isso não acontece e aí Julia vai fazer de tudo para ter seu filho de volta.
Filme de uma mãe que até hesita um pouco no ofício divino que lhe é concedido mas que a partir do momento que se sente mãe, não vai deixar que ninguém tire isso dela. Uma leoa que protege sua cria a qualquer custo.




10. Kill Bill – vol.2”, de Quentin Tarantino (2004) – No final do volume 1 é revelado, apenas para o espectador, que a criança que a noiva baleada na cabeça num massacre numa igrejinha de interior, sobrevivera à chacina. Recuperada de um coma de quatro anos, a mãe, uma assassina treinada que não perdera seus instintos mortais, depois de se vingar de parte do grupo que tentara matá-la, vai agora em busca do líder e ex-amante, Bill. O tempo inteiro, a grande motivação da vingança de Beatrix Kiddo (Uma Thurman), também conhecida como a Mamba Negra, é o fato de terem-lhe tirado seu bebê, tanto que a primeira coisa que faz quanto desperta do coma, sem noção de quanto tempo estivera ali, é levar a mão à barriga e perceber que não tem mais ali a criança. Aquela é a vingança de uma mãe. Cada um que sucumbe a ela paga pelo fato de terem lhe tirado a oportunidade de poder ter um filho, estar perto da criança, curtir cada momento. Ah, todos terão que pagar por isso! O que ela não contava é que, às portas de seu confronto final, ao encontrar Bill, encontraria também uma graciosa menina, doce, dengosinha e com carinha de anjo. Ah, amigos, ela desaba! A determinação com que ela adentra a vila onde habita o algoz, de arma em punho, pronta para aniquilar o homem que lhe causara tanto sofrimento e privação, é completamente desestruturada assim que vê a menina.
Ele, cavelheiresco como é, apesar de seu ofício, permite a elas algumas horas juntas antes do inevitável duelo final entre os dois, que serão os momentos mais gostosos e bem aproveitados por aquela mãe. Horas que valerão por anos, até porque, ela não sabe o que acontecerá assim que sair daquele quarto e colocar sua espada Hatori Hanzo em ação contra a de seu oponente, o tão perseguido, Bill.



11. “Volver”, de Pedro Almodóvar (2003)Almodóvar gosta de destacar mulheres em seus filmes e não raro, trata especificamente de mães, como acontece, por exemplo em "Julieta" (2016), "A Flor do Meu Segredo" (1995) e, é claro, "Tudo Sobre Minha Mãe" (1999). Mas não vamos cair na obviedade de destacar o filme que explicitamente dedica, já no título, sua temática às mães e sim um outro do qual gosto muito e que traz as questões das relações entre mães e filhas de uma maneira mais leve, mesmo contendo elementos dramáticos, polêmicos e sombrios. "Volver" é uma espécie de comédia surrealista onde uma mãe, Irene, brilhantemente interpretada por Carmen Maura, "retorna dos mortos" para alguns acertos, alguns ajustes, uma reconciliação com suas filhas, especialmente com Raimunda, vivida por Penélope Cruz, com quem nunca tivera, em vida, uma relação muito boa. Raimunda, diante da novidade da misteriosa volta da mãe, ainda vê-se às voltas com o assassinato cometido por sua filha adolescente  Paula,que matara o padrasto que tentara abusar sexualmente dela. A não ser pelos relatos de Raimunda, não sabemos como era a mãe quando viva, mas o que sabemos é que a Irene "fantasma" é um personagem adorável que dá um brilho todo especial ao filme de Almodóvar. Um filme delicioso com uma mãe que vai nos mostrando, e às filhas, que tudo o que sempre fez, foi protegê-las, assim como a filha Raimunda faz agora em relação à sua pequena Paula. Aquele instinto que passa de mãe para filha.



12. "Indochina", de Régis Wargnier (1992) - Eliane (Catherine Deneuve), dona de uma vasta extensão de seringais na Indochina francesa e mãe adotiva de uma garota indochinesa, se apaixona e tem um romance com um oficial francês da Marinha, Jean-Baptiste, mas o rapaz também cai nas graças da filha Camille em um incidente na rua onde o militar salva sua vida. Em parte por ciúmes, em parte para protegê-la do cenário efervescente pela libertação da colônia, Eliane, rica e influente consegue fazer com  que transfiram o oficial para os quintos-dos-infernos, numa ilha, literalmente, lá na cochinchina, de modo que fique longe da filha, imaginando assim que a jovem desista dele e, por fim, o esqueça. Só que aquela mãe não contava que o amor da menina pelo oficial fosse muito maior do que ela imaginava. A menina atravessa o país atrás do seu amor e, agora sem a proteção de sua posição social, como uma indochinesa comum e misturada a seu povo,  conhece a relidade local, se afeiçoa à sua gente ele e se solidariza com sua luta pela independência.
A busca e Camille por Jean-Baptiste é comovente e tem momentos verdadeiramente lindos, mas em paralelo a isso, a mãe, verdadeiramente amorosa apesar do ato egoísta, desesperada, não mede esforços para encontrar a menina e move mundos e fundos para tê-la de volta. Mas aí já é tarde, a pequena e frágil Camille já virou uma revolucionária procurada e praticamente uma lenda em seu país.
O fato de ter afastado a filha da pessoa que ela amava pode parecer desqualificar Eliane no quadro das grandes mães. É verdade, ela foi um tanto egoísta, autoritária, até insensível. Mas não se engane, leitor. É o tipo do caso da mãe que acha que está fazendo o melhor para o filho, mesmo que isso tenha que custar algum sacrifício o qual, neste caso específico, era para ambas. A gente até fica com uma raivinha dela durante o filme mas na cena do reencontro das duas é de morrer de pena daquela mãe.
mostrando que mãe adotiva é tão mãe quanto qualquer outra.


"Indochina" - trailer



Uma das mortes clássicas de "Sexta-Feira 13".
Jason aprendeu direitinho com a mamãe.
13. “Sexta-Feira 13”, de Sean S. Cunnigham (1980) – Quando pensamos em “Sexta-Feira 13”, a primeira lembrança que nos vem à mente é o assassino psicopata da máscara de hóquei, Jason Voorhees, mas pouca gente lembra que quem mata no primeiro filme da franquia (alerta de spoiler) é a mãe de Jason. Sim! Pamela Voorhees traumatizada e perturbada pela morte do filho, afogado por negligência dos monitores do acampamento de Crystal Lake, responsabiliza, de um modo geral, a todos os jovens cheios de vida e resolve que deve se vingar de todos aqueles que venham a acampar no lugar onde o filho morreu. E a mamãe capricha! É um banho de sangue com algumas cenas das mais clássicas do terror slasher como, por exemplo, a que Kevin Bacon, estreando, novinho ainda, tem a garganta atravessada por uma faca, deitado na cama. Caso em que o filho aprendeu direitinho os ensinamentos da mãe pois, dali em diante, nas  sequências da franquia, é Jason quem assume o facão e mostra-se extremamente competente em sua tarefa.
Quem assistiu a “Sexta-Feira 13 – parte 1”, jamais vai esquecer a frase, dita com aquela vozinha fininha, imitando a de uma criança, sempre antecedendo mais uma atrocidade: “Mata ele, mamãe!”.



14. "A Troca", de Clint Eastwood (2009) - Agora, imagina se seu filho desaparece, você denuncia o fato às autoridades e depois de algum tempo eles vem pra você com uma outra criança e querem que você engula e aceite aquilo. Cara, é exatamente o que acontece em "A Troca", filme dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Angelina Jolie, e o pior é que a coisa toda é baseada num fato real ocorrido em Los Angeles na década de 20. 
Aquela mãe insiste, Christine Collins, reafirma que não é o mesmo menino que sumira, tenta provar de todas as maneiras, com os professores, com exames médicos, com fotos, mas a polícia não só tenta lhe impor que é o garoto que ela procura como a acusa de insanidade mental por não reconhecer o próprio filho.
Uma história angustiante em que ficamos cada vez mais envolvidos e torcendo por aquela mãe. Mas infelizmente, amigos, tenho que revelar que a situação só piora.
Caso de uma mulher que não desiste do filho, não desiste da verdade, mas que, mãe solteira, vê-se impotente e cada vez mais sufocada pelas autoridades, pelo machismo e pela conjuntura social de sua época.



15. "Mãe!", de Darren Aronofsky (2017) - Essa é a mãe de todos nós. Salvo outras possíveis interpretações, a Mãe, interpretada por Jennifer Lawrence no filme de Darren Aronofsky, representa mãe natureza, a vida. E tudo o que aquela mãe mais quer é viver em paz e preservar sua casa, que é, na verdade, a nossa casa. A casa em questão, uma propriedade retirada em reformas, é onde ela vive com Ele, um escritor em crise criativa, vivido por Javier Barden, que, vaidoso e inconsequente, permite visitas inconvenientes que cada vez mais vão tumultuando a vida e o lar dos dois. Primeiro são um homem e uma mulher, convidados por Ele (Adão e Eva); depois uma multidão mal-educada que chega para o funeral de um dos filhos do homem e da mulher, morto pelo irmão (Caim e Abel), e com seu mau comportamento, mesmo diante de todas as advertências, acabam causando um enorme vazamento (Dilúvio) e a ira da dona da casa; e por fim, quando ela já está grávida, os convidados que chegam para celebrar a nova obra do escritor que finalmente rompera seu bloqueio criativo e que assim que ela tem o bebê, em meio à sua noite de consagração, exibido, faz questão de levar e entregar seu filho, recém nascido à turba de insensatos que..., (* alerta de spoiler)  literalmente, o devoram (Jesus Cristo).
Um filme complexo, para o qual cabem diversas outras interpretações ou variações, mas que não deixa dúvida quanto a uma coisa: o zelo que uma mãe tem pelo seu lar e pelos seus.
À parte as reflexões religiosas, com "Mãe!" você vai entender melhor o desespero da sua mãe quando chegava em casa e via aquele lugar de cabeça pra baixo. 



Alguns outros filmes com mães marcantes que merecem destaque e poderiam perfeitamente estar na nossa lista: "O Óleo de Lorenzo", de George Miller (1992); "Mamãe Faz Cem Anos", de Carlos Saura (1979); "Mommy", de Xavier Dolan (2014); "Minha Mãe é Uma Peça", de André Pellenz (2013); "Tudo Sobre Minha Mãe", de Pedro Almodóvar (1999); "Mom", de Ravi Udyawar (2017); "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert (2015); "O Quarto de Jack", de Lenny Abrahamson (2016);  "Precisamos Falar Sobre Kevin", de Lynne Ramsay (2012), "Juno", de Jason Reitman (2008); "Zuzu Angel", de Sérgio Rezende (2006)





por Cly Reis