Vai lá, dá um CURTIR 👍🩷 em
Adoro falar de música. Desde que a música entrou na minha vida é assim. E foi exatamente na metade dos anos 80, quando coisas até então difíceis, muito restritas e até proibidas, começaram a chegar para nós, ainda adolescentes, que o mundo começou a abrir-se à nossa frente. Encontrava-se Sex Pistols, Iron Maiden, Black Sabbath em supermercados e nós consumimos aquilo como comida. Aqueles punks, aqueles metaleiros, aqueles satanistas, agora estavam ao nosso alcance em lojas de departamentos.
Tudo era descobertas e era um grande barato trocar ideias com pessoas que se identificavam com aquelas coisas. Chegávamos a passar madrugadas falando de som com amigos, sobre discos, instrumentistas, preferências, montando listas.
Aquele contexto de coisas novas chegando, combinado com o fim da ditadura militar, incentivara jovens a colocar tudo pra fora, manifestar sua criatividade, colocar sua opinião, e a música era um recurso mais que apropriado para este fim. A juventude oitentista, literalmente, faria ouvir sua voz.
O sistema estava abalado, o punk havia mostrado o caminho de que não precisava de muito para fazer uma música, as tecnologias de gravação haviam dado um salto, os jovens estavam loucos para dar seu recado, e a indústria fotográfica estava sedenta por sangue novo. Assim, uma nova geração começava a mostrar a que viera e o auge dessa expressão, me parece ter acontecido em 1986.
A seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS do clyblog, criada exatamente a partir desse gosto por falar sobre música e grandes discos que gostamos, que admiramos, já vinha revelando esse protagonismo do ano de 1986. No nosso tradicional levantamento anual e cumulativo de discos e artistas que são destacados na seção, esse ano em especial é um dos que mais têm grandes álbuns lembrados, e, no âmbito nacional especialmente, tem diversos grandes representantes.
Nada mais justo que agora, completando 40 anos dessas obras relevantes, elas recebessem o merecido reconhecimento com uma publicação que trata exatamente sobre aquele ano mágico e inspirado da música brasileira.
Tenho a honra e o prazer de fazer parte de um qualificadíssimo time de colaboradores que deram seu depoimento sobre algum álbum lançado naquele incrível 1986. Alguns desses discos que mudaram nossas cabeças, mudaram nossas vidas, nos influenciaram, inspiraram, ou apenas renderam bons papos com amigos. "1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado por Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro, é, antes de tudo, um trabalho de pessoas apaixonadas por música, pessoas que mantém aquele gosto de falar sobre letras, rimas, riffs, melodias, e que entendem o quanto aquele momento, há quarenta anos atrás, foi importante para suas formações. Afinal, todos nós que vivemos aquela época, que ouvimos aquelas coisas fascinantes, que gravávamos fita cassete das rádios FM, que compramos vinis na Mesbla, somos, de certa forma, feitos de anos 80.
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Um dos maiores baratos do clyblog é escrever sobre os discos que gostamos. Desde quando comprávamos, nos anos 80, a revista Bizz, o que mais atraía a meu irmão e a mim era a última sessão, chamada Discoteca Básica. Nem quando a revista passou por uma reformulação para pior, nos anos 90, transformando-se em Showbizz, a parte onde se falava dos discos clássicos perdera sua qualidade. Não à toa, Cly e eu levamos essa ideia para nosso blog – que este ano está completando 18 anos com, inclusive, mais e mais resenhas musicais –, prosseguindo com o prazer de falar sobre os discos que gostamos na seção ÁLBUNS FUNDAMENTAIS.
Mas parecia que nos faltava registrar essa paixão para a posteridade. De tantas coisas que já produzimos, havia um hiato: fora o que está no blog, nada desses textos musicais se materializara noutro formato. Não que o ambiente online não cumpra esse papel em parte, mas é diferente de um volume impresso, né? Pois o convite que recebi por meio dos amigos e colegas Chico Izidro e Lauro Arreguy para integrar o grupo de autores do livro “1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou", organizado pelos dois em parceria com Karina Faria, veio para fechar esse ciclo. Isso, a mim e a meu irmão, tanto que o convite foi estendido a ele e, mais uma vez, estamos nós participando de uma publicação juntos: eu, com a resenha do álbum de estreia da Hanoi-Hanoi, e Cly, com “Selvagem?”, da Paralamas do Sucesso.
Curiosamente, nesses anos todos de blog, dos mais 200 ÁLBUNS FUNDAMENTAIS que já escrevi, por mais que admire e saiba da importância, nenhum é sobre o rock brasileiro de 1986 – diferentemente de Cly, que abordou vários dos clássicos do BRock deste fatídico ano. De brasileiros, falei apenas sobre artistas da MPB: Caetano Veloso e Zeca Pagodinho em seus LPs homônimos daquele ano. Estava mais do que na hora de, enfim, abordar, como diz o próprio livro, os discos que fizeram esta história quarentona.
Caprichado e feito com o esmero de quem é apaixonado por música como nós, o livro traz coisas maravilhosas, que ainda estou sorvendo aos poucos, mas que muito já me agradou o que li. O time de autores já fala por si. A curadoria dos títulos selecionados, idem. Estão listados discos de inegável importância (“Vivendo e Não Aprendendo”, da Ira!, e “Capital Inicial”, por exemplo); outros de grande sucesso comercial (“Rádio Pirata Ao Vivo”, da RPM); outros cultuados (“Só se Vive Duas Vezes”, da Fellini, ou “Desastre Mental”, da Herva Doce), outros emblemáticos (a coletânea “Rock Grande do Sul”, “Viva”, da Camisa de Vênus, ou ainda “O Futuro é Vortex”, d'Os Replicantes). O ano de 1986 é tão marcante que é dele que saem dois dos melhores discos não apenas do rock nacional, mas da música brasileira de todos os tempos: “Cabeça Dinossauro”, da Titãs, e “Dois”, da Legião Urbana.
Estão todos lá, todos devidamente resenhados, refletidos, sorvidos, elaborados. Algo especial aconteceu naquele ano de 1986 para o rock brasileiro, que certamente nenhum outro ano repetirá. “1986 - O Ano que o Rock Nacional Acertou" nos dá pistas mas, antes de mais nada, nos remete a um momento especial de nossas vidas, que segue reverberando através dos sons das guitarras brazucas até hoje em nossos corações.
Essa premiação representa a mim uma série de conquistas. Primeiro, pela qualidade dos finalistas com quem concorri, alguns deles, como o amigão Marcello Campos, e Juarez Fonseca, uma referência do Jornalismo Cultural no Brasil, caras de quem tenho os livros em casa e aprendo diariamente. Afora eles, também Ana Stobbe, do Jornal do Comércio, e Camila Bengo, de GZH, jovens jornalistas que merecem todo respeito.
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| Página inicial da matéria do JC publicada em abril |
A ARI, aliás, também merece um aparte: são 90 anos de instituição, criada, lá nos indos de 1935, por ninguém menos que Erico Verissimo, este totem da literatura e da cultura gaúcha e brasileira que, em 2025, completa 120 anos de nascimento e 50 de morte. Tudo muito simbólico, ainda mais num ano em que perdemos, justamente, seu ilustre filho, o genial Luis Fernando Verissimo. Fora isso, o Prêmio ARI em si, em sua 67ª edição, soube ser o mais longevo do Brasil - e não só no seguimento do Jornalismo, mas em todas as áreas!
Por fim, a conquista de alguém que se sente no seu lugar e premiado por seus pares: os jornalistas. A militância do repórter, reduzida por muitos anos, foi retomada por mim este ano a todo vapor pelas páginas do JC e... taí o resultado!
Fiquem, então, com alguns momentos desse feliz momento e a listagem de todos os premiados.
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| Com o mestre Renato Dornelles celebrando o prêmio e nossa ancestralidade |
| Dividindo a felicidade preta com o atual presidente da ARI, José Maria Nunes |
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| Selfie com a amiga - e também vencedora na categoria Reportagem em TV - Isabel Ferrari |
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| Presença preta no Prêmio ARI: colega de profissão e de ACCIRS Chico Izidro com Renatinho e eu |
por Chico Izidro
Os fãs gaúchos do Supertramp nunca tiveram a oportunidade de ver a grande banda liderada por Rick Davies e Roger Hodgson ao vivo (Hodgson até se apresentou em carreira solo em Porto Alegre) ao vivo. Então quando surge a oportunidade de assistir a um grupo especializado em reproduzir o som do grupo inglês, que encantou o mundo nos anos 1970 e 1980, os aficionados correm direto para o espetáculo. E não se arrependem.Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, 22 de agosto, quando o público teve a oportunidade de ver, mais uma vez no Auditório Araújo Vianna, o show do Super Tramp Experience (que já havia se apresentado no ano passado na Capital gaúcha), conjunto francês liderado pelo vocalista e tecladista Antoine Oheix.
A banda tributo se dedica a recriar fielmente os sons e as performances ao vivo do Supertramp. E isso é o que agrada aos fãs, que sonharam em ver o grupo original, e nunca tiveram a chance. Aí os franceses se preocupam com isso, e reproduzem à perfeição os vários clássicos da banda.
Além do criador Antoine Oheix, a Super Tramp Experience conta com Alice Vallee (guitarra, teclados, backing vocals), Lucas Fleurance (baixo, backing vocals), David Martin (saxofone, teclado, backing vocals) e Stéphane Glory(bateria).
E em quase duas horas de apresentação, com uma grande interação de Antoine com a galera, foram desfilados hits do porte de “Crime of The Century”, “Breakfast in America”, “The Logical Song”, “Dreamer”, “Fool’s Overture”, “Bloody Well Right”, “Give a Little Bit”, "Don't Leave Me Now" e “School”, entre outros.
E fechando o show, aquela música que certamente apresentou o Supertramp para a grande parte do público presente no Araújo Vianna: “It’s Raining Again”, talvez o maior hit, presente no disco “...Famous Last Words...”, de 1982. Com direito a muitos fãs abrindo seus guarda-chuvas dentro do auditório. Foi uma viagem à adolescência de muita gente presente no show. E fica aquela máxima: “se não tem o original, se contente com a cópia. Cópia bem feita”.
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A saborosa e descontraída conversa, regada ao ótimo chop da Cervejaria Pohlmann, que nos recebeu, mais uns petiscos e uma deliciosa pizza da casa, teve como tema central o cult "Bagdad Café", do cineasta alemão Percy Adlon, meu filme preferido desde que o assisti pela primeira vez, em 1988, um ano depois de seu lançamento mundial. Como Criba bem observou, conseguimos destrinchar a obra, admirada por todos nós: direção, fotografia, trilha sonora, atuações, temática, motivações. E ainda ganhei uns mimos superlegais da galera.
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| Eu com os meninos: Chico, Criba e Lauro da esq. para a dir. |
Uma coincidência melancólica motivou ainda mais o debate sobre "Bagdad Café" (ou "Out of Rosenheim", título alternativo dado em referência ao megasucessso da mesma época "Out of India", "Passagem para a Índia", de David Lean). Duas semanas antes da gravação - e após já ter escolhido este título para o episódio - Percy Adlon morreu. Claro que, desta forma, o encontro se tornou também uma homenagem a ele, autor de outros poucos mas belos filmes, como "Estação Doçura" e "Um Amor Diferente". Embora menos gabaritado que outros cineastas alemães (Wenders, Lang, Fassbinder, Murnau, Herzog), Adlon foi muito assertivo e dono de um belo estilo cinematográfico, que muitas vezes remete a estes conterrâneos.
Pessoalmente, o convite para participar do videocast me fez refletir sobre o porquê da prevalência justo deste pequeno conto filmado há tanto tempo em minha vida de cinefilia. O que justifica o amor a este filme mesmo tendo eu visto, conhecido e me apaixonado por tantos outros filmes ao longo destes quase 35 anos? Abismei-me com "Fahrenheit 451", "A Paixão de Joana D'Arc", "O Ano Passado em Marienbad", "A Marca da Maldade", "A Última Gargalhada", "Cabra Marcado para Morrer", "Parasita", "Sindicato de Ladrões". Pra citar apenas alguns dos que tive contato depois de "Bagdad Café", e nenhum o supera pra mim. A resposta é que não há uma explicação racional, pensada. "Bagdad Café" é aquele filme que me arrebata por todas as suas características juntas. Simples.
Mas o bate-papo foi muito mais do que isso que descrevo - ou mesmo diferente. Por isso, vale a pena assistirem. O Cinema de Peso e o filme, claro.
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| Os presentinhos do Cinema de Peso, a começar por essas lindas impressões dos cartazes originais |
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| ...bolach'e'nha... |
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| ...adesivos... |
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| ...e a caneca! |
Daniel Rodrigues
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| Acima, a capa da versão brasileira e abaixo a de Europa e EUA |
A primeira vez que tive contato com o Accept foi lá pelo início de 1984, escutando o Central Rock, na saudosa Ipanema FM, 94.9, apresentado pelo Ricardo Barão. O programa acho que era transmitido de segundas às sextas ou apenas uma vez por semana, não recordo com exatidão, mas ia ao ar das 22h às 24h.
A música da banda alemã tocada foi "Fast as a Shark", a primeira faixa do disco "Restless and Wild", de 1982. E o seu começo era estranho, pois começava com um som chiado e uma voz feminina cantando “Heidi, Heido, Heida”, e na sequência, escutávamos uma agulha arranhando o disco e entrava o vocal gritado de Udo Dirkshneider, seguido de uma bateria insana e solos de guitarra. O efeito trazia a música tradicional alemã ("Ein Heller und ein Batzen", escrita em 1830 por Albert von Schlippenbach) e de acordo com o guitarrista e líder Wolf Hoffmmann, era para enganar os ouvintes, pois ao colocar o disco, eles iriam escutar uma música que não tinha nenhuma conexão com o álbum e teriam certeza de que haviam comprado o LP errado. Uma pegadinha que deu certo.
A música em questão, "Fast as a Shark" ("Rápido como um Tubarão") é considerada a pedra fundamental do Thrash Metal, do Speed Metal e do Power Metal. E não sou eu que estou afirmando. A opinião foi dada por integrantes de várias bandas do gênero, como Metallica, Exodus, Anthrax. O vocalista do Exodus, Steve Zetro Souza, afirmou que ao escutar "Fast as a Shark" teve uma espécie de epifania. "É isso, é isso", soltou ele, que confessa cantar baseado nos vocais de Udo Dirkschneider e Bon Scott, do AC/DC.
No dia seguinte ao escutar o Central Rock, fui atrás do LP para comprá-lo. Adquirido, é um dos meus preferidos desde sempre. E passados quase quarenta anos, sigo escutando o trabalho da banda alemã, surgida na cidade de Solingen, na então Alemanha Ocidental nos anos 1970.
"Restless and Wild" é um daqueles álbuns perfeitos, ou seja, todas as suas músicas são excelentes, assim como "Powerslave", do Iron Maiden, e "The Wall", do Pink Floyd. Ele é o quarto da discografia do Accept, sucessor do debut homônimo de 1979, “I’m A Rebel”, de 1980, e “Breaker”, de 1981.
A obra foi para as lojas europeias no dia 2 de Outubro de 1982, com dez faixas. Nos Estados Unidos seria lançada no ano seguinte, e chegando ao Brasil no começo de 1984, sendo o primeiro da banda a sair por aqui. Nesta época o estilo Heavy Metal começava a criar força incomum no nosso país, chegando ao auge em 1985, com o advento do primeiro Rock In Rio.
Já falei da música ícone "Fast As A Shark", que abre o lado A, seguida de "Restless And Wild", que dá nome ao disco e como o nome diz, é de uma selvageria musical, até hoje presente nos shows, "Ahead Of The Pack", "Shake Your Heads" e "Neon Nights".
No lado B, estão "Get Ready", que tem uma pegada a la Judas Priest, "Demon’s Night", "Flash Rockin’ Man", "Don’t Go Stealing My Soul Away", um dos títulos de música mais legais, e a épica "Princess Of The Dawn", com um solo monstruoso de Wolf Hoffmann, e uma das minhas preferidas de todos os tempos, escutada pelo menos uma vez por semana desde aquela época.
A capa original do "Restless And Wild" apresenta uma foto de duas guitarras, modelo Flying V, cruzadas e pegando fogo. Aqui no Brasil, no entanto, a capa do álbum mostra a banda se apresentando ao vivo, com luzes vermelhas e vários amplificadores, e em destaque Udo Dirkschneider estrangulando o baixista Peter Baltes - sendo a mesma da versão japonesa.
“Restless And Wild” abriu caminho ainda para uma sequência clássica de grandes lançamentos. O disco seria sucedido pelos mega-clássicos “Balls To The Wall”, de 1983, “Metal Heart”, de 1985, e "Russian Roulette", de 1986. Então, o Accept entraria em crise, com a saída de seu fundador Udo Dirkschneider, que seguiria carreira solo. A banda alemã entraria em colapso nos anos 1990, entrando em um hiato de quase 15 anos. A volta aconteceria em 2010, com novo vocalista, Mark Tornillo, estando na ativa até hoje.
Quatro fatos sobre o Accept em minha vida:
Na época do II Grau (hoje Ensino Médio), cursado no Colégio Estadual Paula Soares, eu emprestei o disco "Restless and Wild", sim, naquela época a gurizada emprestava ou trocava discos sem medo de não tê-los de volta, para um colega punk. O cara levou o disco para casa, curioso em escutar aquele som novo e diferente. No dia seguinte, ele me devolveu o disco, e contou: "quando cheguei em casa, fui para o quarto e coloquei o disco para tocar. E na primeira faixa, achei que ele estava arranhado. E na sequência, entrou aquele cara gritando...na hora a minha mãe abriu a porta do meu quarto e soltou: 'quem foi o débil mental que te emprestou este disco?'"
Caímos na gargalhada. Afinal, o cara era afeito a escutar bandas punk como Exploited, Sex Pistols, Dead Kennedys e Misfits. Mas a mãe dele achou absurdamente doente o som do Accept.
Em 2013, assisti finalmente o Accept ao vivo em show no Bar Opinião, em Porto Alegre. E durante a execução de "Balls to the Wall", o guitarrista Wolf Hoffmann se curvou em direção a plateia, olhou pra mim, e disse: "For you, man", colocando uma palheta na minha mão.
Anos depois, sem conseguir achar uma camiseta do "Restless and Wild" (eu coleciono camisas de bandas), visitei a loja Zeppelin, do Alexandre Nascimento, especialista em ítens sobre Heavy Metal, e comentei com ele. Na hora, o Tiziu pegou o telefone e ligou pra um camarada catarinense, que fez sob medida a camiseta com a capa do disco. E paguei apenas o custo de fabricação, e nada mais: R$ 50,00.
Por fim, em 2023, pude presenciar o show do vocalista mais ícônico do Accept, quando Udo Dirkschneider se apresentou no Bar Opinião. No setlist, apenas músicas clássicas da banda que ele fundou lá na década de 1970.
Agora, chega... bora escutar pela milionésima vez "Restless and Wild" e acordar a vizinhança.
por C H I C O I Z I D R O