“Ninguém nunca mais nos comparou ao Black Sabbath depois deste álbum.”
John Paul Jones
Sempre tive a ideia de botar algum Led Zeppelin no ÁLBUNS FUNDAMENTAIS mas hesitava um pouco pensando em qual deles pra não cometer injustiça. O primeiro? Ou o incrível Led Zeppelin II? Ou por que não o III ? Ou o fantástico "Physical Graffiti"? Podia ser qualquer um destes sem problema algum, mas na minha opinião o quarto álbum do Led Zeppelin, de 1971, conhecido como "IV", ou "Four Symbols" ou "ZoSo" ou ainda, somente, como "o disco do velhinho na capa" é o que melhor representa toda a pagada, a força, a sonoridade e a qualidade da banda.
Com influências que iam de blues, ao country, a Elvis e a bruxaria, o Led consolidava em "IV" uma sonoridade que iria se tornar pedra fundamental do estilo metal e similares, com muito peso nas guitarras, ritmos acelerados e vocais gritados. "Black Dog", canção que abre o disco é prova e símbolo disso, com aquela guitarra extremamente pesada e mágica de Jimmy Page, alternado tempos com o vocal poderoso e estridente de Robert Plant. Certamente é, ainda hoje, um dos riffs mais conhecidos e lembrados de todos os tempos. Um clássico imortal do rock!
E a propósito de clássico e de rock, o que dizer de um álbum que tem uma música chamada "Rock'n Roll"? Bom, muitos podem ter uma música com este nome, mas provavelmente só o Led conseguiu fazer com que ela remetesse ao estilo com tanta clareza, ficasse marcada pelo nome e virasse um clássico absoluto. Eu mesmo, sempre que ouço o termo rock' roll me vem à cabeça aquele início marcado na bateria de John Bonham, que aliás, "quebra tudo" nesta música. Mas não só ele. Nesta, a guitarra menos distorcida que de costume, conduz uma espécie de blues acelerado, um rockabilly pesado alucinante, num show à parte que se constitui em outro dos riffs mais conhecidos da história da história da música.
Para os mais "populares", este álbum traz ainda o clássico "Stairway to Heaven" que serviu até mesmo de faixa de trilha sonora de novela nos anos 80, fazendo-a alcançar uma grande popularidade até entre os não-fãs e público em geral, mesmo com sua estrutura rica, complexa e sua extensa duração para padrões comerciais.
Todas as 8 faixas são excepcionais mas o disco acaba com outra de minhas favoritas, a poderosa "When the Levee Brakes", sonoramente impactante com sua bateria estrondosa com uma marcação ao que ao mesmo tempo é tem um tom marcial mas é também emocionante e sedutora. Mas Bonham não cria esse fascínio sozinho: a guitarra de Page aqui é mística, mágica e hipnótica; John Paul Jones conduz a linha de maneira segura e forte; e Plant é preciso nos vocais em cada verso, em cada entonação, em cada nota, além da harmônica que toca conferindo um ar ainda mais místico à canção. Um final monumental para um disco fantástico!
Pela seleção privilegiada de faixas do álbum, pelos clássicos que traz, pelo significado no cenário musical, pela consolidação de um estilo, pela importância da obra, pela popularidade, pela sonoridade, por todas estas razões e muitas mais é que "Led Zeppelin IV" é para mim não só o melhor álbum da banda como um dos melhores de todos os tempos. Acho que não cometo nenhuma injustiça em mencioná-lo aqui. Agora, o que também não invalida de daqui a pouco termos aqui na seção um "Led Zeppelin II", por exemplo... Ou o " Led III", ou o "Physical" ou o "Houses"...
Não precisamos ter apenas um, precisamos?
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FAIXAS:
"Black Dog" (Page/Plant/Jones) – 4:57
"Rock and Roll" (Page/Plant/Jones/Bonham) – 3:40
"The Battle Of Evermore" (Page/Plant) – 5:52
"Stairway to Heaven" (Page/Plant) – 8:03
"Misty Mountain Hop" (Page/Plant/Jones) – 4:38
"Four Sticks" (Page/Plant) – 4:45
"Going To California" (Page/Plant) – 3:31
"When The Levee Breaks" (Page/Plant/Jones/Bonham/Minnie) – 7:08
"Eu desejava que o Zeppelin fosse um casamento de blues, hard rock e música acústica coberto por refrões pesados, uma combinação que nunca tinha sido feita antes. Um monte de luz e sombra na música."
Jimmy Page
Que baita disco de estreia!
Depois do esfacelamanto dos Yardbirds, o guitarrista Jimmy Page saiu à cata de parceiros para sua nova empreitada e convocando um timaço - o baixista competentíssimo John Paul Jones, o monstro na batera John Bohan e o carismático vocalista Robert Plant de um poderio vocal estupendo - formava uma das maiores bandas da história do rock.
Com uma fórmula que englobava hard-rock, psicodelismo, country, folk e blues, incrementada pelo misticismo feiticeiro de Jimmy Page, o Led Zeppelin escrevia a partir de então uma das páginas mais importantes da história do rock com um disco impecável, "Led Zeppelin"de 1969 (também conhecido como "Led Zeppelin I"), que pelo peso, pelos timbres, pelas distorções, pelos solos, pela linguagem proposta, teria alta influência e começava inspirar aquilo que viria a ser o heavy-metal.
Seu primeiro disco traz o excelente rockão "Good Times, Bad Times" com a condução segura e precisa do baixo de Jones; o blues singular, com a marca ácida e experimentalista da banda, "Dazed and Confused"; e a elétrica "Communication Breakdown"; além de dois covers matadores do bluesman americano Willie Dixon e da ótima balada "Babe I'm Gonna Leave You" cheia de variações de intensidade e rompantes de peso, contando um show à parte do vocal de Robert Plant.
Um dos melhores discos de estreia da história do rock, aliás não só um dos melhores de estreia como um dos melhores sob todos os aspectos. Um dos mais importantes e influnetes com certeza. Sem sombra de dúvida, ÁLBUM FUNDAMENTAL.
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FAIXAS: 1. "Good Times Bad Times" (Bonham/Jones/Page) 2. "Babe I'm Gonna Leave You" (Page/Plant/Anne Bredon) 3. "You Shook Me" (Dixon/J. B. Lenoir) 4. "Dazed and Confused" Page (Page) 5. "Your Time Is Gonna Come" (Jones/Page) 6. "Black Mountain Side" (Page) 7. "Communication Breakdown" (Bonham/Jones/Page) 8. "I Can't Quit You Baby" (Dixon) 9. "How Many More Times" (Bonham/Jones/Page)
Tinha eu tenros 11 aninhos de idade quando ganhei meu toca-discos Phillips, daqueles cuja caixa de som é a tampa, bem pequeno, mas que me servia muito bem na época. Como não tinha muita grana pra comprar LPs, comecei a atacar as discotecas dos primos. As primeiras vítimas foram a Tania e o Clebar Derivi Barros, que moravam na César Lombroso. Peguei emprestado com eles três discos: "The Best of The Ventures", com a banda de surf music tocando o tema da série Batman; o disco psicodélico dos Stones, "Their Satanic Majesties Request", e o "Led Zeppelin II".
Fiquei fissurado pelos três mas o Led Zeppelin me impressionou, porque era “roquenrou” de verdade. Peso, muito peso. De cara, curti "Living Loving Maid" e "Whole Lotta Love". Aos poucos, fui entrando no clima da banda e passei a ouvir com atenção "The Lemon Song", "Heartbreaker", "Ramble On" e mais o resto do disco. Posso dizer que este LP preparou minha pobre cabecinha de guri para o que vinha pela frente. Continuei comprando os compactos da moda e ouvindo a Continental mas nunca mais me recuperei do "trauma" de ouvir Led Zeppelin aos 11 anos.
Tempos depois, aos 17, quando estava no cursinho IPV, a Yes Discos ainda na Rua da Praia fez uma superpromoção com todos os discos do Led sendo vendidos a um precinho razoável. Tentei convencer minha mãe a me dar de presente mas ela achou muito caro. Me vinguei anos depois, na era do CD, comprando TODOS os discos oficiais da banda. E descobri que alguém mais gosta de Led, especialmente do "Led IV", que sumiu lá de casa.
******************* FAIXAS: 1. "Whole Lotta Love" (Jimmy Page/Robert Plant/John Paul Jones/John Bonham/Willie Dixon) - 5:34 2. "What Is and What Should Never Be" (Page/Plant) - 4:47 3. "The Lemon Song" (Page/Plant/Jones/Bonham/Howlin' Wolf) - 6:20 4. "Thank You" (Page/Plant) 4:47 5. "Heartbreaker" (Page/Plant/Jones/Bonham) - 4:15 6. "Living Loving Maid” (“She's Just a Woman”) (Page/Plant) - 2:40 7. "Ramble On" (Page/Plant) 4:35 8. "Moby Dick" (instrumental) (Page/Jones/Bonham) - 4:25 9. "Bring It On Home" (Page/Plant/Dixon) - 4:19
A coleção “O Livro do Disco” sempre acaba nos reservando uma
certa surpresa a cada exemplar. Depois da análise pormenorizada com detalhes
técnicos do "Unknown Pleasures" do Joy Division; da avaliação também faixa a
faixa, mas muito mais emocional de "Daydream Nation" do Sonic Youth; e de uma
abordagem mais ampla e temática da obra "A Tábua de Emeralda" de Jorge Ben;
agora este “Led Zeppelin IV” traz outro tipo de apreciação. O trabalho examina o disco clássico do Led Zeppelin predominantemente sob o prisma do misticismo que envolve não somente a
obra mas também, é claro, por origem, a banda. O jornalista Erik Davis
debruça-se com afinco e seriedade sobre todos os aspectos que compõe a mística
em torno das lendas que envolvem a banda e seus integrantes e amplia esta
investigação para a obra por eles produzida procurando, sem muita dificuldade dada toda o material que a banda proporciona,
mistérios e significados contidos nela. No que diz respeito especificamente ao
quarto disco do Led Zeppelin, o autor entende que o próprio conjunto de
símbolos que sugere um nome intraduzível para a obra por si só já determina que
ele contenha elementos místicos e informações ocultas, o que já o torna digno
de uma análise aprofundada. Assim, o livro vai desde os quatro ícones gráficos;
passa pela capa com seu velhote misterioso; pelo monge com o candeeiro no
encarte; pelas referências literárias; pelas supostas relações demoníacas do guitarrista Jimmy Page; pela
ordem das faixas e por possíveis significados ocultos em seus títulos; pela
lenda da satânica rotação ao contrário de “Stairway to Heaven”; e,
inevitavelmente, dentro de tudo isso, uma análise musical faixa a faixa, não
sem deixar de considerar também os aspectos místicos que possam ter
influenciado em suas letras ou composições.
De modo a manter coerente uma linha de pensamento, estabelecendo
uma ligação de uma canção com a seguinte, atravessando o disco da primeira à
última faixa, o autor cria uma espécie de trajetória hipotética de um
personagem ficcional, Percy, que enquanto imagem, devo dizer que não me agradou
muito e em alguns momentos pareceu-me forçado e em outros uma liberdade autoral
pretensiosa. Mas de um modo geral o produto final vale e é muito rico e
instrutivo trazendo diversas informações e curiosidades para fãs e aficionados por
música e pelo lado obscuro dos artistas, especialmente uma banda tão envolta em
lendas como é o caso do Led Zeppelin.
Amigos do clyblog, muito honrado pelo convite de contribuir com essa resenha rockeira!
Vou falar sobre um assunto que com certeza já foi bastante debatido nas redes, que é o fato de
que hoje em dia, o mercado musical só produz single ou E.P.! São muitos artistas com sucesso
de uma música só! E isso não é exclusividade do universo tupiniquim. Sempre existiram bandas
que só fizeram sucesso com uma música. Mas o projeto hoje em dia é só comercial. Vender,
esgotar, exaurir a paciência até que a música vire jingle de supermercado. Faz parte!
Venho compartilhar com vocês algumas memórias afetivas de uma época onde o álbum era o
auge do artista. Ali ele colocava toda coerência estética e criatividade, todo seu ineditismo e sua
inventividade artística, do "Lado A ao Lado B". Estou falando de um tempo em que o vinil reinava
e chiava nas nossas vitrolas e, talvez, esse universo analógico e antológico sempre tenha seu
lugar. Seja Pop, underground, vintage… Quem não adoraria ter o disco da sua banda favorita em
vinil, mesmo nos dias de hoje? O vinil não saiu de moda, ficou caro!!! Hoje é só dar o play no
WAVE e MP3 e pronto: random na veia!
Fiz esse pequeno preâmbulo para situar a galera no tempo e trazer, na minha visão, alguns
dos álbuns fonográficos que são verdadeiras "obras completas". Não tem música ruim: o disco
é bom do começo ao fim!
Segue abaixo os 15 mais, mas com certeza tem muuuito mais…
E você que está lendo, pensa aí e me diz, qual álbum você acha perfeito, do início ao fim?
★★★★★★
1 - Pink Floyd - "The Wall" (1979)
FAIXAS:
1."In the Flesh?" 2."The Thin Ice" 3."Another Brick in the Wall (Part I)" 4."The Happiest Days of Our Lives" 5."Another Brick in the Wall (Part II)" 6."Mother" 7."Goodbye Blue Sky" 8."Empty Spaces" 9."Young Lust" 10."One of My Turns" 11."Don't Leave Me Now" 12."Another Brick in the Wall (Part III)" 13."Goodbye Cruel World"
14."Hey You" 15."Is There Anybody Out There?" 16."Nobody Home" 17."Vera" 18."Bring the Boys Back Home" 19."Comfortably Numb" 20."The Show Must Go On" 21."In the Flesh" 22."Run Like Hell" 23."Waiting for the Worms" 24."Stop" 25."The Trial" 26."Outside the Wall"
João Marcelo Heinz é músico, compositor, produtor musical e educador com 30 anos de estrada.
É integrante da banda Cidadão Free, com trabalho pop-rock autoral e com versões de
clássicos do rock nacional e internacional
Tem participações em produções para cinema, composições audiovisuais para artes plásticas, dirigiu peças teatrais, além de ter sido produtor musical e de eventos do centro cultural Othello, na Lapa, no Rio de Janeiro.
Só o fato de ter "Kashmir", uma sinfonia monumental onde cordas, metais, teclados e instrumentos exóticos parecem agigantar-se como um monstro numa progressão repetida e grandiosa, já poderia ser suficiente para justificar "Physical Graffiti", do Led Zeppelin, como um dos maiores álbuns da história do rock, mas a consolidação de seu hard-rock, a adição de peso, distorções e peso ao blues, o vigor e a versatilidade das composições, seus riff criativos e poderosos, seu misticismo, a capa cheia de símbolos e mistérios, a genialidade e ousadia de Page e as interpretações singulares de Plant, contribuem igualmente de forma decisiva para conferir-lhe o status álbum fundamental.
Álbum duplo que não fica cansativo, dono de uma interessante e curiosa coerênca e unidade, uma vez que fora composto ao longo de aproximadamente 4 anos, "Physical Graffiti não só é um dos melhores álbuns da banda, reverenciado por fãs e crítica, como é o favorito da dupla de frente da banda, Robert Plant e Jimmy Page.
A levada contínua, básica e precisa de "Custard Pie" que abre em grande estilo; a guitarra chorosa de "In My Time of Dying" combinada à bateria de John Bonham soando como se fossem tiros; o pop-rock da agradável "Houses of the Holy"; a psicodelia exótica da espetacular "In the Light"; o folk bem original de "Down By the Seaside"; as variações e a beleza rítmica de "Ten Years Gone"; o hard-rock pré-progressivo de "Night Flight"; a energia quase selvagem de "Wanton Song"; "Boogie With Stu" com sua bateria genial e sonoridade country-blues; a vibração cheia de peso da ótima "Sick Again" que encerra o disco; e claro, a já citada "Kashmir" e suas referências hindus e orientais; são razões que fazem de "Physical Graffiti" um disco mágico e um dos melhores de todos os tempos.
Nada mais justo que ele seja o destaque dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS neste Dia Mundial do Rock.
Em mais uma destas tantas listas que aparecem por aí, o site Music Radar, promoveu uma eleição entre os leitores sobre o Melhor riff de guitarra de todos os tempos. Pra quem não sabe, o riff é praticamente como se fosse a assinatura da música. Aquela melodia básica que quando toca você já identifica a música, a banda ou uma época.
Os leitores da Musica Radar botaram "Voodoo Child" do Hendrix no topo. Na minha opinião não diria que é "O RIFF" mais marcante. Do prórpio Hendrix eu escolheria por exmplo "Purple Haze" que aparece lá atrás na 22° posição. Mas verdadeiramente, a minha preferida no quesito é "Smoke on the Water" que para mim é quase um sinônimo de rock'nroll e que qualquer um cantarola entre os dentes imitando a distorção.
Destaco também na lista deles a inclusão justa, mas para mim inesperada pela atualidade, de "Seven Nation Army" dos White Stripes, provavelmente um dos riffs mais marcantes dos últimos tempos.
Eis aí os 25 melhores da Music Radar:
1 - "Voodoo child", Jimi Hendrix 2 - "Sweet child o' mine", Guns N' Roses
3 - "Whole lotta love", Led Zeppelin
4 - "Smoke on the water", Deep Purple
5 - "Layla", Derek and the Dominos
6 - "Back in black", AC/DC
7 - "Enter sandman", Metallica
8 - "Day tripper", The Beatles
9 - "Smells like Teen Spirit", Nirvana
10 - "(I can't get no) satisfaction", The Rolling Stones
11 - "Paranoid", Black Sabbath
12 - "Plug in baby", Muse
13 - "Ain't talkin' 'bout love", Van Halen
14 - "You really got me", The Kinks
15 - "Seven nation army", The White Stripes 16 - "Highway to hell", AC/DC
17 - "Heartbreaker", Led Zeppelin
18 - "Iron man", Black Sabbath
19 - "Black dog", Led Zeppelin
20 - "Beat it", Michael Jackson
21 - "Paperback writer", The Beatles
22 - "Purple haze", Jimi Hendrix
23 - "Whole lotta Rosie", AC/DC
24 - "Johnny B Goode", Chuck Berry
25 - "Sad but true", Metallica
Montar uma lista com músicas preferidas de Chico Buarque é, antes de mais nada, desafiador, mas também garantia de uma seleção do mais alto nível da música brasileira. Dada a magnitude e qualidade de sua obra – além de extensa, sempre muito significativa – não haveria como ser diferente. Para celebrar o aniversário de 80 anos deste mestre da nossa cultura completos esta semana, juntamos, então, uma lista de 80 músicas preferidas por alguns de seus inumeráveis fãs.
Disso, porém, uma coisa foi quase unânime: a reclamação dos votantes de que é difícil compor uma lista dessa natureza. Todos os que se dispuseram a realizar essa tarefa quase trocaram o prazer em compô-la por dúvidas atrozes ou, pior, a angústia por não poder escolher mais títulos além de apenas 10. Compreensível. Quando fizemos, em 2022, uma listagem semelhante a esta para o aniversário de outro mestre da música brasileira, Gilberto Gil, o sentimento foi o mesmo. Isso sem falar, após a divulgação, da transformação desse desconforto em arrependimento por não se ter lembrado de incluir esta ou aquela canção...
O fato é que amamos a obra de Chico, e nisso me incluo tanto quanto todos os nossos outros 6 fãs, que toparam comigo e Cly, a ingrata missão de listar apenas 10 músicas da vasta e qualificadíssimo cancioneiro buarqueano. Pois, realmente, 10 é muito pouco para dar a dimensão do quanto o admiramos e da importância de sua obra. Sabemos. Mas, de modo a contemplarmos pelo menos 8 destes ardorosos fãs, a matemática nos obriga a separar apenas uma mísera dezena para podermos completar 80 escolhas celebradoras de suas 80 primaveras.
Para tanto, reunimos um time especial de “buarqueiros” de diferentes áreas. Jornalistas, escritores, publicitários, ilustradores, produtoras culturais. Há, mas são poucos os que não gostam de Chico – e quando gostam, é assim, de “Todo o Sentimento”. A ponto de fazer canção em sua homenagem, como um dos nossos convidados, o músico radicado em Londres Thomas Pappon - da Fellini, Tres Hombres, Voluntários da Pátria, Smack, The Gilgertos e outros vários projetos – coautor da bela “Chico Buarque Song”, da Fellini. Ou mais do que isso: alguém que dedica-lhe uma obra, caso do jornalista e escritor Márcio Pinheiro, esporádico colaborador do blog, que acaba de lançar o livro "O que Não tem Censura nem Nunca Terá: Chico Buarque e a Repressão Artística na Ditadura Militar".
Afora os impasses, o legal é que existe um Chico para cada um. “Paratodos”, mais certo dizer. Há músicas desde sua fase inicial, nos anos 60, dos tempos da “capa do meme”, até a mais recente produção, deste “Velho Francisco” agora oitentão. 80 músicas é pouco, sim. Melhor seriam mais “Umas e outras”, mais um “Frevo Diabo”, mais um “Tango do covil”, um “Partido alto”, uma “Opereta de casamento”. E “Que tal um samba?”, um pra Vinicius, um de Orly, um de adeus?... “Qualquer canção”, desnaturada, inédita, de Pedroca. Não? Então, como diz ele mesmo, “palmas para o artista confundir”. Que prazer é essa confusão de não saber o que mais nos toca da maravilhosa obra de Chico Buarque.
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Kaká Reis
produtora cultural (Rio de Janeiro/RJ)
"HELP! Chegou o momento mais temido da minha vida: escolher 10 musicas do Chico! Eu sei que vou me arrepender muito de alguma coisa, mas segue..."
1. "Tatuagem" ("Chicocanta" ou "Calabar", com Ruy Guerra, 1972)
2. "Bom Conselho" ("Quando o Carnaval Chegar", 1972)
3. "Pedro Pedreiro" ("Chico Buarque de Hollanda", 1966)
4. "Eu Te Amo" ("Vida" , com Tom Jobim, 1980)
5. "Biscate" ("Paratodos", 1993)
6. "As Caravanas" ("Caravanas", 2017)
7. "Bye Bye Brasil" ("Vida", com Roberto Menescau, 1980)
8. "Mil Perdões" ("Chico Buarque", 1984)
9. "Ode aos Ratos" ("Carioca", com Edu Lobo, 2006)
10. "Todo o Sentimento" ("Francisco", com Cristóvão Bastos, 1987)
Jana Lauxen
escritora e editora (Carazinho/RS)
"Chico Buarque é patrimônio cultural brasileiro, lenda viva, meme, galã e puro suco da arte made in Brasil. Não bastasse, canta, compõe, escreve, interpreta, defende a democracia e já enfrentou, na trincheira, dois governos fascistas. Ele me representa de tantas maneiras, que um parágrafo é insuficiente para explicar. Obrigada, Chico!"
1. "Apesar de Você" ("Chico Buarque" ou "Disco da Samambaia", 1978)
2. "O Meu Guri" ("Almanaque", 1982)
3. "Geni e o Zeppelin" (Trilha sonora da peça "Ópera do Malandro", 1977)
4. "Roda Viva" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 3", 1968)
5. "Jorge Maravilha" (aka Julinho da Adelaide, 1974)
6. "Cotidiano" ("Construção", 1971)
7. "Cálice" ("Chico Buarque" ou "Disco da Samambaia", com Gilberto Gil, 1978, por Milton Nascimento e Chico Buarque)
8. "Construção" ("Construção", 1971)
9. "Hino da Repressão" (Trilha Sonora do filme "Ópera do Malandro", 1985)
10. "Meninos, Eu Vi" (Trilha Sonora do filme "Para Viver um Grande Amor", com Tom Jobim, 1983)
Leocádia Costa
publicitária, produtora cultural e locutora (Porto Alegre/RS)
1. "Biscate"
2. "Paratodos" ("Paratodos", 1993)
3. "Tua Cantiga" ("Caravanas", com Cristóvão Bastos, 2017)
4. "Imagina" ("Carioca", com Tom Jobim, 2006)
5. "Baioque" ("Quando o Carnaval Chegar", 1972, por Maria Bethânia)
6. "Minha Canção" ("Os Saltimbancos", com Sérgio Bardotti e Enriquez, 1977)
7. "Beatriz" ("O Grande Circo Místico", com Edu Lobo, 1983)
8. "Roda Viva" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 3", 1968)
9. "Samba e Amor"("Chico Buarque de Hollanda - vol. 4", 1970)
10. "Cotidiano" ("Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo", 1972, com Caetano Veloso)
Clayton Reis
arquiteto, cartunista e blogueiro (Rio de Janeiro/RJ)
"Que tarefa ingrata escolher só dez. Meu Deus! Vai indo 1, 2, 3 e vai se aproximando de 10 e a gente fica pensando, 'mas essa vai ficar de fora', 'e aquela...', 'e aquela outra...'. É uma obra incrível, muita coisa maravilhosa, letras incríveis, fases distintas, temas, motivações. Não tem nem o que falar. Só aplaudir um cara assim, agradecer por existir há 8 décadas e nos dar coisas como essas."
1. "Construção"
2. "Rosa dos Ventos" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 4", 1970)
3. "O que Será? ((À flor da pele)" ("Meus Caros Amigos", 1976)
4. "Vai Passar" ("Chico Buarque", com Francis Hime, 1984)
5. "Cotidiano"
6. "Apesar de Você"
7. "Agora Falando Sério" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 4", 1970)
8. "Geni e o Zeppelin"
9. "Samba do Grande Amor" ("Chico Buarque", 1984)
10. "Jorge Maravilha"
Daniel Rodrigues
jornalista, escritor, radialista e blogueiro (Porto Alegre/RS)
"'A gente se torna repetitivo falar que 10 músicas não são suficientes para dar conta da grandiosidade de Chico Buarque. Fazer o quê? Muito queria ter incluído aqui 'Mil Perdões', 'Samba e Amor', 'Leo', 'Pedro Pedreiro', 'Assentamento', 'Ciranda da Bailarina', 'Alumbramento', 'Rosa dos Ventos', 'Sinhá'... mas não cabem. Fico com o sintético depoimento do amigo Tom Jobim, que dizia, atribuindo sua genialidade aos deuses da religiosidade afro-brasileira, que Chico era 'um cavalo'".
1. "Construção"
2. "Vida" ("Vida", 1980)
3. "A Bela e a Fera"("O Grande Circo Místico", com Edu Lobo, 1983, por Tim Maia)
4. "Futuros Amantes" ("Paratodos", 1993)
5. "Vai Passar"
6. "O Meu Guri"
7. "Tua Cantiga"
8. "Beatriz"
9. "Amando sobre os Jornais" ("Mel", 1979, por Maria Bethânia)
10. "Estação Derradeira" ("Francisco", 1987)
Lívia Araújo
jornalista e ilustradora (Porto Alegre/RS)
"Amo Chico e seu repertório pela sua amplidão de temas e estilos: tanto interpretando a realidade brasileira e seus personagens, quanto falando sobre os meandros íntimos de homens e mulheres nos mais variados contextos. A música do Chico, que dá o balanço perfeito entre melancolia e alegria, exaltação e introspecção, é a expressão perfeita de alguém que entende como o brasileiro, em suas próprias palavras na ocasião da entrega tardia do Prêmio Camões, traz nas veias "o sangue do açoitado e do açoitador. Bônus track. 'Samba de Orly'".
1. "Tanto Amar" ("Almanaque", 1982)
2. "Vai Passar"
3. "Feijoada Completa"("Chico Buarque" ou "Disco da Samambaia", 1978)
4. "Joana Francesa" (Trilha sonora do filme "Joana Francesa", 1973)
5. "Geni e o Zeppelin"
6. "João e Maria" ("Os Meus Amigos São Um Barato", com Sivuca, 1977, por Nara Leão)
7. "Roda Viva"
8. "Caçada" ("Quando o Carnaval Chegar", 1972)
9. "Acorda, Amor" (aka Julinho da Adelaide, "Sinal Fechado", 1974)
10. "Terezinha" (Trilha sonora da peça "Ópera do Malandro", 1977, por Gal Costa)
Thomas Pappon
músico (Londres/Inglaterra)
1. "Samba e Amor"
2. "Cotidiano"
3. "Partido Alto" ("Quando o Carnaval Chegar", 1972, por MPB-4)
4. "Ana de Amsterdã" ("Chicocanta" ou "Calabar", com Ruy Guerra, 1972)
5. "Construção"
6. "Gente Humilde" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 4", com Garoto e Vinícius de Moraes, 1970)
7. "Pois É" ("Chico Buarque de Hollanda - vol. 4", com Tom Jobim, 1970)
8. "Deus lhe Pague" ("Construção", 1971)
9. "Olha Maria" ("Construção", com Tom Jobim, 1971)
10. "Joana Francesa"
Márcio Pinheiro
jornalista e escritor (Porto Alegre/RS)
"Aí vai uma lista idiossincrática: 10 músicas de Chico Buarque em parcerias. A melhor do Chico em parceria com:"
1. Caetano Veloso: "Vai Levando" ("Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo", 1975)
2. Edu Lobo: "História de Lily Braun" ("O Grande Circo Místico", 1983, por Gal Costa)
3. Francis Hime: "A Noiva da Cidade" ("Meus Caros Amigos", 1974)
4. Gilberto Gil: "Cálice"
5. João Donato: "Cadê Você?" ("Francisco", 1987)
6. Miltinho: "Angélica" ("Almanaque", 1982)
7. Ruy Guerra: "Tatuagem"
8. Sivuca: "João e Maria"
9. Tom Jobim: "Retrato em Branco e Preto"("Chico Buarque de Hollanda - vol. 3", 1968)
10. Toquinho: "Samba de Orly" ("Construção", 1971) e Vinicius de Moraes: "Valsinha" ("Construção", 1971)
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As mais votadas
"Construção", "Cotidiano" - 4 votos
"Roda Viva", "Geni e o Zeppelin", "Vai Passar" - 3 votos
"Biscate", "Beatriz", "Apesar de Você", "Cálice", "Tatuagem", "O Meu Guri", "Jorge Maravilha", "Tua Cantiga", "Samba e Amor", Joana Francesa", "João e Maria" - 2 votos
"Vai Levando", "História de Lily Braun", "A Noiva da Cidade", "Cadê Você?", "Angélica", "Retrato em Branco e Preto", "Samba de Orly", "Valsinha", "Partido Alto", "Ana de Amsterdã", "Gente Humilde", "Pois É", "Deus lhe Pague", "Olha Maria", "Tanto Amar", "Feijoada Completa", "Caçada", "Acorda, Amor", "Terezinha", "Vida", "A Bela e a Fera", "Futuros Amantes", "Amando sobre os Jornais", "Estação Derradeira", "Rosa dos Ventos", "O que Será? ((À flor da pele)", "Agora Falando Sério", "Samba do Grande Amor", "Paratodos", "Imagina", "Baioque", "Minha Canção", "Hino da Repressão", "Meninos, Eu Vi", "Bom Conselho", "Pedro Pedreiro", "Eu Te Amo", "As Caravanas", "Bye Bye Brasil", "Mil Perdões", "Ode aos Ratos" e "Todo o Sentimento" - 1 voto