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sábado, 27 de janeiro de 2018

"Me Chame Pelo Seu Nome", de Luca Guadagnino (2017)



Vamos falar de amor. Das dores do amor, das tristezas, das perdas, mas vamos falar de amor, porque no final ele é sempre lindo. Tem a parte da dor muitas vezes, mas os momentos doces não devem ser esquecidos e o mais importante: não devem deixar de serem vividos.
Elio ((Timothée Chalamet), o sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa, Perlman, Elio , está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega à casa.
Apesar de toda delicadeza e beleza que o filme tem ao abordar o amor ele carrega aquele elemento de quase todo filme com uma pegada LGBT feito para o grande público traz que é a tristeza. Desculpem o spoiler mas é necessário falar sobre isso. Parece que nesses filmes é proibido o casal ficar junto! Acaba transmitindo uma ideia de que relacionamentos assim não conseguem superar dificuldades e preconceitos. Embora o objetivo no longa seja mostrar a euforia e dor do primeiro amor, me refiro a filmes nessa linha de um modo geral.
O longa se passa na Itália o que torna o cenário espetacular possibilitando planos tão lindos que o espectador chega mesmo a sentir o cheiro, as cores, o calor do verão italiano. Há uma cena que os personagens principais estão entrando num rio  cuja nascente fica nos Alpes e que quase chega-se mesmo a sentir a água gelada. Arrisco-me a dizer que é possível sentir até o gosto das frutas (embora haja uma cena que torna estranha a minha afirmação).
Não devemos deixar passar os sinais.
A trilha sonora é uma delícia. Suave, tranquila, extremamente agradável e entra em momentos certos, realmente fazendo parte do filme por completo. O primeiro e o segundo atos são lentos e previsíveis, no entanto, o terceiro e último, avassalador, compensa totalmente. O longa então só tem ganhos tanto na questão do romance, na questão dos diálogos. NOSSA!!! Na lindíssima cena em que o pai de Elio vai conversar com o filho sobre sentimentos, sua fala é de uma poesia, de uma profundidade, que certamente guardarei esse dialogo para minha vida. Confesso que nesse momento o filme me conquistou de vez e me levou às lágrimas.
 O elenco todo esta muito bem com uma sintonia maravilhosa entre todos os personagens. Os pais de Elio tem participações bem pontuais mas não menos grandiosas. Uma delas mencionei que anteriormente é a fala de Mr. Perlman (Michael Stuhlbarg), mas vou falar também do casal principal que carrega o longa. Oliver e Elio, são um belo casal, seu romance é bem construído e as cenas são lindas. Armie Hammer como Oliver está ótimo, tem charme, presença, é um bom personagem e você sente uma atração natural por ele. Já Timothée Chalamet como Elio está MAGNÍFICO. Ele É Elio, o personagem é real. E ele tem um poder, uma presença, é destemido, sabe o que quer  é e tão dono de si. Até encontrar o amor... Uma atuação madura que nos entrega um personagem apaixonante que tem momentos brilhantes como a cena final que confirma que só sua presença, seu olhar já nos prende ao filme (e suas dancinhas são boas também).
Por mais arrastado que o longa possa ser seu final é recompensador. Ele nos passa uma mensagem linda e é mais um filme que vem para nos deixar algo. Quando ele termina inevitavelmente o espectador, por mínimo que seja, vai ficar refletindo um pouco sobre sua vida.
Tirando os clichês e os momentos previsíveis, "Me Chame Pelo Seu Nome" é muito bonito, sutil e profundo, como é o amor afinal. Por mais que algumas vezes os relacionamentos terminem, e isso seja doloroso, não devemos nos fechar para esses sentimentos nem deixar de vivê-los e fingir que nada aconteceu. Devemos, sim, nos jogarmos em direção ao amor, nos entregarmos por inteiro, assim como Oliver e Elio, que até seus nomes entregaram um ao outro.
O amor...


por Vágner Rodrigues

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Oscar 2026 - Os Indicados


Nosso "O Agente Secreto" é o Brasil no Oscar. De novo!
Desde a manhã desta quinta-feira, 22 de fevereiro, nós brasileiros podemos afirmar: “ainda estamos aqui!” O “aqui” a que me refiro, claro, é o Oscar, que o filme brasileiro “O Agente Secreto”, multivencedor em diversos festivais pelo mundo, inclusive o Globo de Ouro em duas categorias a pouco mais de uma semana, tornou-se um dos indicados a quatro estatuetas. O parafraseado que remete ao filme “Ainda Estou Aqui”, indicado a três Oscar e vencedor em Filme Internacional no ano passado, não é mera brincadeira semântica, visto que tem, sim, relação com o feito de “O Agente...”, que dá seguimento a esta visibilidade ao cinema nacional e também empata em indicações com outro filme brasileiro, “Cidade de Deus”, de 2002. Ou seja: já está fazendo história.

É importante que se diga que estas quatro indicações ao Oscar para o filme de Kleber Mendonça Filho são ainda mais significativas. A grande diferença desta vez é que, ao invés de apenas ser uma grande conquista as indicações em si, “O Agente...” tem grandes chances de ganhar em pelo menos uma dessas categorias, que acredito ser a de Filme Internacional, ao contrário de “Cidade...”, que não ganhou nenhum na época. Isso mostra que estamos num momento muito mais maduro do cinema brasileiro em relação à sua visibilidade internacional, ao contrário de quando concorremos com “Cidade...” em que a imagem que tínhamos era muito mais de “azarão” ou de “distantes”, mesmo com toda a influência que o filme de Fernando Meirelles e Katia Lund exerceu no cinema mundial à época. Isso, somado ao sucesso de “Ainda...” desde o ano passado e de vários outros filmes brasileiros que também têm sido apreciados lá fora e aqui dentro, deixa claro que estamos, sim, num momento histórico para o cinema brasileiro.

“O Agente...” entra no páreo também na categoria de Ator, para Wagner Moura, embora a tendência é premiarem, depois de tantas indicações, Timothée Chalamet por “Marty Supreme”. Não diria que é injusto, mas filme por filme, fico com “O Agente...”, o que engrandece, a meu ver, a atuação de Wagner. Veremos, mas seria a glória que o baiano ganhasse, hein? Noutra em que o filme concorre é a de Direção de Elenco, a nova categoria do Oscar incluída este ano. Novamente, o brasileiro mereceria, até pela perícia de realizar um filme repleto de personagens e tendo vários atores locais (o chamado “desconhecidos” para os gringos). Porém, “Pecadores” e “Uma Batalha após a Outra” saem na frente, principalmente o longa de Paul Thomas Anderson, repleto de atores top e com a sua conhecida habilidade de direção de atores.

Enfim, a categoria menos provável a que “O Agente...” se sagre campeão, que é a de Filme. Nesta, novamente “Uma Batalha...” desponta, acompanhado de perto de “Hamnet”. Entretanto, assim como para com “Ainda...” em 2025, contar com um brasileiro (e falado em português!) entre os 10 selecionados – mérito que cresce ainda mais considerando que, junto com o norueguês “Valor Sentimental”, é o único estrangeiro da lista.

De resto, o bom “Pecadores” sai supervalorizado, talvez até em demasia, com 16 indicações, recorde em quase 100 anos de Oscar, batendo “Tudo sobre Eva” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2016). Embora goste do diretor Ryan Coogler, torço mesmo para que ganhe Música Original e ator coadjuvante para Delroy Lindo. No mais, Chloé Zhao rivaliza com P.T. Anderson em Direção, legal ver Amy Madigan indicada a Atriz Coadjuvante pelo terror “A Hora do Mal” e “Valor Sentimental”, badalado até o Globo de Ouro, onde ficou apenas com o de Ator em Drama e perdeu "musculatura", embora indicado a 9 Oscar (recorde para um filme da Noruega), talvez saia com um ou dois (Atriz Coadjuvante, Roteiro Original...). Tomara que naquela que é sua maior chance, Filme Internacional, “confirme a derrota” para “O Agente...”.

Mas o Brasil está em evidência não só em quatro categorias, mas em cinco! Isso porque o brasileiro Adolpho Veloso concorre em Fotografia pela produção norte-americana “Sonhos de Trem”. Entretanto, “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, que concorreu sete anos atrás a Documentário por “Democracia em Vertigem”, desta vez não entrou na lista. Aqui, a aposta é no impactante “A Vizinha Perfeita”.

Confiram, então, a lista completa dos indicados ao Oscar 2026, agora em plena torcida para “O Agente...” e Veloso, que o Brasil diz que ainda estamos aqui, na vitrine do cinema mundial, e daqui não queremos mais sair. 

🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥

Melhor Filme

"Bugonia"

"F-1"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"

"Sonhos de Trem"


Melhor Direção

Chloé Zhao, por "Hamnet"

Josh Safdie, por "Marty Supreme"

Paul Thomas Anderson, por "Uma Batalha Após A Outra"

Joachim Trier, por "Valor Sentimental"

Ryan Coogler, por "Pecadores"


Melhor Ator

Timothée Chalamet, por "Marty Supreme"

Leonardo DiCaprio, por "Uma Batalha Após A Outra"

Ethan Hawke, por "Blue Moon"

Michael B. Jordan, por "Pecadores"

Wagner Moura, por "O Agente Secreto"


Melhor Atriz

Jessie Buckley, por "Hamnet"

Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"

Kate Hudson, por "Song Sung Blue"

Renat Reinsve, por "Valor Sentimental"

Emma Stone, por "Bugonia"


Melhor Ator Coadjuvante

Benicio del Toro, por "Uma Batalha Após A Outra"

Jacob Elordi, por "Frankenstein"

Delroy Lindo, por "Pecadores"

Sean Penn, por "Uma Batalha Após A Outra"

Stellan Skarsgård, por "Valor Sentimental"


Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, por "Valor Sentimental"

Inga Ibsdotter Lilleaas, por "Valor Sentimental"

Amy Madigan, por "A Hora do Mal"

Wunmi Mosaku, por "Pecadores"

Teyana Taylor, por "Uma Batalha Após A Outra"


Melhor Elenco

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Original

"Blue Moon"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Marty Supreme"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Adaptado

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sonhos de Trem"


Melhor Filme de Animação

"Arco"

"Elio"

"Guerreiras do K-pop"

"A Pequena Amélie"

"Zootopia 2"


Melhor Filme Internacional

"O Agente Secreto"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Valor Sentimental"

"Sirāt"

"The Voice of Hind Rajab"


Melhor Documentário em Longa-Metragem

"Alabama: Presos no Alabama"

"Embaixo da Luz Neon"

"Cutting Through Rocks"

"Mr Nobody Against Putin"

"A Vizinha Perfeita"


Melhor Documentário em Curta-Metragem

"Quartos Vazios"

"Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud"

"Children No More: Were and are Gone"

"O Diabo Não Tem Descanso"

"Perfectly A Strangeness"


Melhor Curta-Metragem em Live Action

"Butcher's Stain"

"A Friend Of Dorothy"

"Jane Austen's Period Drama"

"The Singers"

"Two People Exchanging Saliva"


Melhor Animação em Curta-Metragem

"Butterfly"

"Forevergreen"

"The Girl Who Cried Pearls"

"Retirement Plan"

"The Three Sisters"


Melhor Trilha Sonora

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Canção Original

"Dear Me", de "Diane Warren: Relentless"

"Golden", de "Guerreiras do K-pop"

"I Lied To You", de "Pecadores"

"Sweet Dreams Of Joy", de "Viva Verdi!"

"Sonhos de Trem", de "Sonhos de Trem"


Melhor Som

"F-1"

"Frankenstein"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"

"Sirāt"


Melhor Fotografia

"Frankenstein"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sinners"

"Sonhos de Trem"


Melhor Design de Produção

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Figurino

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Pecadores"


Melhor Cabelo e Maquiagem

"Frankenstein"

"Kokuho"

"Pecadores"

"Coração de Lutador: The Smashing Machine"

"A Meia-Irmã Feia"


Melhor Montagem

"F-1"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhores Efeitos Visuais

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"F-1"

"Jurassic World: Recomeço"

"O Ônibus Perdido"

"Pecadores"


Daniel Rodrigues


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

"Marty Supreme", de Josh Safdie (2025)

INDICAÇÕES
MELHOR FILME
MELHOR ATOR
MELHOR ELENCO
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
MELHOR FOTOGRAFIA
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
MELHOR FIGURINO
MELHOR MONTAGEM

Há anti-heróis do cinema que, mesmo amorais e cheios de defeitos, fazem com que o espectador torça por eles. Pelo menos que se redimam um pouco ou que a jornada transcorrida no filme os faça ficaram um pouco melhores como pessoas. Exemplos não faltam: de Charles Foster Kane, de “Cidadão Kane”, a Capitão Nascimento, do brasileiro “Tropa de Elite”. Porém, em se tratando do nada carismático protagonista de “Marty Supreme”, filme de Josh Safdie, de 2025, é quase impossível ficar a favor deste jogador de tênis-de-mesa e trapaceiro em tempo quase integral chamado Marty Mauser. Arrogante, machista, interesseiro e egocêntrico, Mauser é um grande babaca que passa a maior parte do filme tentando se livrar das burradas que fez e a outra parte criando novas formas de ganhar dinheiro fácil para sustentar seu grande sonho, que é jogar tênis-de-mesa – para o qual tem, de fato, muito talento.

Inspirado na história de Marty Reisman, uma lenda desse esporte, Mauser, vivido pelo ator Timothée Chalamet, é um jovem judeu de classe média que se recusa a ser apenas mais um trabalhador precarizado na cidade de Nova York dos anos 1950. Assim, ele não medirá esforços para alcançar seus sonhos megalomaníacos de se tornar um grande nome dos torneios internacionais de pingue-pongue, nem mesmo se for preciso roubar. Sua obstinação o faz ir contra aqueles que duvidaram dele e a colecionar inimigos na caminhada até seu objetivo.

A direção de Safdie (“Joias Brutas” e “Bom Comportamento”) tem acertos, mas também tem erros. Uma qualidade é a trilha sonora, bastante pontuada e baseada em músicas dos anos 80 – com seus sintetizadores e aquela sonoridade típica da época, algo vintage hoje em dia, mas altamente tecnológico para os anos 50. Não só pelos temas legais selecionados (de New Order e Foreigner a Tears for Fears), mas porque essa textura sonora contrasta com o período temporal retratado, o qual transcorre 30 anos antes daquelas músicas existirem. Igualmente, isso empresta certa simbologia à personalidade irascível de Mauser, que faz lembrar os “enfant terribles” da “década perdida” como Steve Jobs e Bill Gates, gênios à frente do seu tempo. As cenas de jogos também são eletrizantes, com Chalamet (que treinou incansavelmente tênis-de-mesa para as filmagens) fazendo jogadas espetaculares na frente da câmera.

Chalamet, por sinal, está ótimo no papel, embora faça um personagem muito pouco empático. Mas o ator franco-americano não tem nada a ver com isso e cumpre o que deve. Enérgico e emocional, ele entrega uma atuação consistente, que o coloca como um forte candidato ao Oscar de Melhor Ator, ainda mais em se tratado de um “cara nova” de Hollywood, como a indústria do cinema gosta de valorizar. Quiçá, não mereça tanto a estatueta quanto Leonardo DiCaprio por “Uma Batalha Após a Outra” ou o brasileiro Wagner Moura por “O Agente Secreto”. Contudo, é muito provável que Chalamet leve.

Chalamet na pele de Marty Mouser: grande atuação, personagem babaca

Porém, há percalços no filme. Um tanto longo, o roteiro exagera no segundo terço da fita em sequências de ação confusas e histriônicas. Há um encadeamento de acontecimentos quase irrealizáveis, que tornam difícil de se acreditar que Marty Reisman fosse tão “vida loka”. Definitivamente, os acontecimentos “biográficos” parecem pouco críveis. Resulta disso uma edição meio desequilibrada.

Igualmente, é de se perguntar algo bem básico: Mauser jogava tão bem tênis-de-mesa que não precisava treinar? Não se vê em momento algum ele se preparando, inventando jogadas, desenvolvendo técnicas etc. Quando está diante de uma mesa é ou para disputar ou para passar os outros para trás. É tanta genialidade assim para que não precisasse melhorar como jogador? Isso difere gritantemente de seu rival, o japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi), visivelmente um atleta que se dedica 24 horas por dia a aperfeiçoar seu jogo. Mas se sabe onde se quer chegar com isso, evidentemente. É aquela velha máxima do cinema norte-americano: o talento inato e a “alma liberta” de seus filhos – o que os desculpa de quaisquer desvios de caráter – contra o tecnicismo frio do inimigo – de preferência aqueles que foram/são desafetos de guerras passadas. No caso, o Japão.

No todo “Marty Supreme” é um filme que diverte, mas não um bom transmissor de mensagens. Tem momentos interessantes? Tem. É legal ver o cineasta underground Abel Ferrara no papel do gângster Ezra Mishkin? Sim. Odessa A'zion como Rachel Mizler merece uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante? Merece. Mas nada disso faz com que se torça pelo mocinho. Pelo contrário: fica-se com vontade de que ele se dê mal, e isso, definitivamente, não pode ser um bom sinal para um filme.

trailer de "Marty Supreme"


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"Marty Supreme"
direção: Josh Safdie
elenco:  Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Abel Ferrara
gênero: drama biográfico, comédia
duração: 2h29min.
país: Estados Unidos
ano: 2025
onde assistir: Cinemas

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Daniel Rodrigues



quinta-feira, 24 de março de 2022

"Duna", de David Lynch (1984) vs. "Duna", de Denis Villeneuve (2021)


Uma substância valiosa e a disputa pela administração e a exploração desse produto no planeta onde ele é extraído está  no centro das ações de ambas as versões de "Duna". O duque Atreides é incumbido pelo Imperador para a tarefa de chefiar o planeta Arrakis, mas o que parecia ser uma honra e benefício mostra-se, na verdade, uma armadilha tramada pelo Império com os perigosos Hakkonen para eliminar o duque e seu filho, o jovem Paul Atreides que, gerado da relação com uma bruxa, tem atributos um tanto especiais que se acentuam ainda mais quando o jovem chega a Arrakis. Seus talentos, sua sensitividade, seus poderes que ele própro não domina completamente, mostram-se fundamentais, especialmente depois que seu pai é traído e morto pelos Hakkonen, e o rapaz, fugitivo, é obrigado a se isolar no deserto com sua mãe, se aproximando a cada momento, a cada passo, de uma profecia que anuncia um "escolhido" que liderará o povo de Arrakis e acabará com a tirania do Império.
Não estou entre os tantos que deploram a adaptação de David Lynch, de 1984, para o romance de Frank Herbert. O filme tem bom elenco, com Jürgen Prochnow, de "O Barco", Sean Young, de "Blade Runner", Max Von Sydow, de "O Sétimo Selo", Patrick Stewart, que viria  estrelar a saga "Star Trek", o astro pop Sting, e Kyle McLachlan que estrelava seu primeiro longa mas que seria, a partir dali, um dos atores preferidos de David Lynch. Os figurinos são incríveis, a direção de arte é bem impressionante, os cenários muito interessantes, a fotografia, na maioria das vezes, é bem competente, e além de tudo isso, a trilha sonora ficava por conta de Toto e Brian Eno.
O grande problema do filme de Lynch foi a parte técnica. Os efeitos especiais, para um filme de ficção científica e com o bom orçamento que teve, são, no mínimo decepcionantes. Mesmo se levando em consideração a época, as limitações técnicas, a primariedade de alguns recursos, eles são, em determinados momentos, quase risíveis. A armadura, por exemplo, que envolve o corpo dos guerreiros de Atreides, uma espécie de campo de força, é simplesmente ridícula. Uma animação geométrica constrangedora. E não me venham dizer que era o que dava pra fazer em 1984 porque, àquelas alturas, já tinham sido feitos três "Star Wars" (1977, 1980, 1983), "Blade Runner" (1982), dois "Superman" (1978, 1980), só pra ficar em alguns, com efeitos visuais muito mais impressionantes e convincentes.
Mas se ficasse limitado a isso, dava pra dar um desconto. A narrativa é apressada, tem muito texto narrado, o que, ao invés de ajudar, atrapalha mais a compreensão, e a última meia hora é atropelada e confusa. Aí, o resto de boa vontade que podia-se ter com o filme de 1984, foi pro espaço.
O que podia ser um gol contra a nova versão de "Duna", que é o fato de não acabar a história (não estou dando spoiler pois todo mundo sabe que vão rodar uma sequência), acaba sendo positivo pelo fato de não correr com a trama pra resolver logo, como fez seu antecessor. O novo "Duna" usa mais tempo mas desenvolve bem a história, sem presa, com paciência, sem precisar recorrer a uma narração explicativa durante todo o filme, e ainda dá mais profundidade e destaque a alguns personagens subutilizados no primeiro, aproximando-os do espectador. Colabora para isso, também, o elenco, igualmente muito qualificado, como no original: Oscar Issac, de "Ex-Machina" e da nova saga "Star Wars", Rebecca Ferguson, de Doutor Sono" e da franquia "Missão Impossível", Jason Momoa ("Aquaman"l), a veterana Charlotte Rampling ("Coração Satânico", "Melancolia"), a carismática Zendaya, dos novos "Homem-Aranha", e, capitaneado o time, o grande queridinho do momento, Timothée Chalamet, de "Me Chame Pelo Seu Nome" e "Não Olhe Para Cima", ente outros, no papel do "messias" Paul Atreides.
A parte técnica, então, que era o ponto fraco do outro, é exatamente uma das maiores virtudes do novo, com efeitos visuais e som espetaculares, não à toa indicados ao Oscar, além da fotografia, com seu visual sombrio e suas locações no deserto simplesmente impressionantes.

"Duna" (1984) - trailer


"Duna" (2021) - trailer


Elenco por elenco, vamos deixar no empate; protagonista por protagonista, também não vejo grande vantagem para ninguém; no entanto, na caracterização e desenvolvimento dos personagens, o remake salta na frente no placar. E, a propósito de desenvolvimento, o andamento do filme e sua estrutura garantem mais um para a nova versão. Os cenários e a direção de arte, os figurinos do primeiro garantem um tento para o time de 1984, contudo, a fotografia, magistral, do novo filme acabam com a alegria do antigo "Duna" que tem que buscar mais uma no fundo das redes. De um modo geral, os efeitos especiais do filme de Villeneuve são muito melhores, mais espetaculares e, sem dúvida representam um golaço para o time de 2022, embora tenhamos que fazer justiça para com os vermes do primeiro filme que também era muito impressionantes, mesmo para as limitações da época. Em compensação, o que os habitantes subterrâneos do deserto de Arrakis acrescentam de positivo, a tal armadura que envolve o corpo dos guerreiros, tira. Quase um gol contra.
Quanto aos caras da casamata, ou seja, os diretores, são dois maestros competentíssimos e, apesar de ser fã de David Lynch, tenho que reconhecer que, mesmo com um bom material humano, com um bom investimento, ele comete alguns erros que comprometem o desempenho final de seu time, ao passo que Denis Villeneuve conduz seu time com precisão, usa um esquema mais adequado para a situação de jogo e, assim, extrai o melhor de cada um de seus atletas.
Duna '84 foi indicado ao Oscar de melhor som mas sua refilmagem atual, além de ser indicada na mesma categoria, ainda recebeu nomeações para outras nove, incluindo melhor filme. Por aí já dá pra ter um pouco da ideia da diferença entre os dois filmes. Duna '21 está muitos anos-luz à frente.

Alguns pontos de comparação entre os dois filmes:
No alto, a Reverenda Madre da ordem das Bene Gasserit nas duas versões.
 original, à esquerda, mais requintada e exótica, e à direita, a nova, mais sobria.
Na segunda linha, o barão Hakkonen, o original típico das bizarrices de David Lynch,
o outro, mais sério, sinistro é mais fiel ao livro.
Em seguida, os vermes do deserto, a esquerda o antigo e à direita, o novo.
Apesar das deficiências dos efeitos visuais do primeiro filme, os vermes de David Lynch se salvam 
e até se destacam como uma das coisas boas do filme.
Em compensação o escudo virtual do primeiro filme, à esquerda, na quarta faixa, é lamentável,
enquanto o outro, da nova versão. é meramente discreto, mas funciona melhor visualmente.
E para finalizar, os dois Paul Atreides.
Kyle McLaclan, do primeiro filme, não decepciona e vai bem no papel e a derrota não passa por ele,
 bem como o queridinho do momento, Timothée Chalamet, que se não é brilhante , não compromete também. 






Cly Reis 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Oscar 2025 - Os Indicados

 


Podemos dizer que 23 de janeiro de 2025 foi um dia de glória para o cinema brasileiro. Afinal, nunca antes na história deste país um filme nacional havia recebido a indicação ao Oscar de Melhor Filme. “Ainda Estou Aqui”, o excelente filme de Walter Salles sobre a família Paiva durante o período da Ditadura Militar no Brasil, foi anunciado hoje ao Oscar 2025 junto com mais uma centena de outros títulos a esta e outras várias categorias do maior prêmio do cinema mundial.

Mas não só isso: além da inédita indicação, o filme de Waltinho concorre também a Melhor Filme Internacional – no qual tem boas chances de ganhar – e na de Melhor Atriz para Fernanda Torres, que interpreta Eunice Paiva no filme. A vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama e que desbancou daquela premiação para esta ninguém menos que Kate Winslet, Angelina Jolie, Tilda Swinton e Nicole Kidman, tem agora à frente, no Oscar, outras quatro candidatas. Porém, também passa a encarar de frente Demi Moore, destacada em seu papel em “A Substância” e que carrega em si e em sua personagem um discurso de feminismo e etarismo que pode convencer Hollywood a reconhecê-la depois de tantos anos. Porém, Fernanda está melhor. Que se faça justiça.

Nas outras categorias, sem grandes surpresas: várias indicações ao franco-mexicano “Emilia Perez” (13, o de mais nominações), “Wicked” e “O Brutalista” (10 cada), além de “Um Completo Desconhecido”, “Conclave” (8 cada), “Anora” (6), “Duna: Parte 2” e “A Substância” (5 cada). Destes, parece sair na frente em Filme “O Brutalista”, mas “Anora”, Palma de Ouro em Cannes, pode surpreender nesta categoria na qual “Ainda...” tem certamente menos chances. Mas em Filme Internacional, o brasileiro tem outro rival: “Emilia Perez”. O confuso filme de Jacques Audiard, embora campeão em indicações, tem recebido críticas das comunidades mexicana e latina e LGBTQIAPN+ por sua narrativa superficial e sem “lugar de fala”, o que pode influenciar os jurados em favor de “Ainda...”. Tomara.

De resto, aquelas coisas de sempre do Oscar: falta de algo aqui, excesso de algo ali, ausência de um outro acolá. Críticos dizem que “Sing Sing”, que retrata uma história verídica do sistema prisional norte-americano, merecia mais reconhecimento além das apenas duas indicações que teve (Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original). Sobrando, o bruxesco “Wicked”, que aparece em vários dos prêmios técnicos, mas desnecessariamente em Filme, Atriz e Edição. E Clint Eastwood, com seu genial “Jurado nº 2”, quem viu? A Academia não dá nem as horas pro velho cowboy, e justo em sua obra de despedida... Fazer o quê? Só torcer por “Ainda...“ e conferir a lista completa dos indicados, que a gente traz aqui abaixo e segue acompanhando os filmes até a premiação em 2 de março. E viva o cinema brasileiro!

📹📹📹📹📹📹📹📹


Melhor Filme
“Anora”
“O Brutalista”
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave“
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Ainda Estou Aqui”
“Nickel Boys”
“A Substância”
“Wicked”

Melhor Direção
Sean Baker por “Anora”
Brady Cobert por “O Brutalista”
James Mangold por “Um Completo Desconhecido”
Jacques Audiard por “Emilia Pérez”
Coralie Fargeat por “A Substância”

Melhor Ator
Adrien Brody, por “O Brutalista”
Timothée Chalamet, por “Um Completo Desconhecido”
Colman Domingo, por “Sing Sing”
Ralph Fiennes, por “Conclave”
Sebastian Stan, por “O Aprendiz”

Melhor Atriz
Cynthia Erivo, de “Wicked”
Karla Sofía Gascón, de Emilia Pérez
Mikey Madison, por “Anora”
Demi Moore, por “A Substância”
Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui”

Melhor Ator Coadjuvante
Yura Borisov, por “Anora”
Kieran Culkin, “A Verdadeira Dor”
Edward Norton, “Um Completo Desconhecido”
Guy Pearce, de “O Brutalista”
Jeremy Strong, de “O Aprendiz”

Melhor Figurino
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave“
“Gladiador II”
“Nosferatu”
“Wicked”

Melhor Cabelo e Maquiagem
“Um Homem Diferente”
“Emilia Pérez”
“Nosferatu”
“A Substância”

Melhor Trilha Sonora Original
“O Brutalista”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Wicked”
“Robô Selvagem”

Melhor Curta-Metragem em Live-Action
“A Lien”
“Anuja”
“I’m Not a Robot”
“The Last Ranger”
“The Man Who Could Not Remain Silent”

Melhor Animação em Curta-Metragem
“Beautiful Men”
“In the Shadow of the Cypress”
“Magic Candies”
“Wander to Wonder”
“Yuck!”

Melhor Roteiro Original
“Anora”
“O Brutalista”
“A Verdadeira Dor”
“A Substância”
“September 5”

Melhor Roteiro Adaptado
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Nickel Boys”
“Sing Sing”

Melhor Atriz Coadjuvante
Monica Barbaro, por “Um Completo Desconhecido”
Ariana Grande, por “Wicked”
Felicity Jones, por “O Brutalista”
Isabella Rossellini, por “Conclave”
Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”

Melhor Canção Original
“El Mal”, de “Emilia Pérez”
“The Journey”, de “The Six Triple Eight”
“Like a Bird”, de “Sing Sing”
“Mi Camino”, de “Emilia Pérez”
“Never Too Late”, de “Elton John: Never Too Late”

Melhor Documentário
“Black Box Diaries”
“No Other Land”
“Porcelain War”
“Soundtrack to A Coup D’Etat”
“Sugarcane”

Melhor Documentário de Curta-Metragem
“Death By Numbers”
“I am Ready, Warden”
“Incident”
“Instruments of a Beating Heart”
“The Only Girl in the Orchestra”

Melhor Filme Internacional
“Ainda Estou Aqui”
“The Girl with the Needle”
“Emilia Pérez”
“The Seed of the Sacred Fig”
“Flow”

Melhor Animação
“Flow”
“DivertidaMente 2”
“Memoir of a Snail”
“Wallace e Gromit: Vengeance Most Fowl”
“O Robô Selvagem”

Melhor Design de Produção
“O Brutalista”
“Conclave”
“Duna: Parte 2”
“Nosferatu”
“Wicked”

Melhor Edição
“Anora”
“O Brutalista”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Wicked”

Melhor Som
“Um Completo Desconhecido”
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Wicked”

Melhores Efeitos Visuais
“Alien: Romulus”
“Better Man”
“Duna: Parte 2”
“O Reino do Planeta dos Macacos”
“Wicked”

Melhor Fotografia
“O Brutalista”
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Maria”
“Nosferatu”


Daniel Rodrigues

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

"Wonka", de Paul King (2023)




Confesso que fui assistir "Wonka" já esperando pelo pior mas tive uma grata surpresa. E não é que o filme é bom? Música, cenário, figurino, atuações, tudo funciona no longa do diretor Paul King, o que torna assisti-lo algo prazeroso.
Confesso que fui assistir "Wonka" já esperando pelo pior mas tive uma grata surpresa. E não é que o filme é bom? Música, cenário, figurino, atuações, tudo funciona no longa do diretor Paul King, o que torna assisti-lo algo prazeroso.

A história se concentrará especificamente em um jovem, Willy Wonka, e como ele conheceu os Oompa-Loompas em uma de suas primeiras aventuras. O longa é um musical, já vá sabendo disso, e sei que muita gente tem resistência com musicais (desnecessário isso, hein). Mas se você, assim como eu, adora musicais, vai se divertir, com certeza. Timothée Chalamet (Willy Wonka), não está mal, porém muito longe do carisma dos Wonkas anteriores, que você gostando ou não, marcaram gerações. Ele não prejudica muito a narrativa, mas poderia ter um esforço maior na atuação. O filme parece esperar por uma sequência e por isso não se aprofunda tanto na vida de Wonka. Há algumas poucas cenas em que a relação com sua mãe é retratada mas praticamente se limita a isso, e essa falta de passado também dificulta uma evolução maior do protagonista, o que nos deixa na expectativa de ver o Wonka raiz nos próximos anos nas telas.

O longa me encantou com seu cenário fantasioso onde tudo é possível, o que é muto bem aproveitado pelo diretor, que faz com que as cenas musicais não causem aquela estranheza característica e, pelo contrário, funcionem naturalmente. Como apontei, os cenários que são maravilhosos, bem como os figurinos deslumbrantes trazem um clima de magia, nos proporcionando uma enorme imersão. Palmas para o design de produção! 

Que surpresa agradável, Oompa Loompa!

Vou dar um grande destaque para a menina Calah Lane (Noodle) que está muito bem e que encanta sempre que aparece, e para Hugh Grant como  o Oompa-Loompa), numa atuação impressionante que prometeu nada e entregou tudo. Além de tudo,  gostei de todo elenco de apoio, por menor que seja a participação de cada um, todos tem um contexto e funcionam para trama.

Filme bem agradável de se assistir. Não é longo, tem seus momentos divertidos, e por mais que pareça estar preparando o terreno para uma futura franquia, isso não faz a história travar ou ter problemas de desenvolvimento, não chegando sequer a ficar algo cansativo.

O ar fantasioso, o belo cenário, músicas descontraídas e contagiantes fazem "Wonka" ser uma opção muito divertida. "Wonka" é como uma caixa de bombom que tem aqueles bombons que você não gosta muito e divide com alguém. Os bombons ruins são meio que o que o caso do protagonista, sem carisma e com sua história excessivamente simplória. No entanto, tem aqueles bombons que você ama, que aí é o caso do cenário de fantasia que o longa cria, ampliando o mundo da fantástica fábrica de chocolate, mostrando potência para uma possível nova franquia.

O que essa menina vai brilhar...! Torço muito por ela.





por Vágner Rodrigues



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Globo de Ouro 2026 - Os Vencedores

 

Quando soube das filmagens de um novo filme de Kleber Mendonça Filho, ainda em 2024, que se passaria no período da ditadura militar no Brasil e que já se sabia que se chamaria "O Agente Secreto", já dava para imaginar que seria algo especial. Aí veio o reconhecimento no melhor festival de cinema do mundo, Cannes, onde o filme estreou e ganhou dois prêmios. Quando assisti, tempo depois, confirmei a expectativa. Depois, mais premiações importantes: 54 no total, sendo 20 internacionais.

Até que, enfim, "O Agente..." - já um pré-indicado a Oscar de Filme Internacional e provavelmente Filme e a ator pra Wagner Moura - chega ao Globo de Ouro e.... vence! E vence em duas categorias superimportantes: Filme em Língua Não-Inglesa e em Ator em Drama! Superando, inclusive, "Ainda Estou Aqui", que no ano passado deu o globo a Fernanda Torres, mas perdeu para o questionável "Emília Perez". E ainda o filme bate fortes concorrentes, como o essencial "Foi Apenas um Acidente", o Palma de Ouro do ano, e o badalado "Valor Sentimental" (que foi bem rejeitadinho, convenhamos).

Mas não teve pra ninguém! É o Brasil de novo nas cabeças! Ah, teve outras premiações, né? "Uma Batalha Após a Outra" levou os principais? "Hamnet" lascou o de Filme de Drama? "Adolescência" abocanhou o que devia em série de TV? Sim, mas permitam que, desta vez, eu destaque o filme brasileiro, que marcou história já ao ser indicado a três categorias no Globo de Ouro e, mais do que isso, levou dois!

Mas, ok, ok! Vou deixar que saibam quem foram os outros premiados. (mas já na torcida para "O Agente..." agora no Oscar!)

🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬

Melhor filme de drama

"Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor filme de comédia ou musical

"Uma batalha após a outra" 


Melhor ator em filme de drama

Wagner Moura, "O Agente Secreto" 


Melhor atriz em filme de drama

Jessie Buckley, "Hamnet: A vida antes de Hamlet"


Melhor série de comédia ou musical

"The Studio"


Melhor minissérie, antologia ou filme para a TV

"Adolescência"


Melhor série de drama

"The Pitt"


Melhor atriz em série de drama

Rhea Seehorn, "Pluribus"


Melhor performance de comédia stand-up na TV

Ricky Gervais, "Ricky Gervais: Mortality"


Melhor atriz coadjuvante na TV

Erin Doherty, "Adolescência"


Melhor filme em língua não-inglesa

"O Agente Secreto"


Melhor filme de animação

"Guerreiras do K-Pop" 


Melhor direção em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma batalha após a outra"


Melhor destaque em bilheteria

"Pecadores"


Melhor atriz em minissérie, antologia ou filme para a TV

Michelle Williams, "Dying for Sex"


Melhor ator em minissérie, antologia ou filme para a TV

Stephen Graham, "Adolescência"


Melhor ator em filme de musical ou comédia

Timothée Chalamet, "Marty Supreme"


Melhor atriz em filme de musical ou comédia

Rose Byrne, "Se eu tivesse pernas, eu te chutaria"


Melhor roteiro em filme

Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra"


Melhor trilha sonora de filme

"Pecadores" 


Melhor canção em filme

"Golden", "Guerreiras do K-Pop"


Melhor podcast

"Good Hang with Amy Poehler" 


Melhor ator em TV de musical ou comédia

Seth Rogen, "The Studio"


Melhor ator coadjuvante na TV

Owen Cooper, "Adolescência" 


Melhor atriz em série de musical ou comédia

Jean Smart, "Hacks"


Melhor ator em série de drama

Noah Wyle, "The Pitt"


Melhor ator coadjuvante em filme

Stellan Skarsgard, "Valor Sentimental"


Melhor atriz coadjuvante em filme

Teyana Taylor, "Uma Batalha Após a Outra"



Daniel Rodrigues