Curta no Facebook

Mostrando postagens classificadas por data para a consulta "La La Land". Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta "La La Land". Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de março de 2026

Clyblood #8 - "Pecadores", de Ryan Coogler (2025)


INDICADO A:
MELHOR FILME
DIREÇÃO
ATOR
ATRIZ COADJUVANTE
ATOR COADJUVANTE
ROTEIRO ORIGINAL
SELEÇÃO DE ELENCO
DIREÇÃO DE ARTE
FOTOGRAFIA
FIGURINO
MONTAGEM
MAQUIAGEM E CABELO
SOM
EFEITOS VISUAIS
TRILHA SONORA ORIGINAL
CANÇÃO ORIGINAL


O blues é a música do Diabo
por Cly Reis

As impressões que me passavam a respeito de "Pecadores" na época do lançamento eram simplistas, genéricas e um tanto depreciativas. Havia uma opinião corrente que se tratava de nada mais que um novo "Um Drink no Inferno" em outro contexto. Aí que fui para ele com a expectativa de assistir a mais um filme de vampiros qualquer sem maiores qualidades. Foi até bom esperá-lo desta maneira pois aos poucos foi, cada vez mais, revelando valor, qualidades, mostrando que, absolutamente, não se resumia a uma aventura banal, um terror barato com tema batido, uma imitação oportunista.

"Pecadores" é um filme sobre a identidade do negro, a alma do negro e a tentativa de intimidar suas manifestações e, não sendo possível isso, roubá-la.

No longa, dois gêmeos retornam à sua cidade depois de muito tempo, com a intenção de abrir uma casa de blues só para negros. Na noite de abertura, um pequeno grupo de brancos aparece no local e insistem em serem convidados a entrar na festa. Os três misteriosos brancos virão a se revelar, na verdade, vampiros que, não conseguindo entrar, tentam então contaminar outros negros de modo a atingir os demais lá dentro.

Uma metáfora sobre a apropriação da cultura negra, da interferência, da vigilância sobre os hábitos e tradições dos afrodescendentes na América. Algo como, "Se não pudermos fazer parte, tomamos para nós e ainda destruímos a imagem de vocês".

Muito mais do que apenas um filme de vampiro, muito mais do que meramente um filme sobre blues, "Pecadores" se utiliza da linguagem do horror para expor o verdadeiro terror de uma realidade de perseguições, violência, covardia e humilhação, mas muito hábil funde essa treva, esse mal, à beleza do blues, à riqueza da cultura negra criando uma obra única na filmografia recente do cinema.
A cena da festa, em que o jovem bluesman toca e evoca toda a cultura negra, ancestral e futura, para o salão é algo mágico e absolutamente emocionante. De arrepiar!!!

Grandes atuações, especialmente de Michael B. Jordan (que eu nem gosto muito) fazendo os gêmeos protagonistas, grande trilha sonora, ótima maquiagem, direção competentíssima! "Pecadores" justifica seu grande número de indicações ao Oscar pelo grande número de virtudes que tem em diversos âmbitos. Se vai ganhar em muitas é outra história, mas as nomeações por si só valorizam suas qualidades.

"Pecadores" é terror, é musica, é drama. É sangue, é pele, é ritmo. É vermelho, é negro, é blue! E se o blues é a música do diabo, como muitas lendas falam a respeito de pactos, maldições, almas perdidas, nada mais apropriado que essa tenha sido o tema dessa obra que já nasce como um novo clássico do terror, do cinema de vampiros e do cinema negro. Deixem tocar o blues!

O blues invocando espíritos do passado e do futuro.




🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛


Sangue sem pecado
por Daniel Rodrigues


Ryan Coogler
, assim como outros cineastas negros norte-americanos da nova geração, como Steve McQueenJordan PeeleKasi Lemmons e Anthony Fuqua, são comprometidos com a causa negra. Todos sabem que, diante do nível que alcançaram dentro na indústria cinematográfica depois de décadas de apagamento da voz negra, não podem perder oportunidades de dizerem aquilo que ficou por tanto tempo silenciado. Em “Pecadores”, filme premiado de Coogler recordista em indicações ao Oscar na história, com 16 - batendo  "A Malvada" (1950), "Titanic' (1997) e "La La Land" (2016), todos com 14 -, essa máxima prevalece. E de uma forma bem original.

Com figurinos, atuações, direção de arte e, principalmente, uma trilha sonora acachapante, “Pecadores” traz a história dos irmãos gêmeos Smoke e Stack (ambos interpretados por Michael B. Jordan), que voltam à sua cidade natal com o objetivo de reconstruir a vida e apagar um passado conturbado. Endinheirados, eles querem montar um juke joint, casa noturna com música ao vivo para a comunidade negra. Porém, uma força maligna passa a persegui-los e busca tomar conta da cidade e de todos os cidadãos, obrigando-os a lutar para sobreviver e a lidar com lendas e mitos ameaçadores à suas existências. É a luta dos vampiros brancos contra os mocinhos pretos.

Celebrado por gente como Spike LeeChristopher Nolan e Tom Cruise, Coogler não só realiza um filme diferenciado como exercita sua já provada versatilidade, uma vez que é diretor de dois blockbusters dos tempos atuais, o revolucionário MCU “Pantera Negra” e a exitosa franquia “Creed”, spin-off de “Rocky”, dois projetos totalmente distintos, mas ambos construídos com muita habilidade por ele. Ao colocar a questão do preconceito racial no cerne de um thriller de terror, o cineasta reafirma o inteligente caminho aberto por Peele em “Corra!” e “Nós”, marcos do que se pode chamar de neo black horror, porém adicionando uma problemática há muito aventada, mas pouco discutida: a apropriação cultural.

O caminho é o que se conhece: a sociedade brancocêntrica primeiro nega a existência do negro, relegando-o ao “não-ser”, apaga sua história, descredibiliza sua produção intelectual e o oprime moral, material e fisicamente para, feito isso, roubar-lhe suas riquezas. Uma delas, e talvez a de maior evidência nesse histórico roubo simbólico, é a música. Em “Pecadores”, essa questão é o centro da disputa: por inveja dos caipiras brancos dessa cultura preta verdadeira e elevada, eles tornam-se vampiros. De sangue, literalmente, o mesmo que mentem ser desprovido de nobreza, mas que tanto se mordem (opa, no pescoço?!) por não tê-los correndo em suas veias.

Sangue não à toa tão valorizado. Uma das cenas de “Pecadores”, que vale o filme, mostra o personagem Sammie "Preacher Boy" Moore (Miles Caton) cantando e tocando um blues no bar e fazendo emergir do além diversas almas negras em camadas simbólicas e tempos que se misturam. Dos primórdios do blues, nascido das mentes e corações amargurados dos escravos, até os rappers da atualidade, passando pelo rock, o soul, o funk, o gospel e toda contribuição do negro dos Estados Unidos para a cultura pop. Simplesmente genial.

Antológica cena de "Pecadores" em que a magia da música negra faz o tempo se diluir

As resoluções para a trama sobrenatural que o filme vai ganhando, principalmente a partir de sua segunda metade, são boas, mas não empolgantes. O stinger, a cena pós-créditos, este sim (sem dar spoiler) é surpreendente, mas não suficiente para elevar um filme a uma classificação maior do que “bom”. Já Michael B. Jordan é um capítulo à parte. Ele passou a ser mais valorizado enquanto indicado como Melhor Ator ao Oscar depois do triste e revoltante episódio de racismo em plena cerimônia do Bafta, na Inglaterra, em fevereiro - onde, aliás, levou o prêmio. Embora agora com mais atenções para si, o astro não está tão bem quanto nos dois outros filmes que fez com Coogler, exatamente “Pantera...” e “Creed” – este último, no qual é protagonista. Agora, ele concorre com Wagner Moura e Timothée Chalamet, os dois fortes candidatos entre os indicados, mas pode ser que surja como uma terceira via por conta de um falso moralismo da Academia. Não será mal dado, mas menos justo e, se acontecer como prêmio de consolação por causa desse mal-estar, hipócrita.

Independentemente de qualquer coisa, Coogler faz história e, mais uma vez, acerta em sustentar o discurso antirracista ao qual é um importante porta-voz na indústria cultural. Ele sabe disso e mantém-se fiel ao compromisso de evidenciar as barbaridades promovidas pelo racismo na sociedade, mas também toda a riqueza da cultura afro-americana em suas infinitas frentes. Neste sentido, “Pecadores” cumpre muito bem sua proposição. Sem cometer nenhum pecado.

trailer de "Pecadores"





🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛🧛


"Pecadores" 
título original: "Sinners"
direção: Ryan Coogler
elenco: Michael B. Jordan, Delroy Lindo, Hailee Steinfeld
gênero: terror, ação, musical
duração: 138 min.
país: Estados Unidos
ano: 2025
onde assistir: HBO Max e Prime Video (pago)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Oscar 2026 - Os Indicados


Nosso "O Agente Secreto" é o Brasil no Oscar. De novo!
Desde a manhã desta quinta-feira, 22 de fevereiro, nós brasileiros podemos afirmar: “ainda estamos aqui!” O “aqui” a que me refiro, claro, é o Oscar, que o filme brasileiro “O Agente Secreto”, multivencedor em diversos festivais pelo mundo, inclusive o Globo de Ouro em duas categorias a pouco mais de uma semana, tornou-se um dos indicados a quatro estatuetas. O parafraseado que remete ao filme “Ainda Estou Aqui”, indicado a três Oscar e vencedor em Filme Internacional no ano passado, não é mera brincadeira semântica, visto que tem, sim, relação com o feito de “O Agente...”, que dá seguimento a esta visibilidade ao cinema nacional e também empata em indicações com outro filme brasileiro, “Cidade de Deus”, de 2002. Ou seja: já está fazendo história.

É importante que se diga que estas quatro indicações ao Oscar para o filme de Kleber Mendonça Filho são ainda mais significativas. A grande diferença desta vez é que, ao invés de apenas ser uma grande conquista as indicações em si, “O Agente...” tem grandes chances de ganhar em pelo menos uma dessas categorias, que acredito ser a de Filme Internacional, ao contrário de “Cidade...”, que não ganhou nenhum na época. Isso mostra que estamos num momento muito mais maduro do cinema brasileiro em relação à sua visibilidade internacional, ao contrário de quando concorremos com “Cidade...” em que a imagem que tínhamos era muito mais de “azarão” ou de “distantes”, mesmo com toda a influência que o filme de Fernando Meirelles e Katia Lund exerceu no cinema mundial à época. Isso, somado ao sucesso de “Ainda...” desde o ano passado e de vários outros filmes brasileiros que também têm sido apreciados lá fora e aqui dentro, deixa claro que estamos, sim, num momento histórico para o cinema brasileiro.

“O Agente...” entra no páreo também na categoria de Ator, para Wagner Moura, embora a tendência é premiarem, depois de tantas indicações, Timothée Chalamet por “Marty Supreme”. Não diria que é injusto, mas filme por filme, fico com “O Agente...”, o que engrandece, a meu ver, a atuação de Wagner. Veremos, mas seria a glória que o baiano ganhasse, hein? Noutra em que o filme concorre é a de Direção de Elenco, a nova categoria do Oscar incluída este ano. Novamente, o brasileiro mereceria, até pela perícia de realizar um filme repleto de personagens e tendo vários atores locais (o chamado “desconhecidos” para os gringos). Porém, “Pecadores” e “Uma Batalha após a Outra” saem na frente, principalmente o longa de Paul Thomas Anderson, repleto de atores top e com a sua conhecida habilidade de direção de atores.

Enfim, a categoria menos provável a que “O Agente...” se sagre campeão, que é a de Filme. Nesta, novamente “Uma Batalha...” desponta, acompanhado de perto de “Hamnet”. Entretanto, assim como para com “Ainda...” em 2025, contar com um brasileiro (e falado em português!) entre os 10 selecionados – mérito que cresce ainda mais considerando que, junto com o norueguês “Valor Sentimental”, é o único estrangeiro da lista.

De resto, o bom “Pecadores” sai supervalorizado, talvez até em demasia, com 16 indicações, recorde em quase 100 anos de Oscar, batendo “Tudo sobre Eva” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2016). Embora goste do diretor Ryan Coogler, torço mesmo para que ganhe Música Original e ator coadjuvante para Delroy Lindo. No mais, Chloé Zhao rivaliza com P.T. Anderson em Direção, legal ver Amy Madigan indicada a Atriz Coadjuvante pelo terror “A Hora do Mal” e “Valor Sentimental”, badalado até o Globo de Ouro, onde ficou apenas com o de Ator em Drama e perdeu "musculatura", embora indicado a 9 Oscar (recorde para um filme da Noruega), talvez saia com um ou dois (Atriz Coadjuvante, Roteiro Original...). Tomara que naquela que é sua maior chance, Filme Internacional, “confirme a derrota” para “O Agente...”.

Mas o Brasil está em evidência não só em quatro categorias, mas em cinco! Isso porque o brasileiro Adolpho Veloso concorre em Fotografia pela produção norte-americana “Sonhos de Trem”. Entretanto, “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa, que concorreu sete anos atrás a Documentário por “Democracia em Vertigem”, desta vez não entrou na lista. Aqui, a aposta é no impactante “A Vizinha Perfeita”.

Confiram, então, a lista completa dos indicados ao Oscar 2026, agora em plena torcida para “O Agente...” e Veloso, que o Brasil diz que ainda estamos aqui, na vitrine do cinema mundial, e daqui não queremos mais sair. 

🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥🎥

Melhor Filme

"Bugonia"

"F-1"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"

"Sonhos de Trem"


Melhor Direção

Chloé Zhao, por "Hamnet"

Josh Safdie, por "Marty Supreme"

Paul Thomas Anderson, por "Uma Batalha Após A Outra"

Joachim Trier, por "Valor Sentimental"

Ryan Coogler, por "Pecadores"


Melhor Ator

Timothée Chalamet, por "Marty Supreme"

Leonardo DiCaprio, por "Uma Batalha Após A Outra"

Ethan Hawke, por "Blue Moon"

Michael B. Jordan, por "Pecadores"

Wagner Moura, por "O Agente Secreto"


Melhor Atriz

Jessie Buckley, por "Hamnet"

Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"

Kate Hudson, por "Song Sung Blue"

Renat Reinsve, por "Valor Sentimental"

Emma Stone, por "Bugonia"


Melhor Ator Coadjuvante

Benicio del Toro, por "Uma Batalha Após A Outra"

Jacob Elordi, por "Frankenstein"

Delroy Lindo, por "Pecadores"

Sean Penn, por "Uma Batalha Após A Outra"

Stellan Skarsgård, por "Valor Sentimental"


Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, por "Valor Sentimental"

Inga Ibsdotter Lilleaas, por "Valor Sentimental"

Amy Madigan, por "A Hora do Mal"

Wunmi Mosaku, por "Pecadores"

Teyana Taylor, por "Uma Batalha Após A Outra"


Melhor Elenco

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"O Agente Secreto"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Original

"Blue Moon"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Marty Supreme"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhor Roteiro Adaptado

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sonhos de Trem"


Melhor Filme de Animação

"Arco"

"Elio"

"Guerreiras do K-pop"

"A Pequena Amélie"

"Zootopia 2"


Melhor Filme Internacional

"O Agente Secreto"

"Foi Apenas Um Acidente"

"Valor Sentimental"

"Sirāt"

"The Voice of Hind Rajab"


Melhor Documentário em Longa-Metragem

"Alabama: Presos no Alabama"

"Embaixo da Luz Neon"

"Cutting Through Rocks"

"Mr Nobody Against Putin"

"A Vizinha Perfeita"


Melhor Documentário em Curta-Metragem

"Quartos Vazios"

"Armed Only with a Camera: The Life and Death of Brent Renaud"

"Children No More: Were and are Gone"

"O Diabo Não Tem Descanso"

"Perfectly A Strangeness"


Melhor Curta-Metragem em Live Action

"Butcher's Stain"

"A Friend Of Dorothy"

"Jane Austen's Period Drama"

"The Singers"

"Two People Exchanging Saliva"


Melhor Animação em Curta-Metragem

"Butterfly"

"Forevergreen"

"The Girl Who Cried Pearls"

"Retirement Plan"

"The Three Sisters"


Melhor Trilha Sonora

"Bugonia"

"Frankestein"

"Hamnet"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Canção Original

"Dear Me", de "Diane Warren: Relentless"

"Golden", de "Guerreiras do K-pop"

"I Lied To You", de "Pecadores"

"Sweet Dreams Of Joy", de "Viva Verdi!"

"Sonhos de Trem", de "Sonhos de Trem"


Melhor Som

"F-1"

"Frankenstein"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"

"Sirāt"


Melhor Fotografia

"Frankenstein"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Sinners"

"Sonhos de Trem"


Melhor Design de Produção

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Pecadores"


Melhor Figurino

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"Frankenstein"

"Hamnet"

"Marty Supreme"

"Pecadores"


Melhor Cabelo e Maquiagem

"Frankenstein"

"Kokuho"

"Pecadores"

"Coração de Lutador: The Smashing Machine"

"A Meia-Irmã Feia"


Melhor Montagem

"F-1"

"Marty Supreme"

"Uma Batalha Após A Outra"

"Valor Sentimental"

"Pecadores"


Melhores Efeitos Visuais

"Avatar: Fogo e Cinzas"

"F-1"

"Jurassic World: Recomeço"

"O Ônibus Perdido"

"Pecadores"


Daniel Rodrigues


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Oscar 2025 - Os Indicados

 


Podemos dizer que 23 de janeiro de 2025 foi um dia de glória para o cinema brasileiro. Afinal, nunca antes na história deste país um filme nacional havia recebido a indicação ao Oscar de Melhor Filme. “Ainda Estou Aqui”, o excelente filme de Walter Salles sobre a família Paiva durante o período da Ditadura Militar no Brasil, foi anunciado hoje ao Oscar 2025 junto com mais uma centena de outros títulos a esta e outras várias categorias do maior prêmio do cinema mundial.

Mas não só isso: além da inédita indicação, o filme de Waltinho concorre também a Melhor Filme Internacional – no qual tem boas chances de ganhar – e na de Melhor Atriz para Fernanda Torres, que interpreta Eunice Paiva no filme. A vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama e que desbancou daquela premiação para esta ninguém menos que Kate Winslet, Angelina Jolie, Tilda Swinton e Nicole Kidman, tem agora à frente, no Oscar, outras quatro candidatas. Porém, também passa a encarar de frente Demi Moore, destacada em seu papel em “A Substância” e que carrega em si e em sua personagem um discurso de feminismo e etarismo que pode convencer Hollywood a reconhecê-la depois de tantos anos. Porém, Fernanda está melhor. Que se faça justiça.

Nas outras categorias, sem grandes surpresas: várias indicações ao franco-mexicano “Emilia Perez” (13, o de mais nominações), “Wicked” e “O Brutalista” (10 cada), além de “Um Completo Desconhecido”, “Conclave” (8 cada), “Anora” (6), “Duna: Parte 2” e “A Substância” (5 cada). Destes, parece sair na frente em Filme “O Brutalista”, mas “Anora”, Palma de Ouro em Cannes, pode surpreender nesta categoria na qual “Ainda...” tem certamente menos chances. Mas em Filme Internacional, o brasileiro tem outro rival: “Emilia Perez”. O confuso filme de Jacques Audiard, embora campeão em indicações, tem recebido críticas das comunidades mexicana e latina e LGBTQIAPN+ por sua narrativa superficial e sem “lugar de fala”, o que pode influenciar os jurados em favor de “Ainda...”. Tomara.

De resto, aquelas coisas de sempre do Oscar: falta de algo aqui, excesso de algo ali, ausência de um outro acolá. Críticos dizem que “Sing Sing”, que retrata uma história verídica do sistema prisional norte-americano, merecia mais reconhecimento além das apenas duas indicações que teve (Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original). Sobrando, o bruxesco “Wicked”, que aparece em vários dos prêmios técnicos, mas desnecessariamente em Filme, Atriz e Edição. E Clint Eastwood, com seu genial “Jurado nº 2”, quem viu? A Academia não dá nem as horas pro velho cowboy, e justo em sua obra de despedida... Fazer o quê? Só torcer por “Ainda...“ e conferir a lista completa dos indicados, que a gente traz aqui abaixo e segue acompanhando os filmes até a premiação em 2 de março. E viva o cinema brasileiro!

📹📹📹📹📹📹📹📹


Melhor Filme
“Anora”
“O Brutalista”
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave“
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Ainda Estou Aqui”
“Nickel Boys”
“A Substância”
“Wicked”

Melhor Direção
Sean Baker por “Anora”
Brady Cobert por “O Brutalista”
James Mangold por “Um Completo Desconhecido”
Jacques Audiard por “Emilia Pérez”
Coralie Fargeat por “A Substância”

Melhor Ator
Adrien Brody, por “O Brutalista”
Timothée Chalamet, por “Um Completo Desconhecido”
Colman Domingo, por “Sing Sing”
Ralph Fiennes, por “Conclave”
Sebastian Stan, por “O Aprendiz”

Melhor Atriz
Cynthia Erivo, de “Wicked”
Karla Sofía Gascón, de Emilia Pérez
Mikey Madison, por “Anora”
Demi Moore, por “A Substância”
Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui”

Melhor Ator Coadjuvante
Yura Borisov, por “Anora”
Kieran Culkin, “A Verdadeira Dor”
Edward Norton, “Um Completo Desconhecido”
Guy Pearce, de “O Brutalista”
Jeremy Strong, de “O Aprendiz”

Melhor Figurino
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave“
“Gladiador II”
“Nosferatu”
“Wicked”

Melhor Cabelo e Maquiagem
“Um Homem Diferente”
“Emilia Pérez”
“Nosferatu”
“A Substância”

Melhor Trilha Sonora Original
“O Brutalista”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Wicked”
“Robô Selvagem”

Melhor Curta-Metragem em Live-Action
“A Lien”
“Anuja”
“I’m Not a Robot”
“The Last Ranger”
“The Man Who Could Not Remain Silent”

Melhor Animação em Curta-Metragem
“Beautiful Men”
“In the Shadow of the Cypress”
“Magic Candies”
“Wander to Wonder”
“Yuck!”

Melhor Roteiro Original
“Anora”
“O Brutalista”
“A Verdadeira Dor”
“A Substância”
“September 5”

Melhor Roteiro Adaptado
“Um Completo Desconhecido”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Nickel Boys”
“Sing Sing”

Melhor Atriz Coadjuvante
Monica Barbaro, por “Um Completo Desconhecido”
Ariana Grande, por “Wicked”
Felicity Jones, por “O Brutalista”
Isabella Rossellini, por “Conclave”
Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”

Melhor Canção Original
“El Mal”, de “Emilia Pérez”
“The Journey”, de “The Six Triple Eight”
“Like a Bird”, de “Sing Sing”
“Mi Camino”, de “Emilia Pérez”
“Never Too Late”, de “Elton John: Never Too Late”

Melhor Documentário
“Black Box Diaries”
“No Other Land”
“Porcelain War”
“Soundtrack to A Coup D’Etat”
“Sugarcane”

Melhor Documentário de Curta-Metragem
“Death By Numbers”
“I am Ready, Warden”
“Incident”
“Instruments of a Beating Heart”
“The Only Girl in the Orchestra”

Melhor Filme Internacional
“Ainda Estou Aqui”
“The Girl with the Needle”
“Emilia Pérez”
“The Seed of the Sacred Fig”
“Flow”

Melhor Animação
“Flow”
“DivertidaMente 2”
“Memoir of a Snail”
“Wallace e Gromit: Vengeance Most Fowl”
“O Robô Selvagem”

Melhor Design de Produção
“O Brutalista”
“Conclave”
“Duna: Parte 2”
“Nosferatu”
“Wicked”

Melhor Edição
“Anora”
“O Brutalista”
“Conclave”
“Emilia Pérez”
“Wicked”

Melhor Som
“Um Completo Desconhecido”
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Wicked”

Melhores Efeitos Visuais
“Alien: Romulus”
“Better Man”
“Duna: Parte 2”
“O Reino do Planeta dos Macacos”
“Wicked”

Melhor Fotografia
“O Brutalista”
“Duna: Parte 2”
“Emilia Pérez”
“Maria”
“Nosferatu”


Daniel Rodrigues

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Um King Kong no Oscar



E o que foi aquilo ontem?
Não fosse o constrangimento, a reversão de expectativa, até algum comprometimento de credibilidade, eu poderia até achar que aquilo tudo teria sido proposital talvez para aumentar o impacto em torno do anúncio do vencedor, um golpe promocional, mais uma das piadas do mestre de cerimônias, qualquer coisa do tipo, mas não. O anúncio do prêmio principal da noite do Oscar tornou-se provavelmente um dos maiores micos da história desde que o homem passou a celebrar eventos e exibi-los publicamente. Mico, não! Praticamente um King Kong.
Tudo ia caminhando conforme o script: o apresentador Jimmy Kimmel ia fazendo suas gracinhas; todo mundo, à sua maneira, ia tirando uma lasquinha do Trump; "La La Land" ia ganhando os seus mas não ia fazendo "a limpa"; as premiações iam se dividindo irmanamente entre os favoritos, com alguma justiça; coincidência ou não mas, depois da polêmica racial do ano passado, negros iam ganhando praticamente todos os prêmios que disputavam; uma zebra aqui, outra ali ia pintando mas sem maiores absurdos, até que na hora da categoria final, a de melhor filme, um dos momentos mais aguardados da noite, a dupla Bonnie and Clyde, Warren Beatty e Faye Danaway, encarregada de anunciar o prêmio, depois de hesitar um pouco, parecendo um pouco em dúvida, anunciou "La La Land" como o grande vencedor, o que somado às suas 6 estatuetas já conquistadas e ao Oscar de melhor diretor já arrebatado por Damien Chazelle, garantiam-lhe uma condição de absoluta superioridade em relação a seus concorrentes. Representantes chamados ao palco, diretor, atoes, produtores se abraçando, comemoração, discurso iniciado... Até que... peraí, paraí, paraí... E não é que estava errado? Inacreditável! O próprio produtor de "La La Land" alertado do equívoco apressou-se em corrigir avisando que "Moonlight" era quem havia vencido. Beatty e Danaway, apesar da idade avançada não haviam lido mal ou cometido um engano de velhos gagás. A produção, por alguma carga d'água, sabe-se lá porquê, entregara ao casal de apresentadores o envelope de melhor atriz, prêmio que já havia sido entregue, vencido por Emma Stone, de "La La Land". Daí a confusão dos velhinhos que, vendo-se com aquele envelope na mão, apesar de alguma hesitação, acharam, "Bom, deve ser esse mesmo".O vexame histórico, que repetiu o recentemente acontecido no concurso de Miss Universo, no fim das contas reestabeleceu parte do equilíbrio necessário à premiação uma vez que "La La Land", apesar de seu enorme número de indicações, não era tão superior assim aos outros a ponto de sair com tantos prêmios a mais e arrebatar de quebra filme e direção. "Moonlight - Sob a luz do luar", que era tido como o possível estraga-prazeres do favorito, cumpriu seu destino e estragou a festa de seu concorrente... e da maneira mais desagradável possível.


Confira abaixo a lista dos vencedores da noite de ontem:




Waren Beatty mostrando o envelope correto e corrigindo o erro.
Melhor Filme

Melhor Diretor

Melhor Atriz

Melhor Ator

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Roteiro Original

Melhor Roteiro Adaptado

Melhor  Animação

Melhor Documentário em Curta-Metragem
  • Os Capacetes Brancos

Melhor Documentário em Longa-Metragem
  • O.J.: Made in America

Melhor Longa Estrangeiro
  • O Apartamento (Irã)

Melhor Curta-Metragems
  • Sing

Melhor Curta em Animação
  • Piper

Melhor Canção Original

Melhor Fotografia

Melhor Figurino

Melhor Maquiagem e Cabelo

Melhor Mixagem de Som

Melhor Edição de Som

Melhores Efeitos Visuais

Melhor Design de Produção

Melhor Edição

Melhor Trilha Sonora


C.R.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Dia de Oscar


E esta noite acontece a cerimônia de entrega do Oscar, um dos prêmios mais importantes e, sem dúvida, o mais badalado da indústria cinematográfica. O musical "La La Land - Cantando Estações", com 14 indicações surge como inevitável grande favorito mas é bom abrir o olho com os bons "Manchester à beira mar", "A Chegada" e "Moonlight" que correm por fora também com boas possibilidades.
Confira a lista com todos os indicados:


Melhor Filme
Melhor Diretor
Melhor Atriz
Melhor Ator
Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Atriz Coadjuvante
 Melhor Roteiro Original
 Melhor Roteiro Adaptado
Melhor  Animação
 Melhor Documentário em Curta-Metragem
  • Extremis
  • 4.1 Miles
  • Joe's Violin
  • Watani: My Homeland
  • Os Capacetes Brancos
Melhor Documentário em Longa-Metragem
  • Fogo no Mar
  • Eu Não Sou Seu Negro
  • Life, Animated
  • O.J.: Made in America
  • 13ª Emenda
 Melhor Longa Estrangeiro
  • Terra de Minas (Dinamarca)
  • A Man Called Ove (Suécia)
  • O Apartamento (Irã)
  • Tanna (Austrália)
  • Toni Erdmann (Alemanha)
Melhor Curta-Metragem
  • Ennemis Intérieurs
  • La Femme et le TGV
  • Silent Nights
  • Sing
  • Timecode
Melhor Curta em Animação
  • Blind Vaysha
  • Borrewed Time
  • Pear Cider and Cigarettes
  • Pearl
  • Piper
Melhor Canção Original
  • "Audition (The Fools Who Dream)" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
  • "Can't Stop the Feeling" | Música e canção de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster - Trolls
  • "City of Stars" | Música de Justin Hurwitz, canção de Benj Pasek e Justin Paul - La La Land: Cantando Estações
  • "The Empty Chair" | Música e canção de J. Ralph e Sting - Jim: The James Foley Story
  • "How Far I'll Go" | Música e canção de Lin-Manuel Miranda - Moana: Um Mar de Aventuras
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Maquiagem e Cabelo
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição de Som
Melhores Efeitos Visuais
Melhor Design de Produção
  • Patrice Vermette (design de produção) e Paul Hotte (decoração de set) - A Chegada
  • Stuart Craig (design de produção) e Anna Pinnock (decoração de set) - Animais Fantásticos e Onde Habitam
  • Jess Gonchor (design de produção) e Nancy Haigh (decoração de set) - Ave, César!
  • David Wasco (design de produção) e Sandy Reynolds-Wasco (decoração de set) - La La Land: Cantando Estações
  • Guy Hendrix Dyas (design de produção) e Gene Serdena (decoração de set) - Passageiros
Melhor Edição
Melhor Trilha Sonora


C.R.